Meu refúgio
Todas as tardes, um garotinho fica sentando no banco de uma praça. Ele sempre fica olhando para o nada e, todos os dias possui o mesmo balão em suas mãos.
Um homem, adulto, que já estava observando o garotinho há algum tempo, tomou coragem e sentou-se ao lado do menino, esperando que ele falasse algo. O garoto nada disse, apena continuou segurando firmemente o seu balão.
A esse ponto, o homem estava indignado. Virou-se para o garotinho e falou:
? Por que você sempre está com este balão? Onde estão os seus pais?
O garotinho nada falou. Simplesmente apontou para o seu balão, o que deixou o homem mais indignado.
? O que tem nesta porcaria de balão? Você acha mesmo que seus pais estão ai? ? Falou o homem curto e grosso.
O menino, novamente, nada falou. Apenas deixou algumas gotas de lágrimas caírem dos seus olhos. O homem se sentiu culpado por ter o feito chorar.
? Não precisa chorar, mas por que você não fala?
? Por favor, não xingue meu balão. Ele é tudo para mim... Não quero perdê-lo, nele contém o mundo que eu criei. O mundo em que vivo. Não quero viver no mundo em que você vive. Ele tem muitas coisas ruins. ? Falou o garotinho ainda deixando lágrimas escorrerem por sua face.
O homem, ignorante, não entendeu o que o garotinho quis falar. Desistindo de prosseguir com a conversa, levantou-se e voltou ao seu rumo anterior.
O garotinho continuou sentando no banco, segurando seu balão. Olhando para o nada, mas vivendo o tudo dentro daquele balão.