O Mundo De Aslarg

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    Capítulos:

    Capítulo 4

    Mais um viajante

    Heterossexualidade, Linguagem Imprópria

    -Como é?? – Falamos todos em coro.

    - Isso mesmo que vocês ouviram, eu quero viajar com vocês.

    - E por que você acha que eu aceitaria viajar com você?!

    Djaran e Helvin nos entreolhavam prontos para apartar a briga que estaria por vir.

    - Hmm.. E por que você quer vir conosco? – Perguntou Djaran curioso.

    - Bem.. é... que... sabe... – A sereia inquieta andava de um lado para o outro em volta da fogueira improvisada. – Eu tenho meus motivos. – Disse por fim.

    - Pois eu não confio em você, então não vira conosco de forma alguma. – Respondi duramente.

    - Não quero sua confiança, queria sua proteção.

    - Minha proteção?

    - Claro, o que mais seria?! – A sereia balançava a cabeça como se a resposta fosse muito obvia.

    - Eu nunca a protegeria, talvez lhe entregue de comida aos tubarões.

    - Que rude! Entenda que em minha posição não posso sair por ai sozinha então não posso viajar.

    Continuei a encara-la sem mudar minha opinião ate que Helvin falou:

    - Você não poderia explicar melhor o que esta acontecendo senhorita Serena? – Pediu Helvin.

    - Eu.. não posso explica. Desculpe.

    - Então não podemos ajudar, não irei viajar com um ser em quem não confio. – Peguei meu arco e me dirigi à saída da caverna a passos firmes.

    Assim que sai da caverna Helvin se sentou perto da sereia que parecia perturbada.

    - Você tem certeza de que não quer nos contar? – Insistiu a pequena elfa com seus olhos cor de bronze.

    - Eu... – A bela sereia tentava encontrar as palavras numa tentativa frustrada de se explicar.

    Djaran começou a encarar a sereia e quando Helvin se deu conta ele já estava de joelhos cara a cara com ela.

    - Aaaaah! – Disse de forma entusiasmada.

    - O que houve?! – Perguntaram as duas assustadas.

    - Eu sabia que te conhecia de algum lugar! Você é uma das filhas do rei de Regen não é?! – Ele apontava freneticamente para a sereia enquanto pronunciava cada palavra.

    - Fale mais baixo! – A sereia saltou em cima de Djaran e pôs uma das mãos em sua boca. – Shhh! Por favor, fique quieto! – Pediu.

    Helvin ainda espantada com a revelação não sabia como formular as mil perguntas que lhe vieram à mente. Djaran balançou a cabeça para a sereia afirmando silenciosamente que ficaria quieto.

    - Muito bem. – Suspirando a sereia encarou os dois. – Acho que não tenho escolha agora, pensei que estrangeiros como vocês não me reconheceriam, mas já que a situação chegou a este ponto irei contar tudo.

    - Cahaamm! – Pigarreou Djaran.

    - Que foi agora menino lobo? – Disse impaciente.

    - Bem.. é... sabe.. Você esta sentada em cima de mim ainda e em locais indevidos e .. bem..

    - Aaah! – Por instinto a sereia deu um tapa na cara de Djaran.

    Ambos ficaram sentados lado a lado um tempo, corados e em silencio sem saber como reagir à situação. Helvin só os encarava e escondia um sorriso malicioso nos lábios.

    - Ei, Helvin! Não me encare assim! – Ralhou Djaran.

    Sem conseguir se conter mais Helvin largou uma gargalhada.

    - Desculpe, não pude evitar. – Limpando as lágrimas que vieram junto com a crise de riso a pequena elfa se voltou para a sereia. – Então.. Pode começar a falar.

    A sereia surpresa pela mudança na voz da elfa se ajeitou desconfortavelmente em seu lugar e começou sua história.

    - Sou uma das princesas de Regen, mas não sou legitima. Diferente de minhas irmãs eu nasci de uma união clandestina entre meu pai e minha mãe que é uma humana de Brand. – Ela fez uma pequena pausa, nos olhou e esperou que nós absorvêssemos a informação depois continuou. – Meu pai me trouxe para o castelo há alguns anos dizendo que eu já era grandinha para aprender a me portar como uma criatura real, mas eu precisava pelo menos uma ultima vez ver a minha mãe, minha aldeia e os amigos que eu deixei para trás por isso fugi do castelo e me refugiei por aqui onde ate então era meu local secreto. – Mantendo o olhar fixo em nós pediu por fim – Por favor, deixem que eu viaje com vocês, nunca sai sozinha por estas estradas não sei como chegar a Brand e deve ter muitos mercenários pelo caminho além de que tem a guarda real que esta atrás de mim neste exato momento.

    - Ah, então era isso.. – Disse enquanto me perdia em pensamentos.

    - AAAAAAAAAAH! – Gritaram todos.

    - Que foi? – Perguntei sem me abalar.

    - O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI? – Gritava Serena.

    - Ah, então eu fui buscar algo pra gente comer. – Ergui uma das mãos e mostrei um coelho que havia acabado de abater. – Foi quando acabei ouvindo a conversa de vocês.

    - Então mana o que você acha? – Perguntou Helvin ignorando a intenção assassina de Serena.

    - Isso me parece interessante, então ganharemos algo com a escolta.. Certo? – Sorrindo de canto mostrei a outra mão que estava vazia esperando um acordo.

    - Você pretende mesmo me ajudar? – Com desconfiança nos olhos Serena se aproximou de mim. – Não tente me passar a perna ein..

    - Você é uma das princesas de Regen certo?! Mesmo ilegítima continua sendo, então espero um bom pagamento por meus serviços. – Esperando que Serena me desse à mão e selasse o acordo olhei de canto para Djaran que desviou o olhar rapidamente.

    - Claro, irei pagar vocês muito bem. – Serena então me deu a mão e selamos o acordo.

    Sentei-me perto da fogueira e dei o coelho para Helvin, já que ela era mil vezes melhor do que eu na cozinha. Djaran continuava com o olhar abaixado como o de um cachorrinho que fez algo errado.

    - Djaran... – Comecei a falar, mas ele se levantou bruscamente.

    - Então.. Vou buscar umas frutas.. – O lobo saiu quase aos tropeços e eu não pude impedi-lo.

    - O que houve com ele? – Perguntei as duas que o olhavam sair também.

    Serena abaixou o olhar envergonhada e fingiu se ocupar com a tarefa de fazer algumas panelas de argila. Virei-me então para Helvin esperando uma explicação para o estranho comportamento dos dois, mas Helvin apenas fez balançar a cabeça em negativa. Resolvi esperar Djaran voltar para arrancar algumas informações à força então.

    Uma hora se passou depois duas, três, nós já havíamos comido quase todo o coelho enquanto esperávamos por ele. Preocupada com seu sumiço sai em sua busca com o arco pronto para atirar, ele podia estar em sérios apuros. Helvin então se levantou e segurou meu braço.

    - Por favor, se cuide e volte a salvo. – Implorou minha pequena irmã.

    - Claro que eu vou voltar bem e com um lobo medroso comigo. – Sorrindo fiz um breve carinho em seus cabelos – Serena eu quero que você cuide de Helvin ate que eu volte.

    - Eu faria isso mesmo que você não tivesse pedido. – Respondendo de forma orgulhosa a sereia piscou para mim e fez sinal para que eu me apressasse.

    Agradeci silenciosamente a sereia e corri para fora, caminhei durante horas e não encontrei nem rastro de Djaran.

    - DJARAN! EI,CADE VOCÊ SEU LOBO IMPRESTAVEL? – Gritei o máximo que meus pulmões permitiam e não obtive resposta.

    Começando a ficar seriamente preocupada e desesperada minha mente começou a ficar fraca e meus pensamentos disparavam em uma simples armadilha que ele poderia ter caído a um sequestro tortuoso que ele poderia estar sendo sujeito.

    - Mas que barulheira toda é esta? – Perguntou alguém com uma voz sonolenta.

    - Quem esta ai? – Armada com o arco mirei aonde havia ouvido à voz.

    - Shira? – A voz parecia confusa e sonolenta, mas familiar.

    - DJARAN! – Gritei brava e peguei uma pedrinha que estava perto dos meus pés a joguei com força em sua direção.

    - Aaah! Eu vo cai... Drogaaa! – Vi aquele vulto que estava em cima da arvore cair em um amontoado de arbustos e quebrar alguns vários galhos. – Ai..ai...ai... Nossa como isso dói.. – Resmungava o lobo.

    Caminhei furiosa ate onde ele havia caído e apontei o arco.

    - Quais são suas ultimas palavras seu lobo idiota?!

    - Ei ei, espere Shira! Eu juro que posso explicar! – Djaran balançava as mãos diante do rosto freneticamente enquanto tentava se explicar.

    - Não quero ouvir suas desculpas! – Disse brava. – Sabe quanto tempo nós te esperamos? Você por acaso sabe que horas são agora??! Eu vou te matar por isso, juro que vou! – Djaran conhecia a minha impaciência e sabia que seria sentenciado a morte no momento que a testou.

    - Shira.. Por favor...

    Tentando manter a calma me sentei bruscamente longe dele e esperei uma explicação aceitável.

    - Pode começar, tem 10 segundos para me convencer de não te matar agora!

    - Tudo bem. – Djaran se levantou rapidamente e se sentou na minha frente. – Você apenas ouviu o que Serena falou ou viu alguma coisa também?

    - Ah, então era isso... Agora faz sentido – Falei entendendo a situação -Você esta preocupado que eu tenha visto você e Serena em um momento falho de acasalamento? – Perguntei inocentemente.

    - MAS O QUE VOCÊ TA FALANDO?! – Gritou Djaran surpreso. – Momento falho de acasalamento? Não, Não é isso Shira! - Djaran se aproximou mais de mim e segurou minhas mãos. – Você entendeu tudo errado.

    - O que você esta fazendo? – Perguntei surpresa e levemente corada.

    - Uma coisa que deveria ter feito há muito tempo. – Djaran estava diferente do seu habitual, ele se aproximou de mim lentamente enquanto me olhava fundo nos olhos, eu estava assustada com a aproximação dele nunca pensei nele desta maneira e nunca pensei nestas coisas. Tudo que eu enxergava era a minha busca, o meu objetivo.

    Djaran continuou a se aproximar, nossas bocas a centímetros uma da outra e nossas respirações falhas. Ele parecia tão nervoso quanto eu e quando nossos lábios iam se tocar ouvi um barulho que me distraiu.

    - Djaran voc- Fui interrompida com as mãos de Djaran em volta do meu rosto e um beijo me foi roubado, de forma doce e carinhosa ele continuou a me beijar. Então corada e confusa me levantei bruscamente e corri floresta adentro.

    - Shira! Ei, Shira! Espera! – Djaran corria e gritava atrás de mim, ate que sua velocidade de lobo finalmente deu as caras e ele segurou meu braço. – Desculpe, eu.. eu sei que você não queria se relaciona com ninguém.. Eu apenas não queria que você pensasse que eu tinha algo com a Serena. – Djaran abaixou o olhar entristecido e soltou meu braço lentamente.

    Eu não conseguia formular as palavras, simplesmente não saiam, eu havia perdido a habilidade de falar. O beijo foi maravilhoso, fofo e calmo .. Meu primeiro beijo com meu melhor amigo, isso é estranho. Não sei como deveria reagir a isso, talvez não devesse falar nada e deixar as coisas como estão. Notando que eu não pretendia falar Djaran pegou minha mão e nos guiou de volta a caverna.

    - ONDE VOCÊS ESTAVAM? – Perguntaram as duas em coro furiosas.

    - Ah, desculpa.. hehe! – Djaran tentou se desculpar, mas foi bombardeado por perguntas e tapas por ter sumido e por ter supostamente sumido comigo.

    O dia havia sido longo e eu estava exausta acabei adormecendo sem perceber e quando me dei conta já era outro dia.

    - Acorde dorminhoca, vamos nos arrumar para continuar viagem. – Djaran falava de forma normal, como se nada tivesse acontecido.

    Abaixei o olhar desconfortável com a situação entre nós, mas resolvendo ignorar por hora.

    - Onde estão Serena e Helvin? – Tentei parecer natural, mas sem sucesso minha voz falhava.

    - Helvin foi buscar algumas comidas para a viagem e Serena foi se despedir de seu precioso lago. – Sem desviar os olhos das mochilas que estava arrumando nos cavalos Djaran continuou a conversar normalmente comigo, mas nunca me olhando nos olhos.

    - Ah, Mana finalmente acordou! – Disse Helvin alegremente enquanto tentava empilhar vários tipos de frutas em um cesto que carregava sempre consigo.

    - Deixa que eu te ajudo. – Peguei a cesta e a levei ate seu cavalo, chegando lá Helvin pegou a cesta de novo e começou a arrumar as frutas com cuidado dentro de uma mochila.

    - Ah, sentirei falta do meu lago. – Murmurava Serena.

    - A viagem não deve durar muito, logo você o verá de novo. – Djaran tentou anima-la e a presenteou com um espelho.

    - Nossa! Obrigada! – A sereia abraçou forte Djaran e lhe beijou a face.

    - Bem.. De nada. – O lobo que agora estava meio rosado andou ate seu cavalo e o montou. – Então.. Vamos?

    Com um sentimento ruim no peito subi em meu cavalo sem dizer uma palavra. Nossa viagem seguiu rumo a Donner onde teríamos que fazer outra parada para enfim chegar ao nosso destino.. Brand.


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