A linha que liga vida e morte é tão fácil e uma simples interferência destrói a minha inocência.
Chegar a essa decisão não foi nada fácil, nem de longe prazeroso, mas aqui estou sentada a beira no meu fim.
Peço que não me jugue, não sem antes conhecer minha história, aí vocês podem tirar suas próprias conclusões.
Acho que devo começar do princípio. Meu pais, o começo de tudo. Na verdade não lembro muito eles na minha infância, só lembro das brigas e das surras que minha mãe levava, eles nunca se entendiam, até hoje são assim. Talvez ainda estavam juntos por medo da solidão.
Eu não lembro muito de mim! Só me lembro dos meu quadro anos pra frente. Eu era uma garotinha tímida, nem gorda nem magra, branca loira e cheira de cachos no cabelo, era doce, gentil, educada e todos adoravam me ter por perto. Todos dissiam que eu era a princesinha do papai, a bonequinha da mamãe e a queridinha da vovó, eu adora isso, me sentia tão feliz e segura.
Aos dois anos de idade eu ganhei uma irmã, sério eu gostei tanto. O nome dela era Patrícia, ela parecia com minhas bonecas de tão linda que era, branca do cabelo negro.
Eu vivia sempre perto da minha irmã, tinha muito ciúmes dela, minha mãe era dona de casae meu pai trabalhava em uma firma, vivamos bem no interior de são Paulo, nessa época meus pais não brigavam.
O meu inferno começou quando meu pai ficou desempregado e minha mãe foi trabalhar. Depois de um tempo eles começaram a brigar, minha mãe estava muito fria com a gente, ela sempre chorava escondida fumando seu cigarro e com um copo de café. Só mais tarde é que fui entender que minha mãe estava traino meu pai com o seu padrão, e até hoje eu a ódeio por isso, não entendam mal, se ela não gostava mais em meu pai, por mim tudo bem, que cada um fosse para o seu lado, eu supostaria melhor a separação deles do que o que veio depois. Eles não se separaram, provavelmente por, nós que ainda éramos pequenas pra entender o mundo.
E o inferno só continuou, era briga todo o santo dia. Mais tudo ia mudar, pra pior. Minha mãe saiu de casa cedo pra ?trabalhar? nós ainda estávamos dormindo, na época eu tinha só quatro anos. As oito da manhã meu pai vinha acordar a gente e nos dava banho.
Sinceramente eu não gostaria de relatar isso, pois daqui por diante eu mudei, naquele momento eu perdi minha inocência e comecei a ter nojo no meu pai, mais esse é o fato mais importante da minha existência.
Depois de me dar banho, ele colocou na cama pra, ?segundo ele? me secar melhor. O ouve a seguir foi a pior coisa que alguém já fez pra mim. Sim ele me violou, não com meu pênis, mais com meus dedos. Eu não entendia nada, não sabia o que era isso! Só me sentia mal e chorava, o pior é que eu falará,
? Para papai está me machucando. - e ele dissia
? Sua mãe, a culpa é dela que me regeita com marido.
Aquilo pra mim parecia uma eternidade, o homem que devia me proteger, estava me violando, eu não entendia nada, ao fim ele disse.
? Se você abri a boca eu corto sua língua e bato na sua mãe.
Eu passei o dia chorando no fundo no quintal. Não comi, não brinquei, não fiz nada apenas chorei, a noite eu não comi também, e falei pra minha mãe queria ficar na minha avó amanhã.
? Não vai da, sua avó tem médico - foi a resposta dela, desse momento eu odiei ainda mais, fui pro meu quarto, e chorei a noite interia.
Isso que faz ver o quão podre nos somos. O que leva um homem a destruir a vida de sua filha? Será que se ele tivesse idéia de que hoje estou aqui a poucos horas no meu fim, ele teria feito isso?
Eu já estava com seis anos, e quase nada avia mudado, o meu pai ainda estava desempregado, minha mãe trabalhando, minha irmã tinha quatro anos, e nunca tinha sido violada como eu. Ele sempre me acordava primeiro, matava minha alma e depois acordava minha irmã, a única mudança foi meu comportamento. Eu não brincava, não sorria, não falava, eu só comia, e muito comia até demais, não gostava de ficar perto de ninguém e comecei a ser hostil com a pequena Pati, muitas fezes agredido ela, o que me rendeu muitas surras por parte do meu pai.
Mas aquela noite minha mãe chegou em casa de carro com meu tio. E disse pro meu pai que ia levar a gente pra ver umas roupas que meu tio vendia pra comprar pra gente, meu pai concordou. Nos entramos no carro e meu tio e ele começou a dirigir. Em pouco tempo chegamos em uma praça onde todos, saímos do veículo.
? Patrícia vem com o tio, comprar sorvete pra mamãe e pra Brenda, Sara conversa com ela - disse meu tio pegando minha irmã no colo e indo a uma sorveteria perto da praça.
? Brenda, filha você mudou. Eu sei que você é mocinha e já sabe que eu e seu pai não estamos bem - Hoje eu lembro disso e penso por que eu não falei a verdade.
Eu naquele momento nada disse.
? E se você não quiser vir comigo eu entendo. Mais eu vou deixar seu pai.
Se ela ia embora, eu ia também. Eu não ficaria com um mostrou nunca.
? Eu quero ir com você mamãe - a raiva que sentia dela passou e ela só pode me abraçou.
É irônico pensar como um coisa liga a outra, em uma linha tão frágil que a menor intervenção pode destruir uma vida, o universo conspirou, para que chegasse até aqui nesse exato momento, mesmo quando eu era só uma criança, a hostilidade do mundo já mostrava que eu iria sofrer.
No dia seguinte minha mãe não foi trabalhar, ela apenas levantou e começou a arrumar as malas. Eu acordei com os gritos dos meus pais.
? Você não vai tirar minha filhas de mim - gritava minha mãe.
? Elas não saem daqui - ele estava alterado também.
Eu fui até minha cômoda pra tirar meu pijama e vi que não tinha nada na dentro, aliás o meu quarto e o da minha irmã estava vazio, então fui até a sala e vi muitas sacolas e sacos lá. Era nossas roupas.
? Tata por que o papai e mamãe estão gritando? - perguntou minha irmã que tinha acordado e ido atrás de mim.
? Pati vai pro quarto e só sai de lá a hora que a mamãe mandar. - e assim ela fez.
Eu foi até a cozinha. Meu pai estava segurando o braço da minha mãe.
? Solta a minha irmã agora Francisco ou esqueço a consideração que tenho por você, Sara pegue logo as coisas as meninas e vamos, e você como pai vá procurar seus direitos.
Mais que imediatamente a minha mãe colocou tudo no carro e saímos de lá. Fomos para o lugar mais seguro do mundo na minha opinião, a casa da vovó.
Mas de nada adiantaria, eu já tinha uma ferida que nunca mais se fecharia.
Dois ano se passou e tudo tinha mudado, eu mais que tudo! Sempre calada trancada no meu próprio quarto, chegava a ficar dias sem falar com ninguém. Estava indo a escola já! Mais não tinha amigos, nunca falava, vivia na minha ao contrário de Pati que era rodiada de amigos, minha mãe avia mudado, sempre sorrindo, apesar de ainda ser um pouco distante de mim, eu tinha a minha avó! Que me dava carinho sempre.
O mostro, digo meu pai só vai a gente nos domingos pois a justiça ainda não tinha determinado nada, estava pra sair aquela mesma semana o resultado. Esse era meu medo.
Eu tinha oito anos com corpo de uma menina de onze só que baixinha, era muito branca devido a não ficar muito no sol por ódiar o mesmo.
Na sexta saiu o resultado da guarda, minha mãe ficaria com a gente, e meu pai ficaria com nos uma vez por mês, nos pegando na sexta a quatro da tarde e entragando no domingo. E começava hoje.
Eu entrei em desespero pro dentro mais não poderia fazer nada. Arrumamos nossas roupas e fomos com meu pai.
Nossa antiga casa que era um pouco afastada da cidade, tudo estava indo muito bem, ele nem tinha tocado em mim, então achei que estava tudo na boa.
Na hora de dormir tomamos banho e fomos dormir, eu pude ver o quão feliz minha irmã estava. Ela brincou muito com meu pai e eu fiquei como sempre na minha.
Eu não dormi, me limitei a olhar o teto. Era estranho estar ali outra vez, eu tinha medo.
Já devia ser uma hora não sei dizer ao certo quando ele então no quarto. Eu fingi que dormia, então ele me violou novamente, mais dessa vez não foi com seus dedos e sim com seu pênis, mais sem me penetrar, eu só queria que aquilo acabasse logo. Quando ele saiu do quarto eu senti ódio de mim mesma por não ter sido capaz de fazer nada. Mais não chorei, não deixei cair nenhuma lágrima, apenas sentia raiva.
O sábado de dia foi normal, menos pra mim que me resumi a passar o dia todo na tv, assistindo nem eu sabia o que, definitivamente eu estava em outro mundo. A noite depois de comermos eu fiquei na tv um pouco mais. Não queria dormir não tinha vontade de nada, e aos oito anos pela primeira vez eu fiz morrer.
Minha irmã dormiu, e eu na tv, então o monstro olhou pra mim.
? Vem aqui com o pai Brenda - eu não me levantei, então ele me pegou pelo braço e me levou para o quarto dele.
? Tira a roupa - eu novamente não fiz nada, então ele tirou a minha roupa me deixando nua.
Eu não estava com medo, o que sentia era pura raiva, eu já estava totalmente vazia por dentro, já não era nada, não tinha nada! Minha alma? Aos oito anos ela já estava queimando no inferno chamado realidade.
Ele me deitou na cama tirando sua cueca e tentando me beijar, eu travei a boca de modo que ele não colocasse a língua na minha, então senti uma dor aguda por baixo, ele me penetrou.
No meu rosto correu a última gota de inocência, a última parte de minha alma, ali estava os uma casca, e naquele momento pra frente nunca mais seria a mesma, eu me sentiu morrendo.
Logo ele terminou e me mandou tomar banho, eu estava com as partes íntimas toda cheia de sangue e com um buraco ser dentro, demorei muito no banho, pois me sentia suja ainda!
Me deitei no outro quarto, e não chorei, eu não estava ali não mesmo, estava em outro mundo.
No domingo ele nos levou embora de manhã.
Só então no meu quarto com a porta fechada é que eu cai, e choro veio profundo e bruto. Eu ainda uma criança e sem minha inocência, o que eu era então?