Eu não entendia direito o que estava acontecendo. Lúcia, Ukyo e Zidane haviam parado de andar de repente, como se vissem alguma barreira em sua frente. Olhei em volta, esperando ver perigo,mas, em vez disso, encontrei um garoto da minha altura ajoelhado no chão.
- Unic... ? Ukyo disse, com a voz rouca, algo tão baixo que não ouvi nada além de meu nome, mas, depois, sua voz se tornou mais calma, e com os olhos um pouco vidrados,disse ? Sabem, acho que não faria muito bem ao povo se o trouxéssemos de volta mesmo... Quer dizer, talvez tenham mentido para nós, e o mito dele tenha realmente sido da maneira que contam a história...
- Realmente... É muito suspeito alguém sobreviver tanto tempo nesse lugar... Aposto que deve ser um demônio. ? concordou Lúcia, falando lentamente.
- Devíamos matá-lo aqui e agora. ? completou Zidane.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Aquele no chão, o provável Zero, estava ali, ajoelhado no chão, e eles pensavam em matá-lo. Era certo que era estranho ele ter conseguido sobreviver, mas, a que custo? Suas roupas estavam rasgadas e manchadas de sangue, e pareciam um pouco pequenas para ele, pois o short estava quatro centímetros acima do joelho, sendo que ainda parecia meio rasgado. Sua camisa também estava rasgada,mas, o que me chamou a atenção foi o cabelo. Estava longo, ia até os pés, e era branco. O Zero de minhas memórias, tinha cabelos castanho-chocolate, assim como os olhos. Já ouvi dizer que choques muito grandes podem despertar a habilidade de metamorfose em algumas pessoas,mas, pensar na quantidade de coisas ruins que podem tê-lo deixado em choque só me entristeceu mais. Me coloquei a frente dele, com os braços estendidos, e os outros me olharam como se estivesse fazendo algo completamente desprezível.
- Protegendo o inimigo, Unic? Que desprezível. ? Lúcia dia, com ironicamente, desprezo. ? Vamos, saia da frente! ? ela disse, começando a se aproximar.
Percebi que os outros dois também se aproximavam, e apontavam suas armas, diretamente para nós. Olhei para eles, e para o possível Zero, e sem pensar duas vezes, peguei o menino pela mão e corri com ele para dentro das árvores. Não tinha certeza,mas, pensei ter ouvido um riso.