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Salão de Gala de Nápoles ? 20h47, seis meses depois
O mesmo lustre de cristal.
As mesmas cortinas de veludo carmim.
O mesmo piso de mármore que refletia luzes douradas.
Mas dessa vez, não havia traficantes, nem caixas de pó, nem disfarces forçados.
Apenas a Passione ? inteira, viva, celebrando a paz que construíra com sangue, suor e, agora, agora, com música.
Bucciarati organizara tudo:
Baile de Primavera da Passione.
Convites dourados.
Orquestra ao vivo.
Champanhe italiano.
E, pela primeira vez em anos, nenhum inimigo à vista.
20h52 ? Entrada
As portas duplas se abriram.
A orquestra tocava um valsar suave.
Todos os olhares se voltaram.
Giorno Giovanna entrou.
O mesmo vestido rosa da gala fatídica.
Saia plissada, decote delicado, alças finas, cintura marcada.
Maquiagem impecável: blush suave, delineador fino, gloss brilhante.
Cabelo solto em ondas douradas.
Saltos discretos, mas que faziam cada passo parecer uma dança.
Guido Mista estava ao lado dele.
Terno preto impecável, gravata rosa (escolhida por Giorno), chapéu laranja trocado por um laço discreto.
Ele parou.
Engoliu em seco.
Os olhos arregalados.
? Você... tá de brincadeira ? sussurrou, a voz falhando.
? Esse é o mesmo vestido.
Giorno sorriu, travesso.
? Quis reviver o momento.
? Passou a mão pelo braço de Mista. ? Sem missão. Só nós.
Mista ficou vermelho até a raiz do cabelo.
? Você quer me matar, loirinho.
21h03 ? Pista de dança
Bucciarati dançava com Trish, elegante como sempre.
Narancia girava com uma garçonete risonha.
Fugo, rígido, dançava com uma taça na mão, fingindo que não estava contando os passos.
Abbacchio, encostado no bar, tomava uísque e observava tudo com um meio-sorriso.
Giorno e Mista entraram na pista.
Mão na cintura.
Mão na mão.
Passos sincronizados.
? Lembra da primeira vez? ? perguntou Giorno, baixo.
? Você quase tropeçou.
? Eu tava distraído ? respondeu Mista, a voz rouca. ? Você tava lindo. Ainda tá.
Eles giraram.
O vestido rodopiou.
A luz refletiu no gloss.
Mista puxou Giorno mais perto, o nariz roçando o dele.
? Posso te beijar aqui?
? Aqui é nosso ? respondeu Giorno. ? Pode.
E beijou.
Lento.
Doce.
Sem pressa.
Sem disfarce.
A orquestra continuou.
Ninguém aplaudiu.
Mas todos souberam.
21h47 ? Varanda
Eles saíram para o mesmo canto da varanda da missão.
A mesma hera.
A mesma lua.
Mista encostou Giorno na grade, as mãos na cintura dele.
? Sabe o que eu pensei naquela noite?
? A voz baixa, íntima. ? Que se um dia eu pudesse te ter de verdade... eu nunca mais soltaria.
Giorno sorriu, os olhos brilhando.
? E agora?
Mista beijou a testa dele.
? Agora você é meu. E eu sou seu. Pra sempre.
Giorno tirou algo do bolso:
O brinco dourado da missão.
Colocou na orelha de Mista.
? Pra lembrar.
Mista riu, emocionado.
? Você é louco, loirinho.
? Só por você.
22h30 ? Brinde
Bucciarati subiu ao palco.
Taça erguida.
? À Passione. À família. Ao amor que nos mantém vivos.
Todos ergueram taças.
Giorno e Mista, de mãos dadas.
Abbacchio ergueu a dele, resmungando:
? Não exagerem nos beijinhos.
Narancia gritou:
? CASAL DO ANO!
Fugo revirou os olhos.
Trish sorriu.
A orquestra tocou o último valsar.
Giorno e Mista dançaram.
O vestido rosa rodopiou uma última vez.
E sob o lustre de cristal,
na mesma sala onde tudo começara,
tudo terminava perfeito.
Epílogo ? 23h59
No carro de volta à sede,
Mista deitado no ombro de Giorno.
? Sabe o que eu quero agora?
? Sorvete de pistache? ? perguntou Giorno, sorrindo.
? Não.
? Mista beijou a mão dele. ? Você. De camisola preta. Em casa.
Giorno riu, baixo.
? Combinado.
O carro seguiu pela estrada à beira-mar.
A lua os seguia.
O vestido rosa ficou no banco de trás.
E a história, enfim,
teve seu final feliz.