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Sede da Passione ? 07h14
A luz do sol entrava em faixas douradas pelas frestas da persiana, aquecendo o chão de madeira e o tapete branco.
O quarto ainda cheirava a sabonete cítrico, suor leve e algo novo: intimidade.
Giorno foi o primeiro a se mexer.
Um suspiro longo, lento.
Os olhos verdes se abriram devagar, desfocados.
Ele estava de lado, ainda aninhado no braço de Mista, a perna direita jogada sobre a dele.
O cobertor havia escorregado até a cintura; a pele de ambos estava quente, marcada por toques da noite.
Mista dormia de costas, o peito subindo e descendo em ritmo tranquilo.
O cabelo castanho estava bagunçado, uma mecha caindo sobre a testa.
Um braço ainda o envolvia, como se até no sono ele não quisesse soltar.
Giorno sorriu, pequeno, quase imperceptível.
Ele se mexeu com cuidado, virando-se de frente para Mista.
A mão dele subiu, os dedos roçando a bochecha do pistoleiro, traçando a linha do maxilar.
Mista franziu o nariz, resmungou algo ininteligível, mas não acordou.
Giorno se aproximou mais, beijando a ponta do nariz dele.
Depois a testa.
Depois a boca ? leve, como um segredo.
Mista abriu os olhos de repente.
Verdes e castanhos se encontraram.
Ele piscou, confuso por um segundo, depois sorriu, preguiçoso.
? Bom dia, loirinho ? murmurou, a voz rouca de sono.
Ele puxou Giorno mais para si, beijando-o de volta, lento, sem pressa.
? Bom dia ? respondeu Giorno, a voz suave, ainda meio rouca.
Ele se aconchegou, a cabeça no ombro de Mista.
? Dormiu bem?
? Melhor noite da minha vida ? disse Mista, sem hesitar.
Ele passou a mão pelas costas de Giorno, sentindo a pele ainda quente.
? E você? Tá... tudo bem aí embaixo?
Giorno corou levemente, mas assentiu.
? Um pouco dolorido. Mas... valeu a pena.
Ele ergueu o rosto, beijando o queixo de Mista.
? Você foi cuidadoso.
Mista sorriu, orgulhoso e carinhoso.
? Prometi, né?
Ele se sentou devagar, puxando Giorno junto.
? Vem. Banho. Depois café. E analgésico, se precisar.
Giorno deixou que Mista o guiasse.
No banheiro, a água morna caiu sobre os dois.
Mista lavou o cabelo de Giorno com xampu de lavanda, os dedos massageando o couro cabeludo.
Giorno fechou os olhos, entregue.
? Isso é... novo ? murmurou.
? Depois de ontem, tudo é novo ? respondeu Mista, beijando a nuca dele.
Eles saíram do banho enrolados em toalhas brancas.
Mista vestiu uma camiseta velha e uma boxer.
Giorno escolheu uma camiseta larga de Mista ? cheirava a ele ? e nada mais.
Desceram para a cozinha da sede, de mãos dadas, descalços.
Na cozinha, apenas o som do café coando.
Mista fez ovos mexidos.
Giorno cortou frutas.
Eles comeram sentados no balcão, ombro a ombro, trocando olhares e sorrisos bobos.
? Então... ? começou Mista, lambendo o garfo. ? Namorados?
Giorno ergueu uma sobrancelha, mas o sorriso era resposta suficiente.
? Se você quiser.
Mista riu, puxando-o para um beijo com gosto de morango.
? Quero. Muito.
O sol entrava pela janela.
O café estava quente.
A camisola preta ainda estava no chão do quarto.
E o dia, pela primeira vez em muito tempo,
parecia perfeito.