The Last A: O Último Anis

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    Capítulos:

    Capítulo 21

    Kumate: Kuon vs Jason - Parte 2

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    A continuação da luta épica.

    Várias surpresas inesperadas serão vistas nesse capítulo.

    No capítulo anterior vimos um Jason bastante valente fazendo valer seu desafio. E enquanto lutavam, Kuon conseguia ver mais do que Justin podia fazer.

    E com somente um passo, Kuon se aproximou de Jason, levando uma de suas mãos até o dorso do jovem. O olhar surpreso do humano foi o ponto que antecedeu uma ação cruel do Anis: com uma das mãos, Kuon segurou em uma das costelas de Jason, torcendo-a... e a quebrando. A dor sentida foi instantânea, com Jason indo ao chão, se contorcendo e gritando de dor, que ecoava na floresta. E observando o jovem, Kuon diz:

    — Como um graveto... Fácil demais...

    — Des-desgraçado! – Disse, sentindo fortes dores.

    — Você ainda não aprendeu... – Disse Kuon, chutando Jason para longe.

    O humano, com a intensidade do golpe, foi praticamente arremessado, com seu corpo arrastando pelo chão. Mas parecia que Kuon estava mesmo decidido a mostrar a diferença de forças: ele novamente chutou Jason em seu rosto, causando um corte profundo em seu supercílio. O sangramento foi imediato, sujando parte do rosto e o solo. A dor na costela fraturada era tanta que Jason até ignorou o corte. E Kuon, ficando de pé próximo a ele, fiz:

    — Dói, não? Eu sei que dói...

    — SEU FILHO DA P*TA! – Disse, gritando e sentindo fortes dores – EU VOU TE ESFOLAR VIVO!

    — Valentia... Você sempre teve isso. Na escola, no jogo... e na luta. Pode ter se saído bem nas duas primeiras, o que já é um feito formidável, mas aqui... Não, Jason. Nossas naturezas são distintas. Nós Anis somos seres evoluídos em todos os sentidos. Nós reconhecemos que os humanos merecem ter o seu lugar, mas abaixo de nós.

    Jason estava em uma situação crítica. Com poucos golpes, Kuon já o havia dominado e seus danos graves. Com o rosto tudo sujo de sangue, o jovem olhou para Kazu e, o encarando, diz:

    — Kazu... Você não faz nada... PORQUE ESTÁ VENDO ISSO SEM FAZER NADA?

    — Eu sou o Arauto. Sou o árbitro desse Kumate. Concentre-se em sua luta.

    — Você... VOCÊ CONCORDA COM TUDO QUE O KUON DISSE?

    — Jason Hawoen, concentre-se em sua luta.

    — RESPONDE A P*RRA DA PERGUNTA, KAZU! C****HO, NÓS SOMOS AMIGOS!

    — Jason... Concentre-se na luta.

    — RESPONDE A PERGUNTA! É ISSO... VOCÊ ME VÊ COMO UM SER INFERIOR? RESPONDE! – Disse, com lágrimas nos olhos – Eu te entendi, te entendi... Eu não entreguei você, te perdoei... PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE? VAMOS! RESPONDE!

    Mas Kuon estava ouvindo a conversa. Ele então caminhou para próximo do jovem e, segurando uma das pernas de Jason, diz:

    — Você está no Kumate, Jason. Kazu é meramente um espectador que atua como árbitro. Ele faz isso muito bem, devo reconhecer...

    — SEU ARR*MBADO! SOLTE MINHA PERNA!

    — Eu me pergunto... Eu devo soltar sua perna ou arrancá-la de você?

    — O que?! – Disse Jason, assustado – Você não faria isso...

    — Não? Como você mesmo disse, eu tirei as memórias de Hakiro, tentei tirar as suas... Tirar algo seu seria fácil, muito fácil... e bem satisfatório.

    — PARE COM ISSO! – Disse, tentando chutar Kuon com a outra perna.

    O Anis, com um sorriso no rosto, executou um forte pisão na barriga de Jason, tirando-lhe quase todo o ar e o fazendo ficar fraco por causa desse detalhe. E agora pressionando sua perna para cima, forçava-a para quebrá-la na altura de seu joelho. E Kuon, olhando para Jason, diz:

    — Você não tem mais o direito de andar. Eu vou tirar isso de você...

    — Seu... desgra... Ah...

    — Hm? Você disse alguma coisa? Ah sim... Você não vai fazer nada, não é? Muito bem... Eu vou te dizer o que vai acontecer com você nos próximos minutos: eu vou arrancar sua perna e levá-la comigo como um troféu. Mas eu não vou deixar que morra... e você sequer vai lembrar disso, porque vamos tirar tudo de você!

    — Não... Você não...

    — VOCÊ SERÁ UM VEGETAL, JASON! – Disse Kuon, gargalhando – EU VOU TE FAZER UM FAVOR! VOCÊ NÃO SERÁ MAIS UM HUMANO! HAHAHA!

    Jason na verdade havia caído em uma armadilha de Kuon. Embora soubesse lutar, o nível do Anis, mesmo que tentasse a equidade, era acima de um humano. Kuon sabia disso desde o suposto surto da Blood Plague, o deixando sem saída. No fim, sua estratégia funcionou e conseguiu subjulgar Jason sem lhe dar chances de se defender.

    Seguindo com sua posição e missão, Kazu só observava a luta como um árbitro imparcial. Porém era angustiante saber que um amigo que lhe mostrou o outro lado, de como as pessoas poderiam sim viver felizes e sem precisarem ser influenciadas para chegar a “paz merecida”. Por dentro, Kazu sofria a cada segundo que antecedia a ação maquiavélica de Kuon.

    O cenário era trágico...

    A iminência de um fim traumático...

    Kuon parecia mesmo disposto a seguir...

    E Jason nada podia fazer...

    Seus gritos de dor traziam uma aflição...

    ... e satisfação a Kuon...

    Uma noite sinistra e fria, como o Anis.

    Porém um evento inesperado ocorre, transcendendo os eventos que se esperavam de um momento nada agradável como o que presenciamos. 

    Um som seco foi ouvido...

    Um corpo arremessado ao ar foi visto...

    Ondas psíquicas translúcidas o atingiram...

    Um poder descomunal, salvando Jason...

    E um felino com pelugem acinzentada, com dois fios longos de pelos iluminados sob suas costas...

    Kuon, Jason e Kazu... eles todos testemunharam a entrada triunfante de Piece 1, golpeando Kuon. O jovem Anis foi jogado para longe com toda a força, se chocando contra uma árvore. A força foi tanta que seu corpo a partiu, ocasionando sua derrubada.

    Jason olhava atônito, sem entender o que estava acontecendo e, ainda olhando para Kuon, Piece 1 diz:

    — Isso tudo não passa de uma grande perda de tempo. Uma afronta ao que qualquer Anis puro pensa...

    — Piece 1... O que... – Disse Jason, ainda fraco. 

    — CALE-SE, HUMANO! Você... Você é fraco... Nunca poderia lutar contra ele, mesmo que esse Anis seja uma fraude.

    E Kuon, se levantando, ia voltando a caminhar e, limpando sua roupa, diz:

    — Então era mesmo verdade... Um Anis bestial, psíquico... Shizuka acertou novamente.

    — Então já sabia de minha existência...

    — Mais ou menos. Mas foi melhor assim... Te conhecer em ação... Você é forte, meus parabéns. Mas terá de...

    — MORRA! – Disse, arremessando novamente suas ondas psíquicas translúcidas.

    Kuon foi novamente atingido, desta vez com ainda mais violência. A cada vez que recebia os projéteis invisíveis várias hematomas eram vistas nos pontos atingidos, causando sangramento e muita dor ao Anis. Kuon caiu e pela primeira vez estava cambaleante.

    Porém...

    — Isso... Isso que está saindo de mim... Hehehe... É sangue... É SANGUE?! HAHAHAHA! – Disse Kuon, gargalhando compulsivamente.

    Suas risadas sinistras em nada abalaram Piece 1, que emanava uma aura psíquica poderosíssima. Sujo de sangue, com vários ferimentos pelo corpo, Kuon tornou a andar e, olhando para Kazu, diz:

    — Arauto, qual seu julgamento?

    — Kuon, esses eventos... Eles não...

    — FAÇA SEU JULGAMENTO!

    — Um invasor pôs em aberto o destino das partes do Kumate. Jason Hawoen, qual sua posição? 

    Mas Piece 1 não lhe deu tempo de dizer absolutamente nada.

    — REGRAS HUMANAS! COMO VOCÊS PODEM SE CONSIDERAREM ANIS? Umas injúria como essa fere nossa raça soberana... Eu já fiz meu julgamento: o seu fim, Kuon!

    — Hm... Você ouviu isso, Arauto? – Disse Kuon, com um sorriso no rosto – O Kumate tomou uma proporção maior...

    E Kazu, sem perder tempo, diz:

    — O Kumate continua. O invasor declarou abertamente estar em defesa do desafiante. Com isso e diante um Anis, Kuon tem minha autorização como Arauto do Conseil para usar plenamente seus poderes.

    — Ah sim... Isso mesmo! Hehehe... Era o que eu queria ouvir!

    A risada de Kuon externou o seu desejo de ter ouvido o que Kazu disse. No mesmo instante o chão próximo onde Kuon estava começou a se congelar, formando uma crosta de gelo que estilhaçava. Na verdade esse efeito se deu pois ele estava concentrando seus poderes.

    Um frio intenso começou a ser sentido por todos...

    Kazu logo se mutou para sua forma felina...

    E Jason foi protegido por uma barreira psíquica... 

    Kuon estava em sua forma Anis pela primeira vez: era um híbrido de felino com orelhas e caudas de pelugem azul, com seus olhos da mesma cor. Porém eles expeliam uma névoa congelante. O Anis nesta forma estava mais ameaçador, mostrando que de fato íris usar tudo que tinha.

    — Você me forçou a isso, Anis renegado. Se você irá levantar sua cólera contra mim, então irei retribuir a “gentileza”.

    — Renegado? Um reles Anis que mal saiu do casulo nunca entenderia o que é ser um Anis. Eu sou Piece 1, o Anis mais poderoso!

    — Eloquente e prepotente. Uma combinando perfeita! Então, venha... Mostre-me que é o Anis mais poderoso!

    E a luta começa.

    Em uma reviravolta Inesperada, Piece 1 e Kuon agora se colocaram frente a frente. O sentimento da batalha era diferente. Qual seria o objetivo de Piece 1? Porque estava defendendo Jason? Kuon sequer o conhecia mas já o detestava tanto quanto Jason.

    O Anis com poderes de gelo arremessou vários dardos congelados contra Piece 1, que nem esboçava alguma reação. Envolto por uma barreira, olhava para Kuon, dizendo:

    — Inútil... e desesperançoso. Será mais rápido que eu imaginava.

    — INSOLENTE!

    — Tolo. Verá que não estou para brincadeira...

    Demostrando que estava mesmo falando sério, sucessivos golpes são recebidos em frações de segundos em tudo o corpo de Kuon, que foi suspenso inclusive, por causa da intensidade dos ataques invisíveis do Anis psíquico. Kuon novamente vai ao chão, ferido.

    Levantando-se lentamente, ele diz:

    — Ah... Covarde...

    — Você ainda pode ser salvar.

    — O que?

    — Renda-se e jure fidelidade a mim. Se ajoelhe a minha frente e faça isso... como um bom fiel.

    — Você deve mesmo estar brincando... – Disse, caminhando em direção a Piece 1 – O que é isso... Um tipo de blefe? Você... Você não está falando sério...

    — Meu próximo ataque será devastador. Já está bastante ferido e eu só parei de atacá-lo por misericórdia... Anis, não se rebaixe!

    Jason, sujo de sangue e sentindo dores em seu abdômen, já estava de pé acompanhando a luta. Sem entender, logo pensou:

    — *O que está acontecendo aqui? Porque Piece 1 veio? E como ele sabia que eu estava aqui? Ele... Ele me disse que não está com todos os seus poderes e... Ele está mostrando uma força fora do comum, como eu nunca vi... Kuon é mais assustador que imaginava! Então é essa a força de um Anis? Piece 1 estava certo, eu nunca tive chances... Mas como conseguiu tanto poder?*

    E Kazu, também pensando, logo tratou de colocar mais dúvidas:

    — *Kuon já percebeu... É um blefe... e ele não vai cair...*

    Mas o que isso significa? Porque Kazu pensou nisso? Decerto, o diálogo entre Kuon e Piece 1 continuou:

    — E então... Aceita minha oferta?

    — Huhuhu... HAHAHAHAHA! – Gargalhou Kuon, emanando seus poderes – Já estou farto disso tudo... JÁ CHEGA!

    Kuon levou uma das mãos a frente, começando a concentrar seu poder na palma. Uma imensa bola de energia congelante tomou o lugar, causando uma friagem absurda. Ventos foram sentidos, com uma brisa fria enunciado o arremesso. E Kuon, executando um movimento com a mão, diz:

    — MORT GLACIALE!

    O golpe tinha um poder ainda mais monstruoso que o de Piece 1, cortando o ar e atingindo o felino psíquico em cheio. Uma forte explosão ocorreu, fazendo com que um deslocamento pesado de ar disse sentido por todos. Justin foi jogado para longe, com Kazu o segurando. Ele, confuso, diz:

    — O que... O que foi isso?!

    — Mort glaciale... O golpe mais poderoso de Kuon.

    — O que?

    — Kuon tem poderes criogenicos. Ele consegue controlar a temperatura abaixo de zero de qualquer ser vivo. Porém... Esse seu movimento não depende de toque. Aliás, a condensação que ele cria com o ar, eliminando boa parte do oxigênio e aumentando essa parte com gás carbônico...

    — Então... Isso foi um tipo de bomba de hidrogênio?!

    — Um poder inigualável... e indefensável. Kuon não é só um influenciador. Ele é um dos Imps.

    — Hã?

    — Um grupo seleto de Anis, regidos pelo Conseil. O Kumate é uma forma de controlar seus poderes e se colocarem no nível dos humanos. Como você pode ver e sentir, não há como um humano vencer um Anis. Em outras palavras, o Kumate não passa de uma formalidade para dar um fim digno a humanos problemáticos.

    — Kazu... Isso que você disse...

    — Concentre-se, Jason Hawoen!

    Lentamente a poeira ia abaixando, se misturando a névoa seca por causa do golpe destruidor de Kuon. E ele, caminhando, logo viu o estrago que causou: uma cratera no meio da floresta com cinco metros de diâmetro. E nele, lá estava Piece 1... deitado inerte. Muito ferido, mal conseguia se levantar, com Kuon dizendo:

    — Maximum hidden power... Essa estratégia eu conheço.

    — Miserável... Como ousou...

    — Precisei fazer muitas coisas pra me manter vivo nesse mundo... Eu usei todos os tipos de estratégias possíveis e inimagináveis... a ponto de perder minha honra... Mas eu estou aqui, vivo e mais sábio... e forte.

    — Como descobriu?

    — Nenhum ser em uma batalha usa seu poder total no início. Até mesmo Jason tinha noção desse contexto tão primitivo... Mas você... Hahaha! Era um livro aberto. Mas eu acho que sei o porquê...

    E ele, já próximo ao felino caído, diz:

    — Você usou tudo que tinha concentrado, não foi? Eu sei que sim... Senão você estaria de pé com esse meu ataque... – Disse, chutando Piece 1 para longe - Me subestimou, verme... E esse foi um erro mortal!

    Com Piece 1 caído, Jason logo se desesperou:

    — PIECE 1!

    — Ouça só... Hahaha... – Disse Kuon, levantando o felino – O fracassado do humano está chamando por você.

    — Me solte!

    — Hehehe... Eu pensava que tinha visto de tudo, mas estava enganado. Então você é amigo de um humano?

    — Cale-se... Eu vou... Eu vou te... destruir..

    — Sério? Haha... Sabe, eu iria te matar rápido, como um Anis mereceria. Mas como se aliou a um humano, eu devo puní-lo como o Conseil faria...

    Kuon jogou Piece 1 para cima, um pouco a sua frente. E em uma das mãos conjurou um tipo de lâmina formada de gelo. Bem afiada, a colocou a frente e, correndo, diz:

    — “QUE O ABISMO O CONSUMA ATÉ OS OSSOS!” HAHAHAHA!

    O fim estava próximo.

    Piece 1 havia perdido.

    O golpe mortal era inevitável...

    ... mas o inesperado tomou a frente.

    Antes que Kuon atingisse Piece 1 com sua lâmina afiada, Jason se colocou na frente, sendo empalado com toda a força do Anis, que se surpreendeu. Até mesmo Kazu se assustou com o ocorrido, esboçando um rosto de desespero. O olhar incrédulo de Piece 1 só deixou o clima ainda mais pesado. Segurando a lâmina que estava encravada em seu peito, Jason diz:

    — Eu não vou deixar... que o mate...

    — Jason?! – Disseb Kuon, pasmo – O que pensa que está fazendo?!

    — Eu que sou... o seu... adversário... seu k*são!

    Kuon, assustado, retirou com força sua lâmina do peito de Jason, lhe causando danos graves e muita dor. Executando um salto para trás, Kuon diz:

    — Arauto, qual seu julgamento?

    — Eu... Kuon...

    — ARAUTO, FAÇA SEU JULGAMENTO!

    — A situação está fora de controle. Eu irei cancelar esse Kumate!

    — NÃO! ISSO CONTINUA!

    — KUON, EU ORDENO QUE O KUMATE SEJA CANCELADO!

    — EU NÃO ACEITO! E Jason tem o direito a palavra também... ou o que sobrou dele.

    E justamente somos levados a Jason. O jovem caiu de costas ao chão, cuspindo sangue. A hemorragia interna já havia começado. Piece 1, desesperado, se arrastou até próximo do humano e, o olhando, diz:

    — Porque, humano? Porque?!

    — Essa luta é minha...

    — Ele é poderoso demais... e eu não tenho mais poderes...

    — Por isso mesmo... que eu... te protegi.

    — O que?!

    — Você é... meu amigo... Piece 1...

    — Porque está dizendo isso?! Porque essa insistência em querer usar de seus sentimentos humanos para comigo?

    — Porque eu te considero... meu amigo. Você me ajudou... mesmo quando eu sequer sabia que você era um Anis e... quando olho pra você, eu só vejo alguém perdido e sozinho...

    — Humano...

    — Você não está perdido... nem sozinho... Eu te fiz uma promessa... e eu vou cumprir...

    — Humano, porque está fazendo isso por mim? Eu te vejo como um objeto, um instrumento de dominação!

    — Por isso eu te vejo como amigo...

    — Porque?!

    — Porque um amigo sempre está olhando para o outro da mesma forma... o protegendo... e se importando. Você sempre vem com “porquês” porque você... se importa comigo... e eu com você.

    Vários pensamentos vieram a mente de Piece 1, de uma forma que o Anis mal conseguia entender. Jason havia despertado uma emoção escondida em alguém que ele estimava, mas que não era correspondido.

    “Amigos não são aqueles que dizem: vá em frente. Mas sim os que dizem: vou com você.” Anônimo.

    Essa emoção transformou a sua forma de viver, de interpretar sua própria vida em um mundo diferente...

    “A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz.” George Eliot

    E que a fez ver além de seus interesses, oferecendo a ele a opção de escolha de como seguir em frente!

    “O tempo para as circunstâncias de alteram e todos nós vamos mudando, mas uma verdadeira amizade se mantém como igual, seja qual for o cenário.” Anônimo.

    A forma incondicional ao qual Jason se colocou para proteger Piece 1 o tornaram mais racional, mas de uma maneira... mais humana. E ele, num único pensamento:

    — *Ele está mesmo fazendo isso porque quer... e sem querer nada em troca. Ele quis proteger, se atirando para a morte... por mim. Um Anis não faria isso... Não faz sentido se sacrificar por uma emoção... Mas... Ele fez isso porque se importa comigo?!*

    Piece 1 tomou sua decisão. Sozinho e entregue a seus próprios ideais. Ele então, com muito esforço, se levantou, dizendo:

    — Esse é o momento, humano.

    — Hm? Piece 1...

    — Você é meu ressonante... e eu o seu.

    — O que... Mas...

    — Você quer vencer? Quer subjulgar esse Anis miserável que humilhou a nós dois?

    — Piece 1...

    — RESPONDA, HUMANO! MOSTRE HONRA! ESSE SEU FERIMENTO NÃO PODE TE TIRAR A VONTADE DE LUTAR! VAMOS, DIGA!

    — SIM! – Disse Jason.

    — Muito bom... Então... Diga: “eu sou seu ressonante”. Diga sem pensar... DIGA! COM FURIA! COM TODA SUA FORÇA!

    E Jason, inflamado pelas palavras motivadoras de Piece 1, gritou:

    — EU SOU... SEU... RESSONANTE!

    E o Anis psíquico, com seus olhos se iluminando, diz:

    — E eu o seu... Jason Hawoen!

    >RESONANT.EXE

    >PROGRAM LAUNCH...

    >USER: SHIDOSHI

    >BEGIN!

    Pela primeira vez, Piece 1 disse o nome completo de Jason. As frases ditas pelos dois logo trouxeram um efeito imediato: logo todo o corpo de Piece 1 se desmantelou, formando fragmentos pelo ar. Pequenos mano robôs que começaram a tomar o corpo de Jason, que os recebia tremendo a cada segundo. Logo seu corpo foi levantado, flutuando no ar. Uma luminosidade começou a emanar de seu peito, trazendo uma luz ofuscante.

    Kuon e Kazu olhavam o ocorrido sem entendem absolutamente nada, protegendo seus olhos. E após alguns segundos, uma voz metálica diz:

    — Programa Ressonante. Ignição de hospedeiro... CHARGE!

    E uma explosão de energia acontece, com feixes verdes que pareciam linhas de comando de computador tomando forma. E logo a frente dos dois, uma figura que ostentava orelhas e caudas felinas em formato de nanites fluorescentes surge. Só de calças e com o peito cheio de runas de prompt de comando, uma voz trêmula e duplicada diz:

    — Somos dois em um só objetivo... Derrotar Kuon! Ouçam nossas palavras, estremeçam perante meu ser... e implorem por perdão. Porque eu irei com tudo, sem temer o imponderável. Ouçam o meu nome... Eu sou Jay 1... e irei mesmo introduzir sem pena em seu orifício anal cada centímetro do meu ódio!

    Jason e Piece 1 se fundirem e formaram Jay 1. Uma mescla entre humano e Anis. Kuon e Kazu estavam estarrecidos com o que acabaram de testemunhar. E como se as surpresas não tivessem acabado, Jay 1 executou um salto quase impossível de prever, socando Kuon com força e o jogando para longe. E Jay 1, olhando para Kazu, diz:

    — O Kumate continua, ok?

    — Hã?! Mas...

    — OK, KAZU? Ou melhor dizendo... Arauto?

    — Si-sim!

    — Muito bom!

    E a verdadeira luta começa!

    JAY 1 VS KUON

    ♪banda: BELLA UTOPIA

    ♪music: "Dilema do Prisioneiro"

    Kuon se recuperou do golpe no ar, fazendo uma manobra e caindo de pé. Ele imediatamente olhou para Jay 1, que diz:

    — Pergunte.

    — O que está acontecendo aqui?

    — Sua derrota. Não está vendo?

    — O que? Hahaha! Eu não tenho a mínima ideia do que está acontecendo, mas como eu estou falando com o Jason, então... O RESULTADO SERÁ A SUA DERROTA!

    Ao dizer isso, Kuon executou um soco em Jay 1, que o segurou com uma das mãos. Surpreso, o Anis diz:

    — O que?! Mas como?

    — Você levou dois segundos para pensar e quatro milésimos para executar seu golpe. Eu calculei durante sua luta todos seus padrões.

    — Mas como você... – Disse Kuon, sendo interrompido.

    — No momento você está lutando contra “um humano” com 3% além de sua capacidade cerebral. Você já viu essa teoria? – Disse, golpeando Kuon com um soco.

    ♪Esqueça o pecado, respeite o momento

    E quem está ao seu lado, não vai criar ilusão

    Só ande na linha, levante a cabeça

    E quem quer te pisar, não vai sair do chão!♪

    O golpe foi violentíssimo, muito acima do que Kuon esperava. Foi tão forte que o levou até uma área distante, mais úmida inclusive. Kazu precisou de deslocar para poder acompanhar a luta.

    Kuon logo se levantou, ainda confuso com tudo que acontecia. Mas diante do desafio que tinha, logo emanou seus poderes, dizendo:

    — VOCÊ NÃO TEM O PODER QUE EU TENHO! NÃO IMPORTA QUE ESTEJA MAIS INTELIGENTE, EU VOU TE DESTRUIR!

    E juntando energia em ambas as mãos, Kuon começou a arremessar suas esferas poderosas:

    — MORT GLACIALE! AHHH!

    As habilidades felinas de Jay 1 se fizeram úteis, já que precisou usá-las para evitar os ataques destruidores de Kuon. Mas o ressontante diz:

    — A eficácia de seus ataques foram diminuídas. E você não sabe o porquê...

    — CALE-SE! – Disse, ainda desferindo várias esferas.

    — Você não vai parar... Está confuso e desorientado. Sua curiosidade o está cegando. Como eu disse, sua derrota está acontecendo...

    ♪PRA QUE CHORAR?

    Se tudo isso já passou!

    PRA QUE LEMBRAR?

    Este lugar que ninguém pisou!

    Esqueça este dia... e sinta alegria

    Mesmo que seja SÓ!♪

    Desesperado e descontrolado, Kuon só confirmava a análise de seu estado mental. Cansado de ouvi-lo, o Anis partiu para o ataque físico, usando sua lâmina de gelo em seus dois braços. Descendo vários golpes, Jay 1 se defendia usando seus braços normalmente, o que chamou a atenção de Kuon, que diz:

    — O que?! Mas como você está conseguindo se defender?!

    — A aderência a superfícies geladas equivalem a 0,34% caso estejam em zero absoluto. Porém as suas lâminas perdem o fio ao tocar o oxigênio a nossa volta. Seu poder gélido é soberbo, mas se aplicado as leis da física torna-se ridículo.

    — GRR! CALE-SE!

    ♪Viagem do tempo, sem medo de errar

    Por todos tormentos, querendo te derrubar

    Depois de algum tempo, que vai valer a pena

    Toda essa dor, não vai virar dilema!♪

    O ritmo frenético que Kuon tentava golpear Jay 1 era impressionante, porém isso não era o suficiente para acertá-lo. E quando Kuon ia novamente se posicionar para emanar seu Mort GLACIALE, Jay 1 o segurou pelo braço e o jogou para longe. Logo o Anis cai em um pântano, com a lama abundante cobrindo todo seu corpo. E estranhamente, o ressontante também faço o mesmo, dizendo:

    — Você não vai mais poder usar seu poder estupendo. E vai receber cada golpe meu a partir de agora.

    — HAHAHA! Como pode chegar a essa conclusão idiota?

    — Vá... Lhe dou um minuto para tentar.

    — MORRA!

    Porém era exatamente isso que aconteceu: Kuon não conseguiu emanar seus poderes. Ele, confuso, diz:

    — O que está acontecendo?!

    — Lama. Esse é seu ponto fraco que você não conhecia.

    — O que?!

    — Você é um estudante brilhante. Deveria saber que o nível de carbono da terra se expande quando molhada. Não existe lama nas áreas polares porque? Bingo! A terra está congelada em zero absoluto... e você não consegue fazer isso!

    — Ora... Cale-se, Desgraçado!

    ♪PRA QUE CHORAR?

    Se tudo isso já passou!

    PRA QUE LEMBRAR?

    Este lugar que ninguém pisou!

    Esqueça este dia... e sinta alegria

    Mesmo que seja SÓ!♪

    Kuon foi a encontro de Jay 1 com seus próprios punhos, mas o ressontante já parecia saber do que iria fazer. Cada soco potente do Anis era ou evitado ou defendido por Jay 1, que diz:

    — Seu desespero está no ponto mais crítico. Até mesmo sua força já não se iguala com a de um Anis. Sem seus poderes você não passa de um... Hm? Humano?

    — CALE A SUA BOCA!

    — Mais cedo você havia dito isso... Dejavu, Kuon?

    — EU JURO, JASON! EU VOU TE MATAR!

    — Não, você não vai... E é hora de acabar com isso.

    Jay 1 passou a ofensiva. Vários socos foram executados, com sequências pontuais em seu rosto e barriga. Mesmo Kuon tentando contra atacar, Jay 1 somente se defendia e atacava ainda mais forte.

    Uma sequência de três socos na cara...

    Chutes em sua barriga, sem pena...

    Vários murros em seu rosto novamente...

    Jay 1, segurando nos cabelos de Kuon, desferiu inúmeros socos em seu rosto, fazendo-o sangrar em seu supercílio. Não satisfeito, ele continuou e diz:

    — Isso tudo lhe é satisfatório? – Disse, o socando três vezes e quebrando seu nariz.

    O ressontante soltou Kuon, que recuou para trás. Mas nem por isso Jay 1 encerrou seus ataques:

    — Iamiko iria gostar de ver tudo isso... – Disse, chutando seu rosto e quebrando seu maxilar – ESSE CHUTE É POR ELA!

    Kuon estava sendo humilhado por Jay 1. Não lhe dando chances, o ressontante continuou a golpeá-lo, o levando até uma árvore. Ele então segurou novamente nos cabelos de Kuon e jogou seu rosto contra a árvore, dizendo:

    — Você sempre teve tudo... Sempre influenciou a todos... Sempre quis ser o dono da razão e da vida de todo mundo... Você se via um deus! Você nunca teve intenção de paz... Você vive pra guerra! E eu... Eu vou te entregar a cura pra isso!

    E sem demorar muito, concentrou seu punho para detrás de seu corpo. Logo uma fagulha se formou, trazendo a tona nanites iluminadas. Jay 1, olhando para Kuon, diz:

    — TOME ISSO!

    Um soco carregado.

    Com um poder absurdo.

    Iluminou o ambiente...

    ... atingindo Kuon em seguida.

    ♪PRA QUE CHORAR?

    Se tudo isso já passou!

    PRA QUE LEMBRAR?

    Este lugar que ninguém pisou!

    Esqueça este dia... e sinta alegria

    Mesmo que seja SÓ!♪

    O efeito foi monstruoso, com Jay 1 atingindo Kuon em sua barriga. O jovem Anis foi arremessado para longe, além dos olhares de todos. Kazu estava mudo, sem ainda entender. Mas de uma coisa ele sabia: Kuon sabia sido derrotado.

    ♪Mesmo que seja SÓ!♪

    O fim da batalha chegou.

    Jay 1 olhava para cima, observando a noite que era iluminada por uma luta cheia. Aos poucos, enquanto ficava imóvel, os nanites se desfaziam. Logo Piece 1 apareceu, se soltando do corpo de Jason, que vai ao chão, bastante ferido. Seus olhos pesavam ao se tentar mantê-los abertos. Piece 1, o olhando, se aproximou rastejando. Como ainda estava muito fraco, diz:

    — Jason...

    — Piece 1...

    — Eu gostei de ser seu... amigo...

    — Eu também... A gente f*deu mesmo com o Kuon...

    — Sim... seja lá o que isso quer dizer...

    — Hehe... Não vou poder viver muito tempo pra te ensinar... certos vocabulários... – Disse, fechando seus olhos.

    — Jason?! JASON!

    Kazu corria em direção aos dois, enquanto Piece 1 gritava por Jason. Por um breve momento o jovem o ouviu e, antes de fechar seus olhos...

    ... ele esboçou um sorriso.

    Continua na segunda temporada.


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