The Last A: O Último Anis

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    Capítulo 20

    Kumate: Kuon vs Jason - Parte 1

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Uma batalha sanguenta está prestes a começar. Finalmente os dois irão tirar suas diferenças.

    — NHK BREAKING NEWS!

    — Atenção a todos de Etofuru. A polícia acaba de decretar estado de recolher. A partir das oito horas da noite todos os estabelecimentos deverão fechar e as pessoas seguirem para suas casas imediatamente. Tudo isso é em razão ao surto de uma doença ainda não descoberta que eclodiu durante as olimpíadas escolares de Etofuru essa tarde. As autoridades médicas ainda estão fazendo averiguações. As pessoas que sofreram da Blood Plague, nome dado para designar o surto, estão hospitalizadas mas estão bem. Em breve mais notícias.

    Uma TV ligada em uma das casas da região deixou claro e exposto acerca do clima da cidade de Etofuru estava passando naquele momento. Um toque de recorrer foi alçado pelo prefeito da região e respeitado rigorosamente por toda a população. Naquele mesmo dia vários atletas estudantes que participaram das olimpíadas escolares foram recolhidos para serem examinados um a um pelos médicos do hospital. Para estranheza e preocupação dos profissionais envolvidos, ninguém mais havia qualquer tipo de sintoma ou anormalidade, apresentando saúde inclusive.

    Mas mesmo com a parcial calmaria, todos os eventos esportivos, assim como os estudantis, foram cancelados até segunda ordem. Todas as escolas e colégios da região de Etofuru foram fechados para que respeitassem o toque de recolher. O momento era tenso, porém os habitantes da cidade interiorana do Japão tinha responsabilidade social e a adoção das medidas protetivas foi respeitada. A vida não parou, mas as atividades estavam mais limitadas, mas mesmo com isso houve participação completa da população.

    Por obséquio: quase todas as pessoas.

    Uma semana depois...

    Floresta de Etofuru | 21:00

    No interior da mata densa da floresta, situada por detrás de uma cachoeira no alto de uma montanha rochosa, se encontrava a casa de Kuon e Shizuka. Os irmãos estavam sentados no sofá, com a Anis dizendo:

    — Você demorou para tomar essa decisão... porém a tomou.

    — Cale-se, Shizuka...

    — Enfim uma atitude digna de um Anis.

    — E porque está tão animada?

    — Simples: eu odeio regras. Entretanto você está numa situação que me agrada... Aquele humano asqueroso o provocou... me provocou... Eu mesma poderia tê-lo matado naquele instante...

    — Shizuka, eu o desafiei ao Kumare... Porém você sabe muito bem das regras do Conseil... Por isso Kazu está na sala de comunicação. Só o arauto tem esse direito.

    — Isso tudo é uma grande bobagem... Deveríamos ter matado aquele humano junto com sua prima... Seria mais agradável...

    — Shizuka, pare com isso. Você sabe muito bem o que aconteceria se o Conseil ouvisse o que você acabou de dizer...

    — Mostrando misericórdia? Essa emoção... ela me enoja.

    — Não tire conclusões precipitadas. Eu odeio o Jason e quero sua queda... Cale-se, Shizuka!

    E surgindo do nada, era Kazu. Entrando na sala caminhando, diz:

    — Poderia contar ao Conseil e acabar com essa palhaçada... Porém eu tenho princípios.

    Kuon logo se levantou e, ignorando o que seu amigo disse, ele tratou de falar:

    — E então... Qual o resultado?

    — Você ama tem tempo para reconsiderar, Kuon...

    — ARAUTO, QUAL O RESULTADO?

    — Você irá ficar gritando comigo, Kuon?

    — Estamos no meio de um Kumate. Quero saber o resultado agora!

    — Hm... Eles aceitaram.

    Ao ouvir o que Kazu disse, Kuon se levantou e, estalando os dedos, diz:

    — Muito bem... Será hoje.

    — Essa não é uma decisão adequada, Kuon... Essa rivalidade já virou doença...

    — Arauto... Kazu, você só deve fazer o seu trabalho. Sua opinião é desnecessária.

    — Desnecessária?! Kuon, você e a Shizuka fizeram mal a humanos que nada tinham a ver com essa briga entre vocês dois!

    — Todos são humanos. Não faz diferença Jason ou qualquer outro. Se Shizuka fez o que fez foi para mostrar ao humano desgraçado o quão insignificante são.

    — Isso não é certo... e você sabe disso!

    Kuon, ao ouvir Kazu, parecia que estava possuído de raiva. O pressionando contra a parede, diz:

    — ELES SÃO OS RESPONSÁVEIS POR TUDO!

    — Ei, me solte!

    — Você está tão cativado por aquele humano que até se esqueceu do que aconteceu a todos nós! Porque se importa tanto? Porque essa insistência em saber de sua segurança? Você quer me dizer o que é certo ou errado... e ignora tudo que passamos...

    — Eu não ignoro nada! Eu sou o arauto, então seu melhor do que você ou qualquer outro Anis sobre todo nosso caminho. Você está levando tudo isso para o lado pessoal!

    — LADO PESSOAL?! JASON É UMA AMEAÇA! – Disse, gritando – NOSSO LUGAR DE SOBERANIA ESTÁ EM RISCO E VOCÊ PENSA QUE ESTOU INTERPRETANDO COMO UMA SIMPLES BRIGA DE COLÉGIO? Não, Kazu... Escute, você foi ludibriado pelo Jason e adquiriu empatia com ele... ELE É UM HUMANO! ELES FAZEM ISSO O TEMPO TODO UNS COM OS OUTROS PRA DEPOIS USAREM COMO “SUAS FERRAMENTAS”!

    — Pare de gritar comigo! – Disse Kazu, tentando se soltar – E meu solte, vamos!

    Com Kuon soltando o arauto, ele continuou:

    — O que o Jason te ofereceu... Kazu... Seja o que for que ele te disse, é por puro interesse. Ele quis me humilhar, denegrir meu nome, me tirar do controle...

    — Kuon, Jason não é quem você pensa...

    — Ele é exatamente o que eu penso...

    — Deveria pensar mais então. Ele tem família e...

    — NÓS SOMOS ANIS! NÃO TEMOS QUE NOS IMPORTAR COM HUMANOS!

    — Você dizendo assim dentro dessa sua ideologia não está sendo melhor que ele então...

    — SOMOS MELHORES QUE TODOS ELES! Se nós devemos ter o controle de tudo por aqui é para colocá-los nos seus devidos lugares de seres inferiores... NÃO SE ESQUEÇA DISSO, ARAUTO!

    — Tudo bem, Kuon... Tudo bem. Eu tentei conversar abertamente, mas vi que você só é “uma ferramenta” do Conseil.

    Kuon entendeu o último comentário de Kazu como uma provocação. E com esse sentimento, o Anis se aproximou dele e diz:

    — Trate de medir bem o que você quis insinuar, Kazu. Eu já venho acompanhando você a muito tempo, desde antes de Jason...

    — O que quer dizer?

    — Você é empático... Essa emoção é proibida pelo Conseil.

    — Eu sou o Arauto! Tenho direitos de sentir e de me expressar para mediar conflitos... e você sabe disso!

    — Então melhor começar a ser imparcial, porque suas atitudes e comportamentos meses últimos dias me dizem que você está mesmo enturmado com Jason.

    — Kuon, retire já o que disse!

    — Uh... Então é verdade. Essa sua reação... Eu também estudo emoções humanas, Kazu. Eu preciso conhecer “meus compadres” antes de mostrá-los quem dita as regras.

    — Você sabe muito bem que o Conseil... – Tentou dizer, sendo interrompido.

    — Você vai continuar se escondendo atrás do Conseil? Kazu, seja mais autônomo... Eles mesmo exigiram isso de nós.

    — Você está usando isso contra mim, não é?

    — Kazu, nobre companheiro... Caso tenha esquecido, estamos no mesmo lado. E você... a que lado segue? – Disse, olhando nos olhos do Anis.

    Kazu havia entendido perfeitamente onde Kuon queria colocá-lo e conseguiu. Sem poder contra argumentar com ideias, o jovem Anis diz:

    — Eu seguirei o protocolo de Kumate como de praxe. Então trate de seguí-lo também.

    — Assim que eu gosto. E pode ficar tranquilo, Arauto. Eu irei... e até logo.

    O Anis influenciador em seguida deixou a sua moradia, sendo seguido por Kazu. Já era noite na floresta inclusive, lugar onde os dois caminhavam sem se falar. Não demora muito e, no interior de mata densa da Floresta de Etofuru, Kuon e Kazu chegam finalmente ao lugar combinado para o duelo.  

    E lá estava Jason, os esperando. Sozinho, carregava somente uma mochila enquanto olhava Kuon. Demonstrando muito ódio, o jovem humano diz:

    — E aí, c*são... Pronto pra surra?

    — Jason, o humano confiante... Isso é a única coisa que eu admiro em você.

    — Obrigado... Ah e como informação adicional, leva esse presente pra sua casa ou seja lá onde você mora... – Disse, jogando um frasco para Kuon.

    — Hm? O que é isso? – Disse, confuso.

    — Óleo de peroba. Lustra bem móveis... e você pode usar na sua cara também.

    Kazu precisou segurar o riso para não explanar a graça que achou do que ouviu. Mas mesmo assim Kuon percebeu, o olhando. E mostrando irritação, ele diz:

    — Irei lhe dizer o que vai acontecer aqui: eu irei mostrá-lo a diferença entre humanos imundos como você e Anis como eu. Vou acabar primeiro com a esperança que você ainda carrega em seu coração de pensar que pode me vencer. Após isso, vou te castigar, te humilhar e tirar tudo de você... e mesmo com você implorando para que tudo isso termine, quero que saiba que é só o começo...

    — Uh! Fiquei até arrepiado... Você poderia escrever uma fanfic com essas idéias, sabia? Fica esperto, Kuon... Você não me conhece... – Disse, retirando sua mochila e a abrindo.

    Feito isso, Jason retirou de dentro de sua mochila luvas de karatê, porém havia sido de diferente, que Kuon mesmo percebeu:

    — Essas luvas... Elas são...

    — Sim... Da Iamiko. Um pouco dela está aqui hoje... pra eu esfolar essa sua cara bonita.

    — Confiança... Gosto disso em você. E vou gostar ainda mais após vê-lo no chão caído e inerte... 

    As provocações estavam a polvorosa. Jason e Kuon realmente se odiavam e isso só piorava. Mas o que aconteceu anteriormente? Se passou uma semana após o desafio do Anis influenciador para o Kumate.

    Voltemos um pouco no tempo, para uma melhor contextualização.

    Uma semana antes...

    Logo após o desafio aceito por Jason, ele saiu da sala ainda mais irritado que de costume. Com uma correria desordenada pelo campus do colégio de Etofuru, o jovem foi em direção a saída. Nem mesmo seus amigos, que o avistaram ao longe, foi capaz de fazer com que Jason saísse as pressas. Ele tomou um ônibus e seguiu até sua casa.

    Piece 1 o recebeu, mas Jason somente o ignorou, fazendo com que o felino não entendesse o que estava de fato acontecendo. O rapaz, indo até seu quarto, se deitou e colocou o volume ao máximo de seu som. Naquele momento Jason gritou tão alto que Spark, o canino com poderes elétricos, pôde ouvi-lo da floresta... e somente por ele. O jovem não parou, xingando ainda mais como nunca fez na vida. Seria uma forma de desabafar talvez? Ou somente um ato de fúria, este que mostraria sua vontade de esmurrar Kuon quando teve a oportunidade? Não se sabe ao certo, mas havia um pouco de cada teoria em seu sentimento naquele momento crítico.

    Os dias se passaram, o assunto do momento era o surto do Blood Plague pela cidade e as autoridades tomaram providências rápidas. Nenhum especialista chegou a uma causa e, como citado no início, o estado de sítio foi instaurado na cidade a fim de não haver propagação da suposta doença. Durante esse período conturbado, Jason não buscou contato com ninguém a não ser seuwv amigos, só se comunicando via celular, e sua tia para saber mais notícias da recuperação de Iamiko. A jovem já havia recobrado a consciência inclusive, o que trouxe mais alívio a Jason. Mas mesmo assim, o jovem não saía de casa, se preservando. Mesmo seus amigos o chutando para sair durante o período diurno o rapaz se negava, inclusive a visitas. Porém, no meio da semana, Hakiro decidiu ir até a casa de Jason para conversar. E em seu jardim, estavam os dois amigos reunidos.

    — Jason, essa doença...

    — Você já deve saber.

    — Kuon. Aquele desgraçado...

    — Você já sabia. Contou a alguém?

    — Me deu vontade de contar para o meu pai, porém depois de tudo que aconteceu... Eu não me sinto seguro, Jason. Eu estou de volta, meus pais estão muito felizes e... eu não quero perder mais nada!

    — Relaxa... Está tudo bem. Kuon só está jogando terror psicológico.

    — Conversa, Jason... – Disse Hakiro, se levantando.

    — Como assim?

    — Você está tramando algo. Eu te conheço.

    — Hm... Relaxe. Está tudo bem... Não irei fazer nada idiota.

    — Idiota ou não, você vai fazer algo. E eu tenho certeza que é por causa disso tudo que está acontecendo.

    — Vai contar para o seu pai então?

    — Não... Melhor deixar minha família longe disso tudo. Porém estou preocupado com você. Seja lá o que você for fazer, eu não vou te impedir. Porém preciso te perguntar uma coisa...

    — Diga.

    — Eu posso fazer parte disso?

    — Não... – Disse, gesticulando negativamente com a cabeça.

    — Eu esperava que você dissesse isso.

    — E então?

    — Eu confio em você, cara. Até agora você só acertou. Nem o que aconteceu a Iamiko é sua culpa... independente do que digam. A culpa são desses Anis...

    — Sim. E Hakiro... Agradeço pela confiança. E mais uma coisa...

    — O que?

    — Seja o que acontecer, não se vingue. Eu me responsabilizo por tudo dessa vez. Seja feliz...

    — Cara... – Hakiro mostrou preocupação – Da forma que você está dizendo, até parece que vive não vai voltar... Tem certeza que não quer minha ajuda?a conversa

    — Não... Está tudo bem. Eu... Eu preciso fazer isso sozinho.

    — Tudo bem, cara... – Disse Hakiro, o abraçando em seguida.

    A amizade dos dois era mesma verdadeira. Hakiro deixou a casa de Jason após a breve conversa, confiando a seu amigo seja lá o que ele ganha planejado. Hakiro sabia muito bem que Jason havia se isolado de todos e agora sabia o porquê.

    Durante os dias da semana, Hakiro desviou ruas as atenções a Jason, chamando a seus amigos do time e os distanciando ainda mais de seu amigo. A fé de Hakiro por Jason era mesmo forte.

    Certa vez, ao faltar de dois dias para o duelo, Piece 1 começou uma conversa com Jason, que estava lendo um livro em seu quarto. Num final de tarde, com os fracos raios de sol iluminando o ambiente, o Anis diz:

    — Humano...

    — Hm? O que foi?

    — A tempos que não deixa esse recinto... E desde o dia que aconteceu o surto na cidade que mostra um comportamento estranho...

    — Você está se preocupando comigo, é isso?

    — Não tire conclusões precipitadas. Você não está agindo normalmente.

    — E daí? Agora você quer dar uma de protetor e saber o que está acontecendo... Vai, pis... Diz logo!

    — Pare de me chamar assim! É desrespeitoso para comigo!

    — Diz logo!

    — Você me disse que o Anis chamado Kuon e sua irmã Shizuka foram os responsáveis por tudo... Você não vai fazer nada?

    — Vou sim... Já está tudo combinado.

    — Hm? Como assim?

    — Não é da sua conta.

    — Você é meu ressonante. Tudo que fizer deve passar por minha aceitação.

    — Então eu tenho que pedir autorização a tudo que fizer a você?

    — Pensei que fosse desprovido de inteligência... Estava errado, ademais.

    — Nem f*dendo! Pis, fica na sua e me deixa. Eu irei resolver tudo em alguns dias, então desencana e vai caçar ratos!

    — Com quem você pensa que está falando? – Disse, pulando sobre a cama.

    — Com um gato folgado que sabe falar mas não sabe ouvir calado. E o pior: que se mete na vida dos outros. Daqui a pouco vai pedir pra eu fazer lasanha, não duvido...

    — Grr... Retire o que disse!

    — Retirar? E você quer que eu coloque onde? Não responda...

    — Humano insolente... Estou somente protegendo meu ressonante para futuramente colocar em prática meu plano...

    — Faz uma coisa: fica planejando aí e me deixa, falou? Quem sabe um dia você consiga dominar o banco de areia da praça... Sonhar não custa nada.

    Piece 1 realmente ficou irritado como estava sendo tratado, recuando e seguindo até a janela. Jason, percebendo isso, não pôde deixar de reparar que o comportamento do felino diz diferente de outras ocasiões. Sabendo desse detalhe, se viu obrigado a ser aproximar dele e, se sentando a cadeira próximo a janela, diz:

    — Piece 1...

    — Eu não necessito de sua atenção...

    — Ei, relaxa... Faz um tempo que quero te perguntar uma coisa...

    — O que quer saber?

    — Ah... Sei lá... Tipo, você é um gato... Digo, você alguma vez teve uma vida normal, em um lugar que você sempre podia contar e ter alguém te esperando?

    — Não sei o que é sua normalidade. Mas irei tentar responder: eu não nasci em um ambiente acolhedor, se baseado no que pensa como “normal”.

    — Mas então o que...

    — Medo... Dor... Sofrimento... Ódio... Essas foram as coisas que aprendi exatamente nessa mesma ordem. Essas emoções... Sentimentos que afloraram em mim e forjou o meu ser.

    — Cara... – Disse Jason, olhando para o felino – Piece 1... Você teve amigos? Tipo, alguém que você confiava, sei lá...

    — Muitos Anis deram a vida para que meus planos seguissem como o combinado. Mas por alguns razão eu guardo esses lembranças com um tipo de bloqueio...

    — Como assim?

    — Meus poderes ainda estão muito abaixo do que eu realmente sou capaz. Há um tipo de parede que impede que eu veja mais do meu passado. O que eu lhe disse é a única coisa que eu “lembro”. Mas com o tempo eu irei descobrir mais sobre mim... Spark é fiel a mim e talvez me ajude com isso, mas até lá isso não será um problema...

    — Entendi... Bem, eu posso te dizer uma coisa?

    — O que quer, humano?

    E Jason, se levantando, foi até a janela. E olhando para o jardim, ele diz:

    — Quero fazer uma promessa...

    — Hm?

    — Eu vou resolver essa parada toda aí... Quando eu terminar de vez com esse problema, eu vou te ajudar.

    — Como é? Não estou entendendo...

    — Eu vou te ajudar a “seguir com o seu plano”, hehe.

    — Grr... Está judiando de mim?!

    — Hehe... Não, estou mesmo falando sério. Eu não vou te zuar por pensar em “dominar o mundo”.

    — Grr... Porque está me dizendo isso?

    — Ah... Eu meio que concordo com você. Esse mundo é uma loucura só e... Tá tudo uma m*rda. Ser humano é muito mais difícil hoje do que em eras passadas. Eu vi muitas coisas nos livros, com esse movimento de “evolução” só ferrar mais e mais com o planeta.

    — Você está concordando comigo?!

    — É, quase isso. Não são todos os humanos que são ruins.

    — Não terei piedade de ninguém. Todos perecerão.

    — Até eu? – Disse Jason, olhando para Piece 1.

    No mesmo instante da pergunta do jovem, o felino desviou o olhar, tornando a dizer:

    — Por-porque está me dizendo essas coisas? Qual seu pensamento?

    — Eu sinto muito por tudo que você precisou passar pra poder estar aqui. Até eu reconheço que você merece um pouco de sucesso na sua vida... E eu vou te ajudar nisso.

    — O que?!

    — Você deve estar confuso. Desde o início eu te tratei como um animal maluco. Só que o tempo foi passando e eu fui te conhecendo melhor... Então, pra terminar, eu te peço desculpas por ter sido um babaca com você. E sério, você é legal... Tá na hora de você ter um pouco de vitória. Isso faz bem as vezes, sabia?

    — Você está se retratando comigo?!

    — Sim. Foi mal... E como eu disse, quando tudo isso terminar, eu vou te ajudar...

    — Humano... – Disse Piece 1, ainda mais confuso.

    E Jason voltou para a cama. E sabendo que o silêncio do felino foi por causa do que disse, precisou dizer:

    — Tá... Você deve estar cheio de dúvidas. Uma palavra pra encerrar: amizade. Eu me importo com você, Pis... Agora relaxa e fica na paz aí.

    Aquele conversa teve um efeito diferente nas na mente do felino, que o fez refletir cada palavra dita pelo humano. Vendo Jason voltando a ler seu livro, Piece 1 se viu ainda mais confuso e logo tratou de sair do quarto, indo até o jardim da casa. Lá, olhando para o céu, pensou:

    — *O que está acontecendo aqui? E porque estou tão impressionado? Esse humano... Tem algo de diferente nele... Ele me alimentou, me salvou daquele lobo insolente... e agora se retratou comigo e... vai me ajudar?! E o que ele quis dizer que eu sou “legal”? Essa palavra... O que é ser isso? Maldição... O que está acontecendo? Porque estou pensando nisso? Ele é uma arma, um objeto que irei usar para dominar a todos os humanos... Então porque estou pensando nisso?! Eu sou Piece 1! Eu... Eu não tenho nada a me preocupar!*

    Mesmo revisitando suas convicções, era fato que o felino psíquico não estava conseguindo descobrir o porquê de ter um pressentimento diferente acerca de Jason. Não que estivesse com dúvidas de seu plano, mas sim do que o humano passou a representar para o Anis. Se colocando em vários dilemas, Piece 1 passou o resto do dia pensando sobre isso, enquanto Jason, as escondidas, planejava sua vida para se preparar para a luta contra Kuon.

    O tempo passa...

    Como informe da situação de Etofuru, os dias se foram mas as restrições a cidade se mantiveram. Embora as autoridades médicas não tenham mais encontrado surtos da suporta doença Blood Plague, a cidade de Etofuru estava em isolamento. A polícia passou a investigar aos poucos, com o Sr Hansen Hakiro, pai de Hakiro, se antecedendo ao pior, tendo a ideia de pedir ajuda a Agência Nacional de Polícia o quanto antes. O órgão governamental de investigação respondeu ao chamado e destacou um agente para ajudá-los. Porém levaria tempo.

    No que adiantava todo o movimento?

    A Blood Plague era uma doença imaginária.

    Somente Jason sabia... e ele não iria contar.

    Ele guardou pra si esse segredo e se afastou de seus amigos.

    Ele se preparou... e resolveu tudo antes de seguir...

    Para o dia do Kumate... Que enfim chegou.

    Voltando ao presente...

    Jason, que vestia uma calça jeans azul com uma camisa preta, já havia colocado as luvas de sua prima. E Kuon, com sua roupa tradicional (o próprio terno azul com gravata vermelha, uniforme do colégio) diz:

    — Arauto... Eu estou pronto.

    — Muito bem... – Disse Kazu, olhando para Jason – E ao challenger, já está pronto?

    — Se f*der, Kazu! Porque está falando assim?! É francês essa p*rra?

    — Challenger humano, trate-me por arauto. Sou arbiter do Kumate, então dê-me as honrarias.

    — Mas que parada escrota é essa?! Aí, um pouco de explicações seria bom, não acham?

    Kuon, olhando para Kazu, diz:

    — Ele está certo... Explique-o, arauto. Eu esperarei.

    — Tomar no **, Kuon! Não preciso de nada seu!

    — Hm... Patético...

    — O que você disse?!

    E Kazu, cortando a conversa cheia de provocações, diz:

    — Challenger Jason... Estamos em um Kumate.

    — Tá, que m*rda é essa? Que frescura vocês Anis inventaram agora?

    E Kazu, em forma de crônica, explicou bem o que se trata o desafio:

    “O Kumate é um desafio de Convictions d'idées (convicções de ideias) para fazer valer o seu direito ante uma opinião contrária a sua. Resumidamente, se trata de um duelo usando as regras medievais e francesas da Renascença. O Conseil instituiu o direito de um humano a fazer de sua palavra a soberana, porém terá de mostrar isso em um duelo contra o Anis dominante. Somos superiores, porém não permitimos injustiças. Tudo humano tem esse direito que foi dado a você.

    As regras do Kumate são:

    O Anis desafiado só poderá usar força equivalente ao humano;

    Caso o humano tenha algum tipo de vantagem durante o duelo e isso seja um fator determinante para que esteja vencendo, o Anis tem total direito de nivelar a essa vantagem, inclusive usar de seus dons superiores;

    A forma de obter vitória contra um Anis é:

    1- Tocar a sineta três vezes antes que o Anis o impeça;

    2- O Anis desistir do Kumate;

    3- O humano o nocautear.

    Antes da luta começar, ambos podem exigir Duel Butin (Espólios de Duelo). Explicando melhor: cada um poderá escolher o que irá querer como recompensa em ter vencido o Kumate. Qualquer coisa é permitido, até mesmo escravidão ou a morte. O Duel Butin só terá validade se ambas as partes concordarem em exigir seu espólio ou não. É permitido pedí-lo após o Kumate, caso eu, o arauto, consiga atender a reivindicação. Escolha com sapiência e sabedoria, pois uma vez pedido não há mais opção de desistência.”

    Após a explicação, Jason não demorou pra deixar claro que havia entendido tudo:

    — Beleza... Então eu posso pedir o que eu quiser do Kuon se eu vencer?

    — Sim... o vendedor terá esse direito – Disse Kazu.

    — Na boa, isso aí é babaquice... Porém eu vi vantagem. Ok... Vou aceitar essa ideia de vocês aí... Na moralzinha, vocês precisaram voltar duzentos anos da história da humanidade pra ter essas noções de justiça?

    — O mundo dos humanos era mais justo... – Disse Kuon, olhando para Jason nos olhos – Vocês eram rústicos e limitados, mas a palavra e honra eram o alicerce de seu povo. Mesmo seus tratos com animais, embora cruéis, ainda tinham justificativa. O mesmo não posso dizer de hoje...

    — Tá, k*zão... Então eu quero que você simplesmente pare de querer influenciar a todos. E quando digo “todos” é pra todos os humanos do mundo. Ou seja, tu vai viver que nem um humano, tendo que ralar todo dia pra conseguir viver! Nada de política, nada de retaliação.

    Ao ouvir Jason, Kuon começou a rir sem parar e em alto volume. O humano, mostrando irritação, diz:

    — Qual foi a piada, k*zão?

    — De tantos Duel Butin que poderia pedir, escolheu logo o mais idiota... Haha... Jason... Eu esperava algo mais concreto e de acordo com um Kumate... Que idiotice.

    — Só preciso disso, desgraçado!

    E Kazu, virando-se para Kuon, diz:

    — Ao Contesté, qual seu Duel Butin?

    — O apagamento completo e permanente de tudo que Jason tem, assim como permissão de apagar novamente a mente de Hakiro.

    Mas Jason logo se manifestou:

    — DEIXA O HAKIRO FORA DISSO, ARR*MBADO!

    — Jason, Hakiro é uma anomalia como você. E como sua pessoa o despertou sabe lá como, ele está envolvido. A única forma de salvar seu amigo insolente é me derrotar.

    — Desgraçado... Pode ter certeza que eu vou te derrotar, c*zão do c****ho!

    — Hehe... – Riu, enquanto olhava para Jason – Vamos começar logo com isso, arauto.

    — Muito bem... – Disse Kazu, levantando sua mão – Kumate entre Jason e Kuon está autorizado pelo Conseil e oficializado por mim, o Arauto. Os Duel Butin foram definidos... COMECEM!

    Ao abaixar do braço de Kazu, Kuon se movimentou rapidamente até Jason, o socando no rosto. O jovem logo sentiu a força do Anis, indo ao chão em seguida. Kuon, triunfante, diz:

    — Você não tem ideia de como isso foi satisfatório... Vai, levante-se... Preciso te esmurrar mais... Não estou satisfeito...

    O maior erro de Kuon foi confiar demais em si mesmo e menosprezar Jason. Isso ficou evidente pois o humano aproveitou o momento de algazarra do Anis e o desequilibrou com uma rasteira. Embora Kuon não tivesse caído, isso foi o suficiente para que Justin tivesse tempo de golpeá-lo em seu dorso e, aproveitando que Kuon abaixou seu rosto, Jason executou um incrível chute, o acertando em sua cabeça. O golpe foi violentíssimo.

    Com Jason sangrando no canto da boca, ele olhou para Kuon, dizendo:

    — TÁ SATISFEITO, KUON? – Disse, limpando seu rosto.

    — Jason... Você é patético... – Disse Kuon, levantando.

    Embora o golpe tenha sido potente, Kuon não estava sangrando. Ademais, ele estava tranquilo, mesmo diante de um Jason bem raivoso. E o Anis, rindo baixo, diz:

    — Esse deve ter sido seu melhor golpe...

    — Foi sim... E você vai receber mais...

    — Gosto de ouvir você sonhar alto... Deveria desistir e se dar por vencido. Te pouparia da dor que... – Tentou dizer, sendo interrompido.

    Kuon não teve muito tempo para monólogos, já que Jason voltou a golpeá-lo, dessa vez em seu dorso com um chute. Por sorte, o Anis conseguiu evitar um dano maior, dependendo com um de seus braços. Jason, por estar na vantagem, diz:

    — E então... Cadê essa sua força de Anis?

    — Tolo... Você não tem ideia de onde se meteu...

    — F*DA-SE! – Disse, executando um soco.

    O golpe era potente, mas com um simples salto para trás Kuon evitou o ataque. O Anis, sorrindo em tom de deboche, sequer esboçava base de luta, esperando por Jason atacá-lo. E dito e feito: o humano correu para encontro de Kuon, executando sucessivos socos. Porém dessa vez vimos Kuon demonstrar suas habilidades de Anis, se esquivando facilmente de todos os golpes. E num momento de desatenção, Kuon golpeou Jason em sua barriga com um chute, o fazendo ir ao chão. E olhando para o humano, ele novamente diz:

    — Patético...

    E quem disse que Jason parou? Entretanto Kuon já esperava por isso e aparou o soco dele, segurando seu punho. E durante essa ação, o Anis diz:

    — Acho que você não entendeu quando disse que você não tinha ideia de onde se meteu...

    — SOLTE-ME!

    — E vejo que não quer saber... Pois bem... – Disse, arremessando Jason para longe.

    A força de Kuon foi mostrava naquele instante: a distância a qual Jason foi jogado não seria possível por um humano. E deslizando no chão até atingir uma árvore, Jason, um pouco tonto, diz:

    — Mas... Mas que m*rda está acontecendo?!

    As risadas de Kuon que ecoavam pela floresta ditavam perfeitamente o desenrolar do duelo. E o Anis, caminhando em direção a Jason, diz:

    — Eu e Shizuka temos muito em comum, embora sermos muito diferentes um do outro...

    — Do que está falando?

    — Devo reconhecer que você conseguiu mesmo quebrar o meu esquema. Todo esse tempo você obteve informações e construiu sua estratégia. Passo a passo, dia após dia... Eu lhe dei isso, sem esperar nada de você... Resumindo: eu o subestimei. Mas até mesmo quando eu passei a ter um pouco de empatia por você, fui desatento ao pensar que você queria só me vencer em meu jogo...

    — Idiota... – Disse, se levantando.

    — Todavia, você não queria só isso... Você queria me humilhar, acabar com minha reputação, com meu controle sobre todos... Em um dia eu te tirei tudo, Jason... Iria te poupar tudo isso que está acontecendo agora... Mas por algum motivo você se opôs a isso e recobrou sua mente... Pior: você trouxe de volta seu amigo moribundo. E tudo isso você fez pra acabar comigo!

    — FIZ E FARIA TUDO DE NOVO! VOCÊ É UM MONSTRO!

    — Hehe... Vindo de um humano, ouvir isso soa como hipocrisia.

    — Ah é? Sabe esses humanos que fizeram maldade contra vocês? A minha opinião: que todos vão tomar no olho do ** junto com você, a Shizuka e todo Anis que pensam igual!

    — Então você admite... Que presunção...

    — VAI SE F*DER! Tu acha mesmo que eu sou de passar pano? Só que você erra ao pensar que todo mundo é escroto. “Ah vocês humanos nos vêem como um produto, objeto, ain...” Todo o mundo é visto como um produto! Eu sou, por exemplo... Tudo é controlado. A humanidade é assim... E isso me irrita que você não tem ideia... F*da-se com isso! Você está preocupado como vivemos? Tenho certeza que não! Você só quer dar uma justificativa para elevar sua ideologia como a forma de viver ideal, mas não precisamos dela!

    — O que quer dizer?

    — Não somos perfeitos e é isso que faz valer a pena viver! Melhorar a cada dia e lutar contra quem quer impedir a forma que vivemos! Entendimentos são necessários, mas tudo no seu tempo e respeitando o espaço de cada um. Ninguém deveria ser obrigado a fazer o que não quer!

    Pode parecer estranho, mas Kuon se calou. Ele realmente ouviu cada palavra de Jason e entendeu seu ponto de vista. Entretanto, tornou a dizer:

    — Você é diferenciado mesmo... Por isso tem uma boca grande. Muito bem, Jason... Você tem um ponto de vista preciso e coeso, porém isso não muda os fatos...

    — De que está falando?

    — Uma nova ordem vai trazer esse equilíbrio. Nós Anis os levaremos ao crescimento sustentável que vocês pensam que já o fazem. Nós traremos paz em lugares onde vocês pensam que há paz. Não vê? Nós somos superiores e justos, porque temos honra pelos seres vivos.

    Jason, ao ouvir o que Kuon disse, começou a demostrar uma irritação inédita até então. Ele, furioso, diz:

    — FILHO DA P*TA! EU ESTOU CANSADO DE PESSOAS COMO VOCÊ!

    — Hm? Então você é contra a plena libertação?

    — Teu **! Você vem com essas idéias e logo vem a mente vários ditadores que tivemos até hoje... Esquerda, direita... F*da-se essa gente que quer ficar colocando regra em tudo! E você é esse tipo de gente... SÓ QUE TUDO DE RUIM DELES!

    — Não entende, Jason? Nós iremos fazer o que sua raça não conseguiu fazer... Já pensou nas possibilidades? Até hoje sua raça só cometeu erros. Porque não aceita o fato que temos mais capacidades?

    — Idiota...

    — Hm?

    — Pode não ter percebido, cego por seu desejo de influência, mas não queremos gente como você entre nós...

    — Eu entendo. Você tem preconceito por sermos o que somos...

    — IDIOTA! É A SUA IDEIA DE PROSPERIDADE QUE NÃO QUEREMOS!

    — Você está errado.

    — MONSTROS COMO VOCÊ DESTROEM NOSSO MUNDO POR QUERER FAZER UMA “NOVA PAZ”! NADA MUDA ISSO! VOCÊ QUER GUERRA!

    — Guerra? Eu sou um ser pacífico, Jason. Eu só estou respondendo a sua afronta em tentar me desafiar. Justo e coeso.

    — Hipocrisia... Você carrega hipocrisia em cada palavra sua... – Disse, já de pé.

    — Tolo... Não vê que... – Tentou dizer Kuon, sendo interrompido.

    — CALA A BOCA! Você não sabe de nada... NADA! Você quer viver influenciando a todos aqui! Isso é quase como escravizar... Você apagou as memórias do Hakiro e as minhas... Causou mal a minha prima e a vários inocentes... Por isso eu estou aqui: EU VOU TE ESFOLAR, SEU K*ZÃO!

    As convicções de Jason o motivavam a seguir em frente. Ele foi para cima de Kuon, sem temer absolutamente nada e com toda a vontade que tinha. Mas o Anis, desviando facilmente dos ataques do humano, dizia:

    — Você não entende mesmo, não?

    — CALE A BOCA! – Disse Jason, tentando acertar Kuon

    — Há uma razão para o Kumate não me permitir usar mais do que estou usando...

    — VAI A M*RDA!

    — Você ignora tudo isso...

    — EU NÃO LHE DEVO SATISFAÇÕES!

    A insistência de Jason tomou proporções dramáticas. O jovem não conseguia atingir Kuon, que evitava seus golpes sem dificuldades. As tentativas do humano em acertar algum golpe só o fazia enxergar um fato: Kuon realmente estava um nível acima. E isso ficou evidente no que o Anis acaba de dizer:

    — Está cansado, Jason? Como é... Cadê o seu estamina do jogo?

    — Ah... Cale a sua maldita boca... – Disse, ofegante.

    — Acho que dessa vez você vê o abismo entre nossas potencialidades... Um simples humano insolente como você nunca teve chance...

    — Eu... Eu vou te derrotar! – Disse, tentando acertar um soco em Kuon.

    — Idiota... – Disse, se esquivando – Acho que devo começar a ler atacar... como um Anis?

    Jason estava mesmo decidido a seguir com a luta. Porém não seria fácil...

    Continua.


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