ANUON 9999

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    Capítulo 52

    Tumulto na cidade: o corvo

    Violência

    Hoje os jovens farão uma visita ao centro da cidade.

    Uma atitude interessada. Uma ação que pode mudar tudo. Lupa beijou Ethan mais uma vez e, com isso, Ethan se surpreendeu, simplesmente aceitando a carícia da jovem Anis. Após o beijo, Lupa se afasta dizendo:

    — Bem, isso foi em agradecimento. Poderão vir mais... caso consiga ter você... Ethan...

    — Não... Isso é errado...

    — Não é errado reconhecer que gostou de meu beijo...

    — Acha que eu devo esquecer tudo o que aconteceu antes?! Não... Isso é muito errado...

    — Você se preocupa demais... Relaxe...

    — Lupa, eu não sei... talvez fosse melhor que viesse devagar. Está apressando as coisas...

    — Mas não foi bom?

    Ethan até relutou em dizer mais verdades acerca dos acontecimentos passados com a Anis, mas colocando uma de suas mãos a boca, ele diz:

    — Foi... sim... mas acho melhor irmos devagar. Você ainda não me passa confiança.

    — Tudo bem... eu entendo...

    — Entende?

    — Não quer exposição... eu sei... Bem, estou indo...

    — Mas...

    Ela então logo se despede e vai embora, segundo caminhando rua abaixo. Ethan fica ali parado, reflexivo perante a situação inesperada.

    — Cara, que loucura... Ela é muito estranha mas... Eu não... Bem, melhor ir embora. Mas que droga...

    Minutos depois...

    Casa de Ethan, 19:00 PM.

    Ethan chega em sua casa. Ao abrir a porta, vê seus pais sentados a mesa, pois estavam jantando. Sua mãe logo diz:

    — Ethan, vá tomar banho para jantar.

    — Tudo bem, mãe. Só vou ir lá em cima e...

    — Banho agora.

    — Mas eu...

    — BANHO AGORA!

    Contrariado, Ethan foi direto para o banheiro e, terminado de se banhar, volta a sala onde janta, com a companhia  de seu pai. Ficam conversando sobre a escola durante esse tempo.

    — E aí, Ethan... Como foi a escola?

    — Ah nada demais. O mesmo de sempre...

    — Entendo.

    — Ah... Pai?

    — Sim?

    — O que o senhor faria se tivesse a minha idade e uma garota estranha te beijasse no meio da rua sem você esperar por isso?

    — Daria graças a Deus por não ser mais BV.

    — Gah?! Pai!

    — Que foi? Queria que eu respondesse "ia ficar envergonhado, sangrando pelo nariz, dã dã"? Bem vindo ao mundo das oportunidades, filho. Se tiver mais uma dessa, abraça com força e vida segue.

    — Mas pai... Isso que você disse...

    — Ethan, ela te roubou um beijo ou você aceitou?

    — Be-bem... Ela veio e me beijou e...

    — Você gostou?

    — Go-gostei... Mas...

    — Ótimo. Não foi assédio e vocês dois curtiram o momento. Qual o problema? Porque esse "mas"?

    — Ah..  deixa... Você deve estar certo... *Cara, meu pai é mais moderno que eu*

    Depois da (inesperada) conversa com seu pai, Ethan se despediu e seguiu para seu quarto. Lá, encontra somente Anuon, deitada em sua cama. Com a entrada de Ethan, ela acorda e diz:

    — Porque demorou, Ethan?

    —Nada não... Fiquei conversando... E tomei um choque de realidade sinistra...

    — Não costuma demorar tanto assim.

    — Sabe, voltamos agora de viagem e coloquei tudo em dia...

    — Entendo.

    — Bem... vamos dormir, pois já está tarde.

    — Tudo bem, boa noite.

    — Vem dormir comigo, Anuon.

    — Não... Está bom aqui onde estou.

    — Tá... a cama está quente. Venha!

    — Não.

    — Deixa de ser tímida. Vem logo! Até parece que não gosta...

    — Humano miserável...

    E acaba sedendo aos apelos de Ethan, mesmo contra sua vontade. Mas mesmo com os acontecimentos com Lupa mais cedo, o jovem não disse uma palavra do assunto com Anuon. Temos algum motivo, mas ele não pensou em mais nada.

    A noite seguiu sem problemas...

    De manhã....

    Bem cedo, a fim de se preparar para o dia de aula, Ethan toma seu café rapidamente e segue para a escola. Chegando lá, já com o pátio repleto de estudantes, encontra-se com Ryoga e Kaede pelo caminho. E Kaede diz:

    — Bem, nada aconteceu ainda. Tudo normal, até mesmo com a presença de Lupa.

    — True! Queria saber o que passa na cabeça daquela lobinha... Deve tá pensando em coisas bem "calientes" com o "senhor engomadinho" aí...

    — Ryoga, para com esse papo!

    — Ela deve ter os devaneios dela de noite... 

    E Ethan, um pouco incomodado com a conversa, diz:

    — Não se preocupem com isso.

    —Porque, Ethan? - Perguntou Kaede

    —Se ela não fez nada até agora, talvez não faça nada mesmo...

    — Agora está defendendo ela? Pirou?

    — Ela não fez nada comigo... ainda.

    — Tá, bunito... Mas a gente não falou nada disso ainda. Que tá pegando, Ethan? - Perguntou Ryoga.

    — O que foi?

    — Que foi o que? Tu tá mais lerdo que o Messi quando perde pênalti...

    — Que isso, Ryoga... Está tudo bem.

    — Está escondendo algo?

    — Porque estaria?

    — Tá... Ok... Vamos, pessoal. Tá todo mundo entrando pra aula.

    — Vamos.

    E entram no colégio...

    Em sala, tudo fluía normalmente. Lupa estava sentada ao lado de Ethan, como sempre, sendo observada por Ryoga. Mas mesmo com esse detalhe tudo estava tranquilo, com a aula transcorrendo normalmente.

    Vem o intervalo...

    Após o sinal de anúncio do intervalo, o grupo se une, conversando reservadamente no refeitório. Sentados em uma mesa, Kaede diz a Ryoga:

    — Está tudo normal. Aquela sádica nada fez até agora.

    — Tá estranho essa parada mesmo. E a loba nem tá olhando pra gente de rabo de olho.

    — Melhor assim.

    — Se for tão terrível como vocês disseram, acho que até a galera dessa escola tá correndo perigo.

    Durante a conversa, Ethan se manteve calado enquanto comia seu sanduíche. E com o sinal informando o fim do intervalo, Ryoga sugere uma idéia:

    — Que tal nós irmos a cidade tomar um sorvete naquela sorveteria famosa. Eu pago...

    — Ryoga, você está... - Tentou dizer Kaede, ouvindo Ryoga completar.

    — ... o meu, é claro. Tô sem money! Hehehe...

    — Palhaço! Já ia te elogiar... Babaca. Sempre com suas tiradas, não é?

    — Faço o que posso! hehehe...

    Ao retornarem as duas salas de aula, tudo estava bastante calmo, sem incidente algum ou ocorrências. Mesmo com Lupa presente, a jovem Anis nada fez além de prestar atenção a aula, assim como Ethan e Ryoga.

    E ao fim de mais um dia tranquilo na escola...

    Após um tempo no ponto de ônibus em frente a escola, tomam uma condução e seguem para o centro da cidade. Assim que desembarcam, logo se dirigem a sorveteria. A cidade estava agitada, anda mais por onde estavam passando, pois era fim de expediente para muitos trabalhadores. Como boa parte gosta de relaxar depois do trabalho, esta rua que estavam caminhando era famosa por seus bares e restaurantes. A movimentação de transeuntes pelo lugar era muita. 

    Logo os jovens chegam até a sorveteria, com Ethan e os outros se sentando a mesa. Sem perderem tempo, pedem uma taça de sorvete para cada um. Com o garson trazendo as guloseimas em generosas doses, Ryoga diz:

    — Rapaz, estava de dieta... Não estou mais.

    — Não pensava que fosse tão bom assim... - Disse Kaede, provando seu sorvete.

    — Mas é caro. Minha mesada quase foi embora - Disse Ethan.

    — Eu que o diga. O véio vai ter que me dar um aumento... - Disse Ryoga, devorando.

    — Olha só o economista falando... Você gasta seu dinheiro com skins do Free Fire!

    — Pô, e daí? E você que gasta com produto de beleza pra esconder as imperfeições?

    — O QUE? - Se irritou Kaede, quase pulando em Ryoga.

    — Calma... Calma... É que você não precisa. Você já é bem cute, gatchinha... Hehe...

    — Se saiu bem dessa, hein... Hunf!

    Ethan logo caiu as gargalhadas, com Ryoga e Kaefe lhe fazendo companhia em seguida. Mas logo aquele momento de alegria acaba. Ouvem-se gritos nas ruas. O desespero toma conta do ambiente. Carros começam a derrapar, atropelando pessoas e colidindo com outros carros e postes. Um verdadeiro pandemonium acaba de acontecer no centro da cidade. Ethan e os outros não entendem o porquê do que estava acontecendo. Já na rua, olhando para todos os lados, Ethan diz:

    — Gente, eu não sei o que está acontecendo mas é melhor sairmos daqui!

    — Tô com vc e não abro, cara! "Blerg-nos"!

    — Meu celular... O sinal... Não tem nenhum sinal! - Disse Kaede, preocupada.

    Assim que começam a acelerar seus passos, se deparam com um imprevisto: um lobo atacando um homem na frente deles. Kaede logo tomou a iniciativa de se armar com um pedaço de madeira que estava jogado no chão do chão, atacando a fera pelas costas. Com o lupino caído imóvel, Ethan se desesperou:

    — KAEDE?; VOCÊ O MATOU!

    — Nunca faria isso, Ethan. Só o atordoei. Só está dormindo.

    Ryoga foi até o homem caído, o ajudando a se levantar. Com um ferimento no braço, o homem diz:

    — Jovem... Obrigado.

    — Peraí, que vou ajudar o senhor... - Disse, enfaixando o braço do homem.

    E Kaede, se aproximando, diz:

    — Senhor, de onde veio este lobo? O que está acontecendo?

    — Animais apareceram do nada e começaram a atacar quem aparecesse na frente... Foi horrível!

    — Animais? Não eram somente lobos?

    — Não! Tem morcegos e aves... pareciam corvos... Nunca havia visto coisa tão aterrorizante...

    Os três jovens trocaram olhares assim que ouviram o que o homem havia dito. Ryoga, se levantando, diz:

    — Ethan, Kaede, vão na frente e vejam o que descobrem. Vou ficar aqui e ajudar quem precisar!

    — Tudo bem! Ajude-o... - Disse Kaede.

    — Ok, Ryoga. Em breve a gente se vê - Disse Ethan, seguindo Kaede.

    E assim que partem para a direção de onde o homem veio, Kaede vira-se a Ryoga e diz:

    — Ryoga... ganhou pontos comigo, ok?

    — Putz, a valentona me dando crédito? Que consideração!

    — Não abuse!

    — Tá... Vão logo!

    Ethan e Kaefr Adentraram por entre o beco e saem em uma rua toda suja e deserta. Sirenes são ouvidas ao longe inclusive, dando sinal que de fato algo muito estranho estava acontecendo. Os dois andavam com todo cuidado, verificando cada canto. Kaede, mais a frente, pega um outro pedaço de madeira e entrega a Ethan. Logo ele coloca-se em atenção de batalha, como Kitsune havia ensinado.

    A noite cai...

    Mesmo diante muitas pessoas apreensivas nas ruas do centro da cidade, nenhum policial é visto nas redondezas. Parece que todos estavam com medo do que poderia acontecer a quem andasse pelas ruas atacadas. Ethan, que estava sempre junto a Kaede, diz:

    — Kaede, seja o que tenha acontecido aqui, foi feito por algo misterioso.

    — Piece 1?

    — Talvez. Mas certeza eu tenho de que foi um Anis...

    — Um não... Vários. Provavelmente.

    — Sim...

    E neste momento da conversa, uma voz é ouvida pelos dois:

    — Humanos... sozinhos... Vieram ao encontro da morte!

    — Quem está aí? - Perguntou Ethan.

    — Hahahahaha! Eu não esperava encontrar humanos como vocês... Valentes ou burros, não importa... E isso é ótimo!

    — Apareça, quem quer que seja!

    E logo aparece em sua frente um rapaz, mas havia algo a mais em seu corpo: ele tinha asas e suas penas eram negras! Seus cabelos longos e olhos também tinham da mesma cor, com tons mais claros. Andando em direção a Ethan, ele diz:

    — Haha... Isso sim me satisfaz muito.

    — Quem é você?

    — Hehehe... saberão logo!

    Kaede, já irritada, diz:

    — Mais um desses Anis asquerosos... E esse fica cacarejando... Eu lutarei contra você, emplumado.

    — Uma humana com boca suja... Você se atreveria em lutar comigo?

    — Pra fechar a boca de um imundo como você só preciso ter vontade...

    Mas surpreendendo a jovem, Ethan lhe tomou a frente, dizendo:

    — Não... Eu luto contra ele.

    — O que?

    E o rapaz com asas de corvo, olhando para Ethan, diz:

    — Hahahaha! Veio ao encontro da morte, idiota...

    — Não me subestime, seja lá quem for.

    — Meu nome é Son! Sou um corvo!

    Isso sim foi uma notícia que impressionou Kaede e Ethan, com a jovem dizendo:

    — Ethan, a Gothic...a pantera que tentou nos matar...

    — O que? Como sabem dela? - Disse Sim, surpreso.

    — Ela disse sobre você... Logo após a gente varrer o chão com ela e sua cópias!

    — O que? Gothic foi derrotada por humanos?

    — Sabe que foi a Kitsune, Kaede! - Disse Ethan.

    —Fique quieto, Ethan! E depois quero saber porque diabos tomou a frente da situação!

    — Está falando que nem o Ryoga agora!

    — Cala a boca! Eu vou te golpear se começar a falar besteiras!

    Com os dois discutindo, Son diz:

    — Kitsune... A raposa?

    — Sim, ela a derrotou! - Disse Ethan.

    — Interesante, Piece 1 deve estar orgulhoso agora! Patife...

    — Piece 1 orgulhoso? Está louco? Ela não segue a ele mais. Luta pelos humanos!

    — O que?

    — Kitsune já não é mais uma marionete de Piece 1. Luta pela verdade agora - Disse Kaede.

    — Como pode ser?

    — E Anuon e Fhor também!

    — Anuon e Fhor, aqueles felinos? SÃO TODOS TRAIDORES! NÃO SÃO DIGNOS DE VIVER!

    — Traidores? Olhe quem está falando... E você que se desligou do bando de Piece 1? - Disse Ethan.

    — Cale-se, humano. Eu irei matar todos vocês!

    — Pode vir.

    E Son investe com tudo para cima de Ethan, que consegue se esquivar, para surpresa do Anis. Alçando vôo, sobrevoou o local e olhou para Ethan

    — Humano, não sei como conseguiu se esquivar, mas será questão de tempo até que eu consiga o que planejo...

    — Cale-se e me ataque!

    — Não... É cedo pra isso. Essas informações que me deram... Creio que deva me retirar estrategicamente... Em breve poderei ter o prazer de ver suas entranhas saltarem de seus corpos inertes. Mas não se preocupe: nunca esquecerei seu rosto!

    — Covarde!

    E das mãos de Som, uma bola de fogo surge, sendo arremessada contra Ethan. Kaede correu e pulou contra o jovem, evitando que a bola incandescente atingisse-o. Son, voando para longe, diz:

    — Logo lutaremos outra vez... Eu lhe prometo. E nesse dia seu fim chegará.

    Kaede, levantando Ethan, diz:

    — Está ferido, Ethan?

    — Não... Estou bem. Mas se não fosse você...

    — É, se não fosse eu... - Disse, furiosa - Então este é Son. Mais um inimigo...

    — Sim e parece não gostar de Piece 1.

    — Dois monstros... Pelo visto teremos problemas...

    — Também acho. Devemos informar a Anuon e ao Fhor. Eles conhecem Son melhor.

    — Vamos voltar, então. Ryoga deve estar preocupado.

    Ethan e Kaede, já recuperados do susto, conversavam enquanto caminham de volta a sorveteria. Mas ao fundo, escondido nas sombras, uma figura conhecida parecia observá-los. Era Kenta, que diz:

    — As coisas estão fluindo como Spin planejou. De uma coisa devo admitir: ela é genial. Sua estratégia funcionou bem e Son deu as casas. Aproveite Ethan, enquanto pode... Porque tudo vai cair sobre vocês também... e nossa vitória estará completa.

    Continua.


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