The Last A: O Último Anis

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    Capítulos:

    Capítulo 19

    Não é mais uma olimpíada - Parte final

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Após o evento grave, qual será a condição de Iamiko?

    Muita coisa vai acontecer nesse capítulo.

    Ginásio central do colégio de Etofuru

    Minutos após o término do jogo de basquete.

    Não se enganem. Não é um retorno a comemoração pela vitória do time de Jason. Na verdade a situação que será descrita futuramente estará mais para um acerto de contas do que euforia. 

    Num ala abandonada do ginásio estava Kazu, que caminhava depois de tomar banho e se vestir. Entretanto o jovem Anis não estava só, pois a sua frente apareceu Kuon que, mostrando calma em seu olhar, trouxe um pouco de aflição a Kazu, que diz:

    — Kuon?! Ah...

    — Kazu...

    — Be-bem...

    — Hm... Fez uma ótima partida.

    — Ah... Bem, obrigado. Você também.

    — Hm... – Kuon ficou em silêncio em seguida.

    A conversa sofreu uma parada bastante breve, com os dois trocando olhares. Mas Kazu, por conhecer bem seu amigo, diz:

    — Entendi... Você está muito irritado.

    — Estou sim...

    — E vai agora querer saber porque me aliei a Jason...

    — Exato.

    — Devo responder agora?

    — Deve... e bem explicado...

    — Kuon, olha...

    — Sem divagar, Kuon... Eu não sou o Jason pra ter essa paciência de humanos.

    — É, você está irritado mesmo...

    Kuon então caminhou até próximo a Kazu, dizendo:

    — Me dê um motivo para não o chamar de traidor.

    — Dizer “eu estou no seu lado” te faria pensar o contrário?

    — Faria, se você não tivesse entrado em quadra, não tido participação direta no resultado da partida e, o mais grave, não ter comemorado minha derrota!

    — Mas eu não comemorei sua derrota e sim a vitória do... – Tentou dizer Kazu, com Kuon o interpelando.

    — NÃO MENOSPREZE MINHA INTELIGÊNCIA!

    — Ei! Não grite comigo!

    — VOCÊ NÃO ESTÁ EM CONDIÇÕES DE MANDAR O QUE DEVO FAZER!

    — Kuon, para com isso!

    — Grr... Como você pôde fazer isso com sua espécie? Somos Anis e estamos muito acima de qualquer um desses humanos! Jason é o pior de todos e você foi justamente se unir a ele?

    — Kuon, eu não te devo satisfações quanto a minhas amizades...

    — Ele é nosso inimigo, Kazu...

    — Inimigo?! Jason poderia ter nos entregado e...

    — ELE É NOSSO INIMIGO! Você ouviu? Me responda, Kazu!

    — Você está exagerando, Kuon. Cara... É só um jogo!

    — Um jogo para humanos... Mas para todos nós é uma arma fundamental para mantermos a influência sobre todos desse colégio e cidade! Não se esqueça que o controle está nas nossas mãos...

    — E se você não tivesse isso?

    — Hã? Do que está falando?

    — Porque ter sempre esse poder de influência? Já parou pra pensar que essa gente que segue o que você idealiza poderia facilmente estar a seu lado mesmo sem essa sua necessidade de sempre ter as atenções focadas em você? Pense nisso, Kuon...

    — Você não pode estar falando sério...

    — Jason conversou comigo sobre isso. Ele tem conhecimento de tudo que fazíamos aqui em Etofuru. E nessa conversa ele me fez abrir os olhos...

    Só em ouvir isso já foi o suficiente para Kuon empurrar Kazu com violência contra a parede. O Anis, bastante irritado, diz:

    — Grr... Jason colocou essas ideias asquerosas na sua cabeça... TRAIDOR!

    — ME SOLTE, KUON! – Disse, forçando a saída.

    — IDIOTA! O VERME DO JASON TE ILUDIU COM ESSAS IDEIAS! – Disse, gritando para Kazu – Você sabe muito bem que o Conseil não aceita tais atitudes... VOCÊ OUVIU BEM, ARAUTO?

    — Me solte, Kuon... – Disse Kazu, já com seus olhos mudando para de felinos.

    Kazu dessa vez também estava falando bem sério. Sabendo do tom das palavras do Anis, Kuon o soltou, mas mesmo assim sem deixar de ficar calmo. O capitão do time A de Etofuru então diz:

    — Escute bem, arauto: tudo que acontecer a partir de agora será por causa de suas ações nesse lugar... e eu não me importo nem um pouco com as consequências.

    — Sabe muito bem da lei do Conseil, Kuon. Você não pode... – Tentou dizer Kazu, sendo interrompido.

    — EU SEI PERFEITAMENTE DAS LEIS, ARAUTO! Então... não interfira em nada. Você sabe do seu lugar e eu do meu. Esteja por satisfeito de eu ter consideração por seu ser e não o denunciar ao Conseil...

    — Me denunciar? Você está errado, Kuon. Eu mesmo irei ao Conseil relatar o que eu fiz, esteja avisado. Mas se você quer fazer esse favor, vá em frente. Esteja certo que eu não fiz absolutamente nada de errado... e você sabe disso.

    — Kazu... Seu... – Disse, olhando com raiva para o Anis.

    — Fico aliviado por você me dizer que sabe das leis. Então posso ficar despreocupado. O Conseil não precisará intervir... – Disse, voltando a caminhar.

    Indo em direção a saída, Kazu deixou Kuon para trás, mas não sem antes ouvir:

    — Então é isso... Você está no lado daquele humano... Muito bem, Kazu. Eu respeito sua escolha. E eu sei que você tem sua honra como Anis. Mas Jason não é um e isso me permite defender nossa causa... dentro da lei do Conseil.

    Só de ouvir o que Kuon disse, Kazu esboçou uma reação imediata, dizendo:

    — Não ouse agredir Jason... Não pense em fazer nada disso...

    — Não farei nada a ele... eu prometo.

    — Bom saber... – Disse, voltando a caminhar rumo a saída.

    Ao ver Kazu saindo do ginásio, esse foi o momento que Kuon avistou Shizuka seguir para as lutas eliminatórias do torneio de karatê das olimpíadas de Etofuru.

    O fim nós já sabemos e não foi dos melhores. Seguimos então com a história, logo após o evento traumático do capítulo anterior.

    Hospital Central de Etofuru | Noite

    Ala de Emergência

    Levada as pressas pelos paramédicos, a ambu lância não demorou para chegar ao hospital. Devidamente sedada e recebendo transfusão de sangue, Iamiko estava instalada em um leito emergencial. No saguão do andar de pacientes em estado grave, estavam Jason e sua tia, Azika. E juntamente com os dois o médico responsável pelo recebendo de Iamiko ao hospital. O profissional de saúde, segurando um prontuário, diz:

    — Vasos sanguíneos obstruídos... Pressão sanguínea acima do normal... Miocárdio estressado... Rupturas parciais dos ossos das costelas...

    — Doutor, o que aconteceu? Como está minha filha?! Responda!

    — Acalme-se, senhora Hawoen. Iamiko está em estado grave, mas estável. Ela necessita de cuidados mas não corre risco de morte. Por sorte nosso hospital recebeu a alguns meses bastante sangue doados durante uma campanha. Fizemos uma transfusão de sangue, onde ela obteve melhora alígera por sorte.

    — Ah graças aos deuses...

    Jason também estava preocupado, dizendo:

    — Senhor, o que houve? Ela estava bem e do nada começou a tossir sangue e sentir dores...

    — Hm... Antes que perguntem: ela não está com tuberculose. Na verdade Iamiko sequer está doente por alguma doença. Fizemos exames que descartaram isso.

    — Mas então o que houve? Como alguém forte e saudável como ela ficou assim?

    — Boa observação, jovem... – Disse, pegando novamente o prontuário e mostrando os exames de raio x em um monitor na sala – Diante essas constatações, me pergunto se Iamiko estava mesmo em plenas condições físicas para lutar...

    — Como assim?!

    — Doutor, com o devido respeito: eu treino minha filha todos os dias. Ela estava esbanjando boa forma e não tem vício algum. Sua alimentação é saudável e tem disciplina até da hora de ir dormir... – Disse Azika, confusa.

    — Hm... Então isso me coloca em um dilema... – Disse o médico, também confuso.

    — O que quer dizer? – Perguntou Jason.

    — A única forma de Iamiko ter sofrido esses danos internos seria se voltássemos no tempo na época dos gladiadores...

    — Hã? Mas...

    — Golpes de karatê competitivo são de semi contato. Ninguém se machuca, todo mundo fica bem... É uma competição, ademais. Porém, de acordo com os danos que Iamiko recebeu, só me leva a duas hipóteses: ou o karatê moderno atingiu um patamar desconhecido por mim ou...

    — Ou o que? Diga, doutor! – Se apressou Azika, preocupada.

    — ... ou simplesmente algo fora do comum e da compreensão humana aconteceu. Não existe fundamento científico nem do ramo da medicina que explique como uma garota saudável como ela está assim.

    As palavras “compreensão humana” caíram na mente de Jason como peças de um quebra cabeça complexo. No mesmo instante ele assimilou o sorriso de Kuon com o que aconteceu a Iamiko.

    — *Foi ele... Kuon... e aquela anormal da Shizuka... Eles tentaram matar a Iamiko... ELES TENTARAM! Esses Anis... Desgraçados... MONSTROS!*

    Tomado pelo ódio, este bastante evidente Eng seu rosto, Jason deixou a sala as pressas, com sua tia e o doutor se surpreendendo com o que fez. E assim que estava no corredor, eis que acaba indo de encontro com Hakiro e seu pai. Jason, surpreso, diz:

    — Hakiro?! Mas...

    — E aí, Jason... – Disse, abraçando seu amigo – Viemos por causa da Iamiko, cara. Fiquei sabendo...

    — Ah... Hakiro, eu...

    E o Sr Hansen, também preocupado, diz:

    — Jason, rapaz... Como está Iamiko?

    — Ela... Ela está fora de perigo. Embora em estado grave, ela está sendo bem cuidada.

    — Fico feliz em saber. Boas notícias, afinal...

    — Sim... – Disse, olhando para Hakiro.

    — E devo lhe agradecer por ter ajudado meu filho, Jason. Sabe, eu vai esperava que fosse mesmo tão especial assim para meu Hakiro.

    — Pai?! Está me deixando envergonhado...

    — Hahaha! Eu e sua mãe estamos felizes por você estar melhor, só isso! Tem tantas coisas que precisamos fazer juntos e...

    O jovem, que percebeu algo diferente em Jason, logo diz:

    — Cara, que houve? Você está meio irritado...

    — Hakiro... Se lembra daquele problema “animal” que aconteceu nos últimos tempos?

    Hakiro logo entendeu a referência, mas Jason precisaria ir mais a fundo com isso:

    — Então... Eles aprontaram outra vez.

    — Hã? Do que você está fal... – Tentou dizer Hakiro, conseguindo ligar os fatos as analogias de Jason.

    Os dois jovens então trocaram olhares, meio que um entendendo o outro. O senhor Hansen, sem entender, diz:

    — Ei, rapazes... O que foi? Porque estão assim calados? E que conversa é essa de animais?

    — Nada, pai... – Disse Hakiro, desviando o olhar – É sobre o cachorro que atacou o Jason na casa dele, nada grave...

    — Ah sim. E falando nisso... Jason, você está bem? Me lembro que precisei vir aqui pra saber sobre você...

    — Estou bem, senhor. Não se preocupe...

    — Bem, sua tia deve estar precisando de ajuda. Vamos até ela...

    — Sim. Eu tinha vindo pra fora pois precisava resp... – Tentou dizer Jason.

    O jovem humano deixou a conversa de lado pois ao fundo do corredor ele viu Kuon caminhando em sua direção carregando um ramo de flores. O Anis, o olhando nos olhos, meio que o provocava com sua atitude. O jovem, ao se aproximar, olhou para Jason dizendo:

    — Oh... eu fiquei sabendo do fardo, Jason. Eu vim até aqui para desejar melhoras a Iamiko e... – Disse, estendendo as flores ao jovem.

    Mas conhecemos Jason. Ele esqueceu completamente de tudo, indo em direção a Kuon esboçando toda sua raiva.

    — SEU INFELIZ! MONSTRO!

    Mas Sr Hansen interveio rapidamente e, com o treinamento policial que tinha, aplicou uma chave em volta do pescoço de Jason, dizendo:

    — Ei, Jason... Pare com isso!

    — SEU ARR*MBADO! FILHO DA P*TA! COMO OUSA?

    — Jason, controle-se!

    O olhar seco e despreocupado de Kuon, que observava o ocorrido, só deixava Jason cada vez mais irritado. Hakiro, também mostrando ódio em seu olhar, diz a Jason:

    — Cara, fica calmo!

    — EU VOU F*DER COM SUA VIDA, SEU MISERÁVEL! – Disse, apontando o dedo para Kuon.

    Com a situação fora de controle e mais pessoas que estavam no hospital chegando para ver o que estava acontecendo, Sr Hansen precisou usar de sua autoridade parte dar um fim no tanto:

    — BASTA! EU ORDENO QUE VOCÊ PARE COM ISSO, JASON! SENÃO TEREI DE LEVÁ-LO PRESO!

    — Pai?! Você não... – Tentou dizer Hakiro.

    — Estamos dentro de um hospital e ele está tentando agredir uma pessoa. Tente raciocinar, Jason... Você está errado! Se você tem diferenças a tratar com esse rapaz, então faça com palavras e não com seus punhos! E que faça isso lá fora, pois como eu disse estamos num hospital!

    O policial pai de Hakiro estava certo em pedir para que Jason parasse de agir daquela forma, mesmo que Kuon carregasse consigo toda a culpa por Iamiko estar nesse estado. O “agir dessa forma” a que me refiro não é no sentido de justiça e sim de Jason preservar a si mesmo e a seus amigos. Como sabemos, ninguém acreditaria se o jovem dissesse que Anis existem e são os culpados por todas as mazelas que aconteceram na Floresta de Etofuru. Contido por Sr Hansen, Jason então se retirou, junto com Hakiro, que o seguiu até fora do hospital. Kuon, deixando o ramo de flores com Azika, desejou melhoras a jovem, indo embora em seguida.

    E no pátio do térreo do hospital...

    Jason e Hakiro estavam conversando no jardim do pátio, com o jovem capitão dizendo:

    — Eles fizeram isso a Iamiko, cara.

    — Jason... A gente precisa fazer alguma coisa. Tudo bem que ela vai se recuperar, mas e depois? E se vocês continuarem se encontrando na escola e...

    — Não dá mais, Hakiro. Se eu ver esse cara outra vez eu não vou conseguir me controlar. O arr*mbado tem que pagar por isso!

    — Cara, pega leve...

    — Pegar leve?! Hakiro, a Iamiko quase foi morta por eles! Cara, e o que fizeram com você... Bando de monstros do car**ho!

    — Precisamos agir com inteligência. Temos o segredo deles a nosso favor. Podemos usar isso pra exigir que não façam mais nada senão entregamos a todos.

    — Não. Desculpe Hakiro, mas não posso fazer isso.

    — Mano... Porque não?

    — Primeiro que eu dei minha palavra de não fazer isso. E segundo que isso é agir com covardia.

    — Covardia?! Mas eles fizeram isso com a Iamiko e...

    — Sim, eu sei... Mas eu não posso me nivelar a esses Anis. Estamos acima deles e não iremos jogar o jogo deles mais...

    — Cara, o que tem em mente?

    — No momento nada. Cara, a gente teve um dia cheio hoje. Só quero pensar na Iamiko e descansar um pouco. Fiquei feliz em saber que ela está fora de perigo, mas terá de ficar um tempo aqui até se recuperar...

    — Eu sei como é, cara. Hoje depois do jogo meus pais já marcaram vários exames pra eu fazer e...

    — Hehe... Eles foram pegos de surpresa também. Cara, aproveita. Dá essa felicidade pra eles. Cuidaram de você desde então... Leva a sério o que eles te pedirem pra fazer. Livra seus pais de qualquer preocupação...

    — Ah... Obrigado, Jason... E cara...

    — Sim?

    — Eu sinto muito pelos seus pais, ok?

    Por um instante Jason ficou em silêncio. Percebendo que seu amigo não sabia muito dos fatos, logo ele diz:

    — Hakiro...

    — Sim?

    — Eles sempre estão comigo. Eu nunca estou sozinho...

    — Eu sei, cara. Você sempre foi forte... – Disse, abraçando Jason.

    — Senti sua falta, cara... – Disse, retribuindo o abraço.

    — Estou aqui, Jason. Graças a você e o gato lá... Piece 1, não é?

    — Sim. Eu chamo ele de Pis agora.

    — Hahaha! Sério? Cara, ele é um Anis também. Caraca... Olha o apelido que o bichano ganhou...

    — É meu bichinho de estimação mesmo, aquele gato maluco...

    — Cara, esse lance de dominação do mundo que você me disse...

    — É. Ele ainda tem essas idéias “anos dois mil”, sabe? Mas é coisa deles... Piece 1 ao menos tem moral comigo. O bichano honra o que promete...

    — Sim... Você me disse. Mas tipo, você gosta dele?

    — Eu gosto sim. Tem um pouco de mim naquele gato. Eu queria ser o melhor em tudo, era arrogante e... Bem, eu respeito ele.

    Entretanto, enquanto conversavam, percebem Kuon caminhando no outro lado do estacionamento do hospital, ignorando totalmente a presença dos dois. Mas Jason se levantou, caindo em sua direção. Por sorte Hakiro o impediu de fazer alguma besteira.

    — Cara, para com isso!

    — Me larga, Hakiro... Aqui eu posso meter a mão na fuça desse desgraçado...

    — Dessa vez ele não disse nada... Não! Deixa... Não vale a pena sujar sua mão. Lembre-se que Iamiko está bem e provocar essa gente pode trazer mais problemas...

    — Você deve estar pensando que eu sou tão sangue de barata assim, Hakiro...

    — Meu amigo, não estou dizendo pra você esquecer o que ele fez... Mas pensa nisso que eu te disse: não piore a situação. A Iamiko está bem e é com isso que você tem que se preocupar agora.

    Jason relutou contra o que seu amigo disse, mas recuou percebendo que ele estava com a razão. Porém Hakiro não pôde deixar de comentar:

    — Amanhã na escola, você me promete uma coisa?

    — O que?

    — Fica jogando indiretinha pra esse queima rosca pra ele sentir como é ficar pressionado, pode ser?

    — Pode deixar, hahaha! Caraca, Hakiro... Tu é muito podre... Hahahaha!

    Após a conversa em particular de Jason com seu amigo, os dois retornaram para dentro do hospital. Mas nesse curto período, podíamos ver o culto de um gato entre a vegetação do jardim ornamentado do hospital. Era Piece 1, que ouviu toda a conversa. O felino, com um olhar confuso, pensou:

    — *Esse humano... Ele disse que me respeita e... gosta de mim? Mesmo com suas palavras depreciando minhas ambições de dominar o mundo ele me respeita? Porque... Porque esboça esse comportamento que demonstra fraqueza?*

    Ele, voltando para dentro do carro da tia de Jason, que a mãe do amigo de Jason percebesse, ainda estava em pensamentos:

    — *... e porque estou me importando com isso? Ele é minha arma para conseguir meus objetivos... E eu irei! Mas... Porque eu não consigo evitar de pensar nisso?!*

    Minutos depois...

    Já no andar da emergência do hospital, víamos o Sr Hansen conversando com Azika, que parecia estar mais calma com a situação. Os dois jovens chegaram em seguida, entrando na conversa e pegando mais informações do estado de Iamiko. As notícias eram boas, com o médico dizendo que a jovem estava fora de perigo e que a transfusão de sangue não houve nenhuma repulsa. Porém Iamiko precisaria ficar no hospital por um tempo, para se tratar e ter uma recuperação assistida. Sabendo disso, a tia de Jason disse ao rapaz para que voltasse para casa, já que ficaria no hospital e Jason precisava descansar. Sob essa condição, Jason pegou carona com Hakiro e seus pais, levando em seu colo Piece 1.

    O dia havia sido cheio.

    A euforia tomando a todos do time de Jason, mas...

    O desespero tomou conta da família Hawoen e amigos após a luta de sua prima.

    O alívio veio, com Iamiko fora de perigo.

    E um descanso era merecido.

    Horas depois...

    Casa de Jason | Madrugada

    Ainda tentando relaxar dos últimos acontecimentos, Jason estava mexendo em seu celular, respondendo a mensagens de conforto e estimas de melhoras a sua prima. Sumo, Paladino, Kadeiko... Todos os integrantes do time também se manifestaram, o apoiando nesse momento difícil. E inclusive estava trocando mensagens com Yamuro, o que mais sofreu com a desgastante partida:

    — E aí, Yamuro? Como está sua perna?

    — Distensão, cara. Ficarei de molho um mês.

    — Sério? Putz. Sinto muito, cara. Foi culpa minha.

    — Não. Eu quis isso. Ferramos com o Kuon. Tá sussa.

    — Mas você se machucou.

    — O Kuon está sentindo a dor. Eu não mais.

    — Kkkkkk! Tô ligado.

    — Cara, força aí com sua prima.

    — Vlw!

    — E fica bom logo, man.

    — Vlw!

    Após terminar de conversar, Jason logo se preocupou com um detalhe: Kazu sequer visualizou as mensagens que ele havia enviado. Por não ter recebido resposta alguma, achou estranho esse comportamento. Nem uma mensagem de conforto a Iamiko e nada mais desde o fim do jogo no ginásio.

    Como já estava tarde, o jovem então se preparava para dormir, quando Piece 1 subiu em sua cama, o surpreendendo. Logo o felino diz:

    — Não quero você me chamando de Pis.

    — E porque?

    — É depreciativo e muito humilhante para comigo. É uma ordem.

    — Hã? Hehe... Vou te ensinar uma outra coisa sobre o que nós humanos fazemos...

    — Do que está falando?

    — Se você põe apelido em alguém e esse alguém insiste em não ser chamado assim, é porque a zuera funcionou. Então...

    — Então o que? Diga, humano Insolente!

    — Eu vou te chamar de Pis pra sempre, Pis!

    — Grr... EU NÃO QUERO ISSO! PARE!

    — Hahaha! Não... Hehe... Pis!

    — PARE COM ISSO! ESTOU AVISANDO!

    — É mesmo? E o que vai fazer? Me morder? Arranhar? Ronronar? Ih fica na paz, psyneko.

    — Pare de me chamar de forma incoveniente!

    — Tss... Leva na Zuera.

    — Hã? O que é isso?!

    — Isso o que?

    — Zuera... Essa palavra me irrita.

    — Ah sim... Eu esqueci. Você não gosta de humanos e nem de costumes... Cara, é só uma brincadeira. Não é nada sério. Não estou fazendo isso pra te diminuir.

    — Então porque o faz? Eu não entendo!

    Jason, sabendo que o felino não conseguia meno entender, acariciou as orelhas do gato, que logo recuou dizendo:

    — Hã?! O que pensa que está fazendo?!

    — Relaxa! Sabe, eu nunca imaginaria que iria conversar com um gato... e muito menos com um Anis. Piece 1, você tem amigos além do Spark?

    — O que? Amigo? Você se refere a esse vínculo que você tem com os outros humanos?

    — É, pode ser.

    — Você é o líder deles. É natural que eles façam exatamente o que você quer. São subalternos fiéis a sua causa e...

    — Tá louco? Para! Não é nada disso!

    — O que tem a dizer então?

    — Pra início de conversa, você se lembra que eu fiz a reunião com eles a três semanas atrás, não?

    — Sim. Eu me lembro.

    — Por isso. Eu não obriguei ninguém a fazer nada. Nós todos concordamos em f*der com a vida do Kuon no jogo. A gente fez isso porque somos amigos. E antes que você pense errado outra vez: amigos fazem coisas sem querer nada em troca a não ser a felicidade do próximo. Só isso.

    Piece 1 ficou um pouco confuso ao ouvir a explicação espontânea de Jason. De forma sincera o jovem disse o que pensava, mas o felino:

    — Essa foi a coisa mais idiota e sem sentido que eu ouvi até hoje.

    — Como é?

    — Qual o sentido de se preocupar com seguidores fiéis a você e não querer nada em troca? E porque seus seguidores se preocupam com você? Eles juraram obediência. Suas vidas só tem sentido em seguitem as suas ordens e objetivos! Então não faz o menor... – Tentou dizer, sendo interrompido.

    — CALA A BOCA! Ca***ho... P*rra, Piece 1! Para de pensar assim, para! Eu te disse o que é ter e ser amigo. Uma informação fácil de entender... E você continua vivendo com essa ideologia de “vamos dominar o mundo”. Cara, para com isso. A única coisa que você tem que entender é: amigos ajudam porque gostam de quem gosta deles. A gente vive cada dia das nossas vidas tentando encontrar a felicidade. Mas cara... Esse caminho é f*da. Tu vai encontrar gente filho da p*ta, que vai tentar ferrar com você, te colocar de joelhos, te humilhar... Se você não tiver pessoas que se importam mesmo com você, já era. Tu vai ficar muito f*dido e sozinho. E não estou falando de dependência nem nada: é cada um ajudando o outro, dado suporte, apoio, força...

    — Humano... – Disse, ouvindo e entendendo cada palavra de Jason.

    — A vida passa rápido... A gente não vive pra ferrar com a vida dos outros porque a gente sabe o valor disso. Só que ninguém quer ser ferrado, aí que entra as guerras... Não sou santo, não nego. Mas faço de tudo pra não entrar em uma. Trato todo mundo bem, mas se mexer comigo pode ter certeza que eu vou bater de volta. Nessas horas que meus amigos me seguram, me fazem ver o outro lado... e é nessa hora que eu me sinto melhor. Eu faço o mesmo com eles. E assim vivemos. Aprendizado... Esse é a nossa maior virtude.

    — Aprendizado?

    — Sim. Eu aprendi a viver com você. Faça o mesmo – Disse, pegando sua coberta – Bem, estou indo dormir. Amanhã tem mais olimpíadas no colégio e eu quero apoiar a galera da escola. Não vamos jogar as finais, já que o Yamuro tá machucado. Então eu vou lá pra receber a medalha de prata com o restante do time.

    Jason em seguida seguiu com seu sono, aliviado por Iamiko estar fora de perigo. Porém a noite não foi muito tranquila para Piece 1, que ficou o tempo todo pensando no que o jovem havia lhe dito. Ele, deitado próximo a janela, pensava:

    — *Fraqueza... é isso! Uma demonstração de fraqueza onde os inimigos podem tirar vantagem... Um comportamento ordeiro que não traz poder algum, sequer controle. Porque ter amigos? Isso é uma atitude idiota e desnecessária... Mas porque isso me incomoda? Humanos são idiotas e se prendem a tradicionalismos... Nós Anis galganos muitos degraus... Nunca iríamos retroceder para algo tão inútil... Amigos... Que perda de tempo...*

    Mas mesmo com o sono do felino o vencendo, seu último pensamento foi:

    — *Porque continuo... pensando... nisso?*

    A noite então transcorreu tranquilamente.

    No dia seguinte...

    Colégio de Etofuru | Manhã

    O segundo dia de competições das olimpíadas de Etofuru começou com muita gente chegando ao Colégio de Etofuru. Como no dia anterior, toda a cidade estava por dentro do que acontecia, pois era um evento tradicional da região.

    Porém, no interior da escola, os corredores estavam mais animados. E não era pra menos: os integrantes do time B de Etofuru estavam caminhando entre a multidão de alunos que acompanhavam os jogos. Com exceção de Yamuro, lesionado e incapaz de caminhar por um tempo, todos estavam lá. Sumo, que estava acompanhado por Lupa, Paladino, Kenta e Jason. Não havia um alguém que não quisesse pegar um autógrafo. De fato, a vitória trouxe muita visibilidade para os jovens por igual. De anônimos todos passaram a terem mais pessoas interessadas em saber quem eram os jovens que encararam o time A de Etofuru completo.

    Vocêss devem estar se perguntando: “e o Hakiro?”. Esse era um caso a parte. O rapaz não estava no colégio. Como prometido, ele cumpriu uma agenda cheia de exames médicos para saber de sua saúde. Seus pais, muito felizes por ter seu filho com saúde novamente, ficaram ao lado de Hakiro o tempo todo, matando a saudade depois de muitas lutas para dar a seu filho uma vida digna durante sua breve deficiência locomotora e cognitiva.

    Voltando ao colégio, os festejos e celebrações eram a melhor parte dos jogos. Por Yamuro estar contundido, foi acordado entre o time B de Etofuru e o outro time, o Colégio Koyshiro, de simplesmente definir o time da cidade vizinha como o vencedor da medalha de ouro, restando a prata ao time de Jason e a de bronze para o Colégio Gyanshu.

    A festa continuava, com a entrega de medalhas. Os atletas perfilados recebiam com muito orgulho seus prêmios, mas mesmo com o segundo lugar, a comemoração mais animada foi do time B de Etofuru. Os alunos improvisaram um cortejo para homenagear os novos heróis do colégio. Inclusive a transmissão da celebração foi colocada ao vivo na internet, atingindo quase toda a região de Etofuru.

    Jason e seus amigos estavam muito felizes, realizando a proeza de unir a escola mais do que antes. Era muito visível o contentamento de todos os alunos com a conquista sofrida. O astral era outro e... Kuon sentiu isso. O Anis, que acompanhou a todas s celebrações, mantinha sua imagem de influenciador intacta, sorrindo e ajudando a todos como sempre fez. Claro, sabemos que é uma fachada, mas Kuon sempre se colocou a disposição de todos no colégio, embora seus objetivos sejam bem escusos.

    Ao fim dos festejos, os jovens foram direto para o refeitório, pois queriam mesmo celebrar com muita comida.

    E no refeitório do colégio...

    — Ohhh... O time B tá onde? – Disse Jason, puxando o coro

    — NO TOPO! – Respondeu todos do seu time.

    — Ohhh... O time B tá onde?

    — NO TOPO!

    — O que vocês disseram?

    — O TIME B ESTÁ NO TOPO!

    — ETOFURU...

    — ... PRA SEMPRE! YEAH!

    Muitas risadas, brincadeiras, muita encarnação... Poderia ficar minutos escrevendo para demonstrar a alegria de todos. Regada a muito suco de frutas e sanduíches, assim como bolo e bastantes doces decorados, a festa de premiação era um sucesso. Jason comandava a confraternização, ditando o ritmo da galera que não parava de dançar com a música ao vivo tocada pelos próprios alunos. Era um momento especial, onde Jason diz a Sumo:

    — Cara, o Hakiro tinha que estar aqui... Caraca, que festa!

    — Será que ele não vai terminar antes?

    — Sei não... Eu disse a ele pra levar tudo a sério. Fazer todos os exames possíveis os deixar os pais dele tranquilos. O cara segurou maior barra...

    — Está certo... E você Lupa, está gostando?

    Isso mesmo que vocês leram. Lupa estava na festa. Ela, bastante sem jeito, não tinha ideia no que fazer. Mas não ficou calada, dizendo:

    — Eu nunca vi tanta gente junta fazendo o que fazem...

    — Hã? O que disse? Eu não ouvi.

    — Eu disse que eu nunca vi tanta gente junta fazendo o que fazem...

    — O que?

    Ela então se levantou e, quando iria dizer novamente, Sumo a surpreendeu com um beijo, chamando a atenção de todos. E seu irmão logo diz:

    — QUE ISSO, HEIN! VAI QUE É TUA, SUMO!

    E acreditem: Lupa aceitou o beijo apaixonado e se manteve assim por sua vontade. Porque isso? Simples: a jovem Anis nunca teve alguém que tivesse a iniciativa de fazer isso a ela. Tanto que essa nova experiência a fez sentir com o ato por um período maior que o jovem esperava. Sabendo que Lupa não iria parar, Sumo precisou intervir, dizendo:

    — Wow... Lupa, era só um beijinho. Você transformou isso em um romance... Hehehe, estou até envergonhado.

    — Ah... Eu pensei que queria continuar...

    — Lupa, não diz isso aqui! – Disse, ficando ainda mais envergonhado.

    — Você não gosta de mim?

    — Ah Lupa... É claro que sim!

    — Isso é bom de saber.

    — Isso é maravilhoso! Hehehe...

    Jason observava a tudo de longe, pois ele sabia da natureza de Lupa. Mas como ele mesmo pensou:

    — *Eu não devo julgar ninguém. Ela encontrou alguém legal pra se amarrar e pelo visto está querendo agir honestamente com ele... Será que ela está seguindo o que eu disse pra ela? Deve sim... Eu não vejo ela sorrir, mas eu sei que está gostando de tudo isso. Vai lá, Sumo. Cara, faz ela feliz...*

    E como tudo não são flores, eis que Kuon entrou no refeitório. Embora tenha causado uma impressão momentânea, ninguém parou de comemorar, para irritação do Anis. Sabendo que os alunos estavam começando a ignorar sua presença a festa, ele então foi até o microfone e diz:

    — Olá a todos os alunos...

    Logo todos se calaram para ouvi-lo. Satisfeito pela atenção recebida, ele, animado, diz:

    — Fico feliz por todos vocês e que as celebrações continuem a todo vapor. Não parem, continuem festejando... Eu não quero atrapalhar a festa!

    Sob palmas, Kuon havia mesmo chamado pra si as atenções. Mas não parou, dizendo:

    — E eu vim aqui para dar os parabéns ao time B de Etofuru porque eles merecem. Jason Hawoen, poderia vir aqui?

    Chamado por Kuon, o capitão do time B não poderia deixar de fazer essa reunião. Ao lado do Anis, ele ouviu Kuon dizer:

    — É com muita satisfação que eu o saúdo e parabenizo pela sua conquista.

    — Obrigado, Kuon... – Disse, mostrando indiferença.

    — Não precisa agradecer. Sabe, é um feito muito grande lutar tanto pra ser segundo lugar.

    Sim, vocês entenderam bem: Kuon disse isso para provocar Jason. Mas ele não deixou barato:

    — É verdade. Pra chegar onde chegamos precisa se classificar pra final. Somente os melhores chegam a final...

    O comentário de Jason causou um burburinho de alunos fazerem um ruído indicando que entenderam bem a afronta. Mas Kuon continuou:

    — Concordo. Os melhores seguem para as finais, porém só os competentes ganham a medalha de ouro...

    — Exatamente. Porque competência se vem com muita luta, sem depender de nenhum “super poder”...

    Jason deu sinais que sutileza não era um problema pra ele. Kuon sentiu a indireta, e logo tratou de dizer:

    — Ah... E não nos esqueçamos de Iamiko Hawoen...

    Por muito pouco Jason não pulou no pescoço de Kuon. Embora o jovem não tenha expressado nenhuma reação, nos seus pensamentos foi diferente:

    — *Que filho da p*ta! O que ele vai dizer?!*

    — Ela está bem, pessoal. Ontem mesmo fui até o hospital e prestei minhas estimas de melhoras. Ficamos muitos preocupados, eu sei... Mas ela está fora de perigo. Não é, Jason?

    — Sim...

    — Que bom. Bem... Como vocês sabem, minha irmã venceu a final e, comovida com o inesperado incidente da nossa colega, me deu sua medalha de ouro, que ganhou lutando com garra e espírito esportivo...

    — *QUE ARR*MBADO! Cara, como eu queria quebrar a cara desse Anis!*

    — E então, em respeito a sua prima, ela pediu os que entregasse a você sua medalha – Disse, estendendo a medalha para Jason – Aqui está. Dê a sua prima.

    Jason relutou a princípio, mas decidiu pegar o objetivo. Sob aplausos, Kuon estava reluzente, apertando a mão de Jason em seguida. Mas o jovem não iria aceitar calado:

    — Agradeça a Shizuka pela homenagem. Fala pra ela que eu nunca mais vou esquecer o que vocês fizeram! E tenham em mente que vocês são especiais...

    — Hm? Nossa, por essa eu... – Tentou dizer

    — ... porque vocês são o maior símbolo de humanidade que existe. Estão sempre fazendo o bem, empenhados a serem justos. E eu sei que se vocês pudessem, lutariam contra os monstros que ficam usando de influência pra dominar o mundo que vivemos!

    O rosto passado de Kuon era o termômetro perfeito pra medir o grau de sua paciência. Sob aplausos ainda mais entusiasmados, os dois voltam a apertar as mãos, com direito a foto para imprensa e tudo. Mas antes que se separassem, Kuon diz, baixo:

    — Faltou pouco pra ela morrer. Já pensou?

    — Ela é uma Hawoen.

    — E o que quer dizer com isso?

    — Só Hawoen metem no seu c* com carinho. E você gosta... Fica esperto, Kuon. Vaza daqui...

    Jason não arredou o pé com Kuon. O encarou em seu próprio jogo e venceu novamente. Esse era o sentimento do Anis que, caminhando para fora do refeitório, estava muito irritado. Com todos voltando a comemorar junto com Jason, quem pôde ver Kuon sair viu que o rapaz não estava mesmo contente.

    Horas depois...

    Já estava quase no fim da tarde. Jason passou o dia todo no colégio acompanhando os jogos com seus amigos. E após verem a final do torneio de futebol, ele pediu licença para seus amigos para ir aí banheiro.

    Era melhor ele não ter feito isso...

    Durante seu caminho até o banheiro, Jason avistou Shizuka no corredor. O rapaz, ainda tomado pela irritação, pois ela foi uma das responsáveis pelo o que aconteceu a Iamiko, se controlou ao pensar o que Hakiro lhe disse no dia anterior.

    “Meu amigo, não estou dizendo pra você esquecer o que ele fez... Mas pensa nisso que eu te disse: não piore a situação. A Iamiko está bem e é com isso que você tem que se preocupar agora.”

    E foi o que fez, ignorando Shizuka enquanto caminhava. Mas assim que ele cruza com ela no corredor, ela diz:

    — Jason Hawoen...

    — Não comece... Segue seu rumo.

    — Quero conversar com você.

    — F*da-se você e seu irmão!

    Porém ele sentiu a mesma pressão em sua cabeça (no capítulo “(Re)começando no colégio”), e logo diz:

    — Sua monstro... Pare já com isso!

    — Quero conversar com você. Me acompanhe... 

    Mesmo com a pressão diminuído e Jason voltando ao normal, ele encarou Shizuka, dizendo:

    — Porque ca***hos quer conversar comigo?!

    — Humano imundo... Você é uma desgraça. Sua existência me desagrada... Me siga.

    Jason, mesmo com a afronta da Anis, se colocou agora em curiosidade. Havia algo de diferente nela, como se estivesse mesmo disposta a conversar. O levou então a um lugar distante, indo em direção a parte desativada do colégio. Passando por corredores escuros, com vários equipamentos abandonados e cobertos por poeira e fuligem, logo eles chegam em uma sala no último andar de um dos prédios. Sabendo que não havia ninguém, Jason pôde então se expressar abertamente.

    — Que p*rra é essa? Porque me trouxe aqui?

    — Que fique claro isso: eu o odeio.

    — Nossa, que surpresa! Sério mesmo? Sabe o curioso? Eu quero que você vá a m*rda! Era pra isso que você queria me chamar? Fala sério...

    — De todos os humanos que tive contato, você de longe é o mais irritante, deplorável e desprezível. Me enoja só em estar respirando o mesmo ar que você. Riviera nunca será um lugar que pisará após sua morte. Você não é vem vindo lá... Nunca será seu destino... Talvez nem o Abismo seja um lugar digno de sua imundície como ser inteligente.

    — Ui... Estou até arrepiado. Falou como aquelas minas de anime medieval. Quer saber? Vai tomar no c* com seu irmão c*zão!

    E falando nele, eis que Kuon apareceu. Caminhando calado, se aproximava de Jason, que diz:

    — Ah que beleza... Os irmãos Anis estão no recinto. Como vai ser? Festa particular pra dar outra medalha?

    — Cale-se, humano. Hora de você ouvir.

    — Olha só... O c*zão tá tentando me dar ordens. Você tá ligado que eu tô cagando pra vocês dois, não?

    Ignorando as provocações de Jason, Kuon ligou três monitores antigos, que começaram a passar a transmissão do jogo de futebol, a final do torneio de tênis e de beisebol. Logo o humano diz:

    — Ah entendi: querem que eu veja a final com vocês, né? Que amor, Kuon... Nossa, não imaginava que minha presença te agradava... Você quer que eu seja gentil, né? Fala, filho da p*ta...

    E para surpresa de Jason, ao prestar atenção por alguns segundos no monitor que mostrava o jogo de tênis, viu que um dos tenistas começou a passar mal. Mas não era somente uma simples enfermidade: era familiar... como a de Iamiko. Com o jogador gerencio de dor e com sangue saindo de sua boca, Jason voltou a se desesperar, dizendo:

    — O que?! Mas... Vocês... Vocês dois... VOCÊS NÃO PODEM ESTAR FALANDO SÉRIO?! NÃO! VOCÊS NÃO FIZERAM ISSO...

    E no segundo monitor, no jogo de beisebol, mais um dos jogadores também começou a se sentir mal, estranho no chão e gritando de dor. Jason se desesperou ainda mais.

    — SEU MONSTRO! COMO SE ATREVEM A FAZER ISSO OUTRA VEZ! SÃO INOCENTES!

    E no terceiro monitor, a coisa piorou: vários jogadores estavam enfermos pelo mesmo problema de Iamiko. Era possível ouvir os gritos desesperados de várias pessoas pelo Campus do colégio, com Kuon dizendo:

    — Isso tudo... é sua culpa.

    — MINHA CULPA?! VAI SE F*DER, CARA! Essa gente... Meu Deus... Vocês... VOCÊS NÃO SE INPORTAM COM P*RRA NENHUMA A NÃO SER A VIDA ESCROTA DE VOCÊS! Minha nossa... Essa gente... ESSA GENTE INOCENTE NÃO MERECE NADA DISSO!

    E Shizuka logo diz:

    — Isso pode piorar...

    — O que?

    — Tenho vontade de fazer o mesmo com você. Vê-lo sangrar, sentindo a maior dor que já sentiu em sua vida... Me deleitar assistindo sofrer até a morte seria a melhor coisa no momento... Porém meu irmão tem planos...

    — O que está querendo dizer com isso?

    E Kuon, se colocando a frente de Jason, diz:

    — Desde que te conheci eu sabia que me traria problemas. Mas mesmo sabendo disso eu tentei te privar de tudo. Fiquei longe de você, mas você insistiu em querer me afrontar... Me derrotou, tripudiou de mim, me humilhou... Você não vai parar...

    — Isso era entre você e eu! VOCÊ E EU! ESSA GENTE NÃO TINHA QUE... – Tentou dizer.

    — Essas pessoas não irão morrer, mas eu não vou parar de fazer isso... Existem coisas piores que a morte, humano. Uma delas é sentir dor pra sempre... Eu te pergunto o que pode acontecer se eu continuar fazendo isso todos os dias... E se eu te dissesse que você tem culpa nisso? Jason, essa gente inocente está sofrendo por sua causa...

    — NÃO TENTE JOGAR A RESPONSABILIDADE PRA CIMA DE MIM! VOCÊS DOIS SÃO MONSTROS! VOCÊS QUE INVADIRAM ESSA CIDADE E QUEREM CONTROLAR TODO MUNDO!

    — Imaginava que dissesse isso também... Não existe o que você possa fazer pra evitar que continuemos. Acho que se você me vê como o vilão, então eu serei. Vou fazer de tudo pra que você se sinta culpado. Quer jogar indiretas na frente de todos? Vá em frente. Quer me entregar a polícia? Vá em frente... Mas eu sei que ninguém vai acreditar em você. “Esses dois são Anis que querem dominar o mundo...” Você é inteligente, Jason. Ninguém vai acreditar... E eu vou continuar fazendo, irão pensar que é um vírus, vai deixar a cidade em quarentena... E eu? Vou unir a todos. E você? Bem, estará doente também...

    Embora Jason estivesse prestes a explodir de raiva, ele mesmo sabia que de fato sua história séria absurda demais pra que acreditassem. E Shizuka, percebendo esse sentimento de Jason, diz:

    — Você só tem uma escolha... E é por isso que eu o trouxe aqui.

    — O que querem dizer? Falem... FALEM LOGO, BANDO DE MONSTROS!

    E Kuon, olhando Jason nos olhos, diz:

    — Kumate.

    — Hã? Mas o que é isso?

    — Jason Hawoen, eu o desafio ao Kumate.

    — Que p*rra é essa?!

    — A única forma de você livrar essa cidade do pior é aceitando o Kumate. Já a um bom tempo que eu desejo acabar com você... E acredito que você tem o mesmo interesse. Eu sei que você quer lutar contra mim, Jason... E eu quero também. Essa é a única forma de você salvar a todos. Light versus Dark. Herói versus vilão... Me vê dessa forma. Eu te vejo como um pedaço de asno barulhento e incoveniente. Decidimos só você e eu a supremacia desse colégio.

    — Uma luta que vai definitivamente decidir quem está certo. Jason Hawoen... Você poderá salvar a todos de um sofrimento sem fim... – Disse Shizuka.

    Frente a um desafio que não esperava, Jason se viu em um dilema ante os irmãos Anis, que estavam sérios e olhando para Jason. Mas o jovem, surpreendendo os dois, enquanto era possível ouvir o grito de pessoas no lado de fora do edifício. A aflição de Jason só aumentava, com Kuon pressionando-o. Entretanto, Jason diz:

    — Eu aceito.

    Continua.


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