The Last A: O Último Anis

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    Capítulos:

    Capítulo 18

    As olimpíadas de Etofuru - Parte 2: Vingança

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Os eventos após a partida ainda estão em seu ponto mais emocionante.

    Porém um embate vai ocorrer, com um desfecho inesperado.

    Aviso: capítulo terá cenas fortes.

    Os minutos que se sucederam após o fim da partida fatídico e épica do time de Jason foram bem intensos e emocionantes. Logo após ir cumprimentar Kuon, o jovem se juntou aos seus amigos, com todos próximos a arquibancada, festejando junto aos torcedores. Embora só houvessem estudantes da escola e ambos os times defendessem as cores do grêmio, era evidente que a vitória do Time B causou ainda mais entusiasmo e euforia de todos.

    A pessoa mais procurada foi Hakiro, sendo ovacionado pelos novos amigos e, principalmente, pelos alunos da escola. O jovem era muito conhecido antes do domínio de Kuon que, como nós sabemos, foi o principal responsável pela sua “doença”. Com Hakiro comemorando aos prantos, logo vê sua mãe se aproximar, lhe abraçando com força. Ela, sem acreditar no que estava acontecendo, diz:

    — Hakiro.... Meu filho... Você está... de pé?! Você jogou?!

    — Sim, mãe... Eu me recuperei... aos poucos, como eu disse a você e ao meu pai...

    — Mas... HAKIRO! – Disse, chorando ainda mais.

    No outro lado da quadra, que estava tomada por estudantes eufóricos e profissionais de mídia, seu pai havia chegado. Ele, chorando, diz:

    — Hakiro...

    — Hã? PAI!

    — HAKIRO! – Disse, correndo até seu filho.

    Palavras talvez não expressassem o tamanho da alegria que tomou a família, que se abraçaram com força. A emoção contagiou a todos novamente. O cenário era de festejos e júbilos, celebrando uma conquista imensa, que foi a volta de seu filho depois de um longo período de dificuldades. Recuperar os movimentos e suas memórias trouxe muita alegria a sua família.

    Mas as comemorações não acabaram.

    Vestiário do ginásio | 21:30 PM

    — O Kuon se f*... – Disse Jason, puxando coro.

    — DEU! – Respondeu ao coro todo seu time.

    — O Kuon se f*...

    — DEU!

    — Perdeu as pr*gas, ele se f*...

    — DEU!

    Os rapazes membros do time B de Etofuru estavam ainda aproveitando o momento e gastando ainda mais o capitão do time A de Etofuru, Kuon. Tomando banho e com alguns aproveitando para hidratarem o corpo com bebidas isotônicos, Kenta diz:

    — Cara, eu estou muito feliz... Estou nos céus... Caraca, a gente humilhou o Kuon!

    — E seu irmão, cara? – Perguntou Sumo.

    — Ah o meu mano tomou bonito, mas ele tem espírito esportivo. Vou ter muito tempo pra zoar com ele, hehe. Mas o Kuon... Faço questão de zoar até o ano acabar, aquele playboy desgraçado...

    — Haha! E tudo isso por causa do plano do Jason – Disse Paladino, rindo – Cara, como é que você recuperou o Hakiro?!

    — Bem, meu amigo sempre foi de superar limites e surpreender. Tudo partiu dele. E essa estratégia teve plena participação dele – Disse Jason.

    — Mas colocar o Kazu... Cara, eu não sabia que o porta-voz do Kuon sabia jogar... e o cara parece um felino de tão ligeiro!

    As últimas palavras de Paladino trouxe um pouco de reflexão por parte de Jason, que no mesmo instante entrou em uma lembrança. Foi de como elaborou toda a a estratégia...

    Voltemos um pouco no tempo, a exatas duas semanas antes do início das olimpíadas de Etofuru para sabermos o que foi feito.

    Duas semanas antes.

    Casa de Jason | 22:00 pm

    Com todo o time B no jardim de sua casa, Jason servia seus amigos com limonada e biscoitos. Era uma reunião para definirem bem o que fariam. Depois de definirem o posicionamento de cada um, o jovem capitão diz:

    — Escutem... Eu vou precisar da ajuda de todos vocês. A cooperação e comprometimento dessa estratégia que eu vou bolar é determinante pra gente f*der com o c*zão do Kuon. Então ficará assim:

    Nas lembranças de Jason, ele ouvia a si mesmo enquanto se recordava de cada lance do jogo. Bem no início, com Kenta e Motoi se alongando e estando os dois na defesa, correndo e se empenhando, ele continuou sua estratégia:

    — Kenta e Motoi... Vocês dois são os que tem maior força e forma física. Quero que no início não corram tanto mas forcem na defesa com tudo. O porquê disso? Eles não virão com tudo.

    — Mas como pode ter tanta certeza? – Perguntou Kenta.

    — Kuon vai pedir pra pegar leve. O arr*mbado vai querer se promover, então não vai humilhar o time do Hakiro. Ou seja, ele vai deixar a gente pontuar pra dar uma de bom moço na frente de todos. Esse é o ponto que precisamos explorar.

    Dessa vez Jason se recordou de Sumo e Paladino, os irmãos Katsumo. Relembrando das assistências dos dois durante o primeiro quarto, ele se ouvia dizer:

    — Sumo e Paladino... Vocês são os mais habilidosos para armar as jogadas. Quero bolas longas, pra que não se desloquem muito do lugar. Quero que economizem o máximo de energia.

    — Mas porque isso? – Perguntou Sumo.

    — Nos vamos jogar os quatro quartos sem sair da quadra.

    A comoção de todos durante a reunião foi tremenda. Ninguém concordava com a proposta suicida de Jason, como Motoi deixou bem claro:

    — Cara, jogar uma partida inteira de basquete sem descansar é impossível! Como você pode pensar que isso vai dar certo? A gente vai morrer no segundo!

    — Sim, numa partida comum. Só que a gente não vai ser agredido. Vamos relaxar e pontuar bastante..

    — Mas cara, tudo bem que o Kuon febre fazer isso mesmo de se deixar levar pontos, mas é insano. Ele no fim vai varrer a gente no final do último quarto! 

    — Sim, eu pensei nisso. Então... Eu tenho surpresas pra ele, mas só poderei dizer a vocês durante a partida.

    — Hã? E porque não agora? – Disse Sumo.

    — Porque eu preciso de todos vocês comprometidos a seguir com o que eu falei. Pessoal, eu prometo a vocês que todos irão amar ver a cara de choro do FDP do Kuon... A gente vai vencer. Não só iremos como fazemos o desgraçado engolir seco todo o orgulho que ele tem.

    — Mas Jason...

    — EU PROMETO! Eu prometo a cada um de vocês... Então só acreditem nessa causa... e vamos destruir o babaca!

    Embora fosse uma ideia absurda, a fé de todos foi aumentada com a confiança de Jason, que juntou sua mão a frente, sendo seguido por todos. A união foi concretizada, mas havia mais coisas: ao fim da reunião, Jason ligou para Kazu, que não demorou muito e chegou até seu quarto. Lá dentro, fazendo parte da reunião, estava Piece 1, que foi apresentado pela primeira vez ao Anis jovem. Numa conversa de apresentações inesperadas, os dois se virem l conhecem, com Jason dizendo:

    — Hm... Vocês são Anis. Então eu precisei fazer uma reunião separado do meu time. Eu não quero que eles descubram quem são vocês de verdade.

    — Jason, tudo bem você me apresentar ao Piece 1. E devo te dizer que isso foi uma surpresa pra mim...

    — Concordo, Humis (nome usado para designar Anis na sua forma humana)... Porém eu nunca vi você e os demais no centro de pesquisas – Disse Piece 1, curioso.

    — Eu entendo vocês dois, mas peço que deixem essas descobertas depois. Preciso da ajuda de vocês.

    — Acho que já lhe ofereci auxílio demais, humano. Minas obrigações terminaram...

    — Piece 1, tá falando de quê? Você mora de favor aqui! Tem mais que ajudar mesmo!

    — Grr... Não diga isso na frente do Humis!

    — Então para de fazer doce. Você vai ajudar sim!

    — Hunf... Que atrevimento.

    — Que ajuda, Jason? Sabe muito bem da minha posição... – Disse Kazu, preocupado.

    — Kazu, seu papel no colégio é fazer com que Kuon tenha influência suficiente pra ter o controle de tudo, não? – Perguntou Jason.

    — Sim. Mas onde quer chegar?

    — Então... O que você faz pra se promover?

    — Bem, eu sigo com os interesses de Kuon e...

    — Não! Estou falando de você... Só de você. O que você faz pra se promover?

    — Eu não sou de querer isso. Eu não preciso.

    — Por isso mesmo. Porque então não faz parte do meu time?

    Isso sim trouxe estranheza por parte dos Anis, com Kazu dizendo:

    — Jason, você sabe muito bem que...

    — Cara, porque você não pensa em se divertir também?

    — O que?! Jason, por acaso você já parou pra pensar que eu não sei jogar?

    — E daí? Qual a diferença?

    — Porque quer que eu faça parte de seu time sabendo disso?

    — Porque você é meu amigo. Está bom esse motivo?

    — Eu não posso ir contra o Kuon. Jason...

    — Então você vai ficar sendo o capacho dele eternamente?

    — Eu não sou capacho de ninguém. Faço pelo bem de todos.

    — Não. Você faz pelo bem do Kuon.

    — Jason!

    — Você sabe que é verdade. E sabe que não precisa seguir com isso. Cara, vai viver. Larga o Kuon. Você está gostando de fazer o que faz?

    — O que quer dizer com isso?

    — O Kuon controla todo mundo a muito tempo, até você. Porque esse interesse todo de controlar o que as pessoas fazem? Você nunca pensou que não faria diferença de Kuon ter ou não controle de influência no colégio? Eu por exemplo: poderia ter falado sobre vocês mas eu não fiz isso e nem irei fazer. O que mudou? Nada. E você sabe disso!

    — Mas Jason... você está mesmo pensando que pode vencer esse jogo? Não dá. O Time não é só o Kuon. Todos os outros jogam em alto nível.

    — Kazu, encare os fatos: isso não será uma partida de basquete.

    — Hã? Mas como assim?

    — É uma propaganda de influência do Kuon. Ele vai jogar pra se promover. Não vai levar a sério essa partida. Ele sabe que a gente não tem a mínima chance... Então a gente tem isso como trunfo.

    — Trunfo?

    Piece 1, inteligente como era, já havia percebido Brum onde Jason queria chegar. O felino então diz:

    — Um engodo.

    — Como? – Perguntou Kazu.

    — Não passa de uma manobra para esse Humis denominado Kuon para se promover. O humano está certo, não será uma recreação idiota que só humanos fazem sem noção alguma. Devo admitir que Kuon é muito engenhoso... – Disse Piece 1, pensando em seguida – *O mundo atual é fascinante. Esse tal Kuon aprendeu a chegar ao poder de forma ordeira e despretensiosa... Posso aprender muito com isso e... Hm... Dominar os humanos pode ser facilitado com mais a aprender desse mundo novo. Estou gostando...*

    Kazu, depois de pensar bem, refletiu exatamente o que lhe disseram.

    — Então é isso... Vocês estão blefando.

    — Exato, Kazu. O Kuon pensa que a gente vai jogar basquete, mas ele fingirá. Porém nós vamos economizar muita energia para o fim. Mas no início vamos fazer score pra ele perder o controle da situação. Haha... Ele vai ficar maluco quando perceber as supresas... – Disse Jason.

    — Surpresas?

    — Sim. Eh... O melhor jogador de Etofuru poderia entrar?

    — Hã?

    E eis que Hakiro apareceu na janela, entrando em seguida, para surpresa do Anis. Com os olhos arregalados e pasmo, Jason completou:

    — Essa é a surpresa.

    — Hakiro?! Mas...

    — Olá, Kazu. Ainda sendo o testa do Kuon? – Disse Hakiro, sorrindo.

    — Mas como?! Hakiro... Mas...

    E Piece 1 foi até Kazu, dizendo:

    — Eu o trouxe de volta.

    — Mas como?

    — Hm... Posso estar neste estado lastimável de meus poderes psíquicos mas eu consegui reavivar toda sua memória. Esse humano teve sua mente apagada, mas consegui refazer toda sua sincronização.

    — Jason, o que está acontecendo aqui? Esse Anis...

    — Relaxa, Kuon. Não foi pra isso que te chamei. E aí? Vai me ajudar a colocar o Kuon no bolso ou não?

    — Mas como você pensa em fazer isso? Nossa, Hakiro... Você está bem?! – Kazu ainda não havia aceitado esse detalhe.

    Voltando as imagens das partida, Jason visualizou a entrada triunfante de seu amigo no jogo, com todos surpresos. Com o seu amigo destruindo em quadra o esquema de Kuon, Jason diz:

    — Hakiro vai entrar no último quarto chutando bundas. Kazu, te convido pra ver a cara de c* do bonito lá depois dele entrar... Vai ser inesquecível.

    — Só isso?!

    — Só? Haha... Ainda tem mais...

    E novamente Jason relembrou dos momentos da partida, onde todos o seu time já sofria com o desgaste. Com Kenta e Motoi se dedicando a marcar a defesa e os irmãos Katsumo, Sumo e Paladino, fazendo assistências espetaculares, o capitão diz:

    — Piece 1... É aí que ele entra: nosso amigo Anis vai usar seus poderes pra injetar ânimo durante o tempo em quadra.

    — O que?! Mas como isso poderia ser possível? 

    O felino psíquico então diz:

    — Auto sugestão intra neuronal.

    — O que é isso?

    — Todo ser vivo tem em sua constituição hormônios. Muitos desses são neurotransmissores, que é onde atuarei: irei atenuar seus desgastes físicos e indizirei para que se sintam bem mesmo estando exaustos. Porém isso poderá trazer problemas...

    Jason então lembrou do momento que Kenta rompeu os ligamento de sua perna, ao fazer o passe para o último lance do jogo. Durante as imagens daquele instante memorável, Jason dizia:

    — Todo mundo quer o fim do domínio de Kuon. Eu mesmo estou disposto a isso se for o caso.

    — Mas Jason, eles são seus amigos. Não deveria envolver essa gente entre você e o Kuon.

    — Aí que você se engana, Kazu. Tudo mundo quer o fim dele. Antes de eu voltar pra Etofuru já tinham pessoas inconformadas com o desgraçado. Você sabe disso melhor do que eu... E eu me preocupo com você diante tudo isso.

    — Como assim?

    — Você está preso ao estilo de vida dele. Tudo que o Kuon é hoje é por sua causa e por causa da irmã amaldiçoada dele... Então, cara... Isso é viver pra você? Você acha justo alguém teu poder de influência sobre as pessoas onde isso nem era preciso? Cara, o Kuon é um narcisista dominador que só pensa em poder. E isso está brecando sua vida.

    — Jason...

    — Um jogo de basquete é pra ser divertido antes da rivalidade. Os jogadores precisam estar relaxados e vívidos. Kuon destrói tudo isso com essa influência dele. Isso não é viver... É escravidão moderna!

    As palavras de Jason para Kazu também acertaram Piece 1, que pensou:

    — *Hm... Exatamente. Esse mundo novo, cheio de possibilidades de dominação... Os humanos de hoje são facilmente corruptíveis e alienados... Jason Hawoen, seu humano miserável... Está me ajudando muito a abrir meus olhos para que meus planos sigam em uma direção sem falhas... Hehehe... Fascinante!*

    E Jason, caminhando até próximo a Kazu, o abraça. E olhando em seguida para o jovem Anis, diz: 

    — Te convido a se divertir, Kazu. Dê um basta pra essa situação. Kuon não tem poder contra você e nem ninguém. Eu só quero o justo. E então... Quer se divertir, Kazu?

    — Mas Jason, eu não sei jogar basquete.

    — Haha! Será um prazer pra mim e o Hakiro te ensinar. E no fim, você...

    As lembranças de Jason haviam chegado ao fim, com uma última imagem vindo em dia mente, quando Kazu interceptou a bola de Kuon. Naquele momento, Kazu nunca se sentiu tão bem consigo mesmo desde que chegou em Etofuru. E Jason completou:

    — ... vai estar se divertindo tanto que entenderá como a vida é boa!

    Como podemos ver, Jason desde o início tinha como estratégia fazer com ele Kuon pensasse que, por Hakiro estar no time B de Etofuru, Jason não iria se focar no jogo e simplesmente já havia aceitado a derrota, principalmente por causa do resultado do último jogo. O Anis, visando atingir o emocional de todos e com isso conseguir ainda mais influência, se propôs a levar a partida como uma exibição, para assim ser visto como um bom anfitrião e bondoso.

    Porém seus planos vieram abaixo ao ver Hakiro bem a sua frente de pé e disposto a jogar contra ele. Kuon percebeu tarde demais e a diferença de pontuação já era alta. Tudo funcionou perfeitamente para Jason, frustrando totalmente o jovem Anis capitão do time A de Etofuru.

    Voltando ao presente...

    Com seu orgulho visivelmente destruído, Kuon deixou o ginásio sem sequer conversar com seus companheiros. Era possível ver o grau de frustração em seu rosto, mostrando mesmo irritação com o resultado da partida. Por sorte, Kuon estava caminhando por um corredor vazio, o que dava ainda uma maior noção de desolação que sofria naquele momento.

    E justamente esse foi o lugar onde se encontrou com sua irmã, Shizuka. E repetindo novamente, sua frase:

    — Esses humanos... No dia de hoje um deles ousou em tentar nos desestabilizar. Creio que devemos dar-lhes um choque de realidade...

    — Hm... O que você quer?

    — Iamiko Hawoen... Uma simples derrota não os ensinará nada.

    — Então... você me permite fazer...

    — Sim, cara irmã. Faça-a sofrer... sem pena nem misericórdia. Do jeito indetectável que só você sabe fazer.

    — Que assim seja.

    Iamiko Hawoen, prima de Jason e exímia lutadora de karatê, está prestes a passar por um grande desafio. E assim seguimos com o desenrolar da história.

    Olimpíadas de Etofuru – Primeiro dia

    Colégio de Etofuru

    Ginásio central | 21:30

    Uma grande gritaria era ouvida.

    As arquibancadas estavam cheias.

    E oito tatames no centro do ginásio estavam sendo usados para lutas.

    Sim, era o torneio de karatê das olimpíadas. Com dezesseis participantes, as lutas eliminatórias estavam transcorrendo a todo vapor, com muita garra e coragem. Em paralelo um com o outro, as categorias masculinas e femininas eram bem disputadas, com lutas emocionantes e bastante disputadas. Em um dos tatames estava Iamiko, que se destacava ao ter vendido sua oponente com perfeição: 8 a 0. Com uma exibição impecável, ela reverenciou sua adversária, demonstrando respeito e comemorando em seguida. A jovem estava mesmo concentrada e bastante motivava com a competição. 

    Após sua vitória, que lhe deu a chance de ir a final, ela foi até seu vestiário visando descansar e não perder o foco. Tomando um pouco de água em um squeeze, ela enxugava o suor de seu rosto com uma toalha, a colocando em sua cabeça e se encontrando a um dos armários para relaxar. E de dentro do lugar uma voz conhecida por Iamiko é ouvida:

    — Finalmente está lutando a sério!

    Era sua mãe, Azika. A jovem, meio que ignorando-a, diz:

    — Hm... Tá, tá... Agora me deixa.

    — Ah então é assim que você fala comigo? Por isso o Jason te chama de monstrinho...

    — Ih... Começou com a palhaçada. Me erra, mãe...

    — Preguiçosa! Deveria estar lá fora pra ver as lutas. Você não viu nenhuma de suas adversárias em ação... Isso é um ato muito irresponsável.

    — Ah qual é? Você viu como eu fui bem na minha luta. A garota nem conseguiu fazer nada...

    — Ei, nada de soberba! Respeita sua adversária. 

    — Eu respeitei, ueh. Não posso fazer nada que eu era muito melhor. As vezes eu acho que nessa cidade não tenho adversária a altura.

    — Iamiko! Pare de pensar assim!

    — Tá, tá... Vou lutar sempre a sério. É assim que eu mostro respeito. Falou?

    — Hm... Só falta ir lá pra fora ver com quem você vai lutar.

    — Gosto de surpresas. Essa noite é minha, mãe.  

    — Convencida... Ah eu vou voltar para a arquibancada. O Jason está te vendo também junto comigo, entendeu? Então não me decepcione.

    — Hahaha! Só por causa dele? Na verdade bem ele me venceria na porrada, aquele fracassado...

    — Para com isso! Eu vou deixar ele te chamar de monstrinho na próxima vez.

    — E essa é minha mãe. Tão justa nas palavras... 

    — Muita humildade, hein! Estou de olho...

    — Tá, eu entendi. Vai lá que eu quero descansar um pouco...

    Depois da breve conversa...

    Sentado com Piece 1 em seu colo, Jason, já tomado banho e vestindo o agasalho do time de Etofuru de basquete, acompanhava as demais lutas. Mas durante esse período, o felino diz:

    — Satisfeito com sua vitória?

    — Com certeza, Pis.

    — Hã? Do que você me chamou?

    — Pis. Ficar te chamando de Piece 1 é chato. Vou te chamar de Pis agora.

    — Não ouse... sequer pense... em me chamar assim!

    — Ei, fala baixo... Vai que essa gente aqui do lado descobre que você é um Anis e...

    — Você que está causando isso tudo, humano indolente!

    — Shh! Fica quieto, Pis!

    — Pare de me chamar assim! Eu sou Piece 1, o Anis mais poderoso do mundo!

    — Tá. Pra mim você é o Pis, o felino mais edge do mundo. Agora fica quieto que minha tia está voltando.

    — Grr.. desgraçado...

    Como Jason havia avisado, Azika estava mesmo vindo, se sentando ao lado do jovem em seguida. Com os dois assistindo as lutas, ele diz:

    — E a Iamiko? Ela deve estar feliz...

    — Está sim, mas eu conheço ela bem...

    — O que houve?

    — Ela pode esconder isso de todos, mas de mim ela não consegue.

    — O que? Que ela é um tipo de entidade maligna quê veio a terra pra causar desordem e caos?

    — Hm... Quase isso... Falando sério, ela está com soberba.

    — Natural dela mesmo... Nenhuma novidade.

    — Mas na real, Jason... De fato ela não tem adversário a altura.

    — Nesse meio tempo ela treinou muito, não?

    — Sim. Eu a treinei bem e... ela é mesmo uma prodígio. Sempre esteve a frente de todas as garotas caratecas de Etofuru. Nessa primeira olimpíada dela vai se destacar.

    — É, eu vi ela lutar. Não é a toa que ela é uma monstrinho.

    — Ei! Não fale assim de sua prima!

    Mas interrompendo a conversa, eis que a última luta mal se iniciou e já teve seu fim: Jason e Azika ficam surpresos ao ver que Shizuka derrotou sua oponente em menos de um minuto com placar perfeito de 8 a 0 como Iamiko. Com o árbitro sinalizando o fim, logo o resultado causou comoção nas arquibancadas. Podíamos ouvi-los dizer:

    — Cara, que é essa garota?!

    — É a irmã do nosso representante! Shizuka Haruka é o nome dela.

    — Mas essa garota até então nunca tinha lutado. Eu nem sabia que ela fazia exercícios...

    — Ela sempre foi misteriosa... O olhar dela me dá calafrios.

    Jason conhecia muito bem Shizuka, principalmente com tudo que aconteceu até agora. Ele, só em olha-la vencendo sem esboçar nenhuma emoção, pensou:

    — *Ela?! Aqui? Mas como? Bem, ela pode ser uma Anis, mas não tem como ela usar seus poderes sem que ninguém veja. E como ela é inexperiente, nem suas habilidades vão ajudar contra a monstrinho. Ah Kuon... A família Hawoen vai papar mais uma vitória sobre vocês!*

    Ao fim da luta, Shizuka se retirou do tatame, indo em direção ao vestiário, com os comentários de estranheza rondando por todo o ginásio.

    Minutos depois...

    Vestiário do ginásio

    Com Iamiko apertando a faixa de seu kimono, eis que percebeu a entrada de Shizuka. Surpresa com o fato, também pôde ver que a jovem Anis estava trajando também um kimono, chegando a conclusão que a garota havia lutado. Ainda mostrando essa reação, pensou:

    — *Shizuka?! Ela lutou?! Não posso acreditar... Mas eu não a vi praticando karatê durante esse período... O que está acontecendo aqui?*

    Porém Shizuka ignorou Iamiko, indo até o bebedouro do vestiário para tomar água. Porém, o ele surpreendeu ainda mais Iamiko, foi o fato dela dizer:

    — Somos nós duas na final... Já deve estar sabendo...

    — Como é? Você que é a vencedora da luta então?

    — E também entendo que não me viu lutar... Isso é algo muito incoveniente pra você...

    — Qual é a sua, Shizuka? O que você quer? Já começou a provocação?

    — Nada disso faz diferença... O fim de tudo eu já sei como será...

    — COMO É?!

    — Eu vou vencer.

    — Hahaha! Fala sério, sua esquisitona! Sei lá qual foi o milagre que você fez pra chegar na final, mas eu nunca seria derrotada por uma anônima como você!

    Mas Shizuka estava mesmo disposta a provocará jovem, bebendo água sem olhar para Iamiko. Ela então diz:

    — Desista dessa luta.

    — O que?

    — Desista de sua luta. Entre no tatame e declare sua desistência. Isso vai te livrar da humilhação que sofrerá diante de toda a escola.

    — Hm... Olha só. A esquisitona mostrando as garras. Não imaginava que a irmã do nosso representante fosse tão auto de si. Essa sua marra agora me fez mais vontade de lutar, sabia?

    — Humana tola...

    — O que você disse?! – Disse Iamiko, irritada.

    — Não passa de uma forma de vida sem escrúpulos, que por onde passa imunda esse solo abençoado por Riviera. Seu ser desgraça a tudo que existe de sagrado sobre essa terra magnífica.

    Iamiko não aguentou ouvir aquelas palavras sem reagir: segurou Shizuka em seu kimono pelo pescoço e, bastante irritada, diz:

    — Escuta, sua esquisitona do inferno: você não tem moral alguma de me falar essas coisas estranhas que você pensa! Se está incomoda comigo, saia daqui!

    — Um comportamento esperado... para um humano.

    — F*DA-SE, SUA ESQUISITONA!

    Iamiko estava prestes a golpear Shizuka com um soco, quando pelo interfone do ginásio há o aviso para que os participantes da final da categoria feminina de karatê se preparem. Com isso, e com seu punho já fechado, Iamiko diz:

    — Você tem muita sorte, surtada miserável. Mas vai ser bom ver você no tatame.

    — Pela última vez: desista dessa luta.

    — Faça isso você... – Disse, pegando sua luva e sapatilha de karatê – ... porque eu vou com tudo e não vou pegar leve... sua idiota! Hm... Te espero lá fora.

    Iamiko então deixou o vestiário, deixando Shizuka ali imóvel, sem demonstrar emoções. E a Anis, olhando a porta se fechar, diz:

    — Riviera não a espera... Você fez sua escolha.

    Iamiko não tinha ideia no que estava prestes a acontecer.

    Minutos depois...

    Ginásio central | 22:00

    Final feminina do torneio de karatê

    Iamiko Hawoen vs Shizuka Hiruka

    Como o último evento do primeiro dia das olimpíadas de Etofuru, a final estava sendo acompanhada até pelo noticiário esportivo local, transmitindo para toda a região do pequeno distrito no extremo norte do Japão.

    No centro do ginásio, já com uma frente a outra, Iamiko encarava Shizuka a olhando nos olhos. Porém a Anis se mantinha com a mesma postura que tinha até então, com Iamiko pensando:

    — *Essa miserável... Como pôde ter chegado tão longe? Eu nunca a vi sequer praticar esportes durante todo o ano... Como conseguiu ter habilidade pra lutar e chegar na final? Ah isso não importa... Vou dar uns três chutes na cara dela e acabar logo com isso.*

    Em lutas competitivas de karatê, a pontuação ocorre como no judô:

    • Yuko: 1 ponto. Corresponde a um soco na área do abdômen, do peito, do rosto ou costas.

    • Waza-ari: 2 pontos. Equivale a um chute nas áreas das costas, do abdômen ou do peito, ou chute nas laterais do tronco.

    • Ippon: 3 pontos. Ao contrário do judô, não encerra a luta. Corresponde a um chute na cabeça ou nas laterais do pescoço ou uma queda seguida de um ataque tecnicamente correto. É importante ressaltar que a pontuação pelo soco no rosto é dada pela técnica, e não pela força. Não é permitido machucar o adversário.

    Depois de reverenciarem umas as outras e ao árbitro, veio o início do combate de dois minutos:

    — HAJIME!

    Iamiko não perdeu tempo e buscou aproximação, tentando fintar Shizuka, que ficou imóvel, mostrando base de luta. Percebendo que sua adversária estava presa a defesa, Iamiko se aproximou mais e começou a saltitar próximo a Anis, que se manteve só observando Iamiko. Porém esse foi um erro: a jovem era muito habilidosa em combate, acertando um chute certeiro no rosto de Shizuka. O gole foi tão rápido e direto que a Anis sequer virou o rosto. Com o gole certeiro, Iamiko marcou três pontos já de início, causando comoção tremenda em todo o ginásio. Sua mãe e até mesmo Jason se empolgaram com o golpe desferido.

    Porém mesmo diante de seu sucesso, Iamiko não pôde deixar de se incomodar com a calma e serenidade de Shizuka, que não esboçou absolutamente nada relacionado a frustração.

    — *Como assim? Essa esquisita nem piscou. Não faz sentido. A essa altura ela deveria estar muito irritada, como as demais. Mas essa aí fica de boa, sem reação...*

    Voltado as duas ao centro do tatame, a luta é reiniciada:

    — HAJIME!

    Iamiko foi novamente em direção a Shizuka, já buscando atingí-la. A jovem humana sabia mesmo lutar e esbanjava confiança. Frente a sua oponente, a olhava para escolher o melhor momento parte atacar e precisar no golpe. E num momento de extrema habilidade, Iamiko executou um chute em seu rosto novamente, marcando mais três pontos. O chute potente e preciso trouxe entusiasmo a torcida do colégio, que estava impressionada com as habilidades de combate da jovem promessa. Com toda a comemoração, Jason não evitou de dizer:

    — HAHAHAHA! CARACA, ELA TÁ DESTRUINDO! – Disse, comemorando com sua tia, pensando em seguida – *Cara, a monstrinho tá detonando. E olha que a Shizuka é uma Anis!*

    Mas para surpresa de Jason, no outro lado da arquibancada estava Kuon, que estava caminhando até um assento. E assim que se senta, é fitado pelo jovem, acompanhado por um sinal bom o dedo médio da mão direita de Jason, que estava indo a forra contra seu rival. Mas o Anis capitão do time A de Etofuru simplesmente ignorou, embora tivesse visto.

    Voltando a luta, podíamos ver as duas próximas depois da marcação do ponto, com Iamiko dizendo:

    — Pensava que iria me fazer desistir, mas vejo que estava bem errada.

    — Iamiko Hawoen... – Disse Shizuka, sem a olhar.

    — Hm? Quer me dizer algo?

    — Vai perder... – Disse, caminhando para o centro do tatame.

    — Hã? *Essa esquisita... Fria como o gelo... Está prestes a perder da forma mais humilhante e não demonstra nenhum nervosismo...*

    E com as duas ao centro, o árbitro diz:

    — HAJIME!

    Iamiko correu até Shizuka a fim de acabar com a luta. Já com 6 a 0 a seu favor, tentou acertar com um chute no rosto da Anis. Mostrando bastante confiança, estava prestes a conseguir, mas num movimento praticamente inesperado e a poucos centímetros de atingí-la, Shizuka somente levantou sua mão, aparando o chute, para suriresa de Iamiko. A Anis então lhe passou uma rasteira quase instantânea, a levando ao chão e destruindo um potente soco em sua barriga. Todos então se surpreendem com o contra ataque da jovem, que encarou Iamiko assim que foi validado seu ponto. Mas a reação ao golpe desferido por Iamiko trouxe uma dúvida a ela:

    — *Como ela conseguiu defender meu chute?! Ninguém conseguiria ter essa velocidade de reação... O ponto já era meu!*

    E não foi só isso: Shizuka já estava no centro do tatame, para surpresa ainda maior por parte da jovem.

    — *O que?! Ela já está no centro?! Essa... Essa esquisita...*

    Bastou esse mísero ponto obtido pela irmã de Kuon para Jason se preocupar. Tanto que ele logo se colocou em pensamentos.

    — *O que eu vi ali? Esse chute da Iamiko era praticamente indefensável... Será que ela... Não, ela não faria isso na frente de todo mundo... Não tem como!*

    E para termos ideia da proporção dessa reviravolta, Piece 1, que estava deitado no colo da tia de Jason, pensou:

    — *Hm... Ela é uma Anis. E eu sinto uma aura... Não são poderes psíquicos, mas... Isso não é natural...*

    Esse ponto que Shizuka conseguiu foi o suficiente para incomodar ainda mais Iamiko, que não conseguia entender o porquê de tanta calma da Anis. E o juiz diz:

    — HAJIME!

    Ignorando seu frustrado ataque anterior, Iamiko correu para próximo a Anis outra vez, mas dou surpreendida com um uma movimentação fora do comum de Shizuka, que a atingiu com um soco em seu dorso, fazendo-a ir para trás. Com isso foi marcado dois pontos, para incredulidade de todos alí presentes. Não foi algo usual de se ver, como Jason mesmo pensou:

    — *Ela está usando seus poderes de Anis! Esses dois... Ela está mesmo usando!*

    No mesmo instante Jason olhou para Kuon, que voltou a ignorá-lo, com suas atenções todas na luta. E justamente voltando a ela, vemos que Iamiko estava muito irritada. Isso era visível em vermos seu rosto franzido. Furiosa, ela pensava:

    — *Essa desgraçada! Quem ela pensa que é pra me golpear assim? Ah... Esses seus dois golpes em mim... Foram superficiais como devem ser, mas... Estou sentindo formigamento nas áreas... Isso me incomoda... ISSO ME INCOMODA MUITO!*

    — HAJIME! – Disse o árbitro, reiniciando a luta.

    Talvez o pronunciamento da palavra fosse o único momento que antecedeu o impressionante movimentar de Shizuka para próximo de Iamiko... Sim, vocês leram direito: a jovem Anis que tomou a iniciativa dessa vez, já próxima a humana, com ela desferindo três socos no dorso de Iamiko. Shizuka faturou mais dois pontos, indicando 6 a 5 para Iamiko. Todos no ginásio estavam impressionados e pasmos com a incrível velocidade de Shizuka, que parecia não se preocupar em mostrar. A jovem Anis, após golpear Shizuka, só lhe deu as costas e voltou para o centro, esperando pelo reinício. Um silêncio tomou conta do recinto, com todos comentando baixo o que estava acontecendo. Jason rangia os dentes, já tendo o conhecimento dos fatos. Mas como não estava disposto a dizer absolutamente nenhuma palavra a respeito, ficou em silêncio. Sua mãe, não acreditando no que estava vendo, diz:

    — Esses movimentos... Essa garota não é normal! Jason, você a conhece?

    — Ah...

    — JASON!

    — Ah... O que...

    — Essa garota... Você a conhece?

    — Não... Só de vista... *Até a minha tia já sacou que tem algo errado... O que eles querem?! Porque estão se expondo tanto?!*

    No tatame, Iamiko estava atônita e ainda mais irritada. Tanto que voltou ao seu posto com os seus punhos fechados e com muita fúria estampada em seu rosto. E com o árbitro reiniciando a luta outra vez, vimos tanto Iamiko como Shizuka partindo uma para cima da outra. A humana começou a desferir vários golpes potentes tentando acertar o rosto da Anis, mas com todos sendo defendidos com maestria pela Anis. Abertamente disposta a vencer, Shizuka desestabilizou os movimentos de Iamiko chutando seu dorso, a golpes do depois com uma giratória de dois chutes a atingindo no dorso novamente. A inércia do golpe foi tanta que Iamiko foi jogada para fora do tatame.

    A torcida mostrou a que veio, vibrando com a demonstração de agilidade e habilidade da Anis, que não estava temerosa em esconder sua superioridade como um ser com poderes além do normal. Shizuka havia marcado dois pontos, passando ao placar de 6 a 7 a seu favor.

    No chão e devastada por frustração, Iamiko se levantou. Ela, olhando para Shuziy, diz:

    — SUA MISERÁVEL! EU VOU TE DESTRUIR! NINGUÉM FAZ ISSO COMIGO!

    Mas estamos em uma competição e logo o árbitro sinalizou:

    — Iamiko Hawoen, você foi advertida por comportamento descortês! Volte para o tatame para o reinício da luta.

    Na verdade Iamiko estava furiosa. E sua tia sabia disso. Tanto que ela mesma disse a Jason:

    — Esse é o principal ponto fraco dela...

    — Hã? O que?

    — Iamiko não sabe lutar sobre pressão. Ela é uma artista marcial promissora, mas... Ela só sabe ganhar. Perder ou estar perdendo... Ela definitivamente não sabe lidar com frustração.

    — Ah... Bem... Acho que a senhora está certa... *Que situação, cara! Eu não posso dizer uma palavra! Acabem com essa luta logo...*

    E retornando ao tatame...

    Com as duas frente a frente novamente, o olhar de Iamiko era penetrante a Shizuka. Tanto que a jovem humana começou a pensar em uma estratégia:

    — *Essa anormal... Eu nunca senti tanto ódio por alguém até hoje... Eu queria acabar com esse rosto azedo dela, tirar esses dentes brancos da boca dela só no soco... Ah... Eu só preciso de um golpe. Eu vou aplicar um chute nela...*

    — HAJIME! – E outra vez o árbitro reiniciou a luta.

    Mas dessa vez a atitude de Shizuka foi ainda mais incrível. Ela já estava colada a Iamiko quase que de forma instantânea, lhe executando um simples e preciso Uraken em seu rosto.

    O Uraken-Uchi também chamado de Riken, (ataque com o reverso do punho), que pessoalmente considero a técnica mais rápida do Karate e talvez das Artes Marciais em geral. É sem dúvida uma das técnicas de excelência nas Artes Marciais.

    A execução técnica em fracções de segundo do Uraken-Uchi é uma técnica bem típica de ataque sem qualquer possibilidade de reacção ou defesa por parte do adversário ou inimigo.

    Esse golpe, como um dos mais rápidos e dos mais fracos do karatê, pôs fim a disputa. Recebendo o golpe, o tamanho da humilhação que Iamiko passou foi absurda. Shizuka a dominou totalmente e ainda a derrotou com um “tapa”. A humana ficou sem ação, somente ouvindo o anúncio de vitória para Shizuka, indicando que havia sido derrotada.

    A jovem Anis em seguida lhe deu as costas, voltando ao meio do tatame para a saudação final. Mas a irritação por parte de Iamiko a dominou, correndo em direção a Shizuka para agredí-la. Sendo impedida e contida pelos juízes, a jovem foi desqualificada, o que causaria um mal estar tremendo a sua mãe, pois nessa condição sequer a medalha de prata a seria dada. O que antes era uma festa e competição, se tornou em confusão e desordem... para não dizer vergonha. E na arquibancada, Jason, que acompanhava a confusão, olhou para Kuon, que esboçou um sorriso e se levantou, deixando o lugar.

    Não foi um momento agradável de ver.

    Minutos depois...

    Vestiário do ginásio | 23:00

    — SUA IMATURA IRRESPONSÁVEL!

    Os gritos de raiva de Azika Hawoen deixaram mesmo explícito sua frustração com Iamiko. A jovem, calada e cabisbaixa, só ouvia as palavras de sua mãe:

    — Você sempre age assim... SEMPRE! Você só sabe ganhar... Eu já te falei inúmeras vezes pra você se focar e respeitar seus adversários... Mas não... VOCÊ TINHA QUE PERDER A CABEÇA!

    — Mãe, aquela esquisita estava...

    — CALA A BOCA! ASSUMA SUA DERROTA SEM DESMERECER SEU OPONENTE!

    — Mas mãe...

    — Pra essa garota ter chegado até aqui é por treinou e, ao contrário de você, teve maturidade suficiente pra sair de uma situação adversa. Você estava liderando, botando pressão psicológica nela... Mas você a viu se desesperar? Tá vendo, Iamiko? Ela te colocou no seu devido lugar de garota bitolada e raivosa!

    — Eu não sou assim!

    — VOCÊ É! E MUITO! EU SOU SUA MÃE... e eu sei quem você é por dentro e por fora!

    — Tá, mãe... Já terminou?

    — Não. Só faltou uma coisa pra te dizer...

    — Diz então.

    — Você perdeu de forma humilhante.

    — MÃE!?

    — Você pode pensar o que quiser, mas nada vai esconder o tamanho da vergonha que você passou naquele tatame. Leva isso pra sua vida como um aprendizado... bem doloroso.

    Azika, depois de conversar com sua filha, deixou o vestiário, com Jason entrando em seguida. Só esse detalhe já trouxe irritação a Iamiko, que diz:

    — Pronto... Agora que eu estou mesmo bem... Depois do sermão, agora a zuera...

    — Iamiko, não começa.

    — Vai logo... Diz que eu sou uma fracassada...

    — Para. Só para...

    Ele então se sentou ao lado dela, sem ficar uma palavra. Iamiko, estranhando, diz:

    — Tá, o que você quer? Tá aí calado...

    — Só quero te fazer companhia. Só isso.

    — Companhia do fracasso? Tá no lugar certo.

    — Iamiko, para. Só estou aqui pra ficar com você. Pra conversar com você sem zuera e nem nada.

    — E porquê isso? Tá com pena de mim? Cai fora...

    — Não...

    — Então o que é? Hein? Diz aí! Vai logo!

    — Família, Iamiko.

    — Hã? Família?

    — Na vitória e na derrota... Somos Hawoen.

    — Jason... – Disse, surpresa.

    — Você lutou bem... Poderia ter vencido... *Ela lutou contra uma Anis. Só isso já é algo Incrível*

    — Jason... Você...

    Ele então foi para próximo de sua prima, a abraçando. O jovem, mostrando carinho a Iamiko, diz: 

    — Vai, desabafa... Põe pra fora...

    — Jason...

    — Somos Hawoen, Iamiko. É um apoiando o outro, sempre foi assim. Vai, deixa sair...

    — Jason... – Disse, o abraçando forte.

    Por muito tempo vimos os dois sempre brigando e provocando um ao outro, mas a ligação familiar entre os Hawoen era algo quase religioso. Jason e Iamiko sempre se amavam como primos e o jovem nunca deixaria que sua prima ficasse sozinha remoendo suas frustrações. Naquele momento Iamiko se sentiu melhor, mesmo que seu choro e lágrimas mostrassem o contrário. Jason lhe fez companhia, sem a julgar... ficando a seu lado.

    Enquanto isso...

    Momento depois de receber sua medalha de ouro, Shizuka caminhou sozinha até o pátio do colégio. Naquele lugar escuro e deserto, estava lá Kuon que, batendo, palmas, diz:

    — Foi um bom espetáculo. Fez exatamente o que planejamos.

    — Sempre fui efetiva com o que faço... você sabe.

    — Só com o Jason que falhou.

    — Hm... Provocações... Esperaria isso vindo de um humano, Kuon.

    — Calma. Eu só estava brincando.

    — Não me importo com isso. Aquele humano já lhe deu uma lição.

    — Ah minha doce irmã... Devolvendo a gentileza...

    — Não está irritado?

    — Eu estou... Na verdade eu queria que você tivesse feito o que fez em Jason Hawoen, mas... Bem, o que está feito está feito... e isso me alegra.

    — E creio que quer saber dos detalhes.

    — Precisamente, minha amável irmã.

    E voltando ao vestiário, podemos ver Jason e Iamiko conversando, quando o rapaz percebeu que do nariz de sua prima estava escorrendo sangue.

    — IAMIKO?!

    — Hã? Mas... – Disse, passando a mão no nariz. 

    Durante o evento, Shizuka dizia os acontecimentos:

    — O Último golpe... Eu fiz abrir vários vasos sanguíneos. Lutadores tem correndo sangue em suas veias com mais velocidade por causa da intensidade das lutas...

    Após isso, no vestiário ainda, Iamiko começou a tossir, vindo em seguida gotículas de sangue, que sujaram o rosto de Jason e sua roupa. Shizuka continuou:

    — Os golpes em seu dorso... Atingi seu fígado e pâncreas. São órgãos que mantém o nível de acidez e glicose estaveis a manutenção da corrente sanguínea dos humanos em não saírem pelos poros... Eu os danifiquei... e com isso muito sangue vai jorrar... e muita, muita dor irá sentir...

    No vestiário, Iamiko tossia sangue com mais intensidade, já gerando coágulos. Jason se desesperava, com Iamiko sentindo muitas dores:

    — AHHH! ESTÁ ARDENDO! AHHH! JASON! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! AHHH! ESSA DOR... AHHH!

    — IAMIKO!?

    E como se o cenário não fosse já desesperador, Shizuka diz:

    — Os dois chutes... Atingi suas costelas. São ossos bem resistentes, mas... se quebrados causam muita dor, a ponto de causar uma síncope. E podem até mesmo penetrar outros órgãos...

    No vestiário, Iamiko vomitava sangue, sentindo fortes dores. Os seus gritos tortuosos ecoavam no lugar, com a jovem ajoelhada.

    — AHHH! SOCORRO! EU NÃO AGUENTO! JASON! AHHH!

    Iamiko começou a se contorcer de dor, com Jason se desesperando ao ver sua prima desmaiar em seguida:

    — IAMIKO?! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE! SOCORRO!

    E no pátio, Kuon conclui:

    — Isso tudo sem levantar suspeitas nossas... Você é perfeita.

    — Como sempre. Mas...

    — Mas?

    — Aquele humano... Jason Hawoen... Ele sabe de nós e poderá nos trazer problemas...

    — E quem acreditaria? Humanos tratam humanos com ceticismo quando se referem a esse tipo de coisa. Jason não tem absolutamente nada para provar.

    — Você sabe que ele virá atrás de nós...

    — Sei sim... O que devemos temer de um simples humano? O colocaremos em seu devido lugar caso continue com seus enfrentamentos. 

    — Entendo... Porém...

    — O que?

    — Mas e se a humana morrer?

    — Hm... Se morrer... morreu.

    Continua.


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