Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulos:

    Capítulo 35

    A Agência vs The Red Scarves - Parte 1: Get Ready

    Spoiler, Violência

    A chuva de emoções do último capítulo ainda está caindo. E muitas reviravoltas acontecerão daqui pra frente.

    Como visto nos últimos capítulos, muita coisa aconteceu na Agência. Depois de dias de muitas investigações, convívios, embates, festas, jantares, intrigas e confusões, Asuka Tenjoin, grã mestra do lugar, tomou a iniciativa que tanto quis desde o início: acabar de vez com Noah Hibiki. A investigação de Lenzin para descobrir o suposto traidor seguiu paralelo a isso, com consequências benéficas. Dessa vez a panda guardiã do Reino de Shang Mu pôde tirar suas conclusões acerca da situação e mediu por si mesma a hombridade e honestidade de todos os membros do Team Avalice.

    Diante os eventos recentes, com o albino híbrido Noah duelando contra Asuka Tenjoin, o combate começou com o jovem mostrando seu ponto de vista de tudo, inclusive o que pensava de Asuka. Frente a uma grã mestra possuída pelo desejo de fazer justiça com as próprias mãos, Noah foi visitado em seu subconsciente por Ingrid e Íris a fim de mostrá-lo suas verdadeiras intenções para com Asuka, a trazendo de volta de seu frenesi depois de perceber que a grã mestra da Agência sempre buscou fazer o bem e proteger as pessoas.

    Porém, no momento chave de conclusão da luta, com Asuka quase golpeando Noah fatalmente, suas lágrimas escorreram pelos seus olhos em sinal de consciência e noção do que estava prestes a fazer, sendo interrompida pelo alarme de emergência da Agência e com o aviso de Arthemis. Com todos os agentes que assistiam a luta correndo para seus postos, ela diz:

    — Inimigos foram avistados!

    — O que?! Como assim? Quem! – Perguntou Asuka.

    — O resquício roubado... E membros da The Red Scarves!

    Em seguida, Asuka soltou Noah e lhe deu as costas, caminhando rapidamente para sua sala de controle na Ala Ichi, sendo seguida por Arthemis, que flutuava ao seu lado. Com Lilac, Carol, Milla e Viktor correndo até Noah, o viram ir ao chão. Logo Viktor o colocou apoiado em seu ombro, com o humano dizendo:

    — Cara, venha... Vamos sair daqui. Acabou.

    — Não... Não acabou...

    E Lilac logo diz:

    — Sim, Noah... Acabou!

    — Fini, champs. Tá cancelado o duelo... que nunca deveria ter acontecido! – Disse Carol, ajudando Viktor a levar Noah.

    — Eu... Eu não entendi nada... Mas... – Tentou dizer Milla.

    — Milla, deixe isso pra lá... – Disse Lilac, também ajudando Noah – Vamos sair daqui.

    E sim, a intenção de Lilac era sair da Agência definitivamente. Porém a panda guardiã os impediu, se colocando a frente do time, dizendo:

    — Onde vocês pensam que vão?

    — Saia da frente, Lenzin... – Disse Lilac, irritada. 

    — Que afronta a minha autoridade é essa, Sash Lilac?

    — Não estou fazendo nada disso. Estamos livres. Acabou.

    — Não, não acabou... O duelo não acabou.

    — O que? Você viu o que aconteceu! Tem ninjas da The Red Scarves com o resquício! Temos que impedí-los!

    — Isso não é assunto seu!

    — CLARO QUE É! – Gritou Lilac – Estamos em Shang Mu por causa disso!

    — Vocês estão sob as leis de Shang Mu! Não há o que... – Tentou dizer Lenzin, sendo interrompida.

    — Chame Royal Magister agora!

    — O que? Porque está me dizendo isso?

    — Pra você falar isso diretamente com ele. Vai, diz isso... Que nós não devemos nos envolver nos assuntos de Shang Mu. Mas você sabe muito bem que todas as nações de Avalice assinaram um acordo de cooperação caso o planeta esteja em risco. E aproveita e fala com o Dail também... Ele não pode ficar de fora dessa!

    Mesmo com o cenário que acabara de presenciar, Lenzin ainda agia como uma guardiã, sem ser levar por sentimentalismo. Porém, quando pensou em dizer algo dentro do que todos esperavam, já com guardas da Agência a postos, Viktor diz:

    — Senhorita Lenzin... Chega disso.

    — Hã? Viktorius Ashem?!

    — Deixa a gente levar o Noah pra enfermaria. Depois a gente fala sobre isso. Por favor. Lilac não está duvidando da sua autoridade. Ela só está exigindo nossos direitos.

    — Como assim?

    E Carol logo tomou a frente:

    — Fofa, tamo junto do mesmo jeito. Ou seja, tamo no mesmo lado desde sempre. Só tamo querendo meter o pé daqui, mas tudo depende da sua confiança. E tamo levando o felpudin pra Tats fazer os breguete de healer like Ragnarok Online que só ela sabe e depois vamo entrar no lero contigo, pode ser?

    Novamente e dessa vez por ainda mais integrantes do Team Avalice, Lenzin se viu pressionada. Dessa vez ela tinha ciência que não estava coberta de razão e, depois de pensar brevemente, abriu passagem para que seguissem até a enfermeira sem ficar uma só palavra. Os observando caminhar ajudando Noah, todo o time também não falou com a panda, mas Carol logo tratou de piscar, retribuindo a gentileza e, com a felina verde apontando para Viktor, sorriu para Lenzin, que logo ficou envergonhada. Carol precisou colocar sua mão a frente de sua boca para tentar esconder sua risada. Mas, para surpresa da felina selvagem, a guardiã fez questão de falar olhando pra Carol, mesmo que sem voz, para que ela pudesse ler seus lábios dizer:

    — Eu... sei... que... você... vai... cuidar... bem... dele.

    Carol da risadinha desconsertante ficou muda extremamente vermelha, recebendo de volta a brincadeira (que eu gostei muito). Tanto que Milla percebeu isso, dizendo:

    — Carol, porque você está tão vermelha?

    — Ah... Nada não. Lembrei de uma coisa...

    — Você... Você está quente também... – Disse Noah, apoiado no ombro de Carol.

    — Hã? Ah... É o calor da batalha! Sabe como é, né? A gente luta um tico e o teco já avisa, hehe...

    — Mas você não lutou, Carol – Insistiu Milla.

    — Ah?! Tipo, eu lutei dentro de mim pra não entrar na luta e estragar tudo... E eu torci pro Noah...

    — Ah sim! Tá bom!

    — *Upa lelê... Quase que descobrem que eu gos... NÃO! CARACA! QUASE QUE FAÇO PARTE DO HARÉM!*

    Tirando esse momento embaraçoso de Carol, não se deixem enganar: o clima era de tensão. Lenzin imediatamente seguiu para a sala de comando da ala Ichi, indo ao encontro de Asuka, enquanto o Team Avalice foi procurar por Tats na clínica médica.

    Sendo assim...

    Ala Sul – Ni

    Clínica médica

    Em uma sala espaçosa e com muitos equipamentos hospitalares e clínicos, Noah estava deitado em uma cama confortável enquanto Tats o curava com seus poderes. Por sorte, só haviam boas notícias.

    — Bem, você está melhor do que imaginava – Disse Tats, esboçando um sorriso.

    — Diz a verdade? Eu ainda sinto desconforto pelo corpo... – Disse Noah, preocupado.

    — Isso é normal. Meu poder consegue curar ferimentos, mas a dor continua. Noah, seus ossos das suas costelas e de seu rosto estavam prestes a se partirem. Por um milagre você não se machucou seriamente. Nossa grã mestra estava mesmo lutando pra valer...

    E pensando no pior, Lilac logo deu sua opinião:

    — Ela estava mesmo disposta a seguir com o que tinha em mente então...

    — Como assim, Lilac? – Perguntou Viktor.

    — Eliminar o Noah, Viktor.

    — Você tem certeza nisso?

    — Nos somos lutadores. Sabemos até onde podemos ir numa luta em respeito ao nosso adversário. Existe um limite que ninguém cruza, seja o resultado da luta.

    — Você está certa com relação a isso, mas...

    — O que foi, Viktor?

    — Asuka é a chefe aqui. Ela que serve como exemplo. Ela nunca poderia chegar a esse ponto...

    Mas para surpresa de todos, a porta da sala se abre, com Joshy entrando em seguida. O lupino, bastante sério, diz:

    — Eu ouvi a conversa de vocês...

    — Joshy? – Disse Lilac – O que quer dizer com isso? O que foi?

    — Creio que precisam saber de uma coisa. E depois disso, acho que muita coisa vai mudar... principalmente a você, Noah Hibiki.

    Noah logo se sentou a cama, surpreso e curioso com o que o líder do Team Omna tinha a dizer.

    Enquanto isso...

    Ala Norte – Ichi

    Centro de controle da Agência

    Vários agentes estavam a frente de monitores pela sala na tentativa de dar melhores informações da situação caótica que se tornou o evento, com Asuka Tenjoin no telão observando o mapa de uma região de Shang Mu. Arthemis logo diz:

    — As coordenadas colhidas pelo setor de inteligência foram precisas, Asuka Tenjoin.

    — Hm... Continue.

    — Foram descobertos pelo menos dezenas de membros da The Red Scarves patrulhando a área de Shang Mu Ancestral Forest. E além disso há muitos indícios de ele o resquício está em algum lugar no interior da floresta.

    — Como chegaram a essa conclusão?

    — Usamos o medidor de energia Arth3. Analisamos os resultados... É o resquício roubado.

    — Hm... Isso só significa uma coisa...

    E por trás de Asuka, Lenzin diz:

    — O Team Avalice desde o início era inocente – Disse, ficando ao lado de Asuka.

    Com a grã mestra mantendo seus olhares para o monitor, diz:

    — Isso não interessa a mim no momento.

    — Nem a mim, grã mestra. Porém sua cooperação foi imprescindível para...

    — Não se atreva, Lenzin Tzu Chiang.

    — Bom saber que você se lembrou...

    — Guardiã... Temos coisas mais importantes a fazer do que ficarmos com lembranças do passado.

    — Eu concordo. Mas a crise a qual passamos no momento tem muito a ver com o que você sempre sofreu.

    — Grr... Eu já avisei, cara guardiã. Já chega...

    — Está fazendo de conta que nada aconteceu durante o seu duelo contra Noah Hibiki?

    A insistência de Lenzin bastou para fazer com ele Asuka ficasse irritada, a segurando pelo pescoço. Os agentes até correram para tentar apertar a situação, mas um fato curioso ocorreu: Lenzin não fez absolutamente nada para evitar ser segurada por Asuka, que diz:

    — Não vou permitir que fale sobre isso aqui! Estamos no meio de uma crise e...

    — Você sempre esteve em crise, Asuka Tenjoin. 

    — Cala a boca!

    — Você sabe que está cometendo um crime de Estado, mas mesmo assim continua a fazer...

    — Você não vai passar por sobre meus direitos aqui!

    — Eu vou ignorar isso tudo que está fazendo, Asuka Tenjoin. Pelo bem de todos e principalmente o seu. E você sabe o porquê, mas quer evitar em conversar sobre o assunto.

    Por um instante Arthemis pode medir a temperatura de Asuka, mas percebeu algo anormal:

    — *Asuka-chan... Ela... Ela está irritada, mas.... Sua temperatura... aumentou bruscamente mas... Recuou?!*

    Decerto, a grã mestra, percebendo que não poderia fazer mais nada, soltou Lenzin, voltando a se concentrar no planejamento. A panda guardiã, com um sorriso no rosto, pensou:

    — *Eu estava certa. Essa luta significou muito pra ela... pra mim... e para todos. Esperei por muito tempo ver isso acontecer a essa garota e... Hm... Darei tempo ao tempo. Ela no momento tem razão: estamos com uma crise. Então irei ajudá-la...*

    Voltando a clínica...

    A aparição repentina de Joshy trouxe um pouco de estranheza por parte de Lilac, que diz:

    — O que está acontecendo, Joshy? Porque está nos dizendo isso?

    O lupino então se aproximou de Noah e, olhando nos olhos do albino, diz:

    — Você cruzou nisso caminho, trouxe inimizades, mal estar, destruiu Ingris... Mas agora vejo que tudo isso estava escrito para acontecer.

    — Hã? Do que está falando? – Perguntou Noah, confuso.

    — Peço a todos que me permitam conversar em particular com Noah Hibiki.

    E Lilac logo diz:

    — O que está acontecendo, Joshy? Desde que essa luta acabou vocês daqui tem agido estranho...

    — Só quero conversar com Noah. Só isso.

    Mas Noah, se levantando, diz:

    — Não.

    — O que?

    — Estou cansado de segredos. Cansei desse jogo que vocês nos colocaram. A partir de agora somos nós que damos as regras. Se você quer falar comigo, então faça isso na frente de todos.

    — Mas Noah...

    — Aí, doggo da franja... – Disse Carol, se alongando – Tu tem que saber que tamo tudo no mesmo time, que nem eu falei pra pandinha fofa lá. Cabô o segredin de escola. Abre o jogo.

    — Mas isso...

    E Lilac deu razão a Carol, dizendo:

    — Você ouviu a Carol. Se tem algo pra dizer, então diga a todos nós.

    Com todo o Team Avalice unido, Joshy se viu pressionado novamente. Refletindo bem e percebendo que sua situação como líder do Team Omna estava muito desgastada, ele não teve outra escolha a não ser ceder a exigência de Lilac:

    — Eu agora entendi.

    — Hã? O que foi? – Perguntou Lilac.

    — O porquê de vocês darem tão fortes, mesmo com limitações. Não é só união, vocês já estão além disso...

    — E o que acha que é?

    — Empatia uns com os outros. Vocês se conhecem melhor do que eu conheço meu time. Talvez seja um dos motivos de terem nos derrotado no torneio... Eu respeito isso e tenho uma coisa a dizer antes.

    Ele então se ajoelhou frente a todos, dizendo:

    — Eu, Hwng Joshy Aoi Omna, tenente das forças especiais do reino de Shang Mu e líder do Team Omna, peço desculpas formais a todos vocês. E pelos poderes dados a mim pela guardiã Lenzin Tzu Chiang, eu estou retirando todos vocês de sua reclusão na Agência. Em outras palavras, todos estão livres para saírem.

    A comemoração foi imediata, com as garotas se abraçando, assim como fizeram a Viktor e Noah. Com a euforia tomando conta do lugar, Lilac diz:

    — Eu não sabia que você tinha ligações com o reino de Shang Mu assim, Joshy. Você nunca se expressou como um oficial ou coisa do tipo.

    — Eu sou um Aoi, Sash Lilac. Meu monastério se caracteriza pela humildade. Agimos com as pessoas como queríamos que agissem com a gente: de forma honesta e sem máscara. Somos assim e nos orgulhamos disso.

    A honra de Joshy teve um efeito imediato em Lilac que, o vendo abaixado daquela forma, se aproximou e o abraçou, dizendo:

    — Tenho orgulho de ter te conhecido.

    — Li-lilac?!

    — A gente se falou pouco e você sempre nos ouviu, sempre teve calma... e nunca nos tratou com indiferença. Você é um cara de poucas palavras, mas quando tem atitude de líder você diz coisas maravilhosas. Obrigada, Joshy.

    — Mesmo eu sendo um líder falho?

    — Nenhum de nós é perfeito. Mas nós dois temos algo em comum: humildade.

    — Obrigado, Sash Lilac. E... Bem... Acredito que lhes devo uma explicação da situação que estamos. Noah, vive não tem ideia do tamanho de sua responsabilidade durante o duelo.

    O tom que Joshy colocou em suas palavras chamou mesmo a atenção de todos, principalmente do próprio albino, que diz:

    — Eu não pedi por nada disso, Joshy.

    — Relaxe, eu sei que não foi intencional.

    — Então porque está falando isso para o Noah? – Perguntou Lilac, preocupada.

    — Hm... Existe uma história por trás disso tudo. Noah, a um tempo atrás Asuka Tenjoin passou pelo mesmo estágio que durante o duelo de vocês dois.

    Novamente as palavras do lupino causaram ainda mais curiosidade por parte de todos, com Carol dizendo:

    — Tá, já sei onde isso vai nos levar... Mais flashbacks... Vai, locutor. Começa logo. Eu sei que tu gosta de “sessão Playstation 4”...

    — CAROL! – Gritou Lilac, olhando com raiva.

    — Calma, meu amor... Calma. Nyah! :3

    Voltando ao assunto (e agradecimentos a Lilac), Joshy então diz:

    — Eu irei contar a todos vocês. Somente eu, Ingris, Lenzin e Arthemis sabemos dessa história... E vocês precisam saber... Principalmente você, Noah. Ao fim da história você entenderá porque é importante para Asuka Tenjoin...

    E enfim o lupino começou a crônica.

    Região de Big Sea - Um ano atrás

    Dark Blue Island

    “Após investigações de nossas nações aliadas em Big Sea, descobrimos que Big Sea Island sumiu do mapa após uma erupção no vulcão da ilha. Com o cataclisma imprevisível, ninguém sobreviveu a tragédia. Essa afirmação foi dada porque nenhuma das nações receberam habitantes da ilha. Sabendo disso, recebemos uma informação que em Dark Blue Island, uma ilha supostamente inabitada e escondida nos permanentes nevoeiros formados pela maresia durante o dia e a noite, de que havia alguém continuando com a doutrina Kaipasu por lá.

    De igual acordo, Asuka e Lenzin uniram forças pela primeira vez, realizando assim a missão chamada First Mission: A própria grã mestra, a guardiã, Ingris e eu, com o suporte de Arthemis, iríamos averiguar o lugar e trazer a tona a verdade em torno dessa doutrina demoníaca.

    Com toda a sinceridade, eu gostaria que nunca tivéssemos ido a esse lugar.”

    Com a crônica iniciada por Joshy, já podemos ver que um grupo de formidáveis lutadores havia sido criado para uma missão inédita de infiltração em um lugar desconhecido, onde a única coisa que sabiam era da suposta presença do último detentor da doutrina Kaipasu.

    Um barco sônico era visto cortando os mares de Big Sea, se aproximando de uma névoa escura e densa, que escondia em seu interior uma ilha sinistra chamada Dark Blue Island. Atracando na enseada com águas escuras, a escotilha da lancha se abre, mostrando os quatro citados desembarcando e já correndo para o centro da ilha.

    “Nós não perdemos tempo e fomos logo para o local que nossos aliados traçaram como a entrada da suposta base. Asuka foi na frente, sendo seguida por Lenzin. Eu e Ingris ficamos da defensiva, indo na parte de trás do grupo. Uma estratégia acertada, quer nos deu segurança para adentrarmos no lugar.”

    O lugar era mesmo sinistro, com um clima soturno e bastante misterioso. Embora ventasse, a vegetação não tremulava, o que causou estranheza. Com Asuka se aproximando de uma árvore, Joshy definiu bem o que ela viu:

    “Nada era real. Toda a ilha... era falsa. Nós estávamos desde o início em uma base camuflada no meio de Big Sea... Escondida pela névoa escura e densa todo esse tempo.”

    Correndo para o interior de uma suposta caverna (já sabemos que a ilha era falsa), um evento ocorreu: os quatro foram separados, com alçapões os colocando em um tipo de labirinto, o que dificultou o rastreamento. Pois bem deixemos Joshy detalhar:

    “Eu no mesmo instante me muni com meu escudo, já temendo pelo pior. Por sorte o rádio controle ainda funcionava, mesmo que bom interferência no sinal. Arthemis nos ajudou muito naquele instante... mas perdeu contato com Asuka, porém conseguia rastrea-la. Foi o que ela fez: nos levou em direção onde a grã mestra estava...

    Mas a aquela altura da missão já havíamos perdido o controle da situação. Asuka Tenjoin já havia cruzado o limite...”

    Voltando ao presente, no centro médico, Lilac ligo perguntou:

    — Limite? Você diz o frenesi?

    — Sim... e além disso.

    — Além? Mas do que...

    E sem que a dragão continuasse, Arthemis, ele estava ouvindo tudo, se materializou e, chorando, diz: 

    — Isso não deveria ser dito a nenhum de vocês. Joshy, isso era uma informação confidencial da grã mestra da Agência Asuka Tenjoin. Justifique-se.

    E o lupino, sem temer a nada, diz:

    — Arthemis, estamos diante da única pessoa que a freiou. Noah Hibiki a trouxe de volta sem sua ajuda. Então sim, eles precisam saber.

    — Asuka Tenjoin não gostaria de... – Tentou dizer Arthemis.

    — Pare! – Disse Joshy, num tom sério.

    — Você não tem aut...

    — Me diga o que você quer, Arthemis! O que você quer para Asuka?

    — Quero sua segurança e o melhor pra ela.

    — Porque?

    — Uma conjunção implica em variantes e variáveis. Eu como uma IA não tenho parâmetros completos de... – Disse, novamente interrompida.

    Porém, dessa vez, foi Milla quem disse:

    — Ela é sua amiga.

    — Milla Basset...

    — Você tentaesconder, mas você gosta da Asuka-chan do mesmo jeito que ela gosta de você. São amigas, se importam uma com a outra... e vocês querem o bem do mesmo jeito.

    Noah, olhando para Arthemis, diz:

    — Você está chorando, Arthemis...

    — São só cálculos matemáticos que demonstram...

    — Sentimentos? Eu sei... E você sabe. Está tentando resolver seus sentimentos, mas você não sabe controlá-los.

    — Equações não contém erros. O controle...

    — Você está se tornando uma orgânica.

    Todos então olharam para Noah depois de suas palavras. Com ainda mais lágrimas nos olhos, Arthemis diz:

    — Tenho problemas nos meus sistemas... AA vveerrssããoo ddoo ssiisstteemmaa aaOOSS... Error... 

    — Você e Asuka teoricamente tem uma ligação. 

    — Noah Hibiki...

    — E essa ligação vai além de serem amigas...

    — Cale-se...

    — E tenho quase certeza de que o que aconteceu nessa ilha tem influência nessa ligação...

    E a exemplo do que aconteceu anteriormente (no capítulo IGNITION), Arthemis gritou em um tom muito mais estridente que antes:

    — CALE-SEEE€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€...

    Um ruído endurecedor ecoou na sala, causando estática e interferência até na energia. Com a IA mostrando um comportamento diferente do habitual, as coisas estavam mesmo saindo do controle. Lilac, por causa de sua audição, ficou tonta, sendo acudida por Viktor. E isso também afetou Milla e Carol, pois elas também tinham audição aguçada. Até mesmo Joshy estava sofrendo. Sabendo que o grito robótico de Arthemis não cessava, Noah fez a única coisa a se fazer para tentar resolver: a abraçou com força, dizendo em seu ouvido:

    — Eu quero salvar vocês... Então pare.

    Imediatamente após o pedido gentil e carinhoso de Noah, Arthemis parou de gritar, ficando imóvel em seguida. Com todos recuperando os sentidos, todos os monitores da sala se ligaram, mostrando uma gravação antiga, que logo trouxe a Joshy a lembrança:

    — Isso... Isso é... Dark Blue Island! Arthemis tinha um vídeo do ponto de vista de Asuka!

    — O que? Mas... – Disse Lilac.

    — Asuka e Arthemis tem um elo... Elas são conectadas uma com a outra sem necessidade de equipamentos nem nada! – Disse Noah, usando a lógica.

    E de fato era verdade. As duas eram conectadas por causa dos implantes dos nanites do braço direito de Asuka. E nas imagens mostradas nos monitores podíamos ver Asuka Tenjoin rumando sozinha por corredores escuros. Logo se viu envolta de dezenas de pessoas, possivelmente hostis a sua presença no lugar. E pelo sistema de áudio do lugar, uma voz é ouvida:

    — Invasora, eu não preciso saber quem você é. Mas eu lhe digo: você não sairá viva desse lugar.

    — QUEM É VOCÊ? – Gritou Asuka.

    — Hm... Sou um Zurkan.

    — O QUE?! Esse nome... É VOCÊ, MARDUK?!

    — Hahaha! Não... Mas fico feliz em saber que conhece nosso amável mesmo do Kaipasu.

    — MESTRE?! GRRR...

    — Big Sea Island pode ter afundado e levado nosso idolatrado Zurkan para o Plano Basto, mas sua centelha permanece em nós... E vamos manter sua doutrina viva e próspera! Ataquem-la!

    Com uma dezena de praticantes do Kaipasu correndo em direção a Asuka, era como se o tempo tivesse parado para a jovem. E nesse momento Arthemis pode ver que sua temperatura havia aumentado. Incapaz de entrar em contato, a IA ser viu ineficaz em tentar fazer algo para evitar que sua atividade de mitocôndrias se tornassem casa vez mais ativa, aumentando mais e mais sua temperatura.

    Diante isso, todos puderam ver Asuka lutando com uma fúria parecida com a do duelo contra Noah e, derrubando gravemente cada um dos membros da doutrina Kaipasu, ela já se mostrava com um semblante fechado e muito compenetrada em seguir em frente. Com as dezenas de corpos ao chão imóveis, parecia que Asuka sabia para onde ir. E com um poderoso soco, ela derrubou uma parede, evidenciando um tipo de estufa, onde por detrás de um vitral reforçado estava um felino branco, muito parecido com Marduk. Ele, aí ver a jovem a frente da câmara reforçada, diz:

    — Hahaha! Então você me achou... E é uma jovem bonita...

    Asuka se manteve em silêncio após as palavras do Zurkan, que continuou:

    — Hm... Não gosta de elogios. Pois bem... Eu acho que gosta então de propostas... Que tal trabalhar pra mim? Terá poder como jamais viu e eu lhe ensinarei o Kaipasu. Eu vi você derrotar meus discípulos e foi impressionante. Eles irão amar tenha como companheira...

    E Asuka, se aproximando do vidro reforçado, diz:

    — Eles já estão em outro mundo...Mortos.

    — O que?! Mas...

    Asuka então golpeou o vidro com sua mão direita, usando o Two Hand. Sem sucesso, continuou a socar, um atrás do outro. Mas o Zurkan, sorridente, diz:

    — Hahahaha! Então você não é um dos mocinhos? Hahahaha! Tola! Você nunca vai conseguir atravessar esse vidro. É feito de um material que não é encontrado em Avalice. Um emissário trouxe a nosso Marduk a muito tempo e é um material indestrutível!

    Mas mesmo com o aviso, Asuka ignorou o fato e continuou golpeando o vidro resistente. Nesse instante Arthemis só vida a temperatura da grã mestra aumentar. Ela não parava de golpear e era visível no reflexo do vidro o rosto de Asuka igual a como estava em seu estado na luta de Noah... Frenzy Mode. Mas o Zurkan continuava dizendo:

    — Você é louca. Uma criança miserável que não sabe agir na razão! Você nunca irá quebrar essa... – Tentou dizer.

    Os golpes de Asuka aumentaram em força e velocidade. Ela não estava mais agindo como antes... parecendo uma máquina. E logo um trinco no vidro e visto, para desespero do Zurkan, quer começou a gritar:

    — O QUE?! O VIDRO... ELE TRINCOU?! PARE! PARE DE FAZER ISSO! VOCÊ NÃO PODE MACULAR ESSA CÂMARA! EU A ORDENO!

    E enfim o vidro trincou ainda mais, até que uma explosão causada pelo rompimento do vácuo da câmara acontece, com vários destroços caindo ao redor. O Zurkan, tossindo e se arrastando no chão, se levanta, dando de cara com Asuka, que diz:

    — Essa doutrina Kaipasu... Irei extermina-la desse planeta.

    — SUA MISERÁVEL! – Disse, tentando executar um soco.

    Mas Asuka segurou seu punho usando sua mão direita, a esmagando com sua força. Zurkan comemos a sentir fortes dores, segurando sua mão contundida. E Asuka, o segurando pelo pescoço, diz:

    — Não foram só palavras vagas. É uma promessa minha a essa terra... Demônio! – Disse, levantando seu punho direito.

    Em seguida o vídeo é interrompido, com Arthemis voltando a si.

    — O que viria em seguida não pode ser mostrado.

    — Arthemis, não me diga que... – Tentou dizer Noah, assustado com tudo que viu.

    E Joshy, para completar de vez todos os acontecimentos, diz:

    — Essa foi a primeira vez que Asuka entrou no modo de frenesi. Lenzin, Ingris e eu conseguimos encontrá-la... Bem, na verdade ela nos encontrou caminhando no corredor... Ela estava pegando fogo de tão quente que se encontrava. Mas bastou que olhássemos para sua mão direita e...

    E Arthemis, chorando, diz:

    — Minha Asuka-chan... Ela... Sujou suas mãos com sangue...

    Noah mal podia acreditar no que tinha acabado de descobrir. A exemplo dele, Asuka também tinha cruzado a linha, o limite que os lutadores não se atrevem a romper. E as circunstâncias foram quase as mesmas. Isso sim trouxe uma reflexão imediata. Diante todos que também estavam chocados, diz:

    — Eu não tenho o direito de julga-la...

    — O que? – Disse Arthemis, surpresa.

    — Nem ninguém tem esse direito... – Disse Viktor.

    — O que vocês querem dizer com isso?!

    E Lilac, caminhando até Arthemis, deixou de lado sua preocupação e mostrou a IA um belo sorriso, dizendo:

    — Todos nós fizemos algo que não devíamos fazer em algum momento... Escolhas ruins, num momento ruim... Aprendizado, Arthemis. A gente só vive o momento e vai em frente, aprendendo com os erros... Asuka é uma boa pessoa... e é só isso que eu me apóio.

    — Mas Lilac...

    — Durante o duelo o Noah disse tudo. Ela fez esse lugar, trouxe os melhores pra trabalhar com ela para fazer o bem... Então não pense que iremos apontar o dedo pra ela e dizer que ela é culpada e tal... Não temos direito de julgar, mas sim de oferecer apoio.

    Arthemis abraçou com força Lilac, retribuindo sua gentileza. A cada momento os laços de amizade de todos só se fortalecem. E aos poucos a IA percebe que mais se aproxima de uma consciência viva, deixando que as emoções adquiridas somente num campo matemático dessem lugar a algo espontâneo e natural.

    Mas diante do ambiente que se tornou, Joshy voltou a dizer:

    — Muito bem, pessoal... Eu sei que estamos felizes por isso msm o momento é de crise. Estou aqui para lhes dizer uma coisa: como disse antes, vocês estão livres. Podem seguir com suas vidas. Mayor Zao lhes darão todo o suporte possível e poderão esperar são e salvos no castelo... Mas eu peço a ajuda de vocês em fazerem parte de nossa investida contra as forças dos The Red Scarves. O que vocês escolhem?

    Com todos se olhando, era de esperar a resposta. E Carol logo externou isso:

    — Hahaha.... Haha... Hahahaha... Ah doggo fofo da franja... Hahaha... A gente quer fazer parte dessa parada toda! A gente pode até não fazer parte da Agência, reino de Shang Mu, Swat, Academia do professor Xavier e o escambau, mas a gente quer surrar nossos antigos conterrâneos da The Red Scarves... Não é, gente?

    — É isso aí, Carol! – Disse Lilac.

    — Vamos vencê-los e trazer de volta o resquício! – Disse Milla, pulando.

    — Vamos acabar de vez com todas essa história! – Disse Noah, abraçando Arthemis novamente.

    — Ooossi! – Gritou Viktor.

    Todos estavam mesmo dispostos a fazerem parte da última missão. E Joshy, finalmente, mostrou ser mesmo um líder. E se colocou em pensamentos:

    — *Pronto, Lenzin. Parte do seu plano está funcionando. Eu consegui. Os uni como eu desejava...* 

    Enquanto isso...

    Ala Norte – Ichi

    Centro de controle | Sala da grã mestra

    Alocada em sua sala, na companhia de Lenzin, o grau de urgência continuava só aumentando. Com agentes correndo as pressas entre as salas do centro, Asuka diz:

    — Essa definitivamente será a maior emergência que muitos agentes terão...

    — E você fará parte, não é?

    — Sem dúvidas. Meus agentes precisam de mim... – Disse, enquanto fazia ajustes em sua bodysuit.

    — Hm... E você, precisa de quem? Essa resposta seria de bom agrado ouvir... – Provocou Lenzin

    — Eu entendi o que você quis dizer, guardiã... Mas eu tenho meus agentes comigo. Só precisamos um dos outros para...

    — Acho que você não entendeu. Em breve você estará na área externa. Portanto será em terras onde a lei do Reino de Shang Mu devem ser respeitadas. E isso quer dizer que...

    — ... você terá autoridade sobre mim e qualquer agente. Eu estou ciente disso... E sei que você está muito contente com esse fato – Disse, dessa vez fazendo leituras em seu tablet holográfico.

    — Não vou esconder minha satisfação. Porém... 

    — Hm... Eu odeio quando você diz “porém”...

    — Eu não estarei no front juntos com vocês, pelo menos não por enquanto.

    — O que?! O que pensa em fazer?

    — Eu já lhe disse no passado que eu tenho uma habilidade de prever tragédias...

    — Hm... Curioso... Que pena que não poderemos conversar a respeito agora. Estou muito ocupada tentando limpar a sujeita feita num torneio de anônimos...

    — Que agora fazem parte de toda a história. Simples, sucinto e sagaz.

    — Basta! Ah... Eu só me importo em cumprir com a missão. Vamos sair, limpar a área dos The Red Scarves, recuperar o resquício e sermos agraciados pela visita de Mayor Zao, com toda a pompa possível. Feliz, alegre e satisfatório.

    E antes que pudessem continuar com a conversa nada amistosa, novamente um alerta dado por um dos agentes chamou a atenção das duas. Ele, entrando a sala, diz:

    — Senhora grã mestra... Temos novas leituras!

    — O que houve? Diga!

    — Forças além dos ninjas também foram encontradas na área de Shang Mu Forest!

    — O que?! Coloque no monitor central agora!

    Sem perder tempo, o agente colocou no telão, que mostrou ainda mais inimigos para serem neutralizados. Dessa vez Lenzin e Asuka perceberam que teriam mesmo um enorme desafio: a área infestada de inimigos era cinco vezes maior que do início. A grã mestra, impressionada, diz:

    — Essa quantidade...

    — Não temos mesmo noção do que... – Tentou dizer o agente.

    — Proporção cinco pra dois e meio. Eu já fiz o cálculo... Eles são o dobro de meu contingente... DROGA – Disse Asuka, irritada – Eles pensam que podem nos impedir com isso? Estão enganados e eu vou mostrar...

    E Lenzin, olhando para Asuka, diz:

    — Eu previa por isso. Por sorte, eu tenho um plano.

    — Hã? Só que está falando?

    — Escute, grã mestra: não precisa esconder de mim que você não tem certeza da vitória. Eu na sua situação estaria assim e não é um sinal de fraqueza. Isso iria me mostrar que se importa com a própria segurança e a dos seus comandados. Então eu tenho algo a dizer.

    — Hm... O que propõe, guardiã?

    — Siga com seu plano. Faça exatamente o que pensa em fazer. Você tem conhecimento e meios e os mais capacitados agentes de toda Shang Mu. Em troca disso, eu lhe prometo suporte... Porém eu preciso de tempo para conseguir trazê-lo...

    — Lenzin Tzu Chiang... Nem mesmo você poderia trazer as forças especiais do reino até aqui rápido.

    — Eu sei disso. Por isso preciso que confie em mim. Para vencer precisaremos nos unir não só na força mas também na confiança. Você topa ou não?

    A forma com que a panda guardiã olhava para Asuka era totalmente diferente do habitual. Talvez a grã mestra numa havia visto Lenzin a olhar assim. Sabendo que não poderia ignorar ajuda, ela diz:

    — Eu aceito.

    — Muito bem. Mas há uma condição.

    — Que condição?

    — Hehe... Uma coisa simples. Você vai gostar...

    O que será que Lenzin condicionou essa sua ajuda?

    E, como esperado, começou os preparativos para a última missão. A mais importante operação da Agência estava prestes a começar.

    Music: “Epic Military Cinematic Army” by Background Music by Flores

    The Agency vs The Red Scarves: O preparativo

    Um movimento diferente, fora do usual.

    Um objetivo em comum, dentro do interesse de todos.

    Um comando disposto a cumprir com a missão, como dever de todos alí presentes.

    A Agência definitivamente era um lugar especial, onde qualquer pessoa que tinha interesse em defender sua nação história de estar. Era um lugar onde o que mais existia de tecnológico existia, com as mais renomadas mentes brilhantes de todo o Reino de Shang Mu. Na primeira vez desde que foi criada, a Ala Restrita foi habitada por praticamente a todos os agentes, com o intuito de se prepararem para a batalha decisiva contra o clã ninja The Red Scarves.

    Drones estavam sendo preparados, assim como veículos militares para levarem aos agentes até Shang Mu Forest, em seu interior quase inabitado.

    Na ala armamentista, podíamos ver Tayce, já vestida com seu uniforme de arsenal, quase como uma armadura, esboçando seu sorriso contagiante característico, usando seus óculos escuros. E ao seu lado estava Liane Saber, esta usando uma vestimenta militar quase como a roupa de um lutador (Liane é uma fighter, portanto sua habilidade em combate era corporal), sendo admirada pelo seu físico perfeito. As duas ajudavam aos demais agentes a se armarem e prepararem os veículos. Longe dali estava Zoey, que protocolada e analisava cada armamento, para evitar erros e ter precisão certeira. Junto a ela estava Joshy, que já estava vestindo seu uniforme de combate, usando uma calça branca com suspensórios e uma camisa de fibra de carbono regata, assim como coturno e luvas pretas. Os dois eram os responsáveis pela manutenção de todo o armamento e maquinário. E a frente disso tudo estava Asuka, preparando seu veículo, sendo ajudada por Arthemis.

    O clima era de guerra, com os agentes mostrando tensão mas a certeza de vitória em seus rostos.

    Minutos depois...

    A preparação não se dava somente na Ala Restrita. Antes de deixarem a Agência, todos fizeram os últimos ajustes na ala Go, onde ficavam as residências de todos. E precisamente no prédio da família Daiyomondo, Joshy estava conversando com Sheng. E o jovem felino alaranjado não estava gostando nem um pouco.

    — Não acredito que você está me mandando ficar aqui na Agência enquanto vocês irão lutar. Cara, isso é babaquice!

    — Veja como fala comigo, garoto! Você está aqui só como um convidado. Não tem autorização para sair da Agência sem minha supervisão. E ainda não conversamos sobre seu comportamento de ontem com a Ingris...

    — Isso não é justo! Eu lutei no torneio! Eu ajudei o time!

    — Isso não importa! Eu não quero você lá. É uma ordem!

    — Mas...

    — Chega, Sheng! Se continuar terei de intimá-lo por insubordinação!

    O jovem, abatido com a condição, logo mostrou tristeza em seu olhar, quase com lágrimas saindo por seus olhos. Mas Joshy percebeu isso, dizendo:

    — Nem pense em demonstrar choro! Isso não é comportamento de cadete!

    — O que você quer? Acabei de ser tratado como lixo...

    — Não foi isso que eu quis dizer. Você ainda está iniciando... Não deve mostrar fraqueza! Eu sou seu superior e você deve receber ordens e respeitá-las.

    — Mas porque isso?

    — Porque eu me preocupo com você, Sheng. Ainda não está na hora de você partir para coisas grandes. Você é um lutador e não um soldado. E é isso que te faz ser especial.

    — Porque está dizendo isso?

    — Você é um Daiyomondo. Eu não duvido do seu potencial. Porém tudo tem seu momento... E eu sei que eu poderei contar com você no futuro... e eu não quero que você se envolva com esse assunto.

    Embora Sheng ainda não tivesse aceitado, o felino entendeu dessa vez o que Joshy queria. Sabendo que não poderia ir contra as ordens de seu superior, ele diz:

    — Tudo bem, Joshy. Eu irei obedecer.

    — Muito obrigado, Sheng.

    O entendimento veio em seguida, com Sheng apertando a mão de seu tutor.

    Mas não se resumiu a essa conversa.

    Enquanto isso...

    Alojamento da Agência

    — O QUE?! – Gritou Viktor, surpreso.

    — Exato, Viktor. Eu não quero que você vá com a gente – Disse Lilac.

    A exemplo de Sheng, Viktor também foi impedido de deixar a Agência. E a conversa seguiu:

    — Lilac, eu posso me cuidar. Eu já mostrei que posso lutar!

    — Sim, você pode... Mas agora é diferente.

    — Diferente como?! A gente vai lutar contra a The Red Scarves! Eu já lutei contra eles e... – Tentou dizer Viktor.

    Carol interrompeu o jovem humano, dizendo:

    — Cara, tu deitou um enquanto a Milla deitou dez de uma vez. Entendeu a “diferença”?

    — Carol, não era pra ser tão duro com ele assim! – Disse Lilac, irritada.

    — Tô tentando ajudar, tá? Ô piá... Dá não, cara. Tu lutou no torneio e foi show... Até me surpreendeu muito. Só que a parada agora é a vera. No torneio tinha regras, agora não. E essa gente joga sujo demais. Tu lá no battlefront vai levar pipoco com mais facilidade que um jogador de Splatoon jogando Call of Duty.

    — Do que você está falando, Carol?! Posta com essas maluquices!

    — Nyah! :3

    Mas Viktor não estava aceitando isso muito bem. Tanto que ele disse:

    — Estou me sentindo diminuído com isso, sabia? Lilac, estou mesmo decepcionado... Não esperava mesmo...

    Noah até ia até Viktor, mas Lilac o impediu, dizendo:

    — Pessoal, poderiam me esperar lá na doca da Ala Restrita? Preciso conversar a sós com o Viktor.

    — Hã? Mas hein? Lilac... – Disse Carol, confusa. 

    — Por favor, Carol.

    E até mesmo Milla se manifestou:

    — Lilac, o Viktorius é forte.

    — Eu sei que ele é, Milla. Por isso mesmo eu quero conversar com ele a sós.

    — Tá bom. Não demore, tudo bem?

    — Pode deixar.

    Acompanhadas por Noah, Milla e Carol seguiram então para a doca, deixando Lilac e Viktor sozinhos. O jovem, confuso, diz:

    — E então, o que quer me dizer?

    — Você é importante pra todos nós.

    — Hã?!

    Ela então correu até ele, o abraçando. Viktor, sem entender, diz:

    — Lilac, o que está acontecendo? Você está estranha...

    — Viktor... Você se lembra da primeira vez que você entrou na minha casa?

    — Hã? O que tem?

    — Você disse que nunca havia conhecido um dragão antes. E você me disse aquelas palavras gentis... O mesmo eu digo agora.

    — O que?

    — Eu nunca havia conhecido um humano antes... É essa sua espécie, não?

    — Si-sim... Mas onde quer chegar?

    — Eu só quero te dizer que humanos são legais, gentis, simbolizam tudo que tem de bom...

    — Ah... Nem todos, Lilac...

    — Estou falando de você, bobo!

    — De mim?! Mas...

    — Você está em um mundo diferente, que não segue suas culturas... Só que você tem sido tão gentil que eu tenho preocupações com sua segurança. Eu só quero o melhor pra você, não quero te decepcionar em nada! Eu só desejo que você esteja seguro... e com a gente!

    — Mas Lilac... Somos um time. Eu não posso deixar de ajudar vocês.

    — Você já nos ajuda todo dia. Não tem ideia de como sua importância tem um valor absurdo nas nossas vidas. Então eu te peço, Viktor: só aceite ficar aqui. A gente vai se cuidar e voltar logo. É uma promessa! Por favor, não fica chateado comigo! Eu não quero o seu mal...

    — Lilac... – Tentou dizer Viktor, pensativo – *Cara, estou mesmo triste com o que ela está me pedindo, mas... É a Lilac. Eu nunca faria algo que a incomodasse. Ela se importa comigo de verdade e eu não posso demostrar essa minha irritação. Me sinto um inútil, mas eu não posso ir contra a vontade dela...* 

    E ele, retribuindo o abraço, diz:

    — Tudo bem, Lilac. Eu vou ficar...

    — Por favor, Viktor. É para o seu próprio bem. Não fica triste comigo!

    — Eu não estou, Lilac. Tudo bem... Vai tudo se resolver logo e a gente vai voltar pra Shang Tu... Vai. O pessoal está te esperando.

    Ela então esboçou seu sorriso sincero, dizendo: 

    — Muito obrigada por entender, Viktor. Muito obrigada! – Disse a dragão, voltando a abraçar o jovem.

    Ela então se apressa para ir até a doca da Ala Restrita, mas não sem antes retornar, dizendo:

    — Voltaremos logo, Viktor – Disse, beijando o rosto do rapaz.

    — Li-lilac?! Ah... – Tentou dizer, ficando extremamente envergonhado.

    — Cuide-se! – Disse, usando de suas velocidade em seguida.

    E Viktor aceitou ficar, mas não sem antes se manifestar. Sozinho, ele colocou uma das mãos sobre o local onde Lilac o beijou, dizendo:

    — Ela... A Lilac... me beijou?!

    E alí ficou Viktor, refletindo bem o que acabara de acontecer.

    Momentos depois...

    Shang Mu Forest's Mud Street

    Com veículos militares adaptados para terrenos acidentados e extremos, suas grandes rodas facilitavam o caminho arenoso da região. E eram muitos, tendo em vista o tamanho da encrenca que iriam encontrar no ponto central onde havia a construção abandonada de Shang Mu. Porém essa não era a principal preocupação de Asuka, que estava sentada dentro de um dos veículos. O incômodo era estar sentada justamente ao lado de:

    — NOAH?! Essa Lenzin deve estar de brincadeira comigo! Só pode!

    Ela, de pernas e braços cruzados, virou o rosto para que não tivesse contato visual com Noah, que diz (ou tentou dizer):

    — Asuka Tenjoin, eu...

    — Cala a boca!

    — Você não está sendo...

    — Eu não quero papo!

    — ... madura agindo assim.

    — Aí... Alguém poderia trocar de lugar comigo?

    — Você não quer falar comigo porque?

    — Sua voz me incomoda, sua presença me causa ânsia... Cala a boca!

    Logo atrás dos dois estavam Lilac, Carol e Milla, que diz:

    — Lilac, porque eles estão agindo assim?

    — Eu não sei, Milla... Eu pensava que esses dois fossem os inteligentes...

    Só que eles ouviram. E foi imediato e com as mesmas palavras que Noah e Asuka disseram:

    — EU SOU INTELIGENTE! ELE/ELA QUE NÃO É! HÃ? HUNF! – Disse os dois, um olhando para o outro e depois desviando o olhar.

    Carol não perdeu tempo:

    — Maluco, tô vendo que esses dois aí iam se matar se a gente não estivesse aqui. Cara, que situação, hein...

    — Fala baixo, Carol! Eles vão ouvir – Disse Lilac, tomando cuidado.

    E com Asuka irritada, ela então comentou:

    — Caí na armadilha da Lenzin... Fui aceitar acompanhar o Team Avalice... Só que eu não sabia que ela me colocaria junto com o “coiso” no meu lado! Ah que ódio!

    — Isso porque você quer!

    — EU NÃO QUERO! EU FUI OBRIGADA A TER DE TE ATURAR! HUNF!

    — Para de gritar!

    — Você tentando me dar ordens? Vai ver se eu estou na esquina, fracassado!

    — Olha só quem fala. A grã mestra que perdeu duas lutas pra mim!

    — O que? Como é? Diz outra vez. É que eu não consegui ouvir. Você está muito abaixo de mim...

    — Legal saber que você tentou ouvir. Porque você tentou me vencer e não conseguiu também!

    — Boçal!

    — Burra!

    — Como é?! Você tem ideia de quem eu sou?

    — Burra! Porque ignorantes ao menos não sabem de nada. Mas quem sabe de tudo e faz besteira é burro mesmo!

    — Idiota!

    — Chata! Fica aí toda emburrada, parecendo criança!

    — Como você é irritante! EU TE ODEIO!

    — Histérica! Fica gritando sem necessidade!

    — EU SOU A GRÃ MESTRA! VOCÊ... CALE-SE!

    — Então começa a conversar comigo civilizadamente!

    — Eu não tenho que fazer nada! Hunf! – Disse, virando o rosto.

    Lilac já estava ficando sem paciência. Tanto que disse:

    — Será que esses dois não podem esquecer o que aconteceu e começarem do zero? Nossa, nem parece que esses dois estavam se esmurrando antes...

    — Lilac, tá ligada que esse xoxo deles tá daqueles bem clichêzão de anime de slice of life? Hehe... Tá fofin de ver.

    — Carol, para com isso!

    — Ueh, que eu tô fazendo?!

    — Já vai começar com essas suas ideias de shipp...

    — Ih... Funciona assim não, menina! Shipp vai do momento, do sentimento mesmo... Tipo o Vik com a Liane: tu vê química. Os dois são maromba e... Se bem que a dentuça é mais velha que o piá...

    — Carol! Para com isso! Eu não quero ouvir mais essa coisa de shipp!

    — Mas eu não disse nada. Foi você que disse! NoaZuka?! Não... Nem dá pra fazer rima. Esses dois querem se matar!

    — CAROL!

    — Nyah! :3

    E no clima de provocações entre Noah e Asuka, o agente que guiava o automóvel diz:

    — SENHORA GRÃ MESTRA... AHHH!

    E nem deu tempo para maiores explicações. O veículo foi levantado, chacoalhando para os lados. Logo, olhando pelo painel, viram que se tratava de um cipó de vinhas que estava segurando o veículo.

    — Caraca, mano! Exageraram no fertilizante! – Disse Carol, assustada.

    Mas antes que pudessem fazer algo, eis que o cipó é cortado. Com o carro indo ao chão, todos deixam o bólido, com Joshy no lado de fora, dizendo:

    — Estão todos bem?

    — Sim... Mas o que está acontecendo? – Perguntou Asuka.

    E todos puderam ver que uma legião de criaturas de vinhas estavam a sua frente. O problema era ainda mais complicado que Asuka imaginava, pois todos os outros veículos precisaram desviar o caminho, fazendo com que a formação fosse desfeita.

    Um novo desafio espreitava a todos.

    Enquanto isso...

    A Agência

    Ala Go – praça central

    Sentados juntos no banco da praça florida, Viktor fazia companhia a Sheng. Os dois, compartilhando o mesmo desânimo de terem sido deixados (seguros) na Agência, conversavam:

    — Aí o Joshy me deu um sermão e blá blá blá... Sabe como é, né? Tutor protetor.

    — Nem me diga... A Lilac faz o mesmo comigo.

    — Jura? Você? Caramba...

    — Mas eu não podia ir contra a vontade dela. A Lilac disse que eu sou importante pra todas elas...

    Ao ouvir as palavras de Viktor, Sheng, após um breve silêncio, diz:

    — Cara, mas você é importante.

    — Não sei porque... Eu não faço absolutamente nada de diferente.

    — Vik, você é diferenciado sim. Só você que não vê...

    — E como cheia a essa ideia minha?

    — Me dá sua mão aqui – Disse, estendendo sua mão.

    — Hã? Mas... *A Liane fez isso, agora o Sheng está fazendo outra vez...* Tu-tudo bem... – Disse, deixando que o felino segurasse sua mão.

    Novamente Sheng examinou cada centímetro da mão de Viktor, dizendo:

    — Como eu vi desde a última vez... Sua mão é suave e macia... Com lindas resenhas. Mãos forjadas na luta e, como você disse, na dor. Eu até hoje sinto muito por ter te causado...

    — Não esquenta, Sheng... Está tudo bem... *Está muito estranho isso...*

    — Você perguntou onde eu via essa sua diferença... Cara, você é gentil com todo mundo. E... Bem... a gente até ficou íntimo conforme passou o tempo, sabe? – Disse, ainda segurando a mão do rapaz.

    Embora Viktor permitisse essa liberdade de Sheng manter-se de mãos dadas a ele, isso logo trouxe uma lembrança, o que Carol lhe disse:

    — Você tem o dom de ser gentil... O Sheng parece estar na fila...

    Só isso já foi o suficiente para o jovem já interpretar de outra forma. Mas Sheng continuou dizendo:

    — Cara, desde que eu te vi quando te encontrei aqui na Agência eu tinha vontade de te dizer uma coisa...

    — O que?! *Ai... Onde eu fui me meter?!*

    — Você é um cara forte, gentil, habilidoso e belo...

    — Hã? Sheng... *CADÊ A CAROL NESSAS HORAS PRA AJUDAR?!*

    Viktor estava muito nervoso, suando frio. Mas Sheng continuou:

    — Vik, eu... Bem... Tipo... A muito tempo queria te perguntar se...

    — Ah... Sheng... Olha... *Se não fosse a Carol me ajudando e dando dica eu não esperaria por isso! Devo um barco de sushi bem caprichado pra ela!*

    — O que foi, Vik?

    — Cara, eu me amarro na sua. Sério mesmo, te acho legal a beça, mas...

    — Mas o que? – Disse, olhando nos olhos de Viktor.

    — É que eu prefiro mulheres.

    — Ah eu também. Sabe, tem muita mina aqui que... – Sheng percebeu o tom ao qual Viktor quis dizer – Espera aí... Vik, você por acaso...

    — Olha, Sheng... Não entenda mal. Você é um cara legal e... – A exemplo do felino, Viktor entendeu bem o que Sheng disse – Espera... Você também prefere mulheres?

    — Claro! Mas... Cara, tu tava pensando que eu estava afim de você?!

    — Ah... Bem... Escuta só...

    Acho que não existe uma forma melhor de definir bem o que foi o momento: Sheng caiu as gargalhadas, quase perdendo o ar de tanto rir. Viktor, bastante sem graça, diz:

    — Sheng...

    — Hahahahaha! Então você caiu nos meus encantos, Vik? Hahahaha! Eu sou atraente pra você? Haha! Cara, ganhei o dia... Tu é bonitão, mas só pra amigo mesmo... Hahahahaha! Minha nossa, eu nunca vi algo tão absurdo como isso! Hahahaha!

    — Tá... Chega... Eu já entendi... Você não tem ideia de como estou envergonhado...

    — Como é que você pensou numa coisa dessas? Hahahaha!

    — Ah... Você me abraçando, segurando minha mão... Até a forma que você olha pra mim...

    — Hahahaha! Eu te adoro, cara! Por isso que eu quero contato com você. Nós da família Daiyomondo temos costumes diferentes...

    — Como assim?

    — Tipo, a gente luta contra fighters de fora da família e de fora do monastério Omna. Termos o costume de lutar com tudo desde o início. Só que eu tive preconceito por você e fui vencido. Então nós da família Daiyomondo, pelo menos os homens, somos agradecidos pela luta e juramos irmandade eterna a pessoa. Claro, se a pessoa quiser.

    — Espera... Então era isso que você sempre quis dizer desde o início?

    — Claro, Vik! Teria como? Hein? Podemos? Hein?

    — Mas é claro que sim!

    — CARACA! JURA?! QUE IRADO! Vai então... Segura a minha mão!

    — Hã? Mas...

    — Relaxa, irmãozão! Vai!

    Viktor então segurou na mão do felino, percebendo algo inédito:

    — Espera... Agora eu entendi... Vocês da família Daiyomondo conseguem sentir a personalidade do lutador!

    — Isso mesmo! Agora somos irmãos pra sempre!

    — Então foi isso que a Liane fez...

    — Hã? A minha mana segurou na sua mão?! – Disse, surpreso.

    — Sim. O que tem?

    — Cara cara.... Caraca!

    — O que foi?!

    — Vik, você lutou contra minha irmã, não?

    — Na verdade ela que começou. Eu só me defendi, não foi uma luta real...

    — Isso não importa na nossa família. Cara, você lutou contra ela e saiu inteiro... Pra início de conversa, a minha mana é mais forte do que eu. Os diamantes que ela quebra são pelo menos vinte por cento mais duros que os que eu quebrei no exame.

    — Sim, mas o que tem isso?

    — Você resistiu a ela e a golpeou...

    — Sheng, o que houve?!

    — Cara, as mulheres da minha família quando acham um adversário que elas querem muito lutar, caso não o derrote tem duas opções: uma é marcar uma luta nova como revanche ou...

    — Ou o que?

    — Ficar ao lado dele até que a morte os separe.

    — Ah sim... Bem, isso é algo muito... O QUE?!

    — É, Vik... Se casar.

    — DEIXA EU VER SE ENTENDI BEM: A MULHER SE CASA COM O CARA QUE A VENCEU?!

    — isso mesmo.

    — Ah... Caramba... Ainda vem que eu não lutei com ela e nem dei revanche...

    — Você fez isso também? Não deu revanche?

    — Não. O que tem?

    — Caramba, Vik... A Liane deve estar mal com isso...

    — O que foi agora?

    — É quase como você dizer “não” numa relação. Cara, minha mana pode ser meio explosiva mas é legal e fiel... Depois vai falar com ela...

    — Calma, Sheng. Eu já fiz isso. Eu a convidei depois para o jantar, lembra?

    — Espera... Você fez isso mesmo?! Cara, minha mana então... Ela... Ela vai te chamar pra algo ainda maior...

    — Ah não! Chega, Sheng!

    — Calma! Minha mana é a top da minha família. Se você se negou a lutar e a agradou depois disso, ela vai te chamar pra fazer parte da família!

    — Espera... Fazer parte?

    — Sim! É bem possível que ela vá fazer isso! Cara, você vai ser um Daiyomondo se ela te convidar! Cara, isso é ainda mais irado! Um lutador que trata bem uma mulher da minha família tem o direito de fazer parte. Cara, você vai poder até aprender nossos golpes!

    — Jura? Isso sim é muito irado!

    — É! Caraca, já somos mais íntimos agora! Me dá um abraço, cara!

    Depois de uma confusão sem limites, enfim tudo é explicado. Com os dois abraçados, Viktor diz:

    — Nunca pensei que iria estar em um lugar assim com pessoas extraordinárias. Valeu mesmo, Sheng.

    — Eu que agradeço!

    Porém a alegria de Viktor foi interrompida por talvez o único lampejo do jovem no que diz respeito a maldade: ele percebeu um agente andando usando um chapéu que lhe cobria o rosto. Ele, surpreso, diz:

    — Sheng, aquele agente...

    — O que foi?

    — Tem algo errado.

    — Você descobriu isso só em olhar pra ele?

    — Não só isso... Nunca vi nenhum agente usar chapéu e... Bem, todos os agentes foram para a missão...

    — Tá, mas um poderia ter ficado e...

    — Sim, mas ainda tem o chapéu. ARTHEMIS!

    Imediatamente após ser chamada, a IA apareceu. Como o espaço de atuação das suas nanites era somente dentro da Agência, ela não pôde estar com Asuka e os outros. Ela então diz:

    — O que foi?

    — Você viu aquele agente com o chapéu?

    — Hã? É proibido a utilização de chapéu na Agência. Não faz parte do uniforme.

    Logo Viktor começou a correr na direção por onde o suposto agente foi. Sheng, assim como Arthemis, esta flutuando, os acompanhou, com a IA felina dizendo:

    — O que está acontecendo, Viktor?

    — Porque estamos aqui, Arthemis?

    — Hã? Bem... Você estavam sendo investigando porque poderia ter um traidor entre vocês e... Mas isso já foi comprovado que não era verdade.

    — Sim, eu sei. Mas e se existisse um traidor e ele não estivesse entre nós do Team Avalice?

    — Nós já teríamos encontrado. O pessoal de Shang Mu...

    — Não! E se esse traidor estivesse na Agência esse tempo todo?

    — Impossível! Eu saberia. Na verdade eu sei o que todos fazem mas mantenho uma ordem de anonimato e privacidade. Nem mesmo Asuka-chan tem conhecimento.

    — E o agente de chapéu?

    — Como eu disse, chapéus e qualquer adorno desse tipo são proibidos.

    — Arthemis, eu também vi o agente. O Vik não viu coisas... Esse cara que nós vimos é real! – Disse Sheng.

    E ao cruzarem um corredor, logo Arthemis desaparece, restando somente sua voz.

    — Hã? Eu... Meu sistema de nanites foi neutralizado!

    — O que?

    — Viktorius Ashem, tome cuidado. Eu não consigo acessar esse bloco da Agência. Já estou tentando resolver essa anomalia. Vocês estão sozinhos!

    — Vik, acho melhor voltarmos. Isso está muito estranho... – Disse Sheng, um pouco receoso.

    — Não... Vamos em frente... – Disse Viktor, continuando a andar.

    — Mas estamos sem agentes por aqui e...

    — Fomos trazidos pra cá por uma injustiça. Então está na hora de um pouco de justiça. Vamos investigar.

    Determinado a seguir com o rastreamento, Viktor e Sheng continuaram caminhando até uma zona distante, num lugar com corredores estreitos e metálicos. E depois de uma longa caminhada, eis que eles encontram no outro lado de uma viga o suposto agente de chapéu. Viktor então diz:

    — Ei, você! Parado!

    Na verdade essa pessoa estava na frente de uma porta digitando um código, possivelmente para poder entrar. E Viktor continuou:

    — Quem é você? – Disse, ainda caminhando em direção ao agente.

    Mas bastou um salto acrobático de Sheng parar na frente de Viktor, com o felino ficando em base de luta.

    — Vik, pare.

    — Hã? O que foi?

    — Ele vai nos atacar se continuarmos avançando.

    — Mas... QUEM É VOCÊ?

    Sabendo que era inevitável o embate, esse alguém logo começou a falar:

    — Hm... Devo estar sendo um idiota em pensar que nunca seria encontrado. Hehe... Quem diria que eu seria pego por uma dupla de “deixados pra trás” fracassados. E justamente com a Agência vazia. Acho que vocês merecem saber quem eu sou antes de ir embora...

    E ele retirou toda sua roupa com um passar de mãos por sobre suas vestimentas. Logo Viktor, reconhecendo a pessoa por baixo da fantasia, diz:

    — Spade?!

    Continua.


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