The Last A: O Último Anis

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    Capítulo 17

    As olimpíadas de Etofuru - Parte 1: a partida

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Olá a todos

    Desculpe pelo enorme hiato nessa fic, mas agora estou voltando com tudo. Muita coisa vai acontecer hoje. Espero que gostem.

    As olimpíadas de Etofutu finalmente começaram. A cidade, já conhecida pela região em receber eventos esportivos, continha adornos decorativos pelas suas ruas, para promover as escolas participantes. Porém essa seria uma edição diferente: a polícia de Etofutu recebeu inúmeras ocorrências por parte de muitas regiões, com escolas que desistiram de participarem. Por conta disso houve uma diminuição de atletas considerável, o que impactou consideravelmente os atletas participantes. Sendo assim, algumas competições sofreram com isso, como o torneio de basquete. De oito escolas, somente quatro disputaram. Felizmente, e por pura conveniência, os dois times do colégio de Etofuru ajudaram nisso.

    As demais escolas e colégios temeram pela suposta epidemia, essa que nós sabemos que não existe. Mas ninguém as culpou nessa decisão. As olimpíadas de Etofuro continuariam do mesmo jeito, como manda a tradução de mais de quarenta anos.

    A cerimônia de abertura foi satisfatória, com todos os atletas perfilados no campo de futebol, com arquibancadas cheias e animadas. Lá estavam Jason, Sumo e seu irmão Hito “Paladino”, Kenta, Motoi... e até mesmo Iamiko e Hakiro. Ao fundo também podíamos ver Kazu, Kuon e Shizuka, assim como o restante do time A do colégio.

    Durante toda a tarde as competições das demais modalidades transcorreram normalmente, com muita garra e demonstração de espírito esportivo, o que era uma constante na região. Todos os atletas respeitavam seus adversários e isso era muito respeitado em toda comunidade. Com a tarde acabando, logo chega o começo da noite e, com isso, os preparativos para a semifinal envolvendo o time A e o time B do colégio de Etofuru. Não haveria obstáculos e nem nada para a realização do jogo.

    Durante a execução do hino nacional japonês, com todos os atletas perfilados, os protagonistas do vindouro desafio nas quadras já davam a primeira impressão do que estava por vir. Kuon, que se mostrava bem concentrado, pensou:

    — *Sei perfeitamente como você quer isso tudo, Jason. Eu entendi... e compreendo agora o que você quer fazer. Não se preocupe, pois tudo já está planejado e lhe darei o que você quer... Eu sei de sua estratégia e farei de tudo pra que não seja tão humilhado. No fim estarei com minha mão estendida para lhe felicitar pelo jogo. Eu aprendi muito com você...*

    Kuon estava ciente mesmo do que estava parte acontecer? Ele sabia o que fazer, mas Jason não dava sinais que daria chances: ele era só pensamentos:

    — *É hoje... É hoje que esse filho da p*ta vai perder tudo. Você vai ver, Kuon... Vou sem pena, seu desgraçado... No final eu vou amar ver sua cara andrógina de choro...*

    Acho que só com esse trecho já sabemos a motivação de Jason. Mas Kuon estava muito confiante e isso parecia irritar o jovem humano.

    E assim começa a “guerra”.

    Ginásio do Colégio de Etofuru, 19:00.

    Com um ginásio completamente lotado, se deu início ao torneio de basquete. Num evento inédito, onde pela primeira vez dois times do mesmo colégio iriam disputar a olimpíada da cidade, as atenções estavam todas voltadas para essa partida. O interesse era tanto que estava até mesmo sendo transmitidos posta outras cidades. Etofuru era referência em treinamentos para atletas olímpicos por sua quietude, com seus habitantes se interessando por práticas esportivas. E logo podíamos ouvir uma rádio local transmitindo o jogo.

    — ... e vai começar, minha gente... Vai começar a semifinal do torneio de basquete das olimpíadas de Etofuro. E só aqui na HKEJ você irá conferir o jogo do milênio:

    TIME A DO COLÉGIO DE ETOFURU, com a estrela Kuon Haruka, que confrontar-se-a com o TIME B DO COLÉGIO DE ETOFURU, liderado pelo pivô Jason Hawoen. Então já sabem, não?

    Então... Esse é... O JOOOGO!

    A vibração das arquibancadas do pequeno ginásio era contagiante. Lá podíamos ver desde a tia de Jason Azika, que segurava Piece 1, que estava se comportando como um gato normal (contra a sua vontade) e até mesmo Lupa, sentada com sua quietude tradicional.

    No centro do ginásio, com os atletas se aquecendo, Jason chamou cada um de seus jogadores. Jason então diz:

    — Time, chegou o dia... O grande dia! Eu não vou esconder de vocês que eu estou nervoso... Só que eu estou ainda mais p*to por causa de tudo que aconteceu. Eles nos destruíram no último jogo, então... VAMOS DAR O TROCO!

    — É ISSO AÍ! – Gritaram todos, apoiando Jason. 

    — A gente nunca vai esquecer daquele jogo... Mas hoje, meus amigos... Ah hoje a gente vai a forra! Olhem pra lá... – Disse, apontando para Kuon – ... Estão vendo aquele arromb*do? Por isso... Hoje o c*zão vai conhecer cada um de nós... E a gente não vai ser gentil!

    — É!

    — Então... Time B do colégio... Eu os convido para esse jogo. Vamos jogar com tudo o que temos... Só somos nós... Eles tem jogadores pra jogar a partida inteira... e nós só temos o time que vai entrar nessa quadra... Nós iremos entrar iguais a eles... e vamos sair vitoriosos! Então... Time B... VAMOS DESTRUIR!

    — VAMOS!

    — É essa parada!

    O compromisso de todo o time era mesmo vencer, mas isso seria algo extremamente difícil. Poderia até mesmo dizer que o impossível seria a melhor palavra. Mas Jason tinha mesmo ciência das dificuldades, mas isso não o abalava. Essa sua determinação contagiou todo o time que, comprometidos, estavam dispostos a fazer o que fosse preciso para vencer. Olhando o evento, Piece 1, bastante desconfortável, pensou:

    — *Tantos humanos... Barulhentos... Uma algazarra sem necessidade. Porque recreações? Nada disso faz sentido... E pensar que um Anis você a imagem desses humanos... Mas Jason estava certo no fim das contas. Percebo que os demais humanos nutrem um respeito ao chamado Kuon. Isso me irrita... Hm, creio que isso será interessante...*

    O time B de Etofuru só havia dois jogadores reservas: Koji Hakiro, que estava sentado em sua cadeira de rodas (como Jason combinou) e Kazu. Sim, exatamente isso. Kazu completou o time, o que chamou atenção de Kuon.

    E falando nele, o próprio se aproximou de Jason, dizendo:

    — Espero que tenhamos um ótimo jogo hoje, Jason.

    — Hm... Eu também, Kuon. Hakiro vai se divertir muito.

    — Vai sim. Ele merece depois de tudo que aconteceu.

    — Hehe... Você no fim das contas é um cara legal, Kuon. Vai ser muito divertido jogar contra você outra vez.

    — Aproveite a partida. Espero que não se esgotem muito... porque irão.

    — Ah que amor... Tá preocupando com a gente? Que fofo... Hehehe. Relaxa, Kuon. Vamos ficar bem.

    — Bom saber...

    Ambos apertaram as mãos, fincando alí uma suposta trégua. Mas sabemos que nada disso era verdadeiro, pois ambos se odiavam.

    E então o anúncio dos times começou. No lado de Jason, o time B viria com:

    Hito "Paladino" Katsumo (Ala)

    Hitao "Sumo" Katsumo (ala-pivô)

    Kenta Kadeiko (defensor)

    Motoi Yamuro (líbero)

    Jason Hawoen (pivô)

    Como jogador reserva, podíamos ver Hakiro devidamente uniformizado e ao seu lado Kazu, vestindo um agasalho da comissão técnica do ginásio do Colégio de Etofuru e segurando um tablet. 

    Jason trouxe exatamente o mesmo time que perdeu de forma humilhante. Porém o espírito de todos estavam motivados para uma única coisa, a qual Jason logo ditou:

    — Vamos f*der com ele, pessoal.

    — Como vai ser, Jason? – Perguntou Sumo.

    — Como tem que ser. Só iremos jogar, marcando forte e aproveitando todas as oportunidades – Disse Jason, pensando em seguida – *Kuon... Eu sei como você virá... Você é tão convencido e seguro de si que eu tenho certeza de sua estratégia patética de “influenser pau no **”. Tu tá ferrado na minha mão...*

    Mas do que Jason estava falando? E essa estratégia de jogo do jovem daria mesmo certo? Bem, no lado de Kuon, o time A de Etofuru vinha com: 

    Horizura Tagawa (ala)

    Stoikovic Rarapova (defensor)

    Vladimir Herzog (libero)

    Stewart Amstrong (pivô)

    George Harizuma (defensor)

    Com os reservas:

    Kuon Haruka

    Karashima Kadeiko

    Tatshima Koja

    Wakashiro Matsu

    Hitori Moji

    Com seu time completo, Kuon estava totalmente confiante, tanto que iriam começar com o time reserva. Era uma vantagem monstruosa a que tinha e logo tratou de dizer:

    — Time, quero muito empenho mas... Quero que peguem leve com eles.

    — Como é? Você está falando sério, capitão? – Perguntou Karashima.

    — Sim. Nós iremos vencer mesmo que eles joguem o melhor que puderem. Nós temos um time completo e eles são completos idiotas. Porém Hakiro está no time deles e merece se divertir. Então não façam tanto esforço. Temos quatro quartos pra segurar um resultado. No fim iremos começar a pontuar pra vencer, mas dêem uma derrota digna a eles. Sem a mesma humilhação.

    A confiança do jovem Anis era notável. Kuon havia pensado em todos os detalhes para não chamar muito a atenção e manter sua imagem de líder do colégio. Como influenciador, detinha o controle de todas a ações. Até mesmo o técnico do time não precisava ter o trabalho de motivar seus jogadores. Kuon tinha pleno controle da situação e era nisso que se apoiava sempre. Era o exemplo a ser seguido e era o aluno que ditava as regras. Kuon era o dono do colégio de Etofuru.

    E assim começa o jogo.

    Primeiro quarto – O início da estratégia.

    E é levantada a bola no centro da quadra pelo árbitro, com Jason conseguindo a posse de bola numa disputa contra Stewart, o americano quê faz intercâmbio. Passando a bola para Paladino, Jason infiltrou no garrafão, recebendo passe de Kenta, encestando em seguida. Dois pontos fáceis, com a defesa do time A fraca e aberta. Kuon estava mesmo levando a sério o que havia planejado.

    — Que jogada de Jason, fazendo uma bela ponte aérea com Sumo! O time B está voando pra cima do time A!

    O quarto seguiu sem surpresas: com a vibração dois torcedores, o time B terminou o primeiro quarto da partida com uma confortável vantagem de 26 a 08 no placar.

    E durante o intervalo...

    O final do primeiro tempo deu uma ideia a todos de que seria um jogo extremamente desgastante. Todos os jogadores, mesmo que estivessem confiantes, mostravam cansaço em seus rostos. Jason, do mesmo jeito, logo diz:

    — Pessoal, força! Um quarto da partida se foi. Vamos manter a pegada dessa forma.

    — Jason, olha... – Disse Kenta, o mais preparado fisicamente – ... eu ainda estou de boa pra suportar, mas mesmo com eles jogando mal não sei se...

    — Calma, Kenta. Esse segundo quarto será determinante. Gente, precisamos fazer a mesma quantidade de pontos que fizemos.

    — Cara, com o devido respeito... – Tomou a palavra sumo, bebendo água – ... já entendemos o que o Kuon quer fazer e isso me preocupa.

    — Do que está falando, Sumo? – Perguntou Jason.

    — Ok... As lembranças do primeiro jogo de volta, mano... Eles estão fazendo de conta que estão jogando, nós não. Quando esses caras começarem a jogar é aí que vamos sofrer...

    — Ah é isso? Não esquenta, Sumo... Eu estou com tudo planejado quando isso acontecer.

    — Então porque você não diz logo?

    — Não... Está cedo... No momento só precisamos nos preocupar em pontuar o máximo que puder.

    — Tudo vem, capitão... Se está dizendo...

    Era mesmo um plano. E como Sumo disse, Jason não disse por completo o que envolvia. Com todos voltando a quadra, o jogo continuou.

    Segundo quarto – Construção.

    O segundo tempo. A segunda parte do plano. Como Jason pediu, com muito empenho os seus amigos construíram uma diferença no placar considerável, imprimindo um pouco mais de pressão na marcação e colocaram uma vantagem mais confortável. O time A de Etofuru estava segundo o que Kuon instituiu, sem fazer muito esforço. O placar da partida nesse segundo quarto ficou em 49 a 16.

    — Estarrecedor é a palavra! Sumo e Paladino esbanjaram arremates! O jogo do time B é esse mesmo: atacar, atacar, atacar!

    O segundo intervalo veio...

    O cansaço estava mais visível dessa vez. O esforço foi maior. O tempo passava e junto com ele o vigor dos jogadores do time B de Etofuru diminuía cada vez mais. E mais uma vez, mostrando preocupação, dessa vez Paladino diz:

    — Jason... Estamos indo para o terceiro quarto... Eu já não aguento mais... É humanamente Impossível jogar sem parar...

    — Eu entendo, Pala. Mas precisamos seguir com o plano.

    — Mas que plano é esse?! Porque você não diz? 

    — Só confiem em mim. Pessoal, só mais um quarto... Só mais um e logo o plano vai começar a dar resultado.

    — Mas a que custo? – Disse Sumo, olhando para Jason – Meu mano já está quase acabado de cansaço. E eu estou indo nesse mesmo caminho...

    — Eu entendo, Sumo. Mas por favor... Só mais um quarto! Kenta, como você está?

    — Cara, eu ainda estou bem... Mas eu nunca joguei três quartos sem parar. Por enquanto eu aguento, mas esse seu plano precisa mesmo ser muito bom...

    — Sim, ele é e vai ser bem satisfatório pra todos. Mas teremos de nos sacrificar. Eu mesmo estou bem cansado. Gente, precisamos pontuar mais.

    — Jason, é tão necessário assim a gente pontuar mais? Eles não estão jogando sério e...

    — Mais vantagem no placar... Para o plano funcionar precisamos ter uma bela vantagem. Só mais um quarto...

    O físico dos integrantes do time B de Etofuru já não era mais o mesmo e o desgaste iria aumentar pelo visto. No lado de Kuon, houveram trocas durante os dois tempos, mas nada muito considerável, até porque estavam se poupando.

    Terceiro quarto – Engate.

    — E o Time B está voando pra cima do Time A, ouvintes! É praticamente um passeio! Até parece que estão pegando leve!

    Desde o início do terceiro tempo o time de Jason sempre manteve a maior posse de bola. Sua vantagem no placar aumentou, indo para 68 a 25 para o time B frente ao time A. E pela movimentação no banco de reservas, Kuon diz:

    — Hora de tomarmos a partida, equipe. Eles já deram o show deles.

    Quando eu disse que o desgaste seria maior não era a toa: bastou uma simples pressão para que o time de Kuon avançasse no placar, que em um pouco mais de dois minutos já estava 70 a 46. A diminuição da diferença era brutal, com os jogadores do time B exaustos e o time A passando por cima sem misericórdia.

    — Que que é isso, minha gente?! O jogo mudou! O JOGO MUDOU! O Time A tá cobrando a conta, fio! E com juros! É praticamente uma blitz sem pena nem piedade, com o Time B pedindo soro! Cadê a ambulância?! Hahaha! Que jogo, ouvintes!

    Por sorte o árbitro anunciou on fim do terceiro quarto, com os ânimos do time B indo de mal a pior. E Kenta, o mais irritado, diz:

    — JASON, QUAL É A SUA?!

    — O que foi, Kenta?

    — O que foi? Olha o Sumo e o Paladino! O Yamuro tá cansado... E eu já não estou cem por cento... E você está de boa com isso? O que estamos fazendo aqui é pior que o último jogo.

    — Calma...

    — Calma?! – Esbravejou Yamuro – ELES VÃO NOS DESTRUIR NO ULTIMO QUARTO!

    Era o momento para Jason mudar de atitude. Não havia mais como continuarem daquela forma. E logo ele diz:

    — É, gente... Hora de vencemos.

    — Hã? Cara, como você pode ficar tão confiante assim depois do choque de realidade? – Perguntou Yamuro, surpreso.

    — Hehehe... Venham todos aqui perto de mim. Acho que preciso dizer a vocês um segredo... mas não gritem. Vai estragar o plano.

    Sim, Jason lhes contou sobre Hakiro. Isso foi visível ao ver um tom de incredulidade em seus rostos cansados. Mas não houve mais comoções além disso, para manter o plano de Jason.

    Indo até onde estava o time de Kuon, a indiferença do jovem Anis a situação era bastante evidente. Com todos os jogadores sentados, o sentimento era de tranquilidade e reflexão. Logo o jovem Anis diz:

    — O que eu quero de todos vocês: pontuem. Podem fazer jogadas de efeito e pressionar na defesa. Hakiro gosta muito de ver essas coisas. No fim todos irão adorar o show e faremos da situação algo mágico e inesquecível. E eu estarei em quadra dessa vez. Então vamos nessa... pois é hora de mostrar a todos de Etofuro que somos os melhores.

    Durante todos os três primeiros quartos o time A de Etofuru revezou seus jogadores. Sem esquema de jogo definido, somente convertiam pontos para cumprir com o plano de Kuon, que tinha total certeza de sua vitória. Certo de que o time B não poderia resistir a quatro tempos de jogo sobre a pressão de não ter jogadores reservas e só participou do jogo para “homenagear o Hakiro” e isso lhe daria ainda mais influência. Kuon sabia que isso seria uma ótima jogada de marketing e logo tratou de seguir com seu plano.

    — *Eu aprendi muito com você, Jason. Eu errei em ter te feito o que fiz e ter ignorado sua valentia. Porém eu reconheço que essa foi uma falha e agora estou lhe dando o que você quer. Você não iria vencer, sabia disso... mas eu não faria do mesmo jeito que antes com Hakiro no time. Você jogou bem... e será respeitado, mesmo com mais uma derrota. Porém dessa vez será de forma digna... e no fim todos sairão bem. Espero que se contente no fim.*

    Esse foi o último pensamento de Kuon antes de começar o último quarto da partida. E lá vamos nós para os momentos finais.

    Último quarto – O despertar.

    Com o cansaço estampado no rosto de cada um dos membros do time B de Etofuru, agora estavam frente ao time titular do time A, que tinham os jogadores:

    Kuon Haruka (tudo)

    Karashima Kadeiko (ala)

    Tatshima Koja (líbero)

    Wakashiro Matsu (defensor)

    Hitori Moji (defensor)

    Jason, Sumo, Paladino, Yamuro e Kenta tinham uma parada duríssima pela frente. De um lado tínhamos um time preparado e do outro um time extremamente esforçado. Não é preciso dizer que todos no ginásio já tinham ideia do que iria acontecer. E essa certeza veio em menos de trinta segundos de partida, com o time de Kuon conseguindo seis pontos seguidos marcando com uma pressão muito maior.

    Placar: Time B 70 x 52 Time A

    A vantagem construída pelo time de Jason seria perdida rapidamente, onde Kenta disse:

    — Jason, eu e o Yamuro estamos bem mas Sumo e Paladino... Eles...

    — Resistam... Só mais um minuto!

    — Cara, em um minuto eles vão destruir a gente!

    — Para o plano que eu te disse funcionar, a gente precisa segurar até a metade do quarto.

    — Impossível! Eu e o Yamuro temos preparo físico nível maratonista, mas Sumo e Paladino são jogadores de basquete tradicional. E eles são atacantes. Não dá... Eles vão...

    — FIQUEM FORTES!

    O valente time B recuou todos os jogadores, sabendo que não podiam mais investir contra o time A. Mas mesmo assim, diante de um Kuon bastante inspirado, não podiam evitar pontos. Com incríveis infiltrações e jogadas com imensa categoria, a diferença diminuiu mais:

    Placar: Time B 70 x 59 Time A

    Já quase esgotados, Sumo e Paladino mal conseguiram se manter em pé. Mas parte do plano havia funcionado: estavam na metade do tempo. E com isso Jason sinalizou para o árbitro:

    — TEMPO!

    Com isso todos os jogadores do time B seguiram as pressas para a lateral da quadra, porém Jason foi interrompido por Kuon, que disse:

    — Jason...

    — Hm? O que você quer, Kuon?

    — Estão fazendo um bom jogo, mas...

    — Mas o que?

    — Seus jogadores... Todos estão sentindo muito com o desgaste de jogarem quatro tempos sem muito tempo pra descansar. Você não se importa com eles?

    — Eu me importo sim, mas...

    — Mas?

    — ... eles tem mais preocupações com você.

    — Como assim?

    — Escuta, Kuon... Esses caras são incríveis. Poderia dizer que são os melhores jogadores que eu formei time até hoje. Mas você tem ideia do porquê eu ter essa impressão?

    — Qual seria?

    — Que além de mim, todos eles querem f*der com essa sua imagem de “dono do pedaço”.

    — Eu pensei que essa sua ideia havia acabado. Não precisa levar para o lado pessoal.

    — Ah é? Escuta, bonito... Vai para seu canto e eu vou para o meu, beleza? Você já deu seu recado?

    — Então esse é seu objetivo. Me vencer com um time praticamente destroçado... Eu estava tentando ser cuidadoso com essa situação, pelo Hakiro. E eu quero continuar sendo assim...

    — Kuon... Depois do fim do jogo eu virei falar com você... como o vencedor dessa partida.

    — Você é patético, Jason. Estou tentando te dar um fim digno mas você não valoriza meu esforço em...

    — Vai t*mar no **, Kuon. Tu já sabe onde enfiar essa sua prepotência nojenta. Vaza!

    Jason então lhe deu as costas, caminhando para até seus amigos. Kuon retornou para seu canto, conversando com seu treinador:

    — Senhor treinador, só iremos manter essa mesma intensidade.

    — Sim. Mas eu não quero que os deixem mais cansados que estão. Isso não é um linchamento.

    — Eu concordo. Não ficaremos muito a frente do placar. Isso sequer é um jogo treino. É loucura do outro time mesmo jogar sem reservas... *Jason... Você é um humano idiota e insolente. Deveria se colocar em seu devido lugar como escória que todos são. Sua presença me enoja e me causa incômodo. Deveria voltar para o buraco de onde saiu...*

    Entretanto, para surpresa do Anis, o sistema de áudio diz:

    — Substituição do time B de Etofuru...

    Kuon logo arregalou seus olhos, olhando imediatamente ostras o corner onde estava o time de Jason. E surgindo entre os jogadores do time B, eis que:

    — ... sai Sumo Katsumo e entra... Koji Hakiro.

    Hakiro surge, de pé, esboçando vigor e energia. Kuon praticamente surtou, não acreditando no que estava vendo. O humano que havia sofrido a lavagem cerebral por sua irmã estava ali em pé e sadio... que fez questão de encara-lo de volta.

    Todo o ginásio estava impressionado, vibrando. Até mesmo a comissão técnica do time A correu até Hakiro, com o técnico dizendo:

    — HAKIRO?! VOCÊ...

    — Oi, treinador. O senhor formou um bom time... mas eu vou com tudo.

    — Mas... Mas...

    — Hehehe... Eu me recuperei esse período todo e... – Continuou a dizer, olhando nos olhos de Kuon – ... um certo alguém precisa levar uma lição pra casa hoje.

    E a caminho do ginásio estava a mãe de Hakiro onde, pasma, ouviu o locutor da rádio dizer:

    — O antigo pivô, o stringer! KOJI HAKIRO ESTÁ DE VOLTA! O GÊNIO DAS QUADRAS ESTÁ DE PÉ E CHEIO DE SAUDE, MINHA GENTE!

    E como consequência ela partiu a toda velocidade para o ginásio. Juntamente com ela, em seu trabalho na delegacia, o pai dele também tomou conhecimento via um colega de trabalho:

    — Sr Hansen! O Hakiro...

    — Hã?! O que tem meu filho?!

    — Ele... O radialista... Ele disse que ele está de pé e com saúde!

    — COMO É? AUMENTE AÍ!

    E na rádio veio a notícia:

    — Ouvintes, o ginásio do Colégio de Etofuru está quase vindo abaixo de tanta emoção! Koji Hakiro, o jovem que sofreu com a doença da floresta, está de volta! Eu aqui estou até emocionado, sério... Nossa, que notícia! ELE VOLTOU!

    Sr Hansen, sem entender bem, se fez de cético: pegou as chaves de sua patrulha e, a exemplo de sua esposa, seguiu para o ginásio a toda velocidade.

    Voltando ao ginásio...

    Kuon estava imóvel, suando frio. Não parava de olhar para Hakiro, que lentamente caminhava para até próximo do Anis. A cada passo que o humano dava, muitos dilemas eram levantados nas mente de Kuon, mas não havia tempo para refletir. Logo Hakiro, a frente de Kuon, diz:

    — E aí, Kuon. Como você tá?

    — Ha-hakiro...

    — Caraca... tá até sem palavras, não? Eu estava vendo o jogo... Bem, decidi fazer parte dele agora. Algo contra?

    — Mas como você...

    — Ah você fala do “acidente da floresta”, né? Sabe, aquela “doença” maldita sumiu... e eu voltei a treinar bem... E agora estou aqui pra me divertir... – Continuou dizendo, aproximando sua boca próximo ao ouvido de Kuon e falando baixo – ... então se prepara que tu vai perder as pr*gas, filho da p*ta.

    Kuon, precisamente naquele instante, percebeu definitivamente que algo não previsto por ele estava prestes a acontecer. Ainda dominado pela dúvida, mal conseguiu perceber que Karashima Kadeiko, irmão de Kenta, estava falando com ele:

    — Capitão, vamos... O jogo vai continuar.

    — Hm... - Limitou-se Kuon, ainda pensativo.

    — Capitão? Ei, o que houve?

    — Hm... Nada. Eu estou bem...

    — Então porque está assim, paradão? Vamos, iremos terminar logo com...

    — Karashima...

    — Sim? O que foi?

    — Jogue a sério... e diga isso aos outros.

    — Jogar a sério?! A gente em ritmo de treino vai arrematar facilmente e...

    — JOGUE A SÉRIO! – Disse Kuon, gritando.

    — Ei... Qual foi, capitão?!

    — Jogue a sério... é uma ordem.

    O tom das palavras de Kuon soou como preocupação por parte de Kashimura e ao resto do time A. “Porque essa mudança de comportamento?” era o que pensavam. A realidade era que Kuon não parecia muito a vontade e não parava de olhar pra Hakiro. O jogo ainda não tinha acabado e a vantagem do time do Jason não era muita, havendo também o desgaste físico como um obstáculo considerável.

    A partida retornou, com o time de Kuon partindo pra cima. Na defesa dentro do garrafão do time de Jason estavam Yamuro e Kenta, fechados ainda que sofrendo com o desgaste. Os dois tinham um físico invejável e era o expoente de todo o time: eles definitivamente tinham fôlego, mas havia um limite e este era o último quarto. Mesmo com a troca de passes certeiros entre Karashima e Tatshima, a defesa estava mesmo bem protegida, com Jason bloqueando o meio. Kuon, olhando a ordem dos seus comandados, pensou:

    — *O que está acontecendo aqui? Eles deveriam estar esgotados... E mesmo com o Hakiro.... COMO É QUE ELE SE RECUPEROU E EU NÃO FIQUEI SABENDO DISSO?! E porque Kazu... KAZU! ELE SABIA?! MISERÁVEL... *

    A desconcentração de Kuon ficou evidente logo após Wakashiro lhe passar a bola. Percebendo que seu capitão não estava prestando atenção, ele gritou: 

    — CAPITÃO, A BOLA!

    Mas era tarde. Hakiro tomou a bola, correndo a toda para a cesta. Usando de suas velocidade, Kuon foi atrás do jovem, o alcançando.

    — VOCÊ NÃO VAI PONTUAR!

    — Verdade, c*zão. Vai, Jason! – Disse, arremessando a bola contra a tabela da cesta.

    Isso foi proposital para que Jason aproveitasse o rebote e enterrasse com tua a força que tinha. A vibração contagiou todo o time de Jason, que gritaram tão alto para a irritação de Kuon, que ficou imóvel não acreditando no que havia acontecido. O locutor derrubou tudo ainda mais incrível.

    — QUE DEMAIS! DEPOIS DE QUASE UMA DÉCADA A DUPLA DE OURO DE ETOFURU ESTÁ JUNTA E EM GRANDE FORMA! QUE QUE ISSO, MINHA GENTE!? UMA PONTE AÉREA DE PRIMEIRA!

    O placar? 72 x 59. E sim, Kuon olhou para o letreiro e não acreditou no que viu. Eles haviam marcado uma cesta sobre o time titular descansado.

    — *Eu estou vendo isso mesmo?! Eles marcaram uma cesta? Jason... Hakiro... Esses humanos não sabem com quem estão lidando... Não terei pena de nenhum de vocês. Eu vou entregar a vocês a derrota mais humilhante que vocês tiveram em suas vidas medíocres!*

    Retomada a bola, Hitori passou a bola para Kuon e... Ele correu em direção ao time de Jason, driblando a todos com uma agilidade fora do comum, ignorando totalmente a sua condição de Anis. Com movimentos inimagináveis, adentrou ao garrafão. Mas Kenta não deixaria isso barato:

    — Frango, você não vai passar por mim! – Disse, usando de seu porte físico para impedir Kuon.

    Mas foi inútil: Kuon era um Anis e, com isso, sua força era maior: ele subjulgou Kenta em seu próprio físico, ganhando no alto a “quebra de braço”, enterrando com fúria. O locutor logo deu o tom:

    — PELO AMOR DOS MEUS FILINHOS! O QUE É QUE EU VOU DIZER LÁ EM CASA?! KUON ENTERROU... ENTERROU COM RAIVA DE NERO!

    Até os jogadores do Time A de Etofuru se surpreendeu. A forma individualista de Kuon diz a todos assustados. Era bastante evidente o nervosismo do Anis, que mostrava estar dominado por fúria, encarando cada um dos jogadores do Time B. Retomada a bola, Jason mal pôde fazer algo: Kuon novamente usou de suas habilidades como Anis e interceptou a bola, voltando a pontuar. O placar marcava 72 a 63, com Jason se preocupando com a atitude de Kuon.

    — *Ele deve estar desesperado... Percebeu que não tem o controle da partida e então ligou o f*da-se pra quem ele realmente é. Mas tem nada não, c*zão... A gente vai te colocar com os rabos entre as pernas...* 

    O nervosismo de Kuon não se dava só por causa da situação que estava (a volta de Hakiro foi vista como uma afronta a ele), mas que seu time estava atrás no placar e o tempo já estava em seus momentos finais. Ele, pensativo, se colocou em dilemas:

    — *Eu não consigo acreditar que eles estão mesmo pensando que podem me vencer no meu próprio jogo. Isso é uma ofensa maior que me xingarem. Humanos detestáveis... Como ousaram em pensar nisso?! Eu sou um Anis. Sou eu quem permito o que pode acontecer nesse lugar. Eu vou pegar todas as bolas e acabar com isso eu mesmo!*

    Retomando a bola para a quadra, Jason dessa vez percebeu o movimento de Kuon, que mais parecia um felino de tão sagaz e ágil era. Hakiro recebeu a bola, driblando Kashimura e fazendo trocas de passe com Paladino, que estava bem cansado. Jason , ao notar a aproximação de Kuon, grita:

    — PALA, DÁ A BOLA PARA O HAKIRO!

    Por milésimos Kuon fez uma leitura perfeita, conseguindo recuperar a bola, mas sendo marcado por Kenta, que diz:

    — Aí, frango... Tu não vai passar...

    — Humano fraco...

    — Hã? Mas...

    — Saia da minha frente!

    Uma finta de corpo fez com que Kenta fosse ao chão, perdendo novamente a disputa para Kuon. Mas ainda havia Yamuro, que diz:

    — Fim da linha, péla saco!

    — SAIA... e se entregue ao chão, humano!

    — Mas o que...

    Durante o incrível salto de Kuon, ele venceu também a disputa contra Yamuro, conseguindo enterrar. Com o placar a 72 a 65, era preocupante a situação. Com Kenta ajudando Yamuro a se levantar, Paladino, cansado, diz:

    — Esse cara nem parece humano...

    — Tem algo errado... – Disse Yamuro, ainda tonto – Ele está mais rápido e mais forte... Parece até outra pessoa...

    — Ele me venceu... No físico! Cara, isso foi f*da...

    O jogo se aproximava do fim. Kuon estava olhando para o time B como se fossem suas presas. Com Kenta colocando novamente a bola em jogo, dessa vez Jason e Hakiro passaram a tomar as rédeas da jogada. Trocando passes curtos, conseguiram envolver Tatshima e Hitori, com Paladino o meio distribuindo sua posição em quadra. Mas Kuon parecia dominado, ignorando seus jogadores e indo ao encalço de Jason, que logo passou a bola para Hakiro. Isso não foi o suficiente, pois o Anis o encurralou. De costas para ele, sendo pressionado, Hakiro diz:

    — Tá acabando o tempo, né? Você deve estar com o ** bem ardido pelo visto...

    — O que pensa que está fazendo, Hakiro?

    — Ora, mas eu já disse...

    — Isso não deveria ser assim... Vocês todos serão destruídos.

    — É mesmo? O tempo tá passando, seu m*rda. Tic tac... Tic tac...

    — Seu desgr...

    A conversa não passava de uma distração, com Hakiro executando um passe por baixo das pernas de Kuon, direcionado a Jason, que toma a bola e se preparou para arremessar. Mas antes que pudesse fazer algo, Kuon novamente o confrontou, impedindo o arremesso. Mas também era um blefe: Jason passou a bola para Paladino, que arremessou em seguida.

    Porém naquele instante todos perceberam que Kuon estava indócil: ele executou um inesperado salto, de natureza fora do comum, pegando a bola em seu apogeu, e arrematando dali mesmo para a cesta... de três pontos. E foi efetivo.

    Placar: Time B 72 x 68 Time A

    Mesmo com Hakiro inteiro as habilidades de Kuon eram abissais, destoando do resto de todo o time. E ele não estava tomando cuidado algum com isso. Abertamente o Anis demonstrava seus poderes sem cerimônia. E em seu pensamento, Kuon deu essa ideia:

    — *Como se eu fosse mesmo permitir que vencessem. Devem estar preocupados por eu estar mostrando parte dos meus poderes assim pra todos. Ingênuos são... Eu sou Kuon Haruka. Sou eu quem defino as coisas por aqui e vocês são meras peças de xadrez... Puros peões que são os primeiros a cair. Vocês podem ver isso como um jogo idiota ou uma recreação... Eu vejo como uma possibilidade de aumentar minha influência. Mantenho as coisas assim para o bem de todos... A MEU MODO!*

    Havia um pouco mais de um minuto até o fim do jogo, tempo suficiente para que Kuon decretasse sua vitória. Isso se acentuou ainda mais porque enquanto pensava, arremessou mais uma bola, convertendo novamente. Com o placar a 72 a 70 para o time de Jason, o capitão e treinador de olhou para cada um de seus comandados e pensou:

    — *Chegamos muito longe, no momento que eu imaginava que fosse acontecer... Hora de lançar nossa última peça... E deixemos que o imponderável permita nossa vitória...*

    Ele então levantou sua mão, dizendo:

    — TEMPO!

    Dito e feito. Era chegado então a reta final do jogo que tanto esperavam. Porém tudo estava indo para um lado totalmente favorável a Kuon. Com todos os jogadores sentados tentando descansar o pouco que podiam, Jason diz:

    — Gente, chegou o momento.

    — Jason, eu não aguento mais... – Disse Kenta, praticamente esgotado – ... Seja lá o que você planejou pra esse final, é bom que seja pra que vencemos. Empatar é como perdermos.

    — Não, Kenta... Iremos vencer. Mas eu quero fazer um pedido a todos vocês.

    — O que seria? Perguntou Sumo.

    — Um último grande esforço.

    — Ficou louco? O Kuon está possuído por algum espírito do capitoto, todos nós estamos mortos de cansaço... Só um milagre, Jason... Só um milagre... – Disse Yamuro, tomando água.

    — Nós não vamos mais nos defender. Iremos partir para o ataque. Só nos resta isso.

    — Jason? Tipo, você está mesmo certo disso? – Disse Hakiro, confiante.

    — Sim, meu velho amigo. Como nós três combinamos.

    — Esperem... “Nós três”? – Perguntou Paladino. 

    — Sim. Esse é o plano final... e espero que funcione.

    O tempo era pouco. E o resultado da partida ainda estava indefinido.

    E no lado de Kuon...

    — IMPRESTÁVEIS!

    O Anis capitão do time A de Etofuru estava extremamente irritado com o desempenho do seu time durante a entrada de Hakiro. O treinador logo diz:

    — Kuon, eu não vou permitir que...

    — Treinador, o desempenho deles foi muito abaixo do esperado. Eu precisei usar tudo de mim pra termos uma possibilidade de vitória.

    — Mas não tem direitos para chamá-los de imprestáveis. Hakiro e Jason eram os melhores jogadores de Etofuru. Sabem jogar juntos. E há algo bastante diferente no time B. Ninguém conseguiria suportar tanto tempo jogando sem parar. Mas eles estão de pé... e unidos.

    — Isso não é uma justificativa válida, treinador! Mas tudo bem... Eu consegui salvar o time. Eu como sempre precisei usar todas as minhas energias pra termos chances... Então agora só precisamos de duas cestas. Vamos fazer isso e liquidar logo com esse jogo enfadonho.

    Um clima pesado tomou conta do time de Kuon, que voltou a quadra receoso com seu capitão. Comportamento agressivo que ele estava apresentando não foi bem recebido, mas mesmo assim os jogadores tomaram suas posições, aguardando o time B.

    Mas era uma noite de surpresas, as quais Kuon não poderia prever. E eis que todos se surpreendem com o anúncio do sistema de áudio do ginásio:

    — Substituição no time B de Etofuru... Sai Paladino Katsumo...

    Com isso Kuon tinha ciência que o cansaço era um grande vilão do time de Jason, mas se surpreendeu com:

    — ... e entra Kazu.

    — O QUE?! – Gritou Kuon, bastante surpreso.

    Kazu havia retirado seu agasalho, estendo a com o uniforme do time B de Etofuru por baixo o tempo todo. Ou seja, Jason tinha planejado tudo isso. Mas havia um porém:

    — Isso... Kazu... Ele não sabe jogar basquete – Disse Shizuka, escondida de toda a multidão, do alto do ginásio.

    Se unindo ao time, Jason diz:

    — Kazu, já sabe o que fazer.

    — Pode deixar.

    Não satisfeito só com o retorno de seu amigo Hakiro, Jason também trouxe Kazu ao time, mostrando a Kuon que estava mesmo com uma estratégia bem planejada. Mas não havia tempo para preferem. O jogo estava no seu fim, com posse de bola para Kuon. Bastou o início e Kuon receber a bola de Karashima para que ele fosse correndo em direção a cesta. Jason logo interveio na marcação, sendo driblado sem maiores dificuldades, assim como Hariko. Kenta, exausto, e Yamuro, pior ainda, nada puderam fazer, com Kuon enterrando do mesmo jeito, sem nem precisar de ajuda de seus comandados. E como Shizuka disse, Kazu não sabe jogar basquete.

    O empate enfim chegou. 72 a 72 e com poucos minutos para o fim do último quarto. A satisfação no rosto de Kuon era visível. Mas Jason estava tranquilo, com a posse da bola. E com isso o último lance... pois restavam somente trinta segundos.

    É chegado o momento decisivo.

    Jason colocou a bola em jogo novamente, passando para Hakiro. Todo o time de Jason foi para o ataque. Kenta e Yamuro ficaram no meio da quadra, servindo como líberos. Jason e Hakiro agiam juntos, com Kazu sobrando. Tentando infiltrar na marcação implacável de Wakashiro e Hitori, com Tatshima impedindo qualquer tentativa de ponte aérea. Kuon estava no centro da quadra, aguardando o movimento do time B. Com Jason driblando a bola, ele pensou:

    — *Eles estão todos fechados... Não dá pra infiltrar... Se formos para a prorrogação iremos perder... e o plano não vai funcionar... Só tem um jeito...*

    Com o relógio como adversário além da quadra, Jason recuou a bola para Kenta. Porém, ele cansado, não pôde fazer muito quanto a Kuon, que conseguiu interceptar, sob os olhares desoladores dos dois defensores.

    — DROGA!

    — CORRE, KENTA! – Gritou Yamuro, correndo em direção a Kuon.

    Junto ao atacante estava todo o time A, esperando para dar assistência para seu capitão. Sem poderem fazer nada, Kenta e Yamuro ficaram pelo caminho, deixando toda a quadra para Kuon pontuar. Ele, já mais calmo, pensou:

    — *Como as coisas devem ser... Vocês tiveram uma oportunidade, mas eu sou o que isso sair vitorioso.*

    E durante seu vôo, a fim de querer enterrar mais uma bola, Kazu apareceu durante seu pulo, dizendo:

    — Olá, Kuon.

    — Hã? Mas o...

    Após o breve diálogo, Kazu roubou a bola de Kuon, passando como uma flecha para Jason, que gritou:

    — KENTA... YAMURO... É AGORA OU NUNCA!

    Os dois defensores, mesmo exaustos, correram para o ataque, gastando as últimas forças. Com os defensores Wakashiro e Hitori fechando o meio, restou a Karashima intervir ante seu próprio irmão e Tatshima logo fechou o meio. Com todos correndo, Jason logo ligou para Kenta a bola, com Karashima dizendo:

    — Você não tem como passar por mim, mano!

    — Ah é mesmo?

    — Tu tá cansado!

    — Dane-se! Vai, Yamuro! – Disse, passando a bola para seu amigo.

    Yamuro correu com o povo que tinha. Conseguiu ir além, sendo marcado por Hitori. Sabendo que não podia parar, insistiu mesmo sem condições e, por ter se esforçado, logo sentiu uma contusão, fazendo com que fosse ao chão. Mas antes disso passou a bola para Jason.

    — VAI, JASON!

    Kuon, ao aterrissar, logo correu contra Jason, mas não contava com Kazu, que passou a disputar espaço com ele.

    — KAZU!

    — KUON!

    — VOCÊ É UM TRAIDOR!

    — Não... Eu estou jogando basquete... e adorando!

    Jason estava esgotado. Já não aguentava dar nenhum passo. Olhou para todos os lados e não conseguia raciocinar. Era o momento chave e não teria volta.

    — *Eu estou cansado demais pra pensar... Eu dei o meu melhor... assim como meus amigos... O plano envolvia isso e... Bem, terei que lutar contra o imponderável... e que consigamos... vencer!*

    Com um pouco menos de cinco segundos restantes, Jason arremessou a bola, que lentamente seguida para a cesta. Todos então olharam atônitos para a esfera, que seguia sua parábola até o alvo. Mas por Jason estar cansado, sua precisão não foi das melhores, com sua bola batendo na tabela. Mas, como que por mágica, Kuon apareceu, já prestes a pegar a bola. Mas antes que o fizesse, por trás do Anis surgiu o único jovem daquela noite com fôlego suficiente para correr vinte metros e ter impulsão suficiente para saltar a uma altura de um metro e meio do chão: Hakiro interceptou a bola antes do confiante Kuon e enterrou a bola com tua sua força, gritando em seguida:

    — VAI PRO SACO, REDONDA! CHUPA, KUON!

    Uma enterrada espetacular, o que decretou o fim da partida. Com o alarme tocando, uma explosão de gritos inflamados foi ouvida por todo o ginásio, com o time B de Etofuru caído e cabisbaixo e com Kuon não acreditando no que aconteceu. E o time B, ainda sofrendo sob os efeitos do cansaço, se esbaldaram comemorando. Jason logo correu até Hakiro, abraçando seu amigo. Kenta tratou de levantar Yamuro, se juntando aos outros. Em seguida Sumo e Paladino correram até a quadra, comemorando aos montes a grande vitória que haviam conseguido.

    Era incrível o que o locutor dizia:

    — POR TUDO QUE É DE MAIS SAGRADO NESSE MUNDO! GENTE, O QUE VIMOS AQUI FOI UMA PROVA REAL DE SUPERAÇÃO! DE UMA PARTIDA PRATICAMENTE CONSIDERADA DE EXIBIÇÃO, VIMOS UM TIME FORMADO PELA QUANTIDADE MININA DE JOGADORES VENCER UM TIME INTEIRO! ELES VENCERAM, GENTE! O TIME B DE ETOFURU FEZ UM MILAGRE!

    Ninguém deixava o ginásio. Muitas lágrimas eram vistas nos olhos de todos presentes, até dos derrotados, com exceção de Kuon. Ele ainda não havia entendendo o que aconteceu.

    — *Isso... Isso o que aconteceu... É real? Eles venceram e... eu perdi? Não... Isso não pode estar acontecendo...

    E para afrontar ainda mais, eis que Jason apareceu, dizendo:

    — Boa partida, Kuon.

    — Jason...

    — Aqui... Minha mão. Nada pessoal, ok? Vocês jogaram muito bem – Disse, estendendo sua mão.

    Kuon relutou por alguns minutos, mas precisou seguir com o protocolo. Sua imagem era tudo que tinha e não queria passar má impressão. Ele, tendo que engolir o orgulho, diz:

    — Parabéns pela vitória, Jason...

    — Valeu! Bem, até mais...

    Após o aperto de mais nada agradável, Kuon olhou Jason indo em direção a seus amigos, voltando a comemorar. Mas o jovem Anis olhou para sua mão novamente, pensando:

    — *Essa sensação... ela me incomoda... me enoja... A derrota. É um sentimento ruim... Um fracasso... Uma queda... Um erro.*

    Kuon sentiu o golpe. Se limitou em seguida a sair do ginásio, sem sequer falar com seu time. O gosto amargo da derrota pelo visto não caiu bem em seu ego inflado.

    Horas depois...

    Num corredor escuro nos prédios adjacentes ao pólo onde se encontrava os tatames de artes marciais, Shizuka caminhava vestindo um kimono. Sentindo que estava sendo seguida, logo disse:

    — Kuon... apareça.

    E era mesmo de fato o jovem Anis. Sua irmã então continuou:

    — Como se sente sendo um fracassado?

    — Cale-se...

    — É uma sensação ruim. Você tem uma sorte de saber o que é isso... pois eu nunca poderei sentir.

    — Shizuka, eu tenho algo a te pedir e, dependendo da sua resposta, também terá permissão.

    — Do que está falando?

    — Iamiko Hawoen. Ela participará da competição de karatê... assim como você.

    — Hm... Ela não terá chances. Eu vencerei, você sabe disso.

    — Sim, mas eu tenho um pedido...

    — E qual seria?

    — Esses humanos... No dia de hoje um deles ousou em tentar nos desestabilizar. Creio que devemos dar-lhes um choque de realidade...

    — Hm... O que você quer?

    — Iamiko Hawoen... Uma simples derrota não os ensinará nada.

    — Então... você me permite fazer...

    — Sim, cara irmã. Faça-a sofrer... sem pena nem misericórdia. Do jeito indetectável que só você sabe fazer.

    — Que assim seja.

    Continua.


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