The Last A: O Último Anis

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    14
    Capítulos:

    Capítulo 16

    Prelúdio: dia a dia em Etofuru

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Para entendermos melhor o transcorrer da vida dos demais personagens, será mostrado nesse capítulo seu cotidiano.

    Espero que gostem.

    Boa leitura.

    De acordo com o capítulo anterior, então o plano de Jason finalmente é colocado em prática e o resultado foi além do esperado. Hakiro não somente se lembrou de tudo como fará questão de seguir com a estratégia de seu amigo de longa data. Porém haviam algumas coisas que ambos sabiam que poderia trazer problemas. Sentados a um pequeno sofá antigo nas dependências do prédio abandonado do colégio, Jason diz:

    — Cara... Você não vai poder aparecer assim para seus pais.

    — O que? Você tá louco? Meus pais vão ficar muito felizes em saber que estou de volta.

    — Não, cara... Se isso acontecer do nada com certeza vai dar problema.

    — O que propõe, Jason? Essa história tá estranha bagarai...

    — Faça de conta que está do mesmo jeito.

    — O que? Você quer que eu finja ser cadeirante? Cara, isso é muito errado...

    — Calma. Tem um sentido nisso.

    — Tá... Explica aí.

    E essa conversa perdurou por alguns minutos. Logo trataram o que japonês tinha pensado e retornaram ao pátio, onde lá estava a senhora Natsumi Hakiro, a mãe do amigo de Jason. Uma mulher aparentando estar na casa dos quarenta anos, tinha uma beleza estonteante. Seu lindo cabelo curto de cor azul, com um corte estiloso, contrastava com seus belos olhos verdes. Usava um vestido vermelho como se fosse um uniforme de seu trabalho. Ela, um pouco preocupada, se aproxima dos jovens e diz:

    — Minha nossa... Já fazem mais de dez minutos que estou esperando aqui. O que houve com... Espera. Eu me lembro de você, garoto...

    — Olá senhora Hakiro. Sou eu, Jason Hawoen. Eu voltei para Etofuru.

    — Jason? O Jay?

    — Sim, ele mesmo.

    — Nossa, a quanto tempo. E você cresceu... Se tornou um belo rapaz.

    — Obrigado. A senhora sempre foi bonita, eu me lembro. Hehe.

    — Ora, que gentil da sua parte. Vejo que já sabe sobre Hakiro.

    — Sei sim... Ele faz parte do meu time agora. Time de basquete.

    — Hã? Mas do que você está falando?

    — Eu formei um time B de basquete. Meio chapa aqui faz parte do time. Eu o chamei.

    — Mas Jason... Você sabe que...

    — Ele é importante para o time, jogando ou não. É isso que a senhora precisa saber.

    Não foi preciso pensar muito para a senhora Hakiro ter entendido o que Jason queria dizer. Ela, compreensiva, diz:

    — Eu entendi, Jason. E lhe agradeço de coração do que está fazendo para meu filho.

    — Não, tudo bem. Ele é meu chapa, a dupla infernal do colégio de Aplicação de Etofuru está de volta, Hehehe!

    — Bons tempos... E... Bem... Eu sinto pelos seus pais...

    — Obrigado. Mas eu nunca estou sozinho.

    — Entendo, Jason... Nossa, um dia desses você deveria ir lá em casa... Hakiro com certeza iria gostar da sua presença.

    — Mas pode ter certeza que irei visitá-los.

    — Meu marido disse que tinha se encontrado com um Hawoen mas não imaginava que fosse você. Gostei de saber disso. Koji (Hakiro) vai adorar receber sua visita.

    — Hehehe... Bem, preciso ir. Cuida bem do Hakiro, tá?

    — Pode deixar. E obrigado... Ah a propósito, onde vocês tinham ido?

    — Ah bem... Tipo, Hakiro ficou com vontade de ir ao banheiro e...

    — Ah entendi... Bem, obrigado mais uma vez. Até a próxima, Jason. Como foi bom te ver.

    — Até, senhora.

    Antes de ir, aproveitando o momento que a sua mãe estava ajeitando sua cadeira no carro adaptado, Hakiro sinalizou positivamente com seu dedo, mostrando que de fato iria seguir os planos de Jason. Em seguida logo partem a carinho de sua casa, com Jason olhando para o veículo, que sumiu ao virar em uma curva. Em seguida o jovem, junto a Piece 1, que apareceu ao seu lado juntos depois, começou a caminhar em direção a um ponto de ônibus. Durante a espera, o felino diz:

    — Esse seu plano... É uma pedra de tempo com algo desnecessário.

    — Você nunca entenderia.

    — Você deveria eliminar Kuon. Acabar com esse problema...

    — Ele vai perder tudo que conquistou no colégio. Isso é uma derrota muito maior que uma simples luta. Atingir os seus inimigos onde dói mais é uma estratégia muito melhor. E além do mais, é muito divertido.

    — Divertido? Como algo assim pode ser divertido?

    — Jogar basquete é divertido, Piece 1. E irei derrotá-lo no seu próprio jogo.

    — Tolo. Deveria eliminá-lo o quanto antes. Ele é um Anis. Será que não entende?

    — Os tempos são outros, Piece 1. Kuon não quer dominar o mundo. Ele é esperto, está dentro do que o mundo se tornou. Se você tem influência você tem poder. Vou tirar isso tudo dele e dar a todos o poder de fazer o que quiserem sem que ninguém imponha o que devem fazer.

    — Mantenho-me com a mesma opinião.

    — Gato maluco... Fica na sua, tá?

    — Humano tolo. Vai ser arrepender do que está fazendo...

    Não demora muito e o ônibus que Jason tento esperava para ao ponto, com o jovem embarcando com destino a sua casa.

    O que Jason tratou com Hakiro? Como o jovem irá levar sua vida agora, já que recuperou totalmente sua memória e seus movimentos? Era um pouco cedo para sabemos e pelo visto só o tempo dirá. Mas é sabido que se Hakiro tinha voltado a si e que se Kuon tivesse esse conhecimento com certeza uma confusão seria generalizada.

    Enquanto isso...

    Arredores do centro de Etofuru, noite.

    A noite na cidade de Etofuru estava aconchegante. Com um temperatura próxima aos 23°c, o clima ajudava para uma veja caminhada ou um passeio ao bosque. Alguns restaurantes estavam movimentados, com pessoas jantando e comendo pizza junto a amigos. Música também era ouvida, pois a cidade era famosa pelos karaokês em alguns estabelecimentos. Mas, embora fosse algo um pouco raro, o romantismo continuava a acontecer.

    Sentados a um banco em uma praça, estavam Sumo e Lupa que, preocupando o jovem, diz:

    — Sumo... Posso lhe fazer uma pergunta?

    — Hã? Claro, Lupa. E tipo, desde que nos encontramos aqui, notei que vive está bem distante.

    — É sobre isso que quero conversar com você.

    — Bem, diga.

    E ela, se virando para Sumo, o olhou nos olhos. O jovem logo pode ver novamente que os lindos olhos cor de mel de Lupa eram bastante expressivos. E antes que ela pudesse dizer algo, ele diz:

    — Lupa... Me desculpe mas... Seus olhos... Nossa... Como você é linda... – Disse, enquanto acariciava carinhosamente o rosto de Lupa.

    — Sumo... Não faça isso...

    — O que, Lupa? Pode dizer o que você iria dizer. Só estou te fazendo carinho... Você é linda...

    — Sumo, e se eu te dissesse que não sou o que aparentou ser aos seus olhos?

    — Hã? O que está dizendo, Lupa? A minha frente eu vejo uma linda jovem que conseguiu me cativar só no olhar. Você é mesmo poderosa, sabe? Hehehe...

    — Eu sou... Eu sou um monstro, Sumo.

    — Hã? Você é louca? Nunca. Ei que sou um monstro. Eu não te mereço, sabe?

    — Não entendo... Porque você seria um monstro?

    — Eu que não entendo você. Uma monstro? Não... Lupa, você é a garota mais velha e gentil que eu conheci. Tipo, não vou negar que foi estranho nosso primeiro encontro, mas você fez o que fez na maior sinceridade possível. Acho que poderia dizer que você estava pronta para fazer o que fez e eu não, hahaha!

    — Sumo... Eu não sou... humana.

    — Eu também não.

    Os belos olhos de Lupa logo se arregalaram depois de ouvir o que Sumo disse. Ela, sem entender, diz:

    — O que você é?

    — Sou um monstro. Eu não estou a par da sua beleza e pessoa. Eu sou grosso, possessivo, me irrito fácil... Você só tem qualidades, Lupa. Eu sou o errado aqui.

    Lupa estava dizendo a verdade, mas percebeu mas palavras do rapaz que o conhecimento da palavra “monstro” tinha significados diferentes. Ela então pensou:

    — *Ele... Esse humano... Ele disse essas coisas... Como Jason disse... “não se inspirar no pior ser humano...” O que Sumo disse é isso? Ser tudo isso que ele disse é ser um monstro? Eu... Eu estou confusa... Eu deveria ter matado aquele humano chamado Jason, mas... O que estou sentindo? O que é esse sentimento? Eu sinto que... Sinto que eu sou incapaz... incapaz de entender... Isso é ser um humano?*

    Percebendo mais uma vez o olhar distante de Lupa, Sumo diz:

    — Ei! Lupa? Aqui é Sumo, responda! Estamos na terra.

    — Hã? O que...

    — Você ficou paradona aí do nada. O que você ia me perguntar?

    — Eu... Bem... Sumo, posso ser... é... ser... sincera?

    — Diga, Lupa. Pode falar.

    — As últimas horas foram muito impactantes pra mim...

    — Porque?

    — Eu discuti com uma pessoa... Se é assim que se deve dizer.

    — Hã? Lupa, como assim? Alguém te bateu, ou...

    — Não... Tranquilize-se... Esse alguém não me agrediu fisicamente, mas suas palavras me deixaram muitas feridas...

    — Me diga quem foi! Eu vou ferrar com esse mané!

    — Sumo... Não. Eu tenho sentimentos os quais não tenho conhecimento... Eu senti muitas coisas novas e... Eu não sei lidar.

    — Lupa, a forma que você fala... É quase como se você não soubesse como se comportar. O que aconteceu, Lupa?

    — Esse alguém... Ele me disse coisas... Ele me mostrou como é ser um... humano.

    — Lupa, isso é um enigma ou coisa do tipo? Porque está dizendo isso?

    Ela, abraçando Sumo e apoiando sua cabeça em seu ombro, diz:

    — Me diga, Sumo... Me diga sem fazer perguntas... O que é ser um humano?

    — Lupa, olha...

    — O que é ser um humano?

    Sumo, ao sentir o tom da fala sincera de Lupa, não pensou em nada a não ser responder a pergunta. Ele, de forma séria, diz:

    — Ser um sobrevivente.

    — Sobrevivente?

    — Sim. Vivemos em um mundo caótico, com pessoas da mais variadas culturas. Não tem como agradar a todo mundo, seja você uma pessoa ordeira ou agressiva. Nós com o tempo vamos nos moldando naquilo que a gente se espelha. Isso pode ser com nossos pais, amigos, professores, colegas de trabalho, religiosos etc...

    — Sumo...

    — Onde eu quero chegar: ser humano é ser um sobrevivente. E isso não envolve só o físico: nossa mente quando adoece também sofre muito. Buscar o equilíbrio é algo da natureza humana: o prazer em viver. Se sentir feliz, ter alegria, fazer coisas que dão prazer etc. Isso é ser um humano. Viver e sobreviver pra aprender mais e mais e procurar a felicidade.

    Lupa parecia entender um pouco as palavras que o jovem dizia. Na verdade, embora Lupa estivesse confusa quanto a tudo que Jason lhe disse non casarão abandonado na floresta de Etofuru, Sumo contribuiu para um melhor entendimento.

    — *Sumo... Você conseguiu mesmo me mostrar... Eu entendi mesmo o que você disse? Ser um sobrevivente... Eu venho sendo isso a muito tempo... Desde Ethan... Na minha mente... Ele perde força e você... ganha muito mais...*

    E mais uma vez Sumo foi obrigado a chamar atenção de Lupa, que voltou a olhar distante.

    — Lupa, tá fazendo isso outra vez?

    — Ah... Sumo...

    — Sim?

    — Qual seu nome mesmo?

    — Hitao. Mas porque isso?

    — Seu nome... é o que você é.

    — Hum... Faz sentido. Bem, é isso mesmo. Hitao, pelo que meu pai disse, foi o nome de um famoso samurai.

    — O que isso quer dizer?

    — Samurai? Sou um espadachim, Lupa. Eu prático Kendo. É uma arte marcial.

    — Isso também é ser um humano?

    — Hã? Bem... Também. Ser um humano e fazer o que quer pra ser defender também. Como eu disse, ser um sobrevivente.

    Surpreendendo Sumo, Lupa o abraça com muita força. Expressando um carinho fora do comum, ela diz:

    — Sumo... Me ensine tudo. Me ensine a ser uma humana... E eu lhe darei meu amor a você... como uma humana.

    — Lupa, esse seu abraço...

    — O que foi?

    — Eu adorei.

    — Você gosta de receber afeto?

    — Claro. Porque não? Ainda mais de você.

    — Isso é ser humano?

    — Sim, pode crer.

    A jovem Anis enfim estava tentando fazer entender o que a última noite representou. Jason foi muito duro e lhe disse muitas verdades, ela sabia disso. Mas seu descobrimento sobre a natureza humana a torturava, pois não conseguia compreender exatamente o que era ser um humano. Ela insistiu nessa sua conversa.

    — Sumo... Eu tenho algo a lhe perguntar...

    — Mais dúvidas? Vai, coisa linda... Diz.

    — E se eu fosse um ser diferente? Se eu fosse um animal que sofreu experimentos em um centro de ciências para ter a imagem de um humano?

    Sumo iria responder com uma pergunta, daquelas que você espera por achar certas coisas estranhas. Mas ele recuou, se expressando de outra forma. Parecia que o jovem sabia o que Lupa quis dizer, mas ao jeito dele de entender as coisas. Lógico, Sumo não desconfiança em nenhum instante que Lupa era um Anis. Ele sequer sabia que tal ser existisse. Mas o jovem sabia mesmo escolher muito bem as palavras a dizer.

    — Hum... Lupa, eu não me importo com o que as pessoas tentam ou não serem. Você sendo sincera e sendo você mesma me é o suficiente.

    — Sumo...

    — ... Se você acha que eu vou me importar se você dissesse que tivesse algo de diferente, me desculpe. Eu gosto das pessoas como elas são. Eu adoro viver, Lupa... Você pode ser um pouco misteriosa e, me desculpe dizer isso, “estranha”, mas... Eu adoro seu estilo. Na verdade eu gosto de tudo em você.

    — Sumo, eu...

    — Eu adoro como você segura minha mão, como me abraça... Nossa, sua pele é tão macia. Eu adoro olhar pra você. Você tem uma beleza angelical. Eu me sinto muito bem junto com você e... bem... eu...

    — Sumo... Eu sinto algo que nunca senti por alguém antes... Eu não sei descrever... Eu não tenho ideia do que seja... Eu só penso em fazer uma coisa... que talvez te responda...

    Lupa logo aproximou seu rosto de Sumo, o beijando de uma forma apaixonada nunca antes vista por Sumo, que retribuiu seu carinho. Lupa estava diferente, mais solta e menos preocupada em se esconder da sociedade. Seria Sumo o responsável? Talvez. Mas uma coisa era fato: a jovem Anis estava mudada. E o jovem mostrou que tem personalidade, apoiando Lupa como ela é, sem que ele soubesse de fato que a jovem Anis não era humana.

    Em um outro lugar da cidade...

    Arredores da zona leste de Etofuru, noite.

    A cidade de Etofuru, assim como todo o estado, era um lugar cercado por muito verde. Por ser uma área do Japão distante dos grandes centros, muitas famílias viviam de forma simples, mantendo seus costumes nipônicos. Um deles, bem tradicional, era a prática do taoismo. Uma doutrina japonesa onde se caracteriza tradição filosófica e religiosa, originária do Leste Asiático que enfatiza a vida em harmonia com o Tao (“Tao” = “caminho”, “via”). Por isso muitos tinham o hábito de valorizar vivência em sociedade como um rito, algo que estava vinculado a laços familiares. Sabendo disso, vemos um templo taoista sobre uma colina cercada de grandes árvores, que estava sendo iluminado por várias velas durante o caminho, com uma pequena casa no cume. E lá, vestido com uma roupa de sacerdote, estava Hito ou, como é mais conhecido, Paladino. O jovem estava em um ritual de harmonia, com seus olhos fechados, ajoelhado no tatame enquanto orava. Junto a ele estava uma bela mulher, que também estava trajada para a ocasião. Vestida de Miko, era a mãe de Hito e Hitao (Sumo). Seus cabelos negros eram bem longos e belos, tendo olhos castanhos. Ela, se aproximando, diz:

    — Hito, a cerimônia foi ótima. Você está indo muito bem. Está evoluindo a cada dia.

    — Obrigado, mãe. Eu me sinto muito bem aqui fazer isso.

    — Vejo que você está mesmo ligado ao templo. Me orgulho ao saber que está se empenhando em seguir nossa doutrina.

    — Sempre. Me sinto muito mais disposto a seguir em frente.

    Ela, entendendo que sua voz tinha um tom um pouco estranho, diz:

    — Algo o preocupa, não?

    — É, eu não consigo esconder nada de você...

    — Diga, o que houve?

    — Nós temos um grande desafio pela frente, mãe. As olimpíadas estão chegando e nós precisamos treinar para os jogos.

    — Eu sei que você e seus amigos se sairão bem.

    — Não é bem assim. Nós mal temos um time. E fomos humilhados no ultimo jogo treino.

    — Meu filho, você está desistindo?

    — Não... Bem, não estou desistindo, mas...

    Ela então, olhando para Hito de uma forma séria, se ajoelhou a sua frente, voltando a dizer:

    — Você está desistindo?

    — Não, mãe... Mas...

    — Você está desistindo.

    — Não, eu não...

    — Não foi uma pergunta dessa vez.

    — Hã?

    — Você está desistindo. Você desistiu no momento que pensou em “mas”. Dúvidas, meu filho... Dúvidas o fazem desistir. Você não sabe o que fazer e isso te faz desistir de encarar os problemas com o mesmo empenho que orar.

    — O que a senhora quer dizer com isso?

    — Que você busca nas pedras de tropeços os “mas” de sua vida. Não seja negativo. Sempre dê valor ao que você tem e não ao que você perdeu. Sua derrota é passado agora. Busque a vitória dessa vez. É assim que se encara os problemas. Sem medo, mas com prudência. Sem dúvidas, mas com sabedoria suficiente do que fazer. E sem arrependimento, mas respeitando seus anseios.

    As palavras fortes e diretas de sua mãe eram o que Hito (Paladino) estava precisando ouvir. O jovem se surpreendeu com tamanha desenvoltura de palavras que ela havia escolhido. No mesmo instante, tratou de reverenciá-la, dizendo:

    — Ao Tao... Vossa sabedoria é esplêndida.

    — Agradeço. Continue... com a cerimônia.

    Hito era mesmo devoto de suas tradições, mantendo-se concentrado em seguir com o ritual taoista em seu templo. Jason tinha um forte aliado, um jovem que tinha sua fé como seu alicerce.

    A exemplo dos irmãos Katsumo, os outros membros da equipe de Jason tinham seus ritos.

    Kenta Kadeiko

    Morador do centro da cidade, Kenta nas horas vagas era curador de um jardim próximo a biblioteca da cidade. Sua altura chamava atenção pois era bem jovem e tinha quase um metro e noventa centímetros. Era sempre orientado pelo seu pai, que era um jardineiro. O jovem tinha o interesse de conseguir uma bolsa de estudos em uma universidade aí terminar o colegial, mas seus planos vieram abaixo por causa de seu irmão, além de Kuon, que impediu a sua entrada no time. Kenta nem pôde treinar junto aos outros alunos, pois evitavam chamá-lo para uma simples partida descompromissada. Desde então os dois irmãos Kadeiko vivem com atritos entre eles, seja onde for. Ele então entrou no time de Jason para mostrar seu valor como jogador e ferrar com a vida de Kuon.

    Motoi Yamuro

    Motoi era um jovem que morava no sim da cidade, onde haviam mais prédios. Próximo a sua casa havia uma quadra de atletismo e o jovem tinha como vocação ser um velocista. Viu seus planos frustrados por Kuon, que tinha muita influência no grêmio esportivo do colégio. Por causa disso Kuon fez lobby conta Motoi, o que fez seu treinador o tirar do time de atletismo da escola. Por isso o jovem passou a treinar basquete, sua antiga paixão, e acabou conhecendo Kazu, que o recomendou a Jason. Motoi, por ser um atleta corredor, tem um físico invejável para alguém de sua idade. Sua resistência única era Impressionante: conseguia aguentar longos períodos fazendo exercício, o que o fazia se destacar dos outros atletas. Kazu descobriu isso e o convidou para entrar no time de Jason, a fim de tirar Kuon do “trono”.

    Os cinco jogadores titulares do time B do colégio de Aplicação de Etofuru tinham suas motivações, todas com algo em comum: tirar a influência de Kuon. O jovem Anis controlava o estilo de vida de todos, desde os alunos e seus professores. Era como um tipo de ditadura: Kuon influenciava a decisão de qualquer coisa relacionado ao que acontecia no colégio com relação ao comportamento de todos.

    Claro, havia um sentindo para tudo isso: tanto ele quanto Kazu tentavam manter descrição do que eram. Por terem sofrido para chegarem até Etofuru, foi necessário, no ponto de vista deles, terem controle dos alunos e qualquer um que esteja entre eles. Kuon ficou responsável pelo papel de “influenser” e Kazu agiria como uma “parede”, cercando qualquer pessoa que ousasse ir de frente a Kuon. Mas como manter seu esquema não era livre de falhas, havia um limite e este estava incubido a Shizuka Haruka, irmã de Kuon. Por ser uma garota fria e calculista, ela mantinha vigilância aos alunos que ameaçassem a autoridade de seu irmão. E ela tinha métodos cruéis: apagava as memórias e lembranças de alunos que tinham desafiado Kuon. Muitos simplesmente esqueceram o que aconteceu e até seguiram com suas vidas, mas outros (em especial Hakiro), foram duramente lobotizados, a ponto de até perderem sentidos. Mas Hakiro foi a única vítima grave, ficando paralítico e com problemas neurológicos. Mas com a chegada de Jason tudo isso mudou, o que causou uma mudança de planos por parte de Kuon. Após o jogo treino onde obteve uma acachapante vitória sobre o time de B do Colégio de Aplicação de Etofuru.

    Porém, contrariando o que imaginava, Kuon viu Jason fazer uma manobra ousada: convocou seu amigo Koji Hakiro para fazer parte do time. Claro, sob o ponto de vista de Kuon, ele entendeu que Jason estava novamente o provocando para desestabilizar a opinião do colégio. Pior: isso foi pista além das quatro paredes da instituição, se espalhando por toda a região. E com a aproximação das olimpíadas da cidade, marcou um encontro com Kazu na praça da floresta central de Etofuru. Lá estava ela, já sentado no banco esperando por Kazu, que não demora muito e se senta ao seu lado. Já estando de noite, era ainda mais discreto. Kazu então diz:

    — Muito bem... O que quer tratar? Já imagino que seja sobre o que Jason fez hoje...

    — Também, mas antes... Quero falar sobre você.

    — Hã? Sobre mim?

    — Kazu, não se faça de idiota. A tempos que percebo que está muito próximo a esse humano.

    — E daí? Ele é meu amigo.

    — Espero que você não tenha esquecido do seu papel aqui.

    — Sei exatamente o que devo fazer, Kuon. Não lhe devo satisfação do que faço da minha vida.

    — Você deve sim... Sua vida é a minha vida, assim como a de Shizuka.

    — Escute aqui – disse Kazu, com um olhar sério –, se você me chamou para me ameaçar pode esquecer. Eu sei o que devo fazer, mas não tenho que seguir sempre suas ordens. Estamos juntos nessa, eu não sou seu subordinado. Sou seu aliado, assim como você é o meu.

    — De fato. Porém notei que você nada vez para impedir Jason. Você sabe muito bem que aquele humano fez o que fez para me provocar.

    — Ah deixa eu ver então: você está incomodado com isso, mesmo depois de tentar limpar a mente dele, o deixando vegetar em uma cama de hospital? Acha isso coerente?

    — Isso não é o contexto da situação, Kazu.

    — Como não, Kuon? Você fez isso! Nada vai apagar. E sabe o que Jason fez? Nada. Ele aceitou numa boa e não espalhou que somos Anis pra ninguém.

    — Parte de uma estratégia, você sabe.

    — E daí? Você também tem estratégias, tem a escola toda na sua mão, tem influência em tudo. Praticamente todas as atividades do colégio passam por você antes de se concretizarem. Porque essa preocupação toda?

    — Eu não gosto do Jason. Ele é uma ameaça a todos nós e você sabe disso. Assim como eu, você também pode ser prejudicado. Ele vai seguir com a vida patética dele nesse mundo e nós podemos sofrer ainda mais do que passamos. Não se esqueça disso: nós não somos como eles. Nós somos superiores e devemos preservar essa soberania.

    — Kuon, qual é o seu problema? Você vive em um mundo diferente do meu. Tá certo que eu mantenho mina lealdade aos nossos ideais, mas você na maioria do tempo age como se fosse o líder aqui, o dono do pedaço. Eu estou seguindo minha vida como a de um humano, aproveito da melhor forma possível. Na boa, não quero me meter na sua vida, mas está parando dos limites.

    — O que quer dizer? – Disse Kuon, mostrando irritação em seu semblante.

    — Estou dizendo que você está exagerando nisso tudo. Tu já viu como o Jason está vivendo. Ele está cagando para o que você faz. O cara tá seguindo a vida dele. Se ele te incomoda tanto é por um bom motivo. Você não pode negar isso. Tu até ferrou com a vida dele, usando a Shizuka. Deu errado, não? O que o cara fez? Cagou pra isso também.

    — Kuon, eu não vou deixar que você e...

    — ... Jason está ganhando a disputa com você, Kuon!

    — O que? Como se atrev...

    — Ele está vencendo! Ele está te incomodando! O cara tá te desafiando e quanto mais você bate nele mais ele ganha força! Deixe de ser arrogante e cego pra isso. Jason tá jogando sob as regras. Você tentou usar as suas regras contra ele e veja no que deu. Hoje você se incomoda e ele tira aprendizado disso tudo. Hora de você começar a aprender que pra tudo na vida que se faz tem um retorno, pra bom ou pra mal.

    Kuon iria ousar em dizer mais coisas, mas recuou. Respirou fundo em seguida, meio que aceitando de forma complacente tudo que Kazu disse. E era fato: Jason seguida sua vida normalmente diante todas as dificuldades que Kuon colocava. O jovem Anis, Deus de refletir bem, diz:

    — Eu odeio admitir, mas você está correto.

    — Finalmente um pouco de juízo. Pronto. Foi difícil?

    — Não é fácil aceitar esse fato, mas é exatamente o que está acontecendo. Vê está certo, Kazu. Eu estou deixando essas emoções humanas tornar meu juízo falho. Bem, diante as circunstâncias, devo então mudar minha abordagem ante o assunto.

    — Hã? O que quer dizer?

    — Jason quer fazer disso um show. Pois bem, irei permitir que siga em frente. Não vou me preocupar, não vou esquentar a minha cabeça com suas atitudes. Sou deixá-lo a vontade para fazer o que quiser.

    — E porque demorou para fazer isso?

    — Simples: antes eu queria poupá-lo de tudo isso. Até cometi o equívoco de tentar apagar sua mente, msg vi que isso não foi uma ideia. Como você disse, ele voltou ainda mais forte. Então, a partir de hoje, irei deixar as coisas seguirem como devem. E sabe porque? Porque o fim disso tudo já está definido. Eu não devo me procurar. Ele não tem a mínima chance caso eu simplesmente deixe as coisas fluírem.

    — Kuon, você...

    — Kazu, só estou seguindo sua sugestão. Você pensa que não aprendo com tudo isso. Está enganado. Eu só não queria aceitar que Jason está certo em seguir com sua vida. Eu admito que estava sentindo inveja do humano. Ele ficou mais forte e me desafiou. Isso me incomodou e me cegou. Porém você abriu meus olhos. Pois bem, deixemos as coisas fluírem. E você sabe como isso vai terminar...

    — Kuon, não faça nada precipitado.

    — Precipitado? Se eu fizer o mesmo que Jason estarei sendo precipitado?

    — Não foi o que eu quis dizer.

    — Foi sim. Agora é você quem está cego. Você gosta dele. Mas quer saber? Isso não me importa. Você sabe das suas responsabilidades. Sabe até onde pode ir. Não precisamos nos preocupar.

    — Quanto a isso eu concordo.

    — Bom saber. Bem, acho que já conversamos o suficiente. Obrigado pelas ideias. Até amanhã.

    Kuon, deles de se despedir, seguiu para o interior da floresta. Como esperado, o jovem Anis tinha sua residência no interior da mata densa que alimentava a cidade. Depois de um bom tempo caminhando pela trilha escura, chegou até um lugar que se podia dizer que era inóspito, já que era bem distante de todo o centro. E seguindo entre atrás rochosas, encontrou uma cachoeira que era inacessível a uma pessoa normal. Com um incrível salto, Kuon atingiu o nível acima de uma rocha e, atravessando a cachoeira, adentrou a uma entrada por detrás da queda d’água, levando até um tipo de santuário, pois havia um riacho bem ornamentado, com flores e plantas ao redor e, ao fundo, uma casa rústica, feira em madeira, fugindo totalmente da arquitetura japonesa de construção. Kuon então abriu a porta, entendo em sua aposta casa. Seu interior era simples, com poucos móveis, sendo preenchida sua sala com somente um grande sofá, estantes coberta de livros dos mais variados tipos. Luminárias alimentadas a luz solar iluminavam o lugar. E sentada a sofá, lendo um livro, estava Shizuka. Ela, aí ver seu irmão, diz:

    — Você deveria ir dormir.

    — Não lembro de ter pedido sua opinião. 

    — Não é minha opinião. É um fato. Você não dorme a dias. Eu sinto sua aura pesada e densa.

    — Está preocupada comigo? Vindo de você é algo estranho...

    — Não se engane... Sabe porque estou dizendo isso...

    — Ah eu sei... Não quer perder sua fonte.

    — Sabe muito bem que necessito de energia Anis para viver. Vá dormir.

    — E como saber que não irá me consumir durante meu sono? Deve estar faminta...

    — Me alimentarei quando tiver vontade. Não sou um verme...

    — Se diz... Mudando de assunto, eu conversei com Kazu. Eu estava agindo como um invejoso esse tempo todo...

    — Admirável você admitir isso.

    — Não preciso de sua elogios, Shizuka. Bem, decidi não me preocupar mais com as intromissões daquele humano.

    A bela Anis logo mudou seu semblante ao ouvir as palavras de seu irmão. Ela, olhando para Kuon, diz:

    — Aquele humano... Ele deveria ser eliminado...

    — Tenho a mesma opinião, mas...

    — Odeio quando você diz assim...

    — Jason é um mal necessário. Ele é uma ameaça a todos nós, porém não lhe darei mais o que quer.

    — O que está dizendo?

    — Ele afronta-me para obter vantagem. Agora seremos nós a temos vantagem.

    — Você não está agindo como um Anis. Mate-o.

    — Não posso fazer isso. Você sabe muito bem o porquê.

    — Tudo isso... Esses limites... Essas leis que humanos criaram... Tudo isso me incomoda. Tudo isso é inútil. Nós deveríamos impor nossa autoridade como seres superiores. Eles nos criaram a imagem deles e melhores... Então deveriam estar abaixo de nós, como vermes inúteis que são.

    — Sabe que tenho esse pensamento. Entretanto, há meios de domínio sem apelarmos para atitudes extremas. Não precisamos sujar nossas mãos com o sangue imundo deles. Eles mesmos se destroem com suas leis. Influência, Shizuka. O poder da influência os deixam alienados e entregues a nosso mercê. Feito uma manada. Simples assim. Por isso somos superiores.

    — Eu preferia um meio mais ortodoxo de domínio, mas odeio admitir que você está certo quanto a isso. Muito bem... Deixemos esse humano a vontade, como você quer. Não temos o que temer.

    — Exato. Bem, como sugeriu, irei descansar...

    Kuon seguiu para seu quarto, enquanto Shizuka continuou a ler seu livro. Os dois irmãos pareciam ter atritos, mas se respeitavam na medida do possível. A relação entre os dois era estranha, fato.

    Horas depois...

    Cara de Jason, 22:00 pm.

    Com Jason já em casa, o jovem estava em seu quarto, descansando depois de um dia cheio. O mesmo se diz de Piece 1. Porém o cenário que fomos levados dessa vez foi para o exterior da casa, mais precisamente num anexo a moradia da família Hawoen. Sobre um tatame e vestida com um kimono de karatê estava Iamiko, que treinava alguns movimentos. Era impressionante a preciso te de seus movimentos, executados a perfeição. Desde movimentos básicos a até katas. A jovem já tinha recebido até mesmo o primeiro dan do estilo Shotokan, o qual tinha muito orgulho. Logo, entrando ao lugar, era sua mãe, Azika, que diz:

    — Iamiko, vamos... Já preparei o jantar. Vai tomar um banho e...

    — Mãe, não vê que estou treinando?

    — Já são dez horas da noite, garota. Vamos...

    — Espera. Eu vou terminar o kata e...

    — Não! Você não entendeu? Eu quero você no banheiro. Agora!

    — Ei! Porque a senhora está...

    — Porque você não faz outra coisa a não ser treinar e treinar. Isso não está te fazendo bem. Você precisa pegar leve.

    — Pegar leve? Mãe, a olimpíada vai começar em suas semanas! Como eu posso pegar leve?

    — Porque isso não te faz bem. Você treina o tempo todo. Até no colégio. Seu corpo precisa de descanso.

    — Quando eu durmo eu descanso. Não preciso que...

    — Escuta: sua mente está ficando atrofiada. Você não vai se tornar mais forte forçando o seu corpo além do que ele pode suportar. Iamiko, você precisa fortalecer também a mente e não é com exercícios físicos que vai conseguir isso.

    — Ah por favor, né? Me deixa!

    — Então não acredita? Muito bem então... Quero que me ataque.

    — Hã? A senhora está louca? Eu nunca poderia fazer isso com...

    Iamiko não esperava, mas sua mãe logo lhe aplicou um chute na barriga, com a jovem defendendo no último segundo. Ela, surpresa, pensou:

    — *Minha mãe... Ela... Ela nem ao menos se colocou em base de luta e conseguiu executar esse golpe com precisão. E eu não me defendesse seria atingida em cheio...*

    Azika, mostrando seriedade, diz:

    — Por isso eu disse. Sua mente está atrofiada. Você tem preconceito com seu adversário. Está escancarado que seu espírito está fraco. Quase foi atingida por mim...

    — Mãe, não me provoque!

    — Você se provoca sozinha. Sempre foi assim. Você sempre foi uma granada. Basta tirar o pino e você explode. Como acha que vai ganhar o torneio de karatê das olimpíadas? Vai passar vergonha!

    — Não ouse dizer isso! Eu treinei muito pra chegar onde cheguei e...

    — Ah é? Muito bem... Eu estou um pouco enferrujada, mas aposto que posso te vencer sem dificuldades. Que tal uma disputa de cinco pontos? Quem perder vai lavar a louça. E eu sei que você odeia fazer isso.

    — Eu odeio mesmo! Isso é coisa para meu primo fazer!

    — Não existe nada vergonhoso em lavar pratos. Ele faz isso melhor que você, que deixa os pratos todos embaçados!

    — Ah, não me provoque!

    — Muito bem. Vamos ver então, monstrinho!

    — HÃ?! DO QUE A SENHORA ME CHAMOU?!

    — Monstrinho, sua granada de mão!

    Bem, nem é preciso dizer que a luta seguiu em seguida. Iamiko e sua mãe, que era uma excelente lutadora, sempre treinavam juntas desde que a jovem era uma criança. Com o crescimento de Iamiko da relação se tornou mais próxima, até um ponto de sua mãe se tornar sua melhor amiga e, pasme, rival. Por isso sua mãe, em batalha, sempre a provoca. Mas ela sabia do fato: Iamiko era formidável lutando. Porém seu temperamental explosivo acabava colocando tudo a perder. A jovem perdeu vários campeonatos por ter feito faltas durante a competição, inclusive ter feito duas oponentes sangrarem, coisa estritamente proibida em competições. Claro, ela não fez com intenção, mas sua imprudência limitava seu sucesso e talento. Mas a senhora Azika Hawoen fazia de tudo para mudar esse comportamento dela, lê incentivando mais em ler. Karatê é mais forte na mente que nos pontos.

    O tempo passou em seguida, com todos segurando seus ritos. As duas semanas foram mais tranquilas. A vida colegial de todos os jovens seguiram como o esperado. Os treinamentos de todos foram realizados a exaustão, com todos aprimorando sua forma física. Era enfim chegado o grande dia. As olimpíadas de Etofuru finalmente estavam prestes a começar...


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