The Last A: O Último Anis

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    14
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    Capítulo 14

    Perdas e ganhos

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Depois da noite de discussões, Jason agora vai se preparar para o jogo contra Kuon.

    Como será a partida?

    ?_________________________________

    Nota: descrever uma partida de basquete não foi fácil. Precisei estudar muito o esporte.

    Casa de Jason, madrugada

    Foi uma noite bastante conturbada. Jason pela primeira confrontou um Anis e saiu vitorioso. Mas claro, o jovem usou a melhor arma que podia contra Lupa: as palavras. Depois de sair da casa abandonada onde Lupa e seu pai, Moonsand, Jason foi a encontro de Spark, que o estava esperando na floresta, carregando Piece 1 em seus braços. O clima estava tão estranho e confuso posts o felino que tratou de ficar calado o tempo inteiro, tentando entender o que de fato acontecendo diante de seus olhos.

    Após todo o ocorrido, Spark voltou para a clínica veterinária, para não levantar suspeitas sobre sua natureza, dizendo a Jason que retornasse o quanto antes para sua casa. E os problemas já começaram antes de chegar: sua tia havia ligado para seu celular um pouco depois de terem saído da floresta, morrendo de preocupação. O jovem, ao chegar em casa, precisou ter muita paciência e sabedoria para lidar com sua tia, Azika.

    — Jason, você não pode ser tão irresponsável assim! Já não foi dito que há um toque de recolher imposto pela polícia? Então respeite isso! Andam acontecendo coisas na cidade e estado investigando. Eu não quero que você faça isso outra vez, tudo bem?

    — Tudo bem. Me desculpe.

    — Porque estava a essa hora na rua?

    — Eu precisei ir treinar. Teremos um jogo treino no colégio daqui dois dias. Esta todo mundo se esforçando e...

    — Isso não é justificativa pra você ir treinar a essa hora. Sr quer mesmo treinar, faça isso mais cedo, entendeu?

    — Tudo bem, tia.

    — E esse gato?

    — Ele estava lá na quadra. Teve esse problema com o cachorro da monstrinho e entre deve ter fugido...

    — Muito bem. Então entre, vá tomar um banho e vá dormir. Amanhã você tem que acordar cedo.

    — Imagino que amanhã serei um zumbi...

    — Por sua própria culpa!

    — Tudo bem, tia. Eu entendi...

    Minutos depois...

    Quarto de Jason, 01:00 am.

    O rapaz estava quase dormindo quando Piece 1, que estava até então calado, tentando compreender o que havia acontecido mais tarde, indagou:

    — O que você fez hoje é incompreensível por mim...

    — Vai dormir, Piece 1.

    — Não. Não sem antes você me explicar o que você quer fazer.

    — Olha, se é por causa de eu te resgatar, já aviso que eu odeio injustiça. Eu já tinha noção do que dizer a Lupa. Eu ouvi aquela história toda e coloquei ela no lugar de onde Lupa sempre esteve.

    — Não é só isso...

    — Ah tem o fato de eu querer mudar você...

    — Exatamente. Você não tem noção no que está se metendo.

    — Tenho sim. Você quer dominar o mundo. Mas eu não levo nada disso a sério.

    — Humano...

    — Ah outra coisa... Me chame pelo nome, tudo bem? É Jason! Eu te chamo pelo nome sempre, então eu exijo tratamento igual. E nada de dizer essas coisas de retarda “insolente” etc e tal. Me mostra que você é diferente...

    Mais uma vez Jason colocou Piece 1 contra a parede e da forma mais simples possível. Decerto, o felino teria mesmo de mostrar educação, já que Jason desde sempre o tratou bem. Piece 1 então, reflexivo, diz:

    — Creio que lhe devo isso. Muito bem, Jason.

    — Tá vendo? Não foi tão difícil.

    — Mas isso não muda muito sobre eu querer dominar os humanos.

    — Ah pensa no que quiser. No fim disso tudo vamos acabar amigos mesmo.

    — O que? Como disse?

    — É isso mesmo. Escuta, você deve estar cheio de dúvidas sobre o que eu fiz lá e porque... Como eu disse: eu odeio injustiça e odeio gente insolente. Caso não tenha entendido o que eu quis dizer, eu não tolero choro de perdedor. Seja você bom ou mal, que seja sincero. Você, por exemplo, está sendo sincero com o que quer fazer. Mas eu não te levo a sério. Não tem como levar a sério esse papo de “dominar os humanos”. Cara, isso é muito anos 2000. Já deu. A moda hoje é outra. Ainda que você pudesse, vai dominar que tipo de humano? Psicopatas? Ditadores? Bah...

    — Você deveria escolher melhor suas palavras, Jason.

    — Eu digo o que penso e você terá de aceitar isso. Agora eu preciso dormir. Tenho que acordar cedo pra ir pro colégio e preparar o time para o jogo. Então, boa noite.

    Jason então vira para o lado, se cobrindo em seguida. O jovem praticamente impôs suas regras ao felino que, sem perceber, havia aceitado suas palavras. Embora fosse seguro de si, não conseguiu argumentar de forma contrária com Jason. Voltando a janela, ao perceber que o jovem havia dormido, diz:

    — Não confunda as coisas, humano... Eu não irei mudar minhas ideias. E você ainda faz parte de todo meu plano...

    A madrugada seguiu tranquila, sem maiores problemas. Mesmo depois de todo o embate de egos dessa noite, Jason teve uma boa noite de sono. Havia colocado para fora toda sua angustia ante Lupa e de toda a situação.

    O tempo passa...

    Colégio de Aplicação de Etofuru.

    Ginásio, 15:00 pm.

    Como acordado, Jason e Kuon haviam marcado um jogo treino entre seus times. Com os jovens se aquecendo posts o início da partida, logo Kuon se aproxima de Jason e diz:

    — Então você vai até o fim com isso mesmo, não?

    — Pode ter certeza que sim, péla. Que foi? Está bom medo?

    — Longe disso. Deveria pensar melhor antes que passe vergonha...

    — Isso pra mim é choro. Cuida da sua vida, Kuon.

    — Jason, você nem ao menos tem o número de jogadores mínimo para participar da olimpíada de Etofuru. Lamentável...

    — Conseguiremos jogar mesmo assim.

    Não, isso não está certo... Estou com uma vantagem monstruosa. Não gosto disso...

    — Não quero sua pena, ok?

    De fato, o time de Jason só tinha os jogadores de linha. Eram eles:

    Hito "Paladino" Katsumo (Ala)

    Hitao "Sumo" Katsumo (ala-pivô)

    Kenta Kadeiko (defensor)

    Motoi Yamuro (líbero)

    Jason Hawoen (pivô)

    E no esquema criado pelo capitão e jogador, que era o próprio Jason, seu time era ofensivo demais. Mas pelo visto isso era o planejado desde o início.

    — Estamos num caminho sem volta, péla.  

    E então Kuon chama pelo seu time titular. Eram eles:

    Kuon Haruka (sem posição específica)

    Karashima Kadeiko (ala)

    Tatshima Koja (líbero)

    Wakashiro Matsu (defensor)

    Hitori Moji (defensor)

    Karashima Kadeiko, irmão de Kenta Kadeiko, que era um jovem na casa de seus dezessete anos, alto e com cabelos longos, logo toma a palavra:

    — Então o renegado conseguiu um lugar num time de renegados. Mano, você está desesperado, não?

    — Fica na sua, Karashima. Nós vamos dar trabalho.

    — Esse é o espírito.

    Koja, que era o mais baixo do time A do Colégio, Iana óculos e tinha cabelos curtos de cor castanho, toma a palavra:

    — Kuon está certo. Vocês não tem a mínima chance.

    — Fecha a boca, cara. Tu nem tem tamanho pra chegar na tabela – Disse Yamuro, o colosso do grêmio de atletismo, agora jogador do time de Jason.

    Wakashiro Matsu e Hitori Moji, os dois defensores do time A, logo se manifestaram:

    — Time ofensivo? Haha... Vocês não vão passar nem do meio de quadra. Falei, Moji? – Matsu também provocou.

    — Pode crer. Esses caras perderam a noção do ridículo – Disse Moji, entrando no jogo.

    Sumo e seu irmão mais novo Hitao, mais como gostava de chamá-lo, Paladino, só observavam de longe, de braços cruzados. Mas Sumo, olhando depois para a arquibancada, que tinham poucos alunos, percebeu a falta de alguém.

    — Cara, e a Lupa? Cadê ela?

    — Lupa? A mina que você está saindo?

    — Isso. Ela não veio... Será que aconteceu alguma coisa?

    — Depois você manda uma mensagem pra ela.

    — Ela não tem celular, Paladino.

    — Quê? Mas como?

    — Deixa quieto. Mas eu queria ela aqui pra me ver...

    Os atletas já estavam a postos para começar o jogo. Porém Kuon, mais uma vez, se aproximou de Jason e diz:

    — Jason, com o devido respeito: isso que está fazendo é suicídio. Você não tem reservas. Isso é impraticável. Melhor desistir...

    — Todo mundo veio aqui pra jogar, cara. Ninguém vai desistir.

    — Bem, eu esperava que dissesse isso. Pois bem, eu tenho algo para propor.

    — Hã? O que você quer agora?

    — Não seria uma partida justa. Sendo assim, jogaremos só um quarto do jogo. Porém, para não dizer que estamos sendo injustos, seu time começará já com sessenta pontos de vantagem.

    Todos do time de Jason logo se manifestaram, incrédulos com a proposta do jovem. Jason logo diz:

    — Kuon, o que você está planejando agora? Quer nos humilhar?

    — Não. Estou sendo razoável. Um time de basquete competitivo, na média, faz essa quantidade de pontos em três quartos de partida. Só estou dando essa vantagem porque vocês não tem reserva.

    — Espere. Ele está certo, Jason. Tipo, a gente vai correr um tempo inteiro sem poder sair. No mínimo a gente vai ter um desgaste igual as estivéssemos jogando uma partida inteira. Ele está mesmo sendo razoável – Disse Sumo, olhando para Jason.

    — Entendo... Vocês aceitam essa ideia do Kuon?

    Todo o time foi unânime. Decerto, era uma proposta ideal, tendo em vista que Jason mal conseguiu treinar seu time. Definitivamente era um grande risco jogarem uma partida inteira e, sem reservas, era Impossível. Sendo assim, Jason aceitou a proposta.

    — Tudo bem, Kuon. Iremos aceitar.

    — Ao menos um pouco de bom senso ainda reside em sua mente.

    — Entendi a referência. E morre aqui, ok?

    O treinador do time A do Colégio de Aplicação de Etofuru também aceitou a proposta, mas se manteve sentado a arquibancada. De qualquer forma, era só um jogo treino, sem compromisso algum de tática ou pressão. Isso dentro do que ele via como normal. Com total certeza Jason e Kuon travariam uma guerra de egos durante a partida.

    Já com os atletas perfilados ao centro, o time A do Colégio de Etofuru vestida um uniforme vermelho, enquanto o time B tinha como uniforme a cor preta. Não havia sequer emblema: Jason fez isso em sinal de protesto.

    Pela primeira vez, Jason e Kuon iriam jogar um contra o outro. Com os dois no centro da quadra, o juiz arremessa a bola pra cima, anunciando o início do jogo. No mesmo instante, os dois capitães executam um intenso salto mas, surpreendendo Jason, Kuon pulou muito mais alto, conseguindo facilmente a posse da bola para seu time. A bola espirrada sobra para Moji que, mesmo sendo um jogador defensivo, executou um passe primoroso para Karashima, o ala do time A. A infiltração a área do time B foi facilitado pela falta de entrosamento do time de Jason: ele arremessa, marcando dois pontos.

    O escore marca Time A 2 x 60 Time B. ComCom a marcação falha na área, Jason diz:

    — Gente, fechem mais o meio. O ala deles tem passos largos e joga na malícia.

    — Jason, pode deixar. Vamos fechar aqui – Disse Kenta, voltando com a bola para o jogo.

    O defensor então passa a bola para Yamuro, que conduz a bola pelo meio, entregando a Paladino. O jovem então, driblando a bola, pensava:

    — *Jason, a movimentando deles é estranha... O meio fica livre, mas o garrafão está todo cheio...*

    Ele então passa para o lado, entregando para Yamuro, que segura a bola, olhando alguma infiltração. Numa oportunidade, ele então entrega para Jason que, já familiarizado com poucos espaços, tenta aproximação ao garrafão. Matsu, defensor do time A, era implacável: grudou da marcação, meio que tirando todo espaço em direção a zona de arremesso. Frustrado, Jason pensa:

    — *Eles estão marcando por zona. Vamos... Vai, Sumo... Se infiltra... Vai... Tenha visualizar a jogada...*

    Coma indecisão de Jason, Moji, o outro defensor, se aproximava para colocar pressão na marcação, o que forçou Jason a proteger a bola com seu corpo. O tempo de bola já estava na contagem regressiva em dez segundos. O jovem precisava agir rápido:

    — *Eles sabem mesmo marcar por zona. Meu time não se conhece muito bem ainda... Eles não ficaram leitura do que eu iria f...*

    Mas interrompendo seus pensamentos, eis que Paladino corre paralelo aos marcadores que olhavam para Jason. O jovem conseguiu perceber sua movimentação e, num lance rápido, para a bola milimetricamente calculado. Com os dois defensores grudados a marcação a Jason, Paladino teria espaço para arremessar com segurança de ponto. Porém, de forma inesperada, usando somente uma das mãos, segurando a bola inclusive, Kuon intercepta o passe. Olhando nos olhos de Jason, ele observa Karashima correr para o ataque, passando a bola com facilidades para seu companheiro, que não teve dificuldades de passar por Kenta, marcando mais dois pontos. 04 x 60.

    O tempo de jogo do último quarto estava ainda em 09:20. Em menos de quarenta segundos o time A do colégio já havia feito quatro pontos. Sem esforço algum eles conseguiram impor seu ritmo.

    Kenta coloca a bola em jogo novamente, já ligando para o ataque com Sumo. O jovem então conduz a bola até o meio, encontrando Kuon a frente, tentando marcá-lo. Sumo então olha para frente, procurando alguém livre. Porém, ao fazer isso, Kuon rouba-lhe a bola de forma impressionante, pegando toda a defesa aberta. A frente só havia Yamuro que, fazendo uso de seu físico, diz:

    — Por mim você não vai passar, Kuon!

    — E quem disse que preciso esperar você chegar a mim?

    — O quê?

    Kuon se posiciona de uma forma que iria arremessar, surpreendendo Yamuro, que imaginou:

    — *Ele... Ele vai tentar arremessar de três daqui? Mas ele está no meio da quadra! E eu... Eu não conseguiria impedir que...*

    Dito e feito. Kuon arremessou do meio da quadra, visando a cesta de três pontos, convertendo de fato. Impressionando a todos, inclusive a Jason, o time A marca mais uma cesta, fincando o placar de 07 x 60, marcando 09:07 no último quarto. O jovem capitão e técnico do time que surta:

    — *Ele nem ao menos pegou fôlego e acertou o arremesso daquela posição. Isso foi realmente incrível. O péla sabe jogar mesmo...* 

    Dessa vez a saída de bola foi feita por Jason. Passou para Yamuro, pedindo de volta em seguida. O defensor diz:

    — Jason, o que vamos fazer?

    — Calma. Estamos só no início. Primeira coisa que devemos fazer é marcar uma cesta. 

    — Só isso?

    — Sim.

    Jason então seguiu com a bola até o meio da quadra e antes que pudesse fazer qualquer coisa já viu que todos do time A já estavam no garrafão fazendo marcação por zona, como antes. Mas dessa vez o jovem tomou uma decisão arriscada: conduziu a jogava sozinho, driblando a bola até os defensores Koji e Matsu. Jason mostrou-se arrojado, conseguindo passar por eles usando finta, mas fatalmente perfeita a bola para Loja, o líbero número um do colégio. Sabendo disso passou a bola para Paladino, que correu para dentro do garrafão, já executando um salto para arremessar a bola para a cesta. Porém Kuon conseguiu interceptar a bola antes que pudesse fazer o arremesso, jogando-a no rebote para Karashima, que correu driblando a bola para a área adversaria. Lá encontrou Yamuro, que pressionou sua investida para a linha lateral da quadra. Mesmo assim, com uma finta de corpo, o ala do time A do colégio conseguiu ultrapassá-lo, sendo impedido em seguida por Kenta, que teve hesito no desarme. Finalmente a defesa em si funcionou, com Jason parabenizando seu amigo pela boa jogada.

    Mas não havia tempo para comemorações. Kenta, ao recuperar a bola, a passou então para Sumo, que voltou para a quadra adversária, procurando por Jason. O jovem capitão então se posicionou dentro do garrafão, se movimentando para fugir da marcação. Koji e Matsu logo trataram de observar de uma outra forma Jason, pois estava mais arisco que de costume. Mas Sumo percebeu que seu irmão estava desarmado, puxando uma infiltração pela lateral direita da quadra, causando assim uma abertura no meio. Era a chance que Sumo precisava, seguindo em frente, já tentando o arremesso. Sua confiança era tanta que assim que iria fazer o movimento percebeu que já não estava com a bola. Durante o drible Kuon o desarmou, iniciando um contra ataque terrível, com três dos seus jogadores a postos. Yamuro e Kenta não tinham a menor chance: Karashima e Koja chamaram para si toda a marcação, deixando Kuon livre para marcar outra cesta de três pontos. O placar estava 10 x 60, com o cronômetro regressivo marcando 08:45. Em pouco mais de um minuto, o time A do Colégio de Aplicação de Etofuru marcou dez pontos, fazendo com que Jason pedisse tempo.

    Reunidos no lado oposto, Jason diz:

    — Eu não posso acreditar que estamos deixando que façam o que querem na nossa defesa.

    — O que você quer que façamos, Jason? – Disse Kenta, mostrando cansaço.

    — Cara, se não consegue por bem, tenta por mal: faz falta tática. O que não podemos fazer é deixar que entrem assim na nossa defesa.

    — Falar é fácil...

    — Não, ele tem razão. Estamos em um jogo tenso. Não é um amistoso pra gente... – Disse Yamuro, ofegante.

    — Kuon tem a mão do jogo. Difícil marcar e difícil sair de sua marcação. Ele não é um simples pivô – Disse Sumo, bebendo água.

    — Não é mesmo. Ele é um dos poucos jogadores que se pode ter a liberdade de não ter uma posição fixa. Ele é um “livre”.

    — Livre? Como assim?

    — É um tipo de jogador que se molda de acordo com a situação. É um coringa para qualquer treinador. Porém esse tipo de jogador cansa três vezes mais, pois precisa rodar por toda a quadra.

    — Jason, então é só a gente continuar pressionando até ele cansar. Não vai demorar muito pra ser substituído.

    Porém Jason sabia da natureza de Kuon, olhando então para Kazu. Logo pensou: 

    — *Ele não vai sair. Tenho certeza que meus jogadores irão perceber isso. Pois bem, irei então mirar nos outros jogadores*

    O árbitro então chama os dois times, sinalizando o final do pedido de tempo. Mas ao voltarem para a quadra, Jason e seus jogadores percebem que todo o time adversário havia sido substituído. Agora em quarta tínhamos os jogadores:

    Horizura Tagawa (ala)

    Stoikovic Sarapova (defensor)

    Vladimir Herzog (libero)

    Stewart Amstrong (pivô)

    George Harizuma (defensor)

    Jason ficou surpreso com a mudança, já que praticamente todo o time era formado por alunos de intercâmbio.

    — *Mas o que é isso? Ele colocou todo o banco no jogo. E esses jogadores... Etofuru estreitou mesmo os laços com a Europa...*

    Stoikovic era um defensor búlgaro; Vladimir veio da Rússia; Stuart era um americano e George era descendente de japoneses que morava na Inglaterra, restando o único japonês a Tagawa. A miscelânea de jogadores mostrou que o time A era de fato forte e tinha variedade, coisa que faltava ao time de Jason.

    Retornando ao jogo, Jason logo diz:

    — Muito bem. Hora de virar a chave. Galera, tá na hora de mudar a formação.

    — Ueh, mas já? Vai querer fazer aquilo? – Disse Sumo, surpreso.

    — Sim. Vamos mostrar aos estrangeiros que queremos o time titular!

    O time B havia mudado de posicionamento: se antes tínhamos um forte esquema ofensivo, agora isso se inverteu. Jason foi para a defesa, se juntando a Kenta e Yamuro. Sumo e seu irmão, Paladino, eram os ofensivos. No mesmo instante Kuon, que estava sentado ao banco, pensou:

    — *Vão ficar na defesa? Justo agora? Jason, que patético...*

    Sumo então, na lateral, coloca a bola em jogo, passando a bola para seu irmão. Conduziu a bola até o meio, sendo impedido de prosseguir por Stoikovic. A movimentação do búlgaro era diferente: por ser o mais alto entre os jogadores, ficou de braços abertos impedindo a progressão de Paladino. Vladimir, o mais ligeiro deles, conseguiu roubar a bola, correndo em disparada em direção a cesta. Mas Jason o desarmou com facilidade, passando a bola para Paladino, que estava próximo ao garrafão, dizendo:

    — De três! Tenta!

    Mas como uma flecha, George, surpreendendo Paladino, apareceu a sua frente e estava prestes a desarmá-lo. Mas tudo havia sido planejado: era um engodo. Jason gritou a jogada de propósito para iludir a defesa. Paladino travou a bola para o capitão, que imediatamente lançou Sumo, que estava postos paralelo ao garrafão, infiltrando-se assim que Jason Lee paga a bola por cima, como se fosse mesmo tentar um arremesso: era uma “ponte aérea”, famosa jogada do basquete onde o jogador recebe a bola durante seu salto, fazendo a cesta em seguida.

    Finalmente conseguiram fazer uma cesta. O placar agora estava 10 x 62, com o cronômetro em 08:31. A comoção foi tremenda por parte do time B, pois era uma resposta a alguma possível dúvida da qualidade dos jogadores. Porém, embora ninguém conseguisse perceber, Kuon não gostou do que viu, e pensou:

    — *Idiotas... Levaram uma cesta de uma jogada tão manjada. Pois bem, acho que é hora de acabar com isso. Eu pensei que eles estariam desmotivados, mas Jason conseguiu resgatar o brio deles. Pois bem, hora de lhe mostrar a sua realidade, Jason...*

    Kuon pediu para voltar, pedindo que Tagawa saísse. O jovem japonês bem ao menos teve tempo de fazer algo. Jason, mais animado, logo diz:

    — Sentiu a pressão, né? Sabia!

    — Creio que não saiba o que está agindo, Jason.

    — O que quer dizer?

    — Nós iremos vencê-los.

    — Com essa lambuja que você nos deu, acho que não.

    — Não conte com isso...

    As últimas palavras de Kuon tinham um tom mais sério e tenso que antes. E as coisas pioraram ao ver que Kuon mudou totalmente a formação de seu time: ele colocou uma longa de dois jogadores ofensivos, com Vladimir e Stewart a frente, e duas linhas de defensores, com Stoikovic e George, ficando Kuon totalmente na defesa sozinho. Jason não entendeu o que estava acontecendo:

    — *O que? Mas como? Ele está jogando como líbero defensivo único e adiantou todo mundo*

    Bastou um simples ataque do time de Jason para perceber ao certo o que iria acontecer: cada vez que havia um ataque, Kuon estava lá para defender. Mesmo quando seus jogadores de defesa eram ultrapassados, o jovem Anis interceptava a bola com facilidade. E o pior: a cada contra ataque era uma cesta. O time B do Colégio de Aplicação de Etofuru não conseguiu mais pontuar. O que aconteceu no desenrolar do jogo foi algo inacreditável. Jason e seus jogadores precisaram correr e se esforçarem ainda mais para fugirem da marcação ferrenha de Kuon. O fato era que o jovem estava fazendo valer suas habilidades como Anis: ele não cansava, então era fácil conseguir neutralizar seus adversários. Jason abdicou totalmente do ataque para unicamente tentar evitar algo pior. Quando o cronômetro regressivo marcava 02:35 para terminar, o jogo já estava 52 x 62, faltando somente dez pontos para o time A do Colégio de Aplicação de Etofuru empatar.

    Depois de muito correrem e se esforçarem, os jogadores do time B estavam exaustos. Mesmo com as paradas técnicas para descansarem um pouco não foram suficientes. No fim, o cansaço e as habilidades de Kuon e de seus jogadores prevaleceram: o jogo terminou 77 x 62, com Kuon fechando o jogo com três cestas de três pontos. E lembrando que só foi disputado um único quarto, e com vantagem de 60 pontos para o time B.

    Foi uma surra. O desgaste não foi só físico. O psicólogo de todos estava ferido. E não pareciam feridas comuns. Eram como estigmas: a cura seria demorada. No vestiário o clima era como a de um velório. A realidade era pesada demais para poderem carregar. Embora Jason tenha tentado levantar o astral de todos, era visível o abatimento. Não era uma situação fácil de administrar.

    Depois de todos irem embora, Jason foi o último a deixar o vestiário. No lado de fora estava Kazu, que não estava presente até então. O jovem Anis então disse:

    — Jason... Me desculpe, cara. Não pude vir...

    — Relaxa, Kazu. Tudo bem...

    — Jason, eu soube do resultado e...

    — Sim. Nós perdemos.

    — Mas eu bem que avisei sobre isso.

    — Kuon é um monstro. Ele usou o máximo que poderia usar de suas habilidades como Anis. Eu percebi. Ele nem precisava usar na verdade. Mas usou só pra tirar onda da minha cara...

    — Por isso que insisti tanto para que você não jogasse, Jason. Todo mundo sair daqui triste.

    — Foi doído, Kazu. Eu consigo levar de boa essa situação, mas meus jogadores entraram pra fazer o melhor. Kuon tirou tudo deles.

    — Bem, é o fim...

    — Quem disse isso?

    — Jason, veja bem... Tudo o seu time foi devastado por Kuon. Não piore as coisas.

    — Kazu, você está me dizendo que devo desistir de minhas convicções? É isso?

    — Jason, não torne as coisas mais difíceis...

    — Cara, tu deveria estar aqui pra me dar uma força, uma moral... Sei lá. Mas tu quer me deixar mais pra baixo que já estou. Qual é a sua, Kazu? Você está de que lado?

    — Jason, estou querendo seu próprio bem. Você não tem que fazer nada disso. Não tem que provar nada a ninguém. Você precisa parar de ser inconsequente. Tudo bem você ter atritos com Kuon, só que agora você está envolvendo gente que não tem noção alguma de quem o Kuon é de verdade. Não faça isso com seus amigos. É errado e egoísta.

    Embora Kazu estivesse sendo duro com Jason, havia verdades a serem ditas: Jason estava envolvendo seus amigos na disputa. A dor de ter perdido da forma que foi só não era tão dolorosa por parte do jovem partir ele conhecia a natureza de Kuon. Ninguém em sã consciência iria acreditar se Jason dissesse toda a verdade. Seria o certo então Jason seguir com sua vida?

    Horas depois...

    Casa da família Hawoen, 23:00 pm.

    Deitado em sua cama, Jason somente descansava, enquanto ficava olhando para o teto de seu quarto. Percebendo ajudo de errado no jovem, Piece 1, saltando pela janela e indo até próximo do rapaz, diz:

    — Jason... Sinto aflição em seu semblante...

    — Ah me deixa...

    — Não que eu me importe, mas creio que algo lhe aconteceu...

    — Já disse pra me deixar...

    — Não podia esperar nada diferente de humanos...

    — Ok, Piece 1... O gato overpower... Estou sentido pela derrota de hoje no jogo...

    — Recreações? Patético...

    — Cala a boca, pulguento. Meus amigos estão na bad por causa disso. Não é uma situação confortável...

    — Humanos... Trazem para si anseios por simples recreações.

    — Não são coisas simples. Quando se tem o orgulho ferido você fica tão doente quanto alguém com alguma doença. Machuca, sabe? Como se você fosse um zero, um inútil, um sem valor...

    — Deveria entender isso como uma indireta, mas compreendo sua situação.

    — Eu não sei o que fazer. Amanhã vou vê-los e não sei o que deveria dizer outra trazer todo mundo de volta...

    — Faça o mesmo que fez a mim. Justamente.

    — O mesmo que fiz a você?

    — Embora creio que irei me arrepender do que estou dizendo, se existe alguma vantagem inata em ti é que sempre diz verdades.

    — Pera... Tu tá me dando conselho, Piece 1?

    — Não estou falando nada de mais. É sua natureza. É algo que respeito em você.

    — Mas porque você está me dizendo isso? Está com peso na consciência?

    — Digamos que é só uma retribuição ao que fez a mim. Não acostumo.

    — E porque?

    — Bem... Sendo sincero, você me trouxe de volta.

    — Como assim?

    — Foi uma figura de linguagem. Você me deu uma segunda chance de seguir com meus planos. Uma segunda chance para que eu pudesse voltar e aguardar todo o esplendor dos meus poderes voltarem a eclodir... Porém só o tempo trará de volta...

    Jason, ao ouvir as palavras do felino psíquico, começou então a pensar. Havia algo no que havia dito. Um tipo de mensagem subliminar que ressoou em sua mente como um looping sequencial.

    — *Uma segunda chance... Uma segunda chance... Poderes voltarem a eclodir... O tempo trará de volta... Eu estou entendendo algo nisso tudo... Algo que me motivou a vir pra cá... Havia algo além... Algo bem forte... Tipo, amizade... de longa data... PERA! É ISSO!*

    Ele então vira para o felino e diz:

    — Piece 1, eu poderia te pedir uma coisa? 

    — Como se eu fosse fazer ajudo a ti...

    — Ei! Você me deve uma, sabia?

    — Não lhe devo nada.

    — E esse papo emo seu de “trazer você de volta”? Já se esqueceu?

    — O que está querendo, Jason?

    — Ouça com bastante atenção. Eu quero que...

    No dia seguinte...

    Colégio de aplicação de Etofuru, 18:00 pm.

    O colégio de aplicação era um conjunto de prédios dos mais variados da cidade. Mas antes de ser uma das maiores instituições de ensino daquela região do Japão, tinha instalações mais acanhadas em décadas passadas. Não por isso, num terreno distante dos demais prédios, haviam locais que não eram mais visitados por ninguém do corpo docente, sendo utilizado como depósito de documentos antigos e, em abundância, de maquinários obsoletos, como máquinas de escrever, pianos, computadores e monitores de CRT entre outras coisas.

    E nesse mesmo lugar podia-se ouvir vozes pelos corredores escuros e inóspitos do lugar. Caminhando junto ao felino, adentraram a uma saga isolada, com acústico testado inclusive. Mas não eram somente os dois a entrarem no lugar. Jason estava empurrando algo. Era uma cadeira de rodas, com seu amigo Koji Hariko (que havia sido alvo dos poderes de Shizuka, o deixando paraplégico e com dificuldades cognitivas) sentado nela. E completando a frase de Jason em seu quarto:

    “... que você traga meu amigo Hariko de volta!”

    Continua.


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