The Last A: O Último Anis

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    Capítulos:

    Capítulo 13

    Capítulo 11 - Assuntos pendentes (parte 2)

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    As coisas estão mesmo complicadas para Jason. Mas creio que está com algum plano em mente...

    Minutos depois de toda a ocorrência, Jason e sua prima levam Spark até uma clínica ao sul da cidade de Etofuru. O canino estava ferido, mas não de forma grave. O canino era forte. Deitado em uma cama da clínica, era observado por Iamiko e uma profissional de medicina veterinária.

    — Doutora, ele vai ficar bem?

    — Não se procure, ele vai sim.

    — Que bom.

    — Mas essa noite ele terá de ficar aqui. Essa internação é só para prevenir alguma recaída. Mas amanhã mesmo terá alta.

    — Eu entendo.

    Logo Jason entra no quarto, fazendo companhia a sua prima. Ele, mostrando preocupação, diz:

    — E aí, como está o cão?

    — Entre vai ficar bem. A doutora disse que ficará aqui essa noite.

    — Sério?

    — Mas será melhor assim. Pelo menos sério que estará bem.

    — Entendi. Iamiko, posso te pedir uma coisa?

    — Sim, diga.

    — Tipo, eu não sou lá muito de ter animais mas gostaria de começar do zero. Será que eu poderia ficar um tempo a sós com ele?

    — O que? O que vai fazer?

    — Relaxa. Não vou fazer nada demais. Eu só quero me abrir com ele, só isso.

    — Como assim? Você quer falar com um cachorro?

    — Como eu disse, eu quero começar do zero. Vou me sentir melhor em pedir desculpas, mesmo que ele seja um cão.

    — Bem, eu não esperava ouvir isso de você, mas já que está sendo tão sincero, tudo bem. Eu vou até o banheiro lavar o rosto. Depois a gente se encontra no hall, tudo bem?

    — Ok. Avise a sua mãe que logo estarei com vocês.

    — Tudo bem. Até mais.

    Jason então aguarda sua prima sair para então fechar a porta. Spark, olhando para Jason, diz:

    — Não vai conseguir me matar, se é o que deseja.

    — Cala a boca, Spark. Eu não gosto de você mas não sou covarde.

    — O que quer?

    — O que parece? Vamos resgatar Piece 1.

    — Porque quer fazer isso? Creio que seu interesse é ficar livre de nós. Porque quer fazer isso?

    — Porque essa parada não está certa. Seu mestre é meio maluco, mas...

    — Mas o que? Diga, humano!

    — Isso é entre Piece 1 e eu. É só o que vive precisa saber. Você conseguiria rastrear esse Anis que te agrediu?

    — Talvez. Mas não teria chances em um novo conste no jeito que estou.

    — Mas consegue se levantar?

    — Sim. Mas o que você quer com isso?

    — Vamos resolver isso hoje.

    — Mas porque isso?

    — Spark, tem mais uma pessoa interessada em Piece 1 e creio que tenha relação com esse Anis. Tem uma aluna chamada Lupa que me disse que isso iria acontecer.

    — Lupa? É uma humana?

    — Não, ela é uma Anis.

    — O que? Mas como ela pode estar junto aos humanos?

    — Porque ela tem a aparência de uma.

    — Como os demais, que te torturaram?

    — Isso mesmo. Mas ela não está com eles. E é isso que me preocupa ainda mais. Lupa tentou me intimidar hoje vejo e quer mesmo eliminar o felino maluco.

    — Por Riviera. Tudo isso que me disse... Eu não posso permitir que meu mestre...

    — Calma. Você não tem forças pra lutar, como você disse. Mas eu preciso da sua ajuda pra pelo menos sabermos onde eles estão. Você consegue mesmo?

    — Sim, mas para isso precisaria sair daqui.

    — Eu concordo. Mas não pode ser agora.

    — Como não? A cada minuto que passa, Piece 1...

    — Eu sei. Mas se você sair daqui agora, todo mundo vai ficar sabendo depois da sua falta. Precisa ser quando todo mundo sair.

    — O que propõe, humano?

    — Eu vou te esperar aqui próximo. Você vai me achar. Depois pensamos como agir melhor.

    — Eu concordo. Me aguarde...

    Como combinado, Jason então segue até o hall da clínica, se encontrando com sua prima e tia. Azika, preocupada, diz:

    — Iamiko, a doutora ficará aqui na clínica a noite toda?

    — Sim. Ela é plantonista.

    — Entendi. Jason, a polícia averiguou junto a médica que esse cachorro foi mesmo ferido por outro animal. Menos mal, pois pensei que alguém tentou invadir a cada.

    — É, tia. Menos mal - Disse o jovem, desconversando.

    — Bem, vamos nessa.

    Logo caminham até o carro de Azika, retornando para casa. Ao chegar, Jason toma um banho e, assim como sua tia e prima, se deita em sua cama, simulando estar dormindo. Como o evento abrir foi um pouco traumático, Azika passou a zelar um pouco mais quanto a segurança, vigiando os jovens antes de ir dormir.

    Horas depois...

    Arredores do centro da cidade de Etofuru, 00:00.

    A madrugada seguida normalmente. Jason, depois que constatou que Azika e Iamiko estavam mesmo dormindo, saiu em silêncio de sua casa, caminhando até o centro da cidade. Estava frio, com um forte vento enunciando que em breve poderia chover. O jovem, tomando os devidos cuidados, andou até um beco próximo ao prédio onde ficava a clínica veterinária. Mas não demora muito e Spark aparece, chegando a assustar o jovem.

    — Spark? Putz... Não aparece assim do nada...

    — Não podemos perder tempo, humano.

    — Tudo bem. Tem como saber onde foram?

    — Já tenho ideia de onde estão. Eu senti seus faros...

    — E onde seria?

    — Na floresta de Etofuru.

    — Ah que legal. Não podia ser em outro lugar.

    Como não havia outro jeito, Jason e Spark seguem estão caminhando até a floresta restrita. Por haver um toque de recolher, as ruas de Etofuru a noite eram bem policiadas, com patrulhas circulação a fim de manter a ordem e segurança nas ruas. Jason precisou se esgueirar inúmeras vezes entre os becos escuros da cidade, até enfim chegar até a floresta. Sabendo que poderia ser visto circulando, optou em atenuar ao lugar pelos flancos, para evitar um possível encontro com algum guarda.

    Passado da entrada, Jason e Spark entraram na floresta sem maiores problemas. E durante a caminhada, Spark abriu uma conversa com o jovem.

    — Humano, o que está fazendo não faz sentido algum.

    — Porque está dizendo isso?

    — Você tem todos os motivos pra evitar essa preocupação e se livrar de mim. Mas pelo contrário, não só está me ajudando como quer salvar meu mestre.

    — Sim. Porque?

    — Porque? Você poderia estar livre de nós.

    — Tem muita coisa que vive não sabe sobre mim, pulguento. Eu não sou covarde. Eu não fujo dos meus problemas. Eu resolvo tudo no mesmo dia sendo eu não consigo dormir bem.

    — Mas isso não é problema seu...

    — Se tornou um problema meu quando você começou a me atacar desde meu primeiro dia aqui nessa cidade. O resto do foi somando ao fato.

    — Suas ações atuais não fazem o menor sentido. Você parece estar atrás da própria morte.

    — Ah lá vem você falando dessas coisas. Na boa, tô cansado desse papo. Vocês Anis são pessoas muito complicadas.

    — Não somos pessoas, humano.

    — Se fala e responde, mantendo uma conversa comigo, é pessoa pra mim, queira você ou não.

    — Faça como quiser. Nada disso mudará a minha impressão por você.

    — Isso não me surpreende. Eu também te acho um saco. Não mudou nada.

    — Humano insolente.

    — Vocês deveriam melhorar o vocabulário de vocês pra ofensas. Estamos nos anos 2010. Já passou essa de "insolente, energúmeno" etc.

    — Cale-se!

    — Cale-se você! Você que começou essa conversa!

    — No dia que meu mestre conseguir o que quer, nots acertaremos as contas.

    — Ok, só que no momento vamos nos concentrar em achar Piece 1. Combinado?

    — Concordo.

    — Estamos evoluindo. Que bom que concorda.

    — Mas nada disso...

    — Nada disso muda nossa rixa, não? Tá certo.

    Spark então passou a seguir o rastro de Moonsand. Adentravam ainda mais a floresta, continuando a caminhar por mais de uma hora sem parar. O lugar estava muito escuro, com as árvores balançando ao vento que trazia mal agouros. Depois de um bom tempo caminhando, sob uma densa mata avistam um grande casarão, que parecia estar abandonado. Porém Spark havia percebido que tinha algo a mais na situação. Logo diz a Jason:

    — Humano, eles estão lá.

    — Dentro daquele casarão?

    — Sim. Eu sinto o cheiro do lobo. E também de Piece 1 e de mais uma pessoa.

    — Isso explica tudo então. Essa outra pessoa deve ser Lula.

    — A Anis?

    — Exatamente. Posso te fazer uma pergunta?

    — Diga, humano.

    — Você teria algum poder de esconder minha presença? Tipo, um isolante, sei lá...

    — Talvez... Mais porque?

    — Eu irei entrar sozinho, mas não quero que saibam que estarei lá.

    — Porque quer fazer isso?

    — Porque desconfio que tem muito mais coisas envolvidas nisso tudo. E tenho um assunto pendente com Lupa...

    — Do que está falando? 

    — Eu a vi com um amigo meu na escola. Eles estão se relacionando. Sumo é um cara determinado e honesto, mas ela...

    — Não entendi o que diz, humano.

    — Simplesmente acho que a Lupa não tem os mesmos sentimentos que Sumo tem por ela e isso me irrita...

    Enquanto isso, no interior da casa...

    Moonsand cabeça pelos corredores escuros do velho casarão da floresta de Etofuru, entrando então no salão principal. Lá estava Lupa, que tomava chá, sentada em uma das poltronas da sala, enquanto olhava para Piece 1, que estava preso em um tipo de estufa. Ela, olhando para o felino, diz:

    — Eu nunca imaginaria que iríamos nos encontrar novamente, Piece 1. Eu pensei que o sacrifício de Fhor havia acabado definitivamente com seu existir. Mas creio que estava enganada.

    O felino, tentando a todo custo manifestar seus poderes psíquicos, fiz:

    — Filhote, irei dizer-lhe mais uma vez: eu nunca a vi na minha vida. Mas não me importo, pois você terá seu fim em frente.

    — Poupe-nos de seus anseios, demônio. Fhor se sacrificou unicamente para garantir que você fosse para o inferno. Dessa vez irei garantir que nunca mais retorne.

    — Você e este lobo nunca conseguirão me matar.

    — Tolo... Muita coisa mudou desde Kyoto. Todos os seus generais caíram, assim como você cairá mais uma vez.

    — Nada do que você diz a mim faz o menor sentido.

    Moonsand, mostrando uma imensa irritação evidenciada em seu semblante, diz:

    — Como conseguiu sobreviver, seu traste sujo? Fhor era poderosíssimo. Não poderia ter escapado daquele prédio.

    — Estou farto de suas loucuras, assim como as dessa filhote. E eu não me engano: ela também é uma Anis.

    — Sempre foi, desde o dia que você a tomou de mim e a chamou de filha... assim como ela te chamou de pai. Seu desgraçado miserável!

    — BASTA DE TANTAS LOUCURAS! EU NUNCA VI A AMBOS EM MINHA VIDA!

    — Nega então que nunca esteve naquele centro de pesquisas do governo? Que nunca liderou aquele grupo de animais para nós rebelarmos contra Shidoshi?

    Piece 1, ao ouvir as palavras de Moonsand, ficou em silêncio. Seu rosto de revelia logo deu lugar a uma histérica risada, que podia ser ouvida pelos corredores do lugar. Moonsand e Lupa logo ficarem surpresos com o comportamento do felino. O lobo, irritado com o ocorrido, diz:

    — Porque está rindo, seu infeliz?

    — Hahahahahahaha... Vocês são patéticos. Não tem ideia de como estou me divertindo com a inocência e ignorância de vocês. É um deleite tanta falta de conhecimento dos fatos. Já me fez valer estar aqui. Hahahahahahaha!

    — SEU INFELIZ! COMO OUSA FALAR ASSIM?

    — Só uma vontade de olhar para a fronte de vocês e ver a reação de quando souberem de uma verdade.

    Lupa, já mostrando estar inquieta, se levanta, indo até próximo a estufa, dizendo:

    — A que se refere, demônio?

    — Filhote, é muito simples. Por todo esse tempo, depois de tanto lutarmos naquele centro, nós lutamos contra todos os humanos que tentaram nos impedir de fugirmos. Porém eu não tinha intenção alguns de fugir...

    — O que?

    Lupa estava mesmo curiosa. Contextualizando, todos os Anis que sobreviveram lutaram por suas vidas no suposto centro de pesquisas do governo. Shidoshi Ozaoa, ou somente Senhor Shidoshi, era o responsável pelo projeto Anis. Este projeto tinha como objetivo criar animais com inteligência humana, desenvolvendo poderes especiais junto a seu crescimento intelectual. Foram poucos os sobreviventes aos experimentos, e os poucos que conseguiram suportar foram liderados por Piece 1, o Anis mais poderoso de todos eles. Mas, como o próprio felino havia dito, algo a mais aconteceu naquele dia. Entre então continua.

    — Eu me juntei a Shidoshi naquele dia.

    Lupa e Moonsand logo se surpreendem com este fato. A bela Anis de cabelos brancos logo toma a palavra:

    — O que quer dizer com isso?

    — Eu agora consigo entender bem o que aconteceu. Como pude ser tão esquecido? Acho que essa limitação de meus poderes está me afetando a memória...

    — RESPONDA A PERGUNTA, SEU MISERÁVEL! - Disse Moonsand, ainda mais irritado.

    — Lobo... Vocês foram liderados por uma cópia minha. Uma cópia perfeita. Na verdade, houveram várias cópias minhas... Senhor Shidoshi fez um bom trabalho. Eu me uni a ele para pôr em prática meu plano maior: acabar com a raça humana. Mas creio que vocês nunca pararam pra pensar porque humanos fazem guerras. Pois bem, para matar humanos. É uma prática natural dessa raça caótica que sempre procura por mais embates.

    Sob o olhar estático dos dois, Piece 1 continuava a explicar tudo que de fato aconteceu:

    E adivinhem quem poderia me atrapalhar? É lógico: vocês. Todos aqueles Anis tinham um sonho de fugirem daquele lugar para se salvarem e viverem suas vidas medíocres. Mas eu precisava mantê-los em ordem. Foi aí que minha cópia entrou em ação: eles os guiaram para um plano de exterminar a raça humana para que vocês mantivessem o foco na missão. Mas eu já sabia do propósito real: o fim de todos vocês. Vocês poderiam pôr tudo a perder. E felizmente todos caíram... Quero dizer, quase todos. Pelo visto alguns de vocês sobreviveram, mas isso não importa no momento.

    Lupa estava atônita. Por todo esse tempo, depois do inferno que sofreram para matá-lo, tudo era só mais um plano. Lupa então percebeu que todo o calvário que sofreu nos eventos de Kyoto era só uma fração do que realmente havia acontecido. Piece 1 com isso quis somente fazer queima de arquivo, sem que nenhum Anis suspeitasse de sua aliança. Ela então, manifestando seus poderes, forma em sua mão uma enorme foice, que parecia bem afiada. Lupa então, já com seus olhos encharcando de lágrimas, diz:

    — Por todo esse tempo... Por todo que passamos... Por tudo que eu passei... Eu perdi o amor de Ethan... Eu perdi seu amor por mim, pois te considerava meu pai... Por todos que lutaram por um ideal... Por ter lutado ao lado de Ethan, como sua aliada... Foi um dos melhores momentos da minha vida ter lutado ao lado dele, pois apoiava sua causa, e ele a minha... eu juro... eu juro de todos os jeitos possíveis que algum ser inteligente nesse planeta possa se manifestar... EU VOU ACABAR COM TODA A SUA CARCAÇA PODRE E REPUGNANTE!

    Lupa então levanta sua foice, a fim de acabar com Piece 1. Porém, surpreendendo Moonsand, o lobo olha para o corredor no mesmo instante. E adentra ao recinto Jason que, sozinho, diz:

    — Lupa, o que você pensa que está fazendo?

    Era impressionante o quão intrometido e irresponsável era o rapaz. Havia entrado no casarão a só, deixando Spark na floresta. Embora o canino estivesse machucado e sem poderes para se defender, era no mínimo curioso Jason radar se arriscando tanto. Moonsand, não entendendo, diz:

    — Humano, como ousa entrar em nossos aposentos?

    — Quem é você? E desculpa, mas eu estou falando com a Lupa.

    — Saia já daqui!

    Lupa olha para Jason com ira, desaprovado totalmente sua presença no lugar. Ela, o olhando nos olhos, diz:

    — Como você se atreve a vir aqui? Porque insiste tanto em me desagradar?

    — Eu estou aqui pra levar Piece 1 de volta pra minha casa. E pra te falar algumas verdades...

    Lupa estava quase surtando. Ela havia pegado leve na última vez que se encontrou com Jason, mas seu rosto dizia que dessa vez as coisas seriam diferentes. Ela então, com um só movimento, investe contra o rapaz, o golpeando com força em sua barriga. Com o golpe, Jason é arremessado para longe, caindo em seguida. Com uma das mãos sobre o local acertado, observava a aproximação da jovem, que diz:

    — Eu havia lhe dito que o mataria se nos víssemos outra vez... Eu não sou de contar mentiras.

    — Ser sincero é uma vantagem. Mas creio que você não saiba o que significa ser sincero...

    Ela então o pega pelo braço e o joga para longe novamente. Jason então se choca contra uma parede, tentando evitar um dano maior amortecendo a queda com suas pernas. Ele, um pouco tonto, diz:

    — Esperava que quisesse conversar outra vez...

    — Já conversamos... Eu lhe dei todas as chances possíveis para não ser intrometer...

    — Eu sei... Eu sei que vocês devem ter algum tipo de assuntos pendentes... Até porque vocês são Anis. Mas eu preciso te fazer uma pergunta.

    — O que quer inquirir?

    Jason então se levanta, limpando sua roupa. O jovem, olhando nos olhos da bela Anis, diz:

    — Qual o seu maior sonho?

    Lupa se surpreendeu com a pergunta. De verdade, não esperava mesmo em ouvir algo tão pessoal, principalmente diante de uma situação tão delicada que estava acontecendo. Ela, ainda desconcertada com a questão, diz:

    — Porque isso importa a você?

    — Porque seu sonho importa pra você. Por isso eu quero saber.

    — Eu não lhe devo satisfações sobre minha vida.

    — Deve sim!

    Lupa se aproxima rapidamente de Jason, aplicando-lhe um forte tapa no rosto, que vira no mesmo instante. A força do golpe foi tanta que seus dedos ficaram marcados no rosto do rapaz. Ela então diz:

    — Você é um humano digno de pena. Veio até aqui para me confrontar...

    Ele, com uma das mãos sobre a área do rosto atingida, diz:

    — Eu não tenho medo de você. Na verdade, você que é a digna de pena aqui. E irei te provar disso!

    — Seu humano miserável!

    Lupa então começa a desferir vários socos em Jason, lhe acertando na barriga a maioria deles. O rapaz, por tanto ser golpeado, começava a perder forças nas pernas transa era a dor que sentia. Ao perceber que Jason estava aceitando todos os golpes sem reagir, interrompe seus golpes, dizendo:

    — Porque não reage? Porque não mostra a mesma valentia de outrora? Porque veio até aqui? Eu havia lhe avisado sobre tudo, porque tinha um certo respeito...

    Jason estava sentindo muitas dores. Mal conseguia ficar de pé, mas resistiu bravamente. Estava mesmo interessado em continuar desafiando Lupa, que diz:

    — Responda, humano! Porque quer tanto morrer?

    — Eu... Eu não irei morrer essa noite... Estou aqui pra te ferir... Te ferir de uma forma que nunca mais esquecerá... E esse ferimento vai te fazer acordar para a vida...

    — Me ferir? Vai mesmo me desafiar para um embate? Não seja tolo, humano. Você mal consegue se sustentar. Patético tentar algo.

    — Vou usar minha única arma para te ferir profundamente... Com palavras.

    — O que?

    Lupa mais uma vez fica atônita. Se antes tinha somente interesse em destruir Piece 1, este mudou para saber o que Jason queria lhe dizer. O rapaz, parecendo estar compenetrado em continuar com tudo aquilo, diz:

    — Eu estive ouvindo tudo que Piece 1 disse. Spark até mesmo me ajudou a esconder minha presença pra impedir que esse lobo doido me descobrisse. Eu queria saber de tudo... Tudo mesmo. Não precisei fazer muito esforço pra perceber que toda essa história é uma verdadeira m*rda. É muito blá blá blá... Muita conversa... Tragédia desnecessária uma atrás da outra...

    — Humano, não vou admitir que tripudie de tudo que passei até chegar aqui.

    — Vai me matar por causa disso também? Não, senhorita. Você hoje vai me ouvir. Vou tirar essa sua marra toda. Estou cansado dessa história. Estou cansado de todos vocês, Anis. São um bando de frustrado que não sabem o que fazer na m*rda da vida e fica culpando os humanos.

    — Como ousa falar assim?

    — Até agora eu aguentei numa boa tudo o que você falou pra mim. Aliás, até engoli a humilhação que você me fez passar naquela praça. Só que agora eu que vou falar e você quem vai ouvir.

    Moonsand havia estanhado o que Jason disse sobre a suposta "humilhação". Curioso, diz:

    — Porque disse que Lupa o humilhou?

    — Simples: ela me agrediu e me desqualificou. Isso porque queria conversar. Mas isso muda agora...

    — Deixe meu pai fora disso - Disse lupa, mirando sua foice em Jason.

    — Lupa, o que ele disse é verdade?

    — Sim, pai. Precisei castigá-lo pois se opunha contra minhas palavras.

    Moonsand então vira para Jason, dizendo:

    — Lhe dou permissão que se manifeste como quiser. Devo-lhe essa liberdade, humano.

    — Pai, porque está fazendo isso?

    — Você o humilhou por motivos pessoais. Eu avisei que nenhum humano deveria sofrer.

    — Foi necessário.

    — Basta, minha filhote. Este humano tem todo direito a palavra no momento. É uma ordem.

    Lupa então, contrariando seu pai, ternura desferir um golpe contra Jason. Mas é impedida por Moonsand, que se coloca entre os dois evitando o pior. Lupa, surpresa, diz:

    — Pai, o que está fazendo?

    — Minha filhote, eu não posso deixar que faça isso.

    — Pai, esse humano não é digno de misericórdia.

    — Não é por isso, Lupa. Eu quero que você ouça o que ele tem a dizer.

    — Não tenho interesse em nada que sair de sua boca...

    — Não, Lupa. Eu entendi bem o que ele quer dizer. Você deve ouví-lo. Para seu próprio bem.

    — Pai, estamos aqui para acabar definitivamente com Piece 1. Não há tempo para discussões tolas, ainda mais com esse humano insolente.

    — Eu entendo, minha filhote. Mas...

    Jason, se levantando, diz:

    — Eu sei que vocês têm esses assuntos pendentes aí de outra época. Mas os tempos mudaram. Muita coisa está diferente desde que vocês tiveram essas desavenças. Não estou aqui pra impedir vocês de resolverem suas diferenças. Cada um na sua.

    O rapaz então caminha até Lupa, sem medo algum, a intimidando com seu olhar.

    — Estou aqui pra dar o troco. Estou aqui pra te fazer engolir todo esse orgulho de m*rda que você tem. Não suporto mais ficar calado e deixar que vocês controlem minha vida.

    Lupa mostrava uma ira tremenda em seu olhar. Era visível que a única coisa que a impedia de desferir um golpe fatal em Jason com sua foice era Moonsand, que pediu que o ouvisse. O lobo, que somente observava a conversa, diz:

    — Humano, vá direto ao assunto.

    — Eu vou sim, mas tudo no seu tempo. Vocês já falaram demais.

    Jason volta então todas as atenções a Lupa.

    — Ah estou vendo que você tá cheio de ódio por mim, não é? Tá afim de me matar, acabar comigo, calar a minha boca, não é? Vamos ver se você é forte mesmo. Vamos ver se aguenta ouvir calada tudo que eu tenho a dizer... Eu ouvi essa conversa absurda de vocês.

    — Você não tem noção do sofrimento que nos passamos, humano.

    — Pode ter certeza que eu sei sim.

    — Idiota. Suas palavras vagas não demonstram nenhuma empatia.

    — F*DA-SE! Estou cagando pra esse papo escroto de empatia. Estou aqui pra te dizer verdades! Não estou aqui pra te agradar. Vocês estão querendo fazer guerra onde não existe. Se eu disse que sei o que vocês passaram é porque tenho muitas histórias ruins na minha vida. Mas e daí? Vou ficar jogando culpa nos outros? Claro que não.

    — Você está louco. Não diz nada que...

    — CALA A P*RRA DA BOCA! Desde o primeiro dia que te conheci já vi que só se importa com você mesmo! Eu te fiz uma simples pergunta e você não respondeu, pra início de conversa. Você não tem sinceridade alguma nas palavras. Eu não devo lhe dar a oportunidade de falar comigo. Hoje você só vai ouvir!

    Moonsand estava mesmo interessado em saber até onde Jason iria com suas palavras. Embora o rapaz estivesse áspero, o lobo não se importava em ver sua filha ser tratada daquela forma. Era como se ele estivesse deixando as coisas fluírem antes de se manifestar. Lupa sempre foi individualista e fria na forma de se relacionar com humanos. Desde Kyoto ela havia mudado, se tornando mais paciente, mas Moonsand sabia que seu aprendizado só iria se desenvolver com o convívio com humanos de sua idade. Mas Lupa antes de ser um ser inteligente era um Anis. Sua natureza animal sempre atuou mais em sua personalidade.

    Jason então começou o seu relato.

    — Vamos por partes. Vocês tem essa rixa com Piece 1, compreendo. E pelo o que ele falou, a treta que vocês tiverem foi com a suposta cópia dele. Pois bem, então me diga: como saber se ele está falando a verdade? Como saber se ele não é a cópia? Ele nem conseguiu abrir a porta da minha geladeira, esse felino maluco mal teve forças pra lutar contra seu pai e está sendo mantido preso da forma mais humilhante que um Anis poderia ter. Como é que vocês podem ser tão inocentes assim?

    Um silêncio logo denunciou a falta de critério de Lupa. Como confiar em Piece 1? Será mesmo o original ou a cópia? Jason continuou.

    — E mais: vocês já resolveram essa guerra lá em Kyoto. Já passou. Os tempos mudaram. A treta de vocês já teve solução. Vocês nem respeitaram o sacrifício desse amigo de vocês, sei lá o nome.

    — O que quer dizer com isso? - Disse Lupa, munida com sua foice.

    — Que vocês mesmos estão sendo egoístas. P*rra, é só raciocinar. Vocês conseguiram vencer e conseguiram paz. Agora vocês sequestram um Piece 1 evidentemente mais fraco e acreditam mesmo que ele é o original? Por favor, né?

    — Você não conhece Piece 1.

    — Posso não conhecer, mas com certeza se ele fosse tudo isso que vocês estão dizendo não estaríamos aqui agora. Eu estaria morto a muito tempo.

    O rapaz, olhando para Moonsand, diz:

    — A pergunta que faço agora é: qual o problema de vocês com esse Piece 1? O que ele fez a vocês?

    — A existência dele é um risco, humano - Disse Moonsand, voltando seu olhar para Piece 1, que só observava a conversa.

    — Qual risco? Ele é um gato preso em uma estufa insignificante. Está tão indefeso quanto eu.

    — Como Lupa disse, você não o conhece.

    — Na boa, tô cagando pra isso. E essa história dele em dizer que quer dominar o mundo... Cara, é tanta besteira que não sei mesmo como vocês acreditam nisso.

    Moonsand estava incomodado com as palavras de Jason. Era como se o rapaz estivesse defendendo Piece 1.

    — Humano, porque usa palavras em defesa a este miserável? Porque insiste em não o culpá-lo?

    — Porque ele... de certa forma, é importante pra mim.

    — O que?

    — Pode parecer estranho isso, mas eu devo minha vida a ele. Devo reconhecer isso.

    Moonsand e Lupa ficam surpresos com o que Jason havia dito. Ao fundo, Piece 1 olhava para o rapaz, não acreditando no que tinha ouvido. O felino logo começou a pensar consigo mesmo:

    — *Porque este humano insolente está dizendo essas coisas? Eu só o ajudei para que o usasse para meus próprios interesses... Porque ele disse isso? Eu sou importante pra ele? Tolices...*

    Moonsand, mostrando interesse no assunto, diz:

    — Porque está dizendo isso, humano? Como este ser abominável pode significar algo benevolente?

    — Caso não tenha percebido, há outros Anis nessa cidade além de vocês.

    — O que?

    — Há Anis como Lupa. Eles estudam na mesma escola que eu. Eu fui atacados por eles, tentaram ajustar todas as minhas memórias... Mas Piece 1 me resgatou. Ele trouxe de volta todas as minhas lembranças... Tô cagando pra essa conversa de dominar o mundo. O fato é que se não fosse ele, eu estaria vegetando sobre uma cama de hospital pelo resto da minha vida. Então, caso já tenham raciocinado, como é que eu posso simplesmente deixar que vocês invadam minha casa, coloquem em risco minha família e sem que eu possa fazer nada?

    Moonsand não tinha palavras. Os argumentos de Jason faziam total sentido. O Piece 1 que trouxe toda a desgraça a suas vidas não era o mesmo que agora alí estava. O felino que confrontaram em Kyoto era deveras mais poderoso e intimidador que o presente. O lobo, percebendo que havia errado em seu pré julgamento, diz:

    — Vejo sinceridade em suas palavras, humano. De fato, o Piece 1 que conseguimos destruir em nada se parece com esse. Mas há de concordar que até este traste oferece ameaça a sua integridade. Suas ideias são reais, você não pode negar. Se seus poderes plenos retornarem, todos nós temos nosso fim.

    — Ele pode ter poderes, mas não me sinto ameaçado por ele. Vocês podem dizer que ele está só esperando que retorne seus poderes e tal, mas os mim isso tudo é papo pra ele viver as minhas custas. O Anis que eu tenho certo temor é Spark, o cão que você feriu. Ele sim eu vejo como ameaça. Mas Piece 1... posso dizer até que eu gosto dele. 

    Jason então conclui:

    — E vocês disseram que ele mudou a vida de vocês, lhes fizeram sofrer. Mas esse Piece 1 que vocês maltrataram transformou minha vida. Ele me trouxe de volta. Então a única coisa que devo fazer é mudar sua forma de ver os humanos.

    — O que quer dizer, humano? - Diz o lobo, surpreso mais uma vez.

    — Vou fazê-lo enxergar além de seu ódio por humanos. Eu vou mudá-lo. Devo isso a ele.

    Lupa não estava mais aguentando ouvir Jason. Embora seu pai tenha sido mais racional, a jovem Anis logo expunha todo seu descontentamento com Jason. Ela então, começou a manifestar seus poderes de vento, dizendo:

    — Não posso mais aguentar tanta desonra. Por tudo que eu acredito e luto, não posso permitir que você e Piece 1 vivam nesse mundo.

    — Lupa, cesse seus poderes. Não há necessidade de lutar. Eu errei.

    — Não, pai... Temos o dever de matá-los. Não quero o inferno de volta. Piece 1 deve morrer.

    — Lupa, o Piece 1 que tanto odiamos está morto. Aceite isso. Como eu havia dito, eu errei em meu julgamento. Este Piece 1 que aqui está é uma fraude.

    — Não, pai... Olhe para ele. É o mesmo! Entre não está morto!

    — Lupa, pare com isso já! É uma ordem.

    Mas Jason não estava para brincadeiras. Depois de ter resolvido o assunto sobre Piece 1, restava o último.

    — Agora que já mostrei o erro de vocês, agora vou tratar com você, Lupa. Dessa vez é pessoal.

    — Eu não devo nada a você! Nada!

    — F*da-se com esse seu choro. Você de longe é a pessoa mais egoísta e fria que eu conheci até hoje. Aliás, você nem tem ideia do que é ser egoísta. Fiquei sabendo que você está com meu amigo, o Sumo.

    — Não permitirei que mensure o nome dele!

    — Lupa, pare com isso - Disse Moonsand, desaprovando mais uma vez o comportamento de sua filha.

    — Digo sim, porque ele é meu amigo. Ele não sabe quem você é. Mas depois de te conhecer bem, você não se importa com ele de verdade - Disse Jason, ignorando totalmente o perigo que corria.

    — O que? Como pode dizer tais coisas?

    — Simples, sua miserável: você só pensa em si própria. Quais as suas intenções com ele?

    — Eu amo Sumo.

    — Ama mesmo? Será? Porque se seu amor por ele for como ele gosta de você, tenho certeza que você já teria contado sobre quem você é. O cara deve ter te contado sobre tudo na vida dele, mas e você? Contou tudo sobre você? Será que ele te aceitaria do jeito que você é? E não me refiro a você ser uma Anis. Digo em ser o que você é.

    — Do que está falando?

    — Que você só está com o Sumo quase como um animal de estimação. Ou seja, ele é só um adorno, uma propriedade sua, pra você ostentar. Em outras palavras, eu acredito que você só está nessa relação pra se sentir dona dele. Ou você acha que eu não percebi como o olhou lá na escola? 

    A fúria de Lupa chegou a um nível nunca antes visto. Sua aura havia aumentado, causando até temor em seu pai, que fiz:

    — Lupa, dissolva seu poder agora.

    — Não, pai... Eu... EU PRECISO MATÁ-LO! EU ODEIO VOCÊ, HUMANO! ODEIO VOCÊ! ODEIO VOCÊ!

    O ódio de Lupa era tanto que sua aura logo envolveu todo seu corpo, a transformado em uma loba antropomórfica de pelugem albina e mantendo seus olhos na cor de mel, embora tenha respeitado seus atributos de uma jovem e de suas roupas. Ela então corre descontrolada em direção a Jason, que não teria como evitar o ataque. Mesmo de dentro da estufa, Piece 1 tenta manifestar seus poderes, criando uma barreira entre os dois, para proteger Jason. Lupa então começa a desferir inúmeros ataques com sua foice, com faíscas iluminando o recinto a cada golpe na proteção a qual o felino psíquico havia emanado. Lupa estava entregue a ira e golpeava sem dó, dizendo:

    — SUMO É O SIGNIFICADO QUE EU PROCURAVA! MINHA VIDA PERTENCE A ELE E A NINGUÉM MAIS NESSA VIDA! VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE VIVER, HUMANO DESGRAÇADO!

    Moonsand, preocupado com a falta de tempero de sua filha, logo começa a manifestar seus poderes. Ele então faz com que o chão se abra abaixo de Lupa, formando um tufão de areia, que envolve Lupa, se solidificando. Com isso ele consegue prendê-la. Ela, se debatendo, diz:

    — NÃO! NÃO! ME SOLTE, PAI! ME SOLTE! EU PRECISO MATÁ-LO! ELE NÃO PODE VIVER! AHHHHH! ELE DEVE MORRER! AHHHH! ELE NÃO VAI TIRAR SUMO DE MIM! ELE É MEU! E EU SOU DELE! AHHHHH! DESGRAÇADO! AHHHH!

    — Me perdoe, minha filhote... Mas precisa se acalmar.

    Embora o momento fosse conturbado, Jason parecia estar tranquilo. Tanto que se aproximou de Lupa, aproveitando que estava presa. O rapaz queria mesmo dizer mais verdades.

    — Agora você se mostrou mesmo. É mesmo uma Anis.

    — SEU DESGRAÇADO! INFELIZ!

    — Está colocando tudo pra fora, não é? Então eu vou fazer mais uma vez a pergunta: qual é o seu maior sonho?

    Lupa olhou para Jason de uma forma diferente que estava. O rapaz então, parecendo ter controle da situação, pega seu celular. Não era para tirar uma foto de Lupa mas sim de ligar a selfie: ele mostra a Lupa sua própria imagem. A jovem evitou em olhar para si mesma, com Jason dizendo:

    — Você sente vergonha do que é? Não deveria. Não é um caso de ser ou não ser. Você é uma Anis. E eu sei qual é seu maior sonho.

    O jovem então guarda seu celular, voltando novamente a Lupa e diz:

    — Seu maior sonho é ser humana.

    — Seu... infeliz...

    — Todo esse seu ódio por mim é o mesmo ódio que você sente por qualquer humano, porque você tem inveja do que somos. Então escute bem, sua infeliz: nenhum humano é perfeito. Você pode achar o máximo não ter que ficar imaginando como é duro ser uma criatura monstruosa por dentro, mas todo humano tem um pouco de selvageria.

    Lupa ouvia Jason, dando-lhe toda a atenção. De forma inédita, a loba o observada como se tivesse curiosidade sobre o que ele queria dizer com suas palavras. Ele continuou:

    — Vocês saíram de uma guerra, e creio que foi por uma boa causa, mas humanos sempre estão cercados por guerra. Você deve se imaginar tendo todos os problemas do mundo pra se encaixar em um mundo cheio de preconceito, mas fica difícil pra você imaginar que todo humano sofre preconceito de humanos todos os dias. Onde eu quero chegar com isso? Simples: se você quer ser humana, se esse é seu maior sonho, então não se rebaixe sendo uma humana da pior espécie. Viva a vida, saiba viver e deixar viver, seja gentil, seja feliz, traga felicidade a quem te rodeia, faça o bem... Todo esse papo funciona quando usado corretamente. Se você ama mesmo o Sumo, seja sincera. Não o tenha como um objeto. Ele é um cara maneiro, não merece ser tratado de forma fria. Ele vai retribuir esse amor. Esse tipo de sentimento compartilhado de forma pura e sincera multiplica seus laços.

    Pela primeira vez, lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Lupa que, aos poucos, voltava ao normal. Logo seu belo rosto ficara encharcado de lágrimas, que afloravam ainda mais. Ela, soluçando, sem entender, diz:

    — O que está acontecendo comigo? Porque estou com o rosto molhado? Porque isso está saindo dos meus olhos?

    Lupa então começa a chorar compulsivamente, chegando até mesmo a gritar durante seu pranto. Estava mesmo sofrendo por dentro, mesmo que desconhece o que estava acontecendo. A bela jovem Anis nunca havia sentido esse sentimento, este que a torturava continuamente. Era tocante a forma que descobria manifestações humanas de culpa. Seu choro foi causado pelo reconhecimento que de fato estava agindo como uma pessoa dominante e egoísta.

    — Pai... Eu... Eu... Eu não sei como parar com isso... Me ajude... Eu... O que está acontecendo? Eu não consigo parar de fazer isso... Pai... Me ajude! Eu estou sentindo uma dor dentro de mim... Eu não consigo parar de sentir isso... Pai! PAI! AHHHHHHHHH! ME AJUDE! AHHHHH!

    Mas até mesmo Moonsand desconhecia tal fenômeno. O lobo, olhando para Jason, diz:

    — O que é isso, humano?

    — Ela está chorando. Nós humanos choramos quando nos sentimos tristes, magoados, frustrados e até mesmo culpados.

    — E qual a cura?

    — Deixar sair tudo. Achar força dentro de si pra seguir em frente depois. Sabe, chorar o suficiente nos deixam mais fortes. Ela vai ficar bem.

    Jason então vai até Piece 1, o soltando da estufa. Mas antes que pudesse deixar o recinto, Moonsand pergunta:

    — Você também chora, humano?

    — Já chorei o suficiente.

    — Qual foi o motivo?

    — Luto. Eu perdi meus pais.

    — Sente falta de seus genitores?

    — Eles sempre estão comigo.

    — E quanto a Lupa?

    — Ela tem a quem chamar de pai. Prazer em conhecê-lo. Ganhou meu respeito. Você é um ótimo pai. Você é um pai mais humano que muitos humanos.

    — E porque diz isso a mim?

    — Porque tenho orgulho da forma que educa Lupa.

    — E a que se refere?

    — A faz sentir como é a vida...

    Enquanto isso...

    Costa marítima de Etofuru, 01:30 AM.

    Uma patrulha policial estava próximo ao mar, pois avistaram uma cápsula, a mesma que Piece 1 foi achado por Jason a um tempo atrás. Logo um dos policiais diz ao rádio:

    — Sim, é uma cápsula. Deve ser algum tipo de transporte de animais. Mas está vazio. Iremos recolhê-lo.

    Durante o transporte, por terem limpo o objeto, era possível ler nitidamente o que estava gravado no vidro:

    Projeto: Piece 1

    Serial de ordem numérica: OOO

    Continua.


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