The Last A: O Último Anis

Tempo estimado de leitura: 6 horas

    14
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Capítulo 11 - Assuntos pendentes (parte 1)

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Todas as peças do quebra-cabeça que Jason estava montando agora fazem sentido. Tudo que acontecendo em sua vida desde que voltou a Etofuru havia lhe trazido muita dor de cabeça. Logo após Piece One fazer o seu relato, o jovem passou a tratá-lo com indiferença a partir do momento que passou a sempre dialogar com o rapaz sobre seu plano nefasto. Outro fato inconveniente é Spark ser aliado ao felino, o que mostrou ser muito poderoso. Estava em um dilema: enquanto Piece 1 protegesse Jason, o canino nada poderia fazer contra ele. Porém, caso o felino for ameaçado, era iminente uma reação nada cordial por parte de Spark. Sendo assim, Jason, já em seu quarto, depois de ter tomado banho e trocado de roupa, volta a seu quarto, com Piece 1 o olhando. Jason então diz:

    — Eu não quero conversa com você.

    — Você sabe que não irei desistir de seguir com meu plano

    — Caraca… porque você simplesmente não vai “tentar dominar o mundo” sozinho? Eu não quero nada disso.

    — Você não me leva a sério, não?

    — Exatamente. É uma ideia tão anos 90 que não tem como levar a sério.

    — Você verá… não tem noção do que se meteu. Mas será meu protegido, isso eu lhe garanto.

    — Hahaha. Sem chance. Agora dá licença que preciso dormir. Vai lá fora fazer suas coisas de gato

    — Humano insolente! Tripudia por eu não estar com todos os meus poderes.

    — Problema é seu. Cai fora! Some!

    — Como ousa falar assim comigo?

    — Nossa… tô com muito medo. Olha só, Socorro… ah, fala sério…

    Piece 1, irritado, logo se retira do quarto de Jason, indo até o exterior da casa. Ele, olhando para o céu, pensa:

    — *Esse humano insolente não tem noção do perigo. Se eu estivesse com 100% do meu poder, já teria o dominado. Mas eu sou paciente. Nada dessa vez irá me impedir. Basta esperar…*

    A noite cai.

    Já de madrugada, Jason desperta e segue até a cozinha da casa de sua tia. Porém, algo muito estranho chama sua atenção: alguém forçava a porta da geladeira. Ele, estranhando o ocorrido, caminhava lentamente e, para sua surpresa, percebe que era o próprio Piece 1 que tentava abrir a porta, possivelmente tentando usar seus poderes psíquicos. O rapaz diz:

    — Cara, o que você pensa que está fazendo?

    — Eu estou com fome.

    — Ah sei… entendi… Cara, isso é patético da sua parte, sabia?

    — Não pedi sua opinião, humano.

    — Tu tá querendo dominar o mundo e não consegue abrir a porta de uma geladeira. Como posso te levar a sério assim? Hahahaha!

    Piece 1 estava completamente constrangido, parando em seguida de tentar abrir a porta. Logo vira-se e, quando iria pular a janela, Jason diz:

    — Pera, cara. Onde tu vai?

    Ele passou a ignorar o rapaz, embora continuasse faminto. Era perceptível pois sua barriga fazia ruídos. Jason então abriu a geladeira e perguntou:

    — Vamos lá: tu vai seguir o script de desenho animado e quer comer peixe ou vai querer comer como um rei e devorar esse frangão que minha tia fez?

    O felino, ainda de costas, diz:

    — Não gosto de jogos, humano Insolente.

    — Que jogo? Tu tá com fome ou não? 

    — Estou mas…

    — Mas o que? Vai ficar fazendo sucesso agora? O que vai ser: peixe ou frango?

    Piece One não parecia muito confortável com a situação, mas sua fome era algo mais incômodo no momento. Mostrando irritação, responde:

    — Frango.

    — Ah tá vendo? Foi difícil? Tá aqui, pode comer.

    Jason coloca duas generosas coxas de frango em um prato, servindo Piece One, que já estava sobre a mesa. Ele estava mesmo mesmo faminto, devorando rapidamente as porções que o rapaz lhe deu. Ao fim, o jovem diz:

    — Tá bom ou quer mais?

    — Quero água…

    — Água?

    — Sim. Agora!

    — Sim, senhor! Afirmativo! - Disse Jason, zombando do felino, lhe prestando contingência até.

    — Hum… você não está me levando a sério mais uma vez!

    — Hehehe! Você deveria relaxar pelo menos uma vez…

    — Eu não devo lhe dar satisfação alguma!

    — Tá tudo bem… você não precisa agradecer.

    Jason então pela uma vasilha de plástico dentro do armário e coloca água para que pudesse servir ao felino. Piece One então começa a beber, enquanto olhava para Jason. Ao fiz, deles de matar a sede, em um comportamento inesperado por Jason, Piece One diz:

    — Porque fez isso tudo por mim?

    — Sabe, deles dessa coisa toda que aconteceu, eu meio que entendi bem o que você quer fazer.

    — Como assim?

    — As vezes é bom a gente ser mais empático do que antipático. Ajuda a entender as pessoas.

    — O que quer dizer com isso, humano Insolente?

    — Exatamente isso. Por eu ser insolente me permite dizer verdades que ferem o ego das pessoas que são bitoladas. Você tem essas ideias arcaicas de “dominar o mundo”, esses papos de tiozinho aí que dessa evidente que te faltava ao conversar com alguém que te dissesse verdades.

    — O que? Como ousa?

    — Como ouso? É disso que estou falando. Tô sendo gentil com você, compreensivo, te tratando bem agora. E o que você faz? Me chama de insolente. 

    — Seu miserável…

    — Isso, coloca mais adjetivos. Pronto, já encheu o bucho. Vai dormir. Eu tô indo nessa. E nada de barulho porque todos estão dormindo.

    Jason durante todos os eventos que ocorreram antes contrastava com seu comportamento de agora, racional e calmo. Talvez a razão fosse mesmo a melhor escolha no momento, tendo em vista tudo que tem acontecido. Seria uma estratégia dele? Piece 1 mostrava desconfiança, ao retornar para a floresta.

    — *Porque ele me tratou daquela forma? Humanos sempre são traiçoeiros... *

    Jason então volta para sua cama, dormindo em seguida.

    Colégio de aplicação de Etofuru, 12:00

    Refeitório

    Tudo estava tranquilo na escola. Durante o almoço, todos os estudantes logo Ian para o refeitório, já que em muitas cidades do Japão a jornada de estudos era em regime integral. Ou seja, os alunos passavam praticamente todo o dia colégio. Haviam vários grupos estudantis: alunos do núcleo cênico (que envolvia cinema e teatro), escritores (onde Etofuru já se tornava uma referência no norte do Japão) e esportistas. Porém era visível que por onde Kuon passasse próximo, sua influência em todos eles era notável. Ele tinha controle de tudo que acontecia em cada grêmio.

    Ao fundo do refeitório estava Jason, com Kazu e Hito. Junto a eles estavam mais dois jovens, os quais foram trazidos por Kazu para serem entrevistados. Conversavam sobre o time que estavam tentando formar. O grande problema: estavam com problemas de encontrarem mais jogadores. Não somente por falta disso, mas de ninguém querer jogar contra Kuon. Tendo em vista que garantidos no time eram o próprio Jason, Sumo e seu irmão Hito, ainda faltavam dos jogadores para formar o time inicial, sem contar os reservas. Jason então é apresentado por Kazu aos rapazes:

    — Jason este é Kenta Kadeiko. Ele é um defensor.

    — Prazer, cara - Disse Jason, lhe estendendo a mão.

    — Prazer, capitão.

    Kenta era um rapaz com cabelos pretos longos, que lhe cobria os olhos. Além disso, ele de longe era o maior jovem entre o time em formação. Kazu então lhe apresentou ao outro garoto:

    — E este aqui é Motoi Yamuro. Ele é libero.

    — Fala aí, cara - Disse mais uma vez Jason, repetindo seu cumprimento.

    — Oi, como vai?

    Motoi tinha características muito visíveis. Não era o mais alto, mas de longe era o mais forte, o que chamou atenção de Jason, que diz:

    — Cara, tu é libero?

    — Sim, porque?

    — Cara, tu é forte pra ****lho!

    — E o que tem?

    — Pra ser libero você precisa ser rápido. Tá sabendo, né?

    — Vai se surpreender comigo. Mas o que me serve de combustível é ferrar com o Kuon.

    — Você tá garantido no time já só por causa disso.

    — Sério? Por causa do Kuon?

    — Não. Por causa de você querer ferrar com ele.

    — Hahaha. Entendi. Valeu!

    — Mas porque quer fazer esse favor de ferrar com ele?

    — O desgraçado fez meu treinador de atletismo me dispensar.

    — Porque?

    — Kuon sugeriu me tirar porque eu estava marcando tempo baixo. **rra, eu corri os 100 metros da última olimpíada interna e terminei em segundo. Bastou ele abrir a boca pra ferrar comigo. Como eu antes jogava basquete pra descontrair, então peguei prática em ser líbero.

    — Tá ótimo então! Era o que queria saber. Bem vindo ao time.

    — Valeu!

    Jason então volta suas atenções ao outro rapaz.

    — Kadeiko, esse é seu nome, não?

    — Sim.

    — Tu é um defensor. Estávamos precisando de um.

    — Kazu me disse.

    — E você também quer ferrar o Kuon?

    — Não. Eu quero ferrar o time todo, principalmente meu irmão.

    — Seu irmão?

    — Sim. Ele joga no time do Kuon. O nome dele é Karashima Kadeiko.

    — Tá, mas o que ele fez?

    — Impediu que eu fizesse parte do time. Então eu quero ferrar com o time dele. O Kuon é outro que tenho ranço, mas não mais que de meu irmão.

    — Tudo bem. Agora vejo que vou mudar o nome do time pra “os vingadores”, hehehe.

    — Deveria mesmo. Todo mundo desse time quer ferrar com alguém, Hahahaha - Disse Hito, começando a rir.

    Depois do momento de descontração, Jason da lugar a seriedade, já que não tinha muito tempo para o amistoso marcado com Kuon. Ele, preocupado, comments com seus amigos.

    — Sério, essa bagaça está muito complicada. Ninguém aqui quer encarar o Kuon. Fechamos os cinco ao menos.

    — Eu avisei, Jason - Disse Kazu, olhando para Jason, mostrando concordância.

    — Eu sei, mas não esperava que essa gente fosse tão bitolada.

    — Não são. Só que eles conhecem o Kuon em quadra melhor que você.

    — Besteira. Não existe jogador invencível. Até porque é um jogo coletivo.

    — Jason, melhor reconsiderar…

    — Nunca farei isso, você sabe muito bem.

    — É, eu sei. Mas mesmo assim eu tenho esperança que use a razão, cedo ou tarde…

    Hito, que estava quieto, logo toma a palavra:

    — Jason, você sabe que precisamos treinar, não?

    — Eu sei disso também.

    — E que sem jogadores de reserva não dá pra sermos aceitos, não?

    — Eu sei. Falando nisso, quantos jogadores eles deixam ter no mínimo?

    — No basquete a regra exige 12 jogadores, cinco na linha e sete no banco. Mas na competição estão exigindo no mínimo sete, o que é um tiro no pé.

    — Porque diz isso?

    — Simples: como é que um time vai jogar quatro quartos com sete jogadores? Vamos morrer no fim do segundo quarto de tão cansados que estaremos.

    — Isso não será um problemão.

    — Não será? Jason, com todo o respeito, mas eu vim pra jogar basquete e não virar um morto vivo. Quero jogar e não passar vergonha.

    — Passar vergonha? Porque está preocupado com isso?

    — Porque? Mal temos um time formado e ainda nem treinamos. Precisamos pelo menos entrosar o time que vai começar jogando.

    — Hito, nós iremos conseguir. No fim disso tudo vamos estar zoando Kuon tanto que até seus descendentes irão ficar envergonhados.

    A confiança de Jason era admirada por todos. Até seus recentes amigos, Kadeiko e Yamuro, ficaram impressionados com a dedicação em gerenciar o time e ainda ser o capitão. Jason, aproveitando a conversa, logo tratou de combinar os dias de treinos. Ele até mesmo traçou como cada um deveria se alimentar nos próximos dias e como se exercitar para antes do treino começar. Como tinham pouco tempo, o aquecimento seus feito de forma individual e que todos deveriam seguir a risca para ganharem tempo. Não é nem preciso dizer que o senso de liderança de Jason era enorme, onde todos concordaram com o que foi tratado naquela mesa.

    O tempo passa…

    Ainda no colégio de aplicação de Etofuru, 17:00

    Era hora de saída dos alunos. Logo os corredores se enchem de estudantes, quê vão em direção ao pátio. Jason permaneceu na sala, conversando com Kazu.

    — Kazu, então tá combinado. Você leva os caras novos na sexta feira pra gente treinar. O bom que vai ter só meio período de aula porque vai começar a decorar o colégio para os jogos.

    — Tudo bem. Vou indo nessa. Até.

    Jason também não demora muito e, pegando sua mochila, vai que o corredor, seguindo para o pátio. Mas de forma inesperada ele é interceptado por sumo, que diz:

    — Jason! Espere. Eu quero falar com você.

    — Fala Sobre. Tu sumiu, cara. Que houve?

    — Eu… bem, estou com uma garota.

    — Ah essa parada, cara! Parabéns! E quem é?

    — Ela já está vindo. Foi beber água.

    Jason não tinha conhecimento algum que Sumo havia se envolvido com Lupa. A linda jovem de cabelos prateados logo é vista pelo rapaz que, atônito por tê-la visto, ficou em silêncio e com o semblante totalmente fechado. Seu amigo, caloroso como sempre, os apresenta.

    — Jason, essa é a Lupa. Lupa, esse é o cara que vai eu disse que está montando um time de basquete.

    Mas os dois somente se olhavam. Nenhum cumprimento foi feito de ambas as partes, o que causou estranheza a Sumo. Olhando para os dois, ficou sem entender o comportamento de ambos. Sumo, preocupado, diz:

    — Gente, o que houve? Vocês dois parecem que querem brigar ou coisa assim.

    Lupa, do jeito calmo e suave que sempre falou, diz:

    — Já nos conhecemos. Da pior forma, por assim dizer.

    — Lupa, como pode dizer isso?

    — Tudo bem, Sumo. Ela só disse a verdade. Eu digo o mesmo - Disse Jason, tão descontente com o encontro quanto Lupa.

    Jason, percebendo que a situação poderia piorar, logo trata de sair.

    — Sumo, vou nessa. Sexta feira tem treino aqui as duas horas, tudo bem?

    — Tudo bem. A gente se vê.

    O rapaz então volta a caminhar até a saída, já ultrapassando as dependências do colégio. Segue então até o ponto de ônibus. Mas, o surpreendendo, percebe que Lupa parecia esperar próximo ao seu destino.

    — *Como ela chegou aqui tão rápido? E porque está me encarando assim? Ela quer treta? Quer saber, vou ignorar e passar sem falar nada*.

    E quando Jason se aproxima da jovem, eis que ela diz:

    — Precisamos conversar.

    — Hã? Conversar?

    — Exatamente.

    — Do que quer conversar? Acho que você já deu o show de honestidade mais cedo na frente do Sumo. Olha, eu não quero problemas, tá?

    — Você já está com problemas…

    — Ah sabia! Quer treta, não? Olha, eu não quero conversar com você, tudo bem? Vê se me esquece…

    Jason insistiu em continuar seu caminho, sendo interrompido por Lupa com uma única frase.

    — Eu sei que está com Piece 1…

    O rapaz ficou estático no mesmo momento, surpreso com o que a jovem disse. E continuou:

    — Acho que agora gostaria de conversar comigo…

    — Do que você está falando?

    — Venha comigo… o que iremos conversar não pode envolver mais pessoas…

    Ela então o leva até uma praça próxima a escola. Como era um lugar distante, não haviam muitas pessoas, o que foi uma ótima escolha de Lupa para tratar de um assunto tão delicado. Ela então se senta, aguardando Jason fazer o mesmo. Ele, calado, nem ao menos placa para Lhe. Era visível que o jovem estava tenso, ainda mais por causa de Lupa. Ela então diz:

    — Também já devo imaginar que você sabe que eu sou um Anis.

    — Estou sabendo disso agora, mas não me surpreende.

    — Piece 1 já deve tê-lo contado de tudo…

    — Que ele quer dominar o mundo? Disse sim, mas não tem como levar isso a sério.

    — Deveria tê-lo feito… Ele tem poder para isso.

    — Estou cagando pra isso. É tão absurdo quanto a gente estar conversando.

    — Humano, eu realmente estou tentando que aja de forma racional pelo menos uma vez.

    — Estou sendo racional. Eu não levo a sério nada do que ele me disse, mas em nenhum momento duvidei que eles têm poderes.

    Lupa, mostrando surpresa pela primeira vez, diz:

    — Há mais alguém com Piece 1?

    — Tem sim. Um cão sarnento chamado Spark que solta raios.

    — Eu não o conheço…

    — Não muda nada. O cachorro gosta da minha prima. Quer defendê-la de tudo, até de mim.

    — Vocês estão correndo risco esse tempo todo…

    — Olha, nada que você deva se preocupar, tudo bem?

    — Pela primeira vez mostro preocupação com sua segurança e trata-me com desprezo?

    — Você deveria se meter com a sua própria vida, Lupa.

    Em uma das poucas situações vírus até agora, lupa estava mesmo irritada. Seu olhar havia mudado, como se estivesse disposta a atacar o jovem. Ela, olhando para Jason, diz:

    — Você cheira a morte… Eu sinto o cheiro de Piece One em cada centímetro seu…

    — Dane-se!

    — Humano insolente.

    — Ele também disse isso pra mim. Estou anestesiado pra esse tipo de ofensa retrô. Na boa, tô de saco cheio de você e desses Anis que vocês são. Eu não me importo se vocês vivem entre a gente nem nada. Só não gosto de gente pau no **. Tô pouco ligando para o que vocês vão fazer da vida. Adeus…

    Jason então se levanta, dando as costas para Lupa. A jovem, mostrando descontentamento, levanta uma de suas mãos e, surpreendendo Jason, é arremessado ao chão. O jovem, sem entender, diz:

    — Mas o que foi isso?

    Lupa então caminha até ele e, em pé ante Jason, que estava a olhando, ainda no chão, diz:

    — Você não tem noção do que está acontecendo… Sua atitude é desprezível. Toda sua espécie está ameaçada e você brinca a revelia.

    — Você é um monstro! Eu desprezo pessoas como você!

    — O único monstro aqui é você…

    Jason então se levanta rapidamente, ficando em base de luta. Lupa estava imóvel, somente o olhando. Na verdade seu olhar era de um predador frente a sua presa, intimidando o rapaz, que diz:

    — Não me menospreze, Lupa. Eu sei mesmo me defender.

    — Ousaria entrar em combate contra mim?

    — Você é a ameaça aqui!

    Lupa, com um simples movimentar de mãos, faz com que Jason Sintra um golpe forte em sua barriga, fazendo-o ir ao chão mais uma vez. Segurando sua barriga, acusando o golpe, diz:

    — Ahn… mas… mas o que foi isso? É como se levasse um soco forte… mas ela nem encostou em mim...

    — Está disposto a conversar ou quer ser golpeado outra vez?

    — CALA A BOCA, SUA ABERRAÇÃO!

    Lupa mais uma vez movimenta sua mão, como se fosse um tapa, este sentido por Jason. O golpe foi tão forte que o fez voar metros a frente. Lupa então caminha até onde ele caiu e continuou?

    — Está disposto a conversar ou quer ser golpeado de novo?

    Jason se levantava lentamente e, passando a mão em sua boca, percebe um pequeno sangramento. Ele, parecendo estar assustado, diz:

    — Você me feriu! Sua miserável...

    — Voce mereceu por isso. Estou esperando sua resposta.

    — Eu não tenho que ficar conversan…

    E antes que Jason pudesse terminar suas palavras, Lupa coloca sua mão na boca do rapaz, Enquanto a outra estava em sua barriga. Imediatamente Jason ficou paralisado, mas dessa vez de medo. Sentiu então que todo o oxigênio que estava em seus pulmões havia sido expurgado, fazendo com que sentisse perder os sentidos. Mas antes disso, Lupa o solta, deixando que voltasse a respirar. Ele vai ao chão, puxando ar, mostrando desespero. Ele diz, ofegante:

    — Ahn… você… ahh… você ia me matar…

    Ela, o olhando, diz:

    — Seria fácil…

    — Sua… ahn… sua maldita…

    — Vejo que dialogar com você de forma cordial não é efetivo. Pois bem, então precisei recorrer a um método mais intimidador. Você agora vai entender.

    Minha impressão de você… ahh… não muda. Você é um monstro!

    — Eu não me importo com isso…

    — Dane-se!

    Lupa, já cansada de tanto atrevimento de Jason, ameaçou atacá-lo novamente. Mas vendo seu estado, ela abdica do golpe e, olhando-o nos olhos mais uma vez, diz:

    — Você irá voltar para sua casa agora. Mas lhe dito que o que verá por lá, deixe como está. Não faça nada. Sua com sua vida...

    — Do que você está falando?

    — Peço que esqueça tudo que Piece One lhe disse. Melhor: faça de conta que ele não existiu em sua vida. Assim todos vocês serão felizes.

    — O que você irá fazer?

    — Vamos destruí-lo definitivamente. Isso não é um problema de vocês, eu respeito isso. Mas você vai se tornar um problema se intervir novamente em meu caminho. Na próxima vez eu não sereu benevolente. Para defender o que eu tenho viu até o fim, custe o que custar...

    — Espere! Que história é essa?

    Lupa então vira-se e vai embora, deixando Jason alí, caído. Ela percebeu ao fundo a movimentação de pessoas, que querem logo em seguida, tentando acudir Jason. Era perceptível que ninguém tinha qualquer noção do que havia acontecido alí. Lupa mostrava ser um Anis poderosíssimo, tendo em vista que nem precisou encostar em Jason para ferí-lo. Talvez ele não assumisse, mas pela primeira vez desde que Kuon e sua irmã Suzuka sentiu um temor absurdo. Seu medo era percebido na forma que evitada prosseguir pelo caminho até o ponto de ônibus, mesmo sendo acudido por transeuntes que o ajudou a se levantar.

    O semblante de Jason não era dos melhores. Ele queria mesmo chegar em casa o quanto antes, pois as palavras de Lupa traziam-lhe mau pressentimento...

    Casa da família Hawoen, 19:00

    Tudo estava tranquilo até então. A mãe de Iamiko, Azika, estava fazendo a janta na cozinha enquanto sua filha assistia tv na sala. A senhora, que estava preocupada com a demora de Jason, diz:

    — Iamiko, Jason ainda não chegou. Deve ter acontecido algo.

    — Ah não liga, mãe. Deve estar cuidando do time de rebelados dele.

    — Mesmo assim, já é quase oito horas.

    — Se ele não chegar até umas oito e meia eu mando uma mensagem pra ele.

    — Tudo bem, mas não estou gostando disso…

    A procuração da senhora Hawoen faz total sentido. A cidade de Etofuru de noite se tornou um lugar inseguro, de acordo com a polícia local. Os acontecimentos no parque da cidade e de sua floresta já estavam começando a chamar atenção até mesmo da polícia federal do Japão, que toda semana pessoa relatórios sobre os ocorridos. Fazia tempos que investigações feitas para descobrir os culpados e em nenhuma delas se chegou ao menos em alguma explicação lógica. A única coisa que se tinha certeza era que o lugar não era seguro. Isso fez com que a polícia colocasse toque de recolher a todos os menores de idade a partir das dez horas da noite e qualquer circulação nos arredores do parque e floresta de Etofuru fossem proibidas.

    Voltando aos fatos, no quarto de Jason estava Piece 1, que dormia em sua cama. Porém, ao pressentir algo, se levanta e vai até a janela, com um pulo. Olhando para o quintal, percebe que não era o único a ter esse sentimento: Spark estava até mesmo em alerta, pressentindo a aproximação de alguém. Logo, ao fundo, se escondendo entre as folhagens do Jardim, estava um grande lobo de pelugem azulada e com uma cicatriz em seu olho direito. Era Moonsand, o suposto pai de Lupa. Não havia sequer diálogo. A troca de olhares entre os Anis já dizia por si só: haveria um combate. Só a presença de Moonsand era intimidadora, fazendo com que Piece 1 e Spark ficassem em posição de luta, aguardando a investida do lobo. Ele, percebendo que a qualquer momento poderiam atacá-lo, diz:

    — Me acompanhem. Os humanos nada tem a ver com o que trataremos…

    Ele então começa a caminhar lentamente para dentro da mata fechada aos fundos da casa da senhora Hawoen, sendo seguido por Piece 1 e Spark. Quando se certifica que já estão um pouco distantes, praticamente no meio da pequena floresta nos arredores do quarteirão, o lobo interrompe sua caminhada, passando a fitar os outros dois Anis. Moonsand, com um olhar ainda mais intimidador, diz:

    — Você não sabe como me incomoda saber que você está vivo, Piece 1. Nunca imaginaria que viria sua carcaça imunda mais uma vez.

    Piece 1, mostrando desconhecimento, diz:

    — Me poupe de suas palavras vagas. Não o conheço, lobo.

    — Não diga mentiras. Nós o destruímos em Kioto. Fhor se sacrificou para isso.

    — Lobo, está com problemas. Eu não sei do que está falando.

    Moonsand, já tomado pela irá, dessa isso bem claro aos dois:

    — BASTA! EU VOU ACABAR COM VOCÊ MAIS UMA VEZ!

    O lobo então começa a se concentrar e, imediatamente, todo o chão ao redor de todos começa a tremer. Logo uma imensa onda formada com o solo segue contra Piece 1 e Spark que, com um salto para o lado, conseguem se esquivar. Mas o lobo nem esperou muito tempo para ver a eficácia de seu ataque e partiu para cima do felino que, ainda ressabiado por causa da esquiva, iria receber o golpe das garras do lobo. Mas Spark, ágil no raciocínio, intercepta Moonsand e, usando seus raios, impede o ataque e arremessa contra o lobo azulado uma esfera eletrizada, que o atinge em cheio. Com o choque, Moonsand é arremessado para longe, acudindo sua queda com uma manobra no ar, caindo em pé. Spark diz:

    — Mestre, para trás. Eu irei protegê-lo.

    — Spark, não preciso de sua ajuda.

    — O senhor não está com vem por cento de seu poder. Ele é poderosíssimo.

    — Eu já disse que não preciso de…

    Moonsand estava mesmo determinado a atacá-los. Como se nada tivesse acontecido, o lobo corre então contra Spark, que ficou a frente de Piece 1 para protegê-lo. Mas, surpreendendo os dois, embora seja grande, Moonsand mostra o quanto era habilidoso e devia o ataque que iria fazer, executando um movimento rápido para o lado. Logo uma imensa cortina de poeira tons o lugar, praticamente retirando qualquer visão periférica dos dois. Era difícil sequer olhar a ponta de seus narizes. Spark, preocupado, diz:

    — Mestre, como eu disse, ele é muito poderoso.

    — Nada que eu não possa ligar, Spark.

    — Meu senhor, não o subesti…

    E antes que pudesse completar, Spark é atingido por uma onda de terra, o jogando para longe de Piece 1, que não conseguia ver nada. Preocupado com a investida do lobo, pensa:

    — *Spark está sendo Insolente, mas ele analisou bem a situação. Eu não estou com todos os meus poderes. Eu não consigo sequer sentir sua presença. Ter recuperado aquele humano me custou muita energia e precisaria te mais tempo para recuperar parte do que perdi. O momento é preocupante. Este lobo é um estrategista… nos separou para ter mais chances contra mim…*

    A leitura de Piece 1 estaria correta, pois Moonsand usou uma estratégia para vencê-los. Mas logo era possível saber o porquê da investida de Moonsand. Era possível ouvir, no meio de toda aquela poeira, vários ruídos que arremetiam a uma luta. Piece 1 não podia estar vendo o que estava acontecendo e tampouco conseguia usar de seus poderes psíquicos para pressintir algo. Logo a poeira abaixa um pouco e o felino podia ver vultos ao fundo, evidenciando de fato um embate. E assim que a visão torna-se melhor, Piece 1 se surpreende ao ver Moonsand praticamente subjulgando Spark, golpeando-o sem dó com suas garras. O canino estava acusando todos os golpes, já cambaleando a cada investida. Era evidente que não haveria como revidar, já mostrando sua entrega a luta.

    Moonsand, olhando para Piece 1, diz:

    — Eu vou fazer você pagar por tudo que fez. O primeiro será matar esse miserável na sua frente, pra mostrá-lo que não importa quantos aliados tiver, nós sempre iremos te derrotar.

    O lobo então, concentrando seus poderes, junta várias rochas próximas frente a seu focinho, formando com elas um tipo de lança. Embora fosse feito de pedra, a suposta arma parecia bem pontiaguda e seus arremessada por Moonsand a qualquer momento. Piece 1, tenso o pior, mostra rendição antes que acontecesse o pior:

    — PARE! NÃO O MATE!

    Moonsand havia se surpreendido com o pedido de Piece 1. Havia cessado seu ataque, penso para o felino. Ele, ainda surpreso, diz:

    — Você pedindo para que eu pare? Desde quando se importa?

    — Eu não sei do que você está falando, mas eu não posso deixar que o mate…

    Moonsand via-se numa situação inesperada. O tamanho do seu ódio por Piece 1 era visível em cada olhar do lobo, mas nesse exato momento o grande lobo se viu cercado de dúvidas. As coisas estão mesmo ficando complicadas.

    Minutos depois

    Jason enfim chega a sua casa e, para seu desespero, havia uma patrulha da polícia estacionada em sua porta, com vários moradores vizinhos em volta. Ele sem perder tempo entra em sua casa e segue até o quintal. Lá estava sua tia, que falava junto aos policiais, e sua prima, Iamiko, que estava sentada ao chão, em prantos, segurando Spark, que mostrava alguns ferimentos. O jovem, indo até Iamiko, diz:

    — Meu Deus! O que houve aqui, Iamiko?

    — Jason… algum miserável fez isso com meu cachorro. Olha o que ficarem com ele... Precisamos fazer algo...

    Jason então pega o animal e, preocupado, diz a Iamiko:

    — Rápido, Iamiko. Pega uma toalha lá dentro e a maleta de primeiros socorros que a veterinária deixou aí para o gato. Vamos fechar essas feridas dentre antes de levar no hospital veterinário.

    A garota logo corre até sua casa. Jason lembrou das palavras de Lupa ao segurar Spark naquele estado. Percebeu então que a jovem de cabelos prateados estava mesmo falando sério e que a situação se tornou verdadeiramente complicada, pois agora envolvia a segurança de sua família. Mas tratou de tentar perguntar a Spark o que houve, antes que sua prima voltasse:

    — Spark, se puder me ouvir, me diga o que aconteceu com você.

    O canino, com muita dificuldade, diz:

    — Um lobo…

    — Lobo?

    — Muito maior e mais forte… que a mim e meu mestre...

    — Ele te fez isso?

    — Sim… era um ser extraordinário… um Anis que nunca vi…

    E Jason, com temeridade ao perguntar, não evita:

    — E Piece 1?

    Spark calou-se naquele instante. Uma frustração era visível em seu olhar…

    Continua.


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!