Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulos:

    Capítulo 33

    Conflitos na Agência - Parte 2: The Darling

    Spoiler, Violência

    Um dueto. Muitas coisas irão acontecer.

    Preparem-se.

    A noite foi de muitos acontecimentos. Já era de esperar que a essa altura da história as coisas esquentassem ainda mais, tendo em vista a grande repercussão da exposição de Noah Hibiki por causa do vídeo vazado do torneio T.O.R.M.E.N.TA. Porém não foram todos os agentes que se levaram pelo que viram e a grã mestra da Agência, Asuka Tenjoin, não sabia desse pequeno detalhe.

    Sendo assim, seguimos nesse cenário cabuloso, cujo desfecho é imprevisível.

    Ala Go

    Alojamento.

    Mesmo após a discussão entre Carol e Lenzin ter acontecido, o momento de lazer e descontração se manteve durante o jantar. Viktor havia ido até a cozinha preparar a sobremesa, com. Arthemis o ajudando. Logo o jovem humano retornou, trazendo uma bandeja com a iguaria. Mas ao chegar percebe que sua convidada guardiã não estava ali, com ele perguntando:

    — Ora, onde está a Lenzin?

    E Carol, se sentando, diz:

    — Trabalho, piá. Trabalho... Você sabe como é essa gente... Aff...

    — Trabalho? Mas ela disse que...

    — Liga pra ela não, piá. Vida segue...

    — Mas...

    — Ih cara... Vai, mostra logo o que tu trouxe aí!

    — Ah claro!

    Ele então colocou a bandeja sobre a mesa, sem fazer nada mais além disso, o que chamou a atenção de Liane.

    — Viktor, o que você trouxe dessa vez?

    — Ora, senhorita Liane... Porque não abre a bandeja?

    A dente de sabre não perdeu tempo e retirou a tampa: era um tipo de bolinho porém com cores sortidas e com um aroma adocicado espetacular e contagiante, que tomou o lugar rapidamente. Todos que alí estavam não conseguiram resistir ao cheiro, sendo dominados só pelo olfato.

    Começou com Sheng:

    — Cara, cara, cara... Isso cheira muito gostoso!

    E Liane:

    — Viktor... Esse aroma... Ahhh... *É um encanto, só pode ser... Viktor, você... é o... máximo!*

    Tats:

    — Imaginem o sabor disso! Eu quero provar!

    Milla:

    — Oh! Viktorius... Isso é ainda mais bonito e apetitoso que os sonhos que você fez na casa da árvore! Ai... Ai...

    Carol:

    — Eu não sei o que é mas a metade disso é toda minha! Cê é loco...

    E na vez de Lilac, a dragão olhou para o doce de uma forma especial, com seus olhos brilhando como se não estivesse segurando. Ela então se levantou, indo até Viktor. Próximo do jovem, ela diz:

    — Viktor...

    — Hã? O que foi, Lilac?

    — Isso que você fez...

    — O que?!

    — ... é lindo! Não somente saboroso, que eu sei que está, mas é uma obra de arte.

    — Ah... Eh... Bem... – Tentou dizer, bastante envergonhado – É que... Bem... Queria fazer algo que impressionasse e...

    — Me impressionou... – Disse a bela dragão, esboçando um lindo sorriso – ... e a todos também.

    Lilac ainda mantinha o brilho nos olhos, enaltecendo o trabalho de Viktor. Com todos contemplando o doce feito pelo jovem, Arthemis logo diz:

    — Haha... Carros amigos... Vive le France! Essa iguaria é orriginal do mundo de nosso comprade Viktor. Seu nome é Macaron, um bolinho feito com farrinha de amêndoas, doce de nozes e açúcar. Uma dádiva dos deuses, uma explosão de sabor inigualável... et un beau plat! Colorridos como um arco írris depois de uma chuva de verrão. Bon appétit!

    O sotaque francês de Arthemis ilustrou bem o clima, com Carol dizendo:

    — Ah caraca... Arthemis... Que fofinha você falando assim!

    — Mercy!

    — Zidane feels!

    — Hã? Mas do que você está falando?

    — Tá... Relaxa. Liga não, Ronalda.

    — Hã?

    — Ih... Vamo, gente! Vamo invadir essa bandeja e mandar esses bolinhos bunitinhos pro buchin!

    Como Carol sugeriu, todos começaram a comer a sobremesa. Nem é preciso dizer que o doce foi um tremendo sucesso, causando ainda mais contentamento por parte de todos pelo belo jantar que Viktor proporcionou. Sorrisos, brincadeiras, altas conversas... Tudo isso ilustra o quanto a noite foi agradável e divertida. Mas se existe uma pessoa que roubou a cena, essa foi Carol. A felina verde ditou o astral do jantar, com inúmeras palavras sem sentido, divertindo a todos. E ao mesmo tempo que o jantar se desenvolvia, Lilac não parava de olhar para Viktor, que nem desconfiava que estava sendo observado.

    Horas depois...

    Ao fim das festividades, Liane, assim como Sheng e Tats, se despediram de todos, em especial a Viktor. A dente de sabre diz:

    — Fazia muito tempo que eu não sabia o que era me divertir. Devo lhe agradecer, Viktor. Foi um jantar perfeito e muito divertido.

    — Agradeço a sua presença, senhorita Liane.

    — *Eu adoro quando ele me chama de senhorita...* Tudo bem. Até a próxima.

    E dessa vez foi Sheng:

    — Cara, que jantar irado foi esse! Me diverti muito e você cozinha muito bem.

    — Valeu, Sheng. Volte sempre, tudo bem?

    — Pode deixar. Até, Vik. Durma bem.

    Porém, ao sair, o felino alaranjado olhou para Noah, pensando:

    — *Esse cara... Ele está segurando toda essa barra de cabeça erguida. Acho que tirei uma conclusão precipitada a seu respeito, Noah. Você lutou contra a grã mestra e... não se intimidou com a força dela e até a golpeou. Você ganhou parcialmente meu respeito. Vejamos como será amanhã...*

    E Tats:

    — Eh... Bem... Agradeço de coração por ter me convidado. Sabe, a gente não se fala muito e...

    — Tudo vem, senhorita Tats. E quando devo ir para a cozinha da Agência?

    — Ah sim. Bem, talvez amanhã eu já consiga isso. Eu te aviso. Até a próxima.

    — Até.

    Viktor então entrou ao alojamento, mas esperando por ele lá estava Lilac que, o olhando nos olhos, diz:

    — Quero falar com você.

    — Hã? Comigo?!

    — Sim.

    — Si-sim... O que eu...

    — Nós precisamos conversar sério. Mas não hoje. Está tarde.

    — Tudo bem, mas do que se trata?

    — Viktor, amanhã podemos sair? Só nós dois?

    — Hã? Só nós dois? Lilac, o que...

    — Não, hoje não. Só amanhã conversaremos. Está tarde.

    — Espera, deixa eu ver se entendi bem: você está me convidando pra um encontro, é isso?

    — Sim. Porque? Não podemos?

    — Po-podemos sim. Só que foi um pouco inesperado, hehe.

    — Bobo! Amanhã de manhã a gente se encontra, tudo bem?

    — Tudo bem, Lilac. Até amanhã.

    A dragão, em um tom sério, deixou a sala e logo foi para o dormitório das garotas. Viktor, caminhando até a cozinha, viu Milla lavando os pratos. O jovem, surpreso, diz:

    — Milla, você não precisava fazer isso. Eu iria lavar.

    — Não, Viktorius. Você fez muito pela gente hoje. Então isso é o minino que eu poderia fazer.

    — Tudo bem, Milla. Hehe, você faz isso muito bem até.

    — Sério? Hihi. Gostei de saber disso.

    — Obrigado pela ajuda.

    Enquanto Milla lavava a louça, Viktor começou a arrumar o que ela já havia lavado, mas a canina perguntou:

    — Eh... Viktorius?

    — Sim, Milla.

    — Essa gente que veio aqui hoje...

    — O que tem?

    — Eles gostam muito de você. Todos eles, mas... Você também gosta deles?

    — Sim, Milla. Eu gosto dessa gente. A senhorita Liane é muito forte e legal. A senhorita Tats é um amor de pessoa e o Sheng é um cara demais! Mas porque você está perguntando isso?

    — É que em todo lugar que eu vou e você está perto eu sempre vejo gente sorrindo e ficando feliz. Eu acho que você tem uma habilidade especial de trazer felicidade.

    — Oh Milla... Isso foi muito gentil da sua parte.

    — Não, Viktorius. O único gentil aqui é você.

    — Hã? Eu?

    — Sim... e isso é muito bom. Eu me sinto muito bem em estar perto de você, Viktorius. Tudo que você faz é muito importante pra gente.

    — Como assim?

    — Você cuida da gente, se preocupa, deixa tudo organizado e bem limpo... Você não é como a minha mestra disse sobre garotos. Você é muito diferente... Por isso que eu sempre pergunto se você gosta de quem gosta de você. Pra eu saber que você gosta do mesmo jeito. E você gosta de verdade. Eu gosto muito de você, Viktorius. E eu quero ser como você, gentil e bondoso assim.

    — Ah Milla... – Disse Viktor, abraçando Milla carinhosamente – ... eu não sei nem o que dizer depois de tudo que você disse. Mas seja você mesma... pois é assim que as coisas devem ser.

    — Mas eu posso me inspirar em você. E eu vou!

    — Hehe... Tudo bem, Milla. Bem, acho que acabamos aqui. Estou indo dormir. Até amanhã e durma bem.

    — Você também, Viktorius.

    Milla, após ajudar o jovem humano, foi até o banheiro, para se preparar para ir dormir. Viktor, como de praxe, foi até o dormitório dos garotos, onde encontrou Noah deitado lendo um livro. Viktor então diz:

    — E aí, Noah.

    — Olá, Viktor. Belo jantar. Você tem mesmo uma habilidade em cozinhar. Parabéns.

    — Ah... Obrigado. Mas eu queria te perguntar uma coisa.

    — Diga... – Disse, colocando o livro sobre a cama, se sentando – O que quer perguntar?

    — Eu ouvi a Carol dizer que a senhorita Lenzin selou esse seu poder, o Kaipasu...

    — Ela realmente o selou, mas...

    — O que?

    — Não tenho orgulho nenhum em ter aprendido Kaipasu.

    — Como assim? Você passou sua vida toda treinando...

    — A inocência, Viktor. A brutal e enganadora inocência... Eu não tinha ideia do quão destrutivo era essa doutrina até conhecer Lenzin. Veja o mal que ela causou a todos...

    — Mas ela causou mal a você também.

    — Por isso mesmo. Causar mal a mim o fez a todos também... A guardiã do Reino pode ser fechada e inconveniente, mas ela só está fazendo seu trabalho. Eu não guardo mágoa alguma dela. Não tenho direitos pra fazer isso.

    — Ah entendo.

    — E isso também se estende a você, Viktor.

    — Hã? O que?

    — Primeiro por causa da Lenzin: você gosta dela?

    — Hã?! Como assim?

    — Você a convidou e ela, estranhamente, aceitou ser convidada. Provou sua comida e gostou... Na última vez também foi assim. Tem algo que quer me dizer sobre isso?

    — Eu gosto da Lenzin. Ela é forte e muito ágil. Me ajudou a treinar e...

    — Isso nos leva a segunda coisa: você realmente é muito inocente.

    — Noah, o que quer dizer com isso?

    — Viktor, há coisas acontecendo por trás dos panos o tempo todo. Essa sua inocência está te atrapalhando a enxergar a real natureza das coisas... Trate de ficar ligado. Não dê brechas. No momento que coisas estiverem prestes a ocorrer, o golpe será mais duro e dolorido em você.

    — Porque está me dizendo isso? Acha que eu não sou capaz de ter meu próprio julgamento?

    — Não é isso. Eu acho você muito capaz de fazer tudo que quiser. O que me preocupa é o tempo que você pode levar pra perceber coisas além de sua capacidade... Você não está fazendo nada errado, Viktor. Só que chegou a hora de você para de deixar essa sua inocência te limitar. Você não está em um mundo ordeiro. Coisas ruins podem te acontecer. É só um conselho – Disse Noah, voltando a se deitar e ler seu livro.

    — Obrigado por se preocupar comigo, Noah.

    — Disponha. Bem, fique a vontade.

    Sim, Noah estava mesmo preocupado com Viktor. Não só pelo humano estar em um mundo cheio de perigos mas pela situação atual do albino. Depois de ouvir Noah, Viktor começou a preparar sua cama preta ir dormir, mas... porém... entretanto... todavia... Carol apareceu como que por mágica na frente de Viktor, o assustando:

    — AHHH! Carol?! O que você...

    — Tá com medo, piá? Quero trocar um lero contigo. Pode ser?

    — Ah... Tudo bem. Pode dizer.

    — Ah piá... – Disse, o puxando pelo braço – Vem, vem comigo...

    — Ei, pra onde está me levando?!

    — Vem, piá. Fica frio...

    A força, Carol levou Viktor até o pátio do alojamento. Estando os dois a sós, o jovem diz:

    — Carol, o que foi?

    — Piá, antes de mais nada: valeu aí pelo grude maneiro que tu fez. Comida da boa, coisa de loco.

    — Ah obrigado. Mas o que...

    — Shh! Agora eu vou entrar no assunto... Cara, que harém que tu fez hoje... Tô até pasma. Tu não dá mole mesmo, hehe.

    — Hã? Harém? Não dou mole? Carol, que papo é esse?!

    — Hm? Qual foi, Vik?

    — Qual foi o que?

    — Piá, tu tá de saca comigo... Só pode.

    — Carol, diga logo o que está acontecendo.

    — Piá, abre o jogo logo. Quem tu tá afim?

    — Hã? Afim de que?

    — Cara, não vem com essa. Eu não vou conseguir dormir sem saber quem tu tá de papin.

    — Carol, eu não tenho a mínima ideia do que você está falando.

    — É a marombada dentuça, né?

    — Hã?

    — Então a fofinha da Tats?

    — Carol...

    — Então é... Oh my gonnies! O Sheng?!

    — CAROL, VOCÊ ESTÁ LOUCA?! Vai, me diz o que está acontecendo!

    Carol se deu conta que nada que estava falando fazia sentido na cabeça do piá... Digo, Viktor. Ela logo se colocou em pensamentos bem resumidos:

    — *Piá Liane Tats Sheng Arthemis = Harém. But Piá don’t know everything. So... [Piá] – Liane Tats Sheng Arthemis = piá é inocente* AH CARACA... =/

    — CAROL!

    — Hã? O que?

    — Diz alguma coisa que faça sentido!

    — Piá, tu é um inocente mesmo...

    — Até você, Carol? Porque está dizendo isso?

    — Cara, tu não consegue ver?!

    — Ver o que?

    — Ai, caraca... Essas mina toda tá afim de você! 

    — Hã?! Do que você está...

    — Elas querem você! De mãos dadas, trocando olhares, conversando no pé do ouvido, beijando...

    — COMO É QUE É?! Carol, para com isso!

    — Eu? Cara, tu tem o dom de ser gentil demais e nem percebe que esse é seu principal charme. Esse tempo todo as mina só tão ficando mais e mais gamadas em você... E tem o Sheng também...

    — Hã? O que tem ele?

    — Viktor...Viktor... Viktor... O Sheng também, o neko fofinho... Ele parece estar na fila.

    — Fila?

    — Ah piá... Eu vou deixar bem explicadin for you: Liane, Tats, Arthemis... o Sheng talvez... Eles gostam de você. Todas tem interesses amorosos por você. VOCÊ É O CULPADO DE TER ROUBADO O CORAÇÃO DESSA GENTE! Assim, fofin, bem cute, só love... Interesse amoroso, Vik. Querem namorar você! 

    Por alguns segundos Viktor entendeu bem o que Carol quis dizer sobre tudo e isso não estava mesmo o deixando confortável com a situação. Ele então diz:

    — Não... Não... Não pode ser...

    — Mas “Zé”!

    — Não, Carol... Isso não está certo...

    — Tá sim. Só escolher, Vik. Nyah! :3

    — O que eu faço, Carol?

    — Sei lá... O estrago já tá feito. E eu tô adorando...

    — CAROL!

    — Cara, não grita. Fica sussa.

    — Não! Você não entende? Eu não quero nada disso!

    — Mas essa gente quer. Aceita que dói menos.

    — Não tem como aceitar isso! Carol, me ajuda! Eu não quero isso! Eu sou de outro planeta, de outra espécie... Como pode pensar em eu ter esse tipo de... – Tentou completar Viktor, desesperado.

    — Ei, Viktor...

    — Eu não... Carol... Socorro... Eu não sei o que fazer... A Lilac vai me matar!

    — Calma, piá... Tá maluco?! Nunca que ela iria fazer dessas coisas...

    — A Lilac disse pra que eu não entrasse em nenhuma confusão mais, então eu passei a tratar todo mundo bem e... Eu fiquei mais gentil e...

    — Cara, calma aí!

    — Me ajuda, Carol! Me ajuda! Por favor!

    — CALMA! Senão vou jogar água fria em você! Relaxa, Viktor!

    — Me ajuda!

    — Cara, se eu soubesse que tu ia ficar assim eu nem começava a zuera... Calma. Olha, desculpa... Eu tava te zuando.

    — Isso não parece brincadeira sua porque faz todo sentido agora!

    — Putz... Tirei sua inocência?! Cara... Tô mó mal agora, serião...

    — Me ajuda!

    — Viktor, calma. Tu não fez nada errado. Olha, tem duas coisas que está a seu favor no momento...

    — Quais seriam?

    — Primeiro que os moderadores do Spirits Fanfic não permitem essas papagaiadas por aqui. Regras e regras, pra deixar tudo clean e seguro pros miúdos, ora pois...

    — Hã? Mas do que você...

    — E segundo que tu não deixou aberto nada. Ou seja, essa gente não vai dar o segundo passo antes de você dar o primeiro. Ou seja, tu tá no ponto bom, de reconhecimento. Basta tu colocar as cartas na mesa que nada vai acontecer. E isso tu faz de boa.

    — Você quer dizer eu deixar claro que eu só quero amizade?

    — Isso! Caraca, tu ainda tem salvação...

    — Mas eu não quero deixar ninguém mal. Eu gosto deles.

    — Sim, cara. Só vai na boa e não joga a real na lata do nada. Seja você mesmo. Tu vai conseguir.

    — Tudo bem. Sabe, estou mais tranquilo agora. Obrigado, Carol – Disse, beijando o rosto de Carol.

    Por alguns segundos Carol, a felina verde, logo se transformou na felina vermelha: seu rosto logo ficou vermelho, o que logo chamou a atenção de uma certa alguém:

    — Carol Tea?

    — Ar-arthemis?! O... O... O...

    — Carol Tea, você está com uma temperatura corporal muito acima da média. Eu recomendo fortemente um bom banho relaxante com essência de chocolate.

    — Acho que eu... eu... eu... eu vou querer!

    E Viktor, preocupado, diz:

    — Carol, o que...

    — Tu fica longe de mim, seu marimbondo!

    — Ueh?! Mas o que...

    — Como é que tu faz um negócio desse comigo?! Quer morrer?

    — Mas é só uma forma de te agradecer.

    — Me agradecer?! Cara, tu me fez perder a calma e até a Arthemis tá me recomendando banho “deluxe”!

    — Desculpa, Carol. Não queria te deixar assim. É que no meu mundo a gente demonstra carinho dessa forma.

    — Seu... Ah... Cara, da próxima vez que você quiser me mimar só basta pagar um sorvete, pode ser? Larga mão de ficar beijando meu rosto... Tu parece até afim de mim assim, pô!

    — Tudo bem. Desculpa. Não abraçar forte e nem beijar o rosto. Já entendi.

    — Tá beleza. Aprendeu então. Isso aí. Vamo entrar e dormir que o nosso mal é sono.

    E então os dois entraram no alojamento novamente. Viktor logo foi para o dormitório dos garotos e Carol foi a cozinha tomar água. Sentada numa cadeira, se refrescava enquanto pensava:

    — *Cara, o piá é muito gente boa. Mas caraca... Ele tem que parar de ser inocente. Só que... – continuou pensando, colocando uma das mãos onde Viktor a beijou – ... ele é muito fofo. Tão fofo que até me deixou sem jeito... Ah Viktor... Tu não é fácil. Se eu não fosse quem eu sou já tava gamadona em você também... Haha! Hahahahaha!*

    Porém Arthemis voltou a se materializar na frente de Carol, que diz:

    — Arthemis?

    — Carol Tea, tenho um assunto muito sério para lhe dizer.

    — O que? Ah sim... O São Paulo foi desclassificado, né? Quero é novidade...

    — Não sei do que você está falando, mas nada tem a ver com o que eu irei te mostrar.

    — Ah é? Então diz.

    Logo Arthemis projeta na parede uma filmagem. E logo Carol arregalou seus olhos, pois o que estava vendo mudaria todo seu comportamento: era Lenzin, que caminhava pelos corredores da Agência... só que com lágrimas nos olhos. A felina verde, sentida, diz:

    — Arthemis, não me diga que...

    — Ela saiu daqui e foi direto para sua moradia no setor G... chorando.

    — Ah caraca... Caraca... O que eu fui fazer? Essa minha boca...

    — Eu nunca havia visto a guardiã chorar antes. Carol Tea, ela ainda está assim em sua moradia...

    — Tu tá espionando ela?

    — Não, mas meus sensores conseguem saber de seu estado de espírito.

    — Tô ligada... Nossa, cara... Eu joguei a real pra ela e... Putz... Cara, que noite cabulosa que não acaba. Tipo... Arthemis... Eu vô na casa dela amanhã. Eu preciso conversar com ela... Tipo, explicar meu ponto de vista... Essas paradas... e... Bem... pedir desculpas...

    — Carol, Lenzin é temperamental. Você estará correndo riscos se for até sua residência.

    — Tá, mas eu preciso resolver essa parada com ela. Tá certo que ela mereceu, mas caraca... Isso eu não queria. Deixar alguém mal não me agrada. Cara, tô mó mal agora... Putz...

    Arthemis, após dar a notícia, voltou para o apartamento de Asuka, que já estava dormindo. E a Carol lhe estou ir dormir com esse peso na consciência.

    Horas depois...

    Como Carol mesmo já demonstrou, sua inquietude se manteve mesmo em sua cama. Com Lilac e Milla dormindo, ela permaneceu durante um bom tempo acordada, pensando no que Lenzin estava passando. Ver suas lágrimas, mesmo que seu rosto não demostrasse tristeza tampouco choro, deixou ainda mais a felina verde preocupada.

    — *Cara, eu não vô conseguir dormir pelo visto... Dessa vez eu pisei na jaca bunito... Eu não queira nada disso e... A Arthemis disse que eu posso correr perigo em ir lá na casa dela... Ah eu tenho que resolver essa parada com ela...*

    A noite não foi nada agradável para Carol.

    O tempo passa...

    Alojamento da Agência, manhã.

    A manhã na Agência era diferente comparado a da superfície. Embora Arthemis simulasse perfeitamente o sol nascendo no céu holográfico no teto da instalação, o clima não era o mesmo. Porém, para atenuar essa estranheza, Viktor contemplava a todos com um café da manhã bem caprichado, regado a um chá quentinho e cheiroso de camomila e:

    — Bolo de limão?! Viktor... Eu amo bolo de limão! – Disse Lilac, já se servindo com uma fatia.

    — Nossa, Viktorius. Esse bolo parece estar uma delícia só na aparência e no cheiro! – Disse Milla, também se servindo.

    — O chá está ótimo... Mas esse bolo me foi uma surpresa – Disse Noah, que nunca tinha provado um bolo de limão, tirando uma fatia e degustando – Viktor, isso está uma delícia mesmo!

    — Obrigado, pessoal – Disse Viktor, se sentando em seguida.

    E do nada, caminhando quase como uma zumbi, Carol apareceu na sala de refeição. Porém a felina verde vai se sentou a mesa, indo direto ao banheiro. Percebendo que algo não estava certo, Lilac se levantou e foi até Carol. Lá, ela diz:

    — Carol...

    — Ah... Oi Lilac...

    — O que aconteceu?

    — Aconteceu que eu tô bem. Filé. Bombada. Haha... Ha...

    — Carol, para com isso. Porque essa cara?

    — Só tenho essa, boba.

    — Para de ser bobona! Me diz o que está acontecendo.

    — Só dormi mal, Lilac – Disse, se espreguiçando – Uahhh... Eu vô ficar bem com o tempo...

    — Tudo bem. Venha então. Viktor preparou um bolo de limão que está divino. E o chá também está ótimo!

    — Ah tá... Depois, Lilac.

    — Como é?

    — Tô afim não. Logo logo eu como um pedaço.

    — Ok... Você está mesmo mal. Pra você não querer comer o que o Viktor fez, então a coisa é séria...

    — Lilac, na boa... Preciso resolver uns pepinos aí. Só tô dando um trato no picomã e já tô de saída.

    — Saída?! Carol...

    — Que foi? Tu tem suas tretas e eu tenho as minhas...

    — Carol...

    — É meu nome. Não gasta, tá?

    — CAROL!

    — Ah caraca... O que foi? Logo de manhã gritando...

    — Para de ficar fugindo! Diz logo o que aconteceu!

    — Olha, confie em mim... Só deixa eu resolver e confia na sua amiga. É coisa séria, não vai ser fácil mas eu vou resolver, tudo bem? Confia em mim, Lilac. Por favor – Disse, com o semblante sério.

    A dragão entendeu que Carol estava mesmo falando sério (raramente ela age assim) e logo tratou de dizer:

    — Carol, seja lá o que for, se precisar de ajuda é só pedir. Eu confio em você, sua bobona.

    — Obrigado... Nyah... =/

    Um detalhe muito importante (que a Carol vai gostar): ela já estava usando o uniforme da Agência no estilo masculino mesmo, usando calças.

    — Pelo menos isso, né locutor? Valeu a força...

    Mas Lilac naquele instante entendeu que sua amiga estava mais séria que de costume e se procurou com isso. Vendo Carol sair sem sequer tocar no bolo, ela pensou:

    — *O que a Carol fez dessa vez? Porque esse segredo todo e... porque ela estava tão séria? Tem coisa aí, mas... Ela pediu pela minha confiança. E se ela pediu isso é porque se garante. Bem, vou deixar nas suas mãos, Carol... Você sabe que pode contar comigo.*

    Minutos depois...

    Viktor estava na cozinha, lavando a louça do café da manhã. Ao terminar logo foi tomar um banho. Ao fim, já devidamente uniformizado, estava penteando o cabelo quando Lilac o surpreendeu, dizendo:

    — Você não esqueceu, né?

    — AHHH! Lilac?!

    — Bobo... Esqueceu mesmo.

    — Ah sim... O encontro, né?

    — Eh... Você está considerando mesmo isso como um encontro? Que fofo...

    — Bem... Você me chamou pra sair e... *Espera... A Carol disse que eu sou inocente e... Espera aí... A Lilac me chamou pra sair, então... MINHA NOSSA! A Lilac... Ela... Não, não pode ser... Eu... Eu não posso... Não posso mesmo!*

    Mas a dragão notou que Viktor estava parado e travado.

    — Ei, Viktor... Você está bem?

    — Eu? Ah... Bem... Eu estou sim... Estou... Hehe...

    — Tudo bem... Então vamos?

    — Hã? Pra onde?

    — Nós íamos sair juntos, Viktor.

    — Ah sim sim... É isso mesmo.

    — Então, podemos ir?

    — Po-podemos sim... *O que eu faço?!*

    Enquanto isso...

    Dormitório dos garotos.

    Aproveitando o resto da manhã, Noah estava deitado em sua cama e lendo um livro. Porém, o interrompendo, Milla entrou no quarto dizendo:

    — Ah... Oi, Noah.

    — Olá, Milla.

    — Eu posso falar com você?

    — Hm... Tudo bem – Disse, sentando a cama – O que houve?

    — Não, nada... Eu só queria saber se você quer ir comigo lá na ala Ichi pra te apresentar a Zoey.

    — Zoey, a doutora?

    — Sim, hehe.

    — Milla, eu queria muito ir mas... *Do que eu estou temendo? Dane-se...* Quer saber? Vamos então, Milla. Eu vou te acompanhar.

    — Sério? Legal!

    Com a confirmação de Noah, Milla se retirou e foi se arrumar. O mesmo fez o albino, colocando o uniforme da Agência. Já com os dois na sala, com Milla também vestida adequadamente, a canina diz:

    — Bem, então vamos!

    — Sim!

    Pelo visto o dia na Agência será bem cheio.

    Minutos depois...

    Ala Go

    Moradia real – Casa de Lenzin

    Em frente ao lugar, lá estava Carol. Olhando para a contrução, ela diz:

    — Cara, a Lenzin aqui tem praticamente um templo só pra ela. Olha o tamanho desse lugar, cê é loco... Ah mas não posso ficar pensando nessas coisas. hoje não é dia pra diversão. Vamo resolver a parada logo...

    Ela então foi até a porta, chamando pela panda. Não havendo resposta, ela diz:

    — Caraca... Será que a panda não está? Cara, que drog...

    Mas Carol precisou interromper o que iria dizer, pois ao menor encostar na porta, a fez a abrir. Sabendo que Lenzin não a respondia e a felina verde que, por natureza, era curiosa, entrou na residência. Andando lentamente pelo grande salão da moradia da guardiã na Agência, Carol ficou impressionada novamente pelo luxo do lugar. Tudo arremetia a um templo chinês, com um altar ao fundo e incensos acessos exalando uma doce fragrância de rosas silvestres.

    — Cara, que lugar confortável... Tipo, eu aqui me sinto mesmo segura e... em paz. Esse silêncio daqui dá uma calma mesmo. A Lenzin tem mó vidão...

    Um soco.

    Sem defesa.

    Desferido por Lenzin.

    Com toda a força.

    Só ligarmos os pontos: Um soco, com toda a força, desferido por Lenzin, atingiu o rosto de Carol, sem chances de defesa. A intensidade do golpe foi tanta que fez com que Carol voasse e caísse longe. A felina, logo após a queda, ficou por um tempo imóvel, tentando raciocinar o que estava acontecendo.

    — Ai... Caraca... O que foi iss... – Tentou dizer Carol.

    Porque tentou dizer? Como uma flecha Lenzin, que estava emanando uma aura verde por todo seu corpo, estava com sua espada a poucos centímetros do pescoço da jovem felina. A guardiã, mostrando fúria em seu olhar, diz:

    — Últimas palavras, invasora?

    — Você está...

    — Pense bem no que você irá dizer, fedelha – Disse, forçando a espada para mais próximo de Carol.

    — Lenzin, tu tá falando sério?!

    — Do mesmo jeito que você... E você já deve saber do que se trata.

    — Tá... Entendi... O socão foi pelo o que eu disse... Tá beleza... Eu mereci... Show...

    — Peguei leve pra ter o prazer de usar minha espada contra você.

    — Opa, peraí... Tu tá pensando mesmo em me matar?

    — Você invadiu o domínio de um membro do Reino de Shang Mu. Toda pessoa que cometeu tal crime pode e deve ser julgado no mesmo instante pelo oficial... e até mesmo executá-lo.

    — Tá errado isso...

    — Últimas palavras, Carol Tea?

    — Tenho sim... Se eu tenho esse direito, então eu quero!

    — Diga brevemente.

    Carol, olhando nos olhos da guardiã, diz:

    — Desculpa.

    — Primeiro invade e depois pede perdão? Não poderia esperar nada diferente disso de você...

    — Não... Não é porque eu tô aqui no seu pedaço. É por causa do que eu falei pra você ontem de noite...

    — Um pouco tarde pra se arrepender, Carol Tea.

    — Tá, beleza... Tu tá certa. Só que... Tipo, se for pra tu me matar então só quero que tu saiba que tô mó mal como te deixei lá... e eu vim aqui só pra dizer isso. Desculpa aí, falou?

    — Porque agiu como uma ordinária na frente de todos?

    — Porque tu ia prender o felpudin...

    — Você não tinha nada a ver com isso.

    — Tinha sim, Lenzin...

    — O que?

    — O felpudin faz parte do nosso time... Não podia dar as costas e nem ficar calada. Já tamo aqui sem a gente querer e...

    — Suas palavras naquele momento me incomodaram, Carol Tea. Seu comportamento inconveniente me causou constrangimento na frente de oficiais da Agência. Como acha que estou agora?

    — Muito mal... como eu tô também. Tu acha que eu gosto de fazer isso com todo mundo? Tá errada...

    Mesmo diante as palavras francas de Carol Lenzin não recolheu sua espada. Ainda tomada por fúria, a panda guardiã diz:

    — Porque disse aquilo a respeito de Viktorius Ashem?

    — Hã? Que tem?

    — Porque disse aquilo? RESPONDA!

    — Ei... Não grita... Caraca, o que foi agora?

    — Carol Tea... Responda. RESPONDA AGORA!

    — Para de gritar... Poxa... Tu quer saber mesmo? Tá... Beleza: tava olhando vocês. Não funfa, saca? O piá e você... Pff...

    Mas o descaso de Carol causou uma reação ainda mais intimidadora de Lenzin que, a puxando e a prendendo com força contra uma parede, ainda com sua espada no pescoço da felina, gritou:

    — EU TENHO CHANCES COM ELE COMO... ah... – Quase completou Lenzin, parando de falar.

    Sim, foi o que vocês perceberam. E Carol também percebeu. Com as duas trocando olhares, a jovem felina diz:

    — Lenzin... Você...

    — Carol...

    — Caraca... Lenzin, então você...

    — Carol Tea, não... Não é o...

    — Você realmente... Serião...

    — Carol...

    — Lenzin... você está mesmo afim... do Viktor?!

    Dessa vez a guardiã que foi colocada contra a parede. Sendo assim, seu segredo acidentalmente foi colocado a tona. Um grande dilema estava prestes a ocorrer.

    Enquanto isso...

    Ala Go

    Praça central.

    Um lindo Jardim no centro da praça, com flores sortidas, assim como um pequeno lago, demonstravam bem o bom gosto de jardinagem e arquitetura dos agentes do lugar. Claro, com o monitoramento onipresente de Arthemis. Bancos espalhados eram bem convidativos para um pequeno descanso depois de horas de trabalho ou uma simples conversa casual. E esse era o que Lilac e Viktor estavam prestes a fazer. Com os dois caminhando a margem do pequeno espelho d’água, a bela dragão esboçava descontração, sorridente. Já Viktor... Bem, ele não estava tão a vontade assim. Um pouco tenso, se assim pudesse dizer. E ao estarem próximos a lugares vagos, Lilac diz:

    — Veja, Viktor... Vamos sentar alí.

    — Tu-tudo bem... *O que eu faço?!*

    Com a dragão se sentando, Viktor fez o mesmo, mas de forma bem travada, que ela mesma percebeu:

    — Viktor, você está bem?

    — Estou... Eu acho.

    — O que houve?

    — Nada, Lilac.... É que...

    — Ah já sei... Você nunca saiu com garotas, não é?

    — Não... Não... Eu no meu mundo eu saía sim e... – Disse, ficando envergonhado.

    — Hahahaha! Calma, eu estava brincando.

    — Ah... Isso não é justo! – Disse, ficando um pouco desconfortável.

    — Hehe... Calma, Viktor... – Disse Lilac, segurando em sua mão – Nada tem de se preocupar. 

    Viktor ficou ainda mais vermelho depois da ação da dragão. Ele, sem saber o que fazer, pensou:

    — *A Lilac está muito carinhosa comigo! O que eu faço?! Eu... Eu não sei o que fazer ou o que dizer...*

    Mas a bela dragão tinha um talento de contornar situações, principalmente quando envolvia pessoas bastante ligadas a ela.

    — Sabe, desde que a gente encontrou você eu entendi uma coisa...

    — O que?

    — Que tem um porque de você estar aqui.

    — Mas como assim?

    — Viktor, no seu mundo... Tem alguém esperando por você?

    Essa sim foi uma pergunta que mudou o andar da conversa, com Viktor dizendo:

    — Quando eu estava lá, meu mestre foi a última pessoa que eu vi... e tem meus amigos.

    — Amigos?

    — Cloud, Alvarez, Richard, Mirianda, Stephanie... Amigos de infância...

    — Entendi... Você sente falta deles, não? – Disse Lilac, olhando para uma flor.

    — Sim... Crescemos juntos e... *Acho que eu não devo dizer mais além disso...*

    — E? O que foi Viktor?

    — Eu vou te dizer uma coisa, Lilac... Eu não tenho muito de onde vim. Mas o pouco que tenho já me é suficiente. Os meus amigos... Todos eles... São independentes e são pessoas amáveis. Todos tem suas vidas...

    — Porque está me dizendo isso?

    — Nós aprendemos a viver como adultos cedo. Responsabilidades, obrigações... Essas coisas vieram rápido e... isso foi bom e ruim.

    — Como assim?

    — O bom foi porque temos mais conhecimento... e o ruim é que pra termos a parte boa... nós... Algum de nós, na verdade...

    — Viktor... *Eu já entendi. Houveram perdas... Mas será que Viktor teve alguma?! Nossa, melhor eu mudar de assunto antes que...* — Se preocupou Lilac, apertando ainda mais sua mão a de Viktor.

    Imediatamente Lilac se levantou, puxando Viktor, que diz:

    — Hã? O que foi?

    — Vem, bobo! Quero te propor uma coisa!

    — Mas o que é?

    — Vem!

    Ele então cedeu e seguiu Lilac, que não soltava sua mão. Durante a breve caminhada, ele pensou:

    — *Eu... Ela... Está diferente. Eu não me sinto pressionado como antes e... É como que eu estivesse a vontade...*

    A dragao então o levou até o jardim florido, soltando sua mão. Lilac então virou para Viktor e, esboçando um sorriso, diz:

    — Muito bem... Eu quero que você escolha uma flor e coloque entre meus cabelos.

    — Hã?! Mas porque...

    — Shh! Só faça isso, Viktor! Não é capaz de agradar uma garota? Vai logo!

    — Tudo bem... Eu vou tentar.

    Como tarefa, Viktor caminhou para até às mais variadas flores que haviam no lugar. Calmamente as observou, parecendo escolher com afinco, a fim de agradar Lilac, que ficou de costas para onde o jovem estava. Depois de um tempo, Viktor retornou, mas escondendo sua escolha. Com Lilac o olhando, ela diz:

    — Ueh... Cadê a flor?

    — Bem... Sendo bem sincero, eu havia escolhido de início orquídeas.

    — Ah... Como sua recomendação “Arthemis faz tudo”, não? Hehe...

    — Sim. Orquídeas significam suavidade e nobreza, assim como dragões são.

    — Me galanteando, Viktor? – Disse Lilac, sorrindo.

    — Não, não... Olha, eu só estava dizendo que...

    — Hahahaha! Relaxe, bobo!

    — Nossa, você pegou de me zuar que nem a Carol...

    — Hahaha! Vai, continua o que você estava dizendo. Vamos ver no que vai dar isso...

    — Ah... Bem... Eu também escolhi depois a flor magnória... São milenares e belas. Exalam uma fragrância doce e agradável, que também combinam com sua personalidade.

    — Nossa, Viktor... Isso foi muito gentil.

    — Hehe... Nunca ouvi tanto essa palavra como agora. Hahahaha!

    — Bobo! Hahaha! Vai logo... Me diz qual a flor que você escolheu! Você escolheu, não?

    — Sim, eu escolhi...

    — Então me mostra! *Do jeito que eu espero dele, tenho certeza que é uma flor lilás, hehehe...*

    Porém Viktor, sorrindo, mostrou a flor escolhida. No instante que o jovem mostrou a Lilac, tou como se a dragão fosse mesmo surpreendida, não acreditando no que via. Ela então diz:

    — Viktor... Essa flor...

    — Eu a escolhi porque ela simboliza força, conhecimento, liderança, beleza... e amizade franca e verdadeira. Tem tudo a ver com você e do que representa mais do que qualquer flor daqui.

    — Viktor... *Minha nossa... Ele não para de me surpreender...*

    A surpresa de Lilac tinha um bom motivo: era uma rosa amarela real.

    Enquanto isso...

    Ala Ichi

    Centro de pesquisas da Agência.

    Como combinado, Milla e Noah foram até o lugar para que a canina apresentasse sua nova amiga. Já com os três dentro de uma sala, Zoey diz:

    — Milla me disse muito sobre você, Noah. E já lhe digo que não o julgo pelo vídeo. A fofinha me explicou tudo. Odeio coisas fora de contexto. Isso gera muitas discussões...

    — Eu entendo, Zoey. E agradeço pelo apoio.

    — Olha só... Dois novos amigos juntos e se entendendo bem – Disse Milla, se sentando entre os dois.

    — Sim, Milla... Hehehe... – Disse Zoey, a abraçando.

    Mas estando em um centro de pesquisas, o albino logo percebeu o que estava escrito em anotações e em monitores próximos. Ele então diz:

    — Zoey... Você está fazendo uma pesquisa, não?

    — Sim. Estou pesquisando sobre aplicações de raios lasers em quantidade estequiométrica. É uma teoria nova e...

    — Eh... Poderia me dar a liberdade de ajudá-la em suas anotações?

    — Hã? Claro, mas... Você entende disso?

    — Um pouco. Com sua licença...

    Inesperadamente, Noah começou a fazer um novo arranjo nas teorias anotadas num quadro na parede. Embora Zoey fosse incrível como cientista, o albino tinha todo o conhecimento de seu pai em sua mente. E sua contribuição foi bem específica:

    — Zoey, você havia feito tudo certo. Porém um ajuste era necessário...

    — O que seria?

    — Bem, sabemos que os elétrons ao se movimentarem numa camada eletrônica não absorvem e nem emitem energia. Então, no cálculo estequiométrico, essa absorção deve e sempre será em ordem crescente e constante. Uma vez iniciado, só após um resfriamento absolute zero poderá diminuir essa crescente. Minha sugestão: controle a temperatura de o início, sem permitir a absorção.

    — Oh nossa... Noah... *Como eu não consegui ver isso? Ele em minutos já deu uma solução a um problema que estava tentando descobrir faz uma semana... Ele... Ele parece a... Asuka?!*.

    Então a loba cientista se surpreendeu com o Albino? Até Milla ficou surpresa, dizendo:

    — Nossa! Noah... Eu não sabia que você era inteligente como a Zoey!

    — Ah... É que eu li essa teoria em um livro... Lá na biblioteca eu sempre tive tempo de sobra pra ler...

    — Na biblioteca?! Espere... Você está falando da biblioteca da Cidade de Shang Mu?! – Perguntou Zoey, assustada.

    — Sim. Eu sou o bibliotecário de lá.

    — MINHA NOSSA! Esse livro que você leu se chama “A arte da física aero especial”?

    — Oah... É esse mesmo. Mas como sabe?

    — É que... *Como eu me esqueci de tudo desde livro?!*... foi o meu pai que escreveu.

    — É mesmo? Nossa, que coincidência. Mas então o seu pai é um sábio. Aquele livro ensina muitas coisas sobre estudos de lasers...

    — Sim! E meu projeto começa exatamente onde o livro termina.

    — Então o que eu acabo de fazer foi...

    — Isso mesmo! Você resumiu a teoria do meu pai em uma só equação que eu esqueci que era o principal ponto. Muito obrigada, Noah!

    — Mas... Mas... *Veio por instinto... Eu não fiz esforço algum pra ver isso... Mas como isso aconteceu?*

    E novamente, depois de um longo tempo, Noah retornou a seus devaneios, ouvindo a voz de seu pai em sua mente, que diz:

    — Sua sabedoria, meu filho...

    — Pai?! É você?

    — Sim... Noah, você precisa usar mais o que sabe. Isso é a chave para que resolva tudo.

    — Eu sei, mas o que eu fiz agora veio no automático.

    — É assim que se usa ferramentas. Inteligência não é uma coisa que vai te dar status ou riqueza. É somente uma ferramenta que você usa pra trazer transformações. Faça uso sempre que puder. Mas nunca se esqueça do que é... mais... importante...

    — Hã? O que, pai? O que?

    Milésimos separaram Noah de sua breve conversa com seu pai e sua volta a realidade. Milla, encantada com o ocorrido, diz:

    — Então Zoey... Você vai conseguir fazer o teste de raio laser dessa vez! Você vai!

    — Sim, Milla. E eu te agradeço muito, Noah!

    — Foi um prazer, Zoey.

    Porém hoje seria um dia de muitos acontecimentos. E um bem significativo iria acontecer naquele momento de conquista: com a porta automática se abrindo, uma felina vestindo um bodysuit usando uma jaqueta por cima diz:

    — Prazer terei eu agora em acabar com tudo relacionado ao Kaipasu, Noah Hibiki!

    Mais um atrito. Mais um conflito a vista.

    Enquanto isso...

    Ala Go

    Moradia real – Casa de Lenzin.

    Lenzin estava prestes a cravar sua espada em Carol. Diante o que a felina verde disse, ela se colocou em pensamentos:

    — *COMO PUDE SER TÃO DESEQUILIBRADA A PONTO DE DIZER ISSO?! Ela... Carol Tea... Ela agora precisa ser eliminada. Ela descobriu meus pensamentos e... isso pode ser catastrófico! Eu irei cortar sua cabeça! Tudo acaba agora!*

    Mas Carol não era uma pessoa que iria ficar calada. Diante esse dilema, ela diz:

    — Lenzin, eu...

    — CALE-SE, CAROL TEA! SEU FIM CHEGOU!

    — Não... Isso tá errado.

    — NÃO ESTÁ! VOCÊ INVADIU MEUS DOMÍNIOS!

    — Não é disso que tu tá falando... Essa parada que você disse...

    — EU VOU TE MATAR, CAROL TEA!

    — ENTÃO VAI! CORTA, SUA GUARDIÃ MALUCA! VAI! SE TU NÃO FAZER, EU VÔ TE CHAMAR DE FROUXA!

    — PELOS DEUSES, CAROL TEA... EU VOU FAZER!

    — Vai em frente então! Só que isso não muda o fato de VOCÊ gostar do Vik! E se tu gosta dele mesmo, já tá na sua cachola que o piá vai ficar mó mal em me ver bater as botas!

    Sim, Carol novamente dobrou a guardiã. Pensativa e se esforçando para não ir em frente com o que pensava em fazer, Lenzin retraiu sua espada. Segurando Carol pelo pescoço contra a parede, diz:

    — Me dê um bom motivo para não terminar com você, Carol Tea.

    — Ah... – Tentou dizer, segurando um dos braços que a segurava – Tu pode me soltar a a gente conversar. Fala sério, Lenzin: tu não entende nada disso, né?

    — Do que está falando, sua delinquente?

    — Paixonite, Lenzin. Tu tá enfeitiçada com a gentileza do piá... E eu te entendo.

    — Como ousa em dizer isso?

    — Só me solta... E me deixa conversar com você.

    Como Carol pediu, Lenzin a soltou, recuando em seguida. Com Carol pegando ar, a felina diz:

    — Ahhh... Caraca... Por um minuto pensei que ia me arrepender de não ter comido um pedaço do bolo de limão do piá...

    — Grrr... Tudo pra você é motivo de piada, Carol Tea! Você só faz as coisas ficarem mais difíceis...

    — Aí, pega leve. E não muda de assunto!

    — Mudar de assunto?! Você invadiu minha residência e...

    — Parou! Parou! Essa porta abriu sozinha e tu não respondia quando eu chamava. Então nem vem... Eu entrei porque tava preocupada. Falou?

    — Eu te odeio, Carol Tea...

    — Você gosta do Viktor, Lenzin. Garota, vai lá e fala com ele isso!

    Mas Lenzin, ao ouvir isso, deu as costas para Carol, ignorando totalmente o que ela sugeriu.

    — Aí... Tô falando contigo.

    — Eu não quero falar sobre isso...

    — Lenzin... Tu precisa. Vai lá e fala pro Vik que...

    — NÃO É TÃO FÁCIL ASSIM, CAROL TEA! – Gritou a panda, se virando – Eu sou a guardiã do Reino de Shang Mu, discípula mor da família de exorcistas Tzu Chiang... Treinada em Shuigang no mais nobre monastério de guerreiros...

    — Tá, tu é importante e tal... Show. Agora o que isso tem a ver?

    — Eu fiz um voto... Todo membro que se coloca como voluntário em proteger as pessoas dessa cidade tornam-se impedidas de terem laços com qualquer um... Eu não sou uma voluntária mais. Eu treinei e desenvolvi todos os poderes, esses que herdei e nutri obediência a minha família.

    — Tu tá brincando, né? Tu não pode ter nada com ninguém, é isso?

    — Algo unilateral de mim. Ninguém me forçou, tampouco é uma maldição ou coisa do tipo... Me é motivo de orgulho ser a guardiã do Reino de Shang Mu. E assim o serei... até o fim de minha vida.

    As palavras da guardiã tiveram um impacto na mente de Carol, que já estava cansada de tanto dizer. A felina, olhando para Lenzin, diz:

    — Lenzin... Escuta: só diz pra mim que você ama o Vik.

    — Carol Tea, isso que está pedindo...

    — Vai logo! Diz!

    — Pare...

    — DIZ LOGO, NEERA 2!

    — CAROL TEA, PARE DE...

    — DIZ, CARAMBA!

    — EU O AMO! EU AMO VIKTORIUS ASHEM! – Disse, desesperada.

    Naquele momento, a panda guardiã olhou para Carol, enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. Rapidamente ela escondeu de Carol, que diz:

    — Lenzin... O que foi?

    — Não... Me deixe em paz!

    — Porque está chorando?

    — Você não tem ideia de nada... Não sabe como é difícil viver pra proteger as pessoas...

    — Eu sei sim. Lilac, Milla e eu... e até o piá, a gente cuida um do outro.

    — Não nesse sentido... Proteger um reino significa abrir mão dos próprios sentimentos. Eu sempre tive sucesso nisso... Mas foi no dia que conheci Viktorius Ashem que tudo isso mudou.

    — Porque?

    — Ele foi gentil comigo desde o início, tentou me agradar, teve paciência comigo... Todas as pessoas que eu protegi sempre me trataram com indiferença e... Com o Viktorius Ashem é diferente: ele simplesmente age comigo como se eu fosse alguém... e eu não posso retribuir esse sentimento.

    — Lenzin... – Disse Carol, abraçando-a.

    — Eu o amo, Carol... Mas não posso retribuir esse meu amor. Eu sei que ele me vê como uma amiga, mas eu nunca poderei me expressar. Pelo bem de todo o reino... e o meu.

    — Lenzin... Eu entendo você. Mas tem uma coisa que eu não peguei...

    — O que?

    — Essa parada de você não poder retribuir. Cara, tá errado... Como você não pode retribuir?

    — De nenhuma forma...

    — Lenzin, tu já tentou ser legal com o piá?

    — Hã? Do que está falando?

    — Ah sei lá... Tipo, conversar com ele de boa, sem interesse nenhum. Só conversar como duas pessoas...

    — Eu... Eu já tentei...

    — Então... Tu tá dizendo que não pode retribuir e tal... Lenzin, seja legal com o piá. Só isso. O cara tá num mundo diferente do dele, não tem poder algum pra se defender, mas olha o cara aí vivendo de boa e fazendo gentileza. Tu não é a única com problemas. Tamo segurando mó barra com essa coisa aí da jóia...

    — Como isso pode resolver as coisas, Carol Tea?

    — Trata o piá como ele te trata. Tu ama ele, Lenzin. Faz o bem pra ele, seja gente boa com o cara. O fato de tu ter esse voto não quer dizer que tu tem que ser assim sempre azeda e áspera. Tu não tá mostrando fraqueza sendo assim. Tu tá é mostrando ser forte, já que tá fazendo o bem.

    Carol estava mais do que certa. As lágrimas de Lenzin pararam quando ela raciocinou melhor:

    — *Ela está certa... Não só certa: ela me trouxe uma nova forma de ver como devo viver! Carol Tea... Por duas vezes me fez ver perspectivas diferentes em um curto espaço de tempo... Eu a julguei mal, Carol Tea...*

    Mas Carol se empolgou, dizendo:

    — E também, não é a toa que você ficou assim.

    — Do que está falando?

    — O piá... Ele é muito legal, companheiro, sabe cozinhar, cuida da gente... Fora que ele mesmo sendo um stranger é bonitin, hehe... E sendo um garoto ele cheira bem, é carinhoso, sabe bater papo, sabe dar carinho... Nyah! O cara tem todas as qualidades de...

    Mas Lenzin não perdeu tempo e, percebendo que Carol estava dizendo tudo aquilo, diz:

    — Hm... Para uma “amiga” você conhece muito de Viktorius Ashem, não?

    — Hã? Que tá pegando?

    — Creio que alguém aqui está escondendo sentimentos por Viktorius Ashem... e não sou eu.

    — O que? Pera lá, Lenzin... Não vem com essa! Eu... Eu... Eu...

    — Você também tem sentimentos por ele!

    — AHHH! NÃO! NÃO! Você entendeu errado!

    — Admita! Você nutre sentimentos por ele!

    — NÃO! NÃO! NÃO! Eu só tô dizendo as qualidades dele!

    — Você fica perto dele o tempo todo. Então pra você é mais fácil coletar dados pra ter vantagem! Admita!

    — Não! Eu não tenho nada com o piá! Corta essa!

    Carol começou a correr de Lenzin, que a perseguia. Mas era uma brincadeira amistosa. A panda guardiã naquele instante havia feito uma nova amizade. Carol a mostrou um caminho seguro até Viktor. E seu sorriso espontâneo era a resposta. Foi resolvido ali uma ânsia que a guardiã alimentava. Carol a ajudou... e a salvou.

    Continua.


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