Freedom Planet: Faith & Shock

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    12
    Capítulos:

    Capítulo 32

    Conflitos na Agência - Parte 1: The Dinner

    Spoiler, Violência

    Um dia que não acabava. Várias intrigas e discussões acontecerão.

    Uma saga de dois capítulos, que eclodirá num evento inédito.

    No último capítulo descobrimos toda a história de Asuka Tenjoin, o que nos trouxe um pouco de entendimento de suas motivações e objetivos. Por estar intimamente ligada a vida de sua amiga Ingris, cujo nome real é Waiifu, sua preocupação se tornou um calvário para Arthemis, a IA responsável por todo o monitoramento da Agência e uma das melhores amigas da grã mestra. Tendo em vista esse cenário, após Arthemis terminar o conto, Noah junto a Lilac decidiu que esta era a hora de começar a ajustar as coisas, até porque o jovem albino havia sido exposto para toda a Agência. Frente a isso, ele decidiu:

    — Hora de visitar Ingris.

    Um período de diversos conflitos estava prestes a acontecer na Agência. E eu repito: “Diversos conflitos”. Isso não se restringia só ao Noah.

    Enquanto isso...

    Ala Go – Setor G

    Moradia real – Casa de Lenzin

    — ASUKA TENJOIN! AHHH! O QUE VOCÊ FOI FAZER?!

    Lenzin, embora na Agência morasse em uma moradia rústica como a do palácio, havia equipamentos modernos como TV. E foi justamente por causa disso que a guardiã se manifestou dessa forma: ela viu o vídeo de vazamento. E não parou por aí.

    — Essa irresponsável... Como ela teve a petulância de ir tão baixo assim? Noah já é um assunto consumado... O que ela quer mais? Idiota...

    Ela, indo até a sala, pegou sua espada e seguiu em direção a porta, pensando:

    — *Espero que não precise usar minha espada hoje... mas eu creio que isso não está longe de acontecer. Hm... Essa sensação... Eu sinto uma abominável energia negativa fluindo... Eu pressinto o mal... e isso aumenta a cada minuto.*

    A guardiã então começou os preparativos. Ela, olhando para o lado de fora, diz:

    — Devo imediatamente ir até Asuka... Eu não posso deixá-la impune do que está fazendo... *O Viktor pode estar em perigo. Eu devo ir lá e... NÃO! PORQUE ESTOU PENSANDO NISSO AGORA?!*... A grã mestra jogou muito sujo dessa vez, e eu preciso dar um fim em suas atitudes... * ... e o Viktor deve estar triste com isso. Porque ele... NÃO! PORQUE ESSES PENSAMENTOS?!*.

    Lenzin, colocando seus selos por dentro de sua vestimenta, continuou pensando:

    — *Isso só pode ser... NOAH?! Não... Eu o selei... Não há só que temer, mas... VIKTOR?! Eu preciso ir até o alojamento e.... PORQUE EU ESTOU PENSANDO NELE NESSE MOMENTO DE CRISE?! NÃO! Eu tenho que me focar... Preciso encontrar Noah e... PORQUE EU NÃO CONSIGO PARAR DE PENSAR NO VIKTOR?!*

    A panda guardiã, ainda com seus dilemas ante seus sentimentos, continuou seu caminho. A noite só estava começando.

    Enquanto isso...

    Ala Go – Setor S

    Edifício da família Daiyomondo

    Durante a exposição de Noah, Viktor e Liane Saber observavam a TV, com o jovem humano dizendo:

    — Eh... Bem... Eu... Eu acho melhor voltar para o alojamento.

    — Hã? Porque?

    — Eu estou com um pressentimento que as coisas irão mudar e...

    — Você não fez nada errado, Viktor.

    — Mas eu acho que o Noah vai precisar do meu apoio com certeza.

    — Ah... Eu entendo... Então tudo bem. Eu não vou te impedir de ir embora.

    — Espera... Deixa ver se eu entendi bem: você está triste por eu estar indo embora, é isso?

    — Eu sou uma Daiyomondo. Nossa família sempre se vale pela honra. Eu sou sua anfitriã nessa moradia e lhe devo muito por isso.

    — Liane, está tudo bem... Eu só não quero te deixar mal com isso.

    — Eu não o agradei o suficiente. Por isso estou indignada comigo mesma.

    — Ei... Não exagera. Escuta... Pelo visto as coisas lá no alojamento ficarão um pouco agitadas... – Disse, passando a pensar em seguida – *Cara, essa gente toda da Agência agora sabe o que aconteceu no torneio. Acho melhor eu fazer algo... Ah já sei!*

    E com Liane o olhando, ele diz:

    — Be-bem... eu já tinha planos de fazer um jantar caprichado pra todos lá... Mas diante seu dilema, porque não vem jantar com a gente?

    — Você está me convidando para um jantar? É isso?

    — Claro! O alojamento é bem espaçoso. Vai ser um prazer ter você por lá também. Quero deixar tudo animado, hehe... *A Lilac disse pra eu evitar problemas, então eu vou fazer soluções. Vai ser legal teu a Liane como aliada, não é?*

    — Eu aceito! Estarei lá.

    — Legal! Então mais tarde te vejo lá, tudo bem?

    — Afirmativo! Daiyomondo sempre cumprem suas promessas!

    Liane então levou Viktor até a porta, se despedindo em seguida. Ela, o olhando caminhar até fora das dependências do prédio, diz:

    — Um stranger como o Viktor são raros. Ele é forte em espírito e... gentil. É uma honra tê-lo aqui em meu humilde apartamento... e um prazer tê-lo como... amigo.

    Viktor tinha mesmo um dom de fazer novos amigos...

    E na Ala Restrita...

    Angar 3 – Setor de manutenção de armas

    Carol estava ouriçada com a exposição de Noah, com Tayce dizendo:

    — Carol, o que significa isso?

    — Divalinda... Caraca... Essa onda de exposed na net chegou nessa história também...

    — Hã? Mas do que você está falando?!

    — Liga não, deusa... The four wall is broken again... Mas eu tô com medo...

    — Medo de quê? E porque aquele mestiço estava parecendo um demônio ao golpear nossa Sub comandante?

    — Sub comandante?! Pera... Tu tá falando da felpudinha do cabelo de três cores?

    — Sim. Ingris Soul Omna é a segunda no comando de toda a Agência.

    — CARACULIS! Essa eu não sabia, mano!

    — Você ainda não respondeu minha pergunta, Carol.

    — Hã? Eh... Bem... Divalinda, rolou umas tretas nesse torneio que nem te conto... Coisa de filme de artes marciais bem clichês mas... Tipo, a gente sofreu muito, não vou esconder isso.

    — Sofrer?! Carol... Me conte tudo que aconteceu. Eu quero saber!

    — Tayce, olha... Tá tudo de boa agora. Não precisa se...

    — Eu preciso sim. Se você estava em perigo, então é algo que eu quero ter conhecimento.

    — Ah não... Não... Tu tá preocupada comigo? Ah minha deusa nórdica favorita... Isso é muito fofo, cê é loco.

    — Hunf... – Resmungou Tayce, virando o rosto – Não faça as coisas ficarem complicadas pra mim! Conte logo!

    — Tá... Eu vou contar... Mas vai ter que ser rapidão, porque eu... *Cara, tô tentando disfarçar, mas a Lilac e o felpudin devem estar mó tensos lá no alojamento. Caraca... Que que essa otome foi fazer, maluco...*

    Carol não sairia dali tão cedo. Tayce estava mesmo curiosa com todo o ocorrido.

    Enquanto isso...

    Ala Norte – Ichi

    Centro de pesquisas da Agência.

    Ainda abalada com a exposição de Noah, Milla estava muito nervosa, sendo acalmada por Zoey, que diz:

    — Milla, o que houve?! Porque você está assim? 

    — Zoey... Zoey... Isso é muito ruim! Muito ruim! – Disse, temendo.

    — Porque está dizendo isso? E esse torneio? Do que se trata?!

    — O Noah... Ele... Ele deve estar triste... ou irritado... ou... – Voltou a dizer Milla, colocando suas orelhas escondendo seus olhos.

    — Acalme-se, Milla! Me diz... O que aconteceu com ele? Não é um comportamento normal de um lutador...

    — O Noah... Entre estava dominado por alguma coisa ruim... E eu... Eu senti isso... E eu o trouxe... Eu o trouxe de volta antes que... que ele... o Noah...

    — Milla... O Noah... Isso que ele disse é da doutrina Kaipasu. Eu, juntamente com os outros membros da Agência, pesquisamos sobre isso a muitos anos. Asuka Tenjoin tratava do assunto como prioridade um para encontrarmos o responsável por tudo isso... E o Noah... Ele é...

    E Milla, se levantando, olhou nos olhos da loba cientista, dizendo:

    — O NOAH NÃO É UMA MÁ PESSOA!

    — Milla?! Mas o...

    — Esse vídeo não diz o que ele é e sim o que ele foi um dia... E ele não é mais assim! Ele é bondoso e forte... e ele não tem culpa de nada!

    — Mas Milla... Essa luta... As imagens dizem que...

    — O QUE VOCÊ ESTÁ VENDO TEM MAIS VALOR DO QUE EU ESTOU DIZENDO?! Porque se você dizer que sim... Eu... Nós... EU SOU UMA AMEACA A VOCÊ, ZOEY!

    — Milla... Eu...

    — Lilac... Carol... Viktorius... Noah... e eu... NÓS SOMOS O TIME AVALICE! NÓS SOMOS UNIDOS! SOMOS TODOS AMIGOS! POR ISSO SOMOS FORTES!

    A canina logo impôs suas palavras contra o ceticismo de Zoey. O que estava vendo era real, mas não retratava a realidade. Foi isso que ela entendeu ao ouvir Milla. A loba, olhando Milla nós olhos, diz:

    — Você pode ser jovem... ainda descobrindo o mundo, mas... Você tão nova já tem força nas palavras. É claro que eu acredito em você, Milla. Nunca poderia duvidar de você... – Disse Zoey, voltando a abraçar Milla.

    — O-Obrigada por acreditar em mim, Zoey...

    — Eu não tenho ideia do que aconteceu nessa luta, mas se você parou o Noah, então ele travem sabe que você é especial... assim como eu te considero.

    — Zoey...

    A confiança de Zoey por Milla era o ponto principal da loba não ter criado um juízo errado. A canina sabia exatamente do que havia acontecido e tratou de dizer tudo o que aconteceu, inclusive com relação ao selo de Lenzin e todo o desenrolar do torneio.

    Minutos depois...

    Corredores da Agência.

    Caminhando em direção ao alojamento, Viktor estava mesmo preocupado com tudo:

    — *Cara, eu realmente não sei o que pensar direito. Esse vídeo do Noah pode causar confusão por aqui e...*

    E sem que percebesse, acidentalmente o jovem humano se chocou contra uma pessoa, indo ao chão em seguida. Tonto, tentou se recobrar, olhando para frente em seguida. Preocupado, lentamente foi até a pessoa que esbarrou, dizendo:

    — Ah... Me desculpe... Eu... Nossa, mil perdões... Estava caminhando e... Espera... Eu te conheço – Disse, surpreso

    Era Tats Zaphira Omna, a esquilo do Team Omna. Ela, sendo ajudada por Viktor, diz:

    — Ah... Tudo bem... Acontece... É que eu... Ei! Você é o Viktor do Team Lilac?!

    — Sou eu mesmo. E você é a senhorita Tats, não?

    — Sim. Você se lembrou de mim então...

    — Claro. Foi você que fez o milagre pra que eu participasse da final.

    — Hehehe... Que coisa.

    — Sim... Olha, desculpa eu ser desatento. É que estão acontecendo alguma coisa meio tensas e...

    — Ahn tudo bem. Eu sei bem... *Ele deve estar falando do vídeo vazado... Melhor eu bem ticar nesse assunto*... Eh, bem... Pode parecer presunção minha, mas eu queria falar com você...

    — Hã? Olha, eu não fiz nada errado...

    — Fique tranquilo. Você não fez nada errado. Eu é que tenho uma curiosidade...

    — E qual seria?

    — Você é cozinheiro mesmo?

    — Hã? Mas como você...

    — A Lilac me disse. Você é, não?

    — Si-sim... Mas porque essa curiosidade?

    — Eu queria te fazer um convite. Mas não é pra você decidir agora.

    — Convite?

    — Sim. Eu gostaria de te convidar pra conhecer nossa cozinha daqui da Agência.

    — É SÉRIO ISSO?! – Disse Viktor, surpreso.

    — Claro. Eu gostaria que você até desse algumas dicas e...

    — DICAS?! Ah... Eu aceito!

    — Mas... Você nem pensou direito e já aceitou?

    — Eu quero ajudar. E eu quero retribuir o que você fez por mim.

    — O que eu fiz por você?! – Disse, confusa.

    — Sim! – Viktor então segurou nas mãos de Tats, continuando a conversa – Você me deu uma chance de mostrar que eu tinha muito a compartilhar, dar o melhor de mim pra gente vencer o Team Red. Você foi a pessoa que me proporcionou isso e eu me sinto muito honrado por esse convite!

    Tats, ao estar naquela situação, mal conseguia ter palavras e a forma como Viktor a olhava só a deixava ainda mais sem jeito:

    — *Esse stranger... Ele está mesmo sendo sincero e... Ele está segurando minha mão com carinho e... Nossa, eu estou encabulada por um stranger... Mas ele é tão fofo... Ah o que eu estou pensando?!*

    E Viktor não parou, dizendo:

    — Olha, estou organizando um jantar com amigos. Você quer participar?

    — Hã?! Você está me convidando para jantar?!

    — Claro! Depois desse convite é o mínimo!

    — Ah... Bem... Tudo bem... Hehe... Eu irei... Posso?

    — Haha! Estarei te esperando no alojamento!

    Viktor então voltou a caminhar, com Tats o observando. Ela, ainda confusa, diz:

    — *Ah minha nossa... Como alguém pode ser tão fofo assim?! O jeito gentil dele de segurar minha mão... Hã?! O que estou dizendo?! É só um jantar entre amigos... Só isso. Só... SÓ ISSO!*

    As pressas, o jovem seguia seu caminho, até que passou por uma praça ali próximo e, para sua surpresa, viu Sheng sentado com um semblante mostrando abatimento e tristeza. E no mesmo instante Viktor diz:

    — Sheng?!

    — Hã? Vik?! O que você está fazendo aqui?

    Enquanto isso...

    Ala Go – Setor S

    Apartamento de Ingris

    Com vários medicamentos sobre a mesa da sala de estar, Joshy estava furioso com Ingris. Ele, jogando os remédios fora, com a tri híbrida sentada de cabeça baixa, diz:

    — ONDE VOCÊ ESTÁ COM A CABEÇA, INGRIS?!

    — Joshy... Me deixe em paz...

    — Deixar em paz?! Você quase se entupiu de medicamentos e chama isso de paz?

    — Eu não pedi sua opinião.

    — INGRIS, VOCÊ ESTÁ SE DESTRUINDO!

    — Pare de gritar comigo. Eu não vou admitir que continue falando assim comigo.

    — Então converse comigo.

    — Eu não quero conversar...

    — Será que você não tem noção? Pare de fazer isso! Volte a si! Você é uma oficial renomada tanto no Palácio de Shang Mu e principalmente aqui.

    — Hm... Saia.

    — Você é a segunda no comando da Agência! Será que...

    — Saia, Joshy... Somente saia... e me deixe.

    — Se eu sair dessa vez eu não irei voltar, Ingris. Você pode ser a segunda no comando aqui, mas eu sou o líder do Team Omna.

    — Então você sabe muito bem o que fazer. Agora saia.

    Irritado, o lupino pegou sua mochila e seguiu até a porta. Sem olhar para trás, Joshy a abriu, dando de cara com Lilac, que diz:

    — Creio que você já saiba porque eu estou aqui, Joshy.

    — Sash Lilac?! Mas o que...

    — O vídeo. A Asuka o mostrou. Eu estou muito decepcionada com você, Joshy.

    — Lilac, não é assim tão fácil...

    — Não é fácil, eu sei. E eu estou aqui para conversar com Ingris. Eu posso?

    — Não é uma boa hora.

    — Tenho certeza que nunca será uma boa hora. Você poderia me dar licença?

    Sem dizer mais uma palavra, Joshy se viu obrigado a deixar que Lilac entrasse. Caminhando até a sala onde Ingris estava, a dragão disse:

    — Ingris... Ou melhor dizendo: Waiifu.

    — Hã? – Disse Ingris, levantando seu rosto – Lilac?! O que está fazendo aqui.

    — Estou aqui para conversar com você.

    — Do que quer conversar?

    — Primeiro saber como você está.

    — Eu estou bem.

    — Não, você não está... E eu sei disso melhor que ninguém.

    — Eu não te devo satisfações sobre o que faço.

    Lilac, ficando irritada com a desconversa de Ingris, gritou:

    — VOCÊ DEVE SIM! VOCÊ TENTOU HUMILHAR UM ALIADO MEU NA FRENTE DE TODOS NAQUELA LUTA!

    Joshy logo interveio, estranhando o comportamento de Lilac, dizendo:

    — Lilac, o que deu em você?!

    — Joshy, esse é um assunto entre ela e eu. Não se intrometa.

    — Mas nunca te vi dessa forma.

    — Só estou sendo espontânea com o que estou sentindo. Eu durante esse tempo todo só fiquei de olho e ouvidos pra tudo, só esperando o momento certo pra tomar minhas “atitudes inesperadas”.

    — Mas...

    — Mas? Vocês estão julgando o Noah em praça pública, sem direito a uma defesa digna.

    Só em ouvir o nome de Noah Ingris já respirou fundo, recolhendo seus braços. Com essa reação, Joshy diz:

    — Ingris, acalme-se.

    — Esse nome... Eu o ouvi outra vez...

    Mas Lilac não parecia que iria parar:

    — Divulgaram o vídeo com esse propósito. Não foi, Joshy?

    — Lilac, pare.

    — Não, eu não vou parar até que tudo se acerte aqui. Ingris precisa começar a tratar do assunto como se deve. Eu sei de tudo, Joshy. Eu sei de Asuka com a Lenzin, a relação dela com Ingris... Está tudo bem explícito e eu estou cansada de ver tudo isso.

    — E como é que pensa em resolver essa questão? Enfrente os fatos: Ingris não está em condições por causa do possuído e Asuka já tratou de seguir com sua punição. Os agentes irão tornar em público seu proprio juízo. Vox populi, dragão.

    Lilac entendeu bem o que Joshy queria dizer. Como já havia planejado tudo, ela caminhou até a porta, dizendo:

    — Eu prefiro que duas pessoas resolvam seus problemas sem envolver mais ninguém, sabia?

    — Do que está dizendo?

    Logo Lilac sinalizou com uma das mãos para fora da porta, a abrindo totalmente em seguida. E eis que da porta surgiu Noah, que olhou para Ingris naquele mesmo instante. A reação da tri híbrida foi imediata: ficando de pé e em base de luta, gritou:

    — NÃO! NÃO!

    Ingris não foi a única pessoa a se desesperar, com Joshy se manifestando:

    — NOAH?! LILAC, VOCÊ ESTÁ COMPLETAMENTE LOUCA!

    Pelo contrário: Lilac estava até tranquila com a situação. Ela, fechando a porta, diz:

    — Hora de vocês dois começarem a se entenderem de uma vez por todas.

    Uma discussão mais inflamada estava prestes a começar.

    Enquanto isso...

    Ala Go

    Praça central

    Sentados no banco da praça, Viktor e Sheng conversavam. E talvez vocês já saibam do motivo do felino alaranjado estar um pouco triste, não?

    — Eles divulgaram o vídeo, Vik.

    — É, estou sabendo.

    — Eu fui contra isso tudo... Mas eu não consegui fazer nada.

    — Hã? Do que está falando?

    — Eu sou do Team Omna, Vik. Tenho orgulho de fazer parte, mas não assim.

    — Como assim?

    — Como assim o que?

    — Isso de você não conseguir fazer nada.

    — Vik, você não tem ideia da gravidade disso pelo visto...

    — Olha, eu estou preocupado com o Noah...

    — Vik, a Asuka tá querendo destruir o Noah...

    — Eu vi, mas... Espere... Deixa eu ver se entendi bem: a senhorita Asuka fez tudo isso com esse propósito mesmo?

    — Sim! Vik, você não sabia da Asuka?

    — Eu não imaginava que ela fosse capaz disso...

    — Não só isso. Cara, a Ingris tá mal, o Joshy quase me bateu e... Tipo... É, eu estou triste.

    Viktor percebeu que Sheng não estava mostrando mais aquela alegria que sempre teve ao vê-lo e passou a se preocupar com ele por causa disso. Tanto que pensou:

    — *Cara, o Sheng está mesmo segurando uma barra com o time dele. Eu não sei bem o que fazer... Espera, já sei!*

    Ele então pegou uma das mãos de Sheng que, assustado, diz:

    — Hã?! Vik, o que você está...

    — Então... Você tem a mão pesada.

    — Vik?! *Porque ele está segurando a minha mão?! Caraca, a Liane... Ela... Será que ela... Não, senão ele não estaria aqui... Mas... Ele está fazendo isso...*

    — Ei, relaxa. Só estou imitando o que você fez lá na arena. Você tem mão pesada de lutador mesmo. Não é a toa que eu senti tanta dor.

    — Vik, me perdoe por isso. Eu não...

    — Shh! Calma. Você quer vir jantar com a gente?

    — Jantar? Vik, você está me convidando pra jantar? É isso?

    — Sim! Você gostaria?

    — Claro que sim, cara!

    — Legal! Bem, eu vou nessa. Mais tarde a gente se vê.

    — Tudo bem! Isso foi irado, sabia? Eu vou estar lá sem falta!

    — Tudo bem, Sheng. Até mais!

    Assim que Viktor deixou a praça, o astral do felino alaranjado logo mudou para melhor, com ele dizendo:

    — Yay! O Vik é mesmo um cara maneiro! Por isso que eu adoro ele! – Disse, se levantando e fechando os punhos.

    Sheng estava tão animado que alí mesmo começou a desferir socos no ar simulando um combate.

    A noite pelo visto seria longa...

    E de volta ao apartamento de Ingris...

    Music: “On the Precipice of Defeat” by Shigo Sagisu

    Ingris vs Noah: words hurt ... and free too.

    O clima na luxuosa e confortável sala da moradia de Ingris na Agência estava pesado. E isso só se intensificou quando Noah deu um passo em direção a felina, que logo manifestou seus poderes, com uma aura verde a encomendo. Logo ela diz:

    — Saia... SAIA DAQUI! JÁ!

    — Estou aqui pra conversar com você.

    — Demônio desgraçado... Saia já dá minha casa!

    — Demônio? Como eu deveria chama-la depois de tudo que você fez a mim naquela luta?

    — Você mereceu cada sofrimento... e merece ainda mais!

    — Então agora vemos seus reais interesses...

    — NÃO SE FAÇA DE IDIOTA!

    — Não... Eu não estou sendo um idiota. Só que eu percebi que você não tinha boas intenções naquela luta. Seu interesse era me destruir.

    — VOCÊ É O CULPADO!

    — Culpa? De ter cruzado seu caminho?

    — Uma aberração... Um erro em existir... Uma anomalia que...

    — Não fuja, ingris. Não ignore tudo... Você tem total ciência do que fez lá...

    — O QUE? EU FUGIR?! VOCÊ ESTÁ...

    — Não estou louco. Você que ignora sua parte nisso tudo. Ignora totalmente sua incapacidade de saber filtrar o certo do errado.

    — Do que está dizendo? Você tentou... VOCÊ TENTOU ME MATAR!

    — Não... Foi o Kaipasu que vocês tanto odeiam... e que eu agora também odeio.

    — Não tente se esconder por detrás de sua suposta cura! ASSUMA SUA CULPA, SEU DESGRAÇADO!

    Noah voltou a caminhar, dando dos passos em direção a Ingris. Ela, ainda mais nervosa, praticamente fez explodir sua aura, evidenciando para todos que estava disposta a usar seus poderes a qualquer momento. Ao fundo Joshy estava imóvel, com seus dentes a mostra, demonstrando nervosismo a situação. E Lilac estava de braços cruzados, somente observando a conversa nada amistosa. O albino, olhando friamente para Ingris, diz:

    — Então é isso, minha culpa... Muito bem... Eu peço desculpas por ter lutado contra você. Minha ambição te trouxe problemas.

    — ISSO NÃO É O SUFICIENTE! VOCÊ PRECISA SUMIR DESSE PLANETA!

    — Como é?

    — Praticantes do Kaipasu são impuros e merecem ser exterminados!

    — Ingris... Você...

    — Se coloque no lugar mais baixo que conseguir e se deixe perecer, seu demônio. Assim como todos os que seguem ou seguiram essa doutrina demoníaca!

    — Então é isso... Você definitivamente se apóia nessa ideologia?

    — Não é uma ideologia. São fatos. E aqui na Agência isso é lei! Todos os que tem o sinal de Kai devem...

    As palavras de Ingris machucaram Noah de verdade. Não que ele se importe com o que ela achava dele, mas... A história que Arthemis lhe contou sobre Asuka nos seus mínimos detalhes logo trouxe a sua mente também a sua própria história. Transtornado e agora furioso, ele demonstrou todo esse sentimento para Ingris, dizendo:

    — CALE A BOCA! GRR...

    — ARTHEMIS, PROTOCOLO ALPHA! – Disse Ingris, olhando para o sensor em seu apartamento.

    Mas Arthemis não apareceu. Ela, surpresa, diz:

    — Arthemis?! Arthemis?!

    — Ela não virá, Ingris – Disse Lilac.

    — Hã? Mas...

    — Arthemis foi uma das pessoas que permitiram que estivéssemos aqui sem problemas.

    — Mas o.... ISSO É UM MOTIM?!

    — Não. Isso é um acerto de contas. E dessa vez será entre vocês dois... sozinhos. Joshy, vamos lá pra fora.

    Apesar de a princípio não aceitar, o lupino pensou bem e se retirou junto com a dragão, deixando Noah e Ingris a sós. Depois de um longo tempo, novamente os dois estavam lutando... embora de uma forma diferente. Noah, ainda furioso, diz:

    — Você não tem ideia do que está dizendo... Essa ideologia de vocês é detestável!

    — DEMÔNIO!

    — Pare de me chamar disso... Eu estou avisando...

    — VOCÊ É UM DEMÔNIO! UMA ABERRAÇÃO!

    — Ingris... Pare de me chamar assim...

    — TODOS VOCÊS DO KAIPASU SÃO DEMÔNIOS! DEVEM SER EXTERMINADOS!

    — PARE COM ISSO!

    — NÃO, EU NÃO VOU! VOCÊ NÃO AGUENTA OUVIR A VERDADE!

    E o jovem albino, tentando se conter, respirou fundo e passou a caminhar lentamente em direção a Ingris. Ela estava mesmo disposta a agredir Noah, que passou a dizer:

    — Eu passei por muitas coisas até chegar aqui... Muitas coisas que eu prefiro guardar só pra mim pra não causar mais dor em ninguém...

    — Nã-não se aproxime...

    — E então eu estou aqui, tentando resolver as coisas do jeito certo. Mas aí eu tenho você nesse estado... Você está com medo de mim, mas...

    — Afaste-se...

    — ... eu estou com muito mais medo, mas não de você.

    — Saia...

    — Sabe qual o meu maior medo, Ingris? Sabe o que me agonia desde que nós lutamos no torneio?

    — Eu não...

    — Te ver perecer. Eu nunca me perdoaria ao deixar que você caia no mais profundo poço do desespero e não ter mais forças de sair de lá... Então por isso estou aqui hoje...

    Por um breve momento Ingris, embora ainda em base de luta, se colocou em ouvidos do que Noah tinha a dizer:

    — Peço perdão, Ingris. Por tudo... Seja o que eu faça ou deixe de fazer isso não vai apagar a dor que eu te causei ou o mal que a fiz passar... Eu tenho certeza que o terror do Kaipasu que você sente no momento é gigante, numa força que você desconhece, mas... Eu quero que você saiba disso: nos seus momentos mais íntimos, em pensamentos mais escuros que tiver sobre mim, na hora que estiver prestes a cair na perdição... saiba que eu estarei sempre com esse peso nas minhas costas segurando a nossa fibra, a nossa força... e a nossa esperança.

    — Noah... – Tentou dizer Ingris, olhando para Noah.

    — Porque... Eu digo isso porque... – Continuou Noah, com lágrimas nos olhos – Eu sei exatamente o que é ter perdas irreparáveis... Mas eu sei que você é forte, inteligente e capacitada... mais do que eu e de todos aqui. Eu só vim aqui pedir perdão e... te salvar. Fazer você ver além do que significou o Kaipasu pra mim... sem que eu me isente da culpa de tê-lo usado contra você. Então eu te peço: não desista de sua vida por causa da minha. Minha existência não pode ser um obstáculo pra sua felicidade... e você sabe disso.

    As palavras honestas e sinceras de Noah tiveram um efeito devastador no subconsciente de Ingris. Naquele momento, uma batalha moral e ética começou a ser travada na mente da tri híbrida, que ignorou a aproximação de Noah. Ele, a poucos sentimentos de distância dela, diz:

    — Somos lutadores, Ingris. Temos um código de honra: o que acontece na arena fica na arena. Não estou pedindo pra você esquecer tudo... mas pra que use isso como motivação pra passar sobre suas escolhas e preconceitos. Eu peço perdão... pela minha parte da culpa. Você é a sub comandante de Inteligência, Estratégia e Forças Especiais da Agência. Comece a agir como tal.

    Ela ficou sem palavras. Imóvel e ainda chorando, o silêncio de Ingris talvez fosse a resposta que Noah estava atrás. Ele, ao olhá-la pela última vez, deixou sua casa, fechando a porta em seguida. E alí ficou a bela felina, calada e pensativa.

    Ao sair, Noah avistou Lilac e Joshy. Ele logo diz a dragão:

    — Já falei o que precisava dizer, Lilac.

    — Muito bem. Vamos embora.

    Mas o lupino não entendeu absolutamente nada, dizendo:

    — O que você disse a Ingris, Noah?

    — O que ela precisava ouvir.

    — Isso não deveria ser assim...

    — Precisava sim. Hora de você começar a ser um líder, Joshy. Estamos todos do mesmo lado.

    Joshy até iria começar uma nova discussão, mas raciocinou. O lupino então diz:

    — Acreditem... Eu estou tentando.

    — Você vai conseguir. Seu time precisa de você agora mais do que nunca – Disse Lilac, caminhando com Noah.

    A discussão terminou, mas qual será o resultado? Só o tempo dirá.

    Minutos depois...

    Ala Go

    Alojamento.

    Com Viktor entrando na moradia, ele sorridente logo foi até o dormitório. Porém, ao chegar lá percebe Arthemis estava segurando algum tipo de dispositivo... que era o celular do jovem. Viktor levou sua mochila nessa viagem para Shang Mu e com isso tudo que o pertencia também.

    — Arthemis?! O que... Você abriu minha mochila?

    — Viktor-kun... Me desculpa.

    — Mas porque você fez isso? Ah... Você está me investigando, não é? Arthemis, isso que você fez...

    — Hm... Eu não conto mentiras, Viktor-kun. Eu estava curiosa pra saber mais sobre um stranger como você... Não tenho conhecimento nenhum em meu banco de dados.

    — Isso que está na sua mão é meu celular.

    — Sim... Você usa isso pra se comunicar.

    — Nossa... Como você sabe disso?

    — Viktor-kun, temos celulares e telefones em Avalice. Não é algo exclusivo de seu mundo.

    — Ops... É verdade, hehe... Mas meu celular está sem bateria. Não liga e as tomadas de vocês não são compatíveis com as minhas.

    — Também seu disso. Por isso eu coloquei meus nanites unidas aos íons de lítio da bateria e agora seu celular tem energia infinita.

    — Ah sim. Isso é muito legal e... Espere! Deixa eu ver se entendi bem: o meu celular tem bateria infinita, é isso?!

    — Sim, Viktor-kun. Cortesia da Asuka Tenjoin Technologies.

    — Que demais! Mas o que...

    — Você é natural do planeta chamado Terra. Sua posição fica na via láctea... Isso fica a vários anos luz daqui...

    — Arthemis, olha...

    — Você vive em Oak Hill, interior do estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Porém você é de um outro país chamado Grécia e veio para os EUA quando ainda era uma criança e...

    — Arthemis, você sabe de tudo sobre mim?!

    — Quase tudo.

    — O que não encontrou aí que está com dúvidas?

    — Hip-hop... Eu ouvi muitas músicas. Você gosta desse estilo musical?

    — Sim, eu adoro. É meu hobby.

    — Viktor-kun, você é um stranger interessante. Gosto de você – Disse, abraçando Viktor.

    — Ei, ei... Hehe. Você é carinhosa, Arthemis. A Carol vira e mexe tem esse comportamento também. Deve ser natural de felinos.

    — Nyah! :3

    — Olha... Igual a Carol!

    — Eu igual a Carol? Tá de zuera, piá? Toma tino, hein. Fica na atividade – Disse Arthemis, fazendo os mesmos trejeitos da Carol.

    — HAHAHAHAHA! Igual! Imitou ela direitinho!

    E depois da conversa amistosa, Viktor diz:

    — Arthemis, preciso da sua ajuda.

    — Nyah?

    — Eu convidei meus amigos pra um jantar. Você me ajuda a preparar?

    — Com muito prazer, Viktor-kun! Mãos a obra!

    — É isso aí!

    Sem perderem tempo, Arthemis e Viktor começaram a preparar o banquete dessa noite. Com o jovem humano colocando um avental de cozinheiro com a ajuda da IA felina, os dois formaram uma dupla de exímios cozinheiros.

    E assim começa o evento.

    Music: “The Secret Ingredient Called Victory” by Tatsuya Kati

    The Dinner

    Com Noah e Lilac caminhando de volta ao alojamento, os dois ao entrarem na moradia notam um aroma doce no ar. Um cheiro revigorante e animador logo mudou o clima de tensão que os dois traziam consigo. Notando que havia algo de diferente, foram até a cozinha, pois de lá ouviram barulhos. Chegando até o lugar, viram Viktor e Arthemis trabalhando juntos, animados e sorridentes. A dragão, não entendendo nada, diz:

    — Viktor, mas o que é que está acontecendo?

    — Ah... Oi, Lilac. Eu estou preparando um jantar. 

    — Sim, mas... Você nunca saiu assim e... Junto com a Arthemis...

    — Por isso mesmo. Hoje teremos um jantar especial. Até com convidados.

    — Hã? Convidados?!

    — Sim! Logo estão aqui. Arthemis está me ajudando.

    — Arthemis?! Mas...

    E a IA felina, mexendo uma mistura, diz:

    — É um prazer poder ajudar meu Viktor-kun! Ele tem um talento nato pra preparar alimentos. Meus bancos de dados estão sobrecarregados de tanta informação!

    — Ah... Eh... Vo-vocês... Vocês estão mesmo bem animados, não é? Hehe...

    — Lilac Sama... Não precisa ficar com ciúmes.

    — Bem, se vocês... EI! EU NÃO ESTOU COM CIÚMES!

    — Notei um tom de ingenuidade e leve estranheza na sua voz e sua temperatura aumentou dois graus. Recomendo um refrescante copo de suco de maracujá, Lilac Sama. E a ti também, Noah Hibiki.

    O jovem albino, que só observava o ocorrido, se surpreendeu com Arthemis, dizendo:

    — Eu? Mas como que...

    — A temperatura de seu corpo está maior que de Lilac Sama. Recomendo banhar-se com água e sais de banho aromáticos. O relaxamento será imediato. Caso atenda a minha sugestão, já está preparado seu banho nesse exato momento no toilette masculino do alojamento. Prefere água fria ou morna?

    — Ah... Bem... Morna.

    Lilac nem acreditou quando ouviu Noah responder.

    — Noah?! Você aceitou a sugestão dela?

    — Bem... Estou mesmo precisando relaxar.

    — NOAH?!

    Viktor, aproveitando o que Arthemis disse, também deu sua opinião:

    — Lilac, porque não faz o mesmo?

    — Hã? Viktor, você está me mandando tomar banho?!

    — Ei... Não dessa forma. Está um pouco estressada com tudo isso que está acontecendo, não?

    — Sim, mas...

    — Então como minha nova amiga “Miss” aqui falou: recomendo tomar um belo banho com aroma de flores. Orquídeas seria uma boa escolha.

    — Hã? Orquídeas?! Porque?

    — Elas tem a cor e a suavidade que você tem.

    — Ah... – Tentou dizer Lilac, bastante envergonhada, abraçando um dos braços – Viktor, isso que você disse...

    — O que tem?

    — Ah... Nada. Só... Eu só achei fofo. Só isso...

    — Hehehe. Desculpa.

    — Não, tudo bem... Eu vou fazer isso que você “recomendou”.

    Dito e feito. Noah e Lilac foram tomar banho, com Viktor e Arthemis voltando a cozinhar. Porém alguém havia chegado: era Milla. A canina, indo até a cozinha, olhou os dois trabalhando , não entendendo o que estava acontecendo:

    — Viktor? Arthemis? O que vocês estão fazendo?

    — Oi, Milla. Estamos fazendo um jantar. Hoje vai ter muita gente aqui.

    — Igual uma festa, é isso?

    — É, quase isso.

    Logo a campainha tocou, mostrando que alguém estava a porta. Milla, ao ouvir, foi logo atender. Ao abrir, atendeu a uma dente de sabre usando coturno, uma calça cargo verde e um top branco lhe cobrindo o busto. Com um penteado estiloso, era Liane Saber, que diz:

    — Olá, pequena. Viktor está?

    — Oi moça. Você é a namorada do Viktorius?

    — Ah.... Hã?! Olha... Olha... Olha.... Não... Não é nada disso... Eu só estou aqui como amiga. Mas... Mas porque você disse isso?!

    — Você é bem bonita e forte. Por isso eu disse.

    — Não... Não.... Só somos amigos... *Por um minuto pensei que... Ah... Essa pequena quase me pegou no pulo...*

    — Tá bom. Entra, o Viktorius está um pouco ocupado preparando um jantar.

    — Hm... Será um prazer ajudá-lo.

    — Legal! Vem, entra!

    E assim que as duas entraram, a campainha logo tocou novamente. Milla prontamente foi até a porta e a abriu: uma esquilo usando um vestido preto era a pessoa. Tats para ser mais preciso. Milla, olhando pra Tats, diz:

    — Você sim deve ser a namorada do Viktorius.

    — O QUE?! Mas... Milla, sou eu. Tats.

    — Nossa, moça. Você está muito bonita mesmo! Nem reconheci.

    — Mas... Porque você disse que eu era namorada do Viktor?!

    — Porque você está bem bonita. Olha, o Viktorius está fazendo o jantar. Tá trabalhando...

    — Posso ajudar? Eu também sei cozinhar.

    — Tá bom. Entra...

    E com as duas adentrando a sala, novamente a campainha tocou. A pequena canina então voltou a porta, abrindo-a: era um felino vestindo tênis branco, calça jeans e uma camisa com manga de cor vermelha. Era Sheng, que diz:

    — Oi. Você deve ser a Milla. Eu te vi lutar no torneio. E foi irado!

    — Moço, você também veio por causa do Viktorius?

    — Sim, ele me convidou e...

    — Para o jantar?

    — Sim, isso mesmo!

    — Ele está um pouco ocupado fazendo o jantar. 

    — Eu ajudo se ele quiser! Não sei cozinhar, mas sou um bom aprendiz, hehe.

    — Tá bom. Entra.

    Com Sheng entrando e Milla o seguindo, ela pensou:

    — *O Viktorius é mesmo especial. Até o gato do Sheng tá bonito só por causa dele. Essas moças todas também...*

    Enquanto isso...

    Toilette feminino do alojamento.

    Num ambiente confortável, Lilac se banhava exatamente como Viktor sugeriu. Um aroma adocicado que só orquídeas exalavam era sentido, com a Dragão relaxando, sentada na banheira com água morna. Era visível que estava mesmo agradável, pois seu rosto estava corado. Ela, durante o banho, pensava:

    — *Ahh.. isso é muito bom... Fazia tempo que eu não relaxava assim... E essa água... Está na temperatura certa... Acho que nenhuma água tenso teria esse tratamento. A Arthemis é perfeita. E... O Viktor se importa mesmo comigo e com as garotas... Ele... Ele é demais! Mas será que... Não, eu não devo pensar nisso...*

    E no toilette masculino...

    Noah, a exemplo de Lilac, estava segundo exatamente o que Arthemis pediu. Ele, bastante relaxado, logo pensou:

    — *Isso é ótimo. A Arthemis tem mesmo o dom de relaxar as pessoas... Eu estava mesmo tenso e... esse banho está me ajudando... Mas eu sei que nada muda. Eu me garanto, mas eu quero que a Ingris supere isso tudo... Sou responsável pelo que aconteceu, não nego. Mas... só depende dela pra que não caia ainda mais e volte a ser quem ela sempre foi. Você é forte, Ingris. Íris e Ingrid diriam a mesma coisa e ficariam felizes em te ver mais uma vez...*

    Minutos depois...

    Carol.

    É. Carol.

    A felina. Carol.

    — Tá, locutor. A galera já entendeu. Eu entrei no alojamento já e... Tá, beleza... Que cheiro é esse e que barulho todo é esse vindo da cozinha? Parece até os bastidores do Master Chef...

    Ela, caminhando, logo encontrou Milla, que diz:

    — Oi, Carol.

    — Ah... Oi, Milla. Que parada é essa na cozinha? 

    — O Viktorius está preparando um jantar.

    — Beleza, menina! Beleza! Tô cheia de rango mesmo! O piá tá morando no meu kokoro faz um tempão com essas ideias de comida boa!

    — Sim. E temos convidados para o jantar hoje.

    — Hã? Convidados?! Mas o que...

    Logo a felina verde raciocinou e entendeu que tudo isso tinha ligação com a animação que estava na cozinha. Caminhando novamente, viu Lilac, que estava arrumando seus cabelos. A dragão, ao ver Carol, diz:

    — Oi, Carol. O que...

    — Que zuera é essa na cozinha, Lilac?

    — Ei... Eu estou falando com você.

    — Tá. Tô bem. Tu também tá bem. Sussa. Agora me diz o que tá rolando nessa cozinha!

    — O Viktor está preparando um jantar. Ele e a Arthemis estão...

    — O QUE?! – Disse, correndo até a cozinha.

    Lilac então fez o mesmo, tentando impedir com de fazer besteira (como se ela fosse conseguir...).

    — Carol, deixa os dois. Estão preparando o jantar.

    — Tá, beleza. Só quero ver os dois...

    — Carol, para com isso! Vai atrapalhar... – Disse, tentando puxar o braço de Carol.

    — Tá, eu só quero dar uma olhada...

    Mas foi somente as duas olharem para a cozinha e verem que Liane, Tats, Sheng, Arthemis e Viktor estavam bastante sorridentes e felizes, com cada um vestidos com aventais de cozinha, esboçando muita felicidade e amor. Sheng ajudava a trazer legumes, Liane estava limpando o chão, Tats fazia anotações e olhava para o forno, Arthemis mexia um ensopado... A harmonia de cada um era perfeita, mostrando a todos que tudo estava bem. Lilac e Carol, ao ver esse cenário, logo ficam pasmas, não acreditando no que estavam vendo. Logo Carol a puxou para a sala, com a felina voltando a cozinha para dar uma bela olhada novamente. Saindo novamente, se fez presente outra vez, colocando as mãos na cintura, observando-os mais uma vez, como se não estivesse acreditando. Com Lilac colocando uma das mãos no rosto, Carol diz:

    — Tá, Lilac... Tu já sabe, né?

    — Não...

    — Lilac, você viu o que eu vi... Aquilo não é mentira.

    — Carol... Não.

    — Dragão púrpura, você viu...

    — Carol... Só “não”

    Mas Carol voltou até a cozinha e vou tudo aquilo outra vez. A felina, vendo a intimidade que todos estavam com o jovem, pensou:

    — *Cara... Mas que parada é essa?! Essa gente colada no piá assim... Mas o que... Pera... Peraí... Calminha... Carol, vai devagar... Raciocina antes... O piá tá cercado de carinho e fofura... PELOS DEUSES DO SHIPP! TÁ ROLANDO SHIPP AQUI A RODO, CARACA! O PIÁ FEZ UM HAREM!*

    Ela, retornando para próximo de Lilac na sala, diz:

    — Lilac, é isso mesmo que tô vendo?

    — O que, Carol? Lá vem...

    — Cara, eu tô errada ou essas mina da Agência só tão no cutuco no piá aí!? Gente...

    — Para com isso, Carol!

    —Lilac, até o fofin do Sheng tá na “shape” e não é a “coense”...

    — Carol, não começa...

    — Lilac, tu tá cega? “Nintendo” a sua... A dentuça marombada badass só tá no love com o piá, a biggest cute healer da Tats tá mó amor, o Sheng tá mais fofin que de costume... Cara, a Arthemis... Arthemis, Lilac! A-R-T-H-E-M-I-S! A gatinha computadorizada tá no maior “ésse dois” com o piá... 

    — CAROL! NADA DE FICAR SHIPPANDO! PARA COM ISSO!

    — Eu não disse que tava shippando isso... Mas já que você falou...

    — Carol, por tudo que é de mais sagrado em Avalice... Não faz o que você está pensando.

    — Que que eu tô pensando, Lilac? Vai, diz!

    — Você vai shippar. Eu sei!

    — Tá vendo? Até você concorda.

    — Não... Eu não concordo!

    — Pelos deuses de Love Hina, Tenshi Muyo, Nisekoi, Date a Live e tudo que tiver de harém no Crunchyroll... Eu tô muito nervosa! Caraca, tá acontecendo... Lilac, tá acontecendo!

    — PARA COM ISSO, CAROL! PARA DE FALAR BESTEIRA!

    — Tá louca? Não... Tá tudo perfeito! Eu vou...

    — Não... Você não vai... – Disse, tapando a boca de Carol – Eu não sei o que essa gente toda está fazendo aqui, mas acredito que o Viktor tenha convidado para o jantar, sei lá... Então trate de se comportar, entendeu?

    — Me dá um bom motivo pra eu não fazer nada. Só isso pra evitar minha “festa de shipps”.

    — O Viktor.

    — Que tem o piá?

    — Faça esse esforço de não estragar tudo por ele.

    — Que que tem?

    — Carol, ele está fazendo um jantar especial hoje. Nossa, ele com a Arthemis deram duro na cozinha pra fazer. Então ele está proporcionando pra gente uma refeição digna de restaurante. Pense bem, Carol. Você está nessa ideia de shippar e tal... Mas tenha certeza que isso vai fazer o Viktor se sentir mal.

    Embora a vontade imensurável de Carol em querer aproveitar o momento fosse quase insustentável, a felina, com o pouco de noção que tinha refletiu bem. Ela, olhando pra Carol, fiz:

    — Aff... Tá, Lilac. Belezin... Eu vou pegar leve.

    — Pegar leve?

    — É. Eu tô muito nervosa... e eu não vou poder evitar de dizer coisas. Mas eu não vou falar na lata, saca? Vou usar o sentido figurado do Seu Madruga a meu favor... e mostrar pra esse miserável do locutor que eu tenho sim muita noção.

    — Carol, do que você está...

    — Relaxa, diva púrpura. Tamo acertadas? Eu vou me comportar mas vou ser euzinha tudo ao mesmo tempo.

    — Juízo, hein. Veja lá o que você vai falar...

    — Eh... Lilac... – Disse Carol, olhando pra Lilac – Mina, tu tá cheirosa, hein.

    — Ah... Para com isso, Carol! – Disse a dragão, envergonhada.

    — Que gasosa! Nyah! :3

    — Boba!

    Alguns minutos depois...

    Os preparativos para o jantar havia começado. Liane Saber junto com Sheng aprontavam a mesa, com Milla, Carol e Lilac sentadas a mesa. Tats colocou a louça e os talheres em seguida, se sentando a mesa, assim como Liane e Sheng. Arthemis arrumou as luminárias, deixando o lugar ainda mais confortável.

    Tudo estava pronto. O jantar seria servido em breve. Com todos os convidados conversando entre si, eis que um silêncio é percebido. Noah havia entrado no recinto, vestindo sua tradicional roupa, com calças e camisa com mangas pretas. Ele, ao olhar que todos se calaram, diz:

    — Hm... Eu entendo. Melhor eu ir para meu quarto...

    — Não! – Disse Lilac – Ninguém vai te julgar, Noah. Sente-se e faça parte do jantar.

    — Lilac, com o devido respeito... Eu...

    — Trate de se sentar, albino – Disse Liane, de braços cruzados e de olhos fechados – Ninguém aqui tem direto de te julgar...

    — Hm? E eu poderia saber o porquê de suas palavras? – Perguntou Noah.

    — Hunf... Todo mundo já fez alguma besteira na vida. Aprendizado vem com experiências... boas ou ruins. Nem tudo vem com amor. As maiores conquistas vem na dor mesmo, albino.

    Lilac se surpreendeu com o que Liane disse. Ela não esperava de forma alguma pelas palavras confortantes da dente de sabre, que a poucos dias tinha atritos nada agradáveis com Viktor:

    — *O que acabou de acontecer aqui? Essa dente de sabre... Ela tinha inimizade com o Viktor e agora está aqui, a convite dele, toda zelosa e gentil, dando força para o Noah... Será que o Viktor tem algo a ver com essa sua mudança? Ah que besteira a minha... É claro que foi o Viktor... Senão ele não a chamaria aqui. Mas... Eu...*

    E Milla logo diz:

    — Isso é bom de saber.

    — Hã? O que foi, Milla? – Disse Lilac.

    — Ela... A Zoey também viu a verdade comigo.

    — Como assim?

    — Eu expliquei a ela sobre o Noah...

    — Agora que tu disse isso, kawaiizinha... Eu também expliquei tudo pra Tayce.

    — Para a dragonesa sua amiga? – Perguntou Lilac.

    — Sim. A deusa nórdica tá fechada com o Noah. Tipo, ela mesma disse que faz suas diabruras mas no fim sempre se arrepende, que nem o lance do tiro meu no galpão. Ela ficou mó mal depois que gritou com o cara lá... e pediu desculpas. Pagou até o almoço do champs...

    De forma totalmente autêntica, Milla e Carol fizeram um imenso favor e ajudaram a melhorar a imagem de Noah, que havia se sentado e ouviu toda a história, justamente ao lado de Sheng, que se incomodou com a presença do albino. E isso aconteceu no mesmo instante que Viktor, sendo ajudado por Arthemis, trouxe duas bandejas com a comida. Exalando um delicioso aroma, a bandeja é colocada na mesa, com todos já com água na boca. Logo Lilac diz:

    — Esse cheiro... é diferente de tudo que você preparou, Viktor...

    — Hehe. Bom apetite a todos.

    A primeira bandeja tem a tampa levantada por Lilac, causando uma boa impressão logo de cara: o aroma era espetacular. Mas todos desconheciam de que se tratava o prato.

    — Viktor, essa comida... O que você fez? Qual o nome?

    — Isso se chama Moussaka.

    — Hã?! Mas o que seria?

    E Arthemis, fazendo aparecer um livro de culinária holográfico em sua mão, diz:

    — De acordo com meus dados coletados de Viktor-kun, esse prato é original da Grécia, pais de origem dele. Consiste em berinjela coberta com um molho a base de leite de soja fresco, batata temperada com ervas de Shang Mu e carne de peixe. Levamos ao forno e servimos quente. Seu aroma é estupendo e seu sabor é inigualável.

    Depois da breve explicação, todos se apressaram para provar a iguaria. Só foram necessários trinta segundos: praticamente todos estavam conquistados com o sabor, degustando com bastante prazer ao prato feito por Viktor. Liane estava até corada com o momento, assim como Sheng e Tats, que pensou:

    — *Esse stranger... Ele fez essa comida... e é maravilhosa! Eu nunca provei tanta delícia de uma só vez! Um prato de outro mundo, que cabe como analogia*

    Outra que se encantou com o prato foi Carol, que encheu a boca enquanto dizia:

    — Coroco... Cora, ussa cumuda tu duvuna! Du tudas qui u puú fuz ussa fui u mulhur!

    — Carol, para de falar com a boca cheia! – Disse Lilac, bastante corada por causa da comida – Viktor... Essa comida não está só uma delícia... É a coisa mais deliciosa que eu comi até hoje na minha vida! *Ai... Ainda estou sentindo o sabor inicial... Ele fez mesmo um jantar especial!*

    E para aumentar o coro, Sheng diz:

    — Vik, você é o cara! Que comida é essa! Tá ótima!

    — Ah... Obrigado.

    Porém isso foi um sinal para Carol, que logo entendeu como “uma pista”. E falando baixo, ela diz:

    — Lilac, eu ouvi bem como o Sheng chamou o piá?

    — Carol, não começa...

    — O fofinho chamou o piá de Vik. Lilac, tá rolando...

    — Para com isso, Carol. Eles vão te ouvir...

    E continuando com os elogios, dessa vez foi Liane que tomou a palavra, mas antes pensou:

    — *Eu... Ah minha nossa... Eu não sei o que dizer... Essa sensação que estou sentindo... Ah... Ele me deixou sem palavras...* Está uma delícia, meu amo... Digo... Digo... Digo... amigo!

    — Obrigado, senhorita Liane.

    Mas não deu outra. No mesmo instante o alerta “encounter” de Metal Gear Solid ecoou na cabeça da Carol, que disse baixo para Lilac:

    — Lilac, eu ouvi a frequência do Snake.

    — Para, Carol...

    — A dente de sabre maromba ia dizer “está uma delícia, amor!”. Ela tá amarradona no Vik, Lilac!

    — Carol, para com isso. Para de ficar shippando... você prometeu.

    — Eu não tô explanando... que foi o que eu prometi.

    — Para, por favor...

    E Tats deu sua opinião:

    — Realmente, Viktor. Essa sua comida está deliciosa. Acho que nós dois deveríamos mesmo ir até a cozinha da Agência o quanto antes.

    — Sério?! Nossa, obrigado.

    — Eu que agradeço... *Nunca me senti tão bem comendo... Estou sentindo tudo em mim aflorar...* E eu e você precisamos conversar sobre o que usou para fazer esse prato. Eu queria mesmo vo... Digo, ter a vez de experimentar o próximo prato, hehe.

    Essa Carol não pôde deixar passar, novamente comentando com Lilac:

    — Tu ouviu?! Caraca!

    — Carol!

    — Ela ia dizer “Eu queria mesmo você!”. Ela ia! Cara, a “tico e teco e os defensores da lei” tá fissurada no piá... Digo, Vik! :3

    — Carol, a Tats é uma esquilo e ela é médica. Para com isso... Já está me enchendo.

    — As médicas entendem de coração, sabia? Partidaço!

    — Para!

    E logo a segunda redoma é aberta. O aroma apetitoso tomou conta do lugar, deixando ainda mais saborosa a mesa. Logo Lilac diz:

    — VIKTOR, O QUE VOCÊ FEZ DESSA VEZ!? Esse aroma... Nossa...

    — Hehe. Apresentação a vocês Mapo Tofu.

    — Hã?

    E novamente Arthemis diz:

    — Sob os encantos que só a avó de Viktor-kun poderia ter, esse prato de origem do país do planeta dele chamado China é feito com tofu e com molho vermelho, especiaria exclusiva e patenteada de Shuigang. Brotos de alho e óleo de pimenta dão ao prato a textura perfeita e um sabor exponencialmente prazeroso e saboroso!

    — Nossa, Arthemis... Me deixou até emocionado! – Disse Viktor, sorridente.

    — Disponha, Viktor-kun! Nós fomos muito bem na cozinha... juntos!

    Carol logo explodiu. Vocês sabem o porquê:

    — JUNTOS?!

    — CAROL! – Gritou Lilac, furiosa.

    — Lilac, ela disse juntos com entusiasmo... – Disse baixo.

    — Para com isso, Carol. Você prometeu.

    — Eu prometi não dar piti, mas caraca... Ela disse “juntos” cheio de amor, Lilac! Cara, essa gente toda tá só de papin no Vik...

    — Para, Carol. Eu tô avisando...

    Logo todos experimentaram o prato. A reação veio em quinze segundos: todos, inclusive Noah, se manifestaram da mesma forma, ficando ainda mais corados ao sentir o sabor explodir em suas bocas. Sheng, degustando o prato, diz:

    — Gente, falando bem sério... Essa comida que o Vik fez é fora do comum. Cara, você tem o dom. Eu o saúdo.

    — Hehe. Obrigado, Sheng.

    — Eu que agradeço, Vik! – Disse, piscando um dos olhos para o jovem.

    E Carol:

    — Lilac, o Sheng jogou charme pro Vik. E agora, que você me diz?

    — Carol, já chega disso!

    — Tá, responde a pergunta.

    — Eu vou te bater, Carol! Eu juro que vou...

    Liane Saber, talvez a mais corada por causa do sabor, diz:

    — Viktor... Eu pensei que você só cozinhava por hobby... E preciso lhe dizer que nunca provei tamanha onda de sabor. Mais uma vez caio a seus pés por sua habilidade culinária!

    Ok. Carol:

    — AH NÃO! LILAC! VOCÊ OUVIU!

    — PARA COM ISSO, CAROL!

    Só que dessa vez todo mundo ouviu, com Viktor perguntando:

    — Ouviu o que, Carol?

    — Ah... Tipo... É que... A Lilac tá testando os auxiliadores auditivos dela. Né, diva púrpura?

    — É... E eu estou ouvindo tudo muito bem... – Disse Lilac, olhando para Carol.

    E enquanto degustavam e conversavam, a campainha novamente tocou. Prontamente Viktor diz:

    — Podem deixar. Eu vou atender.

    Caminhou então até a porta, abrindo-a em seguida. Por detrás estava Lenzin, devidamente trajada com seu uniforme do palácio de Shang Mu. Ela, ao ver Viktor, diz:

    — Vik-Viktorius Ashem?! Eu...

    — Senhorita Lenzin, que grata surpresa.

    — Eu estou aqui pra... Espere. O que está acontecendo aí dentro?

    — Ah.... É um jantar entre amigos. Quer fazer parte?

    — Hã? Mas... Viktorius Ashem, eu estou a trabalho. Não me envolva em suas diversões civis...

    — Ei... Já são nove e meia da noite. Isso não é mais hora de trabalho.

    — Você não tem direitos de me dizer isso! Eu estou aqui pra...

    E sem que Lenzin tivesse temos de concluir, Viktor segurou sua mão, dizendo:

    — Pare.

    — *Ele... Ele está segurando na minha mão... NÃO MINHA MÃO!? Devo golpea-lo com toda nova força agora... EU DEVO! Mas... Porque... PORQUE EU NÃO CONSIGO?!*

    — Venha. Entre e acompanhe a gente no jantar. Está muito legal, você vai gostar.

    — Tudo bem... *NÃO! NÃO ESTÁ! ELE SEGUROU NA MINHA MÃO! EU PRECISO BATER NELE E SAIR DAQUI!*

    Mesmo contra sua vontade em sua mente, Lenzin entrou no alojamento, com todos a olhando. Carol, a mais atônita, diz baixo a Lilac:

    — Não... Nem ferrando...

    — Carol...

    — Não... Dessa vez você pode ficar sussa. Não rola. Não tem como... Não. Infinitamente não. Não não... Nem eu aprovo. Nem... Never!

    — Pelo menos uma pouco de noção. Agora cala a boca!

    Viktor, como bom anfitrião, logo diz:

    — Pessoal, a guardiã do Reino de Shang Mu é minha convidada para o jantar também.

    Lenzin se sentou ao lado de Noah, sendo prontamente servida por Viktor, que diz:

    — Você vai gostar, senhorita Lenzin.

    — Hm... Viktorius Ashem, isso é desnecessário... *Agora que eu estou aqui fiquei com fome... Stranger convencido e charm... NÃO! EU NÃO PENSEI NISSO!*

    Acompanhando a todos a mesa, Lenzin então, usando hashis para se servir, levou a boca a primeira porção de comida. Sua reação foi imediata: seu rosto inteiro corou, se entregando em pensamentos:

    — *PELOS DEUSES ORIENTAIS DE SHANG MU! Eu... Eu não... Essa comida... Esse sabor... Ah... Essa sensação... Eu não consigo dominar meu paladar. É uma explosão ininterrupta de um sabor maravilhoso, como um manjar dos deuses... É muito melhor que da última vez... Talvez dez... Cem... Mil vezes melhor! Ah.... Viktorius Ashem... Outra vez não... Não... NÃO!*

    O jovem, preocupado com a quietude de Lenzin, perguntou:

    — Senhorita, gostou desse prato?

    — Sim.

    — E o que achou?

    — Boa... *ESTÁ BRINCANDO?! ISSO ESTÁ UMA DELÍCIA!*

    — Ah... Que bom que gostou.

    Carol só olhava desconfiada, mas sem maiores pretensões. Já com todos sentados, inclusive Viktor, uma onda de conversa acontece. Muitos contos, dizeres, piadas de Carol, histórias de Liane, descrições de lutas de Sheng... A diversão era muita.

    Porém, depois de um momento de calmaria, Lenzin, já satisfeita com a comida, diz:

    — Noah Hibiki...

    — Hm? O que foi, guardiã?

    — Você sabe que sua situação ficará mais complicada com o que aconteceu, não?

    — Eu me garanto.

    — Não é isso que eu quero ouvir.

    Mas Lilac logo interveio.

    — Lenzin, não é momento Pra esse tipo de conversa.

    — Estou aqui como uma convidada, mas meu trabalho não tem tempo para diversão, Lilac.

    — O Noah não tem a obrigação de...

    — Não, Lilac. Tudo bem... – Disse Noah, olhando para Lenzin – Escute, guardiã... Seu trabalho é proteger, correto?

    — Justamente. Fico feliz que ainda se lembra disso.

    — Então... Você veio aqui pra me proteger?

    — Hm? O que quer dizer?

    — Me diz que minha situação ficará mais complicada... Então tem preocupação comigo.

    — Creio que tenha entendido errado. Sua presença pode desestabilizar todo o convívio da Agência. Uma ameaça deve... – Tentou dizer Lenzin, sendo interrompida.

    — Está aqui pra me prender, é isso?

    — Você é inteligente.

    O clima mudou. Todos olharam para Lenzin e Noah, surpresos com as palavras da guardiã. Viktor se levantou e diz:

    — Gente, irei pegar a sobremesa.

    Assim que ele saiu, parece que todos ficaram mais a vontade de se expressarem. E Lilac logo se manifestou:

    — Nem pense nisso, Lenzin.

    — Só estou fazendo o meu trabalho, dragão.

    — Um trabalho mal feito então.

    — Eu não pedi sua opinião.

    — Não é uma opinião. Estou dizendo na sua cara que você não vai levar o Noah preso. Ele não cometeu nenhum crime.

    — Estamos numa agência que presta serviços para o Reino de Shang Mu. Noah Hibiki, por seu envolvimento com a segunda no comando desse lugar é uma ameaça a paz.

    Mas Carol, parecendo não aguentar mais com tudo aquilo, logo explodiu:

    — Aí, pandinha clone da Neera Li...

    — Hã? Do que você me chamou?

    — Vô repetir não. Qualquer coisa tu volta um parágrafo e lê de novo... Escuta só... Tamo no meio de um jantar só com gente polida e boa. O piá lá fez um jantar pra gente bem especial e tu veio de serrote... Então fica na sua, deixa o felpudin em paz e aproveita a noite.

    — Cale-se, Carol Tea. Suas palavras não fazem sentido algum. Uma reles andarilha dos guetos de Shang Tu não tem...

    — Opa, pera lá... Senhorita do gueto pra você e com muito orgulho. Tá pensando o que, duas cores? Tu pensa que eu vô ouvir calada? Por isso que tu nunca teria chances com o Viktor...

    Lilac logo olhou para Carol, dizendo:

    — Carol, chega disso!

    — Não... Essa aí tem que ouvir verdades!

    — Não, Carol! – Disse, tentando fechar a boca da felina verde.

    — Sai, Lilac! Deixa eu falar... O Viktor ficou um tempão pra fazer essa bóia boa pra gente. Chamou só gente fina e educada. Tá vendo essa galera? Tudo fechamento com ele e com razão. Tem gente até que brigou com ele, machucou ele a vera... E olha só onde eles estão? Todo mundo tá com o piá. Aí tu vem de sei lá onde, vem com esse papo de “Ah sou a guardiã. Intocável. Vou mandar prender, dã dã...” Ah pelamor, né? Toma tino, Lenzin. O Viktor nunca te aceitaria como nada com essa sua atitude aí...

    — Eu nunca fui tão humilhada assim! Carol Tea, eu irei...

    — ... me prender? Tá, vai lá... Me prende, guardiã. Isso só confirma o que eu disse. Tu tá fora do tom. Já deu, tá? O Viktor nunca, mas nunca mesmo, NUNCA vai gostar de você enquanto você for assim! Aliás... Ninguém vai gostar de você enquanto você se esconder por trás dessa tua ideia de querer impor sua ideologia. Caraca, tu lacrou o encosto do Noah e ficou show. Tu salvou a gente lá na arena e show... Mas caraca... Tu sabe que o felpudin tá sendo vítima aqui e tu quer levar ele preso? Filha, vai prender o xCapim! 

    Lenzin estava furiosa com Carol, mas estava imóvel perante as palavras duras de Carol, que continuou:

    — O cara lá, o piá... Saiu da mesa por sua causa. Sabe porque? Ele odeia esse papo seu de “ser guardiã”. Ele já tá cansado de fazerem injustiça. E ele sabe que não pode fazer nada... e nem a gente. Pomba, você tem poder. A gente só tem um ao outro. Então como você quer amor assim? Taí um shipp que eu nunca vou tolerar e nunca irei fazer: você nunca teria chances porque você não vive na nossa realidade. Tu parece querer fazer todo mundo seguir o que tu vê como ideal. Não funciona assim. Não dá, não fecha... e não faz sentido.

    Lenzin estava calada, sentida pelo banho de honestidade que Carol estava dizendo. Lilac sequer disse algo depois disso, assim como os demais a mesa. E Carol concluiu:

    — O Viktor uniu essa gente toda aqui sei lá porque, mas eu tô ligada que essa galera tá no love por ele no bom sentido. Agora eu não sei qual é a sua. Lenzin, o Viktor te convidou porque o cara é gentil demais. Tu já parou pra pensar que é essa parada que une as pessoas? Fico na zuera de shipp o tempo todo... Eu vejo que essa gente gosta dele, tem carinho... Mas pra você nem rola. Essa é a minha forma de medir amizade. Tu tá fora. Sem chances.

    A guardiã, depois de ouvir a última frase da felina verde, somente se levantou e caminhou até a porta. Sob os olhares de todos, a fechou cuidadosamente, seguindo seu caminho em seguida. Num raro momento de noção das coisas, Carol expressou tudo que estava sentindo, sendo amparada por Lilac e Milla. Ela, mostrando em seu rosto muita seriedade, diz:

    — Gente, desculpa. Mas eu precisava dizer isso. 

    — Não, Carol... Eu que devo pedir desculpas – Disse Lilac, abraçando sua amiga.

    — E porque?

    — Sua sinceridade. Você foi dura com ela, mas só falou o que nós sentíamos também.

    — A gente está tão preocupado com tudo que essas coisas precisariam ser ditas cedo ou tarde – Disse Milla, abraçando Carol.

    Liane e Tats olhavam uma pra outra, não entendendo o que havia acontecido, com Arthemis indo até o cozinha. E a pergunta que Sheng fez em seguida explicava bem isso:

    — Aí... Por favor... Poderiam me dizer o que é shipp?

    As três amigas logo tentaram mudar de assunto. Mas não seria tão fácil assim.

    Enquanto isso...

    Ala Go

    Apartamento de Asuka Tenjoin.

    Instalada em seu quarto, a grã mestra estava sentada em sua poltrona observando gráficos e relatórios. Ela, ao observar a reação da Agência com relação ao vazamento, diz:

    — Hm... A opinião de todos é unânime. Maioria quer o fim de Noah Hibiki... Isso está ficando interessante.

    Mas um dos relatórios chamou sua atenção: Asuka tinha acesso a cada metro quadrado da Agência, respeitado os lugares que tinham a lei da privacidade. Porém um evento a instigou.

    — Hã? Há uma anomalia nos sinais do alojamento de Lilac e... É logo após o vazamento do vídeo do praticante do Kaipasu... Eu não consigo nenhum vídeo... Hm... Isso vai está certo. Arthemis, apareça.

    A IA felina logo se materializou a frente de sua amiga, dizendo:

    — Sim, Asuka-chan?

    — Estou a trabalho, Arthemis.

    — Sinto muito, Asuka Tenjoin. Estava no jantar do Viktor-kun e...

    — Tudo bem. Entendo que esteja se divertindo, mas... Poderia me dizer o que houve com o sinal do alojamento, posicionamento 9775374-7?

    — Analisando, Asuka Tenjoin... – Disse, fazendo leitura.

    — Arthemis, tem algo errado.

    — Sim, Asuka Tenjoin. Eu estou procurando.

    — Não. Tem algo errado em você.

    — Asuka Tenjoin, o relatório...

    — Arthemis, você não tem em sua programação o ato de mentir.

    — Asuka Tenjoin, eu gosto de você.

    — Arthemis, o que está havendo?

    — Asuka Tenjoin, o jantar foi muito bom. Viktor-kun cozinhou muito bem e...

    — ARTHEMIS!

    A IA felina estava tentando fingir que estava falando de outros assuntos, mas ela não tinha como mentir. E Asuka, sabendo disso, continuou:

    — Me diga o que aconteceu na transmissão. Não quero vídeo. Quero uma descrição sua.

    — Asuka Tenjoin...

    — É uma ordem, Arthemis.

    — Sua pressão está alta, Asuka Tenjoin. Recomendo um relaxante e refrescante banho com essência de rodas e...

    — Diga, Arthemis. E eu irei tomar o banho que me recomendou.

    Ela, não conseguindo ir contra seus princípios, diz:

    — Noah Hibiki e Sash Lilac tentaram vir até seu apartamento para conversarem sobre o vazamento do vídeo. Eu os impedi, prendendo-os em seu alojamento.

    — Hm... Há mais coisas?

    Todos nós sabíamos que havia mais coisas. Porém Arthemis lutou contra seus códigos de programação, apagando exatamente a parte onde contou a história de Asuka momentos antes de ser perguntada. Na verdade ela estava tentando ganhar tempo desde o início para que não precisasse contar todos os acontecimentos. Ao fim, ela diz:

    — Não, Asuka Tenjoin. O que fiz foi para protegê-la.

    — Hm... E fez muito bem. Hehe... Amanhã teremos um lindo dia... Um dia cheio de justiça e... cancelamento.

    Continua


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