The Last A: O Último Anis

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    Capítulo 9

    Explicando o inexplicável

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Jason lembra de tudo. E não parece que vai parar por aí.

    Hospital de Etofuru, 05:00

    Jason acordara depois de tudo aquilo que aconteceu em sua mente. Seu olhar mostrava irritação, já tentanto encaixar as peças de tudo que estava acontecendo, mas muitas coisas ainda estavam soltas. Tentava raciocinar mas percebia que lhe faltava muitas informações.

    — *Hum... eu... eu lembro de tudo mas... Há coisas que não fazem sentido... até mesmo esse devaneio todo que passei... seria mesmo real ou... Não, era real, o que aconteceu comigo naquela floresta é tão real quanto o que aconteceu na minha mente... Aquele felino... eu aposto que tem ligação com aquele gato que eu achei... Isso e eu estiver mesmo com a razão ou fiquei de fato louco.*

    Olhava ao redor, percebendo que estava sozinho, numa sala um pouco escura porem bem aparelhada. Havia agulhas injetadas em seu braço direito, alimentando-o com soro e ao lado da cama um frequencímetro. Jason então tentou se levantar, mas em vão, pois estava fraco. Passou então a chamar, mesmo que baixo, por alguém. E eis que lentamente a porta de seu quato abre, entrando ao recinto uma enfermeira, que ao olhar para o rapaz, se surpreende, dizendo:

    — Nossa! Você acordou!

    Saía da sala, correndo até onde estavam o médico,  Hansen , Azika e Iamiko, até então cabisbaixas preocupadas com Jason. O medico, ao ouvir as exaltações da enfermeira, logo se apressa até o leito. Iamiko e sua mãe tentam acompanhá-lo, porém Hansen as impedem, colocando-se na frente da porta. Azika, desesperada, diz:

    — SAIA DA FRENTE! PRECISAMOS VER JASON!

    Mas o policial não se movia, acenando com a cabeça em sinal de reprovação.

    — Sinto muito, mas não posso deixá-las entrar sem que o médico autorize a entrada. Vocês estão nervosas e apreensivas, eu compreendo. Meu filho passou por algo parecido, mas sejam racionais. Vocês podem piorar as coisas para Jason entrando dessa forma. Não sabemos como ele está de fato, só sabemos que ele acordou. Por favor, entendam, pode ser prejudicial a ele.

    As palavras de Hansen pesaram mas duas entenderam, se acalmando em seguida. Hansen aguardava à porta.

    Horas depois...

    Hospital de Etofuru, 09:00 am.

    Jason estava ainda deitado, conversando com o doutor, até que a enfermeira traz a seu quarto sua tia e Iamiko, sendo seguidas por Sr Hansen, que entrou no quarto mas ficou distante das duas. Azika, vendo seu sobrinho sóbrio novamente, diz:

    — Você quer nos matar de susto... Mas ainda bem que está bem.

    — Sim... estou. E obrigado por ter ficado até agora aqui.

    — Claro que ficaria aqui. Sua mãe faria o mesmo.

    — Ela está sempre comigo, tia...

    — Eu entendo, Jason.

    Iamiko, sem perder tempo, diz:

    — E então, quando vai sair dessa cama e continuar essa suas loucuras?

    — Não sei... mas acho que já estou melhor, já estou vendo monstros...

    — VOCÊ PARA COM ESSA PALHAÇADA DE ME CHAMAR DE MONS...

    Sua mãe logo a repreende.

    — IAMIKO, FALE BAIXO! ESTAMOS EM UM HOSPITAL!

    — Oh... desculpa... desculpa mesmo... Mas você viu que ele me cham...

    — Eu sei, mas você que começou dessa vez!

    Sr hansen, até então calado, observando o reencontro da família, vai até o doutor, lhe perguntando:

    — Bem, poderia me dizer como ele está?

    — Eu não sei ao certo. Ele chegou aqui catatônico. Pacientes assim dificilmente recobram a consciência em uma noite. Pior, poderia ficar com sequelas graves ou, numa forma terrível, nem retornarem mais.

    — Isso foi como meu filho, não?

    — Pode-se dizer que sim, Sr Hariko. Mas o caso desse paciente é diferente. Não nos sintomas iniciais, mas na forma que ele se recuperou.

    — Como assim?

    — Sr Hakiro, Jason terá alta hoje.

    — O que? Como assim?

    — Eu entendo que seu estado assim que chegou ao hospital era desolador, mas agora... Agora ele esbanja saúde. Não há justificativa alguma de mantê-lo aqui além dessa tarde.

    — Mas doutor, os riscos... Tudo que aconteceu a esse rapaz. O jeito que ele se encontrava... Vocês irão simplesmente mandá-lo para casa depois de tudo isso? Ele deveria ficar internado.

    — Não há risco. Tirando o fato de não poder se movimentar, coisa essa que aconteceu pelos medicamentos, ele está em perfeitas condições de receber alta.

    — Mas o senhor não fará exames preventivos? Esse rapaz sofreu um trauma tremendo e o senhor irá liberá-lo?

    — Eu fiz todos os exames nessas ultimas quatro horas. Está tudo normal. Urina, sangue, saliva... Fiz testes cognitivos, de memória... ele apresentou normalidade na maioria. A única coisa que o impede de sair daqui agora é que os efeitos dos medicamentos não cessaram.

    Sr Hakiro, com um semblante fechado e incrédulo, pergunta ao médico:

    — Eu posso falar com ele normalmente então?

    — Claro. Sem problemas.

    O policial pede então a palavra a família de Jason.

    — Bem... eu posso conversar com Jason?

    Azika logo toma a palavra.

    — O senhor está certo disso? Ele acabou de se recuperar.

    — Eu sei, mas eu pedi recomendações ao doutor. Ele não vê problemas. Além do mais, precisamos saber o que aconteceu na floresta.

    — Eu entendo o senhor. Tudo bem pra você, Jason?

    O rapaz, receoso, não poderia se opor ao policial. Sendo assim aceita normalmente. Sr Hakiro então se aproxima de Jason, que no mesmo instante o reconhece. Pensativo, reflete a situação.

    — *Ele é o pai de Hakiro... eu lembro dele perfeitamente... Bem, ele não tem nada com isso, nem Hakiro... eu sei com quem deveria conversar agora, mas ele como policial fará perguntas...*

    Hansen então começa a falar com Jason.

    — Rapaz, que bom que se recuperou. Também fiquei procupado com você. Hakiro passou por algo parecido, sabe?

    — Eu entendo, senhor. E sinto muito por Hakiro. Ele era meu melhor amigo aqui em Yutsuka... Eu sinto muita falta da companhia dele... de como jogávamos basquete... sinto mesmo falta do meu amigo... Mas ele estando com saúde e feliz, já me deixa mais tranquilo.

    — Sim, e muito obrigado pela sua consideração. Vocês foram criados juntos praticamente. Irei dizer a Hakiro o que aconteceu com você. Ele vai gostar de saber que está bem.

    — Sim, diga a ele. Irei é legal.

    — Bem, Jason. Poderia me dizer o que foi fazer na floresta de Yutsuka naquela hora da noite? Não é normal um rapaz da sua idade andar por aí tarde na noite, ainda mais sabendo dos acontecimentos recentes por lá. Você tem ciência que já um toque de recolher, não?

    Jason imediatamente mudou de semblante, ficando sério.

    — *Qual seria a melhor resposta? Hum... ah sim...* Bem, haverá os jogos do intercolegial. Eu e meus amigos estamos formando um time B de basquete para disputarmos a competição. Precisava treinar. Então fui correr um pouco.

    — Mas você nem estava trajado para isso.

    — *Droga... ah, já sei...* Eu esqueci minha mochila em casa.

    — Mas como pôde esquecer isso? Eu conheço você, sempre foi focado nas coisas.

    — Força do hábito. Em Tókyo eu já ficava com o uniforme do Gym o tempo todo de noite. Praticava uma corrida toda vez que voltava pra casa.

    — Entendo, Jason, entendo. Mas o que de fato aconteceu com você por lá?

    — Eu não sei. Estava passeando e do nada senti uma dor forte na cabeça. Acordei aqui.

    — Você não viu nada de anormal por lá?

    — *Ele deve estar me analisando. Preciso ser o mais natural possível.* Não, nada. Porque pergunta isso?

    — Porque meu filho sofreu o mesmo que você e foi encontrado ferido dentro de um buraco. Você foi encontrado próximo a onde Hakiro estava.

    Jason ficou atônito. As palavras de Hansen pareciam ferí-lo por dentro, cauisando-lhe um mal estar tremento. Jason estava escondendo tudo que havia acontecido, mas parecia lutar para não passar essa impressão.

    — *Não posso mesmo dizer nada até conversar com uma certa pessoa...*

    Hansen percebeu o silêncio de Jason, pois o jovem mostrava um olhar mais compenetrado que de costume.

    — Jason?

    — Eh... Sim, diga.

    — Você sabe de mais alguma coisa que aconteceu noite passada? Entenda, eu estou investigando essas anormalidades que acontecem naquela floresta a tempos e qualquer informação é primordial para a resolução desse caso. Me diga, algo mais aconteceu ontem e você ainda não me disse?

    — Não, senhor. Eu senti uma forte dor de cabeça e só me lembro de ter acorddo aqui. Eu havia sentido uma forte dor antes até. pergunte a Iamiko.

    Hansen logo olha para a jovem, que confirma sinalizando com a cabeça. O Policial então diz:

    — Muito bem então, Jason. Mas quero que saiba que toda ajuda é importante. Caso se lembre de algo estranho, qualquer coisa, seja lá em qual momento do dia, quero que me avise, entendeu?

    — Tudo bem, Senhor.

    Sr Hakiro esboça um pequeno sorriso e se retira lentamente da sala, colocando seu chapéu. Jason, ao avistá-lo saindo pela porta, diz:

    — Senhor Hansen?

    — Sim?

    — Manda um forte abraço ao Hakiro.

    — Pode deixar, raraz. Cuide-se.

    E o tempo passa...

    Hospital de Etofuru, 17:00 pm.

    Já passado os efeitos dos medicmentos, Jason, junto a Azika e Iamiko, deixavam o hospital. Já dentro do carro de sua tia, a caminho de casa, Jason diz a Iamiko:

    — Iamiko, poderia me emprestar seu celular?

    — Sim, claro... mas pra quem irá ligar?

    — Pra um amigo. Posso?

    — Claro, tome.

    Logo ele tenta procurar na agenda de sua prima a tal pessoa, mas em vão.

    — Iamiko, você sabe o número do Kazu?

    — Sei. Na verdade o nome dele aí está  como "Representante K".

    — "Representante K"?

    — Sim. "K" de Kazu, retardado...

    Logo Jason liga. Não demora muito e é atendido.

    — "Olá, Iamiko. Como estão as coisas por aí? Fiquei sabendo que Jason está mal, né? Como ele está?"

    Jason, mostrando um olhar mais sério, diz:

    — "Estou muito bem, Kazu."

    Um silêncio absoluto é perceptível por Jason, que continuava.

    — "Aparece lá em casa depois do colégio pra gente poder conversar, está bem? Até mais tarde, camarada..."

    Casa de Jason, 19:00 pm.

    Jason entrara em seu quarto, indo rapidamente até onde estava o felino. Adormecido como sempre, o rapaz ajeita o travesseio onde estava apoiada  sua cabeça, ajeitando também seu dorso. Ao encostar no animal, Jason percebe algo familiar, no que diz respeito a um sentimento que havia sentido mais cedo no hospital.

    — *Eu espero muito que você se recupere logo, pra eu poder tirar a dúvida...*

    Não demora muito e sua prima bate na porta. Jason permite que ela entre. Iamiko diz:

    — Jason, Kazu está aqui na sala. Quer que eu chame ele pra vir aqui?

    — Sim, claro.

    Ela então retorna, mas antes, ainda no corredor, fala a Jason.

    — Kazu está um pouco estranho.

    — Estranho como assim?

    — Eu não sei porque, mas percebi que estava um pouco nervoso. Sua mão estava até suada.

    — Coisas do Kazu. Chame-o, está bem?

    — Tudo bem.

    Passam-se alguns minutos e Kazu entra no quarto de Jason, que estava sentado em sua cama, mexendo em seu celular. Kazu estava pálido e visivelmente mostrava nervosismo em seu olhar, mostrando uma temeridade absurda em olhar para Jason. O reais, olhando-o nos olhos, diz:

    — Entre... e feche bem a porta.

    Jason em seguida liga seu som, passando a ouvir uma música de sua banda de rock favorita.

    — O Dream Theater irá tocar em Tókyo amanhã, sabia? Gostaria de estar lá.

    Kazu continuava mudo, visivelmente nervoso. Jason continuava.

    — A música dessa banda é algo que sempre me fez relaxar e ficar ligado ao mesmo tempo. É incrível o quanto eles sabem tocar seus instrumentos com tanta sincronia e habilidade. Tento fazer o mesmo no basquete. Claro, vencer as partidas e não em fazer música com a bola, hehe.

    Kazu não se mostrava confortável com Jason. O rapaz, percebendo a forma com que Kazu permanecia, diz:

    — Vai, sente-se alí na poltrona. Vou parar de fazer rodeios.

    Kazu, ainda completamente desconfortável, se senta onde Jason havia indicado. Sem perder mais tempo, Jason, diz:

    — Kuon mandou algum algum aviso quando você informou a ele que eu "estava bem" no telefone mais cedo?

    — Jason, eu...

    — RESPONDA!

    Kazu engoliu seco assim que Jason o indagou com raiva.

    — Jason, as coisas não são como você imagina.

    — Não mesmo. Eu sei exatamente o que está acontecendo. Tudo faz pelo menos o mínimo de sentido. Vocês fizeram isso com todas aquelas pessoas, não?

    — Do que está falando?

    — NÃO SEJA COVARDE! Diga logo sobre tudo. Eu sei exatamente o que Kuon me disse... Nossa, até a Shizuka está envolvida nisso tudo. Ela tentou me matar ontem. Cara, eu criei confiança em você do mesmo jeito que teria com o Hakiro. E pensar que Kuon deve ter feito isso com meu amigo... VOCÊS SÃO MONSTROS!

    — Jason, eu não sei o que dizer pra te explicar de uma forma racional tudo.

    — Comece a explicar então.

    — Acho melhor você não querer saber.

    — Porque não? Vai tentar me matar também?

    — Jason, eu nunca tentaria fazer isso. O que pensa que eu sou?

    — UM MONSTRO TANTO QUANTO KUON E SHIZUKA!

    — Jason, eu... eu... não sei mesmo como contar a você.

    — Sério, camarada... eu já estou muito p*to com tudo isso. Eu estou quase te esmurrando. Eu nunca fiquei tão irritado como estou  agora na minha vida. Estou mesmo me segurando aqui e não sei por quanto tempo. Então, abra a p*rra da sua boca e COMECE A FALAR A M*RDA TODA!

    Era evidente que Kazu estava em uma situação crítica. O jovem, que incessantemente era observado nos olhos por Jason, não conseguia mais se conter. Logo, Kazu começa a falar.

    — Jason, irei lhe contar de forma breve, para que não perca tempo com detalhes idiotas. Aliás, é uma história que eu não me orgulho de fazer parte.

    — Muito bem. Prossiga.

    — Tudo que eu lhe disser aqui deve ficar somente entre nós, tudo bem?

    — Quem define isso sou eu, está bem. Adiante.

    — Peço-lhe por favor que...

    — FALA LOGO, P*RRA!

    — Mu... muito bem. Jason, eu sou um Anis.

    — Me conte algo que eu não saiba. Kuon e Shizuka também são, não?

    — Estou falando sério, Jason...

    — Nas últimas horas eu vi muita coisa estranha. Faça um pequeno esforço pra poder provar e vou acreditar. Kuon e Shizuka me provaram isso mostrando coisas como poder de gelo e um poder de criar meu cérebro. E você, qual seu poder?

    Kazu se aproxima de Jason e, forçando seus olhos, ele faz com que os mesmos mudem de cor e forma, parecendo olhos de gato. Jason logo se afasta, visivelmente assustado, mas de forma tímida. Kezu, ao vê-lo se afastar, logo volta ao normal com seus olhos. Jason, parecendo ter entendido o que Kazu quis dizer, indaga.

    — Muito bem. Você não é humano. O que vocês querem com a gente?

    — Como assim?

    — Vocês são esses tais Anis. O que vocês querem conosco, os humanos? Kuon insistia nessa história enquanto me contava tudo.

    — Queremos somente viver. Viver em paz.

    — Que bela paz. Kuon e Shizuka me mostraram. P*rra, vocês são mesmo seres bem pacíficos.

    — Viemos pra essa cidade pois aqui é de fato o lugar mais tranquilo do Japão. As pessoas aqui são mesmo integradas a natureza, a respeitando e vivendo em harmonia. Não lhes falta nada. Nós só queremos viver em paz e livrar qualquer dúvida de nos descobrirem. Kuon é o Anis mais carismático de nos trazer essa paz. Por isso ele sempre está a par de tudo que acontece. Eu o ajudo nisso a fim de manter pessoas como você longe de problemas e de não influenciar o colégio com ideias diferentes da dele.

    — Então vocês fazem bully com pessoas como eu? E vocês querem paz assim? Vá a m*rda, cara!

    — Não, Jason... Existem forças maiores.

    — Que forças?

    — Se nos descobrirem, todos aqui poderão ter problemas. Kuon e eu somente escondemos e evitamos qualquer ameaça a essa paz.

    — Cara, o critério de "paz" que vocês tem é despresível. Vocês querem calar quem pensa diferente que Kuon e o encara, não é?

    — Mais ou menos isso.

    — E você, qual sua opinião?

    — Como assim?

    — Sua opinião, c***lho! De que isso é certo.

    — Não, eu sei que não é certo. Mas precisamos nos preservar, para o nosso bem e para bem dos humanos.

    — Para o nosso bem? Veja só o que vocês fizeram com o Hakiro! ELE ESTÁ EM UMA CADEIRA DE RODAS PARA O RESTO DA VIDA!

    — Foi um acidente terrível e me sinto muito mal pelo que aconteceu.

    — SE SENTE MAL? VÁ A M*RDA, SEU MONSTRO!

    Jason parte em direção a Kazu, que se levanta. Jason o segura pela camisa, falando em seguida:

    — VOCÊS TIRARAM A VIDA DO MEU AMIGO, SEU TRASTE! VOCÊS TIRARAM A PAZ DAS PESSOAS DESSA CIDADE!

    — Não era nossa intenção.

    — Não era? Fazem o que querem pra esconderem isso! Não é comportamento de quem quer viver na sociedade. ÍSSO É DOUTRINAÇÃO! É QUASE COMO ESCRAVIDÃO! Vocês querem viver entre os humanos, mas vocês acabaram fazendo o que o pior da raça humana fez nos últimos anos!

    Após as palavras de Jason, Kazu não suporta. A vergonha de ter feito parte de tudo que aconteceu era tortuoso.  A pressão exigida para que se mantessem a supostamente protegidos caía site seus ombros. Era o peso da culpa. O jovem começa a chorar. Jason, olhando-o nos olhos, diz:

    — Porque está chorando, Kazu?

    — Eu... eu não queria causar todo esse mal. Passamos por muitas situações até chegarmos nessa cidade. O medo, a angústia, a dúvida de que encontraríamos algum lugar seguro. Sempre tivemos um lugar naqulio que cremos... um oasis...

    — Que lugar é esse?

    — Riviera.

    — Riviera, a terra prometida? A cidade mitológica?

    — Sim. Riviera é essa cidade. Passamos por muitas provações até a encontramos. Etofuru é nossa Riviera. É um lugar que nos sentimos bem. Uma terra abençoada que pagamos a adorar mais do que as nossas vidas. Eu sinto muito por tudo, pelas pessoas dessa cidade, pelo seu amigo e por você.

    Jason solta Kazu, num breve momento de racionalidade do rapaz. Kazu, ainda em prantos, continuava.

    — Éramos inocentes quando chegamos. Precisamos estudar muito para nos integrarmos aos costumes. Aprendemos a sermos humanos... ou próximo disso.

    — Kazu...

    — Me perdoe pelo que fizemos ao seu amigo. Foi o mais grave que chegamos. Nós só estávamos nos protegendo.

    — Kazu, vocês cometeram um crime. As pessoas precisam pagar quando cometem esse tipo de coisa.

    — Eu sei, mas não somos humanos. Se nos expormos, sofreremos mais do que qualquer ser vivo desse planeta. Eu lhe peço, Jason. por favor, não nos exponha. Não sei o que acontecerá amanhã, mas só estamos tentando viver. E como disse, há forças maiores. Nós somos os que mantêm as coisas na sua normalidade. Eu sinto muito por seu amigo, mas entenda, só estávamos nos protegendo. Mas se mesmo assim você quiser nos entregar, acho que nós fizemos por merecer. Faça o que tem que fazer. Eu não tenho o direito de te julgar. Na verdade, eu devo ser condenado.

    Jason calou-se naquele instante. A situação era grave e sua escolha poderia mudar toda a cidade. Ainda que não acreditassem que Kazu e os outros não eram humanos, no mínimo haveria uma investigação, já que o pai de Hakiro está buscando respostas por tudo que vem acontecendo pela cidade naquela floresta. Ele caminhava para próximo de Kazu, olhando-o mais uma vez nos olhos do Anis recém apresentado e diz:

    — Eu... eu consigo ver sinceridade nas suas palavras.

    — Jason...

    — Eu dificilmente irei perdoar vocês pelo que fizeram ao Hakiro, mas eu iria me torturar pelo resto da minha vida se eu trouxesse dor a qualquer ser vivo dessa terra. Entregar vocês não vai me trazer paz, não vai trazer a vida normal de meu amigo e tampouco irá fazer justiça. Eu não sei o quanto vocês sofreram, por onde passaram e pelo que tiveram que fazer para chegarem aqui, mas eu creio que a dor de terem feito mal a alguém deve ter feito de suas vidas um sofrimento sem igual. Pois bem, eu manterei sob segredo isso tudo, por enquanto.

    Kazu mão acreditava no que acabara de ouvir. Jason, definitivamente o único humano que tinha mais direitos de julgá-lo, não o fará.  Sua misericórdia pelos anseios do jovem era algo inimaginável por Kazu. No mesmo instante, o jovem volta aos prantos, abraçando Jason e diz:

    — Muito obrigado. Você não sabe o quanto isso significa a minha existência.

    — Não me agradeça. Agradeça a Hariko.

    Continua…


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