Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulo 30

    A grã mestra da Agência: Asuka Tenjoin - KNOW-HOW

    Spoiler, Violência

    Teremos agora o passado de Asuka.

    Aviso: para uma maior narrativa, alguns termos mais críticos serão usados. Mas não se preocupe, pois eu os censurei.

    Shang Mu, 18 anos atrás...

    O Reino de Shang Mu é uma região bem vasta. E nessa vastidão haviam todos os tipos de pessoas que moravam na enorme cidade. No seu centro havia um equilíbrio de classes, onde todos tinham meios de viver em paz e de forma confortável, uns mais e outros menos, mas ainda assim viviam felizes. Mayor Zao, monarca de Shang Mu a cinco anos, transformou a economia, levantando prédios comerciais luxuoso e extremamente rentáveis e, principalmente, investiu sem tecnologia. Para isso foi até a família Tenjoin Hopin, que tinham como principal meio de vida desenvolver soluções tecnológicas para seu reino.

    Natsumo Hopin, um felino de pelugem branca e excelentíssimo cientista da informação, passou parte de sua formação acadêmica se dedicando a desenvolver um sistema que poderia mudar a forma de monitoramento de toda Shang Mu: Argonus Thermal Eletric Mistakeness; ou, como ele chamava, A.T.E.M. Por isso, se colocou em estudos em Shuigang, passando por Shang Tu e retornando a Shang Mu para finalizar seu projeto. Porém nesse período teve a companhia importantíssima e indispensável de Sakura Tenjoin, uma felina azul e sua inseparável melhor amiga desde a faculdade. Conforme os anos passaram, seus vínculos se estreitaram, trazendo-lhe um sentimento maior, até que o amor os uniu. Após um ano de sai casamento, o casal Tenjoin Hopin deu a luz a uma linda felina com pelugem amarelada, a qual batizaram de Asuka. O motivo? Natsumo passva várias horas da madrugada (momento esse mais calmo, onde conseguia estudar com mais tranquilidade) e, para confortá-lo, Sakura sempre lhe fazia chá. O aroma doce e agradável lhe trouxe essa lembrança, do “cheiro da madrugada”, significado esse do nome de sua filha. Eles a amavam.

    Mas Natsumo tinha um compromisso, esse que foi o motivo de ter estudado até hoje. Havia chegado o dia de apresentar seu projeto a Mayor Zao. Porém Shang Mu tinha um arranjo bastante rigoroso no que diz respeito a seus defensores e toda a base era extremamente tradicionalista. A dinastia Omna, um grupo de cinco famílias, era a enorme maioria desse conselho, que também envolvia o próprio monarca e o clã Tzu Chiang, famosos a muitas eras por terem poderes sobrenaturais, tanto que eram considerados exorcistas, e de longe o mais antigo membro do Conselho de Shang Mu. Em uma das várias reuniões diárias, numa delas foi especial para Natsumo, onde teve a palavra para explicar seu projeto revolucionário. Sua apresentação foi brilhante, tirando elogios de Mayor Zao, mas nem isso foi o suficiente para convencer a todos. O Supremo Chanceler, título designado ao líder e porta-voz que representava a ideologia de todas as famílias da dinastia Omna, cujo nome era Wanli Omna, um mangusto com pelugem perda, e atacou brutalmente Natsumo, dizendo:

    — BLASFÊMIA! Confiar em uma mera máquina para monitorar nossas terras? Isso é uma afronta a tudo que nós acreditamos! Como ousa pensar em subjulgar nosso zelo criterioso e exemplar a milênios? Você deveria ser preso por tamanha balbúrdia!

    — Supremo Chanceler, eu suplico... Me permita explicar melhor minhas ideias. Eu levei minha vida estudando e...

    — Creio que você tenha desperdiçado anos de sua vida então... pois tudo o que idealizou é lixo. É uma visão totalmente doentia e ofende a toda honra da dinastia Omna e, o mais grave... A TUDO QUE O NOSSO FORTÍSSIMO REINO CONSTRUIU ATÉ HOJE!

    — Supremo Chanceler...

    — BASTA! Olhe a sua volta... Veja os rostos enojados por tamanha petulância sua. Toda a cúpula do Conselho está de pleno desacordo com suas ideias. Natsumo Hopin, já sabe do resultado de nossa votação.

    A imensa maioria votou contra, eliminando para sempre as chances de Natsumo seguir com seu protejo. Ele, visivelmente frustrado e triste, caminhava pelos corredores do palacio real, quando for chamado pelo próprio Mayor Zao, que disse:

    — Natsumo... Espera!

    — Hã? Mayor Zao?! – Disse, reverenciando seu monarca – Mil perdões pela minha falta de etiqueta.

    — Não... Não, pode se levantar. Eu não quero isso de você. Quero conversar.

    — Mas o que Vosso Grandíssimo Monarca quer conversar comigo?

    — Eu gostei muito do seu projeto. Esses velhos do conselho não me representam.

    — Mas nem isso foi o suficiente para fazê-los ver algo além da modernidade...

    — Sim, eu sei. Meu rapaz, eu quero investir nessas suas ideias.

    — Como assim?

    — Eu quero seus serviços. Bem, sua família já presta serviços para meu reino e... eu acho que você tem ideias muito, muito, muito revolucionárias e joviais. Você precisa de quê no momento?

    — Isso me pegou de surpresa... Bem, no momento preciso de tempo. Eu não esperava que seria tão mal visto pelo conselho. Eu quero pensar um pouco antes de investir em algo grande...

    — Mas você acabou de me mostrar algo incrível. Isso já é algo grandioso!

    — Sim, mas isso foi um projeto da minha vida ainda enquanto estudioso. Bom, eu queria mudar a vida de todo mundo... Mas, no momento... Bem... A única coisa que eu quero investir grande é na minha pequena.

    — Sua filha?

    — Sim. Eu estudei muito, Vossa Grandíssima Excelência. Estou cansado... A vida vai passar rápido. Tenho uma filha pra mostrar o mundo e ensinar... Quero dar a ela oportunidades de fazer o que quiser de sua vida, porque... A vida não é só estudo.

    Aquela foi a primeira vez que um monarca quebrou o protocolo e foi até um de seus cidadãos lhe dar ajuda. Mayor Zao foi muito importante para Natsumo Hopin.

    Dois anos depois...

    Em sua confortável casa nos arredores da cidade de Shang Mu, a família Tenjoin Hopin nos últimos anos que se passaram tiveram muitas surpresas. Sua filha, Asuka Tenjoin, faça sinais de inteligência fora do comum para uma criança de sua idade. Com apenas um ano a pequena felina já dizia palavras com fonética quase perfeita e com concordância. E apenas um ano depois já conseguia ler livros. Logo seus pais chamaram um especialista em aprendizagem para dizer ao certo o que estava acontecendo.

    Certo dia, com Natsumo e Sakura juntos com o profissional em sua sala de estar, o especialista diz:

    — Senhores, Asuka Tenjoin Hopin tem uma super inteligência.

    — Acho que isso ficou evidente esse ano, não? – Disse Sakura, em tom de sarcasmo.

    — Não, senhora Tenjoin Hopin... Não é uma simples super inteligência. Asuka tem potencialidades cerebrais aumentadas.

    — Como assim? Que eu saiba crianças super inteligentes tem um desenvolvimento cognitivo mais ágil e criativo.

    — Exato. Mas peguemos um fato: existem oito tipos de inteligências. Cada uma abrange áreas especificas de atuação. A Asuka está na área linguística. Ela já é considerada uma criança superdotada só por causa disso. Mas...

    — Mas? O que houve?

    — Eu fiz testes com ela... Eu vi os resultados... Ela obteve porcentis quase perfeitos para testes com crianças da idade dela.

    — O que isso significa?

    — Que sua filha tem mais de um tipo de inteligência.

    — Hã? E de quantos estamos falando? – Perguntou Sakura.

    — Até agora, bem... Asuka tem pelo menos quatro.

    — O que? Ela tem a metade das inteligências conhecidas?

    — Acalme-se... Não é natural isso acontecer. Porém pelo visto teve uma compensação...

    — Do que está dizendo?

    — Você tem uma habilidade especial, não?

    — Sim. Meu elemento é terra. Eu tenho uma técnica chamada life steam. Sou botânica e então consigo ver a energia de minhas plantas. Eu faço isso por hobby, já que ajudo meu marido com seus negócios com Mayor Zao...

    — E eu, quando pequeno, treinei no monastério Aoi Omna. Meu elemento é água. Na época desenvolvi uma técnica de luta chamada punho escalar. Era bem forte, mas hoje eu não tenho a mesma potência – Disse Natsumo.

    — Era o que eu esperava ouvir.

    — Mas o que tem isso?

    — Asuka nunca terá habilidades especiais.

    Isso foi mesmo uma bomba que caiu na família Tenjoin Hopin. Rapidamente Natsumo diz:

    — Como pode estar certo disso?

    — Um médico foi chamado para fazer exames. Foi constatado que Asuka não tem Nirvana.

    Nirvana é como os budistas designam o ponto de equilíbrio, a essência do caminho para suas potencialidades. Ou seja, sua felicidade. No mundo de Freedom Planet isso é o termo usado para dizer qual elemento a pessoa tem como base de suas habilidades especiais para desenvolver seu Feng Shui e manifestar Chi.

    Enquanto continuavam conversando, indo até o interior da casa fomos levados até onde Asuka estava. Seu quarto era grande, com uma cama confortável e vários brinquedos estavam arrumados em uma estante. E entre muitos livros empilhados no chão, Asuka estava assistindo TV. Eram animes, onde ela mostrava empolgação em casa golpe realizado pelo protagonista. Ela até mesmo imitava-os.

    Nesse dia Asuka tomou gosto por assistir a animes e, por consequência disso, artes marciais. Começava alí uma fixação da pequena. Um desejo de ser tão forte quanto os heróis que ela via na TV.

    O tempo passa...

    Dia da entrada.

    Monastério Soul Omna, manhã.

    Era um belo dia de primavera. A manhã aconchegante no Reino de Shang Mu marcava a entrada de novos integrantes do monastério Aoi. Conhecido por ser inclusivo, pois aceitava membros de outras famílias e também de fora da dinastia Omna. Usando desse critério, a contrário de seu pai, que foi do monastério Aoi, Asuka estava lá, com seus oito anos de idade e com bastante entusiasmo. Asuka tinha um longo cabelo nessa época, característica herdada de sua mãe. E o uniforme de todos os membros eram da mesma forma, com calças de cor branca e blusa azul. Terminada a entrada, com uma cerimônia simples de boas vindas, todos os novos integrantes entraram nos alojamentos do monastério. Suas acomodações eram simples, com uma cama beliche e dois armários. Logo vimos uma jovem tri híbrida com cabelos castanhos com três cores misturadas e traços felinos em seu rosto. Mas para surpresa dela, Asuka entrou no quarto cantando alto:

    — FUMI-KOMU ZE AKU-SERU... KAKE-HIKI WA NAI SA SŌDA YO... YORU O NUKERU!

    A pequena tri híbrida logo levou um susto, dizendo:

    — Ahhh! Você é maluca, garota?! Hunf... Lá vai eu ser babá... Essa gente desse monastério...

    — Haha! Nani?!

    — Você me assustou. Vá devagar, senão eu não vou te dar confiança – Disse, virando-se.

    — Oh gomen nasai! Não era minha intenção...

    — Você deve ser a novata. Hm...

    — Sou sim. Me chamo Asuka Tenjoin Hopin. É um prazer te conhecer.

    — Ah sim... Prazer, me chamo Waiifu Soul Omna.

    — Oh você é uma Soul?! OwO”

    — Sou sim.

    — AHHH! SUGOOOI! *w*”

    — Você sempre vai ficar se expressando que nem em animes, é? Você já é um pouco crescida...

    — Ah mas é que eu adoro animes. Estou aqui por causa deles até.

    — Hã? Por causa de animes?

    — Hai! Minha motivação! Vou ser bem forte e aprender muitos golpes!

    — Ah sim. Legal, pequena – Disse, se concentrando em arrumar sua cama.

    — Você está aqui a muito tempo?

    — Fazem cinco anos. Tinha sua idade quando comecei. Estou quase entrando para a academia. Mais dois anos e farei o exame Omna Sangou

    — Omna Sangou?! O que é isso?

    — É um exame para que eu seja integrada as forças de defesa de Shang Mu. Irei para o palácio real fazer parte da inteligência.

    — Sugoi! A gente vai ser amigas então! Vamos livrar o mundo da devastação!

    — Hehe... Você é bem criativa.

    — Hai! E você é minha mestra a partir de hoje, Waiifu senpai!

    — O que? Hahaha! Você é muito divertida! Me lembra duas caninas que treinaram aqui ano passado.

    — Sério? Porque?

    — Eles eram muito divertidas, assim como você. Elas se chamavam Íris e Ingrid. A gente ficou tão próxima que elas me colocaram um apelido.

    — Qual?

    — Ingris. Elas disseram que era pra que nunca esquecesse delas.

    — Isso... Isso é AWESOME! Tá, vou te rebatizar: Ingriso senpai!

    — Hã?

    — Eu vou te chamar de Ingris, a minha mestra!

    — Eu não posso ser sua mestra. Eu nem tenho minha graduação pra isso.

    — Pode sim, ueh! Você sabe mais do que eu.

    — Isso não é justificativa. Você é mais nova mas...

    — E qual o problema de eu ser piquititinha? UwU”

    — Nenhum. Muito bem, posso te dar dicas e te ajudar a treinar...

    — Tá decidido então. Você é minha Ingriso senpai! *w*/~

    — Ah... Você é difícil...

    — Sou, é? UwU”

    Asuka tinha uma personalidade bastante agradável e tuba facilidades de socialização. Ela sempre tomava a iniciativa num primeiro contato com alguém, seja outra criança ou um adulto. Ela fazia questão de ser amigável com todos. Era de sua natureza sempre buscar amizades. E foi assim em sua antiga escola, onde tinha muitos amigos, e era o que iria conseguir no monastério, onde tinha sua própria escola interna.

    Porém o primeiro dia de aula de Asuka iria marcar sua vida para sempre.

    No dia seguinte...

    Sala de aula da dinastia Omna, manhã.

    Um dia depois de Asuka Tenjoin se estabelecer no monastério Soul, ela estava agora em aula. A escola se encontrava no interior do conglomerado de dojos e templos dos monastério das famílias Omna, com prédios mais modernos que os demais. No interior da sala, havia membros de todas as famílias. Com todos os alunos prestando atenção a aula, a professora explicava:

    — ... e então, de acordo com essa força, qual seria a explicação, turma?

    Asuka imediatamente disse:

    — Aceleração centrípeta é a aceleração que causa a mudança na direção da velocidade de algum móvel que execute um movimento circular. Ela aponta na direção do raio do movimento e é calculada pela velocidade escalar do móvel elevada ao quadrado, dividida pelo raio da circunferência.

    — Perfeito, Asuka! Muito obrigada pela definição.

    Uma canina, ao olhar para Asuka, diz:

    — Caramba, isso foi demais!

    — Obrigada, nyah!

    Mas o ambiente da escola refletia a carga de competição entre os alunos. A professora novamente perguntou a Asuka:

    — Como essa força surge?

    — Bem, essa força...

    E a interrompendo sem mais nem menos, um mongusto vestindo o uniforme do monastério Aoi, que era da cor verde, logo diz:

    — Essa aceleração surge graças à ação de uma força central, ou seja, uma força que aponta para o centro de uma trajetória. Continuando e sem perder tempo, ao contrário de uma certa pessoa que não responde rápido, essas forças centrais são chamadas de forças centrípetas. Uma vez que o ângulo entre a velocidade e a força centrípeta é de 90º, essa força não é capaz de realizar trabalho, por isso a aceleração centrípeta somente muda a direção do movimento, mantendo constante a velocidade em que o corpo se move.

    — Está correto, mas quem eu tenha perguntado era pra Asuka Tenjoin, Makal.

    — Desculpe, professora. Foi a força do hábito. Sabe, eu costumo dar toda a resposta de uma só vez.

    — Tudo bem. Vamos continuar...

    Sim, havia uma rivalidade entre as famílias. Os monastérios eram próximos uma aos outros e isso causava uma pequena rixa entre alguns membros. Mas Asuka não tinha esse conhecimento, se sentindo “atropelada” pelo jovem mongusto. Com a aula continuando, a professora diz:

    — ... e o metabolismo celular se dá por causa disso. Alguém poderia acrescentar?

    Makal, novamente, se colocou a frente de Asuka e diz:

    — Durante o metabolismo celular também existe a síntese de intermediários que participam de reações químicas, como lipídios, aminoácidos, nucleotídeos e hormônios. Por isso, o metabolismo celular é fundamental para a sobrevivência dos organismos.

    — Muito bem, Makal. Perfeito. Alguém mais pra acrescentar?

    Um silêncio na sala mostrou que ninguém se prontificatia. Makal, com um sorriso no rosto, encarou Asuka, voltando a se sentar. Porém a felina se levantou e diz:

    — Professora...

    — Hm? O que foi?

    — Eu posso acrescentar algumas informações? Quero ajudar.

    — Claro! Pode dizer.

    — É, bem... Eu posso usar o quadro?

    — Hã? Mas... Bem, se você quer usar, fique a vontade.

    — Obrigada, teacher!

    Foram mais de vinte minutos de explicação. Reprodução celular, reações químicas, bases... Asuka Tenjoin estava praticamente dando uma aula. E não somente ao que sua professora disse: ela estava dando conteúdo universitário, explicando sobre biologia molecular, com desenhos perfeitos, inclusive com perspectiva em três dimensões:

    — ... e entre as técnicas da biologia molecular está a Northern Blot, que permite analisar informações, como a localização e a quantidade do RNA mensageiro, responsável por enviar as informação do DNA até a síntese de proteínas nas células.

    Assim que terminou, ela diz:

    — Ufa! Então é isso, gente kawaii.

    A professora, impressionada, diz:

    — Onde você aprendeu tudo isso? Isso nem é conteúdo dessa escola... *Eu vi isso tudo na minha faculdade. Levei um bom tempo pra decorar isso e aprender... E essa menina sabe!*

    — Num livro. Aprendi ano passado.

    — Ah... Ok... Pode voltar pra seu lugar.

    Asuka se sentou sorridente, sob os olhares de todos, com Makal a ignorando. Porém o menino mongusto pensou:

    — *Grr... Quem essa aí pensa que é? Essa maldita, mostrando que sabe tudo... Vou colocar ela no lugar onde ela merece...*

    Ao fim da aula, Asuka logo foi até um bebedouro para se hidratar, mas foi só terminar que logo foi rodeada por três outros alunos, com Makal se aproximando e dizendo:

    — Então você é a espertinha da turma, não?

    — Eu sou? Ora, obrigada! OwO~~~

    — Eu não estou te elogiando, sua exibida.

    — Não? Então eu não sou? Ah por mim tudo bem. Eu fiz o meu melhor, nyah! UwO~

    — Você não entendeu, não é? Eu não gosto de você.

    — Nani?

    — Estava pensando com meus amigos... Você é uma garota nova e meu mano mais velho disse que novatos precisam saber onde é o lugar deles...

    — Do que você está falando?

    Com uma rasteira, Asuka cai no chão de costas, com o menino mangusto pegando um copo d’água, dizendo:

    — O chão... ele é o seu lugar agora. É nele que você vai ficar e é nele que você vai beber água...

    Ele então jogou água no rosto de Asuka, que se mexia para os lados, sendo impedida pelos outros meninos. Makal então se aproximou e, levantando seu pé, diz:

    — E vocês que moram no chão devem limpar meus sapatos! Kyah! – Disse, prestes a pisar em Asuka.

    Mas isso só foi um intenção. O menino não conseguiu perceber o violento chute em sua barriga, impedindo de agredir Asuka. Era Ingris, que estava muito irritada.

    — Vocês aí, seus vermes... Caiam fora.

    Logo os outros três alunos correram, restando somente Makal que, sentindo fortes dores na barriga, diz:

    — Sua miserável... Você não sabe quem eu sou...

    — Eu sei sim. É só um b*stinha mimado. Mais um... mas será o último - Disse, o segurando no pescoço.

    — Me solta!

    — Eu vou te soltar sim... Quando você pedir desculpas a Asuka.

    — Pedir desculpas? Hahahaha! Você vai ter sorte se continuar aqui no monastério! Quando eu falar com o meu pai...

    — Ah então o b*stinha vai chamar o papai? Que feio...

    — Me solta!

    Ingris então o soltou, pois não queria voltar a golpea-lo. O menino, irritado, começou a correr, e diz:

    — Você está ferrada comigo! Meu pai vai saber de tudo isso!

    Ingris então ajudou Asuka a se levantar, dizendo:

    — Você precisa mesmo aprender a se defender...

    — Ah... Obrigada, Ingriso senpai! Arigato!

    — Asuka, porque ele fez isso com você?

    — Eu não sei. Estava só bebendo água e...

    — Aquele é Makal Omna... Hm... Teremos problemas...

    — Porque?

    — Porque ele...

    Durante todo os acontecimentos, havia alguém nas sombras do corredor escondido, uma pessoa que seria fundamental para se fazer justiça.

    Horas depois...

    Ala da diretoria do monastério, tarde.

    “... é filho do Supremo Chanceler Wanli Omna!”

    Dito isso, estava tendo uma reunião com os envolvidos. Makal estava próximo a seu pai, com Ingris de pé, ao lado de seu mestre. O Supremo Chanceler Wanli diz:

    — Creio que sua discípula não tem os requisitos para continuar nesse monastério, Valle Soul. Definitivamente... expulse-a.

    — O que? Você não pode estar falando sério!

    — Ela agrediu meu filho sem uma justificativa.

    — Ela estava defendendo a Asuka, a novata.

    — Meu filho me disse uma história diferente... A verdadeira.

    — O que? O que ele disse?

    — Waiifu Soul o agrediu porque estava simplesmente limpando seu sapato.

    — Isso é mentira!

    — Não... Waiifu Soul deve ser expulsa. Ela manipulou suas informações e...

    E interrompendo a conversa, uma pessoa entrou no recinto. Foi tão inesperado que só perceberam sua presença porque ela falou:

    — Waiifu está dizendo a verdade.

    — Hã? Mas... Você!

    Era uma jovem panda, aparentando ter a mesma idade de Ingris (13 anos). Ela, vestida com um uniforme com calças pretas e uma blusa estilo chinesa de cor verde, com um longo cabelo e olhos verdes, diz:

    — Eu estava lá... Eu vi a covardia que seu filho cometeu...

    — Você... Eu a conheço... Lenzin Tsu Chiang. A “oculta”.

    — Bom saber que me conhece, Supremo Chanceler. E isso economiza mais informações quando ao que eu digo...

    — Hm... Vamos embora, Makal.

    — Hã? Papai?! Você... Porque o senhor está... Desistiu de expulsar ela?

    — No momento estou pensando na punição a você.

    — Mas...

    — Vamos. E escute, Waiifu: fique longe de meu filho. E isso vale pra essa outra menina. Qual seu nome?

    E Asuka, gentilmente, diz:

    — Prazer. Me chamo Asuka Tenjoin Hopin.

    O olhar frio do Chanceler a pequena felina foi o estopim para que a história começasse de vez.

    — *Asuka Tenjoin Hopin? Então... Natsumo Hopin tem uma filha no monastério Soul? Aquele herege...*

    Resolvido o assunto, Lenzin logo se retirou do recinto, sendo seguida por Asuka em seguida, que diz:

    — Ei, peraí...

    — Hm? – Lenzin se virou, com o mesmo semblante fechado de antes.

    Asuka então pulou nela, a abraçando com força e a sacudindo para todos os lados dizendo:

    — OH MEU DESU, QUE PANDINHA KAWAII DEMAIS!

    — Me solta...

    — AH EU VOU TE LEVAR PRA CASA E TE ENCHER DE MIMO, QUE COISA MAIS MOE!

    — Me solta, Asuka...

    — SEU PELO É FOFINHO E QUENTINHO DEMAIS, OH MEU DESU! AH QUE KAWAIIZINHA!

    — Me solte, Asuka!

    A felina, recuperada do ataque, olhou então pra Lenzin e diz:

    — Obrigada pelo o que você fez por mim.

    — Não me agradeça. Ingris teve todo o merito.

    — Eu não te vi lá no corredor.

    — Então eu fui efetiva no que queria.

    — Hã? Você não gosta de ser vista?

    — Não. Prefiro ficar nas sombras.

    — Porque?

    — Pessoas tem medo das sombras. Eu não... E eu me sinto bem com isso.

    — Mas... Ah... Eu queria ser sua amiga.

    — Eu não.

    — Nani?

    — Garota, somente não. Eu não quero contato com nenhum de vocês. Não é nada pessoal, não se ofenda.

    — Mas então porque você se preocupou comigo? Se você não quer contato com ninguém, porque me defendeu?

    — Eu odeio injustiças, principalmente quando alguém faz algo certo.

    — Certo?

    — Ingris te defendeu e arriscou ser expulsa por sua causa. Ela fez o certo, ganhou meu respeito. O mesmo eu não digo de você.

    — Porque?

    — Porque você é fraca.

    Asuka sentiu essa observação de Lenzin, que continuou:

    — Nirvana... você não o tem. Sua presença aqui é um erro...

    — Eu não concordo com você. Eu vou ficar forte, você vai ver.

    — Hm... Quanto a fatos não há argumentos, Asuka Tenjoin.

    — Tenjoin Hopin!

    — Hm... Não importa. Seu nome é grande. Deveria preservar mais sua linhagem. Com licença...

    E Lenzin voltou a caminhar, mas Asuka insistiu:

    — Ei, Lenzin...

    — Sim? – Disse, interrompendo suas caminhada mas sem virar seu rosto.

    — Obrigada mais uma vez.

    A panda em seguida voltou a caminhar, seguindo novamente para as sombras.

    Horas depois...

    Casa da família Tenjoin Hopin, noite.

    Em sua casa, sentada na sala de estar, Asuka conversava com sua mãe sobre seu primeiro dia de aula. Seu pai, Natsumo, estava viajando a negócios a serviço do reino de Shang Mu, por isso sua falta. E isso seria uma constante. Mas mesmo assim Asuka tinha presença constante de seus pais em sua vida. Sua mãe diz:

    — Asuka, porque não ligou pra casa?

    — Ah mãe... Eu estava bem.

    — Não... Não estava! Te fizeram coisas ruins...

    — Ah mas minha mestra me defendeu. Ela é bem forte.

    — Ingris... Você disse que ela se chamava assim.

    — Sim. Ela é demais! E ela vai me ajudar a treinar.

    — Bem, era sobre isso que eu queria conversar...

    — O que foi, mamãe?

    — Asuka, pense bem... Você tem tudo do melhor, tem uma vida confortável... Não há necessidade de você se arriscar em algo tão perigoso.

    — O que é perigoso? Eu tentar ser mais forte?

    — Você já é forte, Asuka. Você tem uma inteligência que pode te ajudar a ser o que quiser. Mas ser uma lutadora...

    — Só porque não tenho nirvana? Mãe, e daí?

    — E daí? Você nunca terá habilidades especiais, Asuka. E não ter isso em uma luta é uma desvantagem enorme.

    — Eu vou te mostrar que é só um detalhe. Você vai ver...

    — Bem, você está em um lugar com um grande aparato. Os membros do monastério Soul são muito competentes.

    — São sim...

    — Bem, poderia me fazer um favor?

    — Claro, mãe.

    — Vá lá no sótão e pegue pra mim uma lâmpada. Eu preciso trocar, mas antes eu irei fazer a comida.

    — Tudo bem.

    A pequena felina então desceu as escadas, indo até o sótão. Era um lugar com vários maquinários e equipamentos de seu pai, com muitos caixotes. Logo Asuka achou onde estava as lâmpadas e, aí pegar uma, uma caixa lhe chamou atenção: nela estava escrito “A.T.E.M PROJECT” e havia a assinatura de seu pai. A menina então, curiosa, abriu a caixa e lá dentro havia um pen drive. Sem pensar ela o pegou, subindo em seguida. Ela foi até a cozinha, entregando a lâmpada a sua mãe, dizendo:

    — Mãe, vou ficar no meu quarto, tudo bem?

    — Muito bem, Asuka. Vai estudar?

    — Sim.

    — Tudo bem, mas não se esforce.

    — Tá.

    E no seu quarto...

    Asuka não perdeu tempo e espetou o pen drive em seu computador, fazendo com que um prompt de comando aparecesse. A pequena, por ler os livros do seu pai, tinha conhecimento para seguir com isso, já que detinha todos os comandos dessa aplicação antiga. Ela então digitou “Begin System boot” e imediatamente a tela ficou toda preta, com os dizeres escritos aparecendo:

    >olá. qual seu nome?

    E Asuka escreveu:

    — Asuka Tenjoin

    >asuka tenjoin. esse é seu nome? S/N

    — Sim! - Disse Asuka, digitando a letra S.

    >qual comando?

    Ela, confusa, falou consigo mesma:

    — Hã? Comando? Esse programa é bem arcaico... Meu pai deve ter deixado isso de lado o tempo todo... Mas estou curiosa pra saber o que tem nesse programa.

    Em um pouco mais de uma hora Asuka isso de seus conhecimentos de programação pra deixar o tal programa mais flexível e natural. E logo foi testar seu avanço:

    — Agora tem comando de voz. Digitar é coisa do passado... Ih desculpa, papai. Muito bem, vamos ver se vai funcionar bem...

    Ela então, usando sua voz para interagir com o programa, diz:

    — Olá. Está me ouvindo?

    >sim.

    — Funcionou! Eh... Qual seu nome?

    >argonus thermal eletric mistakeness.

    — Hã? Que nome gigante... Agora sei porque aquela pandinha falou do meu nome... Vamos melhorar isso...

    Asuka olhou para os lados, pensando bem em qual nome dar. Mas ela percebeu que o origens já lhe tinha dito seu nome e que não achava justo dar-lhe outro. Mas ela se concentrou bem e simplesmente juntou as letras: AR-TH-E-MIS. Com essa ideia, ela diz:

    — Eu vou te chamar de... Ah... Arthemis!

    >arthemis. esse é meu nome? S/N

    — Isso mesmo, Arthemis. Mas me diga... Porque você foi feita?

    >monitoramento de shang mu. ajudar na segurança. aguardando ordem para câmera.

    — Ah... Você quer me ver? Tá, pode ligar sua câmera.

    A câmera foi ligada. Foi a primeira vez que Arthemis viu imagens... e foi de Asuka sorrindo. Ela, durante aqueles minutos conhecendo cada diretriz a qual aquele programa tinha, se interessou em continuar conversando, mesmo que não estivesse de fato falando com alguém, mas Asuka disse:

    — Eu não sei como vai ser possível, mas eu vou te dar uma nova roupagem, uma identidade... Você vai ser minha amiga... Eu já li muito de informática. Eu sei que tem um tipo de programação que... Eh... Ah sim! Lembrei! Como tentar criar uma inteligência artificial... Eu vou fazer de você minha amiga um dia... Arthemis! Nyah!

    Um primeiro contato. Uma segunda chance ao projeto A.T.E.M. Uma nova amizade surgindo...

    Os dias seguiram mais tranquilos na vida estudantil de Asuka. Treinos eram feitos, mas somente para fortalecimento do corpo. O monastério Soul era conhecido como o “caminho da sabedoria”, onde o primordial era on conhecimento. Essa proposta caiu como uma luva para Asuka. Porém havia um outro detalhe que a jovem felina só passou a saber depois de alguns dias: Ingris era a discípula mais habilidosa e, pasme, inteligente em toda família Soul. Todos a respeitavam, principalmente em combate. A tri híbrida, sempre que lutava contra oponentes tão habilidosos quanto ela, saía vencedora, utilizando de seus conhecimentos de leitura espaço temporal. Ela era a única a ter essa habilidade passiva, para encanto de Asuka.

    Um dia, depois do treinamento, Asuka teve curiosidade e perguntou a Ingris:

    — Ingriso senpai... Essa forma de você lutar... É como se você soubesse o que seu adversário fosse fazer.

    — Mas é isso mesmo.

    — Mas como?

    — Utilizo de cálculos matemáticos.

    — O que? Você consegue fazer isso enquanto luta? Sugoi!

    — Consigo sim. Para mim é quase como ver o futuro. Claro, não é nada disso.

    — Então como é?

    — Todos os golpes que fazemos são meramente parábolas, trancos e arremessos. Basta ter noção de espaço e tempo, tendo noção do tamanho de seu adversário e medindo sua força.

    — Oh... É, isso vai ser difícil...

    — É uma habilidade minha. Ela age naturalmente.

    — Mas eu quero tentar lutar assim!

    — Pequena, você vai precisar de muito treino...

    — Eu gosto de desafios.

    Naquele dia, Ingris ensinou desde o princípio os fundamentos de sua técnica. Como era puramente mental, um lutador demoraria para entender, pois cálculos matemáticos durante uma luta eram difíceis de consolidar. Mas Asuka, ainda que não tenha sido perfeito, estava se saindo muito bem, para surpresa de Ingris. A tri híbrida viu na pequena que um potencial estava aflorando. Tanto que, ao observar Asuka treinar, ela pensou:

    — *Hm... Essa garota... Ela é inteligente. Consegue aprender rápido e... Ela tem curiosidade de tudo. Essa minha habilidade não necessita de nenhuma habilidade especial, mas... Eu já tinha isso como habilidade passiva, mas ela... ela está aprendendo do zero e está no caminho certo. Asuka Tenjoin... Eu quero... Eu quero que me supere um dia, mas... Só será possível se ela tiver mesmo um poder...*

    Ingris tinha noção de que Asuka era especial, mas tinha dúvidas quanto as ambições e habilidades dela. Os treinamentos eram constantes, com Ingris a ajudando a se condicionar fisicamente. Lutas de contato não eram permitidas entre novatos e Asuka, diante suas limitações, não levantou suspeitas sobre sua falta de nirvana. Mas mesmo assim os treinamentos seguiram a polvorosa, com muita força de vontade por parte da pequena felina. Ao mesmo tempo, Asuka usava seu tempo livre para desenvolver mais Arthemis. E seus avanços foram muitos.

    O tempo passa...

    Monastério Soul Omna, 2 anos depois.

    — AHHH! MEU DESU! Ingriso-Sama, você está muito linda nesse traje! E você detonou na luta!

    — Obrigada, Asuka. Eu finalmente consegui...

    — Minha mestra agora é uma cadete do reino de Shang Mu! Ahhh! Que máximo!

    Tudo se passava no Ginásio Central da Dinastia Omna. Um lugar milenar onde poucas eram as testemunhas que tinham a honra de assistir a lutas pelo Omna Sangou, um desafio para testar possíveis cadetes para ganharem a oportunidade de proteger sua nação. Todo jovem que era vinculado a alguma família poderia fazê-lo ao completar quinze anos. E essa era a idade de Ingris. Mas ao final do período, Ingris precisou ter uma conversa séria com sua amiga. E no pátio do monastério, Ingris diz:

    — Asuka, preciso te avisar.

    — O que, Ingriso senpai?

    — A gente não vai mais se ver.

    — O QUE?! PORQUE? FOI ALGO QUE EU FIZ?

    — Não. Foi pelo o que eu fiz.

    — O que foi?

    — Asuka, eu me formei e... Bem, eu preciso seguir meu rito.

    — Ah... Você é uma cadete agora, né?

    — Sim. Espero que você entenda...

    — Eu pensei que você estava chateada comigo.

    — Eu nunca ficarei chateada com você. Mas eu não queria te deixar triste.

    — Eu entendi. Eu fico feliz com você, Ingriso senpai.

    — Obrigada. Eu amanhã já estarei no palácio. E por lá ficarei um tempo sem poder te ver... – Disse a tri híbrida, já com seus olhos úmidos.

    — Ah... Mas você vai voltar. Eu... Eu vou ficar bem... E eu quero que você fique bem também.

    — Asuka, você não está triste por eu ir embora?

    — Eu não posso ficar triste por causa disso...

    — Porque?

    — Porque você está indo ao encontro dos seus sonhos... E você é minha senpai... E agora vai se tornar uma warrior... Vai defender Shang Mu toda...

    — Asuka... *Ela... Eu sabia. Ela, mesmo tão jovem, tem uma maturidade bastante a frente...*

    — Eu não sou egoísta, Ingriso senpai. Eu estou muito feliz por você – Disse, sorrindo.

    — ASUKA! – Disse, a abraçando com força, enquanto chorava – Eu... Eu nunca tive tanto contato com alguém quanto você. Passamos por tantas coisas juntas nesses últimos anos... Eu tenho muito orgulho de ser sua amiga...

    — Ingriso senpai... A gente vai ser amigas pra sempre! Você vai voltar... Vai me ver vencer o Omna Sangou e... eu vou virar uma cadete e... nós vamos proteger essa cidade juntas!

    — Hã?! – Se surpreendeu Ingris, olhando para Asuka em seguida – Você... Você está falando sério? Você tem isso como seu objetivo?!

    — Sim! Eu vou! Está decidido!

    Ingris abraçou ainda mais Asuka, sabendo que suas ambições eram grandes, mas logo tratou de dizer uma verdade:

    — Escute, Asuka... Você fez dois anos de monastério. Seu período de treinamento pra aprimorar a forma física acabou. A partir de agora você entrará em um período crítico que vai mudar sua vida... Eu não vou mais estar aqui pra te defender, então...

    — Mas o que seria?

    — Você vai desenvolver suas habilidades especiais. E com isso você vai ser ainda mais forte! Aprenda a domina-lo e você facilmente vai me superar!

    Embora Asuka mantivesse sua alegria, em sua mente ela toma noção de que seu caminho seria bastante difícil. Asuka sabia dos fatos: ela não tinha nirvana. O aviso de Ingris tinha total sentido, pois isso de fato foi algo que marcou as decisões de Asuka para sempre.

    Depois de se despedir, Ingris seguiu junto a outros cadetes para o palácio real. Seu período de treinamento seria de no mínimo seis anos antes de ser efetivada em sua área de atuação que preferir. Porém isso também marcou o início do treinamento de habilidades especiais no monastério.

    E assim começou.

    Ginásio de treinamento Soul Omna, manhã.

    Com os alunos presenciando uma série de lutas, dois deles lutaram utilizando de habilidades especiais incríveis. Muitos alunos tinham mesmo um talento que poderiam fazê-los grandes lutadores. Com esse pensamento, Asuka, que estava observando a luta, pensou:

    — *Ah... Eles são muito incríveis! Mas... Eu não vou poder fazer nada disso... Mas mesmo assim eu quero tentar. Eu posso lutar!*

    E a instrutora então diz:

    — Próxima luta para exame de habilidades especiais: Asuka Tenjoin contra Zaag Soul.

    Logo os dois se colocaram em formação, se cumprimentando em seguida. E a instrutora diz:

    — Muito bem. Quero que me mostrem suas habilidades especiais. Peguem leve no poder e lutem!

    Zaag, que era um canino, logo foi para o ataque, com Asuka pensando:

    — *Como Ingriso senpai me ensinou, devo medir tudo. E agora, depois de tanto tempo, isso me vem naturalmente... Eu consigo ver... Consigo saber o que ele vai fazer... Ele está próximo, então viu segurar seu braço e o jogar no chão*

    Como ela mesmo pensou, foi como se Asuka tivesse lido os pensamentos de Zaag, o jogando no chão em seguida ao arremesso da felina. Porém, mostrando seu erro de cálculos, Asuka foi atingida por uma rajada de vários feixes em forma de punhos que foram desferidos por Zaag. Ela recebeu todos os golpes em cheio e, gritando de dor a cada golpe recebido, vai ao chão desacordada. Logo a instrutora gritou, chamando ajuda médica. Asuka foi levada a enfermaria, onde se recuperou. Mas aquele dia ainda não havia terminado.

    Horas depois...

    Diretoria da família Soul, noite.

    Natsumo, junto com Asuka, que já havia se recuperado, conversava com o encarregado de seleção de membros do monastério. Ele então diz:

    — O senhor tinha conhecimento que sua filha não tinha nirvana?

    — Bem, eu...

    — Sim ou não?

    — Sim. Eu sabia.

    — O senhor sabia que eu poderia mandá-lo prendê-lo por ter colocado sua filha em perigo? Ela não tem como se defender e nem a resistir a nada disso.

    — Você não conhece minha filha como eu a conheço.

    — Pode até ser, mas o fato é que ela não tem habilidades especiais. Aliás, nunca poderá ter! Por isso, eu...

    Mas Asuka precisou intervir:

    — Não ouse me expulsar.

    — Hã?

    — Estou aqui a dois anos. Treinei meu corpo de tal forma que poderia suportar mais coisas que hoje...

    — Do que está falando? Você não tem como resistir por muito tempo ao treinamento XFighter. Sem habilidades especiais, você estaria tão frágil quanto um cristal.

    — Eu me responsabilizo.

    — O que?

    Até mesmo seu pai se impressionou, dizendo:

    — Asuka, como pode dizer isso?

    — Papai, eu já estou aqui a muito tempo pra pensar em desistir. Eu tenho uma ambição. Eu quero ser uma lutadora!

    — Mas minha filha, o que ele disse é verdade. Como você poderia...

    — Eu vou ficar forte.

    — Asuka Tenjoin Hopin, você não pode estar falando sério. Não tem...

    — Eu sei do que estou falando. Cada membro de monastério tem em média um metro e cinquenta centímetros. Seus braços medem em torno de noventa centímetros de envergadura e...

    — Hã? Mas porque você está dizendo isso?

    — Hoje eu aprendi bem como é ser atingida por uma quantidade de energia... Foi dolorido, mas... Eu gostei.

    — Como é?

    — Pela primeira vez eu senti como é ser uma lutadora... Eu... Eu me enchi de emoção e foi muito bom... Eu quero... Eu quero continuar... Ver até onde irei chegar... E eu tenho um objetivo: o Omna Sangou!

    — Asuka Tenjoin!

    — Eu vou continuar. Eu vou me tornar mais forte. E daí se eu não tenho nirvana? Se eu sua frágil como você disse, então basta eu evitar ser atingida...

    — Hm... Posso aceitar essa sua proposta, sob uma condição.

    — Qual seria?

    — Caso vai esteja dando conta, você mesma irá se retirar.

    — Combinado.

    O trato estava feito. Asuka estava satisfeita, mas seu pai:

    — Asuka, desde quando é você quem decide as coisas aqui? Você se machucou hoje!

    — Pai, me desculpa... Mas eu não aceito nada disso de dizerem que eu não posso ser uma lutadora.

    — Sua mãe me disse... Você quer mesmo seguir com isso. Eu não quero te impedir, mas você está correndo muitos riscos...

    — Eu sei o que estou fazendo, pai.

    — Não, você não sabe... Isso que você está fazendo é ser insistente. Não há mal algum em ser assim, mas você está se metendo em coisas que você não tem conhecimento. Lutar não envolve só ter força de vontade. É ter equilíbrio total, tanto no seu físico e, principalmente, mentalmente.

    — Pai, eu sei de tudo isso. Você não confia em mim?

    — Confio. Mais do que imagina. Mas você é minha filha e eu nunca poderia deixar que você se machucasse! Asuka, o trato que você fez ao encarregado... O mesmo serve pra mim e sua mãe. Se você não conseguir suportar, tenha a humildade de parar. Você tem uma vida pela frente e eu trabalhei ia te dar esses luxos que tem...

    — Pai, eu agradeço. Mas eu só tenho uma ambição: se uma lutadora e defender Shang Mu.

    Mas um encontro inesperado aconteceu naquele momento.

    — A quanto tempo, Natsumo Hopin...

    Era Wanli Omna, Supremo Chanceler da dinastia Omna. O pai de Asuka parecia ter visto um fantasma de tão surpreso ficou:

    — Wanli? O que está fazendo aqui?

    — Somente meus afazeres. E um deles é proteger os discípulos da dinastia Omna.

    — O que quer dizer?

    — Sua filha... ela deveria ir embora daqui e nunca mais voltar.

    — O que?

    — Ela não tem nirvana... O encarregado me disse. É um erro, senhor Hopin. Mas eu vejo que vocês são um bando de revolucionários sem noção do ridículo... Eu respeito a coragem, mas tenho nojo da ousadia.

    — Como você pode ficar uma coisa dessas?! Você simboliza tudo de mais importante dessa dinastia!

    — Por isso mesmo. A importância da dinastia Omna deve ser protegida. Não há lugar para lutadores sem valor aqui.

    O rótulo “sem valor” é usado para designar lutadores sem nirvana. É uma forma bastante dura e preconceituosa de chamarem alguém. Geralmente altos mestres e anciãos dizem isso para desestimular a continuidade de treinamento de quem não tem habilidades especiais, os quais dependem só da força física para lutarem. Um lutador sem nirvana não é bem visto entre os lutadores em Avalice.

    Mas Asuka logo disse:

    — Papai, podemos ir?

    — Hã? Ah claro, Asuka... *Boa, Asuka... Já deu seu cartão de visitas pra esse insensível*

    Mas o atrevimento de Asuka não foi bem digerido por Wanli, que diz:

    — Sua linhagem diz tudo, Natsumo, isso que essa sem valor está fazendo vai lhe trazer a própria destruição...

    — Passar bem, Supremo Chanceler – Disse o pai de Asuka, rindo.

    Embora tenham divergências de opinião, Asuka e seu pai tinham uma ótima relação. Ele nunca desmotivava sua filha, mas sempre queria protegê-la, como qualquer pai. O mesmo se diz de sua mãe.

    Entretanto o humor do Supremo Chanceler Wanli não era dos melhores e ele não era nem um pouco complacente com esse tipo de atitude...

    Começava alí o período amargo e sofrido de Asuka Tenjoin.

    Conforme o tempo ia passando, os treinamentos se tornavam mais exaustivos. Asuka não teve descanso no monastério, resistindo às sessões de luta como podia. Sua inteligência se mudou e importante, pois usando dos ensinamentos de Ingris aprimorou ainda mais sua leitura espaço temporal, lhe ajudando a evitar maiores danos. Mas esse era o menor dos problemas.

    Asuka estava sozinha. Como que por “feitiço”, sua habilidade de fazer novos amigos simplesmente não funcionou mais. Os alunos começaram a evitá-la, por saberem que ela não havia nirvana. O preconceito aumentou, a pequena não estava acompanhando o crescimento de sua turma e os laços só diminuíam. Logo a pequena felina estava sozinha, sendo renegada até por alguns instrutores. No fim, sua vida acadêmica era perfeita, mas seu caminho como lutadora era difícil.

    Asuka estava triste. Pela primeira vez em sua vida ela se sentiu só e rejeitada. Mesmo seus pais a apoiando, quando voltava ao monastério toda semana sua estima sempre sofria. Com Ingris longe, não havia o que fazer...

    Mas nesse período Asuka começou a investir numa outra amizade.

    Casa da família Tenjoin Hopin, noite.

    Em seu quarto, Asuka passada o tempo todo em seu computador. E a pequena decidiu de vez em investir em:

    — Arthemis, minha amiga...

    — Asuka Tenjoin. Amiga.

    — Hehe... Você já está reconhecendo isso. Que bom!

    — O que quer fazer, Asuka Tenjoin?

    — Conversar só. Eu quero te ensinar muitas coisas...

    — Dados inconclusivos. Reiniciando sistema...

    — Ah... Pelo visto eu vou ter muito trabalho...

    Durante um grande período Asuka levou sua vida de uma forma muito distópica: conciliava sua vivência sofrida e solitária no monastério Soul Omna, assim como na escola. Mas quando voltava pra casa ela investida todo o seu tempo para interagir e “ensinar” Arthemis.

    Entretanto houve um momento crítico. Seu pai tomou conhecimento de que seu pendrive granja sumido e estava justamente com Asuka. Ele, só entrar no quarto, diz:

    — Asuka, porque você está com o A.T.E.M?

    — Hã? Papai, escuta...

    — Aquilo é muito importante pra mim! O que você fez?

    — Olha, eu fiquei curiosa e... Bem, eu a reprogramei.

    — Como é? Você? Mas eu nunca vi você... Espera. Não me diga que você aprendeu a programar?

    — Hehe... Sim. Eu achei seus livros e fiquei interessada. Aí eu achei o pendrive e foi no automático...

    Ele então viu até onde Asuka tinha ido com seu projeto. Um modelo arcaico que foi transformado, já beirando uma...

    — ... Inteligência Artificial?! O A.T.E.M responde a você com comando de voz?

    — Pai, é a Arthemis! ARTHEMIS! E não uso mais comandos de voz. Ela interage comigo conversando.

    — Mas... Asuka, porque você está fazendo isso? Meu projeto era só uma fase da minha vida. Eu iria preservá-lo...

    — Pai, Arthemis é minha única amiga.

    — Asuka...

    — A Ingris foi embora e... Desde que ela se foi eu venho sofrendo muito lá no monastério. Eu já te disse isso... Todo mundo não gosta de mim. Eles tem preconceito. E só piora...

    — Mas Asuka, eu entendo que está fazendo isso pra se distrair, mas trocar o contato com pessoas por um computador... isso é errado.

    — Errado? Eu estou sozinha! Eu tento ser amigo de todo mundo, mas todo mundo me odeia porque eu sou o que sou! Eu vou transformar a Arthemis em uma pessoa...

    — Asuka... Lembre-se o que foi combinado... Se você não estiver aguentando...

    — Sou mais forte que o preconceito, pai. Eu disse pra Ingris que eu iria ser uma cadete... e eu vou!

    — Asuka...

    — E Arthemis será o modelo a ser seguido. Você vai ver... Eu vou ter uma amiga perfeita!

    Natsumo olhava para Asuka interagindo com Arthemis de uma forma tão natural que ele mesmo se surpreendia:

    — *Eu estudei muito, tenho um vasto conhecimento em sistemas e computação, mas isso que Asuka quer fazer... Eu nunca imaginei fazer isso. Ela quer dar vida ao A.T.E.M... que agora se chama Arthemis. A inteligência dela é diferente. É como se fluísse naturalmente, sem que ela fizesse muito esforço... Qual o limite de suas ambições? Ela é muito jovem, mas... Eu devo dar tudo que ela precisa. Eu quero ver até onde minha filha pode ir... Asuka, vá... Explore todo o seu potencial...*

    Seu pai lhe deu todo o suporte possível. Ele sente trazia pra cada livros de programação, que Asuka lia numa velocidade absurda e conseguia aplicar seu conhecimento em seguida. A cada dia a pequena felina deixava Arthemis ainda mais complexa e, ainda que sua vida no monastério não fosse das melhores, ela estava começando a se destacar em combate. Por não ter nirvana, Asuka praticamente dominou o cálculo de espaço temporal de Ingris, conseguindo com isso uma vantagem contra seus oponentes. Mas mesmo isso não foi o suficiente para que seus colegas se relacionassem com ela, ainda mantendo o preconceito.

    Mas Asuka não se abalou. O tempo passou e... sua criação se mostrou promissora.

    Reino de Shang Mu, 2 anos depois.

    — E agora daremos início ao Ragin' Blast! Participantes se preparem!

    Um torneio de artes marciais envolvendo os integrantes das famílias estava prestes a começar. Num canto do pequeno ginásio estava Asuka, já um pouco maior e com seus cabelos ainda mais longos. Seu corpo havia se desenvolvido bem, com definição em seus braços, pernas e abdômen. Com seus 12 anos já está ostentava uma ótima forma física. Nesse tempo todo ela se fortificou e mesmo sem habilidades especiais conseguia lutar. Suas leituras corporais eram acima da média. Ela havia vencido duas lutas contra oponentes que usaram e abusaram de habilidades especiais, mas com sua inteligência e a arte passada por Ingris lhe garantiram uma vantagem. Embora ainda fosse alvo de preconceito, ela obteve certo respeito no monastério Soul.

    Mas o acaso traz surpresas.

    Ao entrar no tatame, percebeu que seu adversário era na verdade...

    — Hã? Eu te conheço... Makal Omna?

    — Ora... Se não é a espertinha? Haha... Eu estou com muita sorte...

    — Sorte? Fazem quatro anos, Makal... Você está grande...

    — Percebeu? Então, você está mais também... Não que isso seja muita coisa.

    — Entendi. Está pronto? Eu vou para as finais.

    — Você chegou muito longe, Asuka Tenjoin...

    — Não o suficiente.

    — Gostei da confiança. Diferente da criatura patética e asquerosa que você era a quatro anos atrás...

    — Você fala muito, sabia? Vamos... Me mostra o que você sabe fazer!

    — Não se preocupe... Eu serei gentil.

    A luta começou. Makal veio para cima com tudo, mas Asuka pensou:

    — *Makal Omna... Ele é rápido. Tem 1,76 cm de altura. Sua envergadura passa de um metro. Seu descolamento tem velocidade de 45 km/h... Seu soco deverá ter poder de 125 e velocidade de 200 km/h... Fácil de esquivar...*

    Imediatamente após sua leitura, Makal tentou acerta-la em seu rosto, facilmente esquivando por ela, que voltou a pensar:

    — *Ele deve continuar avançando... Essa é minha chance de acertá-lo...*

    Dito e feito, o jovem masgusto investiu contra Asuka, que conseguiu prever seu movimento e o acertou com um chute forte em sua barriga, fazendo-o ir para longe, caindo de costas. Frustrado, ele diz:

    — Sua... Ah... Você...

    — E então... Quando vai começar a lutar?

    Mas ao ouvir Asuka o provocar, Makal se levantou e começou a rir alto, com a felina dizendo:

    — Porque está rindo?

    — Huahahaha! Você é a coisa mais fracassada que eu vi até hoje. Hahaha!

    — Ficou louco, só pode.

    — Então Waiifu te ensinou isso, é? Haha!

    — O que... Do que está falando?

    — Leitura espaço temporal... A técnica número um dela.

    — Hã? Como sabe?

    — Ela está no palácio real... e eu treinei com ela.

    — O que? Impossível!

    — Hahaha! Gostei do que estou vendo... Pois bem, eu estou indo...

    Asuka se colocou em base de luta, vendo Makal se aproximando rapidamente. Mas após fazer novamente sua leitura, percebeu que havia algo errado:

    — *Ele está diferente... Eu consigo fazer a leitura, mas não precisar... O que está acontecendo?!*

    E antes que pudesse concluir, Asuka recebeu um destruidor soco em sua barriga, golpe esse que ligo a fez voar longe, errar saindo do tatame. A felina, tentando se levantar, foi novamente agredida, com Makal pisando em suas costas, fazendo com que voltasse ao chão, dizendo:

    — Eu já te disse no passado e volto a dizer no presente: o chão é o seu lugar.

    — Seu... Seu miserável...

    — Deve estar se perguntando porque deu errado sua leitura. Simples: eu usei de minha habilidade especial.

    — O que? Mas...

    — Speedum Wave... Eu consigo expandir todos os meus atributos.

    — Isso... Isso não seria o suficiente...

    — Ah sim... Eu esqueci que você é a espertinha... Então permita que eu te diga um detalhe bem importante: eu também sou inteligente, mais que você.... e eu também posso usar a leitura espaço temporal.

    — Eu... Eu não acredito...

    — Não? Como você é patética... É sério que você se acha a super dotada? – Disse, forçando o abdômen de Asuka no chão.

    — Ahh... Eu vou te...

    — Me derrotar? Não, cara Asuka Tenjoin... Eu vou te ensinar mais algumas coisas...

    Makal a pegou pelo braço e a jogou para longe. Asuka ainda estava sentindo o primeiro golpe e foi nesse sentimento que Makal se aproveitou, já estando a frente de Asuka, a golpeando na barriga mais uma vez. A felina caiu de joelhos, com o mangusto dizendo:

    — Todo mundo sabe que você é uma sem valor. Lutadores assim não sabem como habilidades especiais modificam estruturalmente o corpo. Não é só ter poder... É ter controle total do corpo. Você, uma reles sem valor, nunca saberia ter essa sensação... Você é um erro, Asuka Tenjoin. E o destino te colocou no meu caminho pra que eu faça justiça!

    Makal castigou Asuka ainda mais, lhe aplicando sequências de socos e chutes. O mangusto estava envolvido por uma aura azul, mostrando que estava mesmo lutando a sério. A felina já dava sinais que não conseguiria se manter em pé, com Makal a segurando. E quando estava prestes a terminar com a felina, uma voz é ouvida:

    — Makal Omna... Pare o que está pensando em fazer.

    Ele então olhou para o lado e viu Lenzin. A panda, já trajando sua roupa de exorcista que conhecemos, diz:

    — A luta acabou.

    — Lenzin Tzu Chiang... Quem lhe deu a autoridade de...

    — A LUTA ACABOU!

    — Você gritou comigo, é isso?

    — Solte Asuka Tenjoin...

    — E se eu não soltar?

    — Quem vai gritar será você.

    Os dois começaram a trocar olhares, num duelo de egos. Mas Makal parecia temer a panda, soltando Asuka para fora do tatame. Ele, caminhando para as dependências do lugar, diz:

    — Ainda acho um erro a dinastia Omna aceitar que membros da família Tzu Chiang tenham essa influência por aqui...

    Horas depois.

    Asuka foi levada a enfermaria, sendo bem cuidada e tratada. Deitada a cama, recebeu a visita de Lenzin, que diz:

    — Como está, Asuka Tenjoin?

    — Estou bem... E você?

    — Hm... Eu odeio o meu trabalho.

    — Hã? Porque disse isso?

    — Meu treinamento é diferente de vocês...

    — Como assim?

    — Cuidar de crianças... é a pior coisa.

    — Porque está falando isso?

    — Só estou desabafando... Eu sou uma Ranger.

    — Uma Ranger?! Minha nossa... Eu não te via fazia quatro anos... E você agora patrulha todos os monastérios?

    — Hm... Você evoluiu. Nem precisei explicar.

    — Eu devo te...

    — Não me agradeça. Vejo que sua inteligência te faz ficar vulnerável.

    — Hã? Está falando de como Makal me venceu?

    — Não. Perder era algo inevitável pra você. Me refiro ao que você representa.

    — Como assim?

    — Você é uma ameaça a si mesma.

    — São muitas coisas que você está dizendo que não fazem sentido, Lenzin.

    — Simples: sua estadia aqui não faz sentido.

    — Você não... – Tentou dizer Asuka.

    — Você conhece suas limitações. Embora Makal seja um boçal, ele é forte e habilidoso em combate. Eu te acompanhei nas sombras, Asuka Tenjoin... Eu vi seu crescimento... E devo ser sincera nas minhas palavras: você chegou mais longe que eu imaginava e isso é uma conquista considerável. Porém sua natureza lhe condena.

    — O que quer dizer com isso?

    — Pare... Pare com essa sua ideia de continuar no monastério Soul. Você não tem talento para ser uma lutadora. Você é só uma esforçada menina que tem uma vida regada mas quer bancar de revolucionária.

    Mas Asuka, pela primeira vez, tomou uma postura mais adulta.

    — Porque está se importando tanto comigo?

    — Estou a protegendo. É meu papel como Ranger. Não é por sua causa somente. Eu tenho uma habilidade de evitar tragédias...

    — Ah sim... Eu entendi. Escute, Lenzin... Seu trabalho é proteger o monastério. Eu não me lembro de ter te pedido ajuda.

    — Hm... Típico de quem não espera muito de si mesmo.

    — E também não pedi sua opinião. Eu tento te agradecer pela ajuda, mas você não aceita. Você também não aceita minha presença aqui... Qual é o seu problema? Porque essa perseguição a mim?

    — Você é uma ameaça. Muitos te chamam de anomalia, um erro e até coisas mais pesadas... como herege. 

    — O que?

    — Há uma conspiração por detrás dos panos. Tudo é um sistema... e eles acham você indigna.

    — Cale-se.

    — Como é?

    — Cale-se... Eu não quero mais te ouvir. Estou cansada de ouvir isso de você.

    — Esperava que você tivesse um lapso de coerência, mas sua inteligência super avançada não lhe deixa enxergar a verdade.

    — A única verdade que eu conheço é que todos aqui me odeiam só por eu não ter habilidades especiais. Esquecem minhas qualidades e enaltecem meus defeitos... Eu luto contra isso o tempo todo... O tempo todo! Eu não vou desistir... Eu não tenho que abaixar minha cabeça pra quem diz pra que eu reconsidere... E daí se eu perdi? Aprendizado se faz em erros... E eu não vou cometer o maior erro que alguém poderia fazer.

    — E qual seria?

    — Não ir atrás de seus sonhos, mesmo que isso seja impossível.

    Refutar seria um ato de agouro de Lenzin, que ficou ali calada. Asuka estava certa, a panda sabia disso. Ela, já deixando a sala, diz:

    — Você é inteligente, mas tola. Você tem razão, mas é irresponsável. Isso que você está atrás não é um sonho. É uma utopia. Mas não tenho poderes de querer tirar isso de você. Asuka Tenjoin, quero ver até onde você vai chegar. Lhe desejo sucesso nesse seu caminho cheio de pedras de tropeço...

    — E você, onde estará?

    — A espreita... e não mais nas sombras.

    — Então você também evoluiu... pois não se esconde mais.

    Lenzin até iria responder, mas deixou assim mesmo. Ela entendeu que Asuka não disse por provocação e sim uma gentileza. Mas mesmo diante desse diálogo, a panda recém nomeada ranger manteve seu silêncio e saiu da sala.

    Horas depois...

    Casa da família Tenjoin Hopin, noite.

    Já em seu quarto, deitada em sua cama, Asuka lia um livro sobre artes marciais. E uma voz feminina metalizada diz:

    — A estudar, Asuka Tenjoin?

    — Sim, Arthemis. Mas já estou acabando. Como foi seu dia?

    — Monitoramento. Mas fiz algo diferente de tarde.

    — Sério? O que?

    — Vi a grama do jardim crescer uma polegada. Um recorde.

    — Hahahaha! Só você mesmo, sua baka!

    — Agradeço por apreciar meu senso de humor.

    — Haha! Espera aqui, eu vou beber água.

    — Não se preocupe, Asuka Tenjoin. Eu não vou a lugar nenhum.

    — Ah sim, tudo bem... Espera... Hahahahaha! Arthemis, você é muito baka! Hahahaha!

    E da tela do computador um emoji exibia a expressão de Arthemis:

    XD

    Arthemis estava muito mais fluente em sua voz e sua interação com Asuka era bem natural, levada as devidas limitações. Natsumo via seu projeto tomar vida além de forma, onde sua felicidade maior foi saber que sua filha estava feliz. Ainda haviam problemas, mas Asuka seguia com sua vida normalmente. A jovem também passou a ajudar sua mãe em sua estufa, plantando sementes e regando plantas. A vida da família Tenjoin Hopin estava tranquila.

    Porém um viajante mudaria drasticamente a vida de Asuka...

    Continua.


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