ANUON 9999

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    Capítulo 35

    O equívoco e o perdão

    Violência

    As contusões de Ethan parecem ter sido graves.

    Ethan, pelos ferimentos internos que sentia, se contorcia no tatame, enquanto Ryoga fazia o possível para diminuir sei sofrimento, com a sua de Maeti e seus poderes de raposa. Era visível o porque de tanta dor: logo as áreas atacadas por Kitsune ficaram todas roxas, exatamente onde havia acontecido as supostas fraturas. Kitsune era desespero puro! Lágrimas escorriam por seu rosto, que se encontrava atônito e incrédulo. A como se culpasse pelo que havia feito.

    — *Porque não tive mais paciência? Tikai... O que eu fui fazer? Ele... Esse jovem humano... Ele insistiu em dizer que não sabia lutar, mas... Todos os seres em desvantagem lutam mesmo diante de um adversário mais forte... Mas ele... Ele é puro, não tem maldade em seu coração... e só está aqui para lutar... Lutar contra sua natureza...*

    Ethan mal conseguia respirar, mostrando muita dificuldade em fazer isso. Ryoga, preocupado, diz:

    — Devemos levá-lo a um hospital. Qualquer movimento brusco pode fazer com que uma das costelas quebradas furem seu pulmão.

    Mas mesmo num momento desesperador como esse, Kaede se manteve na razão e diz:

    — Espere! Maeti, você pode curá-lo, não é?

    — Sim, mas não faço milagres. Meus poderes se limitam a curar ferimentos leves. Talvez consiga fazer com que suas costelas ao menos voltem ao lugar e consiga fazer com que se calcifiquem com calor. Mas...

    — Bem, temos que arriscar. Ele não consegue respirar direito. Eu entendi um pouco disso. Tente, Maeti! - Disse Ryoga, confiante.

    — Vamos levá-lo ao seu quarto... Lá ficará melhor e... - Logo Kaede teve uma ideia.

    — A gente tem que imobilizá-lo. Não disse que pode ter os pulmões prefurados? Por isso, a gente tem que tentar fazer alguma coisa aqui!

    — Tu-tudo bem... Eu vou tentar. Ethan, o que eu vou fazer vai te causar dor. Aguente firme! - Disse Maeti, retirando o kimono do jovem e colocando suas mãos sobre seu dorso.

    — Vamos então! Ethan... aguents firme, meu irmão! A gente vai te ajudar! Seja forte! - Disse Ryoga, segurando uma das mais de seu amigo.

    — Sim, Ethan! Não desista! - Kaede também tentou incentivar.

    E o mais depressa possível, começaram a tentar socorrer Ethan. Mesmo nessa situação, o olhar tênue de Kitsune parecia incomodar Anuon, que diz: 

    — KITSUNE, PORQUE NÃO OUVIU OS APELOS DE ETHAN?

    — Eu... Eu não esperava que ele tivesse tamanha ignorância em artes marciais... O via... como um rapaz forte...

    — Ethan é forte! E isso não é mostrado sempre por força física!

    — Eu sei... Anuon, eu me sinto horrível...

    — Kitsune, apesar de sua atitude irresponsável, eu não a culpo. Sua vontade de doutrinar seus alunos que foi o verdadeira culpada. 

    — Obrigado pela consideração mas eu não me perdôo... Fui estúpida com ele e agora ele sofre com dores por minha causa... Pode até morrer...

    — NÃO DIGA ISSO! ETHAN JÁ ESTEVE PERTO DA MORTE CENTENAS DE VEZES E SEMPRE CONSEGUIU SOBREVIVER!

    — Anuon... você não sabe da gravidade do problema...

    —Hã?

    — Eu o atingi com o estilo Maratsu-Kyokensan!

    — Kitsune, o que significa isso?

    — Esta técnica danifica os vasos sanguíneos e nervos do adversário, fazendo-o não perceber que foi atingido... por alguns segundos... O organismo de Ethan já havia sofrido o golpe, mas seu cérebro não ativou a defesa natural quando se recebe um golpe...

    — O que isso quer dizer, Kitsune?

    Ryoga ouvia a conversa, mesmo cuidando de Ethan. Ele, ao perceber a gravidade, diz:

    — Ela quer dizer que pode ter destroçado todo o sistema nervoso dele! As suas sinapses podem ter sido condensadas a um ponto que o cérebro não conseguiu processar a dor. Ethan sofreu danos severos...

    — Kitsune... essa tecnica... Era mesmo necessário chegar até isso? Minha nossa...

    Era visível que Kitsune estava completamente constrangida consigo mesma. Seu rosto mostrava um arrependimento enorme e, sem dizer uma do palavra, se retirou lentamente do tatame, seguindo para fora do Dojoh. Anuon até tentou ir atrás dela, mas achou melhor ficar próximo aos outros. Talvez o distanciamento da bela raposa sacerdotisa pudesse ser o melhor a se fazer no momento. A felina, olhando Kitsune caminhar, diz:

    — Kitsune, eu sei que não fez por mal... Ethan, resista... Você consegue...

    Os jovens já haviam colocado Ethan em sua cama neste momento, que ainda respirava com dificuldade. Após a tentativa de Maeti em recuperar suas costelas, parecia que a dor havia atenuado. Ryoga então diz:

    — Maeti, use seu dom novamente... Acho que vai ajudar a calcificar mais rápido.

    — Tudo bem... Deixe-me tocá-lo.

    E o faz: Ethan é coberto por uma aura branca, fazendo-o entrar em um estado meditativo. Era visível sua quietude, tendo em vista que momentos antes estava sentindo fortes dores. Maeti era extraordinário. Um ser abençoado com um poder de cura que a ciência não poderia explicar. Olhando para Ethan, Kaede, que estava até então calada, diz:

    — E agora? O que fazer?

    — Irei imobilizar a área atingida. Ethan ainda corre o risco de ter um dos pulmões perfurados caso não funcione o que acabamos de fazer, seja lá o que for. Ele agora tá dormindo - Disse Ryoga, já mais calmo.

    — Que bom que ele está melhor agora. Maeti só precisa usar seus poderes para acelerar sua recuperação e...

    Mas surpreendendo a todos, Ryoga, ao olhar para Ethan, percebe algo anormal.

    — Peraí! Caraca...

    — O que foi, Ryoga? - Disse Anuon, preocupada.

    — Ele... Ele não...

    — Não o que? - Perguntou Maeti.

    — Não tem reflexo... Minha nossa!

    — Como assim?

    — Pra um doente estar pelo menos em sintonia com o que ocorre ao seu redor, deve tá com alguma resposta externa, mesmo dormindo. Tô tocando no rosto dele mas ele não tá sentindo nada! 

    — O que isso quer dizer?

    — Que... eu es espero estar errado... Ele tá em coma!

    — COMA? - Kaede logo se desesperou.

    — ETHAN! REAJA, CARA! ETHAN! ETHAN! - Insistiu Ryoga, batendo no rosto do jovem.

    Kaede começava a chorar, consolada por Maeti. Ryoga mostrava apreensão em seu olhar, pois seu amigo está entre a vida e a morte. Anuon havia entrado no quarto agora e vendo todos daquele jeito, a fez pensar no pior.

    — Meu Deus... não me digam que Ethan... 

    — Ethan está em coma, Anuon! - Kaede logo deu a má notícia.

    — O que é isso?

    — Ele não responde a estímulos!

    — Não... não pode ser... Ethan...

    Diante do estado que Ethan se encontrava,  o abatimento era geral. Naquela noite, todos ficaram fazendo companhia a Ethan, que não acordava. Kaede, preocupada, diz:

    — Temos que chamar uma ambulância agora! Onde tem um telefone aqui, Maeti?

    — Nós não temos nada disso...

    — Não?! Ah vou usar meu celular...

    Mas era inútil. Não havia sinal onde estavam. O monte onde o templo se encontrava era distante da cidade, um lugar bem isolado. Como não havia empatia com a família Rayka, sequer uma antena repetidora foi instalada mas proximidades. Durante a madrugada, já restituído, Ryoga diz:

    — Anuon, onde está Kitsune?

    — Não sei... Tentei seguí-la quando saiu, mas achei melhor não incomodá-la...

    — Acho que sei onde ela está...

    — Ryoga, o que vai fazer? - Disse Maeti, surpreso.

    — Acho que Kitsune está do mesmo jeito que o Ethan. Eu vou dar um lero com ela... Isso tá muito cabuloso pra deixarmos ela ficar assim...

    E o jovem se recorda do lugar... aquele mesmo lugar onde conseguu se libertar de sues fantasmas. Por incrível que pareça, a porta se abre automaticamente Ryoga, que entra como se estivesse em casa. Adentra ao santuário e, a margem da fonte, vê Kitsune, olhando para seu reflexo na água. Se aproxima então dela e diz:

    — Kitsune... Ei... tia... como está?

    — Ryoga, acho melhor se retirar deste lugar...

    — Kit, eu sei que você tá segurando uma barra agora mas...

    — Humano... Nada o que disser ia apagar o que eu fiz... Imperdoável... Eu acabei com mais uma vida...

    — Kit, se culpar por causa desta joça é burrice. Suas intensões foram boas. Seu único vacilo foi querer demais do Ethan. Ele é um cara forte, eu sei, mas é uma negação com relação a luta. A Kaede sempre bate nele sem o cara ter a minina chance...

    — Ryoga, você não entende nada... Você não compreenderia...

    — Que você tá falando com isso?

    — Eu atingi Ethan com um golpe perigoso... Será que não consegue ver, humano? É um inconsequente em não perceber!

    — Não precisa falar dessa forma comigo. Não sou nenhum moleque pra ser tratado como tal.

    —Desculpe por ser rude com você... Não quis faltar com o respeito...

    — Kit, eu não sou lá um cara bom em palavras mas... Erros todos nós cometemos de vez em quando. A única coisa que diferencia uma das outras é o conjunto da obra.

    — Hã? Como assim?

    — É... que... Bem, toda vez que um cara vacila comigo, eu falo com ele o que errou. Ele se desculpa e eu o perdôo e esqueço. Se fizer isso várias vezes e começar a suspeitar que tá fazendo na maldade, aí já é outra história... Mas caso não, ele não agiu de má fé. Só não teve sorte e foi imprudente. Toda pessoa que erra uma vez pode errar de novo, e de novo, e de novo...

    — Ryoga...

    —Acho que você entendeu o que eu queria dizer... Se tem alguém que tem que dizer alguma coisa é Ethan a você. Só ele tem as respostas que você quer.

    Kitsune, se alimentando de esperança, se levanta, indo até Ryoga, o abraçando em seguida. Ela, já um pouco mais confiante, diz:

    — Ryoga, não conhecia esse seu lado... Eu lhe agradeço do fundo de minha alma. Obrigada por estas palavras. 

    — Eu que te agradeço... Nós precisamos de sua ajuda. Ethan não está recebendo estímulo algum e...

    — Eu... Eu sei o que fazer... Vamos, eu irei ajudar...

    De mãos dadas a Kitsune, Ryoga a leva até onde Ethan estava. No quarto do jovem, com todos em seu interior desejando a melhora dele, eles então olham para Kitsune de forma fria, especialmente Anuon e Kaede, que diz:

    — Kitsune... o que você fez é horrível... Ele está em coma...

    — Sua imprudência agora pode custar caro, mas... mesmo assim... eu sei que você não fez por mal - Completou Anuon.

    — Mãe, vc sempre me disse para não usar meus poderes plenamente... Mas o que fez a ele...

    E aceitando todos aqueles comentários, Kitsune abaixa sua cabeça e diz:

    — Eu reconheço que errrei. Pode ser tarde para pedir desculpas mas...

    E olhando para todos, diz:

    — Deixem-me a sós com Ethan.

    — O que? - Disse Maeti, confuso.

    — O que tenho a dizer se diz respeito a mim e ele... E o que irei fazer também. Então, eu peço a todos vocês: confiem a vida de Ethan a mim.

    A mensagem de Kitsune pelo visto foi bem entendida por todos, que lentamente deixarem o quarto sem falar absolutamente nada. A confiança com Kitsune era tanta que uma simples frase já havia sido o suficiente para deixá-la fazer o que tinha que fazer.

    Kitsune fecha a porta e se senta próximo a Ethan, segunrado a sua mão. Acaricia seu rosto e, segurando sua mão, começou a meditar. Uma aura branca começou a ser emanada por tudo seu corpo, envolvendo o de Ethan lentamente. Logo a bela raposa sacerdotisa começou a meditar e, fechando seus olhos, tratou de fortificar seus pensamentos, quase como um pedido de desculpas. Não... Na verdade Kitsune fazia um pedido, do fundo de sua alma.

    *Ethan... eu sei que é inexperiente e que jamais havia segurado uma espada na vida. Sei também que sua motivação para ser treinado neste templo foi por causa de seu medo com os sucessivos ataques de Piece 1. Eu valorizei tanto este seu espírito de coragem que me esqueci de que é apenas um simples humano. Sim, apesar de tudo que fez por Fhor e Anuon, ainda assim é apenas um humano. E isso não é demérito nenhum...

    Meus treinamentos foarm baseados neste meu raciocínio equivocado. O ataquei pensando que iria aguentar como um Anis... Mas agora vi que isso não foi possível. Agora você está aí, sofrendo por minha causa, neste seu estado crítico. E minha dor é tanta que dificulta-me encontrar palavras e meios de me redimir de tal fato.

    Estou agora aqui pedindo... não, implorando seu perdão. Se você pode me ouvir neste momento, repito: imploro seu perdão por tudo que havia dito naquele tatame e feito a sua pessoa. Caso não me perdôe, eu aceitarei e não ficarei irritada e nem guardarei nenhuma mágoa de você. Pelo contrário, até concordarei com você. Eu mesma não me perdôo por tamanhâ imprudência em um treinamento.

    Mais uma vez, me perdôe pelo meu ato. Juro que nunca mais farei tamanha irresponsabilidade. E lhe peço para que não desista de viver! por favor, melhore logo! Acorde, Ethan e... Volte para nós...*

    As súplicas de Kitsune pareciam ter resultados alígeros. Não demorou muito e Ethan havia segurado com força. Logo foi abrindo seus olhos e, com um pouco de dificuldade, diz:

    — Eu perdôo você, Kitsune. Eu gosto muito de você para vê-la sofrer com a minha fraqueza... Eu sou fraco mas eu sempre tento ir até meus limites... 

    — ETHAN!

    — Se estou agora neste estado, foi culpa minha. Irei treinar com você e ficarei forte. Não desista de mim, eu lhe peço!

    Kitsune nunca havia visto antes uma reação tão honesta e singela por alguém. Ethan não somente se recuperou mais renovou seus votos e confiança com a raposa, que o abraçou dizendo:

    — Você é maravilhoso Ethan!

    Logo todos perceberam a movimentando e entram no quarto. Foi contagiante a comoção ao verem os dois abraçados. Ethan estava bem, assim como Kitsune. E Ryoga, orgulhoso, diz:

    — Para alguns, o perdão é uma redenção. Ethan é o cara!

    Continua.


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