Dança celeste

  • Finalizada
  • Ice Dragon
  • Capitulos 10
  • Gêneros Aventura

Tempo estimado de leitura: 3 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 10

    Epílogo - Laço de alma

    Linguagem Imprópria, Violência

    E finalmente o último capítulo de Dança Celeste. Obrigada a todos que leram e aqui termina uma jornada de 5 anos de escrita.

    Boa leitura a todos!

    Ana/Chibi~

    Dois anos se passaram. Aos poucos a vida no reino e em todos os territórios do continente retornavam à sua normalidade, inclusive nos pontos burocráticos.

    A reunião do conselho de Phyron parecia que se estendia por horas já. Natsu Dragneel, o atual rei das chamas, tentava manter-se atento às palavras da pessoa que discutia e argumentava, mas estava difícil fazer tal coisa.

    Aparentemente, ele não era o único que lutava com o tédio e com os bocejos.

    Os rostos dos conselheiros não escondiam o cansaço e a vontade de que aquela reunião acabasse logo. Felizmente, a pessoa que discursava terminou seu longo e cansativo discurso e todos puderam respirar aliviados.

    Exceto Natsu. Quando o próximo conselheiro tomou a palavra, o rei já podia pressentir que o assunto não seria agradável. E estrelas, como ele detestava estar certo.

    — Meu rei, relativamente a aquele assunto... quando pretende arranjar uma rainha?

    — Eu já disse, não? Não tenho a mínima vontade de procurar uma rainha por agora. — Natsu respondeu ríspido.

    — Mas e se algo acontecer? — Outro conselheiro interrompeu. — Phyron não pode ficar sem um herdeiro!

    — Não deveriam falar como se eu fosse o último da linhagem, sabe...

    — Meu rei, o mero fato de iniciar uma busca por uma rainha tranquilizaria a população. — O conselheiro mais velho argumentou. — Com a população mais tranquila, vai se tornar mais fácil estabilizar o reino.

    — Vai mesmo? — Ele retrucou suspeitando da informação. — Se for para o bem do reino eu vou ceder, mas...

    Antes que os conselheiros pudessem comemorar a vitória, o rei continuou.

    — ...Eu irei decidir como vai ser essa escolha.

    Todos olharam meio assustados para ele.

    — E a palavra final é minha. — O rei declarou, já saindo da sala.

    E no grande salão de reunião, só se ouviam os cochichos derrotados dos conselheiros, desesperados com o que o rei iria colocar como maneira de escolher a rainha.

    ------DC------

    No fim das contas, o rei Natsu III decidiu que a futura rainha seria escolhida por meio de um concurso. Mas não um concurso qualquer. Um concurso de dança.

    As regras eram simples: candidatas de todo o continente de Ishgar poderiam tentar a chance de se tornar a próxima rainha de Phyron, bastava que conseguissem fazer com que o rei aprovasse a sua dança e se juntasse a ela.

    Tarefa fácil na teoria, praticamente impossível na prática.

    Anúncios foram feitos em todo o continente, com moças de todas as idades e das mais variadas origens tentando a chance de se tornar a nova rainha.

    Mas parecia que as danças exóticas, criativas e diferentes não tocavam o coração do rei. Ele a todas assistia indiferente, como se na verdade, não estivesse mesmo ali.

    Para as candidatas, era como se estivessem se apresentando apenas para a multidão e o rei Natsu fosse apenas mais uma peça de decoração sentado no trono de lava.

    Para os conselheiros reais, todo aquele show era nada mais além de desperdício de tempo. Os dias iam se passando, as candidatas davam tudo de si, mas o rei continuava sem se interessar por ninguém.

    Tudo aquilo estava fadado ao fracasso e aos poucos as candidatas foram desistindo.

    Até que chegou o dia que os conselheiros desistiram também. Natsu continuava sendo indiferente aos pedidos dos conselheiros, e muitos chegaram a pensar que o rei havia optado pelo concurso justamente para ser impossível.

    A empolgação foi morrendo aos poucos e os cartazes espalhados pelas paredes da cidade iam se tornando cada vez mais desgastados.

    Uma garota loira com braceletes dourados caminhava pelas ruas de Fyamor, aparentemente distraída. Memórias escassas dos dias que pode passar junto de sua mãe em seu país natal, faziam com que ela se perdesse no labirinto de ruas e na nostalgia das memórias.

    Um cartaz surrado, meio fora de lugar no mercado cheio de cores, chamou a atenção da garota.

    Lucy pegou o cartaz, mas o texto já estava ilegível. Se aproximando do vendedor mais próximo, ela perguntou:

    — Com licença, mas você tem ideia do que é que estava escrito aqui? Eu percebi que tem vários desses cartazes espalhados pela cidade.

    — Ah, esses cartazes? Parece que estavam fazendo uma espécie de concurso no palácio. Para escolher a nova rainha, sabe?

    — Ah, entendo... — Ela já se preparava para ir embora quando foi interrompida.

    — Mas ao que parece o rei não escolheu ninguém?

    — Ora, Juarez, claro que o rei não escolheu ninguém! — A vendedora da banca ao lado retrucou. — Escute bem, se nosso jovem rei tivesse escolhido alguma moça, com certeza já teríamos um festival nessa cidade. Já estão dizendo até que ele tem um coração de gelo.

    Lucy teve que conter o riso. Natsu com um coração de gelo? Piada maior que essa não existia.

    — E vocês acham que isso ainda está valendo? — Lucy perguntou apontando para o cartaz.

    Os dois vendedores se entreolharam, antes de responder confusos:

    — Bem, não anunciaram que nada dizendo que não haveria mais seleções.

    — Mas eles nem precisaram fazer isso. Com o rei rejeitando todas as candidatas é difícil imaginar que alguém ainda queira tentar.

    — Certo. Obrigada pela informação. — Lucy enrolou o papel e o guardou em sua bolsa, para logo depois sair em direção ao castelo.

    — Você viu isso Juarez?

    — Quem diria que ainda existem moças que ousam tentar o concurso do rei?

    E depois desse estranho encontro, os mercadores retornaram à sua rotina.

    ------DC------

    Na porta do palácio, os guardas estavam em uma situação constrangedora. Uma garota, com um dos cartazes que haviam sido espalhados pela cidade, insistia que queria tentar o concurso para rainha.

    — Como assim não posso entrar? Eu já não disse que queria tentar o concurso?

    — Entenda, moça, nós não podemos você entrar assim, do nada. É o nosso trabalho como guardas.

    — Eu sei que vocês só estão fazendo o seu trabalho. Mas será que não tem ninguém que tenha algum poder por aqui com quem eu possa falar?

    Por sorte, um dos conselheiros estava passando pelo local e escutou a discussão, logo interferindo.

    E foi assim que Lucy se viu na sala do trono, de frente a um monarca que aparentava querer estar em qualquer lugar exceto ali. E assim que deram o sinal, ela iniciou sua dança.

    Relembrando uma memória feliz de sua infância, Lucy iniciou a dança com um aquecimento com pulos, imitando uma brincadeira de criança. Os braceletes da Star Dancer chacoalhavam com os movimentos e logo começaram a ressoar em um ritmo peculiar.

    Venha comigo e cante a canção

    Lucy parou e respirou fundo. Aqueles que estavam na sala do trono parecia não entender o que a Star Dancer estava fazendo e chegaram até mesmo a cogitar que ela já tivesse desistido do concurso.

    Com um pisão forte e uma tomada de impulso, Lucy recomeçou a dançar.

    O primeiro movimento foi um rodopio, se afastando do trono. Um movimento que parecia mais adequado à uma dança em dupla, não uma peça solo.

    Lucy então começou a movimentar seus braços como se convidasse os céus a se juntarem à dança e no momento em que seus braços se abaixaram, ela notou o que parecia ser uma reação da parte do rei.

    Da estrela dançante e o belo dragão

    Lucy continuou com os movimentos de mão e deu um, dois três rodopios, antes de parar frente a frente com o rei no trono, oferecendo uma mão num convite para se juntar à dança.

    Surpreso, Natsu finalmente percebeu quem estava a sua frente lhe convidando para se juntar à dança. Com um sorriso radiante que era sua marca registrada, ele aceitou o convite.

    Lucy agora guiava os dois e logo começou o padrão que haviam criado juntos no Templo das Estrelas: um breve movimento de aproximar seu corpo e depois afastá-lo de Natsu, sempre segurando a mão dele, até que na quarta repetição do movimento, ela trouxe a mão que estava livre e a aproximou do rosto dele, como se fosse fazer uma carícia e por fim a repousou no ombro do rei.

    Natsu conduziu Lucy no que poderia ser chamado de um passo semelhante à uma valsa, fazendo-a girar ao fim do quinto passo. Ao fim do giro, os dois grudaram seus corpos por um momento e depois começaram a fazer um movimento de abertura e fechamento, só que todas as vezes que se encontravam ao fechar, os dois trocavam o lado em que se encontravam.

    Até que na sexta repetição, os dois pararam por um mero segundo e juntaram suas palmas. Os dois olhavam nos olhos um do outro, e a sensação de felicidade podia ser sentida de longe por todos ali presentes.

    Enfim os dois entrelaçaram seus antebraços e giraram algumas poucas vezes antes de separarem em direções diferentes saltitando. Quando acharam que a distância estava suficiente, cada um dos dois fez um movimento diferente para se posicionar para o fechamento da dança. Natsu parou seu movimento com uma cambalhota e depois fez um rápido giro em seu próprio eixo para assumir a posição final. Lucy deu um giro em seu próprio eixo em apenas uma de suas pernas, como uma bailarina, depois abaixando-se e dando um segundo giro em seu próprio eixo rente ao solo, para enfim se erguer para a posição final.

    Em sincronia, os dois respiraram fundo e assumiram uma posição convidativa de combate, finalizando enfim a dança que haviam criado juntos e que se tornara a chave para a invocação de Draco quando estavam no Templo das Estrelas.

    Com um sorriso radiante, Lucy correu e se jogou em cima de Natsu com um abraço apertado. Ele a segurou, inclusive dando um giro com a Star Dancer em seus braços.

    — Você demorou muito, Lucy!

    — Ora, eu prometi que nos veríamos de novo, não foi?

    — Eu estava esperando por você. Todo esse tempo. — Ele encostou as testas dos dois antes de se virar para os conselheiros boquiabertos no canto do salão. — E vocês, agora parem de me atazanar com propostas de casamento, porque esse tempo todo eu já tinha a pessoa perfeita em mente!

    E com risos e beijos apaixonados, o Rei e a Star Dancer finalmente se reencontraram, trazendo consigo longos anos de paz, harmonia e prosperidade não apenas para Phyron, mas para todo o continente de Ishgar.

    E naquele dia fatídico, no Templo das Estrelas, as últimas notas de uma balada perdida no tempo ressoaram.

    Venha a paz, reine a harmonia

    Eis nova era que se inicia...


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