The Last A: O Último Anis

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    Capítulos:

    Capítulo 8

    O começo de tudo

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Definitivamente, depois dos eventos desse capítulo, tudo irá mudar na vida de Jason.

    Naquele mesmo corredor estava Jason, sentado ao chão, observando Lupa caminhar lentamente até o pátio e saindo pelo portão do colégio sozinha. Ele, ainda assustado, levanta-se e, cambaleando pelo corredor, volta para o ginásio. Porém, ao avistar o lugar, percebe que  Kazu e Hitao já não se encontravam por lá. O rapaz, agora com um semblante mostrando certa irritação, mostra-se pensativo:

    — *Há definitivamente algo de muito estranho por aqui. Aquele cachorro, depois a irmã do "péla" que esqueci até o nome dela, agora essa garota... Podem ser coincidências.  Eu realmente preciso falar com o Kazu...*

    Ele então começa  a procurar por seu amigo, até que o avista, ao fundo de um corredor proximo do ginásio, conversando com Hitao, que já se despedira do rapaz. Assim que Kazu acena de volta é surpreendido por Jason, assustando-o.

    — Que foi, cara? Que aconteceu?

    — Precisamos conversar. Agora.

    — Mas o que houve?

    — Kazu, eu e você precisamos mesmo conversar, entendeu? 

    — Tudo bem, mas porque está tão assustado?

    — Não estou assustado. Podemos ir para um lugar mais calmo? Já está quase na hora da saída e quero conversar um assunto sério com você.

    — Tudo Bem.

    Kazu o leva para um lugar próximo ao refeiório do colégio. Era o único lugar que já não se avistara ninguém, nem mesmo membros do corpo docente responsavel pelo lugar. Kazu se apóia em uma parede, com Jason em pé a sua frente. E sem perda de tempo, jason o pergunta:

    — Kazu, você acredita em seres com poderes especiais?

    — Você está dizendo como nos mangás?

    — Pode ser. Kazu, vou abrir o jogo com você: Há muitas coisas estranhas acontecendo por aqui. Desde que eu retornei a Etofuru não tenho mais paz.

    — Bem, estamos num dos pontos mais isolados do Japão, pra não dizer do mundo. Qualquer coisa fora do comum por aqui já pode ser tradado como algo estranho. Ainda mais você que a tempos não aparecia por aqui, então nada mais lógico que...

    — NÃO BRINQUE COMIGO! – Diz Jason, mostrando muita irritação.

    — Porque está gritando comigo? – Dizia Kazu, mostrando tranquilidade diante a explosão de Jason.

    — Me poupe dessa conversa fiada. Eu estou falando sério.

    — Mas o que você quer tratar? Diga.

    — Que tem um cachorro do demônio que solta raios que visita minha casa todo dia.

    — Hã? Como é?

    — Exato.

    Kazu Olá para Jason, tentando se segurar, mas começa a rir do rapaz.

    — Hahahahaha! E eu achando que você era bem centrado. Jason, isso não pode ser sério. É muito absurdo.

    — E eu quase todo dia sinto muitas dores na cabeça, sempre quando alguém me chama, sei lá...

    — Jason, na boa... acho que você precisa mesmo procurar um médico. Iamiko me disse que você passou mal ontem...

    — Aquela monstrinho... falei pra ela não dizer nada...

    — Relaxa, tudo bem? Ela só falou isso pra mim.

    — Mesmo assim. Mas Kazu, não creio que essas coisas tenham acontecido por fruto da minha cabeça. Eu sei o que eu vi...

    — Cara, o que você diz não faz sentido. Pense bem... raciocine. Não faz sentido. Você está com problemas e precisa ir ao médico.

    — Olha, de tanto dizerem isso já estou até pensando na possibilidade...

    — Relaxa, cara. Fica tranquilo. Mas você deveria fazer uma consulta só pra ver se está tudo bem.

    — Bem, irei amanhã sim. Mas só porque você não me chamou de louco nem nada disso...

    — Tudo bem. Então, preciso ir. Tenho coisas a fazer aqui na escola ainda. Vou planejar com a galera do clube interno sobre o intercolegial.

    — Tudo bem. Até amanhã.

    — Até.

    Jason então, depois de se despedir do amigo, segue em direção ao portão, com destino a sua casa. Kazu, porém, como havia dito, ficara na escola, seguindo em direção ao ginásio. Em seu celular, ele manda uma mensagem para alguém, escrevendo:

    “Me encontre atrás do ginásio.”

    Passado alguns minutos, Kazu aguardava sentado a pessoa. Eis que de forma inesperada, uma voz é ouvida no ambiente.

    — Kazu, a que devo o convite?

    Era Kuon, que se sentava a seu lado em seguida. Kazu, com um semblante fechado, diz:

    — Temos problemas. E gostaria mesmo que me ouvisse muito bem antes de fazer qualquer coisa ou opinar sobre o assunto.

    — Problemas? Não é de seu feitio dizer isso. Qual seria?

    — Jason.

    — Entendo.  garoto arrogante que me apresentou esses dias, não?

    — Sim.

    — Bem, qual é o problema?

    — Ele faz muitas perguntas. 

    — Bem, quanto a isso você consegue resolver. Você é o diplomata desse lugar mesmo.

    — Não. Dessa vez teve intervenção de fora.

    — Intervenção? Quem?

    — Eu não sei quem, mas aconteceu e vai acontecer outra vez. Ele foi atacado por um feral.

    —    O que? Mas eles não existem mais.

    — Jason está confuso. A qualquer momento pode chegar perto demais da verdade. Não importa que exista um feral ou não.

    — Não precisa explicar mais.

    Kuon se levanta, surpreendendo kazu, que diz:

    — O que vai fazer?

    — O que já deveria ter feito, mas as circunstâncias me impediam de fazer no momento: hora da limpeza.

    — Mas Kuon, tem certeza? Não creio que ele mereça.

    — Ele merece sim. Mas não pense que é por algo pessoal.

    — Isso não precisa acabar assim.

    — Quer pôr tudo a perder, Kazu? Quer comprometer todo nosso esforço? Está decidido. Irei falar com Shizuka. A partir de agora são meus assuntos, Kazu. Amanhã nos falamos.

    — Kuon, está cedo. Eu pedi a você que não se manifestasse antes de pensar bem.

    — Kazu, eu entendi perfeitamente o que você me disse. E estou agindo de acordo com a gravidade do problema.

    — Não faça isso.

    — Eu nunca deixarei que tudo que fizemos e conseguimos seja comprometido por um simples humano arrogante. Ele procurou por isso. E você sabe muito bem que estou certo.

    — Eu lhe contei toda a história dele. Não se importa com todo o contexto dele?

    — Você como eu sabe que a única coisa que importa somos nós. E seu papel aqui é manter o controle desses influenciadores. Está decidido, Kuon. Esse assunto está encerrado.

    E o jovem continua seu caminho, em direção ao prédio do colégio. Kazu, mostrando estar desolado, refletia:

    — *Eu realmente acreditava que não seria preciso fazer isso, mas pôr tudo a perder, como Kuon disse, é muito arriscado. Sinto muito, meu amigo. Eu tentei, me importei de verdade com você. Eu sinto também por Iamiko e por todos que acabamos de conhecer...*

    Casa de Jason, 11:00 pm.

    A noite estava tranquila como de costume. Como quase todo dia nessa época do ano em Etofuru, ao fim do dia tempo sempre nublado, com alguns relampejos ao horizonte, iluminando um pouco o céu. Jason estava em seu quarto, estudando. Ao lado de sua mesa se encontrava o felino, adormecido desde então. Ao terminar de ler seu livro, Jason se levanta e vai até o gato, alisando a sua pelugem de leve, dizendo:

    — Logo você vai melhorar, bichano. Durma bem.

    Segue até sua cama e se deita, deixando somente um abajur iluminando seu quarto. Porém, assim que iria se virar, eis que seu celular vibra sobre a mesa, indicando que havia recebido uma mensagem. Imediatamente o rapaz pega seu telefone, a fim de visualizar a mensagem, que dizia:

    “O espero para conversar na floresta de Etofuru.

    Kuon”

    Jason havia arregalado os olhos tamanho foi sua surpresa. Kuon, naquela hora da noite, o chamando para conversar, e ainda por cima na Floresta? No mínimo acharia estranho, para não dizer suspeito. No mesmo instante ele respondeu a mensagem, escrevendo:

    "Mas poque a essa hora? Está maluco?”

    E não demora muito e vem a resposta:

    “No aguardo”

    Jason não sabia ao certo o que fazer. O fato de haver o toque de recolher na cidade a partir das 22h o impedia de sair, mas a vontade de se encontrar com Kuon na floresta era maior. Sua dúvida e curiosidade o alimentava para sair de casa e conseguir respostas. Ele, preocupado, pensa:

    — *Eu não sei o que ele está querendo, mas se está me chamando pra conversar agora deve ser algo sobre o time. Só pode ser sobre isso. Aquele péla... Mas porquê não na escola? Porque justamente na floresta e a essa hora? Eu sei que é arriscado e estranho, mas não vou conseguir dormir pensando nisso. Eu vou até lá...*

    O rapaz então coloca seu casaco e deixa sua casa, em direção a floresta. Caminhava sozinho pelas ruas vazias do bairro. Não demora muito e toma um ônibus.

    Floresta de Etofuru, 12:10 am.

    Jason, já a frente da entrada do lugar, começa a andentrar o locar. Embora estivesse de noite, o lugar estava bem iluminado, pelo menos na grande área principal e é nela que Jason se senta em um dos bancos, esperando por Kuon. Logo uma mensagem chega no celular de Jason:

    “Já chegou a floresta?”

    Jason responde:

    “Sim, estou te esperando”

    Com a resposta:

    “Eu que o estou esperando. Estou ao lado da fenda Kimiko.”

    Jason mostra estranhamento ao ler a mensagem.

    — Espera... esse lugar eu me lembro. É praticamente no meio da floresta... Mas poque lá?

    Jason, mesmo estando com um pé atrás, se levanta e segue até o local citado. Como era um lugar mais distante na floresta, a escuridão imperava o lugar, com Jason sendo obrigado a usar a lanterna de seu celular para iluminar o caminho. Estava frio e ventando e a noite torna-se úmida, pois uma leve névoa era percebida. O rapaz continua a caminhava, mesmo com o ambiente não tão proprício a isso.

    Quando estava quase chegando ao lugar, até porque estava uma placa logo a frente indicando o local, Jason ouve um barulho. Logo olha para os lados e, ao longe, percebe um vulto familiar. Era o canino e Jason logo tratou de sair da trilha e adentrar a mata.

    Caminhando por alguns minutos, se abrigando próximos a árvores baixas, tentava em vão se esconder do canino. Em vão pois assim que chegara a um campo mais aberto, eis que surge a sua frente aquele mesmo canino que o rapaz tanto temia. Imóvel, o cachorro somente observava o rapaz, que diz:

    — Então... vai ficar só olhando? Eu já estou cheio de suas aparições. Faça logo o que tem que fazer!

    E com a sua voz estrondoza, o canino diz:

    — Sinto o cheio dela em você... Eu sei que a irrita, a trata mal... e isso é imperdoável

    — Tô pouco me importando com o que você diz. E então.. VAI ME ATACAR OU EU QUE DEVO COMEÇAR?

    — Humano tolo... insolente... Não passa de um verme...

    — DANE-SE!

    Jason já corria em direção ao canino que, ao ouvir um ruído, corre para dentro da mata, deixando Jason alí, em forma de luta. O rapaz, que estava ainda mais confuso, e diz:

    — Mas o que está acontecendo? Ele fugiu. Mas porquê?

    E por trás de Jason é ouvida uma voz.

    — Finalmente nos encontramos...

    Era Kuon, sendo subitamente interrompido por Jason.

    — Cara, precisamos sair daqui! Tem um cachorro que solta raios aqui. O que diziam era verdade. Esse cão que está trazendo todo esse problema a cidade. Vamos, precisamos sair daqui e chamar as autoridades.

    Kuon estava imóvel, somente fitando Jason nos olhos incessantemente. Ele, com toda calma, diz:

    — Isso não vai ser necessário.

    — O que, como assim? Estou dizendo que...

    — Nada disso importa, Jason. Talvez você tenha visto um Anis.

    — Anis? O que é isso?

    — Se o que você diz é verdade, aquele cão que você viu é um Anis. Um feral que foi vítima de uma experiência do governo. Com toda a pesquisa empregada, desenvolveram habilidades especiais. Mas não se trata de terem recebido superpoderes: foram acelerados seus genes evolutivos.

    Jason estava completamente desesperado, não entendendo absolutamente nada que estava acontecendo. Ele, quase surtando, diz:

    — MAS QUE P*RRA É ESSA QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, CARA? NÓS TEMOS QUE SAIR DAQUI ANTES QUE AQUELE DEMÔNIO APAREÇA E NOS MATE!

    Kuon, andando até o campo aberto, com sua cabeça baixa, diz:

    — Jason... Pobre Jason... A sua ignorância lhe é uma dádiva. Por três dias lhe vi como uma pessoa interessante e guardei até um pouco de respeito por você. Desde aquela primeira conversa que tivemos, nutri uma rivalidade com você também, mas infelizmente nessa noite tudo acaba.

    — Hã? Do que está falando?

    Logo, da direção da fenda, aparece Shizuka, ainda trajando seu uniforme escolar. Jason fica ainda mais assutado.

    — Kuon, o que sua irmã está fazendo aqui? Estamos em perigo. PARA COM ESSE PAPO E VAMOS SAIR DAQUI!

    — Não, Jason... Eu sinto muito por isso...

    Kuon, com um rapido movimento, segura o braço de Jason, que imediatamente fica paralizado. Seu corpo estava completamente travado ao simples encostar de Kuon. Ele, ainda mais confuso e assustado, diz:

    — Kuon... O que está fazendo comigo? O que está acontecendo?

    — Todos os seus músculos são irrigados com sangue, que contém água em seu composto. Você sabe: 70% do nosso corpo é constituído por esse líquido. Pois bem, eu os congelei.

    Jason ficará atônito, ainda mais assustado e incrédulo com tudo que estava acontecendo. Kuon continuava.

    — Vou permitir que saiba de tudo. Intérprete como um sinal de respeito. Me ouça bem. Tudo isso que está acontecendo não é obra da sua loucura. Eu, Shizuka e até mesmo Kazu... todos somos Anis. 

    Jason não compreenda as palavras de Kuon, que dizia:

    — Temos poderes concedidos pelos experimentos que nos foi feito. Não somos humanos. Somos animais. Alguns de nós não herdou a imagem humana, continuando com sua aparência feral.

    — Vocês são monstros, é isso?

    — Monstros? Não estamos nessa situação porque queremos ou até mesmo por exigirmos assim. Vocês humanos não param de inventar... Querem sempre descobrir mais coisas, criar mecanismos de costura o que querem... Pois bem, nós somos o produto de sua ambição: a guerra.

    — A guerra? Mas como assim?

    — Vocês sempre buscam poder sobre os outros. Sempre foram assim conforme sua raça evoluiu. Mas vocês não se satisfazem só em evoluir. Sua ambição em criar nos trouxe ao mundo, mas não conseguirão nos controlar. Somos livres, como vocês. E assim será.

    Shizuka, já ao lado dos dois, diz:

    — Kuon, o quanto quer que apague?

    — Apague tudo... deixe-o somente com o pouco que uma mente conseguir pra se alimentar, fazer necessidades e afins.

    — Muito bem.

    Shizuka começa a emanar uma pequena luz em suas mãos, levando-as até a cabeça de Jason. Kuon, interrompendo-a, diz:

    — Espere Shizuka. Eu prometi contar tudo a ele. Como respeito a sua pessoa.

    E Kuon continua a explicação:

    — Cada um de nós tem um poder específico. Eu sou um felino que posso controlar o gelo e é o motivo de você não poder se mexer. Quanto a minha irmã... bem, ela ainda não tem noção do quanto e quais poderes tem ao certo, mas um ela está para usá-lo em você. 

    Kuon enfim sinaliza com o balançar de sua cabeça para que sua irmã continue. Ela encosta ambas as mãos na cabeça de Jason que, desesperado, diz:

    — O QUE ELA VAI FAZER COMIGO, SEU MONSTRO?

    — Apagar sua mente. E entenda, isso é para o seu próprio bem.

    Jason naquele momento consegue compreender praticante tudo. Ele percebeu a origem de todos os problemas.

    — Então foram vocês que causaram todo esse não na cidade. Foram vocês que ferraram com a vida de Hakiro, SEUS MONSTROS! 

     Jason expressava seu desespero em seu olhar, e começava a lacrimegar. Tentava em vão a se soltar, coisa que era percebida por Kuon.

    — É inútil, Jason. Aceite esse fim, de forma digna.

    Porém Shizuka começa a sentir algo. Um incômodo era visto ao continuar o procedimento.

    —  *Estranho... Nunca havia sentido antes. É como se sua mente estivesse blindada... estou conseguindo mas... há algo que está me incomodando...*

    Jason estava tendo todas suas lembrancas apagadas. Gritava de for, suplicava para pararem mas em vão. Kuon só observava, frio e calculista como de costume. 

    — *As minhas lembranças... Meus momentos mais felizes e tristes... Tudo está sumindo... Eu não quero isso... Meus amigos de infância, meus parentes, minhas conquistas... Minhas perdas... Meus pais...*

    Shizuka, ainda com suas mãos sobre a cabeça de Jason, contida a apagar tudo de sua mente. Era visível que seu forte era seus poderes psiônicos e tinha mesmo pleno controle do que estava fazendo.

    Kuon percebia que Jason havia perdido até mesmo sua força de se manter em pé. Shizuka, ao vê-lo daquela forma, diz:

    — Tudo que me pediu já está feito...

    — Muito bem.

    O rapaz estava desacordado. Jason não tinha mais reação alguma Kuon o deita no chão, pegando seu celular, fazendo uma ligação em seguida.

    — É a polícia? Estava passando perto da floresta Etofuru e vi um jovem entrar. Fiquei preocupado e liguei pra vocês. Venham rápido.

    Shizuka, tão tranquila quanto seu irmão, diz:

    — Vamos embora? Estou cansada.

    — Sim. Já terminamos. Foi mais tranquilo que da última vez.

    — Sim, mas...

    — Mas o que, Shizuka? O que houve?

    — Foi diferente. Era como se alguém o estivesse protegendo, mas não conseguia por ser mais fraco que eu...

    — Não ser preocupe com isso.o Você conseguiu. Vamos, não há mais nada a fazer agora. Deixemos com a polícia.

    Mas antes de ir, Kuon olha para jason, lhe dizendo a seguir:

    — Eu sinto muito. Com total certeza teria sido uma experiência única ter de jogar contra você, mas para sua infelicidade isso precisou acontecer. Tenha uma boa vida.

    E seguem em direção ao interior da floresta, deixando alí Jason, deitado e desacordado.

    Horas depois...

    Hospital de Etofuru, 04:35 am

    A tia de Jason, junto com sua prima, estavam na sala de espera do hospital, aos prantos. Logo um senhor, trajando um sobretudo, entra no local, chamando por Azika

    — Senhora Azika Hawoen?

    Ela, tomando a palavra, mesmo que com dificuldades, diz:

    — Sim, sou eu.

    — Prazer, me chamo Hansen Hakiro. Sou o detetive que...

    Iamiko, percebendo quem era, logo tratou de falar com sua mãe:

    — Mãe, ele é o pai do Hakiro!

    — Sim, sou. Estou aqui pra tratar sobre seu sobrinho.

    Azika logo o pergunta:

    — O que fizeram com ele?

    — Eu não sei. O que os médicos disseram?

    — Ele... ele não acorda... os médicos disseram que é cedo pra dar uma resposta concreta. Seu corpo, tudo dele está funcionando e agindo bem aos remédios, mas seu cérebro...

    — O que tem?

    A tia de Jason cai mais uma vez em prantos, mostrando toda sua desolação e desespero.

    — Eles disseram que... não encontraram muita atividade... ele vai vegetar... ele vai vegetar...

    Iamiko estava desesperada com a situação:

    — NÃO DIGA ISSO, MÃE! ELE VAI SAIR DESSA! ELE É FORTE ELE VAI SAIR DESSA!

    Iamiko logo corre para fora da sala, indo até a parte externa do hospital. Sua tia e o detetive continuavam por lá.

    Na UTI do hospital...

    Jason estava entubado e sendo alvo de todo monitoramento possível. A sala estava escura, o que tornava o ambiente ainda mais desolador. Mas algo de anormal acontece em sua mente.

    Jason se imaginava em um espaço totalmente branco. Alí sozinho, estava incapacitado até mesmo de falar em seus pensamentos. Caminhava sem rumo, tropeçando no vazio, mostrando dificuldade em se levantar. Porém, ao horizonte consegue perceber o vulto de duas pessoas, que se pareciam com seus pais. Tenta correr, mas tropeça novamente. Mas não desiste e se levanta, tentando correr. Ainda impossibilitado de falar, tentava forçar seu grito para chamá-los, mas nada era ecoado. Até que, pelo cansaço, vai ao chão, de joelhos, com as duas mãos apoiadas.

    Eis que em sua frente aparece uma sombra no formato de um felino, que lhe diz:

    — Eu vi o que lhe fizeram... eu tentei lhe ajudar no momento, mais meus poderes não estão totalmente restabelecidos... eu sou seu ressonante e você... o meu.

    Logo uma densa energia começa a emanar do corpo do vulto, indo em direção a cabeça de Jason. Esse mesmo felino diz:

    — Enquanto estiver vivo, eu irei sempre protegê-lo, custe o que custar... e como peça dos meus objetivos, concedo-o de volta todas as suas lembranças...

    Rapidamente toda a memória de Jason retornava para sua mente. Todos seus momentos, tudo que havia passado na vida é ilustrado a sua frente, retornando a sua mente. Logo o jovem toma forças e começa a correr em direção a seus pais, alcançando-os. 

    E assim o feito, eis que Jason acorda na cama do hospital, com um olhar mostrando irritação. Ele, respirando fundo, tem somente um pensamento:

    — *Eu lembro de tudo...*

    Continua


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