ANUON 9999

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    Capítulo 32

    A nova aliada: Heaven

    Violência

    Todos ficam surpresos com a confissão de Kitsune. A essa altura, acreditavam que não haveriam mais segredos naquele templo, mas a bela raposa sacerdotisa parecia estar bem desconfortável com o que acabara de dizer. Tratou então de desviar o olhar quando Kaede a olhou e disse:

    — Eu irei entender se passarem a não confiarem em mim. Eu precisei esconder isso de Tikai, pois não queria lhe trazer problemas. Peço perdão a todos por ter omitido essa informação por tanto tempo...

    — Kitsune, isso faz parte do passado. Não fique triste... Você mesmo disse que se arrependeu de tudo que fez antes. Não temos porque te julgar.

    — Eu sei, Kaede... mas ainda dói tê-lo feito!

    Ethan, sabendo que Kitsune estava mesmo precisando de apoio, se levantou e foi até próximo da raposa, abraçando-a em seguida de forma carinhosa, dizendo:

    — Não fique assim, Kitsune. Todos nós sabemos que fez aquilo por Piece 1...

    — Obrigada, Ethan...

    — Mas o que este humano está fazendo aqui? - Disse Anuon, se referindo ao caçador.

    — Vingança? - Perguntou Kaede, olhando para Kitsune.

    — Não... Tae nunca teria tempo para essas coisas. Sempre pensou nele mesmo e até quando matei seu filho, se preocupou mais em me matar. Fatalmente teria tirado minha pele e vendido, como Heaven disse.

    — Então estamos lidando com um aproveitador e explorador de animais? - Disse Ethan, preocupado.

    — Sim. Ele não tem nenhuma compaixão com os animais. Por isso acabei matando seu filho, que tentou me ferir.

    — Como assim?

    — Ele queria que seu filho fizesse o que faz, que é maltratar os animais e fazê-los de adorno para venderem. Seu filho tentou me ferir, mas... Bem, eu já lhes contei...

    — Mas foi Piece 1 que mandou você fazer as coisas que você vinha fazendo...

    — Sim, mas isso foi suficiente para que minha pessoa julgasse-o por tudo que os animais sofreram... Estava naquela época irritada com o fato de os humanos fazerem o que querem no mundo. Enfim, me tornei parte de um e entendo que muitas pessoas estão a mercê dos mais poderosos.

    — Poder... Dinheiro e influências...

    — Exato!

    — Bem, com certeza ele irá procurar pela tigresa - Indagou Anuon, olhando para Kitsune.

    — Sim. Se acontecer, teremos problemas... 

    — Porque? É só ignorarmos sua presença. Ele não viria aqui, viria? - Perguntou Ethan.

    — Não é tão simples, Ethan. Ele conhece Maeti!

    — Ele conhece?

    — Sim. Maeti já o ajudou a sair da floresta quando o bando de morcegos o atacou.

    — Mas porque não deixou o destino daquele humano caçador seguir seu rito? - Disse novamente Anuon.

    — E deixamos. Maeti apareceu e o salvou. O destino dele foi ser salvo por meio filho.

    Durante a manhã, continuaram conversando sobre a vida de Tae. O humano teve mesmo a vossa marcada somente por más notícias, trazendo-lhe tristeza, rancor e muito ódio. Talvez seu comportamento seja motivado pela perda de seu filho ou não. Mas Kitsune sabia que não era uma situação simples. Precisaria ter cuidado daqui pra frente, principalmente porque o templo era aberto a visitantes, mesmo que esses não fossem confiáveis.

    Enquanto isso...

    Maeti, depois de receber Heaven de sua mãe, a colocou deitada em sua cama. Já havia enfaixado seus ferimentos e usou de seus poderes de raposa para diminuir as dores da pequena tigresa. Logo Ryoga se aproximou do jovem raposa e disse:

    — Cara, tu dava pra ser um bom médico, sabia?

    — Hã? Médico?

    — Sim. Tu tratou bem dela. Eu tenho uns conhecimentos dessa paradas aí, mas nem precisei te ajudar. Tu mandou muito bem.

    — Nossa, obrigado. 

    Com a quietude que estava no lugar, Maeti então teve uma ideia. Virou para Ryoga e disse:

    — Ryoga, quero lhe mostrar uma coisa...

    — Opa... Tipo, Maeti... Eu tava de zoa quando te beijei no rosto, tá? Veja lá o que tu vai me mostrar...

    — O que foi? Do que vive está falando?

    —Nada... Absolutamente nada. Deixa quieto... 

    — Estranho... Bem, olhe isso.

    Maeti então pegou um tipo de envelope antigo, quase como uma runa. Abrindo em seguida, mostrou a Ryoga um tipo de símbolo de natureza rústica que tinha a forma de um ideograma.

    — Caraca! Sinistraço... Que é isso? Parece o ideograma "vida" do nosso alfabeto.

    — Minha Mãe, quando eu era uma raposa ainda mais jovem, cortou alguns pêlos da minha cauda... Um ritual tradicional de Tikai inclusive. Todos da família Rayka tinha ramos de seus cabelos cortados para formar esse ideograma. Bem, a minha mãe fez o mesmo...

    — E porque tu tá me mostrando isso?

    — Eu quero que fique com ele.

    — CARACA! PRA QUE VOCÊ VAI ME DAR ISSO? Com todo respeito mas acho que é importante você manter isso aqui. A mim que serviria?

    — Eu entendo você... De alguma forma, agora estamos ligados. Eu li a sua mente e compartilho agora de seus pensamentos. E seria ético de minha parte que também tivesse algo meu. Guarde isso, para se lembrar de mim.

    — Mas cara, isso é muito importante para você.

    — E seus pensamentos também. estão seguros comigo.

    — Peraí... Agora que você falou de novo... Você sabe de TUDO que penso?

    — Bem... Sim.

    — Caraca... Não sabe como estou envergonhado agora...

    — Não fique assim. Não contarei a ninguém...

    — Obrigado, cara. bem, ficarei com isso que me deu... Acho que você também deve estar se sentindo meio mal em não compartilhar algo comigo...

    — Leu meus pensamentos.

    — Hahaha! Eu entendi a referência.

    — Mas preciso te perguntar uma coisa, Ryoga.

    — Eh... Eu vou me arrepender disso, mas manda ver.

    — Você tem pensamentos um pouco sutis quanto a mim. Eu pareço mesmo uma fêmea tanto assim?

    Ryoga mal conseguia olhar para o rosto de Maeti tamanha era sua vergonha. O jeito andrógino do jovem raposa conseguiu mesmo cativar o rapaz, mesmo que suas preferências fossem mesmo garotas.

    — Ca-cara... Tipo, respondendo essa parada na sinceridade, tu tem um carisma fora do comum. Mas não me entenda mal, eu não quero nada com macho nem nada. Mas tu é muito gentil que eu esperaria ver isso em uma garota, se é que tu me entende.

    — Entendo sim, Ryoga. E agradeço pela sua sinceridade. Fico feliz que minha presença o agrada.

    — Cara, muda esse papo... Por favor! 

    — Tudo bem. Não era minha intenção deixá-lo constrangido...

    — Não não... Tipo, o seu jeito é o que eu procuro numa mina. Só isso. 

    — Eu entendo, Ryoga. E antes que você tenha alguma confusão em seus pensamentos, eu também me interesso por fêmeas.

    — Ufa! Graças a tudo que é mais sagrado a gente joga no mesmo time.

    — Hã? Time? O que...

    — Relaxa! Somos parça! É isso que queria dizer.

    — Hehehe... Você é divertido. Gosto de conversar com você - Disse Maeti, abraçando carinhosamente Ryoga em seguida.

    — Ah lá vem você...

    — Hahaha!

    Voltando ao salão principal...

    Com todos ainda conversando, Ethan diz:

    — Há algo que me incomoda nessa história toda...

    — O que? - Perguntou Anuon.

    — Porque pegaram uma tigresa, ainda filhote, para fazer experiências?

    — Bem, nunca a havia visto. Nem no dia do ataque ao centro...

    — Muito estranho... Será que Piece 1 a conhecia?

    Kitsune, ao ouvir os questionamentos de Ethan, tratou de dizer:

    — Provavelmente não. Apesar de sua ambição em destruir a humanidade, sempre foi um legítimo líder, disposto a ajudar qualquer animal. Se esta tigresa estivesse em seu caminho, com certeza a teria salvo.

    — Isso comprova que muitos animais não foram com Piece 1 - Definiu Kaede, olhando para Ethan.

    — Pode ser, humana... mas também desconfio que haja mais segredos a ser desvendados. 

    — Como assim?

    — Não conhecemos nada de Heaven. Com total certeza ela tem poderes. Devemos agir com cautela.

    Deles de tanto conversarem, todos em seguida seguiram com seus afazeres. Como o treinamento de Ethan estava em aberto, tendo em vista os eventos que acontecem durante a manhã, seguiram com as agências a pequena tigresa.

    Logo anoitece...

    Todos se preparam para o jantar, conversando a mesa. Estavam todos mesmo, até Maeti e Ryoga. Ethan, se referindo a seu amigo, diz:

    — Cara, você e o Maeti sumiram mesmo. Que vocês fizeram nesse tempo?

    — Um bagaço aí, cara... Se mete não...

    — Sei... E você Maeti?

    — Estávamos conversando...

    — Tudo bem... Vocês estavam revolvendo a relação...

    — Hã? Que tu disse aí, ô maluco?

    — Hahaha! Te peguei, Ryoga!

    — Seu...

    Kaede, cortando o assunto, diz:

    — Ethan, e o seu treinamento?

    — Já era, Kaede! Eu desisti... - Disse Ethan, um pouco desolado.

    — Você o que? - Perguntou Maeti, confuso.

    — Sim, Maeti. Tive de desistir.

    —Mas porque?

    — Foi por causa da tigresa, a Heaven.

    — Ah, sim... Eu a curei... Etá dormindo agora.

    — Bem, mais tarde vou ver como ela está.

    Durante o jantar, Ethan então passou a dizer a Maeti:

    — Ainda me preocupa tudo isso...

    — O que?

    — Sabe, se passou quase um mês e muitas coisas aconteceram na minha vida. Poderia estar morto agora, inclusive. Apareceu Fhor, Lupa, Spin... E agora conheci você e sua mãe e mais uma vez é colocado mais um desafio em minha vida... O que farei com Heaven?

    — Ora, Ethan, cuidar dela - Disse Anuon, olhando para Ethan.

    — Mas Anuon, ela é uma tigresa. Cuidar de você é fácil, pois mesmo você sendo um Anis e ser de uma raça diferente de gato, seu tamanho é maior de que um felino normal. E quando Heaven crescer? Um tigre adulto tem mais de três metros de altura.

    — Isso é um problema mesmo - Disse Kaede, enquanto comia seu lamen.

    Kitsune havia ouvido toda a conversa. Enquanto trazia mais comida, diz:

    — Deixe-a aqui, Ethan. Cuidaremos bem dela. E poderá visitá-la quando quiser.

    — Não será nenhum incômodo?

    —Não, de maneira nenhuma. Será uma honra.

    — Hehehe... Esse diálogo de vocês agora me lembrou de um seriado mexicano... Hehehe...

    — Você não perde tempo... não é, Ryoga? - Disse Kaede, irritada.

    — Hehehe... O comentário não teve maldade nenhuma...

    — Você não é fácil.

    A conversa durou um bom tempo. Foram bons momentos de descontração durante o jantar, com todos se divertindo.

    Durante aquela noite, depois do jantar...

    Ethan, quando entra em seu quarto, se depara com Heaven, olhando para o céu pela janela. O jovem, curioso, pergunta a Anuon:

    — Anuon, porque felinos gostam de ficar olhando para o céu de noite?

    — Você pergunta isso a mim porque?

    — Sempre está fazendo isso quando chega de noite. Por isso.

    — Tem razão... Bem, gosto de apreciar a natureza. A imensidão do céu... é lindo adimirar as estrelas, a lua... O brilhar destes astros me faz sonhar com uma vida livre de problemas, sofrimentos, lutas... Ah, eu realmente relaxo quando o faço. Me aproxima de Riviera.

    — Isso foi bem profundo, Anuon. Não conhecia este seu lado.

    — É, bem... Ah falar com você é difícil...

    — Deixa de ser tímida, Anuon.

    Ethan então se aproximou de Heaven e, acariciando o alto de sua cabeça, diz:

    — Tudo bem, Heaven?

    — Oi, Anjo... Digo, Ethan. Estou sim...

    — Ethan, porque ela o chamou de anjo? - Perguntou Anuon.

    — Ela pensou que eu era um anjo quando a salvei daquele miserável.

    — Sei... Você parece gostar, não é?

    — Que isso, Anuon. Peraí... Você está com ciúme, é?

    — Ciúme? O que é isso? - Disse, desviando o olhar.

    — É quando uma pessoa sente-se distanciada pela pessoa que gosta. Geralmente é causado por agrados de uma outra pessoa que acabara de conhecer...

    — Não, não é isso que diz! Só acho que está se apegando demais a ela.

    — Tudo bem... se diz...

    — Esse seu "tudo bem" foi meio irônico.

    — Esquece, Anuon... Você é tímida...

    — Humanos... Bem, Heaven, você lembra como chegou ao centro de pesquisa? - Perguntou Anuon, dessa vez a tigresa.

    — Não sei de nada... A única coisa que me lembro é de uma coisa que fazia um barulho estranho... um barulho engraçado... Não sei explicar...

    — Como era o barulho, filhote?

    — Como se fosse um... não sei... Ah uma máquina...

    — Bem, você pode ter ficado perto da sala de máquinas...

    — Não sei bem...

    — Estranho é você estar bem depois daquele cara te bater com aquele pedaço de madeira. Ele bateu com muita força...

    — Mas doeu muito!

    — Eu sei, mas com a intensidade dos golpes daquele besta...

    — Ah eu não sei... O rapaz que me curou antes era um anjo, eu sei...

    — Está falando do Maeti?

    — Esse é o nome dele? Ele tinha orelhas não-humanas... Era um anjo, eu sei...

    — É, me desculpe por ter chamado sua atenção, Ethan! Ela chama todos de anjo - Disse Anuon, parecendo estar aliviada.

    — Ela nunca recebeu carinho na vida. É normal que diga estas coisas. Fica fazendo analogias com isso...

    — Sim, é somente uma filhote!

    — Vocês vão cuidar de mim? - Perguntou Heaven.

    — Bem, a princípio pensei em levá-la a minha casa mas isso é um pouco difícil... - Ethan foi sincero.

    — VOCÊS VÃO ME ABANDONAR? NÃO, POR FAVOR... VOU FICAR QUIETA! NÃO QUERO SER ABONDONADA!

    — Calma, filhote. Você ficará aqui neste templo. Não podemos levá-la para a cidade, pois a casa de Ethan não tem espaço para você - Disse Anuon, tranquilizando a pequena. 

    — Mas o anjo não vai mais me ver?

    — Eu irei sim. Kitsune, que é a sacerdotiza do templo, vai cuidar de você e posso vir aqui sempre que quiser - Respondeu Ethan.

    — Obrigada por se importar tato assim comigo, anjo!

    — Tudo bem, Heaven. Agradeça a Kitsune.

    — Bem, vamos dormir... Amanhã teremos de ir. Até amanhã, Ethan - Disse Anuon, já com sono.

    — Até amanhã. Ueh?! Não vai vir dormir aqui comigo?

    — Ethan, durma com Heaven! Ela precisa de carinho mais do que eu...

    — Boa noite, tímida!

    — Não começa...

    E Ethan chama Heaven para dormir com ele. Por terem noites frias desde que chegaram em Kyoto, Ethan deixava Anuon firme junto a seu corpo para se aquecer, coisa que repetiu com Heaven. Durante seu sono, Heaven se mexia como se estivesse tendo um pesadelo, gungunando inclusive. Ethan ligou tratou de acariciar sua pelugem, para tranquilizá-la. Mas ao fazer carícias perto de seu dorso, sente algo estranho nas mãos. E Fazia até barulho. O jovem foi imediatamente averiguar. Pegou uma pequena lanterna de dentro de sua mochila e espiou. Surpreso e desesperado, diz:

    — MAS O QUE É ISSO? MINHA NOSSA!

    Ethan havia visto uma ferida em Heaven, mas tinha algo a mais. Estava se fechando porém de dentro da ferida saía faíscas. Ethan não sabia o que fazer.

    — KITSUNE, SOCORRO!

    Continua.


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