The Last A: O Último Anis

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    Capítulo 6

    Atrito

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Jason parece não saber o tamanho das consequências, porém Kazu sabe.

    Pátio do colégio, 12:45

    — SEU IRRESPONSÁVEL! PORQUE FOI AGIR ASSIM COM ELE?

    Disse Kazu, mostrando bastante irritação. Ele acaba de um lado para o outro, puxando ar, quase como se estivesse desesperado. Jason, sem entender, diz:

    —  Porque está gritando comigo?

    — Porque? Você ainda me pergunta porque? Você acabou de destratar o Kuon.

    — Mereço uma medalha ou coisa assim?

    — ESTOU FALANDO SÉRIO, JASON!

    — Vai continuar gritando? Não estou gostando disso.

    Kazu realmente mostrava preocupação com algo, detalhe que Jason percebeu no mesmo instante.

    — O que te preocupa, Kazu? Só coloquei aquele "péla" no lugar dele.

    — Esse é o problema.

    — Qual?

    — Você não o conhece.

    — Nem ele a mim. Estamos quites.

    — PORQUE VOCÊ ACHA QUE TUDO ISSO É UMA BRINCADEIRA, DAQUELAS QUE TINHA NA CAPITAL? AQUI NÃO É TOKYO!

    — Sério, melhor parar de gritar comigo, tudo bem? Já está me irritando.

    Kazu, num momento de reflexão, toma ativa mais ar e se senta em um dos bancos do pátio. Já um pouco mais calmo e sendo observado por Jason, diz:

    — Senta... Vou te explicar algumas coisas...

    — Finalmente voltou a ser racional.

    — Não... Não... Escuta... Não explodi a toa... Eu realmente estou preocupado com você.

    — Olha, muitas coisas estranhas vem acontecendo comigo desde que voltei pra cá. Essa de você explodir assim do nada foi a última. Uma explicação seria muito bom.

    — Jason, Kuon é o líder da escola.

    — Então tem dessas frescuras aqui também, é? Novidade...

    — Não é frescura. Ele tem um certo poder sobre os alunos, e até mesmo em alguns docentes.

    — E daí? Culpa são das pessoas que seguem na influência do mané...

    Jason, por um breve momento, se surpreendeu ao olhar para Kazu. Seu semblante estava mais sério que de costume.

    — Hakiro pensava do mesmo jeito.

    — O que quer dizer com isso?

    — Bem, seu amigo e Kuon tinham atritos um com o outro por esse mesmo problema. Hakiro liderava nosso time de basquete, que é nosso orgulho no colégio. E Kuon... Bem... Ele também era do time.

    — Então eles jogavam no mesmo time.

    — Sim mas, como você mesmo já viu, Kuon sempre foi de ter orgulho, de ser sempre o líder em tudo que se engajava a fazer. Ele não aceitava em terem Hakiro como o líder do time. Seu amigo jogava muito, era um monstro na quadra. Mais que Kuon, que também é um monstro na quadra.

    — Natural do meu brother.

    E olhando Jason nos olhos, Kazu diz:

    — Jason, Kuon o fez sair do time.

    — O que? Como assim?

    — Como disse, a influência de Kuon é grande sobre os alunos. Ele criou um "anti-hype" contra seu amigo e, como posso dizer, Hakiro não suportou a pressão de praticamente todo o colégio.

    — Como assim?

    — Kuon o diminuiu em quadra.

    — Kazu, diga sem parar!

    — Hakiro saiyr do time porque Kuon quis. O treinador inclusive concordou.

    — Miserável... Filho da...

    — Mas seu amigo não aceitou isso. Na verdade ele lutou. Em um jogo antes de ser sacado do time ele fez milagres, coisa que nunca havíamos visto. Ele jogou como um profissional. Estava um nível muito acima. Todo o colégio o ovacionou e Kuon somente observava... Bem, no dia seguinte veio a notícia e seu amigo passou a ser uma peça fora. Ele surtou, não aceitou essa condição, golpeou Kuon no rosto e ele mesmo, o Kuon,  tentou dialogar com ele. E seu amigo correu para a floresta... Já era tarde da noite e... O resto Kuon já te explicou.

    Jason estava perplexo. Era visível que não conseguia acreditar o que havia acontecido. E no mesmo instante, ele diz:

    — Sério, eu conheço esse cara a uma hora e já o odeio.

    — Jason, eu entendo bem como se sente, mas as coisas são assim aqui. Simplesmente o esqueça.

    — Kazu, fala sério, cara. Antes foi a Shizuka, agora Kuon. Porque eles me chamaram de "humano"?

    — Bem, Kuon e sua irmã se acham superiores aos outros. Eles vivem dizendo isso...

    — Hum... Bem, acho que terei de dar mais dor de cabeça a eles. Kuon está na quadra, não?

    — Sim, mas porq...

    Jason nem espera que Kazu complete mais uma palavra e segue em direção ao ginásio. Kazu, sem entender, perguntava o que ele iria fazer, mas o jovem somente ignorava as súplicas de Kazu.

    Já no ginásio, era possível ver Kuon junto aos outros integrantes do time, conversando sobre treinamentos. Jason entra na quadra e o interrompe, dizendo:

    — E aí, vacilão? Vim pra fazer parte do time.

    Kuon, mostrando descontentamento com a atitude de Jason, diz:

    — Sinto informar que não tenho intenção de incluí-lo ao time.

    — E porquê? Algo contra mim?

    — Temos a equipe definida já. Sinto muito. Poderia se retirar?

    — Ah sim, Claro. Agora vai tentar me expulsar daqui, sei... Então vou fazer uma outra proposta.

    — A que se refere?

    — Daqui a algumas semanas teremos o torneio poliesportivo de Etofuru, não é?

    — Exato. E nosso colégio será o campeão.

    — Concordo, mané. Mas você não vai levantar o troféu de campeão.

    — E porque diz isso? Vai torcer contra o próprio colégio?

    — De forma alguma. Aliás, eu que irei.

    Kuon junto com todo seu time começaram a rir de Jason. O jovem de cabelos azuis Olá com ainda mais despedi por Jason e diz:

    — Hahaha... Definitivamente você é uma pessoa muito interessante. E como irá fazer isso, já que não fará parte do time?

    Jason, cruzando os braços, diz:

    — Irei criar um time. Iremos competir também.

    — Como é? Você perdeu a noção do ridículo...

    — Não... O colégio pode ter dois times. Eu conheço bem as regras dessa competição, e creio que você também saiba, não é líder?

    — Muitas coisas mudaram, Jason. Não sabe de nada que está acontecendo.

    — Pode até ser, mas eu sei com total certeza que eu posso, e vou, criar um time B pra rebaixar você.

    Kuon ficou mudo por alguns instantes, ainda ouvindo de Jason:

    — Eu irei falar com o diretor sobre o segundo time agora. Não há nada que impeça isso. Então melhor tratar de treinar bastante, "péla saco". Porque eu vou passar por cima você com tudo, sem pena.

    Jason lhe dá as costas, sendo seguido por Kazu, que estava confuso com tudo que estava acontecendo.

    Já no lado de fora, Jason sorria, com Kazu falando:

    — Você ficou louco? Será que nada que eu te disse o fez mudar de ideia?

    — Hehe... Você viu só a cara dele?

    — Jason, é imprudente da sua parte fazer isso.

    — Vou fazer isso pelo Hakiro. Esse mané do Kuon vai se f*der comido.

    — Não faça nada. Siga com sua vida!

    — Relaxa, Kazu. Não sei porque tanta preocupação. Até parece que ele é um tipo de deus ou coisa assim. Eu sei lidar com líderes. Vou pôr o Kuon no lugar dele.

    — Jason, esqueça disso.

    — Kazu, eu quero me divertir antes de mais nada. E eu não vou fazer nada errado. Por isso fica na boa aí. E isso vai ser pelo Hakiro.

    Depois da breve conversa, os dois voltam a sala para o restante da aula.

    Casa de Jason, 20:00.

    A noite transcorria sem problemas, com o clima calmo e sem nuvens. Já havia passado o período de frente fria da região de Etofuru. Jason estava em seu quarto ouvindo música, quando seu celular toca.

    — Alô?

    — Oi, Jason. Sou a veterinária. Teria como vir aqui agora?

    — Sim, claro. Mas aconteceu algo com o bichano?

    — Não, não. É só pra conversar mesmo.

    — Tudo bem. Estou indo.

    — Até.

    Ele se apronta e segue em direção a porta, quando sua prima o avista e diz:

    — Ei, onde está indo?

    — Tô indo lá ver o gato. Quer vir também?

    — Sim. Espera eu pegar meu celular.

    Casa da veterinária, 20:20.

    Já em seu interior, a moça pergunta:

    — Onde vocês encontraram este animal mesmo?

    Jason toma a palavra.

    — Perto da praia, dentro de um tonel. Porque?

    — Não tinha nenhuma identificação?

    — Não. Porque?

    — Bem, de fato é um felino, mas há algo estranho.

    A prima de Jason estava tão curtidas quanto o jovem, dizendo:

    — O que tem de estranho?

    — Seu organismo. Bem, difícil explicar pra vocês, mas digamos que ele tem uma musculatura diferente dos demais felinos que examinei até hoje.

    Jason mostrava-se preocupado com a situação.

    — Mas e aí?

    — Eu fiz teste de DNA, de plasma, de histórico genérico. Eu não achei nada que tenha registo na medicina veterinária subtração esse gato. Eu não sei a qual espécie pertence, mas de uma coisa eu sei: é uma espécie nova.

    — Como é? 

    — Eu gostaria de levá-lo para a faculdade, mas da forma que se encontra não acho prudente tirá-lo daqui.

    — Mas como vamos cuidar dele?

    — Podem ser acalmar. Ele está bem.

    — Mas desde que nós o trouxemos aqui ele não acordou.

    — Eu sei. Mas alguns tipos de felinos meio que "hibernam". Algum tipo de trauma ou estresse esse animal passou pra ficar nesse estado. No momento ele está dormindo.

    — Dormindo eternamente?

    — Não é bem assim. Eu irei instruí-los. Não tem mistério.

    Mas durante a explicação da veterinária, e surpreendendo Jason, o jovem começa a sentir algo.

    —*Hã? Mas... Essa pressão... Essa pressão na minha cabeça... Igual aquela da escola... Essa dor... Está insuportável... Eu... Eu... Não vou aguentar...*

    E o rapaz vai ao chão, desmaiando aos pés de sua prima e da veterinária. As duas logo começam a acudí-lo, com sua prima segurando sua cabeça, enquanto a veterinária tentava acordá-lo.

    Jason, embora desacordado, continuava a pensar, e em suas mente refletia:

    — *Eu... Eu estou... Eu... Eu não sei... Mas o que...*

    E uma voz sussurrante ecoa em sua mente, dizendo:

    — *Você vai superá-los. Tem minha palavra... A todos... Você é o propósito de eu estar aqui... Me espere...*

    Jason estava ainda mais confuso que antes. Estava assustado e preocupado com o que acabara de ouvir.

    — *Quem... Quem é você?*

    — *Eu o procurei todo esse tempo... e... eu o encontrei... Eu não deixarei que nada aconteça com você até que eu consiga o que eu quero... e irei conseguir...*

    — *QUEM É VOCÊ?*

    — *Seu ressonante... dependo de você e... você de mim...*

    Continua


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