Freedom Planet: Faith & Shock

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    12
    Capítulos:

    Capítulo 25

    Companhias na Agência - Parte 1

    Spoiler, Violência

    E teremos muita agitação nesse capítulo.

    Uma festa iminente... e outras coisas mais.

    — O QUE VOCÊS FIZERAM? EM QUE VOCÊS ESTAVAM PENSANDO? VAI, RESPONDAM!

    Não leitor... Não era Asuka e muito menos Lenzin falando. Era a Lilac mesmo. Ela estava furiosa com Carol, Milla e, pasme, Viktor. Mas a dragão não parou:

    — Será que vocês não tem ideia da nossa situação nesse lugar? A cada instante eu penso que as coisas estão calmas e tranquilas... AÍ VOCÊS ORDEM O CONTROLE DO QUE FAZEM E ACABAM DESTRUINDO TUDO!

    — Aí, heroína...

    — Nada de deboche, Carol... NADA!

    — Tá, beleza...

    — O que você estava fazendo na Ala Restrita? Você sabe muito bem que aquele lugar tem esse nome por ser um lugar restrito!

    — Tô sabendo disso tudo, tá? Mas caraca... O que eu posso fazer? O roteiro dessa história me colocou lá. Eu mesmo nem sei como fui parar naquele lugar... Cara, parecia o céu!

    — CAROL!

    — Ih cara... Ela hoje tá atacada...

    — E você, Milla? Como é que você pôde destruir quase uma ala inteira?

    — Lilac, eu... É... Eu só cumpri ordens e...

    — Minha nossa... Milla, a ordem é NÃO SE META EM ENCRENCAS! Se a Neera Li ficar sabendo disso...

    — Lilac... Desculpa. Eu só estava tentando ajudar a minha nova amiga Zoey e...

    — Milla, por favor... Não faça isso outra vez, tudo bem?

    — Tudo bem, Lilac. Eu vou tomar cuidado – Disse a pequena, esfregando seus indicadores.

    — Hm... Agora você, Viktor...

    — Lilac, eu...

    — Você, dos três, era a única pessoa que eu não esperaria nenhuma confusão. Você não é de ficar brigando com qualquer um e...

    — Espera, Lilac. Não fui eu quem começou com tudo isso. Eu estava lá no ginásio tomando comida da minha vida e do nada aquela felina surtada veio pra cima de mim feito uma lutadora de MMA, que eu acho que ela é mesmo, e me agrediu do nada!

    — Mas porque você revidou?

    — Revidar?! Eu estava lutando pra me manter inteiro! Você falando assim até parece que está defendendo ela!

    — Viktor, ela é uma agente daqui. Você esqueceu que nós estamos sendo investigados a todo instante? E no seu caso é até pior, porque você não é daqui de Avalice...

    — Ah depois de eu ter lutado contra ela, o rótulo “stranger” me faz muito sentido agora...

    Carol, que acompanhava a conversa, diz:

    — Pera... Tu saiu na porrada contra uma agente e eu não vi isso? Não, tá errado... Lilac, eu tenho que ver esse vídeo!

    — Carol...

    — Não, eu tenho que ver! Nossa, o piá dando uma de Bambam! Uhuuu! BIRL!

    — CAROL, CALA A BOCA!

    Interrompendo a conversa, Noah, que estava no lado de fora da diretoria, logo diz:

    — Lilac, Viktor está dizendo a verdade. Ela quem começou e ele só se defendeu.

    — Eu sei, Noah. A Asuka me disse.

    — Hã? Ela te disse? Mas...

    — Foi ela que me avisou... Bem, quem fez isso foi a Arthemis, que se teletransportou na minha frente...

    E falando nisso, onde está Asuka? Bem, como no capítulo anterior ela foi avisada, a felina grã mestra da Agência estava reunida com suas subalternas na Ala Ichi, mais precisamente em sua sala de controle. Lá, já trajada com sua bodysuit, já dava uma impressão do teor da conversa:

    — Uma felina selvagem, uma canina inexperiente e um stranger sem valor... A felina destruiu vários bólidos e armamentos, a canina destruiu vários laboratórios e o stranger sem valor colocou uma certa agente pra varrer o chão de sujeira... Eu acho que nem preciso dizer nada.

    Tayce, a dragonesa colossal, logo tomou a palavra:

    — Asuka Tenjoin, eu me responsabilizo por tudo que a Carol danificou. Mas não há do que se preocupar. Os agentes já contornaram a situação.

    — Eu também me responsabilizo pelo que a Milla danificou em nossos laboratórios. Por sorte nada de importante foi perdido. E os danos foram menores do que eu imaginava – Disse Zoey, retirando seu jaleco.

    — Muito bem... Vocês duas podem sair. E espero que meçam as consequências daqui pra frente. Dispensadas.

    Tayce e Zoey logo deixaram a sala, ficando somente Liane, a qual se manteve em silêncio o tempo todo. Mas Asuka estava mesmo decidida em mudar isso:

    — Liane Saber Daiyomondo Omna... Vocês dessa família só sabem provocar confusão por onde andam.

    — Hm... – Resmungou Liane, cruzando os braços.

    — Algum problema, Liane? Está me chamando para brigar também?

    — Primeiro: eu estou cansada, por isso cruzei meus braços. Segundo: eu nunca teria a honra de lutar contra você. Você jamais teria essa coragem.

    — COMO OUSA FALAR ASSIM COMIGO?

    No mesmo instante Arthemis apareceu, dizendo:

    — Asuka Tenjoin, sua pressão está aumentando. Recomendo relaxar. Gostaria de tomar um chá de ervas de Shuigang?

    — Sim, Arthemis. Por favor.

    Prontamente servido, Asuka desfrutou de sua bebida enquanto conservava com Liane.

    — Hum... Liane, seu ato infracional poderia tê-lo matado, sabia?

    — Sim. Eu acho que deixei bem claro que eu queria quebrar ele todo.

    Asuka parecia que teria outro surto, mas Arthemis interveio:

    — Asuka Tenjoin, Liane está sendo sincera. A família Daiyomondo Omna é famosa por desafiar qualquer um para lutarem. Eles não costumam pegar leve com ninguém, podendo até ferir os seus desafiantes.

    — Ah sim... Bem lembrando, Arthemis – Disse a grã mestra, terminando seu chá.

    — Asuka Tenjoin, peço humildemente que me deixe desafiá-lo novamente.

    — Pedido recusado, Liane Saber.

    — Senhora grã mestra, poderia me dar um motivo para a recusa?

    — Logo se nota que seus punhos tem mais miolo que seu cérebro. Você queria aniquilá-lo. Como poderia permitir isso? Mesmo Viktorius Ashem sendo um stranger sem valor eu não poderia deixar que o machucasse gravemente.

    — Ele... Senhora, eu não poderei aceitar que um homem como ele ande nessa base depois de resistir aos meus punhos. Essa ideia de saber que nesse exato momento ele está de pé e inteiro não me cai bem.

    — Liane Saber, irei falar pela última vez: você está proibida e impedida de lutar contra Viktorius Ashem. Eu fui bem clara?

    — Sim, senhora grã mestra. Porém...

    — Como eu odeio “poréns”...

    — Se o mesmo me provocar, eu não poderei atender a sua ordem. Minha família exige que eu mantenha suas tradições imaculadas. Ir contra isso é uma traição a dinastia Omna. E a senhora terá de se responsabilizar por esse destrato.

    — Hm... Tudo bem... Muito bem, Liane. Sob essa condição eu aceitaria. Mas somente se Viktorius Ashem a desafiar, está bem?

    — Combinado.

    — Agora que os “assuntos de família” estão resolvidos, está liberada. E não arrume confusões com ele, eu fui clara?

    — Sim. Não se preocupe...

    — Não... Eu me preocupo sim. Eu a conheço, Extreme Fighter. Já estou cansada de receber chamados da enfermaria me avisando de mais homens destruídos internados. O último que sentiu o peso de seu punho ficou hospitalizado por um mês... Você não vai fazer o mesmo com o Viktorius Ashem. Mesmo se o “Zé ninguém” te desafiar. Isso é uma ordem.

    — Tss... Isso me desagrada.

    — Então eu fui efetiva. Passar bem.

    Liane Saber, visivelmente irritada, deixou as dependências do salão pelo lado contrário das demais. E isso foi determinante para não haver o encontro dela com Viktor, pois...

    Ala Ichi

    Diretoria

    ... todos estavam lá e se isso acontecesse, não iria agradar a Lilac. E depois da longa conversa (e um baita de um sermão da dragão púrpura), todos começaram a deixar o lugar. E como Viktor foi o primeiro a sair, um grito ecoou pelo corredor.

    — VIKTOR? É VOCÊ MESMO! EI, VIKTOR! AHHH! 

    Foi o tempo do jovem humano virar seu rosto e ver um rastro meio alaranjado cortar o ar, se chocando contra seu corpo e o jogando ao chão. Todos se surpreenderam com o fato, desde Carol, Milla e até Noah. E depois de Viktor se recompor, eis que ele reconheceu a pessoa:

    — She-sheng? Você aqui?!

    — E aí, meu irmãozão! Como você está? – Disse, por sobre o corpo do jovem, o abraçando com força.

    — Eu... É... Bem...

    — Eu tô sabendo que você brigou, é verdade?

    — Olha, não exatamente isso, mas...

    — Cara, que demais! Você não perdeu a forma desde o fim do torneio então!

    — É, Sheng... Mas...

    — Tipo, cara... Estou louco pra fazer outro versus contra você! O que me diz, hein? – Disse, ainda abraçando Viktor no chão.

    Com todos ali olhando a confraternização amistosa entre os dois, com Lilac achando um pouco demais, adivinhem só quem estava adorando? Bastou Carol fazer uma cara de aprovação daquilo tudo, com um sorriso bem malicioso, para a dragão logo reagir:

    — Carol, muda esse rosto! Para! Não pense em fazer no que você está pensando...

    — Lilac, olha só como o neko aí tá agarradinho com o piá... Cara, isso tá ainda melhor que quando foi com o Ying, hihihi...

    — CAROL!

    — Lilac, dá licença... Eu não tô fazendo nada. Quem tá fazendo tudo é esse neko fofucho aí.

    E Viktor, olhando para Sheng, diz:

    — Sheng, será que você poderia fazer o favor de sair de cima de mim?!

    — Ih, cara... Foi mal! Sabe, eu estava com muita saudades sua... – Disse, saindo de cima do jovem, estendendo a mão parte ajudá-lo a se levantar.

    — Ufa... Obrigado. Valeu mesmo.

    — Hahaha! Cara, como eu gosto de você! E a gente está junto aqui na Agência! Ah isso vai ser demais!

    E Milla, reconhecendo um de seus oponentes do Team Omna, diz:

    — Ei... Você é do Team Omna. Você também é um agente?

    — Eu? Não... Pelo menos não ainda. O Joshy me trouxe aqui pra estagiar. Sabe, eu preciso impressionar a Asuka antes.

    E Lilac, olhando para Sheng, diz:

    — Impressionar a Asuka? Como assim?

    — LILAC?! Nossa... Que honra te conhecer! Ah... Eu preciso mostrar meu potencial pra ela. Aí passarei por uma análise e...

    — Mas como assim uma análise? Eu pensei que todos da dinastia Omna tinham direitos nesse lugar... 

    — Não... Só quem é escolhido a dedo pela grã mestra. Ela quem diz quem fica e quem sai. Mas eu estou confiante... E nossa... O Viktor também está aqui! Cara, a gente vai se divertir muito!

    — Hehe... Tudo bem, Sheng. Sabe, foi uma surpresa te ver aqui – Disse Viktor, apertando a mão do felino.

    — Ah cara... Tamo junto! Bem, eu preciso ir. Combinei com o Joshy de me encontrar com ele no outro lado da ala. A gente vai se esbarrar outra vez, esteja certo disso! – Disse, enquanto corria pelo corredor.

    Mas enquanto fazia isso, Sheng fitou Noah bem dentro de seus olhos. O jovem albino no mesmo instante percebeu que a encarada do felino alaranjado era uma provocação, mostrando um certo ódio e repúdio a sua presença no momento. Embora isso tenha durado por um breve momento, foi o suficiente para deixar Noah incomodado com esse detalhe, tendo em vista os incidentes do torneio.

    Com a liberação da diretoria, Lilac diz:

    — Ah... Agora que está todo mundo bem... A Asuka vai fazer uma festa com a gente.

    — O QUE? Tipo... Lilac... Minha heroína púrpura... Tu tá de zoa, né? Tu só quer ver minha reação, não?

    — Não, Carol. Ela vai mesmo dar uma festa. E eu vim até aqui no centro pra...

    — Tá... ok... A otome vai dar mesmo uma festa... CARACA, LILAC! Festa! Vamo aproveitar muito! Caraca, piá... Tu vai cozinhar pra gente!

    — Não, Carol... Ele não vai.

    Viktor, confuso, diz:

    — Como assim? Eu posso cozinhar pra vocês.

    — Não, Viktor... Com todo o respeito, mas essa festa é só pra garotas.

    — Espera, deixa eu ver se entendi bem: eu não vou poder ir na festa porque eu sou um garoto?

    — Olha, não é bem assim... Digo, et uma festa onde a gente... Bem... É uma festa meio íntima de garotas e...

    — Pera, Lilac... Tu falando assim... Tá me assustando... – Disse Carol, abraçando Viktor.

    — Hã? Ca-carol... Não é nada disso que você está pensando!

    — Tá, vamo deixar isso só entre a gente, ok? Que tá pegando? Que tipo de festa é essa que o piá e o Noah não podem entrar?

    — Ah Carol... Você tinha que falar assim?

    — Fala logo, Lilac!

    — Tudo bem... É uma... É uma festa de... pijama.

    Isso foi o suficiente para causar uma reação bem espontânea para Carol e os garotos, e até para a Milla:

    — É... Por isso não fomos convidados – Disse Viktor, um pouco decepcionado.

    — Bem, tenho coisas a fazer... Divirtam-se, garotas – Disse Noah, caminhando em direção a Ala Yon, ou seja, o ginásio.

    — Espere, Noah... Vamos juntos...

    Ficou mesmo um clima um pouco estranho entre os garotos. Carol, ao perceber isso, diz:

    — Tá, eu ia dizer que é frescura dos garotos, mas tô ligada como eles estão se sentindo... Pô, Lilac... Deixar eles de fora não é legal...

    — Eu não ia dizer a eles assim, sua boba! Mas você tinha que...

    — Opa, pera lá... Eu não fiz nada. Foi a otome que disse as regras.

    — Lilac, o Viktorius e o Noah são nossos amigos. Eu também não acho justo deixar eles de fora – Disse Milla, um pouco triste.

    Mas Lilac também não estava bem em ter dado essa notícia. Mas ela deixou bem claro o porquê de ter aceitado.

    — Carol e Milla... Eu também não concordo com isso, mas...

    — Vai, diz logo! – Carol logo deu o tom.

    — Calma! Escutem... Eu aceitei essa ideia porque a Asuka desde que entramos nesse lugar não parece confiável...

    — Hã? Pera... Lilac, tá certo que no início ela foi meio bobona, mas caraca... A mina tá sendo bem carinhosa com a gente.

    — Está sim, Carol. Não nego isso, mas tem algo no ar... Eu sinto que ela não está sendo cem por cento honesta com a gente.

    — E como tu chegou a essa conclusão?

    — Arthemis sempre tenta mantê-la calma, Lenzin sempre age de forma cuidadosa, todos na Agência tem medo dela...

    — Medo? Da Asuka? Mas ela é um amorzinho, Lilac... – Disse Milla, com um sorriso.

    — Milla, você ouviu o que o Sheng disse, não?

    — Sim, mas...

    — Tem algo nisso tudo, Milla... Não é normal alguém falar assim.

    — Tá, Lilac... Eu entendi. Mas deixar os garotos de fora...

    — É melhor assim. Eles estão nos investigando. Com Viktor e Noah de fora é parte da minha estratégia. Eu vou colocar a Asuka isolada deles assim.

    — Mas Lilac... Tipo, a Asuka na certa pensou nisso.

    — Sim. Mas foi nesse raciocínio dela que eu tenho um plano.

    — E qual seria?

    Mas Lilac tinha total ciência do risco, e não estou me referindo ao evento. Ela, através de sinais com suas mãos, como ensinado entre os membros da The Red Scarves, sinalizou:

    “Arthemis está nos ouvindo agora. E pelo visto Asuka também. Eu quero que ela saiba, mas não quero dizer meu plano aqui. Com isso ela vai ter de se preocupar só com a gente, deixando os garotos de fora disso. Entendeu?”

    “Nyah! :3”

    Lilac tinha um plano. Será que funcionaria? Bem, saberemos durante a festa...

    Enquanto isso...

    Corredores da Agência.

    Viktor e Noah caminhavam amigavelmente pelos corredores em direção a Ala Yon, a fim de retornarem ao ginásio. Viktor então diz:

    — Noah, eu estou mesmo chateado com essa situação.

    — Não fique assim, cara. Lilac não tem culpa.

    — Eu poderia cozinhar muitas coisas. Tipo, eu estou mesmo querendo variar um pouco de cozinha e...

    — Espere... Acho que eu entendi errado sua irritação. Você está chateado porque não vai poder cozinhar?

    — É claro! Eu gosto de cozinhar para as garotas. E a Asuka e a Arthemis adoraram minha comida. Cara, eu gostei delas a beça. Principalmente a Arthemis, que me ajudou na cozinha e...

    — Viktor... Não é possível que você seja tão inocente assim...

    — Hã? O que foi?

    — Cara, estamos no meio de uma crise. Estamos no meio de uma investigação. Será que você não consegue ver maldade nessa festa?

    — Maldade?

    — É claro! As garotas estarão com a Asuka e tenho certeza que tem algo de muito sério nisso. Porque marcar uma festa de pijama? Ela quer algo...

    — O que poderia ser?

    — Eu não sei, mas suspeito que ela quer ficar mais empática com as garotas...

    — Hm... Eu não vejo a Asuka como uma ameaça.

    — Cara, mude logo seus conceitos. Ela não é essa pessoa que ela aparenta ser.

    — Mas ela foi tão gentil comigo...

    — Vai por mim, Viktor... Na certa ela nem te leva a sério...

    — Bem, se é sua opinião... Bem, vou renovar meu treino. O que você vai fazer?

    — O mesmo. Estava indo bem até ter a confusão. Sabe, as dicas que você me deu foram bem úteis.

    — Sério? Que bom!

    Logo os dois amigos seguiram até o ginásio e, já no lugar, havia uma pequena concentração de pessoas próxima a uma urna. Rapidamente os dois jovens se aproximaram, com Viktor perguntado a um dos agentes:

    — Com licença... O que está havendo?

    — Teremos um Fighting Challenger.

    — Hã? O que seria isso?

    — Lutas de exibição. Todos da Agência podem participar, mas é um sorteio. Pra poder participar você tem que se inscrever junto com um rival.

    — Espere... Deixa eu ver se entendi bem: basta se inscrever com quem você quer lutar e já pode participar?

    — Bem, quase isso. Você se inscreve e fica na torcida pra sua luta ser escolhida.

    Viktor e Noah logo trocam olhares e, pensando a mesma coisa, sem pensar muito se inscrevem na proposta de luta. Passado alguns minutos, um dos agentes responsáveis pela apuração chamou a dupla, dizendo:

    — Lutadores Viktor e Noah, são vocês?

    — Sim! – Disse Viktor, confiante.

    — Muito bem, vocês farão a última luta da noite. Será amanhã às oito horas.

    — A gente vai lutar? É sério? – Perguntou Noah, incrédulo.

    — Sim, vocês foram sorteados.

    — Agora sim! Gostei! Gostou, Noah? A gente vai lutar!

    — É claro que gostei! Eu escolhi você como meu rival pra isso!

    — Hã? Rival?

    — Sim! Ou você acha que não dá conta? Eu não vou pegar leve mesmo você não tendo Feng Shui.

    — Haha! Pode vir, então! Eu vou te mostrar golpes novos!

    De fato uma rivalidade alí foi criada, com os dois tomando cada um seu lado, voltando a treinarem.

    Horas depois...

    Ala Mestra – Go

    Definitivamente a Ala mestra será o palco de todos os acontecimentos futuros daqui algumas horas, porém uma visita num momento oportuno foi feita por Joshy e Sheng. Os dois membros foram até a residência de Ingris.

    Dentro do lugar, que era um apartamento em uma das zonas mais abastadas de recursos da Agência, era simples, porém a bela felina da família Soul Omna tinha mesmo compromisso com seu trabalho, com vários computadores e monitores em praticamente todos os grandes cômodos. Em sua sala, um enorme monitor adornava o lugar, com um longo sofá circular. E era nele mesmo que estavam sentados, conversando. Com Ingris cabisbaixa e com um olhar distante, Joshy diz:

    — Ingris, você não pode ficar assim...

    — Eu estou bem, Joshy.

    — Não, você não está. Esta deixando tudo aquilo te dominar...

    — Não, você está errado. Eu já estou superando tudo...

    — Ingris, não minta pra si mesma...

    — Joshy, eu estou bem...

    — NÃO, VOCÊ NÃO ESTÁ!

    — Se você vai ficar gritando, acho melhor você ir embora.

    — Como você está bem se entupindo de calmantes? Você precisa parar de se auto destruir!

    A frente dos dois, sentando, estava Sheng, pasmo com o estado de Ingris. Ele então fechou seus olhos e, cruzando seus braços, só continuou a acompanhar a conversa:

    — Joshy, eu estou me recuperando. Já diminui a quantidade de medicamentos e...

    — NÃO MINTA PRA MIM!

    — Eu não estou mentindo...

    — Não é disso que estou dizendo.

    — Então?

    — Não se faça de desentendida. Eu sei que Asuka veio aqui te ver. E eu sei porque ela veio aqui... 

    Isso foi um detalhe que até fez com que Sheng abrisse seus olhos, com Joshy continuando:

    — Ela me disse sobre o plano, Ingris...

    — Do que está dizendo? Asuka me afastou de meu posto. Ela não conta mais comigo.

    — CONVERSA FIADA! Ela te ama, Ingris... E está fazendo o possível pra te preservar! É tolice sua tentar esconder...

    — Você está ficando completamente louco...

    — Não... É você que está! VOCÊ QUE ESTÁ FICANDO LOUCA! Estamos com uma crise sem precedentes em Shang Mu que pode envolver a segurança de toda Avalice! Não há tempo para...

    E, se levantando, Sheng interrompeu as palavras de Joshy. O lupino, observando o felino alaranjado quase sair pela porta, diz:

    — She-sheng?! Onde está indo?

    — Cara, estou entediado. Eu vim aqui pra ver a Ingris. Vim pra dar uma moral pra ela, mas já entendi do que se trata a conversa de vocês e isso me incomoda...

    Ingris, que estava sentada, diz:

    — Sheng, eu agradeço sua visita e...

    — Não... Não me agradeça. A Ingris que eu conheci era muito prepotente, arrogante, auto suficiente e forte. Mas você... Não, você não é mais a Ingris que eu conheço.

    — Do que está falando?

    — Eu acabei de te provocar e você simplesmente se limitou a fazer uma pergunta vaga. Ah cara... Fala sério! Eu não vou falar mais com você. Essa conversa aí do Joshy de dizer que Asuka estar te protegendo... A Ingris que eu conheço NUNCA, MAS NUNCA MESMO iria aceitar.

    — Sheng...

    — Quer saber? Vai, faz isso... Mergulha nesse mundo aí. Afunde e deixe com que sua honra se desmanche... Isso vai poupar mais pessoas de serem destruídas por uma mente fraca e vingativa como a sua. Eu te idolatrava, mulher... Eu estou aqui na Agência estagiando pra te superar... Eu a tinha como a minha rival porque você era indomável, suprema e inteligente.

    Joshy, mostrando muita irritação em seu rosto, não pôde ficar calado depois das palavras duras de Sheng:

    — SEU INFELIZ! COMO SE ATREVE A...

    — DANE-SE VOCÊS DOIS! OLHA PRA ELA, JOSHY... OLHA PRA ELA! O que você quer que eu faça? Quer que eu tenho pena dela? E de mim?

    — De você?

    — Cara... ESSA DROGA TODA VAI EXPLODIR! VAI VIRAR UMA BOLA DE NEVE QUE VAI LEVAR TODO MUNDO JUNTO... – Disse Sheng, com lágrimas escorrendo de seus olhos – ... e eu quero estar longe quando isso tudo acontecer...

    — Sheng, escute...

    — NÃO, ESCUTE VOCÊ! A Ingris que eu conheci foi destruída naquela luta... E ela não vai voltar... Droga... Droga... – Disse, enxugando seu rosto – DROGA, INGRIS! AHHH! Cara... Eu... Eu preciso ficar sozinho...

    — Sheng, não se atreva a sair!

    — Essa é a parte da “pena” que eu estava falando... Ingris nesse estado... Você acha mesmo que eu vou me importar com isso? Não, Joshy... Eu vou sair e eu não quero que você não venha atrás de mim!

    O felino então deixou o lugar, batendo a porta em seguida. Ingris, olhando para a porta, logo disse:

    — Ele está certo...

    — Ingris, não comece...

    — Ele está certo, Joshy.

    — Eu sei disso... E por isso mesmo que eu estou dizendo pra você não começar. Até o Sheng já percebeu o plano...

    — Joshy...

    — O garoto pode ser um inconsequente, mas tem coração...

    — Do que você está falando?

    — Hm... Não é nada. É só pra dizer que ele é muito sentimental. O garoto está muito carente, sabe? Faz tempo que não voltou para o monastério Daiyomondo.

    — Entendi...

    — Ingris, responda... Você vai mesmo...

    — Não tem outro jeito...

    — Ingris...

    — Joshy, melhor você ir embora.

    — Você sabe que o Sheng está certo... mas mesmo assim...

    — Feche a porta quando sair...

    — Ingris, você...

    — Assunto encerrado, Joshy! Saia...

    Joshy se levantou, bastante irritado, Indo em direção a porta. E alí ficou Ingris, com as pernas encolhidas com ela sentada em seu sofá, sozinha e triste.

    Enquanto isso...

    Ala Oeste – Yon

    Logo após confirmarem sua inscrição e o dia que iriam mudar, Viktor e Noah voltaram a treinar. Dos dois, o jovem albino era o que mais estava entusiasmado em fortalecer seu corpo. Fragilizado por não ter mais sua doutrina original, o Kaipasu, que fora selado para sempre pela guardiã do Reino de Shang Mu, só lhe sobrou a desenvolver mais o Joon-sowen, arte marcial focada em fortes chutes. Diante sua nova realidade, Noah precisaria fortalecer ainda mais seu corpo, como explicado por Viktor.

    Do outro lado da arena, e tenho a certeza que não tinha contato algum com Liane Saber, Viktor estava pegando leve em seu treino. Passou então a só praticar Kata.

    — Ossi... – Disse, ao reverenciar inclinando sua cabeça – Gojushiro-Dai!

    Na China esse kata era chamado de Hakutsuru (54 passos da pantera negra). Seu alto grau de dificuldade se dá pela exatidão plena do domínio de luta contra dez adversários ao mesmo tempo. É um dos katas mais longos e somente alunos com muita técnica e mestres da arte marcial conseguem reproduzir todas as situações de luta.

    Enquanto o jovem carateca executava seus movimentos, chamando um pouco a atenção de quem passava pelo local, uma pessoa conhecida caminhava lentamente adentrando ao ginásio. Era Lenzin que, trajando seu uniforme de guardiã exorcista, não pode evitar de notar que um dos enclausurados estava no recinto. Desconfiando, logo se aproximou onde Viktor estava e, o olhando, pensou:

    — *Hm... Viktorius Ashem... Porque ele está aqui? Eu soube que ele se meteu em encrencas com Liane Saber e... ele mesmo assim voltou para cá? Hm... Muito suspeito...*

    Ela entrou passou a acompanhar seus exercícios, tentando entender seus fundamentos.

    — *Esses movimentos... Ele é lento e muito exposto a ataques, mas... Seus golpes são potentes e...*

    Ela então observou Viktor mais atentamente, indo além do que simples gestos que simulavam uma luta.

    — *Ele... Esse garoto stranger tem forma e... elegância... Seus movimentos são plásticos como uma dança e... são belos... Ele... Ei, o que estou dizendo? Não há tempo para perder com bobagens como essa...*

    Lenzin, tornando a ignorar Viktor, voltou a caminhar. Porém o jovem percebeu a presença da bela panda guardiã e, olhando-a, diz:

    — Ei, senhorita Lenzin!

    — Hm? – Resmungou, virando sua cabeça – O que deseja, Viktorius Ashem?

    — Eh... Bem... Tipo... Você poderia me ajudar com uma coisa?

    — Hã? Lhe ajudar?

    — Sim. Vem cá.

    Ela então caminhou até o meio do tatame onde o jovem estava. Ela, curiosa, perguntou:

    — Como posso lhe ajudar, Viktorius Ashem?

    — Bem... Você pode fazer marcação de três com sombrinha?

    — Mas o que é isso?

    — Ah... Bem... É a gente simular uma luta e...

    — Lutar? Poupe-me de mais palavras, Viktorius Ashem... Com licença...

    Ela ia saindo quando Viktor correu até a panda, dizendo:

    — Espere, não é uma luta “luta”.

    — Poderia ser mais específico? *Isso cada vez fica mais suspeito, stranger...*

    — Bem, quando eu disse “sombrinha” queria dizer que a gente não iria entrar com golpe traumático, como soco ou chute. No máximo agarrão pra definir golpe e...

    — Porque quer que eu o ajude com isso? Você tem ciência de quem eu sou, não?

    — Por-por isso mesmo, senhorita Lenzin. Por ser uma mestra eu poderia definir melhor meus atributos. Ver meus erros e tal. Você seria a melhor pessoa pra eu praticar.

    — E porque disse “marcação de três”? Não entendo sua linguagem, Viktorius Ashem.

    — Ah sim... Quem fizer te pontos ganha. Contamos assim: basta encaixar golpes. Só isso.

    — Você vai se machucar... *Ele não tem noção do que eu posso fazer. Ele é lento e não tem habilidades especiais*

    — Hã? Mas... A senhorita sempre luta pra machucar?

    — Quem estuda artes marciais sabe para o que serve, Viktorius Ashem. Lilac me disse que é um mestre. A meu ver ela está errada a seu respeito.

    — Mas... Artes marciais vai muito além de guerra, senhorita.

    — Filosofia e auto conhecimento. Você vai dizer isso. Porém você quer lutar contra uma guardiã. Eu não tenho nenhuma restrição de golpes, Viktorius Ashem. Se quer praticar comigo, deve ter ciência de que eu estou disposta a usar técnicas extremas... *Talvez assim ele reconsidere. Viktorius Ashem, você está muito suspeito... Logo a mim, pedir tal coisa...*

    — Sim, exato! E por isso mesmo eu gostaria de lutar contra você!

    — Hm... Muito bem. Eu irei lhe ajudar... *Vou destruí-lo aqui na frente de todos, Viktorius Ashem. Se pensa que estou disposta a fazer caridades, está muito enganado... Um problema a menos, caro enclausurado*

    Depois de acertar o desafio, Lenzin retirou sua espada junto a bainha, colocando-a sobre uma mesa, e colocou a frente de Viktor, a reverenciando, só que dessa vez ao estilo chinês, cobrindo sua mão esquerda com sua mão direita, o que impressionou a panda:

    — *Hm... Sabe a etiqueta, não? Começou bem, stranger... Mas não irá escapar do seu fim...*

    — Começamos em três segundos mentais, Lenzin. Começando agora!

    A contagem mental se expirou, e sequer deu tempo para Viktor pensar, pois Lenzin foi muito mais rápida que que, o segurando em seu braço esquerdo o puxando, encostando o fio de sua mão próximo a seu pescoço em seguida. Ela, o olhando nos olhos, diz:

    — Eu teria quebrado seu braço, o incapacitado de se defender. Minha mão em seu pescoço é minha espada, lhe cortando a cabeça. Você estaria morto em três segundos.

    — No-nossa! Você é rápida.

    — Assim como sua morte seria, Viktorius Ashem.

    Lenzin então o soltou gentilmente, com os dois voltando a forma inicial. A panda guardiã havia conseguido seu primeiro ponto. Porém Viktor logo pensou:

    — *Ela é rápida e letal... Seus golpes sempre buscam eliminar o inimigo com o mínimo de movimentos possíveis. Ela... Ela usa uma espada chinesa e... Suas vestimentas são como de exorcistas... Ela deve lutar Tai Chi Wushu. Mortal e incrivelmente ágil. Uma oponente formidável*

    As artes marciais chinesas são conhecidas na China como wushu e no ocidente como kungfu. Na China, a expressão kungfu caracteriza qualquer estilo de arte marcial, ou tarefa feita com perfeição, não apenas artes marciais. Tai Chi Wushu seria a junção entre as habilidades da espada chinesa Tai Chi unida com a arte da serpente do Kung Fu.

    Com os dois ao centro novamente, iriam para mais uma rodada, com Viktor pensando:

    — *Ela vai querer terminar comigo rápido outra vez. Eu não vou cometer o erro de atacá-la francamente, porque ela é muito mais veloz. Eu sei o que fazer dessa vez...*

    E o jovem, frente a Lenzin, diz:

    — Três segundos... Agora!

    Terminada a contagem mental, Lenzin partiu em direção a Viktor, que pensou:

    — *Eu sabia! Ela veio pra acabar comigo que nem da última vez...*

    Viktor dessa vez deu um passo para trás, aguardando a panda. Porém, para sua surpresa, Lenzin o golpeou com a ponta de sua palma que, a gente de seu corpo como uma espada, o acertou com força em seu diafragma, tirando quase todo seu ar, com o jovem carateca indo ao chão de joelho, puxando ar pela boca. Ele, surpreso, diz:

    — Você... Você só deu um passo pra frente...

    — Cada passo que damos na vida são passos de sobrevivência. Você recuou... e eu uso uma espada. Usei o que eu tinha de vantagem contra você... e agora vive estaria agonizando até sua morte.

    — Porque tudo que você diz é relacionado a...

    — Estamos em uma luta, Viktorius Ashem. Em outras palavras, estamos em uma guerra. E suas decisões influenciam seu sucesso. Eu sou a guardiã do Reino de Shang Mu, logo estou a vários passos a sua frente... – Disse Lenzin, olhando com certo desprezo para Viktor, que estava de cabeça baixa – *Se você for inteligente vai continuar aí, de joelhos... E vai desistir desse combate desnecessário*

    Mas Viktor não parecia dar sinais que desistiria tão facilmente, se levantando. Recuperando sei fôlego, diz:

    — Ah... Ufa. Dessa vez você me deixou mesmo sem ar.

    — Pra sua sorte você só ficou sem ar...

    — Ei, não exagera... É só uma simulação de luta, senhorita Lenzin.

    — Vamos... Só falta um golpe pra que eu acabe logo com isso...

    — Gostei de seu entusiasmo.

    — Você fala demais... Vamos *Será rápido... e você terá sua auto estima destruída, stranger...*

    Viktor estava em desvantagem, tanto na parte de técnica e velocidade quanto no placar. Faltava somente um ponto para Lenzin liquidar com o desafio. Mas o jovem, mesmo diante de uma oponente terrível quanto a bela panda guardiã, mostrava confiança e serenidade, característica essa que chamou a atenção de Lenzin:

    — Porque está tão confiante? Não vê que não tem chances contra mim? Você deveria desistir...

    — Porque? Eu estou me divertindo aqui!

    — Diversão, você diz? Você é estranho, Viktorius Ashem...

    — Vamos, senhorita Lenzin. Vamos conversar!

    — Muito bem...

    Outra vez performados, Lenzin e Viktor se encaravam, dando início a contagem mental:

    — Agora! – Disse Viktor.

    Pois, passado o tempo, desta vez Viktor tomou uma postura mais defensiva, com seu braço esquerdo a frente de seu rosto, enquanto o outro protegia seu dorso. Desta vez Lenzin foi diretamente ao braço a frente, ficando de costas para Viktor e, para sua imensa surpresa, a guardiã o arremessa com bastante força contra o chão, fazendo-on cair de costas. Ao mesmo tempo, como que instantaneamente, Lenzin o golpeou com o fio de sua mão em seu pescoço, dizendo:

    — Destruir o alicerce do adversário. Essa é a meta de quem vai para uma guerra. Seu corpo é forte, mas é lento. Você tem técnica, mas é lento. E o principal: você é muito inocente.

    — Lenzin... – Disse, mostrando irritação em seu tudo.

    — Você perdeu, Viktorius Ashem. Finalmente esse seu jogo chegou ao fim.

    — É, você venceu. Fui descuidado mesmo...

    — Ainda bem que reconhece. Ao menos é sensato.

    Ela então gentilmente estendeu sua mão, o ajudando a se levantar, mas Lenzin não deixou barato:

    — Sua arte marcial... Ela é ineficaz. Você não tem...

    — Senhorita Lenzin, tempo que tenha que discordar de você...

    — O que quer dizer? *Esse stranger deveria estar destruído psicologicamente, mas ainda insiste em ter competências?*

    — Eu agradeço por ter me ajudado, mas não posso ficar calado sem responder a essa sua “provocação”.

    — Isso nunca foi uma ajuda, Viktorius Ashem. Só o fiz para que deixasse de querer ser um idiota a frente de todos aqui. Você não tem Feng Shui bem Chi...

    — Senhorita Lenzin, isso não me importa. E isso não é um problema seu, que fique bem claro.

    — Hm... Continue. *O que ele quer afinal?*

    — Você o tempo todo aí disse coisas sobre “matar” e guerra, mas entenda isso: eu não estou em guerra com você, bem com ninguém aqui. Embora artes marciais tenham esse contexto, eu só a uso pra fortalecer meu corpo, minha mente e, se necessário, me defender.

    — É, você está certo... Você só não consegue se defender.

    Viktor estava sendo mesmo pressionado por Lenzin. A guardiã mostrava quietude em seu olhar, mas o jovem não parecia mesmo satisfeito com o que havia ouvido de Lenzin, continuando:

    — Lutadores como eu sempre estão na linha de frente do campo de batalha... Você sabe porque?

    — Hm... Creio que sejam os que tem menos valor. São os primeiros a morrer...

    — Não. Está enganada.

    — O que?

    — Uma guerra não se decide em uma batalha. Soldados estão alí para dar a vida sobre uma ideologia. Mas um carateca sente estará de pé frente ao seu inimigo por justiça e comprometimento com o que acredita como o certo. Nossas convicções nos motivam a continuar sempre em frente... pois nós servimos de exemplo para todos, inclusive para quem ainda está de pé...

    — Hm... O que quer dizer com isso?

    — Você venceu uma batalha, mas... e a guerra? Quem estará ao seu lado? Aliás... uma coisa muito importante: quem vai se lembrar de você? Pois bem, eu luto para viver num mundo caótico, cheio de maldade a minha volta. Mas o que eu faço ante isso? Simples: vivo minha vida entre pessoas que querem o meu bem, porque eu faço o mesmo...

    — Viktorius Ashem... – Tentou dizer Lenzin, um pouco incrédula pelo o que estava ouvindo.

    — A única coisa que te peço é: me respeite. Eu não vou abrir mão da minha “inocência” por pessoas “maldosas” quererem tirar vantagem sobre mim.

    Lenzin por um breve momento entendeu perfeitamente o ponto de vista de Viktor. Ela estava tentando mexer com os brios do rapaz, mas na verdade o jovem disse algo que definitivamente ela não teria argumentos para contra atacar. Sua tentativa de destabilizar Viktor havia falhado. Sabendo que não poderia falar nada mais, diz:

    — Muito bem, Viktorius Ashem. Mas entenda: você não tem capacidade de se defender por aqui. Não faça nada idiota... Eu fui clara?

    — Sim, senhorita Lenzin... *Não sei porque mas eu já vi isso acontecer antes...*

    — Bom saber. Bem, estou indo. Vou respeitar seu espaço para que treine...

    — Tudo bem. Obrigado!

    Quando Viktor havia retornado a praticar Kata, Lenzin pensou consigo mesma:

    — *Ele pode ser fraco, mas sua mente está intacta e forte. Eu estava errado a seu respeito, Viktorius Ashem... Você com essa atitude se tornou ainda mais suspeito... Mas eu sei como extrair informações de vocês...*

    Ela então retornou e, pegando Viktor distraído, diz:

    — Viktorius Ashem...

    — Gah?! Senhorita Lenzin... O que houve?

    — Você estará na suposta festa de Asuka, não?

    — Não... Eu não fui convidado. Nem o Noah...

    — Hm... *Isso será perfeito. Já sei o que fazer...* Bem, eu irei visitá-los mais tarde. Temos assuntos a conversar.

    — Mas senhorita...

    — Eu exijo isso. Ou você tem algo contra?

    — Nã-não! Estaremos te esperando então. Vou avisar ao Noah.

    — Bom saber. Continue treinando...

    Lenzin tinha um plano em mente. E pelo visto não era somente Asuka que teria a dianteira nas investigações...

    Horas depois...

    Ala Norte – Go

    Residência de Asuka

    O apartamento de Asuka era enorme. Situado em uma cobertura da construção mais alta da Agência, a área don ligar era quase toda tomava por computadores e, em um lugar mais reservado, o quarto de dormir da grã mestra. É bem isso o que você entendeu, leitor: quase todo o apartamento de Asuka era destinado a seu trabalho. A cozinha? Bem, Arthemis preparação tudo, sem necessariamente de mais utensílios. Todo o lugar era informatizado, com exceção do dormitório e banheiro, evidentemente. Mas se evitaria um lugar que contrastava com os outros era a sala: um aposento aconchegante onde Asuka gostava de receber seus convidados. Havia uma enorme tv na sala, com confortáveis poltronas reclináveis que, juntas, formavam uma cama gigante. Havia também um sofisticado sistema de som e, para ainda mais conforto, um frigobar perto de uma mesa em formato circular com cadeiras estilosas.

    Com Arthemis terminando os preparativos, eis que a campainha toca: ela Lilac e as garotas. Vestindo os uniformes casuais da Agência, Asuka, que estava vestida do mesmo jeito, diz:

    — AH NÃO ACREDITO! NÃO AGUENTO ISSO... ARTHEMIS! ELAS ESTÃO MUITO KAWAII ASSIM! MEU DESU! EU TÔ MORRENDO...

    — Asuka-chan, deveria relaxar. Eu já preparei os sucos de fruta. Recomendo hidratar-se com o de maracujá.

    Lilac, com um sorriso no rosto, diz:

    — Asuka! Pronto, estamos aqui e prontas pra festa!

    — Ah muleque! Faz tempo que eu não sei o que é fazer essas parada! – Disse Carol, pulando de alegria.

    — Ah... Eu... Eu nunca fui nesse tipo de festa... – Disse Milla, juntando seus indicadores um nos outros, com suas orelhas a frente de seu rosto.

    Eu nem preciso dizer quem reagiu a isso, não?

    — Arthemis... Olha a Milla... Eu tô morrendo... MEU DESU! COMO ESSA CANINA É KAWAII, GENTE! AHHH! EU TÔ MORRENDO, ATTHEMIS! ELA É FOFA DEMAIS DESU! AI, NÃO TÔ BEM... MEU KOKORO NÃO SUPORTA TANTA FOFURA! AHHH!

    — Asuka-chan, sua pressão está ficando maior a cada segundo. Deveria repousar e se hidratar com o suco de maracujá que a recomendei.

    — Ah... Eu vou sim, Arthemis... Nossa, muito kawaii...

    E dito e feito. Com as garotas entrando, logo Asuka se sentou em uma poltrona na sala e tomou o suco que a IA felina havia lhe recomendado. Mas diante esse comportamento repetitivo da grã mestra da Agência, Lilac, a olhando, pensou:

    — *Não é a primeira nem a segunda vez que ela age assim... Sempre que fica um pouco emocionada a Arthemis entra em ação... Tem coisa aí... Isso não é normal pra mim...*

    — Aí, Lilac... Já viu esse lugar? – Disse Carol, retirando seu blazer.

    — Hã? Eh... Vi... Vi sim...

    — Cara, o pedaço onde a Asuka mora é mó irado!

    — É verdade, Carol. Nossa, aqui é bem grande.

    — E ela já deixou sudo preparado. Tem pipoca, bolo e... SORVETE?! Ah Lilac! – Disse Milla, com os olhos brilhando.

    Asuka olhou novamente para Milla, voltando a dizer:

    — Ah não... Olha Arthemis... Ela tá daquele jeito de novo... Tô morrendo, Arthemis...

    — Asuka-chan, relaxe. Milla deve gostar muito de sorvete.

    — Eu gosto muito, muito! Eu adoro sorvete! – Disse Milla, sorrindo.

    — Eu vou surtar de novo, Arthemis... Me ajuda! – Disse Asuka, respirando fundo.

    — Calma... Asuka-chan, relaxe! Arthemis logo a serviu novamente com um suco.

    Passado a recepção inicial, as garotas logo se prepararam. Bem, era uma festa de pijama, então nada mais justo que as garotas se vestissem a caráter: Lilac estava usando uma camisola lilás, Milla vestiu um pijama completo de cor verde e Carol... Bem, estava usando um short verde com uma blusa regata preta, quase como o que ela usa costumeiramente. Asuka vestiu um short de Lycra preto e uma camisa baby look branca, com Arthemis copiando seu visual, porém com short branco e camisa preta.

    Com as cinco devidamente trajadas, enfim a festa começa. O primeiro evento foi um anime de ação, onde Carol era a mais entusiasmada.

    — Ah muleque! Vai... Tá na hora de enfiar a porrada nesse mané! Vai!

    — Isso aí! O Gyoma vai usar o seu poder máximo agora! – Disse Asuka, olhando pra tela com seus punhos fechados.

    — Lilac, elas estão falando como se isso fosse real, né? – Disse Milla, um pouco confusa.

    — É, Milla... Mas deixa. Elas estão gostando e até que está legal esse capítulo – Disse Lilac, comendo pipoca.

    Minutos depois dou a vez de Lilac escolher o anime, que era um focado em dança. E a dragão estava mesmo bem animada, dançando com desenvoltura quase como a de uma profissional. E junto a ela estava Carol, onde elas até cantavam juntas:

    —Eu estou dizendo BOOYAH!... BOOYAH! Eu estou dizendo BOOYAH!

    Os movimentos sincronizados das duas amigas imaginaram Asuka, que diz:

    — Meu desu, Arthemis... Essas duas dançando assim... Ai meu kokoro...

    — Asuka-chan, você deveria...

    — Não, está bom... Não quero suco, Arthemis.

    — Bem, eu iria dizer pra você fazer parte e ir dançar também.

    — O que? Sério que eu deveria fazer isso?

    — Asuka-chan fica ainda mais bela dançando. Deveria mostrar a elas que você sabe também.

    — AHHH! Eu vou! Eu vou... Mas você vem comigo também, Milla! – Disse Asuka, puxando a canina.

    — Hã? Mas eu não sei dançar essa música!

    — Vem, kawaii! Eu te ensino!

    E as quatro então começaram a dançarem juntas, com. Arthemis até aumentando o volume. Lilac estava praticamente entregue a dança, cantando ainda mais alto:

    —Hitotsu ni nari tai kara lema... BOOYAH!

    E logo foi a vez de Milla escolher o próximo: a pequena canina preferiu um anime... de magia. A cada encanto que o personagem principal falava, ela tentava imitar, inclusive gesticulando como tal:

    — Minha nossa! Ele usou a Imperius! Agora o Sayn vai ter que lutar conta todos os magos controlados pelo Dark Side!

    — Caraca... Essa luta vai ser bem trevosa, Milla! Que irado! – Disse Carol, vibrando com o anime junto com Milla.

    — Asuka-chan, a Milla gosta mesmo de magias... – Disse Arthemis, abraçada a Asuka.

    — Ela gosta sim... E ela a cada segundo fica ainda mais fofinha, essa lindona! – Disse a felina, segurando a mão de Lilac – Púrpurazinha, você é uma abençoada por estar sempre ao lado da Milla!

    — Hehehe! Eu adoro a Milla também. Sempre meiga... e muito fofa.

    E Milla ficou ainda mais empolgada com a luta que já havia tido início, dizendo:

    — Ele conseguiu! CONSEGUIU! ELE USOU A EXPELLIARMUS... e desarmou tudo mundo! O Sayn é demais, Carol!

    — Caraca, isso é muito maneiro! Vai, guri!

    Momentos depois era a vez de Asuka escolher. E, para surpresa, a felina grã mestra da Agência escolheu assistir a um filme... meloso. Já na metade do filme, com Asuka abraçando Milla, que estava deitada sobre seu corpo, as duas choravam, com a Asuka dizendo:

    — Não... Ele não... Ela não deveria ter dito “não”... Tadinho, ele a ama demais...

    — Ah... Não... Não... Ela foi tão cruel... Ele fez de tudo pra acabar assim? Não...

    Carol, olhando para as duas, não conseguia aceitar o que Asuka estava fazendo, e diz:

    — Lilac... Tipo, não é pra nada não, mas... Cara, a Asuka chorando me dá arrepios.

    — Carol!

    — Só tô sendo sincera.

    — Tudo bem, mas ela está no direto de fazer o que quiser. E eu concordo com ela. Não era para a Pauline ter rejeitado o pobre do John... Ele fez de tudo pra ela...

    E já no final do filme, parecia que as coisas haviam mesmo mudado. Com Milla e Asuka de pé em suas poltronas, as duas pulavam mostrando muita alegria.

    — Ela disse “sim”! Ele conseguiu! Ele conseguiu! – Disse Milla, sorrindo.

    — Isso! Esse é o espírito do amor! Hahaha! O John mandou bem! – Disse Asuka, abraçando Milla com força.

    A festa estava sendo um sucesso. As garotas estavam mesmo se divertindo. Muitas risadas e confusões com Carol ilustraram bem como foi a noite, tendo em vista que a felina selvagem vivia falando o que vinha a sua cabeça, causando divertidas discussões com Lilac. Milla estava muito mais a vontade, colada a Asuka o tempo todo, com Arthemis fazendo o mesmo. Embora fosse uma IA, ela tinha o entendimento do que era se divertir e caiu na brincadeira do mesmo jeito.

    O tempo passou, com as garotas se esbaldando com os comes e bebes que Arthemis havia preparado. Altas doses de sorvete de flocos regavam aquela noite divertida.

    Continua


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