ANUON 9999

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    Capítulo 29

    Aprontando no templo - Parte 2

    Violência

    O poder de raposa de Maeti pelo visto vai trazer mudanças a vida de Ryoga.

    Maeti, que estava com suas mãos na cabeça de Ryoga, entrou de fato na mente do jovem.

    — Deixe-me ver o que omite de todos, Ryoga...

    E na mente de Ryoga...

    Maeti começa a observar uma escola... Era um dia chuvoso... Ryoga estava saindo de casa para ir a escola... Estudava naquele colégio desde o jardim e estava na 6ª série. O jovem caminhava tranquilamente pelas ruas, assobiava uma melodia que ouviu na tv e  não demora muito e chega a sua escola. Praticamente tudo normal...

    Na sala haviam muitos alunos, que prestavam atenção a aula. Ryoga era o mais quieto. Logo o professor anuncia:

    — Bem, alunos... agora abram o livro na página 87. "Seres vivos".

    E um colega de Ryoga diz:

    — Ryoga, você está bem?

    — Estou e obrigado por perguntar. Porque?

    — Você está estranho. O que houve?

    — Não sei. Agora que perguntou, algo me incomoda...

    — O que?

    — Sei lá, é como se alguém estivesse me observando...

    — Eu?

    — Hahaha... Não, é sério!

    E o professor, percebendo a conversa, chama a atenção dos dois:

    — Vamos parar de papo, que eu já dei um exercício.

    — Desculpe, professor - Disse Ryoga, voltando a ler o livro.

    Ao fim da aula, Ryoga se despede de seus amigos e segue para sua casa. Parecia um dia normal. Mas quando tentou entrar em um terreno baldio, que ficava atrás de sua casa, para cortar caminho, se deparou, por mais incrível que possa ser, um lobo. Definitivamente não era um animal comum naquela região, nem no Japão. Ele, ao olhar para o lobo, ficou estático, tamanho seu medo.

    — Que isso? Um lobo aqui?

    E o lobo, em alto e bom som, surpreendendo ainda mais Ryoga, diz:

    — Humano, você acaba de achar a morte! 

    — COMO É? O LOBO FALOU... ELE FALOU?!

    — Você faz muito barulho... Talvez por isso lhe de uma morte lenta...

    — Não, não me mate... Não, por favor... Eu sou muito novo pra morrer!

    — Novo e suficientemente capaz de causar males a natureza... Acabarei com o problema pela raiz! MORRA!

    — NÃO!

    E no momento que iria ser morto, seu pai chuta seu agressor, que cai, rolando pelo chão. Sem perder tempo, seu pai diz:

    — Ryoga, você está bem?

    — Si-sim, pai...

    Mas mesmo com o ataque em defesa de seu filho, o homem não conseguiu derrotar o lobo, que rapidamente se levantou e diz:

    — Humano desgraçado! Agora irei matar os dois!

    E o pai de Ryoga corre a encontro do lobo, tentando aplicar-lhe outro chute. Mas é facilmente defendido por um monte de areia, criado pelo lobo!

    — Que é isso? A areia está se mexendo!

    — Sim, humano. Eu posso controla-la!

    E aplica um golpe violento no pai de Ryoga com a areia, que parecia com uma onda. Ele cai e, fraco, diz a Ryoga:

    — Meu filho.. saia daqui... Fuja agora!

    — Mas pai...

    — Não venha... Vá embora...

    — Eu não posso te dar aqui! Eu só tenho o senhor...

    — Eu te amo, Ryoga... Quero que você cresça e amadureça... Fuja daqui...

    E enxugando suas lágrimas, Ryoga obedece seu pai, pulando o muro de sua casa e correndo para a rua. Ele, para maior sofrimento ainda, ouve a voz de seu pai de agonia e dor, imposta pelo lobo, que parece o estar atacando sem dó. O jovem Ryoga chorava de soluçar e, cansado, já não conseguia correr.

    E é encontrado andando pelas ruas por pesoas que passaram por alí naquele momento. E ele estava dizendo repetidamente a eles:

    — Lobo... Lobo...

    A polícia havia chegado Montoya depois e Ryoga foi levado para o hospital. Em seguida, depois de uma averiguação pela aterra, seu pai foi encontrado morto, com praticamente todos os ossos do quebrados no meio de muita terra. E até mesmo os legistas não conseguiram saber ao certo os místicos de sua morte. Embora tivessem ouvido do jovem que seu pai tinha sido atuação pé um lobo, a história era absurda demais para acreditarem nela. Um lobo, no Japão, e um homem encontrado ao meio de areia praticamente destroçado... Não fazia o mínimo sentido.

    Ryoga agora era órfão, pois perdeu sua mãe a alguns anos, vítima de um acidente de automóvel e agora seu pai. Sua vida começava a se encher de problemas. Foi internado em uma casa de ajuda psquiátrica, a fim de fazê-lo perder o trauma sofrido naquele dia e, como esperado, esquecer do que aconteceu. Ninguém em sã conciência acreditava nas coisas que dizia, por mais sincero que fosse. Apesar de sua internação, havia ensino escolar neste local e pôde cobrinhas seus estudos.

    Dois anos foram gastos para sua plena recuperação. Passou a morar com os tios, que, a pedido do próprio Ryoga, não o adotaram. Queria ficar com o nome de seu pai. Anos depois encontrou um novo começo de vida desde que voltou a escola e conheceu Kaede e, futuramente, a Ethan...

    O elo então é quebrado. Maeti soltou Ryoga logo em seguida, dando passos para trás, mal acreditando no que acabara de ver. Maeti então colocou Ryoga deitado ao chão, não sabendo ao certo o que devia fazer. O jovem raposa havia aflorado todas as lembranças rima de Ryoga e isso terá um grande peso a partir de agora. 

    — Ryoga... Quer dor você sofre... E é forte para aguentá-la...

    — Meu pai... Eu... Eu o amo... Eu havia esquecido... de tudo...

    Ryoga não resistiu muito tempo, que que teve sua mente invadida por Maeti. O cansaço foi tanto que o jovem praticamente apagou, esgotado com tantas informações que foram revividas em sua mente. Maeti, se sentindo culpado, pegou Ryoga em seus braços e o levou para o quarto, o colocando confortavelmente disso em sua cama. Sem saber ao certo o que fazer, o jovem raposa se retirou rapidamente do lugar e seguiu até próximo dos outros, mas pensando:

    — *O que eu fui fazer? Eu não deveria ter usado meus poderes de raposa nele assim... Eu senti toda sua dor... E agora... E agora tenho ligações íntimas com ele...*

    E chegando até a varanda, Kaede vê Maeti um pouco distante no olhar. Ela, preocupada, diz:

    — Maeti, o que houve. E onde está Ryoga?

    — É, bem... Dormindo.

    — Mas como? Ele não vai jantar com a gente?

    — Não sei... Estava indo para o quarto e simplesmemte dormiu.

    — Humanos são tão imprevisíveis...

    — Ryoga é uma exceção, Anuon. Eu não sou assim - Disse Kaede, irritada.

    — Como não? Não foi você que defendeu Ethan e não nos disse nada sobre o que sabe fazer?

    — Hehehe... Estou vendo que não posso mais esconder isso. Você está ceta, sou meio maluca mesmo...

    — Exatamente o que disse antes...

    — Estranho... Estamos nos dando bem, apesar do começo turbulento.

    — Sim... Mas agora que sei seu caráter, posso confiar em você.

    — Que gracinha. Obrigada.

    — Mas não venha me abraçar ou coisa parecida... Já basta Ethan fazer isso a força...

    — Hehehe... Você é tímida. Fofa.

    — Não sou tímida. Só não gosto de receber tanto afeto!

    — Você é tímida sim. Que fofinha.

    — Não esperava ver Anuon, uma das melhores Anis de prontidão, se apegando a humanos e recebendo afeto - Disse Kitsune, com um sorriso no rosto.

    — Kitsune, por favor - Anuon estava envergonhada.

    — Não há nada demais em receber afeto, Anuon. Mas você pode ferir os sentimentos de Ethan se não o fizer - Disse Maeti, tentando se distrair.

    — Como assim?

    — Se ele sente carinho por você, seria ruim se vc não expressasse o que sente por ele.

    — Eu gosto daquele humano.

    — Creio que não é só gostar.

    — Porque diz isso?

    — Quais seus sentimetos por ele?

    — Se não responder, pensaremos que está com ele para pagar alguma coisa. Veja o que ele fez por você até hoje... Não é algo que simples pessoas fazem toda hora - Disse kaede, pressionando.

    — Tenho uma forte amizade por ele. Pronto, fui bem sincera?

    — Agora sim! Sabia que gostava dele de forma especial.

    — Ah partem de me fazerem dizer coisas que me deixam envergonhada!

    O riso de todos mostrava o quebro estavam mesmo se divertindo naquela noite. E foi um alívio para Maeti, que ainda se mantinha em pensamentos do que havia feito mais cedo. Após a conversar amistosa, todos seguem para dentro do templo para comer. 

    Depois do jantar, todos se dirigem para seus quartos. Mas assim que Maeti iria entrar em seu quarto, Kitsune o impede, dizendo.

    — Maeti, precisamos conversar...

    — Agora?

    — Sim, agora.

    E o leva até a sala principal. Lá, ela diz:

    — Maeti, sei que fez algo a Ryoga. O que foi?

    — Mãe, eu...

    — Você não pode me esconder nada aqui.

    — Mãe...

    — E uma das regras deste templo é nunca esconder segredos. Diga o que aconteceu!

    — Bem, mãe... eu... eu... eu lí a mente de Ryoga!

    — COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO? NÃO SABE QUE É PERIGOSO E INRESPONSÁVEL?!

    — Mas mãe, Ryoga sofria com algo e isso influenciava sua vida... Decidi ajudá-lo.

    — Maeti, você ao fazer isso criou um elo com ele...

    — Eu sei, mas...

    — Mas? Você agora está ligado aquele humano pra sempre! Suas emoções estão juntas...

    — Mas era preciso...

    — E o que viu para fazer tamanha irresponsabilidade?

    — Sua vida acabou quando seu pai morreu.

    —Hã? Do que está falando?

    — Ele é órfão. Ryoga... O pai dele... Foi morto por um Anis.

    — Conte-me esta história, Maeti.

    — Bem, sente-se, pois é longa...

    E Maeti conta todo o ocorrido. Kitsune, ao fim do relato de seu filho, também havia chorado. Balançava a cabeça de forma negativa, com uma das mãos sobre ela.

    — Pobre Ryoga.. Não é a toa que trata assim as pessoas. Ele age assim por sublimar suas vibrações... Sua mente estava doente todo esse tempo...

    — Sim, mãe... E me desculpe por ter usado meus poderes em humanos, mas ele precisava disso.

    — Eu perdoo você. Agiu como deveria. Eu te ensinei bem, no fim das contas. Mas sabe das suas responsabilidades com Ryoga a partir de agora.

    — Sim, eu sei.

    — Vocês partilham emoções agora. Precisa dizer isso a ele, mas antes devem conversar sobre o que viu... Na certa ele irá acordar se lembrando de tudo...

    — Irei levá-lo ao santuário. Lá conversaremos.

    — O melhor lugar que poderia levá-lo. Pelo visto sabe o que isso quer dizer...

    — Sim. Ryoga e eu agora somos ressonantes.

    Continua.


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