Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulos:

    Capítulo 24

    Confusões na Agência

    Spoiler, Violência

    Muitas intrigas foram vistas no último episódio, evidenciando a guerra de egos entre a guardiã e a grã mestra.

    E nesse capítulo, será que teremos um pouco mais de quietude?

    Caminhando pelos corredores movimentados da Agência, e devidamente trajada com seu uniforme de guardiã exorcista, a bela panda Lenzin ainda tentava se recuperar psicologicamente do evento passado na ala secreta. Ela, olhando para frente, pensava:

    — *Hm... Asuka Tenjoin... Você evoluiu muito na sua personalidade... Tem nada se parece com aquela que eu conheci a sete anos atrás... Era uma menina que falava muito e sabia demais, mas... O que eu senti naquela hora? Eu tinha toda a vantagem da situação e ela simplesmente me segurou com seu braço com tanta confirma que parecia estar armada tanto quanto eu...*

    A guardiã, chegando até sua residência real na Ala Go (onde ficavam as moradias), cl não demorou muito e entrou, depositando sua espada sobre um altar. No interior de sua moradia era exatamente o que podíamos esperar de uma casa com características orientais: com vários ornamentos chineses, Lenzin logo dou até uma mesa ao centro, com várias flores aí redor do salão, desde rosas a orquídeas e até mesmo dentes de leão, tudo relacionado aos costumes de sua família de exorcistas. Acendendo a um incenso proveniente de cassia, a bela panda se colocou em preces, unindo suas mãos e fechando seus olhos em seguida. Mas embora conseguíssemos ver paz em seu semblante, longe disso estava sua mente:

    — *Devo limpar meus pensamentos... Devo me manter livre de más influencias... Asuka Tenjoin não é uma inimiga... mas será mesmo que é uma aliada a mim? Hm... Não devo me preocupar com isso... Eles, do Team Lilac, que devem ser o alvo da minha preocupação... Poucos dessa agência sabem do torneio...*

    Mas mesmo em preces a panda guardiã não conseguia esconder de si própria suas verdadeiras angústias:

    — *Grrr... Asuka Tenjoin... eu te odeio... E pelo bem de meu povo, eu irei protegê-los... de você.*

    A guardiã do Reino de Shang Mu tinha mesmo coisas pendentes com Asuka. E não pareciam ser simples...

    Horas depois...

    Alojamento da Agência, noite.

    Logo após conhecem a Agência, finalmente os jovens retornaram ao alojamento. Ainda trajados com os uniformes, todos, com exceção de Viktor, se sentaram a mesa.

    Sim, Viktor estava na cozinha. E com isso a animação das garotas era bem evidente:

    — Ok... O piá tá na cozinha... Tamo num lugar com cheat de dinheiro infinito... Lilac, prepara o buchin! – Disse Carol, retirando o blazer.

    — Carol, tenha modos!

    — Que que tem?

    — Você precisa ter educação. O Noah está a mesa também!

    — Ih cara... Verdade. Vou pôr de volta então... – Disse Carol, voltando a colocar seu blazer.

    — Não se incomode com isso, Carol. Fica do jeito que você quiser – Disse Noah, com os braços cruzados, olhando para frente.

    — Ah... Agora que eu coloquei...

    — Carol... Você é muito boba! Como pode fazer isso e... – Dizia Lilac, interrompendo suas palavras ao olhar para Noah.

    O jovem albino chamou mesmo a atenção da dragão, que diz:

    — Noah, o que houve?

    — Hã? Nada demais...

    — Diz... O que aconteceu?

    — Hm... Deixe quieto, Lilac...

    — Se você está mesmo evitando dizer alguma coisa, então com certeza é algo que eu também preciso saber.

    — Não é um bom momento...

    — Noah, porque você...

    E antes que completasse, Viktor, junto com Arthemis, entram no salão, trazendo a refeição de todos. Mas o que estava mesmo chamando a atenção era a IA felina, que olhava para Viktor de uma forma bem diferente, o que chamou a atenção de todos. Com o jovem cozinheiro colocando na mesa as panelas e bandejas com sua mais nova ajudante, ele diz:

    — Aqui, pessoal... Espero que gostem... Dessa vez foi bem especial.

    — Ah Viktorius... Esse cheiro está me dando muito, muito, muito apetite! – Disse Milla, já salivando.

    A primeira a ter a curiosidade foi Carol, abrindo a panela e:

    — Caraca... Que parada é essa, Viktor? Tá cheirando a coisa muito, muito, muito boa como a kawaiizinha aí disse!

    Mas o outro bem entendido em culinária já tinha se manifestado:

    — Não me diga que... Viktor, suas habilidades culinárias te fizeram fazer Tempurá?! – Disse Noah, surpreso.

    — Ora, você conhece? – Disse Viktor, olhando para o jovem albino.

    — Sim! Minha nossa... É como minha mãe cozinhava!

    — Legal saber disso. Mas não é só o que temos pra hoje...

    E Lilac logo teve a iniciativa de abrir uma das tijelas:

    — GUIOZA?! Viktor... Esse prato... Então de onde você veio também fazem guioza? E estão bem crocantes!

    — Sim. E ao lado aí tem molho shoyo pra acompanhar.

    E Milla logo abriu a última, dizendo:

    — VIKTORIUS?! É isso que eu tô vendo e sentindo o cheiro?!

    — Isso mesmo, Milla. Ramen de verduras e legumes com filé de peixe com molho shoyo e tofu.

    — AH EU SABIA! Você é o melhor!

    Carol, depois de provar pela primeira vez Tempurá, era como se estivesse flutuando, com Lilac a colocando no lugar em seguida.

    — Lilac... Eu tô morrendo...

    — Carol, para de drama!

    — Essa comida aí do piá... É divina! Coisa de granfino! Mó filé! Caraca... Esse cara vai me matar só com comida... Isso tá muito bom mesmo! Muito! Super! Hiper!

    — Está muito bom mesmo... Viktor, a cada refeição você nos impressiona – Disse Lilac, esboçando um sorriso.

    Mas como percebido antes, Arthemis olhava para Viktor de uma forma bem diferente, com Carol logo abrindo a boca:

    — Tá... A comida tá diva... Mas essa outra diva aí tá só olhando para o piá... E eu acho que ela tá apaixonada.

    — Carol, nada de shipps! Você tinha dito que iria parar!

    — Lilac, olha pra ela. Parece que ela quer dar um beijo nele...

    E a IA felina ouviu isso, dizendo:

    — Carol Tea, eu estar deslumbrada pelo Viktorius Ashem parece mexer com seus instintos. Você tem interesses amorosos por ele?

    — O QUE?! TÁ MALUCA, FERA? Eu e o piá aí somos parça! – Disse Carol, ficando com o rosto levemente corado.

    — Sua temperatura está aumentando, possivelmente por estar atraída por Viktorius Ashem. Devo recomendar que tome uma bebida refrescante como uma limonada.

    Carol estava ainda mais vermelha. As palavras de Arthemis a colocarem sob a vista de todos e, com ela gesticulando seus braços, diz:

    — Ei! Pode parar! Eu não tô em crush com o piá! De jeito maneira! Nope!

    — Carol Tea, você foi alvo de uma brincadeira minha. Sob suas palavras, eu diria: é zuera! Hahaha!

    — Ah sua banditinha... Pior que eu caí na zuera mesmo... Que saco!

    Com todos rindo da situação, Lilac logo disse Arthemis:

    — Arthemis, porque está olhando desse jeito para o Viktor?

    — Bem, duas habilidades culinárias me cativaram. Sua destreza e atividade com utensílios de cozinha e tato para com todos os ingredientes são muito acima da média. Ele sempre conseguia escolher os mais frescos e ricos em nutrientes. O nível de qualidade de seus alimentos é acima do nível da cozinha da Agência.

    Isso pegou todos de surpresa, inclusive Viktor, que diz:

    — Pera... Deixa eu ver se entendi bem: minha comida é melhor que a da cozinha dessa base?

    — Exponencialmente falando, sim.

    — Caraca, piá... Tu é monstrão mesmo! – Disse Carol, piscando seu olho.

    — Isso é muito legal! Viktorius é o melhor! – Disse Milla, sorrindo.

    Lilac e Noah também ficaram contentes com o fato, mas a dragão continuou:

    — Você conseguiu medir isso?

    — Sim. Meus sensores sensíveis tem a capacidade de medir o nível protéico e qualitativo de qualquer alimento. E na minha escala de qualidade Viktorius Ashem supera em ligeira vantagem nossa cozinha. Em outras palavras, Viktorius Ashem é “do outro mundo”.

    — Nossa! Viktor... Você deve estar se sentindo muito bem com isso.

    — É... Tipo, Lilac... Arthemis... – Tentou dizer Viktor, bastante envergonhado.

    — Viktorius Ashem, creio que vai me pedir para que o leve até a cozinha de nossa base algum dia. Farei esse pedido num momento apropriado.

    — Gah! Como conseguiu adivinhar isso?!

    — Sua temperatura está alterada e percebi que está suando. Deveria se hidratar com uma bebida isotônica o quanto antes.

    — Hã? Eh... Você está certa. Farei isso mesmo... – Disse o rapaz, se sentando.

    Mas antes que colocasse sua comida, Viktor chamou novamente por Arthemis:

    — Senhorita Arthemis... Por favor.

    — Sim, Viktorius Ashem? – Disse, aproximando seu rosto ao ombro de Viktor.

    — Eh... Bem... Tipo...

    — Oh! Estou invadindo seu espaço. Devo manter distância e...

    — Não! É que... Bem... *Agora eu sei como a Carol se sentiu quando eu era bem formal*... você poderia me chamar só de Viktor?

    No mesmo instante, Carol quase teve uma ataque, olhando os dois:

    — Lilac! Lilac! Olha os dois...

    — Que tem, Carol?

    — Cara, o piá tá querendo que a fofinha aí fique mais íntima dele!

    — Carol, deixa os dois! A Arthemis é um amor de pessoa.

    — O quanto de “amor” estamos falando aqui?

    — Carol, chega!

    E voltando a conversa entre Viktor e Arthemis, a IA felina logo respondeu:

    — Claro! Como quiser, Viltor-kun!

    Foi o suficiente para Carol pulsar da cadeira, chegando a até assustar Noah e Milla:

    — AH LÁ! AH LÁ! NÃO TE DISSE, LILAC?

    — Carol, para com isso! Ela só está sendo carinhosa com o Viktor.

    — Tá! Tá! Começa assim... Vem o carinho, aí depois vem...

    — CAROL, SUA BOBONA!

    E logo Viktor diz a Carol:

    — Carol, o que houve?

    — Os “zouvido”. Piá, tu tá de chaveco com ela, é?

    — Hã?! Ficou louca? A Arthemis foi minha ajudante na cozinha!

    — PUTZGRILA! DEIXA O YING SABER DISSO!

    — Carol, eu e Ying só somos amigos! E eu gosto de garotas!

    — Por isso, piá... Tu tá só no papin com a Arthemis. Eu tô de olho, tá?

    Mas Lilac parecia possuída por algum tipo de aura branca que envolvia seu corpo. Quase dando um soco na Carol e mostrando muita irritação, puxou sua amiga pelo colarinho e diz:

    — Escuta, sua boba: os dois estão se conhecendo, estão só se divertindo! Então para de querer shippar! Para! Por tudo que é mais sagrado não faz isso! Entendeu?

    — Tendi, minha mommy! Nyah! – Disse Carol, dando um beijo no nariz de Lilac!

    — Que bom que você entendeu... E você sabe ser carinhosa.

    Porém alguém conhecido entrou no recinto, sentindo o forte cheiro de comida feita por Viktor. Era Asuka que, vestindo seu uniforme como as demais garotas, diz:

    — Ah mina nossa! Que cheiro bom... Quem foi a pessoa com mãos de anjo que fez?

    — Asuka-chan, o responsável pelo banquete é o Viktor-kun! – Disse Arthemis, abraçando Viktor por sua costas em seu pescoço.

    — Ah foi o alien?

    — Eu não sou um alien! – Disse Viktor, ainda sendo abraçado por Arthemis.

    — Eu sei... É que você fica muito kawaii ficando nervosinho. Fofo! UwO

    — Ah vocês duas... Até nisso vocês...

    — Eu gosto de você, Viktor-kun! – Disse a IA felina, abraçando ainda mais o jovem – Deixa a Asuka-chan provar sua comida?

    — Eh... Claro! Sente-se, senhorita Asuka.

    Logo Asuka se sentou, coincidentemente ao lado de Noah, onde havia uma poltrona sobrando. Com o jovem albino ainda comendo, foi imediata seu comportamento ao perceber que ela havia se sentado justamente ao seu lado. Pegando um guardanapo, ele se levantou e saiu da mesa, com Lilac dizendo:

    — Ueh, Noah... Você ainda não comeu toda sua comida...

    — Eu... Eu perdi a fome. Com licença todos vocês... E Viktor, sua comida é deliciosa.

    Noah então seguiu até o dormitório, fechando a porta em seguida. Com Asuka observando de longe e sem levantar suspeitas, ela pensou:

    — *Hm... Muito suspeito... Eu sei que ele se incomodou com minha presença... Eu sei... Isso fica cada vez mais interessante... O menos mal é que ele foi para o dormitório. Pelo menos por hoje não poderei investigar mais, mas Arthemis poderá cuidar disso durante a noite... Hm... Qual de vocês é o traidor? Hm... Eu apostaria tudo nesse rapaz chamado Noah...*

    Asuka permaneceu no alojamento do Team Avalice até terminar sua refeição. E durante esse tempo pôde conversar um pouco mais com todos que continuaram a mesa, com Arthemis e Viktor recolhendo as louças ao fim. De longe era possível ver que a IA felina estava mesmo encantada com as habilidades culinárias do jovem, a todo momento o parabenizando por isso. Não demorou muito e Asuka se despediu, indo para seu apartamento, assim como Arthemis.

    A noite cai e os jovens do Team Avalice partiram para seus dormitórios.

    O tempo passa...

    Pátio principal do alojamento, manhã.

    Durante o café da manhã, que voltou caprichou com muito zelo, os jovens planejaram que se estão por ali para esperarem pela investigação, decidiram fazer atividades pela Agência. Como dito anteriormente, para fazerem exercícios os jovens poderiam usar de suas roupas civis, desde que não fossem parte áreas especiais e críticas (ir para a biblioteca e hospital eram proibidos), eles poderiam ficar mais a vontade. Dito e feito, ficou explicado:

    Carol iria até a oficina ajustar sua moto;

    Milla ficou interessada em ver o centro da Agência;

    Lilac iria permanecer no alojamento;

    E Viktor e Noah iriam treinar juntos.

    Curiosamente os dois jovens lutadores do Team Avalice estavam ficando mais próximos, o que despertou a curiosidade de certo alguém:

    — Lilac, esses dois aí... Tá ligada, né? – Disse Carol, olhando os dois cruzarem a esquina.

    — Ah Carol... Por favor, não começa...

    — Eu não tô querendo shippar, garota. Mas... Entretanto... Todavia... Porém...

    — Para com isso, Carol!

    — Tá, mas...

    — Mas nada! Você não disse que ia ver suas moto? Então, vai lá! Se divirta.

    — Tá okay!

    — Ueh, Lilac... Você vai ficar mesmo aqui sozinha? – Disse Milla, ajeitando suas orelhas.

    — Vou sim. Logo Asuka virá aqui e vamos ficar conversando. Tenhon muitas perguntas a fazer.

    Mas Carol não pôde deixar de dizer:

    — Lilac, falando sério... Tu tá ligada que tem mó climão entre o Noah e a Asuka, né? Tipo, quando ele saiu da mesa estava com uma cara que queria bater nela...

    — Estou sabendo, Carol. Mas não podemos fazer nada. O Noah é inteligente. Vai passar por isso sem problemas.

    — Beleza, mas melhor nem puxar esse assunto com a otomezinha. Vai que ela faz alguma coisa contigo e...

    — Carol, está tudo bem. E obrigada por levar isso a sério.

    — Claro, tamo todo mundo junto nessa parada. Quero todo mundo bem e na paz.

    — Garotas, eu estou indo. Quero conhecer essa Agência toda e conhecer muita gente! – Disse Milla, caminhando pelo corredor.

    E assim se seguiu os preparativos...

    Tempo depois...

    A Agência, fim da manhã.

    Contemplando a movimentação de agentes da Agência, Milla estava estasiada com tanta gente. Sabendo que todos tinham algum tipo de talento a fim de contribuir a cidade de Shang Mu, isso era uma oportunidade única de conhecer gente nova.

    Vendo um lindo jardim ao meio de tantas instalações modernas, logo foi até uma fonte onde molhou seu rosto, se refrescando. Passou então a ver flores e admirar uma grande árvore, ao qual se lembrou de um velho amigo:

    — Será que o senhor Stumpy está bem? Faz tempo que não o vejo... Ele era legal não não falava muito...

    A canina então prosseguiu com suas descobertas, entrando na Ala Sul – Ni, mais precisamente onde ficava a área onde ficavam as clínicas. Embora tentasse conversar com os demais ela era ignorada. Isso era justificado porque estavam todos trabalhando (expediente da Agência começava às 7h e ia até às 18h). Porém ela não se deu conta e acabou caminhando para justamente a parte de pesquisa, já adentrando numa zona nas proximidades da Ala Norte – Ichi.

    Andando descompromissada pelos corredores bem iluminados do lugar, e sob os olhares de todos os técnicos e residentes, Milla estava confusa, não sabendo por onde estava andando, até que algo lhe chamou a atenção: havia uma loba com pelugem acidentada e longos cabelos azuis, com olhos heterocrômicos (de cores diferentes), um azul e o outro cor de mel. E usando um jaleco branco, estava fazendo um experimento com raios laser em uma câmara isolada. A canina então começou a assistir, chamando a atenção da loba, que respondeu com um sorriso. Milla, animada, começou a abanar sua cauda, mostrando um sorriso, que chamou ainda mais atenção da agente. Mas a canina se assustou quando um canhão laser atirou, atingindo um alvo. A loba, entendendo que a pequena havia se assustando, pediu desculpas, acenando com sua mão. Mas Milla logo voltou a esboçar um sorriso, fazendo aparecer um cubo flutuante em uma de suas mãos.

    No mesmo instante essa mesma loba abriu sua boca e arregalou seus olhos, não acreditando no que estava vendo. E não parecia que iria parar por aí...

    Enquanto isso...

    Ala Restrita – Seigen

    Uma zona restrita, onde somente os mais gabaritados em armamentos tem noção do manuseio e manutenção dos sofisticados equipamentos de combate e defesa de todo o Reino de Shang Mu. Renomados e donos da habilidade única de guerra, esses profissionais são responsáveis pelo o que existe de mais tecnológico na Agência no que diz respeito a poderio bélico.

    E nele estava Carol.

    É, ela mesma. Como conseguiu chegar até alí ninguém sabe...

    — E nem vai saber, locutor. Eu avisei que tu tava ferrado na minha mão. Agora aguenta e narra essa história direito.

    Adentrando o salão, a ágil felina, que sabe-se lá como está nesse lugar restrito (que eu devo descrever...) Ela ficou deslumbrada com tantos canhões, armas lasers e tanques de guerra, assim como veículos próprios para perseguições e acolhimento.

    — Tá bom... Ok. Tô mesmo impressionada com essa coisa toda... coisa divina da mãe. Agora melhora, locutor. Põe mais lenha nessa fogueira. Senão tua história vai ficar assim, cheia de leitor fantasma que não comenta.

    (Carol, faça sua parte! Agora fica na sua e simplesmente siga com o roteiro!)

    — Mano do céu! Caraca....eu tô no paraiso! Olha quantos bólidos maneiros, quantos tanques... e quanto armamento! Caraca... O Zao deve ter investido quanto nessas coisas?

    Mas foi só Carol de aproximar de alguns armamentos que alguem logo chamou a atenção:

    — Aí... O que pensa que esta fazendo, hein!?

    — Hm? Calma lá, viu? Eu só tava... PUTZGRILA!

    Carol estava olhando diretamente para uma dragonesa de Alicie (uma raça de dragões colossais raros em Avalice). Sua alta estatura era bem chamativa (em torno de dois metros de altura). Tinha escamas (sua pele) acinzentada, com um corpo bastante definido (músculos eram uma característica até entre as fêmeas dessa espécie), com longos cabelos loiros e usava óculos Ray-ban, que lhe cobriam os olhos. Ela, mostrando imponência e com as mãos apoiadas em seu quadril, retirava seus óculos, mostrando que não havia cores, dizendo:

    — Hm... Ora ora... Uma clandestina...

    — Mo-moça... Olha... Eu posso explicar...

    — Ga-ga-gagejando assim até parece que você acha que eu vou te devorar... Relaxe. Eu não mordo... muito – Disse a dragonesa, com um sorriso largo no rosto.

    — Tipo, eu... Eu só tava vendo as coisas aqui... As armas e esses bólidos...

    — Ah então é uma entusiasta por maquinários? Hm... Interessante...

    — Pera... Tu não tá furiosa por eu estar aqui?

    — Eu? Hm... Me satisfaz saber que existem pessoas como você que gostam disso... Vai, pode tocá-los.

    — Jura? Posso mesmo?

    — Sim... Pode manusear... Eles não são sensíveis... E se quiser, pode disparar... Isso aqui é uma central de treinamento e não um parque de diversões. Barulho de lasers fazem bem aos meus ouvidos.

    — Pode crer que eu vou fazer isso, moça! Caraca... Isso é muito maneiro! Locutor, meu abençoado... Valeu pela moral! Agora firmou!

    (Vamos ver onde isso vai dar...)

    Enquanto isso.. (por favor, misericórdia... Mudemos o cenário!)

    Ala Oeste – Yon

    A enorme e incrível academia da Agência era um lugar fantástico para aprimorar o físico. Muitos estavam treinando, pois o porte físico dos agentes deveriam estar em sua totalidade, tendo em vista que todos poderiam sair em missão a qualquer momento.

    E no meio de vários tatames e áreas de luta, vimos Viktor, que dessa vez estava vestindo uma calça de moletom azul e uma camisa regata preta, treinava junto com Noah, que vestia sua roupa habitual, com calças e blusa com manga todos pretos, com uma listra branca em sua blusa. Com Viktor usando luvas acolchoadas de treinamento, ele ditava o ritmo como o jovem albino deveria chutar. Depois de uma série de exércitos, o carateca diz:

    — Noah... Esse seu estilo...

    — O Joon-sowen... O que tem?

    — Como o desenvolveu? Eu sempre o via com uma base mais defensiva e com seus dedos mais soltos... Essa mudança brusca de estilo é difícil...

    — Eu, quando era adepto do Kaipasu, tive um treinamento para termos algo de mortal e explosivo para ser usado em último caso. Só que agora ele irá se tornar minha principal.

    — Ah muito bem... Então... Sobre nosso treinamento agora...

    — Diga, Viktor.

    — Seu corpo é leve. Você é muito ágil por causa disso, porém há uma coisa que você precisa saber.

    — O que seria?

    — A potência do golpe. Você é muito forte, mas como não tem o costume de atacar com força, você tem desequilíbrio na sua base. Ou seja, você tem dificuldades de atacar e voltar a defesa. E quem usa força precisa muito se preocupar com contra ataques.

    — Eu entendo. Você tem essa noção porque usa o Urro do Dragão.

    — Correto. Eu abro mão da minha defesa pra investir só no ataque, mas isso tem um preço. Eu perco força se demorar para definir a luta. Já com você... Bem, pra te ensinar o Urro do Dragão eu...

    — Não, Viktor. Talvez você não tenha percebido, mas... Cara, você é diferenciado nisso.

    — Nisso o que?

    — No Urro do Dragão.

    — O que tem? Meu mestre sabe usar e outros lutadores também e...

    — Não, Viktor... Está enganado. É, você não tem noção mesmo de tudo que aconteceu naquela luta contra o Sheng...

    — O que tem?

    — Sua resistência não é normal. Ninguém aguentaria aqueles golpes que quebram diamantes... Não, Viktor. O Urro do Dragão é uma habilidade exclusivamente sua.

    — Mas porque diz isso?

    — Primeiro: ninguém em sã consciência em toda Avalice seria louco o suficiente em trocar socos com um membro da família Daiyamondo Omna. É pedir para ser destruído. Segundo: você desenvolveu seu Feng Shui durante aquela luta. E terceiro: você fez isso sem Chi algum. Tudo isso partiu de sua própria força de vontade.

    — Sério? Bem... Esse Feng Shui que vocês dizem tanto... Como eu devo desenvolver mais?

    — Bem, para quem é de Avalice, são anos de treinamento e auto conhecimento. Hã uma linha de desenvolvimento que galga para frente sempre. Porém isso não se aplica a você...

    — Porque diz isso?

    — Você não tem poderes especiais. Tudo que você fez até agora é resultado só de sua força de vontade. Seu corpo bem desenvolvido deve ter te dado algum “poder especial” passivo. Resumindo: você tem uma resistência extrema que te protege de golpes que geralmente traria muitos danos ou traria até coisa mais greves...

    — Hã? Como assim?

    — Diamantes são duros, mas pancadas os fazem trincar com o tempo. Eles tem baixa resistência a golpes contínuos ou plenos. Sheng poderia facilmente quebrar qualquer osso do seu corpo com aqueles punhos. Porém algo no seu físico te faz resistir sem que você saiba.

    — Mas no meu mundo eu desenvolvi mesmo meu físico. Muitos exercícios específicos para enrijever meus músculos foram feitos – Disse Viktor, retirando sua camisa e mostrando seu físico.

    — Então foi isso, porque não é normal. E de fato você desenvolveu seu corpo até além do que eu poderia... – Disse, olhando para o físico bem definido do jovem carateca.

    — Bem, se você diz... – Disse, voltando a colocar sua camisa.

    Porém logo houve um pequeno burburinho do fundo onde os dois estavam, de duas pandas vermelhas agentes que faziam exercícios, o que chamou atenção de Noah e Viktor, que olharam para elas. As duas, sabendo que estavam sendo observadas, logo mudaram de lado, voltando a fazerem seus exercícios. Decerto, Noah comentou:

    — Viktor, para evitarmos problemas... Não faça mais isso, ok?

    — Hã? Isso o que?

    — Não retire sua camisa em público. Aqui em Avalice temos costumes diferentes dos seus...

    — Mas que costumes são esses?

    — Mostrar seu peitoral despido é um ato depravado! – Disse Noah, um pouco corado.

    — MINHA NOSSA! Cara... Desculpa! Eu não... Cara, como estou envergonhado agora...

    — Tudo bem. Mas ainda bem que ninguém ligou... – Disse, enquanto tentava desviar o olhar.

    — Noah, não vá pensar que eu seja um depravado!

    — Não, Viktor... Eu sei que não é. Relaxa...

    — Ah... Acho melhor a gente ir treinar o físico dessa vez. Tipo, acho que pra você seria melhor ficar treinando finta e deslocamento. Façamos isso: você vai para o tatame onde tem saco de areia e treine deslocamento e finta. Desenvolva bem o ataque e defesa. Eu irei treinar meu físico... Faz tempo que não sei o que é levantar peso.

    — Tudo bem. Mas tome cuidado...

    — Hã? Com o que?

    — Viktor, não seja tão inocente. Nós estamos em isolamento. É fato que somos o alvo aqui.

    — Como assim?

    Noah então se aproximou de Viktor e, dizendo baixo, foi até seu ouvido:

    — Ah... Eu tentei deixar isso bem claro pra Lilac no jantar... Viktor, tome cuidado com quem fala e o que fala. Essa gente da Agência está nos investigando.

    — Hm... Eu entendo... Bem, sejamos só nós aqui. Eu bati devo nada a ninguém, nem você... E muito menos as garotas...

    — Sim. Bem, irei seguir com sua recomendação. Até logo.

    — Até. E tome cuidado.

    — Pode deixar.

    E como tratado, ambos começaram a treinar como disseram. E tudo seguida normalmente, mesmo sob os olhares dos agentes...

    Enquanto isso...

    Ala Mestra – Go

    Alojamento.

    Lilac estava sentada no banco do pátio, logo em frente ao chafariz. Lendo um livro, logo percebeu que alguém estava entrando ao salão. Caminhando com a mesma elegância de sempre, lá estava Lenzin que, ao avistar Lilac, diz:

    — Sash Lilac... Me admira está aqui sentada, sozinha.

    — Olá, Lenzin. Como vai?

    — Estou bem. Creio que também esteja...

    — É, estou... Não achei nada de interessante pra fazer aqui. Então preferi estudar.

    — Hm... Onde estão os outros?

    — Saíram. Pela Agência.

    — O que? E porque você não foi junto com eles?

    — Eu só queria ficar um pouco sozinha. Colocar a cabeça no lugar... Se existe uma coisa boa nisso tudo que está acontecendo é que no momento eu posso descansar sem me preocupar.

    — Hm... Me permite lhe fazer companhia um pouco?

    — Claro. Sente-se.

    Logo Lenzin se sentou ao lado de Lilac e, com uma simples pergunta, já deu o tom da conversa:

    — Estamos investigando todos vocês.

    — E o que achou?

    — No momento nada.

    — Isso continuará assim até o fim de sua investigação, guardiã.

    — Sua confiança me instiga, dragão.

    — Hã? Como assim?

    — Vocês acham mesmo que tudo isso é um passeio... Logo se nota a importância que você atribui a sua missão.

    — Lenzin, chega disso.

    — Acha mesmo que é assim que se resolve as coisas? Hm... Não me impressiona Spade ter tanto sucesso no que faz. Tendo vocês como “defensoras”...

    — Me diga, Lenzin... Porque estamos “presos” aqui?

    — Você sabe o porquê. Diga logo onde quer chegar.

    — Já parou pra pensar que independente quem tenha roubado o resquício, isso só mostra o quanto as defesas de Shang Mu não são infalíveis?

    — Grrr... Como se atreve a dizer isso, Sash Lilac?

    — Lenzin, nós estamos aqui porque uma falha aconteceu. Suponhamos que tenha sido um de nós. O que muda? De qualquer forma isso não esconde os erros.

    Lenzin estava bastante irritada com o que havia ouvido. Lilac conseguiu mesmo mexer com seus brios lhe dizendo verdades. Os argumentos da panda guardiã não eram suficientes para intimidar a bela dragão, que continuou:

    — Mas vou ser bem sincera: eu pensei que você veio até aqui e se sentar pra me fazer companhia pra gente conversar.

    — Lilac... *Essa dragão... Como ousa me desafiar assim?*

    — Eu não quero brigar com você. Na verdade eu até gosto de você. Esta sempre querendo proteger as pessoas... Isso é muito legal... Mas Lenzin, você deveria relaxar. Sei lá... Dedicar um dia pra fazer coisas além de ser uma guardiã.

    — Eu não tenho esse direito...

    — Como não? Todo mundo tem direito de viver. Você não está fora disso. Sua vida não pode ser só fazer o que uma guardiã faz.

    — Não, Dragão... Eu só faço valer meus votos como guardiã de Shang Mu. Toda uma geração de exorcistas da minha família dedicou suas vidas para estarmos nas defesas de meu reino. É uma grande honra estarmos com essa proteção.

    — Mas Lenzin...

    — Eu estou bem, Sash Lilac. Agradeço sua preocupação, mas foi isso que eu escolhi para a minha vida.

    Mas então as duas ouvem uma voz ser ouvida, vindo diretamente do corredor que dava acesso ao alojamento. Era Asuka, sendo acompanhada por Arthemis, diz:

    — Olha a panda fofinha aí, gente!

    — Asuka?! – Disse Lenzin, se levantando.

    — Lenzin-sama, não precisava se levantar – Disse Arthemis.

    — O que quer aqui, Asuka? – Disse a guardiã.

    Pelo visto teremos mais uma na conversa...

    E voltando a Ala Norte – Ichi...

    Com Milla já dentro da câmara junto com a agente, eis então conversavam:

    — Então seu nome é Zoey, moça? Nossa, seu nome é muito bonito.

    — Ah obrigada, Milla. Mas voltando ao assunto... Como é que você consegue fazer aparecer o cubo?

    — Ah isso aqui? – Disse, ao fazer aparecer novamente um pequeno cubo em sua mão – É um puder que eu desenvolvi. Eu meio que fui melhorando com o tempo, mas nunca tive ninguém que tivesse muito interesse nisso, tendo minha mestra.

    — Mestra? Quem é sua mestra?

    — A Neera Li.

    — Ah sim... QUE?! NEERA LI? A ALTA SACERDOTISA DO REINO DE SHANG TU?

    — Sim... Ela mesma. Você a conhece?

    — Digo sim... Eh... Digo não... Ops... Disso sim e não.

    — Hã? Mas...

    — Eu sei quem é mas nunca tive o prazer de conhecê-la. É isso.

    — Ah eu gosto muito dela. E ela é muito forte! Me ensinou todos os golpes que eu aprendi.

    — Ah tá... Hehehe... *Mas como isso?! Ela tem um poder extraordinário nas mãos e ainda foi treinada pela alta sacerdotisa de Shang Tu...* Milla... Eu posso te pedir uma coisa?

    — Pode sim.

    — Olhe... Eu sou uma doutora em astro física. Eu estava fazendo testes com raios para medir sua pressão e volume para aprimorar nosso armamento. Você poderia demonstrar mais uma vez seus poderes pra mim? Digo, mostrar mesmo... Como se estivesse lutando.

    — Posso, mas no que isso vai ajudar?

    — Milla, sua energia é pura alquimia. Eu não tenho ideia de como ele se origina porque não há estudo científico pra alquimia em toda Avalice. Se eu puder ver uma alchemist em ação poderei entender melhor como funcionaria uma energia pura.

    — Mas você vai usar isso pra machucar pessoas!

    — Não, Milla... Armas não foram feitas pra atacar e sim defender. Não estou querendo te usar pra nada aqui... É só pra me ajudar.

    — Tudo bem... Então o que eu devo fazer?

    — Está vendo aquela parede vermelha alí? – Disse Zoey, apontando para o alvo – Então... Atire tudo nele.

    — Eh... Você quer que eu use tudo de mim nessa parede? Você está certa disso?

    — Sim, porque? Seu poder não consegue destruir uma parede de concreto?

    — Consigo sim! Eu vou te mostrar!

    Milla então se posicionou em direção Av parece e concentrou tudo o seu poder pelo seu corpo inteiro. Logo, com a intensidade da manifestação de seus poderes de alchemist, sua roupa começou a tremular, assim como seus cabelos e orelhas. Zoey, usando óculos especiais que lhe protegiam da radiação dos lasers, mal acreditava no que estava acontecendo:

    — *Minha nossa... Quanto poder e... Ela é só uma menina! É impressionante o que está fazendo... e ela nem arremessou seu cubo... Mas espere... Ela não fez esse esforço todo pra invocar aquele cubo... O que ela vai... NÃO É POSSÍVEL!* Milla...

    — MEGA PHANTOM BEAM! AHHH!

    Uma concentração imensa de energia se forma em Milla, que arremessa uma quantidade monstruosa de seus poderes, destruindo não só a parede, que foi dizimada, mas como as demais paredes que estavam atrás, umas dez aproximadamente. A propagação de seu poder tinha se lastrado tanto que foi preciso que Zoey ativasse o sistema de isolamento da ala inteira. O clarão, que ofuscava a todos, que tentavam se proteger, aos poucos perdia força, com Milla, confiante e com um sorriso no rosto, dissesse:

    — Pronto! Eu consegui! Eu consegui destruir a parede! Eu fiz certo, Zoey?

    E a doutora loba, vendo toda a sua câmara destruída com a intensidade dos poderes da pequena, diz:

    — É... Você conseguiu... Destruiu a parede... É... Destruiu...

    Milla então se deu conta, depois que um tempo, que não foi somente a parede que conseguiu destruir e, tampando os olhos com as orelhas, diz:

    — Ih... Zoey... Pode dizer... Eu estou encrencada, não é? Eu... Eu acho que exagerei um pouco...

    — Não, Milla... Eu vou assumir toda a culpa dessa vez... *A Asuka vai me matar... Ela dessa vez vai arrancar meu couro...*

    Com tudo o aparato emergencial ser prontificando a diminuir os danos, Zoey tomou a iniciativa de juntar os cacos.

    Milla só fez o que foi lhe pedido, quanto a isso Zoey, a exímia doutora em astro física tinha certeza.

    Enquanto isso... (E eu terei de seguir com o roteiro...)

    Ala Restrita – Seigen.

    Galpão do pelotão de frente dos fuzileiros de Shang Mu.

    Carol estava com uma satisfação estampada em seu rosto. Mexendo em cada um dos veículos do galpão, ela insistia em dizer cara detalhe que sabia:

    — Cara, esse exaustor de nêutrons aqui da um poder de arranque de mais de cinco mil general Gongs! Sem noção!

    — Hm... Você é bem sabida... Você se chama Carol, não?

    — Sim, Tayce! E seu nome é muito “badass”, sabia? Opressora demais...

    — Você sabe me agradar, pequena. Vai, continue com sua aula... – Dizia Tayce, ajustando seu armamento.

    — Ah eu tô dizendo... Esse pistão de cerâmica tem a potência que eu precisava por na minha moto.

    — Porque, hm?

    — Porque? Cara, é de cerâmica! Essa parada não estraga e tem duração de mais de um século! Coisa danada de boa!

    — Hm... Sim! Você está certa.

    E Carol, olhando para uma enorme arma laser (Porque, meu pai? Porque?), logo perguntou a grande dragonesa:

    — Tayce... Minha colossal nova amiga...

    — Hm... O que foi?

    — Tu disse que eu podia dar uns tirinhos com algumas dessas armas lasers, não?

    — Sim... Você vai adorar... A sensação de atirar é indescritível... E eu quero que você sinta isso.

    — Ah cara... Tão deixando a gente sonhar... Tô muito nervosa com isso... Não pode ser tão fácil conseguir o que eu quero assim... Te amo, locutor... Cara, te amo demais! Tu vai ter muitos comentários nessa história... *Não conte com isso... Ei! Ele vai saber que eu pensei nisso...*

    — Carol, minha gata... Eu irei até o armazém pegar alguns outros fuzis lasers para eu ajustá-los. Fica a vontade, tudo bem? Mas fique a vontade mesmo...

    Sabendo que não havia absolutamente nada para atrapalhá-la, a felina verde se aproximou do armamento laser e diz:

    — Tá, Carol... Tu só tem que apertar o gatilho contra aqueles alvos eb tá tudo sussa... Calma lá... É só mirar e atirar... Os soldados bucha do Brevon conseguiam fazer isso, porque eu não? Nyah!

    E sem perder mais tempo, Carol mirou e apertou o gatilho de uma vez...

    Uma imensa rajada de raio laser emanou da arma, atingindo o alvo em cheio... assim como os veículos que estavam na minha de disparo, tanques, paredes, pilastras, armamentos etc...

    Já estava escrito, não? O desastre em pessoa: Carol Tea. Um imenso prejuízo já era calculado em sua mente, sabendo que não tinha como...

    — Tá, locutor... Já entendi... Eu pisei na jaca... Satisfeito?

    Mas igualmente como os danos se somavam, praticamente uma legião de agentes raivosos correram em direção onde Carol estava, com um canino musculoso dizendo:

    — OLHA O QUE VOCÊ FEZ! GURIA, PESSOAS PODIAM TER SE MACHUCADO!

    — Aí, tio... Foi mal. Eu só atirei e do nada o tiro foi indo, indo, indo... e “iu”!

    — Garota, você está em uma encrenca! A nossa grã mestra Asuka vai ficar sabendo de cada detalhe disso que aconteceu! Você pode ter certeza que isso não vai ficar impune, pois nós todos daqui da Agência vamos...

    Mas não foi dado muito tempo para que Carol continuasse sendo repreendida: logo vários dos agentes que foram ao encalço da felina voavam para longe, quase como simples bolas de golfe. Não demorou muito e pudemos ver uma verdadeira lavagem de roupa suja, no sentido literal da palavra: Tayce, usando de sua atributos avantajados de dragonesa de Alicie, praticamente varreu o chão com os agentes alí presentes. Socos eram deferidos, assim como chutes, que com um só golpe já os nocauteavam. Até mesmo sua fortíssima cauda era usada, fazendo uma verdadeira limpeza no local. Sob os olhares atônitos de Carol e o agente que estava falando com ela, Tayce, cercada de muitos corpos desacordados espalhados pelo pavilhão, caminhou lentamente para próximos dos dois. O agente, já tremendo na base, não sabia se ficava ou saía dali, ficando parado. Não demorou muito e a dragonesa de Alicie, o olhando com um sorriso no rosto, diz:

    — Hm... Agente, qual seu nome?

    — Ru-rubien, senhora...

    — Senhorita... Não se esqueça.

    — Mil per-perdões, senhorita Tayce...

    — Ora, ora... Sabe on meu nome...

    — To-todos aqui co-conhecem a grande Comandante das tropas de fuzileiros de Shang Mu... Eu... Eu e todos aqui sa-sabemos de todas as suas condecorações por ser uma exímia artilheira e escudeira...

    — Ah... Hm... – Resmungou Tayce, ainda esboçando seu sorriso cativante – Escute aqui, agente Rubien... Esta vendo essa gracinha de felina que você tentou repreender?

    — Si-sim, senhorita...

    — Muito bem... – Disse, se abaixando um pouco, abraçando o agente em seguida – Ela só está aqui porque eu deixei... Então eu sou responsável por tudo o que ela fez, entendeu?

    — Si-sim... Eh...

    — Sabe, vocês aqui da agência tem um hábito muito ruim de sempre quererem ser maiores do que são... – Disse, acariciando o alto da cabeça de Rubien – ... e isso me irrita. Mas você não, Rubien... Você não...

    — Eu nã-não?

    — Não... Eu gosto de você... Você é um cara bonitão que só está seguindo o que lhe foi mandado... E isso é muito legal da sua parte...

    — O-obrig...

    — NÃO ESTOU TE ELOGIANDO, PALERMA! – Disse gritando, quase o mordendo – ... Você é muito lerdo pra entender um sarcasmo! Você não passa de um pau mandado dos ruins!

    — Se-senhorita Tayce, essa guria aí detonou nossa base e...

    — Agente Rubien... pare. Pare de falar... Eu sei o que aconteceu... – Disse, arrumando o uniforme do canino agente – O que vocês vão fazer agora: vocês vão levantar isso tudo que ficou “detonado” e vão arrumar pra tudo ficar “direitinho”, está bem? Limpo e lindo como um jardim florido e radiante...

    — Si-sim, senh...

    — VAMOS TRABALHAR! – Disse, o jogando contra os demais agentes – Se quiserem abrir a boca pra culpar alguém, estão na liberdade que foi a única e “eximia” Tayce Axel, a Escudeira Arsenal número um da Agência, que tem total responsabilidade. Mas eu quero saber quem será o destemido que vai ter a coragem... ESTÁ CLARO?

    — Sim, senhorita Tayce! – Disseram de forma coletiva todos os agentes.

    Mesmo sentindo dores, eles formalmente começaram a tentar arrumar danos, com Tayce os olhando com as mãos apoiadas sobre sua cintura. Carol, ainda pasma, tentando processar tudo que havia acontecido, diz:

    — Tayce... Tipo, isso aconteceu mesmo?

    — Hm? O que? – Disse, voltando a sorrir.

    — Tu me defendeu e arregaçou esses caras! Caraca... Tu botou os caras pra dançar bunito que nem o Carlton Banks...

    — Hm... Ah... Eu faço o que posso pra agradar meus amigos... E eu fui contigo, felina.

    — Cara... Tô boba. Nunca vi isso. Tu deve ser um tipo de deusa nórdica que encarnou num mortal, sei lá...

    — Hahaha! Você me diverte, pequena! – Disse, colocando Carol em seu ombro – Você quer ver mais coisas por aqui, Carol? Eu te mostro!

    — Já é, minha consagrada! Te adoro demais! Nyah! :3

    Com as duas novas amigas indo até outro pavilhão, Tayce logo tomou a palavra:

    — Eh... Carol?

    — Sim, deusa nórdica?

    — Na próxima vez que for atirar, não se esqueça de travar a mira, está bem?

    — Ah... Então foi isso... Putz... Tá, tudo bem... E desculpa pela sujeira aí. Os caras ficaram pistola porque tavam fazendo seu trabalho. Tu não precisava ter detonado com eles...

    — Nah! Esses caras são muito metidos... Mereceram... E eu estou muito bem... assim como eles irão ficar...

    E assim um novo vínculo foi concretizado (e ninguém morreu, por Odin).

    Enquanto isso...

    Ala Oeste – Yon, tarde.

    Tudo corria na maior tranquilidade. Embora os exercícios fossem mesmo árduos, ambos os garotos estavam indo bem. No outro lado do complexo de treinamento, Noah praticava exatamente o que Viktor havia sugerido, usando de um saco de areia para simular uma luta. Agredindo ao utensílio de treinamento, conseguia atacar e voltar para a base, fortificando mais seu corpo e defesa. Não era fácil e bastante desgastante, mas o jovem albino estava mesmo determinado a melhorar seu físico.

    — *Viktor... Esse cara é incrível... Ele é a maior prova de que unir mente e corpo realmente funciona. Ele se condicionou a suportar a dor e usar isso a seu favor... É, devo admitir... Pra alguém que não tem Feng Shui e Chi, ele definitivamente tem uma força física muito maior que a minha...*

    Mas enquanto pensava, isso alimentou ainda mais sua força de vontade de ficar mais forte:

    — Então é isso... AGORA EU TENHO UM RIVAL E EU VOU SUPERÁ-LO! AHHH!

    Noah estava ainda mais animado, golpeando o saco de areia com mais vontade, se concentrando para manter sua defesa após cada golpe.

    No outro lado, Viktor levantava supino. O peso até impressionava quem estava próximo, tendo em vista sua idade (Viktor tinha 18 anos e já levantava mais de 90kg). Alguns agentes mais experientes mantinham observação aos exercícios que o jovem fazia, que depois começou a fazer abdominais. Não satisfeito, Viktor começou a fazer flexões... usando um braço somente, alternando com o outro. Em seguida fez o mesmo, dessa vez plantando “bananeira”. Partiu depois para fazer barra, também alternando seus braços. De fato Viktor estava com seu físico em dia, na sua melhor forma.

    Logo após seu treinamento, decidiu então que deveria praticar um pouco de seu karatê, indo até um dos tatames livres e começou a fazer kata.

    Kata é uma sequência de movimentos — técnicas de ataque e defesa — cujo fito é proporcionar ao praticante o aprendizado mais aprofundado da arte e, simultaneamente, experiência de luta. Também é conhecido por "balé da morte".

    Por Viktor estar bem a vontade, ao fim dos seus exercícios decidiu então ir até um dos sacos de areia da Agência. Só que todos estavam sendo utilizados por agentes treinando.

    — Cara, o Noah teve muita sorte... Pegou um vazio. Agora no meu caso...

    Mas por obra do acaso, conseguiu achar um desocupado, justamente o que precisava. Começando a desferir potentes socos e chutes, notou que muitos dos agentes que estavam treinando passaram a olhar, mas passou a ignorar esse ponto, se concentrando em seus golpes. Estava tão entretido que diz:

    — Cara, esse saco de areia é ótimo. É como se eu estivesse mesmo lutando contra alguém. Então é assim que agentes treinam?

    Entretanto, atrapalhando seu exercício, uma voz feminina cheia de autoridade diz:

    — Ei... Você.

    — Hã? O que foi? – Disse, se virando.

    Ao olhar para trás, percebeu que se tratava de uma felina dente de sabre, com suas enormes presas a mostra. Tinha duas pelugem semi malhada com linhas pretas e o predomínio da cor alaranjada. Usava como vestimenta uma bermuda de pressão de cor azul, como aquelas de academia, bem justa, com um top preto que lhe cobria seu busto. Com cabelo espetados da cor marrom, tinha duas mechas presas por faixas brancas transadas. Seu porte físico era impressionante, com seu corpo todo definitivo como uma lutadora. A felina, de olhos castanhos, diz:

    — Esse saco aí é meu. Então caia fora.

    — Não vejo nome de ninguém escrito aqui, moça.

    As palavras de Viktor foram o suficiente para metade dos agentes saírem de perto, deixando claro que ela não era uma simples agente.

    — Eu estou de muito bom humor hoje... então vou te dar uma segunda chance de sair daqui.

    — Porque deveria fazer isso? Esta cheio de lugar vazio agora.

    — Creio que você não entendeu porque esse saco aí é meu... Então me permita uma demonstração...

    Ela então esmurrou um saco de areia desocupado, abrindo um buraco no meio. Com a areia caindo logo após seu golpe, ela diz:

    — Está vendo? Esse saco aí é meu porque só ele suporta meus golpes.

    — Hm... Impressionante...

    — Muito bem... A aula de educação física acabou. Volte para o buraco de onde você saiu, stranger.

    — Se me permite dizer, moça... Eu vou continuar aqui. Eu ainda não terminei meu treino. Se quiser posso dividir o saco com você, que acha?

    Ela, movimentação sua cauda felina incessantemente, diz para todos:

    — Vocês aí... Pseudo agentes que se acham dignos de estarem aqui... Vocês são testemunhas que eu tentei ser bem cordial com esse stranger aqui... Então...

    Com Viktor tentando voltar a treinar, de forma inesperada o jovem é terrivelmente golpeado em sua barriga pela felina dentes de sabre, sendo arremessado até um dos tatames, a mais de cinco metros de onde estava. Rolando e caindo assustado, colocou então sua mão sobre o local atingido, pensando:

    — *Cara, o que foi isso?! O golpe dela... Ah... Foi pra machucar de verdade... Quem essa moça pensa que é?!*

    Mas não era uma simples oponente. A situação era completamente diferente do que de costume. Não era um desafio qualquer. Viktor ia se levantando, enquanto a felina veio a toda em sua direção, desferindo um violento soco que visava seu rosto. Por destreza, Viktor conseguiu se defender, usando seu braço. O jovem então saltou para trás, dizendo:

    — VOCÊ ESTÁ LOUCA?!

    — Stranger... Você me surpreende mais e mais... – Disse, se colocando em base luta, levantando seus dois punhos para frente – ... Ainda está consciente depois de receber dois golpes meus...

    — Escuta, eu...

    — Cale-se, stranger!

    Ela então começou a desferir inúmeros socos, que lhe tentavam atingir o rosto. Com muita dificuldade Viktor recuava, conseguindo evitar os ataques.

    — *Ela é muito rápida e... mortal. Esses socos... Ela... Ela luta boxe! Estou em desvantagem aqui... Muita! Ela está me atacando para causar danos! Não é um...*

    Mas a velocidade inicial da dentes de sabre era só um engodo. Imediatamente após a série de socos, ela diz:

    — VIOLENT SABER PUNCH! AHHH!

    E um estrondoso gancho de direita é desferido por ela, que atinge em cheio a barriga de Viktor, que é arremessado para longe. A intensidade do golpe foi tanta que rasgou a camisa do jovem. Ela, ao observá-lo caído, diz:

    — Stranger... No fim todos eles são iguais... Agentes, strangers... Bah! Todos fracotes...

    Mas estamos falando de Viktor, o mestre inquebrável de karatê. Lentamente ele se levantava, dizendo:

    — Ah... Quem é fraco aqui, moça?

    — Hm? – Resmungou, se virando – Eu não acredito nisso...

    — Ah é? Então... TOME ISSO!

    Viktor correu até ela, desferindo vários chutes e socos, com a felina conseguindo se esquivar usando fintas. Sua velocidade era muito maior que a de Viktor, numa proporção de três pra um. Ela, o observando em seu ataque, pensou:

    — *Esse Stranger... Esse garoto tem fibra e... fúria. Seus movimentos são previsíveis e lentos mas... todos eles tem força. E não é força com jeito... É força bruta, pura e destruidora. Não... Você está muito abaixo de mim, Stranger... E vai cair como todos os homens desse lugar...*

    Ela então tomou uma postura mais ofensiva e, preparando seu golpe, o desfere dizendo:

    — VIOLENT SABER PUNCH!

    Ela o atingiu, porém com um incrível contra ataque, Viktor diz:

    — FUJIN KEN! AHHH!

    Viktor quebrou o ataque da dentes de sabre, a golpeando em seguida em seu dorso, a jogando para longe. Ela, caída, se levantava, não acreditando no que havia acontecido:

    — *O que... O que foi isso?! Ele recebeu meu golpe de propósito e... me atacou? Ele... Esse garoto é diferente...*

    Todos que estavam assistindo começaram a comentar, dizendo que era incrível o que estavam vendo. Mas como cochicho ganham quilômetros em poucos minutos, com Noah treinando, não demorou muito para perceber que algo anormal estava acontecendo. Olhando para o fundo, correu até onde estava a roda da briga. E durante a vários agentes que vibravam, ele se enfiou no meio deles e pôde que ser tratava de Viktor lutando. Desesperado, gritou:

    — VIKTOR?! CARA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!

    — NOAH? CARA... EU SEI LÁ! SÓ ESTOU ME DEFENDENDO!

    E com a felina se levantando, ela diz:

    — Viktor... Hm... Esse é seu nome.

    — Si-sim... Mas...

    — Me chamo Liane Saber...

    — Senhorita Liane, eu...

    — Cale-se, Viktor. Nossa briga do está começando...

    Ela, surpreendendo Viktor, muda sua base de luta, levantando suas mãos, estas abertas. No mesmo instante, o jovem percebeu:

    — *Ela mudou sua base e... Espere! Eu conheço! Ela... Ela mudou para...*

    Não houve muito tempo para pensamentos, pois Liane se aproximou tão rápido que Viktor mal conseguiu perceber. Ela inicialmente veio pela frente, lhe atacando francamente, mas não desferiu nenhum golpe. Pelo contrário: ao Viktor tentar lhe acertar com um soco, ela se esquivou facilmente, indo até suas costas. O jovem estava completamente aberto. E logo ela diz:

    — Agora eu vou te quebrar todo, Stranger! VIOLENT SABER SUPREX!

    Ela então o agarrou em seu dorso, junto com seus braços, iml capacitando Viktor de qualquer tipo de ataque. Ele, já prevendo o pior, diz:

    — *Ela... Ela está lutando... wrestling?!*

    Wrestling é uma arte marcial que utiliza técnicas de agarramento como a luta em clinch, arremessos e derrubadas, chaves, pinos e outros golpes do grappling.

    Com todos observando Liane o levantar, o golpe foi perfeito, com um encaixe de braços que deixou Viktor completamente submisso. Não havia escapatória.

    — *Ela vai me quebrar todo com certeza... E ela não está se importando com isso! Eu... Eu estou mesmo com problemas e... Não tem como vencer... Calma, Viktor... Calma. Pensa bem... Eu sei! Eu sei como evitar maiores danos!*

    E assim que Liane puxou seu corpo para trás, a fim de jogar o corpo de Viktor contra o chão, por algum motivo a dentes de sabre se desequilibrou, chegando a fazer com que o jovem se chocasse ao chão, mas não totalmente: eles haviam caído de lado, o que deu brechas parte Viktor aplicar uma chave de pernas em Liane, dizendo:

    — Pare! Eu não quero lutar!

    — Me diga... Me diga, Stranger... – Disse, fazendo força para sair do golpe de Viktor – Como neutralizou meu golpe?

    — Suprex... Esse nome que te denunciou.

    — Como assim? Ah...

    — Arremessos de destruição exigem contra peso. Eu simplesmente me mexi para um dos lados com toda a força de meu corpo, acabando com seu equilíbrio.

    — O que?! Então você evitou meu golpe...

    — ... porque você fala demais!

    — Miserável... Como ousa?

    — Liane, pare! Eu não quero lutar!

    — Hahahahaha! Isso não é uma luta, garoto...

    — O que?!

    E mudando mais uma vez de postura, Liane, com um trabalho de chão incrível, desfaz a chave de pernas de Viktor, girando por trás do corpo do jovem, onde ali ficou. Com externa destreza, Liane envolveu o dorso de Viktor com suas pernas e, usando seus fortes braços, aplicou-lhe uma chave, com ela dizendo:

    — ... Isso é uma briga, e não há regras! VIOLENT SABER REAR NAKED CHOKE!

    Liane praticamente imobilizou o jovem de forma violenta, tirando-lhe todos os meios possíveis de contra ataque. Mas deixemos que Viktor descreva sua situação:

    — *Ela... Ela está fazendo um mata leão?! Ela mudou de estilo outra vez para jiu-jitsu! Eu não vou conseguir sair disso! Acabou!*

    Mata-Leão é um golpe de estrangulamento usado nas artes marciais japonesas, realizada pelas costas do oponente. É original do grupo de técnicas do jiu-jitsu brasileiro e judô, conhecido como shime waza.

    Sabendo que não havia escapatória, Viktor humildemente bateu três vezes no braço de Liane que, rindo, diz:

    — Hahahahaha! Onde você não entendeu quando eu disse que estávamos em uma briga?

    — Mas...

    — Você vai dormir, bela adormecida... Eu quero te apagar na frente dessa gente toda... Stranger!

    — *Ela vai com isso até o fim?! Não... Ela não sabe dos danos que pode me causar com isso... EU NÃO VOU DEIXAR!*

    Entregando todo seu pescoço para Liane, Viktor estendeu seus braços e, flexionando seus dois dedos indicadores, diz:

    — AGULHA DO DRAGÃO!

    Viktor então golpeou a cabeça de Liane com a ponta de seus dedos com uma violência fora do comum, causando uma forte dor a dentes de sabre, que não vê outra alternativa a não ser o soltá-lo. Ela, de pé, a exemplo de Viktor, sentia dores nas laterais de sua cabeça, dizendo:

    — Você... AHHH... Você me machucou!

    — E você... Aff... Você queria me apagar!

    — Eu vou acabar com você, Viktor!

    Porém logo os agentes, percebendo que a luta estava indo para uma direção errada, começaram a impedir que Liane disse em direção a Viktor, com Noah acudindo seu amigo, que tinha dificuldades para respirar.

    A confusão estava armada. Todo o ginásio estava tomado por muita baderna.

    Enquanto isso...

    Ala Mestra – Go

    Alojamento, tarde.

    A presença de Asuka causou um pequeno mal estar com Lenzin, que teve controle emocional para manter a calma e não causar alardes. Mantendo a postura, diz:

    — O que quer aqui, Asuka?

    — Ah pandinha lindinha... Eu estou aqui pra ver a Milla, aquela coisa moe kawaii... Ai, meu desu... Só de pensar nela, com suas orelhas fofinhas... Ah é muito moe!

    — Asuka-chan, sua pressão aumentou. Gostaria de tomar um delicioso chá de ervas? – Perguntou Arthemis.

    — Não... Mas obrigada, Arthemis.

    — *Não... Eu sei que não é por causa disso* Ah eu entendo. Bem, sinto te dizer mas não há ninguém aqui além de Sash Lilac e eu – Respondeu Lenzin.

    — Hã? Como assim? Essa gente toda tá dando um passeio ou coisa assim?

    — Exatamente.

    — *Os motivos dela estar aqui são os mesmos que o meu... Você foi ligeira, guardiã* Ah mas então se só estamos nós aqui, então fica até melhor.

    Lilac, até então calada, diz:

    — Asuka, estávamos conversando sobre a Agência. Eu sei que vocês estão nos investigando...

    — Ah mas isso te preocupa? Sabe, Lilac... Você fica muito bem nesse uniforme.

    — Obrigada. Mas isso não muda o fato que...

    — Calma. Eu estou aqui pra propor uma recepção bem “evento de anime”. Ah como eu queria dizer isso!

    — Hã? Como assim?

    — Ah tipo... A gente precisa ficar mais próxima e tal... Tenho uma ideia pra gente fazer uma festa... Mas só com meninas.

    — Festa? Que festa?

    — Eu pensei bem e... Lilac, eu adoro ver filmes! De todo tipo... A gente podia fazer uma... FESTA DE PIJAMA!

    — Hã? Mas Asuka...

    Durante a conversa, ao ouvir a proposta da suposta festa, Lenzin parecia se remoer por dentro tamanha era sua irritação:

    — *A genialidade dela... Desgraçada. Sabe que eu nunca faria tal absurdo e com isso quer usar de sua influência para ter vantagens... Asuka Tenjoin, você é desprezível*

    E continuando, Asuka diz:

    — A gente faz tipo... A noite toda, só a gente... De pijama e vendo anime e filme, com pipoca e tudo de bom... Vai ser muito awesone!

    — Asuka, você vai fazer isso mesmo? Isso... Isso seria demais!

    — AH! QUE BOM! QUE BOM! SUGOI!

    — Que ótima ideia! Eu já estava ficando entediada, mas com festas assim eu concordo! Tem meu total apoio! – Disse Lilac, esboçando um sorriso cativante.

    — Ah... Arthemis... Olha! A Lilac tá sorrindo daquele jeito... Meu desu...

    — Asuka-chan, não começa...

    — AH MEU DESU! QUE PERFECT DRAGON! EU ADORO ESSE SEU CABELO! SEU SORRISO! TUDO! PERFEIÇÃO! AHHH! – Explanou a felina, abraçando e esfregando seu rosto ao de Lilac.

    — Ah... Asuka... Hehe... Você... Você é mesmo muito carinhosa...

    — Sou? Arthemis, ela me chamou de carinhosa. Eu tô morrendo... Ai... Ela tá gostando de mim!

    — Asuka-chan, acho que devemos ficar que Lilac conte as garotas sobre nossa festa. Eu irei providenciar os preparativos – Disse Arthemis, com um sorriso.

    — Ei, é verdade! Bem, eu irei procurá-las. Eu posso usar de minha velocidade, Asuka?

    — Claro que sim! Você fica ainda mais glamorosa correndo, mostrando toda sua perfeição! Ai, Arthemis... Eu tô morrendo... Ela é mesmo perfeita!

    — Asuka-chan, sua pressão... Não abuse!

    Rapidamente Lilac seguiu então correndo pelos corredores da Agência, deixando Asuka, Arthemis e Lenzin ali no pátio. Mas isso não era bom final. Com a panda guardiã olhando para a felina, diz:

    — Você planejou tudo isso com precisão, Asuka. Quanto a isso eu devo tirar meu chapéu.

    — Ah obrigada, pandinha. Você é muito amor. Te adoro.

    — Grrr... Esse seu jeito... Não use isso em mim... Me irrita muito.

    — Hm... Muito bem... Arthemis, meu traje.

    — Sim, Asuka Tenjoin – Disse Arthemis, com seus olhos brilhando.

    Em questões de segundos Asuka já estava vestida com seu bodysuit, com sua jaqueta por cima. Ela, caminhando até Lenzin, diz:

    — Esse é o jogo: eu dito as regras aqui e você as segue. Pode desempenhar seu papel como guardiã com todo o poder colocado em suas mãos para tal, porém...

    — Porém o que?

    — Seus limites.

    — Sem rodeios, grã mestra.

    — Enquanto eu estiver fazendo minha investigação, você não tem poder algum ante mim e seja lá quem estiver comigo.

    — O que?

    — Rápida na espada, lenta no raciocínio... Bem, é uma concorrência desleal da minha parte, devo dizer.

    — Asuka Tenjoin... Creio que nos entendemos ontem... Eu não irei repetir meus erros, porém...

    — Eu adoro seus poréns. Ganha sempre minha atenção.

    — ... esteja certa que se eu encontrar o traidor antes que você, e eu vou, isso vai acabar com toda essa sua atitude.

    — O que quer dizer? – Disse, franzindo seu rosto.

    — Seu legado. Seu nome. Sua honra. Você será passada pra trás por mim.

    — Ah então tudo se resume a causar uma boa impressão ao Mayor Zao. Eu estou na dianteira, só pra te avisar.

    — Pode estar... Na verdade você sempre esteve... – Disse Lenzin, dando as costas a Asuka, enquanto saía – ... mas você não é perfeita. Nem ninguém. Eu não vou esperar que você erre, e você vai errar, mas tudo que eu fizer será um acerto meu. Sem dúvidas você não tem poderes contra isso, senhora grã mestra.

    — Lenzin... Sua...

    — Não a estou provocando. Mas o fato é que você não tem poder sobre minha competência. E eu sou bem capaz. Você sabe disso. Com licença...

    Dessa vez Lenzin colocou Asuka em seu debido lugar, mas ainda havia tempo para uma última conversa. Com a panda guardiã quase saindo, Asuka diz:

    — A propósito, Lenzin...

    — Hm? O que quer? – Disse, só virando sua cabeça.

    — Você... não está convidada para a Festa.

    O olhar compenetrado de Lenzin dizia bem sua ira com Asuka. Era quase como uma chamada para a guerra, mas a guardiã não se rendeu a isso e, continuando a caminhar, diz:

    — Tenham uma boa festa... Trabalho melhor sozinha... e sem máscaras.

    Pelo visto as intrigas não acabaram e Av troca de farpas não parecia ter fim tão cedo.

    Voltando ao pátio, com Asuka colocando novamente seu uniforme casual, no mesmo instante recebeu um comunicado.

    — Senhora grã mestra.

    — Oh! Pode falar, Falmzinho.

    — Senhora, tivemos uns imprevistos na Agência...

    — O que aconteceu?

    — Nossos convidados... Eles...

    — Hã? O que houve?

    — Todos eles se envolveram em confusões!

    — NANI?! OwO””””

    Encrenca a vista pelo visto...

    Continua.


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