The Last A: O Último Anis

Tempo estimado de leitura: 60 minutos

    14
    Capítulos:

    Capítulo 3

    (Re)Começando no colégio

    Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência

    Jason retorna a seu antigo colégio.

    Hospital da cidade, 10:00 pm

    Azika e Iamiko, que encontraram Jason caído no Jardim da casa e o levaram ao hospital, esperavam ao lado do quarto onde o jovem estava repousando. Momentos depois, Jason começa a recobrar a consciência. Ao acordar, ele diz:

    — Ah... o que aconteceu?

    Logo a médica que acompanhava seu estado diz:

    — Calma, Jason. Está tudo bem.

    — Quem é você?

    — Sou a médica que cuidou de você.

    — Cuidou de mim? O que houve?

    — Você foi atingido pela eletrostática de um raio. É normal as pessoas sentirem formigamento e desorientação quando sofrem esse tipo de acidente. Só que o seu foi tão intenso que o fez desmaiar.

    — Mas e como estou?

    — Está tudo bem. Todos os exames deram tudo certo. Só foi um susto.

    — E minha tia? Ela está aqui?

    — Sim. Irei chamá-la

    Logo as duas entram no quarto onde Jason repousava. Sua tia, já mais tranquila, diz:

    — Encontramos você desmaiado lá no jardim... Que belo susto nos deu, hein. Ainda bem que nada mais grave aconteceu...

    — Eu... eu estou bem. Mas tudo foi muito estranho... apareceu um cachorro e...

    — Hã? Cachorro? Do que está falando?

    — Tinha um cachorro na casa e ele foi o culpado de eu estar aqui.

    Iamiko, distante e visivelmente constrangida, diz:

    — Eu o adotei.

    Sua mãe, surpresa, diz:

    — Como assim, Iamiko?

    — Já faz quase um ano. Eu o encontrei ferido na floresta e cuidei dele.

    — Eu te avisei que não podemos ter animais de estimação. Você sabe muito bem disso.

    — Eu sei, mas eu não o trouxe pra casa. Eu o cuidava longe, no mesmo lugar onde o encontrei. Só que ele me seguiu e as vezes ele aparece no jardim. Mas ele nunca fez isso antes...

    Jason, mostrando irritação, diz:

    —  Tem mais coisas estranhas nessa história... Ele também sabe falar, não é?

    — O que?

    — Não se faça de idiota, monstrinho. Aquele cachorro sabe falar!

    — JASON, VOCÊ FICOU LOUCO?

    — RESPONDA A PERGUNTA!

    — É CLARO QUE NÃO! COMO UM CACHORRO PODERIA FALAR? ESTÁ LOUCO?

    Logo sua tia toma a palavra, já irritada com a discussão dos dois:

    — Parem com isso, agora! Jason, com certeza você deve estar delirando. A médica mesmo nos avisou que muitas pessoas podem sofrer alucinações e até mesmo delírios quando se recebe uma descarga elétrica como aquela.

    Jason, atônito, reflete um pouco e já se acalmando, diz:

    — Sim... é verdade... me desculpe, Iamiko.

    — O que? Você me pedindo desculpas? Nossa, vai acabar o mundo depois dessa...

    Sua mãe logo chama sua atenção.

    — Iamiko, sem deboche. Ele ainda não se recuperou totalmente.

    — Tudo bem, mãe. Mas já dá pra perceber que ele não está bem.

    Não demora muito e a médica entra no quarto.

    — Bem, você está liberado para ir, rapaz. Todos os seus exames estão normais.

    A sua tia logo interveio:

    — Ele falou delírios ainda a pouco. Isso é normal?

    — Bem, ele tomou uma pequena descarga elétrica e teve sorte de ter sido leve, então isso é normal. É só tomar esses medicamentos preventivos e manter cautela na alimentação e sem maiores problemas.

    — Tudo bem.

    Jason, até então calado, diz:

    — Vamos então. Não gosto de estar em hospitais...

    Depois de receber alta, troca suas roupas e se encontra com sua tia e Iamiko, já o esperando no carro.

    Logo seguem no veículo, voltando pra casa...

    Casa de Jason, 11:30 pm

    Naquela noite fria e chuvosa, Jason estava deitado em sua cama, ouvindo música. Visivelmente confuso e pensativo, refletia sobre o ocorrido:

    — “Aquilo foi mesmo real ou eu realmente fiquei confuso com aquele raio? Aquela voz... era real demais... “

    Não demora muito e o sono o domina, adormecendo o jovem, que possa a dormir.

    A noite segue, assim como a chuva, que caia fraca, porém com fortes ventos e trovoadas.

    No dia seguinte...

    Jason, assim como Iamiko, já devidamente trajados com seus uniformes colegiais, esperam pelo coletivo que os levarão ao colégio. Ela diz:

    — Vê se não paga mico na sala, calouro.

    — Calouro? Quem está no terceiro ano aqui sou eu, ok? Desculpa, tá?

    — Isso não quer dizer nada. Você é novo por lá. Vão tirar com sua cara...

    — Eles não me conhecem...

    Colégio de Aplicação de Yutsuka – 8:00 am

    Apesar de ser uma cidade interiorana, Yutsuka tinha um colégio com modernas instalações e seu tamanho era considerável, com sete prédios interligados entre si, cada um com seu setor específico: hall central, onde ficavam as instalações do corpo docente da instituição e a entrada principal de alunos; Os Quatro Pavilhões, onde ficavam as salas de aula, assim como o grêmio estudantil e os clubes; O ginásio, este sendo o maior dos prédios; e por último a cantina.

    Depois de alguns minutos de viagem, o ônibus chega ao colégio. Mas assim que Jason desce do ônibus, todos os alunos que já se encontravam no hall aguardando a entrada ser liberada, olham para o jovem. No mesmo instante, Iamiko diz:

    — Tá vendo? Eles vão te comer vivo, valentão.

    Jason, com um sorriso no rosto, diz:

    — Que nada. Isso vai ser muito interessante.

    Ele, sem fazer questão de ser discreto, diz gritando:

    — FALA AÍ SEU BANDO DE "PÉLAS"! CHEGUEI PRA CHUTAR BUNDA DE MANÉS!

    Iamiko mal conseguia caminhar tamanho seu constrangimento. A vergonha a consumia de tal forma que tentava acelerar o passo, sendo impedido por Jason, que diz:

    — E muito prazer. Me chamo Jason Hawoen e é um prazer conhecer todos vocês.

    Todos os alunos somente o observava, onde algumas garotas cochichavam sobre o jovem ao fundo do pátio e alguns garotos o olhavam com indiferença. A primeira impressão era de uma guerra de egos e Jason já havia mostrado seu cartão de visitas. A todos que o fitavam, ele simplesmente dizia:

    — Bom dia pra você também, “péla”.

    Iamiko, já recuperada, diz:

    — Seu maluco! Tente de se portar bem.

    — Relaxa. Se alguém tentar te "azucrinar", fala comigo.

    — Ninguém aqui faz essas coisas comigo. Não dou confiança e as pessoas me respeitam. E os meninos me temem.

    — E porque?

    — Continue a me chamar de monstrinho e saberá.

    — Mas eu não te chamei de monstrinho, monstrinho.

    — Não começa. Estamos no colégio.

    — Ok, tudo bem... Bem, onde fica a sala 11B?

    — O terceiro ano fica no quarto andar. Lá você acha a sala.

    — Obrigado, priminha.

    — Não começa...

    Jason então segue até o andar indicado por sua prima. Ao chegar ao lugar certo, o jovem enfim encontra a sala. Mas à porta estava um garoto, o olhando. O mesmo diz:

    — Você se chama Jason , não?

    — Sim. Como sabe?

    — O colégio todo sabe seu nome. Curte ser o falador, não é?

    — Um pouco. Porquê? Isso o incomoda?

    — Na verdade não. Acho divertido até.

    — Entendi. Bem, me dê licença mas estamos aqui na estudar...

    O garoto, surpreso, o acompanha, indo até sua mesa. O professor, ao ver Jason, diz:

    — Olá. É o aluno transferido, não?

    — Sim. Pediram para lhe entregar esse papel.

    — Ah sim. O requerimento. Bom, eu sou o professor Rayabusa. Prazer.

    E se virando para a turma, o professor diz:

    — Bom dia a todos. Este é Jason Hawoen. Ele é um aluno transferido de Tokyo e vai ficar conosco. Por favor o saúdem.

    Os alunos seguem o protocolo e o reverenciam. Logo Jason é convidado a se sentar para o professor dar continuidade a aula. O jovem e acomoda em uma carteira próxima a janela, onde havia uma bela vista do pátio, este com muitas árvores e bancos como de uma praça.

    A aula transcorre tranquilamente...

    Intervalo, 11:45 am

    Jason deixa a sala, sozinho. Apressadamente segue em direção ao pátio principal onde, ao cruzar o corredor que dá acesso ao local de destino, é impedido pelo mesmo garoto que havia conversado antes. Ele, mostrando descontentamento, diz:

    — O que quer, mané? Um autógrafo?

    — Hehe... não. Eu só quero conversar mesmo. A proposito, me chamo Tetsuo Kazumaru, mas pode me chamar de Kazu somente.

    — Você poderia me dar licença? Eu estou mesmo com pressa.

    — Oh me desculpe. Mas posso ajudar em algo?

    — Já que perguntou, conhece alguém chamado Koji Hakiro?

    — Sim, conheço.

    Jason, surpreso, volta suas atenções ao rapaz, e diz:

    — Sério, cara? Por favor, onde o encontro?

    — Bem, ele está no segundo ano, mas já deve estar na cantina. Vamos, te levo lá. Aproveito e como alguma coisa.

    — Segundo ano? Mas ele deveria estar no terceiro como eu.

    — Bem, diante das limitações que ele tem, ele está indo bem.

    — Limitações? Como assim?

    — Sim. Ele está numa...

    E de forma inesperada,  Iamiko aparece entre os dois, dizendo:

    — Vai logo, vacilão. Ele tá lá na cantina.

    Jason, surpreso, retruca:

    — Mas o Kazu iria me dizer que...

    — Vai logo! Senão não vai achar ele. Só temos 30 minutos de lanche.

    — Tudo bem. Tô indo...

    Observando o jovem ir até a cantina, Kazu diz:

    — Porque não deixou eu dizer a ele?

    — Não. Isso é algo que ele deve fazer sozinho.

    — Mas ele pode receber mal a notícia.

    — Ele vai superar. Bem, vá lá e o ajude se precisar, ok?

    — Tudo bem.

    Não demora muito e chegam a cantina, que já estava cheia de alunos. Jason e Kazu logo passam a procurar pelo amigo de Jason. Kazu diz:

    — Bem, ele costuma ficar naquela parte. Aquela ao lado do guichê. Espere, olha ele lá sentado.

    — Sim. Obrigado. Finalmente.

    Jason logo se dirige as pressas até onde seu amigo estava, desviando dos outros alunos que ali estavam e ao se aproximar de seu amigo, seu olhar era de estranheza. Imóvel e quase surtando, diz:

    — Hakiro, é você?

    O jovem estava sentado à uma cadeira de rodas, que olhou para Jason, dizendo:

    — Oi, você me conhece?

    — Claro que sim. Sou eu, o Jason. Eu voltei de Tokyo ontem. Tentei contato com você mas por causa da chuva não consegui. Mas Hakiro, o que aconteceu com você?

    — Desculpe mas não me lembro de você. Mas verdade, eu não me lembro de muita coisa...

    — Mas Hakiro, somos amigos desde criança. Como assim não se lembra de mim?

    Kazu, encontrando Jason depois de pegar um sanduíche, se aproxima dos dois e diz:

    — Ah conseguiu encontrá-lo. E aí, Hakiro. Tudo bem?

    — Tudo, Kazu... seu nome é Kazu, não?

    — Sim, sou.

    Jason mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ele, ainda confuso e transtornado com a situação, diz:

    — Hakiro, o que aconteceu?

    — O que?

    — Com você. Me diga... Iamiko me disse que você sofreu um acidente e...

    — Iamiko? Ela é a garota carateca, não? Eu gosto dela.

    — Hakiro, está me ouvindo bem? Eu perguntei sobre você.

    — Eu não sei. Não sei mesmo.

    — E o acidente?

    Hakiro, visivelmente alterado, começava a movimentar seu dorso para um lado para outro, dizendo:

    — Eu não sei... eu não sei... eu não sei...

    — Hakiro! O que...

    Logo Kazu intervém, puxando Jason para longe de Hakiro, dizendo:

    — Cara, qual é a sua? Tá louco? Deixa o Hakiro em paz!

    — Eu não consigo aceitar essa situação.

    — Qual?

    — Hakiro sempre me ligava, sempre se preocupou comigo. Até mesmo quando eles... até quando passei por situações ruins ele sempre me ajudava e me consolava. Eu simplesmente não aceito isso. Ele sempre me vencia na corrida, na natação, e até mesmo no basquete. Tive que treinar muito para um dia o vencer.

    — Ah então é isso...

    — Queria ao menos saber o que aconteceu...

    Kazu, mudando seu semblante, este mais sério, diz;

    — Ele sofreu mesmo um acidente.

    — Você sabe o que houve?

    — Mais ou menos.

    — Me diga, por favor!

    — Não sei muito mas... soube que ele estava transitando pela floresta da cidade numa noite dessas e o encontraram caído, quase morto. No fim, ficou no hospital por um tempo e quando voltou dizem que ele não era mais o mesmo. Não lembrava de nada e, infelizmente, perdeu os movimentos da cintura pra baixo.

    Jason estava ainda mais atônito depois das palavras de Kazu. Seu olhar estava perdido, tentando uma explicação para o ocorrido, mas em vão. A situação que seu amigo de infância estava trouxe uma profunda tristeza. Kazu comia seu sanduíche enquanto tentava tranquilizar Jason, dizendo:

    — Cara, seu amigo pode estar nesse estado mas ele hoje está bem.

    — Não, ele não está bem. Ele não está nada bem...

    — Só que é necessário alguns cuidados. Eu te livrei de uma, sabia?

    — Como assim? Do que está falando?

    — Todos nós fomos alertados pela direção da escola sobre se portar com o Hakiro. E uma dessas coisas é não lhe fazer perguntas que ele não sabe responder. Tirando isso, esse vai ficar bem. Então, eu te peço que não o incomode com perguntas como as que estava fazendo. Tudo bem?

    — Eu... eu entendo mas... Hakiro... Cara, isso é muito tenso. Ele é o cara mais f*da que existe...

    — Eu sei... Ele era um dos melhores jogadores do time de basquete.

    — Sim, ele me dizia sempre que estavam vencendo todos os jogos, pois os jogadores novos eram muito bons.

    — Bem, quer mudar de assunto ?

    — Serio, Kazu... eu realmente não quero conversar agora...

    — Mas...

    — Por favor. Eu te agradeço por ter me ajudado. Prometo conversar com você, mas hoje não.

    — Eu entendo.

    E quando Jason se vira para voltar para o pátio do colégio, não consegue evitar o choque contra uma estudante. Ele acidentalmente esbarra seu braço na bandeja da jovem, sujando seu uniforme e seu broche, que tinha a forma de uma borboleta. Ele, visivelmente atabalhoado, tenta se desculpar.

    — Olha, me desculpe. Eu...

    E do nada Jason parecia paralisado. Era como estivesse o tempo parado ao seu redor, assim como seu corpo. Ele, pensativo, fiz:

    — *Mas o que é isso? Me sinto estranho, como se estivesse sendo enforcado. Eu não consigo respirar direto. O que é essa sensação? Eu... eu estou quase desmaiando... essa pressão em meu peito... O que é isso?*

    O tempo para Jason ativa-se novamente, com os estudantes olhando para o que havia ocorrido. A jovem estava a sua frente, o olhando nos olhos. Ela tinha cabelos curtos de cor azul, com olhos de cor vermelha e pele levemente pálida. Ela, com uma voz suave, diz:

    — Hoje você vai morrer, humano.

    Continua.


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!