O Mago Das Espadas Livro 1: Aqueles que Buscam seus Sonhos

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    12
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Os Vigias

    Violência

    Sons de picaretas e rochas se quebrando eram ouvidos por toda a extensão da caverna. Homens de diferentes idades batiam nas rochas tentando extrair o minério especial que se escondia nas paredes daquela prisão rochosa. Carros repletos de gemas preciosas eram empurrados por mulheres e crianças. Idosos catavam no chão os cristais que sobravam e jogavam em cestos que carregavam nas costas, tudo que fosse feito de algum minério especial era aproveitado e tudo isso sendo vigiado por homens altos que vestiam túnicas pretas, luvas de couro e chapéus também pretos, mais o que mais chamava atenção neles eram suas mascarras brancas de nariz pontudo e olhos de vidro. Eram mascaras de proteção usadas por médicos e alquimistas para evitarem ser contaminados por alguma moléstia e em suas mãos carregavam lanças de aço que sustentavam luminárias de chamas verdes fosforescentes.

    Os Vigias... como eram chamados.

    Eram responsáveis por vistoria e cuidar da mina e de trabalhos escusos que eram mandados pelos Sábios. Ninguém sabe quem são e de onde vieram, só se sabe que quem os desobedece são severamente punidos!

    – Continuem trabalhando! – Brada um dos vigias que passava pelos operários. – O barco sai em três horas, temos que terminar o carregamento até lá, quem não conseguir cumprir o prazo... a sala verde os espera!

    A mera menção daquela sala causou um pânico generalizado e todos começaram a trabalhar mais rápido e com intensidade. Medo exalava de seus olhos enquanto eram forçados a trabalhar.

    Todos que estavam lá sem exceção tinham chagas e feridas pelo corpo, uma condição miserável que os Sábios impuseram ao povo de Anna que por sinal já estava às portas da mina!

    – Chegamos Ruby! – Diz a princesa para sua amiguinha que sai da mochila. Seus olhinhos vermelhos olham para a entrada e ela responde com muita sinceridade.

    – Não vou entra ai não! – E se esconde de volta na mochila.

    – Ruby! – Exclama Anna abrindo sua mochila e olhando lá pra dentro.

    – Nem vem Anna, isso aí tá com cara de casa dos horrores, vai que aparece um monstro e quer me devorar, eu já tenho trauma de ser perseguida por uma criatura rosa redonda, não quero ser perseguida por outra!

    A princesa respira fundo.

    – Ruby, eu sei que essa caverna da medo, mas se quisermos sair do reino e encontrarmos minha irmãzinha temos que arriscar!

    A pequenina ergue o focinho e olha para sua amiga.

    – Você não tá com medo?

    Um sorriso fraco surge no rosto da princesa que responde:

    – Apavorada!    

    – Então?

    – Mesmo assim, eu preciso tentar por que se não... nada vai mudar.

    Os olhos da gatinha se arregalam em espanto.

    – Anna...

    – Aquelas pessoas doentes, não... o povo todo de Arendelle está sofrendo devido a inercia do meu pai, ou melhor do rei! – Ela fecha os olhos. – Não posso ficar parada e deixa meu povo morrer! – E se levanta. – Eu vou entrar nessa mina, encontrar o barco e sair a procura da minha irmã. Você vem comigo, ou não Ruby?

    A gatinha alada fecha os olhos.

    – Nada do que eu te disser vai fazer você mudar de ideia, né?

    – Nadinha! – Responde Anna.

    – Aff... então não tem jeito. – Se espreme e sai da mochila. – Eu vou com você... afinal sou sua mini babá e você estaria perdida sem mim! – Exclama a gatinha alada convencida fazendo Anna sorri.

    – Verdade, agora vamos?

    – Vamos! – Responde Ruby de prontidão e ambas as meninas adentram a caverna.

    De início só a escuridão as acompanhava, nenhuma tocha ou lamparina pra as guiar naquele imenso mar de trevas.

    – Não consigo ver nada! – Exclama a princesa.

    – Deixa comigo! – Exclama a gatinha alada que encolhe o corpo, infla as bochechas e assopra, no entanto, o que sai não foi vento e sim um pequeno jato de...

    – FOGO!!! – Exclama a menina espantada.

    O pequeno jato de fogo durou só alguns segundos, tempo em que Ruby conseguiu manter o sopro até ficar sem folego e a duas serem encobertas novamente pelas trevas. 

    – Ufa! Isso cansa. – Diz a gatinha recuperando o folego.

    – Ruby... desde quando você faz isso?! – Pergunta a princesa incrédula com o que viu sua amiguinha fazer.

    E a resposta foi:

    – Deis de sempre! Lembra daquela vez que você derrubou uma vela no quarto?

    Anna coça a bochecha esquerda.

    – Eu lembro vagamente... acho que eu estava dormindo.

    – Isso, isso! E que quase colocou fogo no quarto todo... então sabe... não foi você... fui euzinha!

    – QUÊ?! – Brada a princesa perplexa.

    – Foi um pequeno acidente, eu estava roncando e por descuido cuspi uma pequena chaminha que se alastrou pela cortina quase incendiando o quarto todo. – Diz a gatinha com simplicidade. – Aí, acabei botando a culpa em você... desculpa tá!

    Mesmo naquelas trevas a gatinha alada pode sentir os olhos fulminantes da princesa e o poderoso cascudo que ela tomou na cabeça a fazendo cair no chão onde um galinho se formou. Depois sem dizer uma só parava Anna pega a gatinha, a coloca sobre seu braço, segura sua cauda e começa a gira-la como uma manivela a fazendo cuspir fogo automaticamente!

    – Pronto! Isqueiro Ruby funcionando, agora posso continuar!

    – Isso doiiiiiii!!!! – Exclama Ruby entre as pequenas cuspidas de fogo!

    – Quem mandou botar fogo no meu quarto, hein? Levei dez palmadas no bumbum por sua causa sua mini incendiária, agora aguenta!!! – E a pequena não pode dizer um aí, apenas servir de isqueiro para a princesa que seguia seu caminho.

    Andava com cuidado pelo lugar para não chamar a atenção e quando sentiu seu pé tocar em algo de metal olhou para baixo e viu que eram trilhos de ferro.

    – Devem ser para carregara e transportar o mineiro extraído.

    Olhou em volta e decidiu seguir os trilhos. Dez minutos depois a princesa chegava a uma área onde já haviam tochas, todas de cor verde e isso fez seu sangue gelar.

    – As chamas verdes... – Parou de girar a cauda de Ruby que estava com a linguinha de fora e com os olhos em espiral. – Acho que exagerei na cusparada de fogo dela. – Com cuidado a coloca sua amiguinha dentro da mochila e prossegue.

    A cada passo o som de algo se chocando ficava mais alto, a cada passo vários pontos brilhantes enfeitavam as paredes e a cada a passo seu medo aumentava e ao virar uma curva já podia ouvir vozes ameaçadoras gritando:

    – Mais rápido! Continuem seus molengas!!!

    O coração da princesa batia acelerado, com cuidado olha para o local de onde vinha as vozes e os sons de batidas de metal se colidindo. E seus olhos nunca esqueceria o que viu...

    Homens de várias idades vestindo trapos, usando picaretas e outras ferramentas para extrair as gemas que ficavam nas rochas, mulheres e crianças empurrando carrinhos muito pesados por sinal, todos sem exceção tinham feridas pelo corpo igual as pessoas da vila, mas o que mais lhe assustou foram os homens de preto com mascaras pontudas e olhos de vidro, carregavam lanças de ferro onde lamparinas de fogo verde estavam penduradas em suas pontas. Anna não conseguia ver seus olhos, mas passavam a sensação que podiam ver tudo!

    – Pela Deusa...

    Eram quatro, dois andavam em meio as pessoas que retiravam as gemas das paredes e dois que vistoriavam os carinhos de ferro que passavam por outro túnel. Se moviam com frequência e olhavam a todos, pareciam aves de rapina prontas a ataca qualquer um.

    – Como vou passar por essas “coisas”? – Se pergunta a princesa. – Não sei lutar e nem usar magia e a Ruby tá sem gás! – Olha para dentro da mochila onde a gatinha estava apagada. – Tem que ter um jeito de passar, mas como...

    Foi então que a pequena princesa olhou para a frente e viu uma picareta, depois olhou para os trabalhadores, que além dos machucados estavam sujos de terra e fuligem e uma lamparina brilhou em sua cabeça.

    –Já sei!

    Rapidamente a princesa pega a picareta a colocando de lado, se deita no chão e começar a rolar se sujando toda. Passa fuligem no rosto escondendo suas pequenas sardas e por fim estava toda suja como os trabalhadores.

    – Espero que não reparem em mais uma trabalhadora! – Encosta sua mochila com Ruby dentro entre algumas pedras, a abre e diz; – Ruby fica quietinha ai que eu já volto pra te buscar, tá?

    A gatinha meneia a cabeça meio zonza sem responde, então a pequena princesa pega a picareta a colocar nos ombros e diz:

    – Seja o que a Deusa quiser! – E sai da curva com cuidado se metendo entre os trabalhadores que batiam nas paredes com as picaretas os imitando. – Tô batendo nas paredes, tirando joia pros outros e sem ficar com nada! – Diz a princesa cantarolando.

    Os trabalhadores nem a perceberam, afinal quem perceberia em mais uma criança maltrapilha trabalhando. Com cuidado Anna batia nas pedras meio sem jeito, em uma dessas batidas sentiu suas mãos arderem.

    – Aí! – Parou de bater viu que suas mãozinhas estavam criando bolhas. – Isso dói! – Gemeu a princesa segurando o choro.

    – Quem mandou você parar?

    Anna congelou, sentiu seu ar acabar, se virou lentamente e viu uma veste negra a sua frente, ergueu o rosto e seus olhos turquesas se encontraram com os de vidro de um dos mascarados.

    – Perguntei quem mandou você parar fedelha?

    A princesa não conseguiu responder, seu corpo inteiro tremia e piorou quando o homem aproximou a ponta de baixo de sua lança que tinha uma forma semicircular que se encaixava perfeitamente no pescoço dela. Anna sentiu o aço se forçado contra eu pequeno pescoço e seu corpo ser pressionado para trás.

    – AÍ! – Grita a princesa de dor pela pancada nas costas e pelo aço pressionando seu pescoço. – Para... por favor! – Implora a princesa que chega a ficar com os pés fora do chão, até que o mascarado remove a lança e ela cai no chão tossindo.

    – Escute aqui mocinha. – O homem se agacha e agarra os cabelos de Anna a forçando a olhar para ele. – Aqui não tem corpo mole! – Olha para sua pele. – Vejo que é nova, afinal não tem nenhuma marca no corpo, o que ouve? Foi perdida em uma aposta ou trocada por comida?

    A princesa não respondeu, fechou os olhos e segurou a mão do homem, lágrimas escorriam por sua face enquanto tentava não gritar o que era difícil.

    – Hunf, não importa. – A larga no chão. – Logo seu passado será esquecido e só a escuridão destas pedras serão seu lar... agora de pé e de volta ao trabalho!

    Anna respirava fundo, não ergue o rosto e apenas disse fraco.

    – Sim... sim senhor. – E com dificuldade pega a picareta e volta a bater nas pedras suportando a dor das bolhas que estouravam e do sangue que escorria pela madeira.

    “Deusa Althena... me de forças!”

    Infelizmente o restante do dia foi ainda pior.

    A princesa acostumada com o luxo e regalias se viu forçada a bater nas rochas por horas sem descanso e sem água. Depois teve que se juntar a outras crianças que catavam pedaços de gemas no chão as jogando em carrinhos que prosseguiam até outro túnel. Olhava regularmente para os homens de preto que fiscalizavam tudo, não portavam chicotes, afinal tendo aquelas lanças nem precisavam. Sentia-se humilhada, cansada e machucada. Ajudou os outros trabalhadores não se sabe por quanto tempo, chorava baixo para que não a ouvissem, tinha que aguentar, tinha que ser forte, só assim teria uma chance de achar o porto secreto que as pessoas do píer falaram, mas por quanto tempo iria aguentar aquilo?

    Olhou em volta e viu as pessoas sofrendo, todos sendo forçados a trabalhar assim como ela, mas há muito mais tempo. Mulheres que um dia já foram belas, todas sujas e com aquelas terríveis feridas pelo corpo, crianças como ela que deveriam estar brincando estavam com as mãos calejadas de tanto trabalho e pior... seus olhos que deveriam exalar esperança estavam sem brilho. Anna fechou os olhos não aguentando ver aquilo, seu povo estava sendo feito de escravo e ninguém fazia nada, será que Elsa sabia disso? Se sabia por que não fez nada?

    A princesa balança a cabeça afastando aquela ideia, sua irmã nunca permitiria algo daquela natureza, só havia uma explicação, ela também não sabia do que acontecia em seu reino e isso lhe dava mais forças para encontrá-la!

    Depois de horas trabalhando Anna teve que empurrar os pesados carinhos junto com outras crianças pelo túnel desconhecido. Era muito pesado e o túnel era estreito e pequeno, por isso só crianças eram usados para empurrá-los. Uma menina caiu ao seu lado e antes que um dos mascarados visse a princesa a colocou de pé dizendo:

    – Aguenta, falta pouco!

    A menina encarou a princesa com surpresa. Ela tinha uma grande ferida em seu rosto e seus olhos azuis estavam sem brilho, ela meneou a cabeça e embolsou um sorriso, ou tentou. 

    – Obrigada...

    Em resposta a princesa sorri respondendo:

    – O prazer foi meu.

    – Você... é nova aqui.

    – Sou sim. – Responde a princesa a menina. – Como sabe?

    E aponta para suas feridas.

    – Você não tem feridas... todos aqui têm, então foi fácil saber.

    Anna abaixou a cabeça, aquilo era horrível, era pior do que ouviu das pessoas do porto. Junto com a menina que ajudou e outras crianças empurraram o carrinho até seu destino, quando chegou ao fim viu onde estava e seus olhos se iluminaram.

    Estava em outra caverna bem mais ampla, era húmida, fria e podia sentir a maresia do mar que cobria parte da caverna. Mais a frente pode ver o que ela tanto buscava. Flutuando na água rasa três embarcações de tamanho mediano estavam dispostas uma ao lado da outra, esses diferentes do píer estavam inteiros e prontos para zarpar. Ali estava seu objetivo e não conseguiu conter as lágrimas que começavam a cair.

    “Eu consegui!”

    – Ei! Não parem, continuem empurrando! – Brada um homem com cara feia e de tapa olho. Parecia o cão chupando manga, mas por incrível que apreça ele não tinha chagas ou feridas.

    “Estranho, por que será que eles não têm feridas pelo corpo?”

    Aprincesa e as outras crianças empurrão o carrinho até o final dos trilhos parando próximo de uma das embarcações, outros homens feios e mal-encarados se aproximaram e começaram a recolher as gemas as colocando em sacos grossos de cor marrom. A princesa por sua vez ergue os olhos e viu que uma bandeira em forma de caveira tremulava no mastro mais alto de uma das embarcações. Foi então que ela compreendeu de imediato quem eram aqueles homens. 

    “Piratas!”

    Pensou a princesa.

    Ela estava certa, com a destruição do porto, os Sábios contrataram corsários para transportar suas mercadorias, já que conheciam rotas secretas e podiam negociar no mercado negro. Os navios partiam para três reinos diferentes... A Ilhas do Sul, Berk e Zarnakard.

    Os olhos da princesa tremeram, estava preocupada, como ela conseguiria embarcar com tantos homens em volta.

    “Isso não é bom, como vou subir a bordo.”

    Olha em volta.

    “Se eu conseguisse criar uma distração...”

     Foi então que quando a pequena princesa pensava...

    – PEGUEM ELA!!!

    Um grito do outro lado da mina ecoa nos ouvidos da princesa. As crianças e os piratas se viram para a passagem e o que viram foi nada mais nada menos que uma pequena gatinha rosa voando a toda velocidade com uma mochila entre as patas e gritando:

    – ASSAS PRA QUE TE QUERO!!!!

    – Ruby!!! – Exclama a princesa vendo sua amiguinha entrar no porto secreto e logo atrás um dos homens de mascaras que tinha suas vestes chamuscadas.

    – Peguem essa pestinha, ela solta fogo pela boca!

    Os piratas ouviram aquilo, pararam o serviço e olharam para Ruby.

    Um silencio assustador se fez presente enquanto os piratas encaravam a gatinha até que...

    – Bicho alado que voa...

    – Exótico e solta fogo...

    – DINHEIRO!!!

    Os olhos dos piratas brilharam e sorrisos maquiavélicos surgiram em suas faces e a gatinha alada sentiu um calafrio passar por sua pequena espinha.

    – Será que não existe ninguém neste mundo que não queira meu lindo courinho?! – Pergunta a gatinha chorosa enquanto os piratas começam a jogar cordas nela, pedras, panelas até os anões da tripulação para tentar pega-la.

    Aproveitando a distração que Ruby causou a pequena princesa se afasta das outras crianças e sem ser percebida se esconde atrás de alguns barris. Olha entre eles e vê que um dos barcos ficou sem vigia.

    “É agora ou nunca!”

    E corre a toda velocidade subindo no barco mais próximo que já começava a partir. Vai até a ponta de trás do navio e grita para sua amiguinha:

    – RUBY VEM!!!

    A gatinha alada ouviu seu nome e viu sua amiga acenando de dentro de um dos barcos, sorriu e disse:

    – Até mais otarios!!!! – E voa em direção a Anna que abre os braços recebendo sua amiguinha de prontidão, porém a pequenina não conseguiu frear a tempo e acaba derrubando a princesa no chão.

    – Aí, essa doeu...

    – Hi, hi desculpa!

    Ambas se olham e sorriem.

    – Nós conseguimos? – Pergunta a gatinha.

    – Conseguimos! – Responde Anna abraçando sua amiga. – Nós conseguimos Ruby, conseguimos!

    Anna chorava de emoção, por um minuto achou que não conseguiriam, mas por intermédio de sua amiguinha alada, ambas conseguiram embarcar no navio.

    – Mas o que aconteceu lá do outro lado da mina? – Pergunta a princesa.

    – Bom... lembra que você me deixou escondida?

    – Uh-uh.

    – Então, um dos mascarados achou sua mochila, abriu e me viu, então usando meus extintos felinos e alados taquei fogo nele chamando a atenção de todos, então peguei sua mochila e voei que nem doida pra cá. Sorte minha que você já estava neste lado da mina. – Explica Ruby sorridente.

    – Não teve nada de sorte Ruby, foi o destino isso sim! – Responde Anna emocionada abraçando sua amiguinha que notou suas mãos machucadas.

    – Suas mãos?

    – Ah... não foi nada! – Esconde as mãos para trás. – Agora temos que mover esse navio, espero que seja fácil.

    – Duvido muito disso, mais o que custa tentar, né?

    – Isso mesmo! – Responde Anna se levantando, olha para trás e vê os piratas gritando, isso já era de se esperar, mas ao ver a menina que ela ajudou mexer as mãos desesperada apontando para a esquerda lhe deixou confusa. Seguiu sua indicação e viu apenas um vulto correr entre as pedras da caverna e depois sumir. De imediato ela não entendeu o que era aquilo, mas ao sentir alguém cair atrás de si foi que ela entendeu.

    – Aonde pensa que vai... mocinha?!

    Reconheceu aquela voz de imediato, a mesma do mascarado que a atacou e se virou lentamente vendo-o diante dela e de Ruby, suas roupas estavam chamuscadas, agora sabia quem Ruby havia atacado.

    – Não! – Ela recua alguns passos. – Como você?

    – Há, foi fácil pular as pedras e chegar até aqui, você subestimou nossas habilidades... Anna!

    Os olhos turquesa da princesa se arregalaram ao ouvir o mascarado proferir seu nome.

    – C-COMO?!

    – Anna ele sabe seu nome!!!

    O mascarado da mais alguns passos fazendo a princesa recuar ainda mais.

    – É claro que sabemos! As notícias de que você fugiu do castelo chegaram até aqui, inclusive que sobreviveu ao ataque dos nossos lobos!

    – O que? – Anna não conseguia acreditar no que ouviu. – N-N-N-Não... Não pode ser, aqueles lobos eram...

    – Criados em cativeiro para caçar escravos fujões, mas as vezes os soltamos para limpar sujeiras desagradáveis se é que me entende?

    A princesa leva as mãos a boca, achou que tinha sido vítima de uma fatalidade, mas não, ela tinha sido vítima de um...

    – Atentado...

    – Isso mesmo... princesinha! – E sem pestanejar acerta um chute no estomago da princesa que vai ao chão.

    – Arrgggg!!!

    – Seu covarde!!! – Brada Ruby que avança para proteger sua amiga, mas ao invés disso recebe um soco do mascarado que a faz cair no convés do navio.

    – Criaturazinha irritante! – Brada o mascarado que se dirige aonde Anna esta ajoelhada.

    A princesa tossia forte após o golpe do mascarado, chegando a sair sangue em algumas tossidas.

    – Está doendo? – Pergunta o mascarado com cinismo.

    A resposta foi um gemido de dor da princesa que sente seus cabelos serem puxados e seu corpo se erguido do chão.

    – Aaaahhhhhhh!!!! – Anna geme de dor ao ser erguida a força, tentava segurara a mão do homem, afim de se livrar daquele suplicio, mas era inútil, ele era muito mais forte do que ela. – Por favor... me solta!!! – Implora a menina. – Eu sou a princesa de Arendelle, se os cavaleiros descobrirem o que vocês estão fazendo aqui... ARRRRGGGGG!!!

    Anna não conseguiu terminar sua frase, pois o mascarado pegou seu braço esquerdo e num movimento rápido torceu o frágil braço da menina.

    Lágrimas de desespero caiam sem parar de seus olhos turquesas, seus estomago doía e não conseguia sentir seu braço e pior viu o porto se aproximando, estavam voltando para mina.

    – Mal posso esperar para chegarmos e você receber seu devido castigo!

    – O QUÊ?! – Brada apavorada a princesa.

    – Ora, achou que isso que te fiz foi seu castigo? Não, você vai sofrer bem mais querida, vai servir de exemplo para todos, isso eu posso garantir!      

    O desespero tomou conta da princesa que se sacode tentando se libertar, foi então que percebeu que o mascarado carregava uma faca na cintura. Lembrou de quando seus amigos cavaleiros a ensinaram a usar uma faca para se defender, mas o resultado foi desastroso! Por que ela errava os alvos e acertava seus amigos por acidente.

    – Eu preciso... pegar...

    Estica sua mão direita lentamente, suportando a dor de seus cabelos serem puxados, estava quase a pegando quando sentiu a mão grossa do mascarado segura sua mão.

    – Boa tentativa, mas... AAAAARRRRRGGGGG!!!! – O mascarado não conseguiu terminar a frase pois uma pequena e valente gatinha avançou sobre seu pescoço o abocanhando com toda a sua força.

    – DEIXA ELA EM PAZ!!! – Gritava Ruby enquanto mordia o homem que soltou a mão de Anna e começou a puxar a gatinha, isso foi o tempo necessário para ela agir.

    Fechando os olhos Anna pegou a faca e sem jeito nenhum a brandiu sobre sua cabeça, um urro de dor ecoou pela caverna encanto a princesa caia no chão do navio, um grande tufo de seu cabelo cair junto de si ao lado de cinco dedos decepados.

    O mascarado se ajoelhou segurando a mão sem dedos, Ruby aproveitou e largou o homem voando até a princesa.

    – Belo golpe Anna!

    – Na verdade... foi sem querer! – Responde a menina com a faca ainda na mão direita. – Vem precisamos ir! – Exclama a princesa se levantando e correndo, seu braço esquerdo doendo muito, lágrimas ainda caindo de seus olhos turquesas, seu cabelo trançado agora estava cortado e sujo de sangue, mas ela não se importava, não quando a esperança de sair de lá estava tão perto.

    Viu a luz do dia atravessar a entrada da caverna como se a chamasse, ergueu sua mão tentando tocar, mas não conseguiu...

    Um estampido foi ouvido e a pobre princesa sentiu algo grosso e metálico a travessar sua coxa direita.

    Seus olhos perderam o brilho, o sangue vertia da ferida, uma marca fumegante de uma bala de prata que atravessou aperna da menina queimava a madeira do barco. Logo atrás o mascarado com sua mão esquerda empunhava uma arma de cano logo que fumegava.

    – Não pense... que vai fugir... SUA PIRRALHA!!! – Brada o homem que tinha sua mão direita vertendo sangrando.  

    Aos poucos o corpo de Anna se encolhe, toca na ferida e foi então que ela gritou. Um grito que ecoou do fundo de sua alma, a princesa havia sido alvejada.

    – ANNNAAAAA!!!! – A gatinha alada sobrevoa sua amiga que cai em prantos no chão segurando sua coxa direita, sentia uma dor excruciante.

    – AAAAAIIIIIIIIII RUBY, TÁ DOENDO!!! – Grita aos prantos.

    A mini baba, olha o local da ferida, havia um buraco na cocha de sua amiga e muito sangue jorrava da ferida.

    “Tenho que fazer algo!!!”

    Foi então que se agachou perto da perna da menina, fechou os olhinhos e lagrimas douradas começaram a escorrer de suas bochechas peludas.

    As gotas douras caiam na ferida da princesa e aos poucos o sangramento diminuía.

    – Ruby.... você...

    – Fica quietinha... deixe que eu chore por você, se for para aliviar sua dor, posso chorar o dia todo!

    – Ruby...

    – SUA PESTINHA!!! – A voz do mascarado se impôs, largou a arma e pegou sua lança e avançou contra as duas. – Pro Abismo com você sua gata maldita!

    Ruby parou de derramar suas lágrimas sobre o ferimento de Anna, se virou, abriu as assas e foi de encontro ao homem.

    – Você não vai... TOCAR NELA!!!– Brada a gatinha que abre sua boca e uma torrente de chamas irrompe de sua pequena boca.

    – Dessa vez não!!! – O mascarado ergue sua lança que carregava uma lanterna verde, que a coloca na frente das chamas de Ruby as aparando.

    A gatinha alada ficou por vários minutos jogando seu fogo contra o homem, mas ela era muito nova ainda e aos poucos suas chamas foram se apagando até serem completamente extintas.

    – Aff... Afff... – A gatinha fica sem folego e mal consegue se manter no ar.

    – Ruby!!! – Anna chama sua amiguinha que sorri, um sorriso diferente do que ela sempre mostra um sorriso de...

    – Adeus Anna...

    Os olhos turquesa da princesa se arregalam, o mascarado empunha sua lança em direção a gatinha, as chamas verdes de sua lanterna se espalham por toda a arma que grita:

    – PHANTON FLARE!!!

    As chamas verdes irrompem da lança e acertam a gatinha em cheio! Seu pequeno corpo é coberto pelas chamas que a faz ser lançada longe indo em direção ao mar. O pequeno laço amarelo que Anna havia lhe dado cai chamuscado a sua frente. Seus pequenos olhos assistem o pequeno corpo de sua amiga cair para fora da embarcação e afundar do mar.

    A princesa estica sua mão recolhendo o pequeno laço de sua amiguinha um filme em câmera lenta passa em sua cabeça, momentos de quando estavam juntas, momentos de felicidade que se apagaram pela chama nefasta daquele homem.

    – Não... Não.... NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!!!!

    O coração da princesa fica em pedaços, já havia perdido sua mãe, sua irmã estava afastada e agora sua mais leal amiga havia sido...

    – RUBYYYY!!! – Grita em prantos a princesa, ela se arrasta até a borda da embarcação deixando uma trilha de sangue, se ergue com dificuldade e estica sua mão para o mar. – Minha amiga.... volta, por favor, não me deixa sozinha!!!

    – Tarde demais pirralha, ela se foi! – Rosna o mascarado. – Ela teve o que merecia por ter me atacado e você! – O homem brandiu sua lança e com o arco de metal na ponta pressiona o pescoço de Anna contra a embarcação.

    – AAAAHHHHHH!!! – Lágrimas de pânico brotavam dos olhos da cor do mar da princesa que encara o mascarado.

    – Você vai se arrepender amargamente por ter me ferido mocinha!!!

    E deixando a princesa presa pela lança o homem avança e em pânico ela grita por aquela que sempre amou e quis estar...

    –ELSAAAA!!!

    Bem longe dali na ilha de Burg.

    – ANNA!!! – A princesa mais velha de Arendelle acordara, estava deitada sobre um colchão simples e sobre seu corpo um modesto cobertor. Cortesia do povo de Burg que os acolheu após o incidente com o mago das trevas. – Por Althena que sonho horrível...

    – Elsa... – Uma vozinha chama a princesa que vira o rosto e vê o pequeno gato alado branco entrar no quarto.

    – Nall.

    – Ouvi você gritando e vim ver o que aconteceu, tá tudo bem? – Pergunta o pequenino.

    A princesa por sua vez respira fundo removendo alguns fios platinados de sua fronte.

    – Tive um pesadelo.

    – Oh! – O pequenino se aproxima. – E foi muito ruim?

    Elsa apenas meneia a cabeça em confirmação, não conseguia dizer o que viu, pois foi assustador.

    O pequenino percebendo a angustia da princesa e vai até ela, sobe em seu colo, se ergue e lambe seu queixo. 

    – Nall...

    – Vai ficar tudo bem, estou aqui com você!

    Um sorriso cresce no rosto da princesa que acaricia a cabecinha do pequeno amigo. Depois se deita novamente se cobrindo tendo a companhia do gato alado que se aninha ao seu lado, mas a imagem de sua irmã sofrendo não lhe saia da cabeça.

    “Anna... por favor... esteja bem...”

    Infelizmente as preces de Elsa não podiam ser atendidas...

    Na caverna, o barco ancorava no porto de pedra. O mascarado descia do barco carregando a pequena princesa desacorda, um grande hematoma preenchia sua face esquerda mostrando que levará uma forte pancada a deixando desacordada. Os piratas deram passagem ao mascarado que jogou Anna no chão, andou até um carrinho e pegou uma corrente, voltou e amarrou seus pulsos e começou a caminha arrastando a pequena princesa pelo chão da mina. Ninguém se atrevia a dizer uma só palavra, apenas assistiam o mórbido show.

    Depois de passar pela passagem voltou a parte interna da mina onde os trabalhadores pararam seus afazeres e assistiam atônitos aquela cena deplorável.

    O vigia percebeu todos os olhos que o viam e aproveitou.

    – Que isso seja um aviso para todos vocês!!! – Ergue Anna do chão. – Não importa quem seja, criança ou velho, quem tentar fugir... – A joga no chão e pisa em suas costas causando um gemido de dor na princesa. – Sofrerá as terríveis consequências de seus atos! – Olha para a menina a seus pés e completa. – Hora de ser marcada... Anna! – E volta a arrastar a princesa até uma sala de porta verde que abre com um chute.

    A temida sala verde...


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