ANUON 9999

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    Capítulo 24

    A Herança - Parte 1

    Violência

    Existe algo muito errado acontecendo... Ou algo que aconteceu e ninguém está sabendo...

    odos ficaram surpresos e assustados  com o que viram: a suposta mãe de Maeti era uma raposa antropomórfica de pelugem púrpura e longos cabelos castanhos. Trajava um elegante kimono maki, como a de uma sacerdotisa. Anuon, talvez a mais impressionada, balançava a cabeça de forma negativa, não acreditando no que estava vendo. Ethan logo diz:

    — Minha nossa... Mas... Anuon, você conheçe ela? Mas o que está acontecendo aqui? Cara, que tenso...

    — GALERA, QUE PARADA É ESSA? ISSO É VERDADE? SERÁ UM PESADELO? ME BELISQUEM! - Disse Ryoga, desesperado.

    — Por tudo que é mais sagrado, o que está acontecendo aqui e... Onde está minha tia? Ethan, minha nossa... Piece 1 deve star por trás disso. Vamos sair daqui! - Disse Kaede, transtornada.

    E os três jovens até tentavam mesmo fugirem mas são impedidos por Maeti, que diz:

    — Esperem! Por que correm?

    — Você também deve fazer parte, não é? Fique longe da gente! Anuon! - Disse Ethan, ficando longe de Maeti.

    — Mas porque vocês estão assim tão alterados? Não iremos fazer mal algum a vocês, eu prometo!

    — Não, fique longe da gente! Deve ser um dos planos de Piece 1! Nunca iremos cair, pra que você saiba! - Disse Kaede, pegando uma Boken (espada de madeira) que estava em uma bainha no Dojoh 

    — QUE PESADELO É ESSE? DE QUE ESTÃO FALANDO? SOCORRO! - Ryoga não sabia mesmo o que fazer.

    As coisas estavam complicadas. Os jovens estavam com medo de fato. E Maeti não conseguia acalmá-los de forma alguma. E Anuon, já mais contida, caminha em direção a raposa antropomórfica dizendo:

    — Então nos encontramos de novo... Kitsune 0.2 (Leia-se zero two).

    — Sim... E não esperava que fosse em um lugar e momento como esse... Tudo bem, Anuon?

    Kitsune tinha um olhar calmo e sereno, talvez até mais evidente que de seu filho. Seus olhos verdes esmeralda pareciam brilhar com o tremular das chamas das velas de incenso que perfumavam o Dojoh. Kitsune então diz a Anuon:

    — Como conseguiu me reconhecer? Eu, como pode ver, mudei muito...

    — Seu cheiro ainda é o mesmo e foi isso que a denunciou.

    — Realmente Piece 1 a treinou muito bem... Faz muito tempo, Anuon... Um longo período que nos afastou...

    — Sim, mas deixemos de conversa. O que você e Piece 1 estão tramando?

    — Absolutamente nada...

    — O que? lembro-me que você tinha até afeição por ele...

    — As coisas mudaram deveras, Anuon... 

    — Como assim?

    — Depois que vim para Kyoto, eu comecei a ver as coisas de uma forma diferente, que Piece 1 detestaria em saber...

    — O que aconteceu? Reparei que até seus olhos mudaram.

    — É uma longa história, mas primerio tenho que receber os visitantes.

    — Não os machuque! Eles nada tem com isso! - Disse a felina, mostrando os dentes.

    — Anuon, porque a sua hostilidade? Não penso em lhes fazer mal algum e nem a você.

    — Não entendo você! Está diferente... Não é de seu feitio conversar dessa forma com ninguém... O que está acontecendo, Kitsune?

    — Anuon... deixe-me explicar tudo mais tarde, por favor. Eu lhe peço. Eu preciso mesmo receber nossos visitantes de forma adequada.

    — Porque? Já disse que eles não tem nada com isso!

    — Anuon, confie em mim... Por favor.

    — Como posso confiar? Você tinha uma estima muito grande por Piece 1...

    — Eu... Eu o... Odeio... E não me orgulho de ter esse pensamento negativo a alguém... - Disse Kitsune, abaixando sua cabeça e fechando os olhos em seguida.

    Depois o que disse Kitsune, Ethan e Kaede, que ainda estavam sendo impedidos de passar por Maeti, param de tentar sair e olham para Kitsune. Kaede, surpresa ao ouvir as palavras de Kitsune, diz:

    — Ethan, ela...

    — Eu ouvi, Kaede! Mas custo a acreditar!

    Sabendo que tinham muitos segredos a serem descobertos, e a dúvida só aumentava, voltam para dentro do quarto onde estava a raposa. Ryoga, que estava medindo forças com Maeti, também recua e diz:

    — Ei... vocês! Não vão sair daqui não, é? Eu não dou conta desse cara sozinho não! Vocês viram o que ele fez com os morcegões?

    — Ryoga, pare de fazer isso! Precisamos dar a eles uma chance. Está tudo bem, eu acho... Venha!

    — Ih, cara! Você com essa história... PÔ, O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? 

    — Tenha modos, Ryoga! Olha a educação... Vem, estamos inteiros ainda, não vê?

    — Começou vocês com isso de novo. Vocês já não repararam que esta sacerdotiza aí é uma raposa ou foi só eu? Cara, isso é a maior loucura!

    — Isso o incomoda? - Perguntou Maeti a Ryoga, com um olhar bastante sério.

    — Claro! Onde já se viu uma raposa de verdade andando como um humano e...

    — Ela é minha mãe, Ryoga.

    —O QUE? MANO... MAS COMO? ISSO SÓ PODE SER PALHAÇADA!

    — E veja como fala de mim. Mais respeito com minha mãe.

    — Mas você não acha que é muito estranho para mim acreditar que ela é sua mãe e ainda mais que ELA FALA E TODO O RESTO? Cara, ela tem traços humanos!

    — CALA A BOCA, RYOGA! NÃO FAÇA MAIS CONFUSÃO POR AQUI! Já estamos cheios de problemas e você ainda vem com esses seus surtos de maluquice? Fica calmo, cara!

    — Maldita hora qu decidi vir com vocês - Disse Ryoga, bastante irritado e assustado.

    E Kitsune continuou a falar com Anuon:

    — Desde que saímos daquele centro de pesquisa horrento não vivia em paz e harmonia comigo e com a natureza como estou agora. Vir para cá fez-me encontrar um novo lar... um novo propósito... Mas...

    — Mas o que?

    — O preço por essa paz foi alto demais... 

    — Que preço? O que você fez, Kitsune?

    — Irei lhe contar, mas antes tenho que falar com essa humana que se chama Kaede. 

    A jovem ficou impressionada com o fato de Kitsune saber o seu nome. A raposa diz:

    — Venha aqui, Kaede...

    —Vo-você sabe o meu nome?! Mas como?

    — Sua tia... ela me disse.

    — Minha tia? E Onde está ela?

    — Bem, sinto muito...  Sinto essa tristeza no fundo de minha alma, mas... infelizmente sua tia já não vive mais entre nós.

    — MAS COMO PODE? COMO PODE SER? MINHA TIA... TINHA ELA COMO UMA MÃE! O QUE FEZ CO ELA? NÃO, ISSO NÃO É VERDADE! - Se desesperou Kaede, com lágrimas em seus olhos.

    — Eu preciso lhe contar tudo... Eu não tinha outra escolha...

    — SUA ASSASSINA! NÃO PERDÔO VOCÊ! - Disse Kaede, correndo em direção a Kitsune, tentando-lhe acertar.

    E Kaede tenta lhe aplicar um golpe com sua Boken. Porém Kitsune se esquiva dos golpes de uma forma impressionante, com saltos e movimentos para um dos lados. Os ataques de Kaede desferidos eram com qualidade de um exímio samurai, ou seja, eram precisos e com a intenção de machucar. Mas Kitsune mostrou que suas habilidades de combate eram magníficos. Isso foi tão impressionante que até Kaede ficou curiosa, dizendo:

    — MAS COMO CONSEGUE FAZER ISSO?

    — Eu não acredito! Ela conseguiu... Ela evitou todos os ataques da Kaede sem problema algum! - Disse Ethan, surpreso.

    — Pronto... Agora a minha loucura se concretizou! Maeti, me dá um pescotapa bem caprichado porque a minha cabeça tá quase pirando... 

    Kitsune, entendendo o sofrimento dav jovem, a segurou, dando-lhe um abraço. Com as duas juntas e com a raposa olhando-a bem no fundo de seus olhos, Kitsune diz:

    — Jovem... deixe-me terminar o que tenho a dizer... Tudo o que aconteceu foi um pedido de sua tia.

    — Minha tia... O que ela pediu?

    — Maeti, pegue uma toalha para Kaede e traga chá para todos. Acho que precisam relaxar. Isso foi demais para eles.

    — Tudo bem, mãe. Esperem aqui...

    — Kitsune, espero e boa dê uma coisa explicação para tudo o que está acontecendo - Disse Anuon, em um tom intimidador.

    — E eu o farei, mas eles precisam se restabelecer. Suas mentes estão confusas, eu sei...

    — Tudo bem... Mas veja lá o que planeja.

    Mas adivinhem só quem percebeu que existia mais um Anis no recinto e que não foi devidamente apresentado? Com a palavra, Ryoga.

    — Galera, sou só eu que percebeu que essa gata aí falou?

    — Não, Ryoga... Ela fala mesmo. O nome dela é Anuon - Disse Ethan, calmo.

    — Como é que você fala assim tão tranquilo? Cara, essa gata falou! Ela falou! PÔ, ELA FALOU!

    — Ryoga, acalme-se. Não grite!

    — Como não devo gritar? Olha a loucura que tomou esse lugar! Cara, animais não falam e não tem traços humanos! Isso é doentio!

    — Ryoga, para com esse preconceito!

    — Preconceito? Eu sou o único normal aqui pelo visto...

    Kitsune os convida para irem a sala principal, onde Maeti já estava preparando o chá. Kaede observava Kitsune a todo instante, com um olhar fixo, de quando alguém odeia uma pessoa. Quase não se continha, tamanho era seu ódio. Maeti serve o chá para todos e se sentam, dando atençao a Kitsune, que diz: 

    — Bem, a história é um pouco longa, mas eu logo lhes aviso: tudo que dizer é a mais pura verdade. E Kaede, eu não série digna de seu perdão. Porém espero que entenda a situação que irei mostrar...

    Começando...

    Kyoto, dois anos depois de Kaede ir embora do templo.

    O templo passava por momentos difíceis, pois a sacerdotiza do templo, Tikai Rayka, estava tendo problemas com sucessivas pressões dos moradores da cidade que queriam que o templo fosse demolido. Tikai vivia sofrendo ameaças por todos os lados. Sempre havia pessoas que pichavam a sua fachada ou sabotavam seu jardim. A pressão era grande.

    Certo dia, um representante do governo trouxe-lhe uma intimação, para que fechassem o templo e saísse da cidade. O governo lhe pagaria tudo, só para que fosse embora. Essa situação era parecia com o que o Sr Raika e seus discípulos passaram.

    — Bem, senhorita, gostaria que reconciderasse nossa proposta. Os habitantes de Kyoto já não toleram a presença de membros da família Rayka nesta cidade. Para seu bem e sua segurança, seria de bom juízo que saísse daqui 

    — Senhor, com todo respeito, mas eu não irei sair daqui. sempre vivi neste templo e vou protegê-lo custe o que custar. Não cometi crime nenhum e não pagarei por atos impensados de descerebrados como o Sr Rayka.

    — Bem, não posso obrigá-la a sair e você não está errada. Mas sua segurança está ameaçada.

    — Pago meus impostos e sigo a risca todos os deveres cívicos. E é dever do governo mediar este tipo de situação. Não, eu irei ficar exatamente aqui e limparei a honra dessa família!

    — Sim, senhorita, eu entendo...

    Horas depois...

    Cai a noite. Tikai fecha as portas do templo e se prepara para ir para casa e dormir. Em seu interior, apagou suas luzes e foi para seu quarto. Mas percebe que no lado de fora da casa há uma movimentação estranha. Tikai então se levanta e vai averiguar. Logo encontra em seu jardim uma raposa ferida. Sua pata traseira estava sangrando. A curadora do templo tenta se aproximar lentamente, tomando todos os cuidados possíveis para não causar nenhum mal ao animal.

    — Coitadinha... Alguém tentou te caçar? Calma, eu vou te ajudar...

    E, para espanto de Tikai, a raposa diz:

    — Uma humana... me ajudar?

    — VOCÊ FALOU! COMO PODE SER?

    — Me ajude... por favor...

    Continua.


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