Freedom Planet: Faith & Shock

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    12
    Capítulos:

    Capítulo 20

    O torneio T.O.R.M.E.N.T.A - Team Lilac vs Team Red (parte 1)

    Spoiler, Violência

    A luta decisiva finalmente chegou.

    ________________________________

    Aviso: como o capítulo ficou muito grande, foi dividido em duas partes. Hoje mesmo poderá lê-los na íntegra.

    Obs: eu não costumo cobrar por isso, mas esse capítulo consumiu muito tempo para ficar no ponto ideal que imaginei. Gostaria de, caso possível, um feedback da opinião de vocês.

    Boa leitura.

    Sala de interrogatório da ala secreta da Shang Mu Arena, minutos depois.

    Como combinado por Lenzin, a guardiã do reino de Shang Mu, Lilac foi levada por um dos guardas até onde Noah estava. E, entrando a sala, a dragão pôde ver seu aliado cabisbaixo, com as mais apoiadas nos braços da poltrona. Lilac percebeu naquele momento que o jovem não estava bem. E enquanto ser aproximava, Noah a olhou, com um sorriso, dizendo:

    — Li-lilac?! É você... É você mesmo?

    — Sim, Noah... Sou eu... Vai ficar tudo bem agora... – Disse, enquanto o abraçava.

    — Ela tirou tudo de mim, Lilac... Eu não tenho mais a doutrina do Kaipasu... Eu não vou poder cumprir minha promessa... nunca mais.

    — Noah, ela me disse... Mas eu precisava ver você...

    — Eu falhei, Lilac... Eu falhei com elas...

    — Calma, Noah. Estamos aqui. Vamos te ajudar.

    — Eu estou com medo, Lilac. Eu não sei se poderei te ajudar. Eu lutei pensando em você, mas em algum momento eu não estava na arena...

    — Você está dizendo da sua luta?

    — Sim. Eu não lembro das coisas que eu fiz e... só me lembro da Milla me abraçando e dizendo coisas gentis.

    — Noah, tudo vai ficar bem. E eu preciso te agradecer por ter lutado por mim.

    — Lilac... Não tente fazer de conta que nada de ruim aconteceu.

    — Noah, não tem que ser duro com você.

    — Eu feri Ingris de uma forma cruel e eu tinha interesses acima da sua missão... Então não se atreva a isso antes de dizer que está tudo bem, porque não está.

    Lilac, ao ver que Noah estava perdendo sua moral, logo tratou de apoiá-lo, mesmo que a dragão fizesse isso de um jeito vem direto:

    — Escute, Noah: eu te convidei para fazer parte do meu time não só porque você é forte. Você tinha motivações pessoais também e eu sabia disso. Você não mentiu pra mim em nenhum momento. Começa por aí...

    — Lilac...

    — Escuta: estamos no meio de um torneio de artes marciais visando recuperar o bendito resquício. Se você fosse essa pessoa egoísta que acha que é, então porque se prestar a lutar sem sequer saber por onde eu ando?

    — Eu suspeitei que seu sumiço poderia estar relacionado aos The Red Scarves.

    — E acertou.

    — É mesmo? Nossa, Viktor e Milla concordaram comigo e a gente não disse nada sobre o plano.

    — Mais um motivo pra que eu não o veja com maus olhos.

    — Mas Lilac, Lenzin me disse que Ingris está completamente destruída psicologicamente. E eu fui o responsável com isso.

    — Noah... Como eu disse para a Lenzin, você não é uma má pessoa.

    — Mas nesse momento ela deve estar me vendo como um mostro e...

    — VOCÊ NÃO É UMA MÁ PESSOA!

    O grito da dragão acordou mesmo Noah, que se assustou com seu brado. Ele, sem entender, diz:

    — Lilac, como pode afirmar isso? Você viu o que eu fiz.

    — Nem eu e nem ninguém tem poderes de te julgar... Estou dizendo isso porque você sempre esteve cercado por pessoas que quiseram o seu bem, que gostavam de você... que te amavam. Como alguém pode ser uma má pessoa compartilhando tais coisas? Sua história de vida diz o contrário. Ninguém tem autoridade alguma pra te julgar. Se alguma coisa aconteceu nessa luta, eu tenho certeza absoluta que você não tem culpa alguma nisso.

    — Lilac, essas pessoas... Estão todas mortas...

    — Elas não estão mortas. Elas vivem em você. Elas te deram uma nova chance de viver, de fazer a coisa certa. E você escolheu fazer algo. Nós te conhecemos ao acaso e nossa... Foi incrível como você lutou contra mim, forte e elegante... E no dia que você me contou sua história, eu sabia que tinha encontrado a pessoa certa. E eu estava certa disso.

    — Lilac, parte está me dizendo essas coisas? Porque essa crença em mim?

    — Porque você faz parte do meu time. Logo você é especial e tem minha confiança.

    — O-o que quer de mim? O que posso fazer agora?

    — O que viemos fazer aqui. Quero que lute com a gente, Noah. Estamos todos nessa e juntos vamos cumprir nossa missão.

    — Mas eu sou um inútil agora...

    — Não, você não é.

    — Sem o Kaipasu eu...

    — Você é Noah Hibiki. E isso é seu maior tesouro. E foi por isso que o aceitei.

    Ao contrário da guardiã do reino de Shang Mu, que destruiu a moral do jovem albino, Lilac logo fez o inverso, revertendo os efeitos os quais Lenzin fez a Noah. A confiança da dragão no rapaz trouxe de volta o brilho de lutador em seus olhos, com ele dizendo:

    — Eu durante todo esse tempo quis te conhecer. Por ter salvado o planeta, eu a via como uma rival, essa que eu queria derrotar para desenvolver minha técnica. Pois bem, agora pude ver uma coisa que nunca poderia ver se não acontecesse: o poder de suas palavras. Lilac, eu a saúdo. Você definitivamente é a líder que merece ser seguida. Estou muito honrado de ter essa oportunidade.

    — E ao meu pedido, qual a resposta? – Disse Lilac, com um belo sorriso?

    — Tem meu total apoio. Farei o meu melhor, pode contar comigo.

    — Era isso que eu queria ouvir! Seja bem vindo de volta, Noah.

    Ao fim da conversa, Lilac e Noah se abraçavam, fincando alí novamente a parceria. Porém nada era garantido: Noah, enquanto recebia a gentileza da dragão, tinha ainda um sentimento de culpa tremendo e, em sua mente, pensava:

    — *Porque... Porque eu sinto que algo de mim foi tirado, mas... alguma coisa foi colocada no lugar? E que coisa é essa... essa sensação?*

    Incógnitas ainda permaneciam.

    Enquanto isso...

    Sala de descanso e recuperação da ala secreta da Shang Mu Arena.

    Por ainda estar contundido depois da batalha contra Sheng, Viktor, que ainda estava deitado, recebeu uma visita bem especial: depois de ajudar Carol a se recuperar, Tats Galant, a esquilo com vestimentas típicas chinesas de praticantes de taichi, estava usando de seus poderes de cura.

    Com as mãos sobre o peitoral do jovem, ela diz:

    — Está se sentindo melhor, Viktor?

    — Sim... Seu poder é extraordinário. Você não tem ideia de como me ajudou.

    — Viktor, como você foi capaz de maltratar tanto seu corpo?

    E, lembrando, Sheng ainda estava na sala, observando sua aliada ajudando o jovem. E ele, até então calado, diz:

    — Tats, se ele não tivesse feito o que fez, eu teria vencido aquela luta.

    — Eu não posso acreditar que alguém iria chegar a esse externo só para vencer. Não vejo sentido algum em lutar até às energias esgotarem só para uma vitória em um torneio.

    As palavras de Tats, embora fizessem sentido, não foram muito bem aceitas por Viktor, que segurou uma das mãos da esquilo praticante de taichi em seguida, com Sheng dizendo:

    — Tats, nunca mais diga isso.

    — Hã? Mas o q...

    — Olhe para o Viktor.

    Ela então olhou para o jovem que, irritado, diz:

    — Senhorita Tats, eu lhe agradeço de coração pela ajuda. Suas habilidades especiais são formidáveis, mas eu te peço que não julgue minhas decisões de vida.

    — Viktor, me perdoe. Mas eu não gosto que pessoas lutem sem necessidade. É só um torneio de artes marciais...

    — Você está errada. Há muito em jogo. Estamos em uma missão.

    — Hã? Missão?

    — Peraí... Que lance é esse de missão, Viktor? – Perguntou Sheng.

    E adentrando a sala, era Joshy que, olhando para os três, diz:

    — Exatamente, Sheng. Agora que já sabemos quem é quem aqui podemos falar abertamente.

    — Tá... O que está rolando?

    — Há membros da The Red Scarves participando do torneio.

    — É sério isso? Mas...

    — E eles querem o prêmio do torneio para um plano. Lilac me disse antes de ir ver o Noah.

    — Plano? Sinistro! Mas e aí? O que vamos fazer?

    — Lenzin irá fazer uma nova reunião para definir isso. Por hora... Viktor, está melhor? – Disse o lupino, se aproximando da cama.

    — Ah sim. Estou. Tats me ajudou muito. Mas quem é Len...

    Mas antes que Viktor completasse, Sheng diz:

    — Lenzin? Ela... Ela está aqui?!

    — Está sim, garoto. E todos nós faremos parte dessa reunião, até você.

    — Porque eu também? Nós não...

    — Porque você faz parte do Team Omna, ou será que esqueceu? Você estava tão entusiasmado para entrar parte a Agência, então sabe que ela sempre estará de olho.

    — Ah não é possível...

    Viktor, sendo ignorado totalmente, diz:

    — Ei, pessoal... Quem é Lenzin?

    E Tats então diz:

    — É a guardiã do reino de Shang Mu. Ela já está providenciando todo um aparato de inteligência, unindo a guarda do reino e a Agência.

    — Minha nossa! As coisas tomaram uma proporção maior que eu imaginava. Nós não dissemos a ninguém sobre a missão.

    — Isso é bom. Lilac também nos informou – Disse Joshy, caminhando até a porta.

    Mas antes que ele saísse, o lupino diz:

    — Tats, quando Viktor estiver melhor, vocês devem ir nos encontrar na sala de reunião. Lilac também já foi informada. Até logo.

    Pelo visto uma reunião iria acontecer.

    Enquanto isso...

    Saguão de encontro da ala secreta da Shang Mu Arena.

    Sentadas enquanto comiam biscoitos servidos pela guarda do reino, Carol e Milla conversavam, com a canina dizendo:

    — ... e foi tudo isso. A nossa luta foi bem difícil mas a gente conseguiu.

    — Ca-ra-ca... tô pasma. Serião, vocês mandaram bem pacas. Mas...

    — O que foi?

    — Tô preocupada com o trevoso lá. Milla, tu se arriscou em ter abraçado o felpudin das trevas, sabia?

    — Ah Carol... Não fala isso dele...

    — Como não? Tô sabendo da história dele contra a integrante do time do doggo lá... Cara, ela não tá bem.

    — Mas ela... Bem, o Noah estava em desvantagem na luta e...

    — E daí? Tamo vendo o que ele faz desde o início e ele só fala mais com a Lilac. Escuta, esse cara é do mal. Vai por mim...

    — Isso não é certo, Carol. Ele deve ter sofrido algo... A Lilac confia nele e... A eu também.

    E interrompendo a conversa, eis que Pawa apareceu, dizendo:

    — Aí, gata verde do lenço vermelho brega... O que você está fazendo é preconceito.

    — Hã? Quem é você, cara de Moá?

    — Ei! Olha o respeito!

    — Ele é Pawa, Carol. É do Team Omna – Disse Milla, se levantando.

    — Pera... Foi esse o mané que tu esfolou sem pena e que te destratou, não é? Aí maribondo... Só não de dou um sacode bunito porque a kawaiizinha aqui já fez isso, tá? Fica o aviso.

    — Você gosta de provocar... já entendi. Mas gata, não vim aqui pra brigar. Eu ouvi você ser preconceituosa de longe...

    — Ah tá. Então tu é o “sujo falando do imundo”. Tá de saca, né?

    — Não, não estou. Eu ao menos reconheci que me excedi com a Milla. Eu estava errado, errei grosseiramente e estava agindo como um idiota. Mas eu não vejo isso em você...

    — Maguary, tu tava lá e viu o trevoso lutar, né? Tu viu! Ele quase fez besteira!

    — Não estou fingindo que não vi o que aconteceu. Eu só não quero que cometa o mesmo erro que eu.

    — Como assim?

    — Como assim? Joshy me disse que Lilac defendeu ele o tempo todo na reunião que estavam tendo. Pois bem, eu imaginava que isso era um comportamento igual em todo o Team Lilac. Só que pelo visto não é bem assim.

    — Mas tu viu o que ele fez!

    — Lilac não desistiu dele. Lenzin me disse agora. E olha que eu vim até aqui para dar os parabéns a união de vocês, mas hoje é o dia de eu me enganar várias vezes...

    — Papo reto, champs? Se mete não.

    Mas Milla não deixou isso para lá, dizendo:

    — Carol, o Pawa se desculpou comigo.

    — Era o mínimo, não? Saco...

    — Você tem que dar essa chance para o Noah.

    — Milla, tu viu o que...

    — A Lilac não viu a luta toda e ela não desistiu no Noah. O Pawa está certo.

    — Ah tá... Vivi o suficiente pra Milla ir contra mim.

    — Então você está contra todo mundo, Carol?

    — Hã? Mas não foi isso que eu quis dizer.

    — Mas disse. Lilac confia no Noah, eu confio nele... Até o Viktorius confia nele. O Noah, no final da luta do Viktorius, pediu ele de volta pra arena pra torcida toda falar o nome dele. E foi muito legal, você tinha que ter visto.

    — O trevoso... Ele fez isso para o piá? – Disse, um pouco constrangida.

    — Sim, ele fez! No fim a gente até se abraçou, nós três. Fizemos isso por vocês duas.

    Por um momento Carol ficou pensativa. Não que ela tivesse sempre essa postura, mas num raros momentos que tratou de pensar um pouco, logo se lembrou de um acontecimento passado:

    — *Cara... O que eu tô fazendo? Tipo, o piá quando explodiu minha moto, tinha boas intenções e eu fiz aquilo com ele. Mas o cara não guardou mágoa e nem rancor algum por mim... E até me tratou melhor. Ele é parça pra vida toda... Agora o trevoso... Ele me dá medo, mas a Milla tá certa. É, eu vacilei outra vez*

    E Pawa, ao olhar para Carol, que estava calada, diz:

    — Ao menos você parou de falar demais um pouco. Bem, não vou te julgar. Eu passei por isso. Só eu eu não demorei tanto pra perceber meu erro. Bem, precisamos ir.

    — Hã? Pra onde? – Perguntou Milla.

    — Lenzin pediu para que eu as chamasse para a reunião.

    — Reunião?

    — Sim. Todos estarão lá. Vamos.

    Sob o silêncio de Carol, que se levantou com o semblante pensativo, foi acompanhada por Milla, que a guiou até onde Pawa havia as chamado.

    Era então chegado o momento da reunião.

    Sala de reuniões da cúpula da Agência da Shang Mu Arena.

    A sala era grande, com um imenso telão na parede. As poltronas eram bem luxousaa arremetendo a algo bem tecnológico e moderno, com uma grande mesa ao centro, que mostrava todo o mapa do reino inteiro. Lá estavam Lilac, sentado ao lado de Viktor e Noah, este com um olhar distante, juntamente com Carol e Milla. E estavam, do outro lado da mesa, Tats, Sheng e Pawa, com Joshy e Lenzin a frente do telão, em pé. Logo a guardiã diz:

    — Team Lilac, nós iremos dar-lhes todo o suporte possível daqui para frente. Porém nós precisamos da ajuda de vocês quanto a um detalhe.

    — Como assim, Lenzin? – Disse Lilac.

    — Antes de informar, irei lhes apresentar seus oponentes:

    Florr: este jovem panda treinou por muito tempo em Shuigang em um Dojoh clandestino no subúrbio. Ele foi o que mais lutou do seu time – Disse, mostrando no telão a foto de um panda com longos cabelos pretos e vestindo um traje de combate estilo tibetano.

    Vahn: essa jovem felina teve mais ruas seus ensinamentos de luta. Não sabemos de sua origem, mesmo com a Agência procurando por seu histórico – Ela tinha cabelos da cor marrom, com pelugem branca e usava um colante azul e luvas de luta da cor vermelha.

    Gran: outro jovem canino. Ele veio das Terras Distantes de Avalice. Suas informações são poucas, mas sabemos que pratica artes marciais inspiradas do que o Povo do Deserto luta – Ele vestia uma calça preta, com o dorso com pelugem cinza a mostra.

    Ox: esse jovem canino foi espulso do Dojoh Kaema, oriundo da área rural de Shuigang. A Agência conseguiu muitas informações, mas as mais importantes são: é o mais jovem, fugiu de casa e, como esperávamos, começou a praticar pequenos crimes. A força policial de Shuigang não tem dados sobre ele – Ox vestia uma causa cinza e camisa azul, com longas orelhas que eram presas para trás. Sua pelugem era cinza clara.

    Dyona Taz: esse lobo é o mais experiente deles. Bem, Lilac... acho que não preciso apresentá-lo. Mas preciso lhes dizer alguns detalhes: Dyona não lutou ainda – Disse Lenzin, mostrando o lobo com pelugem negra, usando uma calça cinza e uma jaqueta de couro preta. Seus olhos eram vermelhos.

    — O que? Mas como assim? Esse cara aí foi o que treinou a gente. É muito forte! – Disse Carol, surpresa.

    — Ele é tão habilidoso assim... Sem dúvidas. A Agência tem todos os dados dele da The Red Scarves, mas não sabíamos que tinha alguma ligação com vocês.

    — Foi ele quem também que nos inscrevia nos torneios para a The Red Scarves quando éramos membros. Todas as atividades de luta passavam antes por Dyona – Disse Lilac, ainda um pouco surpresa, a exemplo de sua amiga.

    E Viktor, até então calado, diz:

    — A Carol tinha chamado atenção por ele não ter lutado quando a senhora disse, guardiã. Como alguém habilidoso como ele não se deu o trabalho de lutar?

    — Viktorius Ashem, antes de mais nada, devo avisá-lo de se dirigir a mim como senhorita.

    — Ops... Mil desculpas! Eu não sabia que...

    — Não diga mais nada. Respondendo a pergunta, olhe o telão.

    Logo é mostrado por Joshy vídeos de todas as lutas que o Team Red havia realizado. A muito custo o time chegou as finais, com seus membros lutando com bastante garra. Era até impressionante vê-los lutar, pois mesmo diante de derrotas por alguma razão conseguiram forças para vencerem no último instante. Diante dos olhares compenetrados de todos, Lenzin diz:

    — Já perceberam que todos são bem jovens? Sob a minha análise, talvez eu possa estar certa. Dyona não lutou ainda porque...

    Lilac, com um olhar de consignação, logo completou:

    — ... porque ele os está testando.

    Todos na sala ficaram surpresos com o que foi dito, com Sheng dizendo:

    — Testando? Num torneio?

    — Não faz o mínimo sentido. Se esse tal Dyona é mesmo habilidoso, porque correr riscos? Bastava que lutasse primeiro para... – Tentou concluir Pawa.

    — Não. Há uma razão para esse teste – Disse Carol, num tom de voz bem sério.

    — Nós passamos por isso. Eles está recrutando novos membros para a The Red Scarves – Disse Lilac, se levantando.

    As palavras da dragão púrpura caíram como uma bomba na sala, com Viktor dizendo:

    — Não... Não posso acreditar que fariam algo tão sujo...

    — Eles fariam. Eles fazem. E eles sempre farão. Pelo visto precisa de mais senso de maldade, estrangeiro – Disse Lenzin, dizendo a Viktor.

    — Mas porque logo em um torneio? Seria mais fácil em um evento interno... – Disse Tats, sendo racional.

    — Dyona só dá valor aos melhores que ele vê. Os colocam em uma situação extrema e dá a eles um desafio quase impossível. Não é a toa que chegaram as finais. É uma pressão muito grande... – Completou Lilac, olhando para a esquilo.

    Viktor, ao ouvir toda a história, não se conteve:

    — Isso... ISSO É IMPERDOÁVEL!

    — Viktor, não grite. É meu último aviso – Disse Lenzin, olhando nos olhos do rapaz.

    — Ops... Desculpe. Mas é uma atitude totalmente doentia e detestável!

    — Concordo.

    Carol então se levantou, indo até Lilac, e diz:

    — Lilac, tá ligada que tá tudo se repetindo, né?

    — Sim, Carol. Nós passamos por isso anos atrás. Eles não pararam... Eles ainda continuam vendendo uma imagem de “nova ordem” para jovens... como nós. Esses pobres coitados não sabem no que estão se metendo...

    A guardiã, ao ouvir a conversa, logo tratou de dizer:

    — Pois bem, pelo visto o modus operanti deles se mantém até os dias de hoje. Já imaginava que o ladino Spade não iria deixar essa vida mesmo depois de tudo que aconteceu com seu pai e irmão. Diante disso, então a vitória é imprescindível, Team Lilac. A derrota não é uma opção.

    — Peraí, bunitinha. Se por acaso, talvez, num sistema de alinhamento de planetas e luas, com a maré do mar estando alta, com vento a bombordo, com o Palmeiras sendo campeão mundial etc a gente perder, os PM daqui e essa Agência que tanto vocês dizem não podem prender o figura do cinzento?

    — Carol Tea... Famosa por sua boca grande... Você realmente fala demais. E muitas besteiras. Creio que você não entendeu o interesse da The Red Scarves.

    — Hã? Que tu tá falando?

    E Joshy, se adiantando, diz:

    — Do mesmo motivo que vocês esconderam de todos a missão, eles querem fazer o mesmo. Eles querem vencer o torneio para levar o prêmio pela porta da frente sem levantar suspeitas. Está tudo claro. Eles recrutaram jovens para dar a impressão que é um time de anônimos como qualquer outro. Eles nunca colocariam gente habilidosa no nível dos membros de seu clã nefasto.

    — Tá, mas porque não? Se é pra ganhar, então que seja fácil.

    — Eles fizeram isso pra evitar de serem descobertos, Carol. Joshy está certo – Disse Lilac.

    — Ah tá... Vendo por esse lado, pensaram direitinho então. Caraca, eles não jogam pra perder mesmo.

    Viktor, ainda de pé, fiz:

    — Gente, será que vocês não pararam pra pensar no que nós temos pela frente?

    — Que tem, Viktor? – Perguntou Sheng.

    — O que tem? Nós iremos lutar contra jovens que almejam um suposto futuro melhor.

    — Estrangeiro, acho melhor não ousar em começar a choramingos – Quase conto concluiu Lenzin, indo até Viktor.

    — Não! Eu não vou chorar nem desistir de nada. Acontece que... Esses jovens... Como a gente, eles estão lutando por um ideal.

    — Ideal?! Uma vida de crimes é algo de vislumbre por arruaceiros e você vem me dizer sobre ideologias? Poupe-me de suas palavras vagas e sem noção, estrangeiro!

    — Não, você entendeu errado! Nós iremos destruir o que eles vêem como o certo e isso não é justo! Não estou dizendo que o que eles estão prestes a fazer é o certo, mas ao fim de tudo todos naquela arena sairão derrotados. Até nós.

    Porém Viktor é interpelado por Lilac, que se levantou, dizendo:

    — Viktor, eu entendi o que você quis dizer e é um pensamento correto. Logo se vê que você priva pela justiça, mas...

    — Mas o que?

    — Dyona quer exatamente isso. Ele não liga para aqueles jovens e nem com a gente. Ele só se importa com a The Red Scarves.

    — Mas Lilac...

    — Esses jovens podem ter visto essa oportunidade, mas em nada muda os fatores do pensamento do Dyona. Ele é uma pessoa ruim. Eu não tenho dúvidas que ele vai exigir desses jovens a vitória, mas não podemos deixar que vença.

    — Lilac, eu entendi perfeitamente. Mas eu não acho isso justo...

    Lenzin parecia ter ficado irritada com Viktor. Ela então foi até o jovem, dizendo:

    — Você busca sempre a justiça, estrangeiro?

    — Meu código de honra.

    — Então me diga: onde há justiça em pessoas que fizeram uma escolha ruim?

    Todos no salão ficaram mudos. Novamente, a exemplo de Noah, a guardiã colocou alguém contra a parede. Mas Viktor não se intimidou, dizendo:

    — Sonhos.

    — O que disse? Sonhos? Ora vejam...

    — Esse deslumbre que você citou antes... Eles tem sonhos. Nossa vitória vai trazer a destruição de tudo o que eles acreditam. “Porque eles lutam?”, eu me pergunto. Lilac disse que Dyona luta e se importa só com a The Red Scarves. E esses jovens, que tiveram poucas oportunidades? Então, Dyona lhes deu umas escolha ruim se aproveitando de seus sonhos. O erro começou em todos darem as costas para os problemas deles. Então sim, a justica aos olhos deles está nos sonhos que só eles tem e só eles conseguem ver.

    Um silêncio tomou a sala. Viktor havia encarado Lenzin, sem se importar com o olhar furioso da guardiã. Ela, ainda irritada, diz:

    — Você tem muita coragem em falar assim comigo.

    — Não confunda coragem com vontade. Eu estou usando a segunda coisa.

    — Eu poderia prendê-lo por desacato.

    — Já me disseram isso outras vezes. Na verdade eu já fui preso. Só que contra injustiças você só pode lutar com palavras.

    — Sábias palavras, estrangeiro. Lilac, dê-me um motivo para não prendê-lo.

    Lilac então se colocou a frente de Viktor, dizendo em seguida:

    — Terá de prender a todos nós.

    — O que?

    — O Viktor está certo e eu compartilho do mesmo ponto de vista dele, Lenzin.

    — Vocês estão se esquecendo da ameaça que eles representam.

    Lilac, mostrando muita irritação em seu rosto, foi até a guardiã. E pelo visto não era para uma conversa amistosa. Logo a panda diz:

    — Lilac, estou cansada de suas atitudes.

    — Eu concordo com você, Lenzin, sobre nossas responsabilidades com a vitória e toda a missão, mas não podemos esquecer desses jovens. Então, sob as palavras de Viktor, eu tenho um pedido a fazer para resolvermos da melhor forma.

    — Muito bem... Diga.

    — Ao fim disso tudo, ajude-os. Dê a eles alguma oportunidade. Prometa isso.

    A guardiã ficou acuada. O Team Lilac estava ainda mais unido e Lenzin sabia disso. Sabendo que dependia do sucesso deles em batalha, diz:

    — Lilac, o que está me pedindo é algo longe dos meus anseios. Não devo nada a eles e...

    Mas Noah, já escaldado de tanta demagogia por parte da guardiã, interrompeu Lenzin dizendo:

    — Dê a eles uma oportunidade, guardiã. Ou não é capaz disso?

    — Noah, nunca volte a me interromper. Peça sempre a palavra a mim antes...

    — Eu falo quando eu quiser. Você pediu por isso. Você me deu uma “oportunidade” contra a minha vontade. Qual a sua dificuldade em fazer isso com o apoio de todos aqui? Ou a guardiã também tem seus momentos levianos? – Disse o jovem albino, olhando nos olhos da guardiã.

    O Team Lilac estava mesmo unido. Não era somente uma reunião. Na verdade virou um tipo de assembléia a qual a guardiã estava sofrendo ataques a sua moralidade e sua honra. Lenzin, ainda mais acuada, ignorou Noah, voltando suas atenções a Lilac, dizendo.

    — Lilac, junte seu time... e faça valer sua liderança. E quanto ao que você disse, farei o que estiver ao meu alcance. Eu prometo. Estamos conversadas?

    — Combinado.

    O clima da reunião estava bem tenso. Durante mais alguns minutos combinaram como seria o plano, que era bem simples: vencer. Mas Sheng fez uma pergunta importante.

    — Porque simplesmente não os prendem? Isso existia toda essa coisa aí.

    — Garoto, você pensa muito pequeno... Acha mesmo que já não teríamos os prendido se já não tivéssemos todo um esquema montado? – Disse Joshy.

    — Então? O que está rolando?

    — Nós queremos deixar que Dyona saia pela porta da frente. Temos agentes infiltrados na cidade toda para acharmos a base secreta deles.

    Lilac não pôde deixar de ser preocupar com isso, dizendo:

    — Base secreta aqui? Mas eu pensei que... *Espera... O Ying e o Dail disseram que a The Red Scarves expandiu sua atuação por Avalice. Então... Minha nossa, o problema é maior que eu imaginava!*

    — Nós da agência já sabemos que a The Red Scarves está agindo diferente. Para terem se tornado mais presentes entre os reinos só se tivessem uma base. Nós estamos tentando rastrear e Dyona vai nos ajudar.

    — Pera. Tu vai deixar o cinzento dar no pé só pra seguir o gaiato e achar o cafofo da The Red Scarves? Cara, que coisa clichê...

    — Clichê?

    — Carol, não começa... – Disse Lilac, colocando uma das mãos no rosto.

    — Oxe... Pensa bem: tu vai e deixa o caboclo lá sair de boíssima. Aí o cara some sem ninguém saber o que houve. Cadê o plano miraculoso agora? Tô dizendo... Esse cara vai dar chá de sumiço antes que vocês digam “caneta azul, azul caneta”.

    Mas, caminhando até Carol, Lenzin diz:

    — Impossível, cara Carol Tea...

    — Impossible onde, bunitinha?

    — Não somos amadores. Nós já imteceptamos várias mensagens da The Red Scarves. Se iremos deixar Dyona Taz sair daqui dessa arena é só para triangularmos a localização da base deles, faltam poucos detalhes para isso. Ou você pensou que iríamos seguí-lo até a suposta base? Não me faça rir... Dyona irá ser comunicar com alguém, temos certeza disso. E só precisamos dessa informação. Mas não podemos deixá-lo sair dessa arena com o resquício da jóia...

    — E é aí que vocês precisam da gente. Tudo bem, já entendemos – Disse Lilac, olhando para seus aliados.

    Ao fim da suposta reunião, todos então seguiram para o exterior da arena. Por estarem em uma área secreta, tudo foi encobertado pela guarda do reino, que montaram todo um esquema para o acesso ao lugar vida um elevador restrito. Já no saguão principal, todo o Team Lilac estava reunido, seguindo então até a parte correspondente ao seu grupo. Porém Lenzin os alcançou e disse:

    — Esperem... Eu antes de deixá-los irem para a arena, preciso examiná-los.

    — Hã? Bunita, a gente não tá dói dói, tá?

    — Não abra sua boca a toda, Carol Tea... Não se trata disso.

    — Então do que se trata, Lenzin? – Disse Lilac, curiosa.

    — Eu irei usar uma de minhas habilidades especiais para lhes mostrar suas condições de luta.

    — É sério que a senhorita pode fazer isso? – Disse Viktor, surpreso.

    — Sim, precisamente. Eu só preciso me concentrar...

    Com todos olhando para a guardiã, puderam ver seu corpo ser envolto por uma aura branca, que aumentou a temperatura da sala. Isso foi sentido por todos. Minutos depois, Lenzin diz:

    — Não tenho boas notícias...

    — Ninguém tá com dengue, né? – Disse Carol.

    — Carol! – Esbravejou Lilac.

    — Tá, tá... Desculpa...

    — Todos vocês não estão em condições plenas de luta. A minha leitura foi:

    Sash Lilac: condição de combate está em torno de 70%. Seu nível de Feng Shui está quase nulo. Eu outras palavras, suas habilidades especiais estão todas limitadas. Possivelmente o coquetel que lhe deram causou isso. Nossos médicos ainda estão fazendo exames.

    — Isso não será um problema pra mim. Vou lutar usando tudo de mim – Disse a dragão, fechando seus punhos.

    — Continuando:

    Carol Tea: condição de combate está em torno de 60%. Seu Feng Shui está ainda mais limitado que Lilac. Seu desgaste físico foi brutal contra os ninjas da The Red Scarves naquele galpão. Resumindo: suas habilidades especiais estão tão limitadas quanto a de Lilac por você estar cansada.

    — Ih dá nada não. Vou descer o sarrafo sem problemas – Disse a felina, batendo uma mão na outra.

    — Milla Basset: condição de combate está em 85%. Você é a única que não tem limitação de Feng Shui. Está em uma situação física melhor que eu esperava.

    — Vou dar o meu melhor! – Disse a canina, com um sorriso.

    — Viktorius Ashem: condição de combate está em 50%. Você estava muito pior quando Tats lhe ajudou a se curar. De todos os integrantes do time, você é o mais debilitado fisicamente e, como sabemos, não possui habilidades especiais. Você nem devia estar aqui.

    — Com o devido respeito, eu não acredito em números. Eu tenho a confiança que irei lutar com dignidade – Disse o jovem humano, arrumando seu kimono e luvas – *Cara, o poder dela é uma coisa fora do comum. É espetacular. Eu... Eu estou em um lugar diferenciado e... eu não tenho a minina ideia do que irei encontrar pela frente agora...*

    — E finalmente Noah Hibiki: condição de combate em 75%. Seu aspecto físico está em condições aceitáveis e seu Feng Shui está fraco. Creio que meu selo que o salvou dos poderes malignos do Kaipasu o livrou do perigo. Seus poderes especiais estão...

    — Eu não quero mais saber de nenhum dado seu. Já estamos conversados, guardiã – Disse o albino, olhando nos olhos de Lenzin.

    — Eu já o avisei de não mais me interromper... Esse é meu último aviso.

    — Oh... Me desculpe... Eu sou muito esquecido... Podemos ir agora?

    — Noah, por favor... Precisamos estar unidos – Disse Lilac, indo até Noah.

    E enquanto todos se preparavam para entrar a arena, Viktor logo levantou uma dúvida:

    — Noah, que negócio é de Kaipasu? E como assim está selado?

    Imediatamente Lilac se colocou entre os dois, tentando evitar uma discussão desnecessária.

    — Viktor, isso é um assunto muito pessoal. Noah não pode mais usar sua habilidade especial, mas em nada o impede de lutar. Não é, Noah?

    — Isso mesmo. E Viktor... Concentre-se em se preparar para o que iremos enfrentar. Eu estou bem, é só isso que você precisa saber – Disse Noah, ajeitando sua roupa.

    — Tudo bem... E obrigado pela preocupação – Disse Viktor, colocando sua faixa preta.

    Mesmo diante a minuciosa inspeção de Lenzin, só restava irem para sei objetivo. Agora todo o time estava na arena lotada, talvez até mais que antes. A grande final se aproximava, vindo em seguida a cerimônia.

    Music: “Killer Instinct Theme – Xbox One” by Killer Instinct OST

    The grand finale of the T.O.R.M.E.N.T.A Tournament

    START

    Aquela mesma música com batidas pesadas e opressoras tomou todo o ambiente, dando novamente o tom de grandiosidade que o torneio representa. Apresentando pela primeira vez, as arquibancadas estavam bem movimentadas. Uma coisa curiosa era a grande quantidade de jovens nós assentos confortáveis da arena. Sua presença chamou mesmo a atenção.

    No centro do octógono se via então vários monges de variados templos e monastérios de toda Avalice, como uma prova de que havia muitos polos de artes marciais pelo planeta, das mais variadas espécies. Com a música se tornando mais calma, eis que o urso pardo, locutor oficial do torneio, Brian O'Bryan, começou a dizer:

    — OLÁ A TODOS! EU QUERO OUVIR VOCÊS! VOCÊS QUEREM MAIS LUTA?

    A resposta certo imediata, com o mesmo entusiasmo por parte da plateia. Todos gostam que queriam. Todos mesmo. E Brian O’Bryan continuou:

    — Ah essa isso... ERA ISSO QUE EU QUERIA OUVIR!

    OITENTA GUERREIROS ESTIVERAM AQUI...

    SIM! ESSES OITENTA GUERREIROS AINDA ESTÃO AQUI!

    MUITOS CAÍRAM, É VERDADE... MAS TODOS ESTÃO AQUI!

    VOCÊS SABEM PORQUE, NÃO É?

    SIM! ESSE É O TORNEIO ORIGINAL REAL DO MAIOR ELEMENTO NOBRE DE TODA AVALICE... TORMENTA!

    Com todo o Team Lilac observando a cerimônia, embora a seriedade da missão fosse algo em comunhão, Carol não pôde evitar de se manifestar:

    — CARACA! Meu irmão... Que coisa irada! É do caramba mesmo, nossa! Tô toda arrepiada, Lilac. Vivi pra ver isso! Caraca...

    — Carol! Não se esqueça do que...

    — Tá, Lilac... Tá! Deixa eu só curtir esse evento! Nossa, tô muito nervosa!

    E o urso continua:

    É ISSO AÍ! E AGORA...

    DEZ VALOROSOS GUERREIROS QUE FICARAM DE PÉ... VOCÊS CHEGAREM LONGE... MUITO LONGE... E NINGUÉM QUER PERDER!

    É MUITA LUTA E FORÇA DE VONTADE JUNTAS!

    E AGORA... A GRANDE FINAL!

    Vários fogos de artifício só disparados ao céu estrelado daquela noite memorável. Brian O’Bryan estava a polvorosa no centro do octógono, que começou a se murar: a area limitada durante todo o torneio deu lugar a mais placas, aumentando a área. Não é preciso dizer que isso trouxe um pouco de estranheza a heroína dragão:

    — Ueh... Porque estão aumentando a arena?

    — Ah deve ser pra dar um drama maior... Estranho mesmo... – Disse Carol, também estranhando.

    E Brian O’Bryan concluiu:

    — Dez combatentes... Só um time sairá vendedor...

    DEZ COMBATENTES LUTANDO AO MESMO TEMPO, TODOS JUNTOS... COM CADA TIME PROCURANDO A VITÓRIA!

    É ISSO MESMO!

    SERÁ UMA BATALHA CAMPAL! TODOS OS INTEGRANTES NA MESMA ARENA...

    CINCO VERSUS CINCO!

    TEAM LILAC VERSUS TEAM RED!

    SIM, SÃO VOCÊS OS REMANESCENTES DO TORNEIO ORIGINAL REAL DO MAIOR ELEMENTO NOBRE DE TODA AVALICE...

    TORMENTA!

    E AÍ, VOCÊS ESTÃO PONTOS?

    A surpresa praticamente tirou Lilac da tranquilidade, assim como todo seu time.

    — O QUE? Não... Eles não fizeram isso...

    — Caraca! A gente vai lutar todo mundo junto!? QUE IRADO! – Disse Carol, abraçando Lilac.

    — CAROL! Como pode estar gostando disso?! É muito ruim... Muito ruim!

    — Boba, a gente vai lutar junto. Fica sussa!

    Mas Viktor logo disse:

    — Carol, Lilac está certa. Isso é ruim.

    — Porque, piá?

    — Porque? Carol, você se lembra do que a senhorita Lenzin disse? Ela nos analisou e nós não estamos inteiros. Se vamos lutar todos juntos, o desgaste será ainda maior.

    — Ih cara... Pensando nesse lado... É mesmo...

    — Temos que lutar então com muito cuidado... O outro time também deve estar como a gente – Disse Milla, sendo racional.

    — Sim... E isso torna as coisas mais complicadas... – Disse a dragão púrpura, ressabiada.

    Ao fim da música, Brian O’Bryan fez uma convocação bem inflamada:

    — Team Lilac... Team Red...

    CHEGOU O GRANDE MOMENTO!

    VOCÊS... TODOS VOCÊS... JUNTE-SE AQUI NO GIGANTE OCTÓGONO PARA...

    “READY TO RUMBLEEE”!

    ESTE É O TORNEIO ORIGINAL REAL DO MAIOR ELEMENTO NOBRE DE TODA AVALICE...

    TORMENTA!

    GET READY, FIGHTERS!

    A multidão foi a loucura. A empolgação estava a mil. Logo todos do Team Lilac subiu ao enorme octógono que foi criado. E, a exemplo, do outro extremo, eis que se podia ver o Team Red, com todos seus integrantes caminhando com um semblante bem fechado. Era muito visível o tom de seriedade que todos os integrantes do time adversário estava. E, contrastando com seus integrantes, estava Dyona Taz, o lobo mestre. Ele, com um olhar amistoso e um sorriso leve no rosto, se aproximou de Lilac, dizendo:

    — Ora... Minha antiga pupila, Sash Lilac. E agora minha futura oponente... O que o destino faz, não?

    — Seu tratante! Nós sabemos exatamente o que...

    Mas logo Lilac é interrompida por Carol, que diz:

    — Lilac, não... Lembra que a gente tá na surdina, né?

    — Nossa... Obrigada, Carol. Mas...

    — Mas o que?

    — Hm... Acho que eu não preciso dizer nada...

    E Dyona continuou:

    — Espero que façamos uma boa luta, Sash Lilac. E estou vendo que vocês duas tem muitos aliados... Infelizmente nenhum deles chega aos pés de vocês duas... Eh... Florr?

    Logo o jovem panda se prontificou, caminhando até Dyona, que diz:

    — Florr, o que vocês vão fazer com eles mesmo?

    — Acabar com eles, mestre.

    — Hum... Sem pena, não?

    — Nem piedade – Disse, olhando para todos do Team Lilac.

    — Muito bem... Como combinado. Quero uma vitória rápida, ok? Já sabem o que significa...

    Parece que tudo que Lenzin e os membros da Agência disseram era verdade. A primeira impressão que se deu foi de alienação completa por parte da The Red Scarves, que estava sendo representada por Dyona. Ninguém, a não ser o Team Lilac, tinha conhecimento que estavam diantes de um dos tutores dos ninjas arruaceiros. Mas Lilac não deixou por menos:

    — Dyona...

    — Hã? Ainda está aqui? Nossa, é mais corajosa que eu im...

    — Cale-se.

    — Hm?

    — Nós iremos vencer... E fazer esse ciclo sem fim acabar.

    — Hm... Você tem fibra. Isso é bom. Porém não o suficiente. Todos vocês vão cair, Lilac. Meus alunos são mais disciplinados que qualquer um de vocês e, o mais importante, sabem que estão no lado vencedor.

    — Você é um ser desprezível, Dyona!

    — Vindo de uma traidora isso é um elogio, dragão...

    Lilac, frente a Dyona, viu então o juiz se aproximar. O senhor diz:

    — As regras da final são diferentes. E elas são:

    Continua sendo uma luta por submissão, ou seja, vocês precisam jogar seu adversário para fora do octógono. Porém, caso um lutador esteja seriamente ferido, poderá ser excluído por mim dessa luta.

    A cada três minutos a arena será diminuída em três metros de seu tamanho.

    Por estratégia, o líder do time poderá pedir tempo. Porém isso deve ser bem pensado, pois ao fazer isso um dos lutadores será excluído. Cabe o líder escolher quem será. Com o pedido, haverá uma pausa de até quatro minutos.

    É uma batalha campal. Então não existe restrição alguma quanto ao número de oponentes que lutarão um contra o outro. Mas lembrem-se: é uma luta, não uma guerra. O respeito aos limites deverá ser seguido.

    As novas regras eram bem críticas e que de fato mudavam totalmente o ritmo da luta até então. Mesmo diante esse novo desafio, todos do Team Lilac estavam concentrados. De Milla, passando por Carol e Viktor, chegamos a Noah, que estava ainda mais concentrado. E quando o árbitro estava prestes a começar a luta, o jovem albino ouviu:

    “Sua maior força... Use-a...”

    No mesmo instante Noah olhou para trás, mas não havia ninguém. Com havia reparado no comportamento estranho do jovem, dizendo:

    — Trevoso, que tá pegando?

    — Eu... Eu ouvi alguém...

    — Ih... Tá lelé? Só tem a gente aqui. Fica sussa. Vai começar a festa.

    E com todos prontos, o juiz anuncia:

    — Essa é a final do torneio. Eu quero uma luta limpa e justa... LUTEM!

    Ambos os times vão a encontro um do outro. Lilac tomou a frente, correndo até Florr, já deferindo chutes contra o panda cabeludo, que se defendeu de seus golpes usando as mãos. Em seguida veio Carol, trocando socos com Vahn, a outra felina que vestia colante. Carol não poderia passar essa.

    — Ih tá fazendo cosplay da Cammy! Gostei, Nyah!

    — Tenho muitas coisas que você vai gostar... E uma delas será você caída!

    — Mentira. Eu não vou gostar disso. Só você, se conseguir.

    — E irei, sua fracassada!

    — Tá se baseando em que? Se for por eu não ter metido meu punho na sua fuça, então você tá certa...

    A próxima a entrar em combate foi Milla que, já emanando seus cubos formados por seu poder de feixes, os arremessava contra Gran, o canino do deserto, que também já havia manifestado seus poderes, criando uma barreira com a poeira do solo do octógono para se proteger. Ele, olhando para Milla, diz:

    — Desista! Não me faça te machucar, criança!

    — Eu não sou uma criança! Eu sou a Milla!

    Logo a seguir, correndo juntos, estavam Viktor e Noah que, olhando para frente, diz ao humano:

    — Viktor, você precisa se cuidar...

    — Do que é que está falando?

    — A Lenzin disse que você não está em condições. Essa gente não vai pegar leve.

    — Não se preocupe com isso. Eu sei do que estou fazendo e...

    Mas, de forma inesperada, em sua mente, Noah novamente ouve vozes, que dizia:

    “Está fazendo o certo...”

    Isso tirou a concentração em Noah, percebido por Viktor, que diz:

    — Noah?! Noah!

    — Hã? Mas... O que houve?

    — Eu que pergunto... Eu estava dizendo mas você não me ouvia!

    — Eu... Eu não sei o que...

    Mas não havia tempo para conversas longas. Viktor e Noah foram atacados ao mesmo tempo por Ox, o outro caminho que tinha enormes orelhas, estas presas quase como um rabo de cavalo. Ao mover seus braços, isso causou um deslocamento de ar, atingindo o solo onde os jovens do Team Lilac estavam. Por sorte, e pela boa percepção de Noah, o albino conseguiu puxar Viktor a tempo antes de ser atingido. O canino então diz:

    — Escutem bem... Eu não vou ter pena nenhuma de vocês. Nosso time passou por muitas dificuldades... Um bando de fracassados como vocês não tem a mínima chance.

    — Não esperaria humildade de arruaceiros como vocês... – Disse Noah, de forma bem fria.

    — Noah?! Cara, não diga isso deles! – Disse Viktor, olhando para o albino.

    — Porque não? É o que são. Eu não devo sat...

    Mas novamente Noah volta a ouvir em sua mente vozes.

    “Esta tudo errado...

    Não pense assim...

    Porque você...

    Já esteve...

    No outro lado.”

    Por um breve momento Noah voltou a ficar paralisado e, com isso, Ox se aproveitou e deferiu novamente seu golpe de deslocamento de ar, o que fez Viktor agir rapidamente e pular contra Noah, evitando assim que fosse atingido. Caído sobre Noah, o jovem diz:

    — CARA, O QUE HOUVE COM VOCÊ?!

    — Viktor... Eu...

    — Estamos em uma batalha campal. Não temos tempo pra conversar... Vai, levanta! – Disse Viktor, já de pé, estendendo sua mão para Noah.

    Viktor estava muito certo, principalmente porque Ox se aproveitou do momento propício, os atacando dizendo:

    — WIND BEAM!

    Um forte turbilhão foi arremessado contra os dois, os atingindo em cheio. O poder do canino era espantoso, voltando a derrubar os dois. Ele, olhando para Viktor e Noah, diz:

    — Então esse é o Team Lilac? Vocês são fracos... Muito fracos!

    Visivelmente tontos e um pouco feridos, os jovens membros do Team Lilac se levantavam lentamente, dizendo:

    — Viktor... Você está bem?

    — Estou... eu acho...

    — Esse cara... Ele é forte...

    — É sim...

    Ox era mesmo um oponente terrível. Noah mesmo chegou a essa conclusão, enquanto o canino do deserto concentrava seus poderes:

    — Viktor, esse cara é forte... Tanto pra mim e principalmente pra você...

    — Noah, eu sei lutar. Não quero que...

    — Estou falando sério. Escute... Você não tem poderes especiais, mas eu sei que algo em você despertou.

    — Hã? Mas só que está falando?

    — Os golpes do Sheng... Nem eu suportava tantos golpes daquela forma. Tem algo em você diferenciado.

    — Mas o...

    Porém Ox era implacável, não deixando que continuassem com a conversa, arremessando novamente seu Wind Beam. Por sorte Noah ajudou Viktor a se esquivar, enquanto pensava:

    — *Isso não é bom... Eu sem o Kaipasu não tenho ideia de como começar a atingí-lo e não posso ir até aquele lobo... Teremos que lutar juntos nessa luta, Viktor... E eu sei que você tem uma resistência acima do normal...*

    Mas não se limitada somente a Ox. Carol também estava tendo problemas com Vahn. A luta entre as felinas seguia, com a membra do Team Red com vantagens, enquanto completava uma sequência de socos contra Carol, que tentava se defender como podia. Ao fim, a felina verde diz:

    — É, tu é forte...

    — Mais do que imagina, traidora.

    — Aí, Cammy com cor alternativa... Sou traíra não, tá? Só fiz uma escolha boa depois de uma ruim. Ou seja, tava vacilando...

    — Não! Você fugiu do que começou! – Disse Vahn, durante mais uma sequência de socos.

    — Tu não sabe de nada, gatinha. Tu que tá no lado errado...

    — E você no lado fraco!

    Um tom de revolta tomava conta da arena. Com as poucas declarações dos membros do Team Red, já se tinha uma noção de como eles encaravam a situação. E isso foi mais explícito durante a luta de Lilac e Florr, que supostamente era o líder dos demais membros. Os dois corriam um paralelo ao outro, enquanto trocavam socos e chutes rápidos.

    — Florr, o que vocês estão fazendo é...

    — Cale-se, dragão! Dyona nos disse tudo sobre vocês! Suas traidoras! – Disse o canino, enquanto tentava desferir um chute contra Lilac.

    — Não... Você está enganado. Ele os estão testando!

    — Hã? Como sabe disso? – Disse Florr, tentando aplicar um soco em Lilac.

    — Sabemos de muita coisa... – Disse a dragão, segurando com dificuldades o golpe desferido pelo canino.

    — E eu sei muita coisa sobre vocês... Não terei pena de fugitivas.

    — O que? Você não sabe de nada! Nós nunca fugimos!

    — Cale-se!

    Florr parecia ignorar o que Lilac tinha a dizer, voltando a desferir vários socos contra Lilac, que conseguia desviar com certa facilidade. Mesmo com a limitação de seus poderes, a dragão era uma lutadora bem habilidosa. Sabendo que não poderia ficar somente se defendendo, ousou então e aplicou um chute poderoso no dorso do jovem, que foi para trás com a intensidade do golpe. Porém Lilac sabia que tinha aplicado uma força além do que esperava, indo em seguida na direção ouve o jovem caiu, dizendo:

    — Nossa, me desc...

    — CALE A BOCA!

    — Florr, eu não queria te...

    — O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?

    — Escute, essa luta é desnecessária. Dyona tem outros interesses...

    — Cale-se, Lilac... CALE-SE!

    — Florr...

    — EU NÃO QUERO TE OUVIR! – Disse o canino, se aproveitando do descuido de Lilac.

    Florr, em seguida, executou um soco no rosto de Lilac e começou então a manifestar uma energia em sua mão, dizendo:

    — HEAVY PUNCH!

    Um violento soco é desferido contra a barriga da dragão, que foi arremessada para longe. Durante seu vôo, um barulho grave é ouvido: era a arena, que havia diminuído de tamanho, o que traria a queda de Lilac do octógono. Mas Milla, que estava lutando contra Gran, se ateu a luta e foi em auxílio a dragão e, usando de seus poderes de feixes, conseguiu alcancá-la, a acudindo antes que saísse. Com Lilac ferida, Milla diz:

    — Lilac?! Você está bem?

    — Milla... Obrigada, mas...

    — Lilac, eles estão mesmo levando tudo isso bem a sério.

    — Mais do que eu imaginava, Milla. Dyona os iludiu de uma forma que estão lutando como se dependessem disso pra viver...

    — Isso é muito errado, Lilac...

    — E para piorar, eles parecem não estar sentindo cansaço algum depois de tantas lutas...

    — Hã? Como assim?

    — Eles parecem estar completamente em forma... Em nada lembra o sacrifício que estavam fazendo na semifinal que Lenzin nos mostrou...

    O entendimento do Team Lilac a situação era completamente diferente do que o Team Red interpretava. Entendam: era uma batalha campal. E era justamente nessa definição que o time de Dyona estava se baseando. Tanto que todos os seus membros estavam prestando atenção a toda os embates e, com isso, tirar vantagens sobre a desatenção de seus adversários. E esse era o lema de Dyona.

    E vocês devem estar se perguntado: “Onde está Dyona nessa luta?”. Pois bem, o lupino de pelugem negra usando um sobretudo estava distante de todos, observando a luta. E é exatamente isso que vocês entenderam: ele não tinha a menor intenção de lutar, como fez durante todo o torneio. Até mesmo Noah já havia percebido essa situação mas, por estar preocupado com Viktor, não podia deixá-lo sozinho na luta contra Ox. E esse fato do lobo estar parado observando aluta foi percebido por Lilac, que diz:

    — Milla... A culpa disso tudo é dele – Disse, apontando para Dyona.

    — Oh mas o que ele está fazendo lá parado? Ele não vai ajudar na luta de seu time?

    — Não, Milla... Esse patife... Ele...

    Nutrida por muita irritação, Lilac concentrou-se e começou a correr em direção ao lobo, dizendo:

    — VOCÊ É DESPREZÍVEL, DYONA! AHHH!

    Embora Lilac não tivesse utilizado seu Dragon Boost, sua velocidade estava acima do normal, chegando até o lobo rapidamente, que estava imóvel, só observando, com os braços cruzados. Porém, quando a dragão púrpura estava prestes a atingí-lo com um soco em seu rosto, eis que Florr apareceu, a goleando em seguida com um soco em seu dorso. Lilac foi jogada para longe novamente, mas conseguiu se equilibrar ainda durante a queda, caindo de pé logo após. Olhando para Florr, ela diz:

    — SERÁ QUE VOCÊ NÃO COMPREENDE? ESSE TRATANTE SÓ QUER USAR VOCÊS!

    — E daí? – Disse, enquanto se colocava em base de luta.

    — Como assim? Você tem noção do que... – Tentou dizer Lilac.

    — Tudo nesse mundo é movimentado por interesses. E daí se Dyona quer nos usar? Fizemos uma troca aqui... Uma troca de interesses... – Disse, enquanto corria até Lilac.

    — Do que está falando?

    — HEAVY PUNCH!

    Lilac conseguiu defender o fortíssimo golpe de Florr, fazendo-a ir para trás. Mas o canino, continuando a conversa, diz:

    — Ele nunca nos disse seu interesse nesse torneio... Mas e daí? O que é o mais importante para mim é... O MEU INTERESSE! HEAVY PUNCH!

    Lilac é novamente golpeada, sendo jogada novamente para trás, justamente quando a arena diminuiu de tamanho. Percebendo a tempo, conseguiu fazer uma manobra com seu corpo e ficar de pé sobre o octógono.

    Carol, prestando atenção em Lilac, gritou:

    — LILAC, TU TÁ BEM, MENINA?!

    — Sim, eu estou... CUIDADO!

    A aflição da dragão púrpura era justificável: Vahn começou a emanar uma aura azul em seu corpo e, começando a correr, diz:

    — VAHN LANCER! AHHH!

    A felina então condensou sua aura, formando um tipo de lança usando seu próprio corpo, golpeando felizmente Carol, que foi arremessada para longe, quase saindo da arena: mais uma vez foi diminuído o espaço do lugar, o que deixou ainda mais restrito a movimentação. Haviam dez lutadores sobre o octógono, o que trazia uma certa aflição por parte de toda do Team Lilac.

    A felina, por causa do espaço diminuto, quase foi jogada para fora mas, por sorte, Milla estava a par do ocorrido, a salvando. Porém Gran foi ao encalço da pequena, dizendo:

    — Vocês nunca irão vencer a gente... Nós temos algo a mais que todos vocês... – Disse, enquanto começava a concentrar poderes em sua mão direita – TOME ISSO! GEISER PODEROSO!

    Diante as duas, o canino do deserto concentrou um grande poder em sua mão e golpeou o chão, fazendo surgir uma gama enorme de energia proveniente da poeira que estava no octógono, atingindo as duas ao mesmo tempo. Carol e Milla foram jogadas com tanta força que foram arremessadas para até próximo a Lilac, que havia recebidos vários golpes do fortíssimo panda. Com um de seus braços pesando, ela diz:

    — Garotas... Eles são muito fortes...

    — Tamo levando maior pial reto, Lilac... – Disse Carol, ferida e cansada.

    — Eu ainda tenho forças! Mas... Eu não quero machucar eles, Lilac. Isso que vocês disseram... – Disse Milla, se levantando, a frente das duas.

    Ao fundo, distante dalí, estavam Viktor e Noah, que lutavam os dois juntos contra Ox. O canino era um oponente poderoso, principalmente perto do que o jovem humano poderia fazer. Ele, a frente de Noah, diz:

    — Cara, vocês estão cometendo um grande erro em seguir por esse caminho errado!

    — Hã? Do que está dizendo, fracote? Nós estamos aqui para vencer esse torneio.

    — Vocês estão sendo usados! Abra sua vista! Eles, os quais você sabe de quem estou dizendo, não se importam com vocês!

    — Hahaha! E você acha que nós não sabemos disso? É sério?

    Noah, ainda tonto, vai até Viktor e, se colocando agora a frente do jovem, diz:

    — Me diga, Ox... Porque estão aqui? Se sabem do que estamos falando, então...

    — Ah cala a boca, seu miserável. Só estamos aqui por interesse...

    — Interesse a que? Ao resquício?

    — Troféu? Você acha que estamos aqui pelo troféu? Hahaha! Vocês vivem em um mundo onde tudo funciona... Onde vocês tem tudo ao alcance e tudo se resume a “ficar mais forte”. Só que a vida lhe deu várias oportunidades... Então, ô engomado... eu te pergunto: e quem não tem essas oportunidades que vocês tem?

    Viktor, tomando a palavra, diz:

    — Eu sei bem, Ox... Vocês tem sonhos.

    — Me surpreende em ouvir isso de alguém que teve tudo na vida. Mas é isso mesmo. Nós vamos te...

    — TRATE DE CALAR SUA BOCA!

    — Hã? Mas o...

    — Como pode ter tanta certeza de que todos nós tivemos oportunidades como você diz? E como assim “temos tudo”? Você não nos conhece! Durante o caminho de um lutador existem perdas e ganhos. É a regra da vida. Não me venha querer ser o dono da verdade!

    As palavras fortes de Viktor revigoram os brios de Noah que, ao ouvi-lo, pensou:

    — *”Durante o caminho de um lutador existem perdas e ganhos”... Viktor, você está mais do que certo... Aliás, você me inspirou...*

    E mais uma vez Noah ouviu vozes em sua mente, que dizia:

    “O certo sempre será o certo...

    E o errado sempre será errado...

    Você achou o que procurava...

    Então, use-o.”

    O jovem albino, confuso com a voz repentina novamente, parecia diferente. Próximo a Viktor, Noah tomou uma outra posição. Ainda não havia sequer aplicado nenhum golpe, e isso tinha uma explicação:

    — *Sem o Kaipasu minhas mãos não tem serventia. Sem a aura eu não sou capaz de ter força suficiente para usar qualquer técnica. Sem ter uma força para conseguir aplicar pressão aos seus pontos do atrapalha... Muito bem... Eu achei o que procurava... Essa voz... Ela está me guiando... Qual será o fundamento disso*

    Noah então tomou uma base de luta totalmente diferente do que tinham visto. Colocou suas duas mãos para trás, prendendo seus braços. Colocou então uma de suas pernas a frente e começou a saltitar. No mesmo instante ele diz:

    — Estilo Joon-sowen. Era o que eu procurava.

    A base de Noah logo levou Viktor a pensar:

    — *Essa base... Minha nossa... É Taekwondo! O Noah sabe lutar essa arte marcial?*

    O taekwondo é uma arte marcial originalmente coreana, que teria surgido por volta do século VII d.C. A tradução que se faz do termo taekwondo é “caminho dos pés, das mãos e do espírito”, significado que revela a proposta de desenvolvimento integral do praticante, típica das artes marciais.

    Mas Ox estava mesmo disposto a seguir com o que pensava, e diz:

    — Tolo... Eu não tenho que ficar filosofando com nenhum de vocês. Não sabem pelo que eu passei e nem de meus ami... aliados...

    — Ox, não precisa ter vergonha de chamá-los de amigos.

    — NÃO EXISTE AMIZADE NESSE MUNDO!

    — Cara, você não sabe o que está dizendo...

    — Tudo é motivado por interesse. Meus aliados só estão aqui porque nossos interesses se cruzam.

    — Não acredito nisso... *Eu vi suas lutas... Lenzin nos mostrou... O brio nos olhos deles eram de união e garra... Eles estão mesmo levando a sério tudo isso...*

    Ox estava falando abertamente seu ponto de vista. Sua motivação era igual ao de seus aliados. Noah, depois de ter mudado de base, se movimentou até Ox e, usando suas pernas, o golpeou com extrema força, dizendo:

    — CHEONDUNG PINIGSEU! (Fênix Estrondosa, em coreano)

    O chute foi absurdamente forte, fazendo com que o canino do deserto tivesse dificuldades para se defender. Mas mesmo com esse contratempo, Ox aproveitou a abertura na guarda de Noah, executando um soco poderoso em sua barriga, o levando ao chão, ajoelhado. E quendo estava prestes a lhe acertar um chute, a fim de arremessá-lo para fora, Viktor aparecer, recebendo o golpe por Noah. O chute desferido por Ox atingiu o dorso do jovem humano, que gritou de dor, mesmo ainda estando de pé. Foi tão intenso que até às garotas puderam ouvir. Mas mesmo diante tábua for, Viktor tomou forças e abusou Noah, correndo com ele de perto do canino, dizendo:

    — Noah... você está... ah...

    — Eu estou bem... Mas Viktor... Você...

    — Não, tudo bem... Estou acostumado...

    — Cara, você recebeu aquele chute... Deve estar... te causando muita dor...

    — Eu estou acostumado...

    E em uma distância segura de Ox, os dois então se colocam em base de luta novamente, com Viktor ainda dizendo:

    — Golpe forte, base firme, porém forma falha e perna trêmula...

    — Hã? O que está dizendo?!

    — Noah, não se faça de inocente. Eu sei quando alguém não tem controle desse estilo.

    Era algo muito evidente para um mestre como Viktor perceber: Noah poderia ter um outro estilo de luta, mas não tinha aprendido o suficiente. Ele, um pouco sem jeito, diz:

    — Não vou conseguir esconder isso de você, “mestre”.

    — Não se sinta mal por isso. Aquele golpe, se bem executado, poderia até tê-lo deixado desmaiado.

    — Obrigado pelo elogio...

    — Levante a postura e não erga muito sua perna se não tiver certeza de que vai atingir o seu oponente.

    — Hã? Mas...

    — Fundamento número um em artes marciais: nunca aplique um golpe sem ter certeza que ia atingir.

    — Hm... Obrigado pela dica. Foi útil... Não vou mentir: eu bati nele sem planejar nada...

    Enquanto tudo transcorra, novamente Noah se vou em devaneios:

    “Não... Não...

    Você vai além disso...

    Não é uma brincadeira...

    É um descobrimento...

    Que você fará...

    Em breve.”

    Tomado por dúvidas, Noah gritou mostrando destempero:

    — QUEM ESTÁ DIZENDO ISSO?!

    — Hã? Noah, mas o que está acontecendo?

    Algo de muito estranho estava acontecendo. O jovem albino, com uma das mãos em sua cabeça, se manteve em base de luta, dizendo:

    — Nã-não foi nada, Viktor. Temos que pensar em uma forma de vencê-lo...

    — Temos sim! *Tem algo acontecendo com ele... * Noah... Eu vou te ajudar... a desenvolver melhor. De onde eu vejo tem uma arte marcial igual a sua...

    — Como poderia me ajudar com isso?

    — Quando atacar, procure se manter em movimento sempre. Fique saltitando até achar uma brecha... Ataque-o com chutes rápidos, com pouca força... E quando ele abrir a guarda, aí sim aplique esse seu chute poderoso!

    — Mas... Você... Você está certo! *Eu não acredito que Viktor abriu meus olhos. Eu só estava olhando para a potência dos golpes até hoje, mas ele está correto. Não é diferente do Kaipasu...*

    Então ambos os jovens se voltaram em base de luta, sabendo que agora tinham mais armas para usar. Na arquibancada, acompanhando a luta, estava todos do Team Omna, com exceção de Ingris. E lá, observando somente Viktor, era Sheng, que pensou:

    — *Viktor, você não deve nem desconfiar... Eu não te disse para não aumentar suas expectativas... Mas ao segurar sua mão pude sentir que você sem querer desenvolveu seu Feng Shui... Naquela luta contra mim você colocou em prática um poder passivo seu: essa sua resistência. Ela te protege... Ela te deixa quase invencível... Eu lhe dei pistas ao dizer que consigo quebrar diamantes com meus punhos, mas não consegui te quebrar... Então, cara... Usa isso a seu favor nessa luta...*

    Indo até onde estavam Lilac, Carol e Milla, visivelmente feridas e exaustas, Florr, próximo de Vahn e Gran, diz:

    — Nós tivemos essa oportunidade de mostrar a todos vocês, que tem um mundo perfeito, a verdadeira realidade. Estamos aqui nesse torneio pra acabar com essa festa ridícula!

    — Do que está dizendo? – Disse Lilac, com uma de suas mãos sobre seu ombro esquerdo.

    — Tudo isso que fazemos parte... é uma fraude! A verdadeira luta se dá lá fora, onde ninguém se importa com você. Não adianta você se dedicar pra ser melhor...

    — Não... Você está errado... Não se resume a isso...

    — Não? Então me diga: porque esse torneio existe? Porque tem tanta gente aqui? E como você sabe que eles se importam com a gente? Resposta: você não sabe porque na verdade tudo isso é uma perda de tempo!

    Carol, até então calada, interveio:

    — O vacilão... Escuta só: eu tô nesse torneio porque eu gosto de lutar. Eu gosto dessa parada toda! Tô aqui pra curtir um lance que eu gosto, eu reconheço tudo isso. Só que tu tá falando besteira em querer pagar de bonzão: tu não tá levando em consideração o que cada pessoa que participou desse torneio pensa.

    — O que você disse só valida o que eu disse, gatinha! – Disse Florr, já começando a emanar seus poderes – Porque isso acontece? Simples: Mídia. Dinheiro. Fama... Se você não tem nada disso, não tem valor. As portas se fecham e você se vê em um mundo cercado por interesses... Você volta pra casa sem nada porque ninguém se interessa em você pelo o que você vale para a sociedade.

    Com Milla em base de luta os fitando e Carol fazendo o mesmo, Lilac se colocou a frente das duas e, estendendo sua mãos, diz:

    — Carol... Milla... Parem.

    — Hã? Que tá rolando, Lilac?! – Disse Carol, confusa.

    — O que houve? – Disse Milla, surpresa.

    — Eu tenho a mesma opinião dele.

    — Ah tá de saca, né? Lilac, esse papo de fracassado dele está te...

    — NINGUÉM AQUI É UM FRACASSADO!

    — Lilac...

    — Desde o início eu achei a mesma coisa desse torneio. Eu não queria fazer parte porque a nossa missão era mais importante. Só que esse torneio de tornou a missão... Então, tirando a responsabilidade, tudo isso é desnecessário!

    — Mas Lilac, todos que lutaram aqui fizeram pra testar suas forças. Vieram porque são lutadores.

    — Carol, a verdadeira luta se dá quando se luta por um ideal. Eu luto por justiça no momento. Então, minha amiga... Eu te peço: lute por isso também. Sem ar de competição. Por mim e por todos... Por favor.

    — Lilac... Eu... – Disse Carol, olhando nos olhos de sua amiga, percebendo que estava mesmo falando sério – Tá, você tá sempre certa nessas coisas. Tudo bem. Parei com a zuera e parei com a farra. Vamo acabar logo com isso.

    — Muito obrigado, Carol...

    O grito de ira da dragão despertou até a atenção de Viktor e Noah que, distantes, olharam no mesmo instante. E a dragão continuou dizendo:

    — Eu já entendi tudo agora... Carol, está acontecendo outra vez, como você disse...

    — O que? Não tô me lembrando...

    — Eles lutam pelos mesmos motivos que a gente lutava quando éramos do clã... “Nós fizemos o que estava a nosso alcance e aproveitamos...”

    — “... mas as coisas tomaram um rumo diferente e metemos o pé”. É verdade, Lilac... Agora eu entendi... E o desgraçado que tem a culpa nisso tudo tá alí paradão...

    — Exatamente...

    — Do que vocês estão falando? – Perguntou Milla.

    — Milla... Carol... Os garotos estão longe daqui, mas eles irão entender... Então eu tenho um pedido a vocês – Disse Lilac, olhando para Florr.

    — Vai, diva. Diz... Diz pra gente.

    — Ataquem... Com tudo!

    As coisas não estavam boas. O Team Red parecia estar muito mais bem preparado em combate em grupo que o Team Lilac. Mas mesmo assim as garotas partiram com tudo para cima dos outros três membros do Team Red. Ao ver a atitude de Lilac, Viktor e Noah conservaram:

    — Viktor... Lilac e as outras atacaram com tudo dessa vez...

    — Eu vi... Precisamos reagir a altura... Esse cara é muito forte não abre brechas...

    — Sim. Eu odeio admitir, mas vou precisar de sua ajuda.

    — Está aí uma coisa que eu não esperava. O que o fez decidir isso?

    — Grr... Não está sendo fácil pra mim essa decisão... Mas é por você conhecer melhor esse estilo que eu...

    — Eu entendi, hehe... Então vamos!

    O tom da luta havia mudado. A sensação que estava no ar era de revolta, de ambos os lados. A força de vontade e o senso de responsabilidade alcançaram um patamar ainda acima para o Team Lilac.

    Uma batalha desgastante se aproxima.

    Music: “Kaze Fuiteru” by Yuki Koruda

    Team Red vs Team Lilac – The FIGHT: honnor and pride.

    The Battle is Begin

    Esqueçam totalmente do clima das outras lutas desse torneio. O motivo pelo quão Lilac ter levado a sério o combate já não era só pelo resquício da jóia. Havia muita coisa por trás, algo bem mais profundo e íntimo da bela dragão e sua amiga felina. Enquanto corria contra Florr, ela pensou:

    — *Todo esse contexto... Todo esse clima... É como voltar ao nosso passado... Eu sei o que cada um deles está sentindo...*

    Combate não me assusta

    Vencer em luta justa... é viver

    O forte não se deixa abater

    O corpo obediente... sob o poder da mente

    Vai vencer...

    O mundo vai me conhecer”

    Logo Lilac trocou socos e chutes contra Florr, que respondeu na mesma intensidade. Assim como ela, Carol também pensou:

    — *A gente tava desesperada... Não tinha nada pra comer... Aí esses manés da The Red Scarves apareceram na nossa vida... Foi quando, no fim, que a gente percebeu a escolha ruim que fizermos...*

    Carol então entrou em combate contra Vahn, com um incrível chute sendo desferido contra o rosto da felina membro do Team Red. Entretanto Carol não esperava pelo contra ataque, recebendo um soco em seu rosto com toda a força.

    Durante esses embates, mais precisamente enquanto Lilac trocava socos e chutes contra Florr, mesmo com ela em desvantagem, diz:

    — Eu sei como vocês se sentem...

    — Não! Você não tem ideia! – Disse, desferidlndo um soco.

    — Eu estava nesse lado... No início eu tinha raiva do que tudo isso se tornou, mas eu não atravessei a linha... – Lilac conseguiu se defender da sequência.

    — NÃO ME VENHA COM ESSA CONVERSA!

    — Não... Você não entende... VOCÊ NÃO ENTENDE! – Disse Lilac, com seus olhos começando a brilhar.

    Decerto, a dragão púrpura havia ativado seu Dragon Focus, o que lhe trouxe uma vantagem. E continuou:

    — Eu irei usar tudo de mim para evitar que vocês mergulhem mais fundo...

    — Cuide de sua vida!

    — Essa é minha vida... pois eu estou lutando contra vocês, mas...

    Conforme Florr desferis sucessivos chutes contra Lilac, agora a dragão conseguia se esquivar com facilidade, dizendo em seguida:

    — ... a luta que vocês deveriam estar travando não é contra a gente.

    — O que?!

    — Florr, você é um lutador formidável. Alguém já lhe disse isso?

    — CALE-SE, LILAC! EU VOU TE DERROTAR! – Disse o panda, executando um soco contra o rosto de Lilac.

    — JÁ TE ELOGIARAM POR VOCÊ SER INCRÍVEL? – Disse a dragão, aparando o soco com uma das mãos.

    “Superando os meus limites

    Sei o que vou enfrentar

    Sei que o mal no mundo existe

    Duro é o combate mas vou lutar!”

    Milla então começou a medir forças com Gran, que utilizava a todo instante seus poderes, jogando contra a pequena uma rajada de poeira, que a forçou para trás. Mas mesmo diante disso, Milla concentrou seus poderes de feixes e jogou contra Gran uma forte soma de energia, sendo desviado no último instante pelo canino. Ele, surpreso pela mudança de postura, diz:

    — Então está levando a sério... Demorou, hein...

    — Não. Eu sempre estive lutando a sério. Agora eu estou lutando para mostrar a vocês quem somos nós... – Disse Milla, não economizando na energia.

    — O que?

    — CUBE BLASTER!

    Um conjunto de nove cubos verdes são arremessados um atrás do outro por Milla, atingido Gran sem chances de defesa. O canino recebeu todos os projeteis, o arremessando para trás e, como uma última cartada, a pequena canina diz:

    — PHANTOM BEAM!

    Um incrível feixe verde é lançado contra Gran em seguida, tirando-o do chão, o levando para fora quase fora da arena. Um dos membros do Team Red havia caído. Faltavam três.

    A queda de Gran foi vista por Florr, que diz:

    — GRAN!? Não... Elas tiraram o Gran, Vahn!

    — Ainda não! Entre está bem, eu vi

    — Temos que ajudá-lo! *Elas... Elas estão lutando diferente... O que está havendo aqui?*

    — Está louca? Cada um por si, Vahn... CARA UM POR SI! Ele está usando aquilo. Nós estamos na vantagem. Então nada de se preocupar.

    Porém Lilac pôde ouvir essa conversa paralela perfeitamente. Seus suportes auditivos lhe permitiram isso. Ela, preocupada, enquanto evitava os golpes de Florr, pensou:

    — *”Ele está usando aquilo”... Do que ele está falando?*

    Não havia tempo para delongas. As lutas seguiram intensas, com Carol combatendo Vahn, que não se desconcentrou. E, por ter perdido um integrante, percebeu a seriedade da situação. Ela então, se defendendo dia golpes de Carol, diz:

    — Vocês nunca saberão o que é ser um anônimo no meio dessa gente!

    — Não, Cammy paraguaia... Nós sabemos exatamente como vocês se sentem...

    — Nunca! Nós lutamos contra tudo! Não nos resumimos a torneios ou coisas do tipo...

    — A gente também não...

    O olhar compenetrado de Carol chamou a atenção de Vahn, que pensou:

    — *Esse olhar... Ela parece sentir algo, mas... É como se estivesse lutando por uma motivação acima do que estamos...*

    Sim, Vahn estava certa. O clima da luta era diferente. E isso ficou ainda mais evidente durante a peleja entre Lilac e Florr, que diz:

    — Nós somos fortes independente de quanto de nós estivermos aqui nessa arena!

    — Eu concordo com você, Florr.

    — Hã? Concorda?

    — Sim. Eu vejo em todos vocês uma força fora do comum, coisa que nós nunca tivemos...

    — Então reconhece sua interioridade?

    — Todos nós que lutamos contra Brevon éramos interiores em poderes a ele. Eu ignorei isso... e depois todos também ignoraram...

    — E porque? – Disse, enquanto golpeava os braços de Lilac, que ser defendia.

    — Todos nós estávamos decididos a vencer... porque estávamos unidos.

    — União? Você me faz rir, Lilac! Como pode ser tão...

    — FOI DA UNIÃO DE TODOS QUE HOJE TEMOS UM PLANETA LIVRE!

    As palavras de Lilac tinham um peso gigante nos argumentos vazios de Florr, que por mais que a agredisse com seus golpes, a dragão não recuava. Era visível a diferença de vigor, com o panda inteiro em seu físico. Mas a conversa não se resumia ao a Lilac. Carol, que lutava contra Vahn, dizia:

    — Conheço como é estar nessa situação, pensando que tinha todas as respostas... Até eu conhecer a Lilac. Aí tudo mudou...

    — Vocês tiveram tudo e jogaram fora! Lhe deram uma oportunidade...

    — Não... Você tá errada. Nós não tínhamos nada desde o início. Quando saímos só tínhamos a nós duas... depois nós três... Só aumentava e, no fim... éramos o planeta todo.

    — O que?! Mas que...

    — Você tá confusa, né? Nunca te disseram coisas boas... A Lilac tá certa. Vocês todos são sinistro pacas.

    — Por-porque diz isso?

    — Pra lutar nessa pressão toda tem que ser bichão, saca? Tô lutando contra você mas não sei se vou vencer... E isso me anima.

    — Porque está dizendo isso?

    — Como minha amiga dragão já disse, vocês são incríveis.

    — Sua... miserável... *Porque elas estão sorrindo? Porque estão falando essas coisas? É como se elas estivessem gostando de lutar contra a gente...*

    “Um lutador eu sou

    Se é meu destino, aceito...

    Tenho a coragem... dentro do meu peito

    Faço a minha sina, dirijo a minha sorte

    Ao encontro do mais forte”

    Tudo estava ficando um pouco mais claro. O Team Lilac queria mostrar ao time adversário o verdadeiro propósito dessa mudança de atitude. O clima tenso estava dando lugar a algo próximo do, como poderia dizer, “competição”. Mas essa não era a intenção. Havia mais, e Viktor e Noah ajudaram a deixar as coisas ainda mais evidentes.

    Mesmo com suas limitações (Viktor estava com seu físico debilitado e Noah redescobrindo uma novo estilo de luta), os jovens então se uniram correndo juntos em direção a Ox, que insistentemente tentava evitar a aproximação dos dois usando seus poderes de vento. Embora Viktor tenha sido afetado pelas rajadas, o que retirou um pouco de sua velocidade na corrida, Noah usava de sua agilidade para enfim chegar até seu adversário.

    Sem perder tempo, Noah começou a atacá-lo seguindo as orientações de Viktor: o híbrido passou a executar chutes rápidos a fim de abrir a guarda de Ox, que diz:

    — Nem vocês dois são páreo pra mim!

    — Você fala demais... Você menospreza adversários se baseando em suas habilidades especiais. E me permita dizer isso: são espetaculares.

    — O que? Está me elogiando? COMO OUSA ZOMBAR DE MIM!? – Disse Ox, executando um fortíssimo soco contra o dorso de Noah.

    Mas antes que o jovem albino fosse acertado, Viktor surgiu entre os dois, recebendo o golpe. Entretanto, sabendo de sua intensidade, o jovem humano levou seus braços a frente de forma cruzada, conseguindo neutralizar maiores danos. E era justamente esse o momento que ele estava esperando.

    — Não estamos zombando de você... VAI, NOAH! É AGORA!

    Sob o olhar confuso de Ox, Noah saltou sobre Viktor, concentrando em sua perna direita seu golpe.

    — CHEONDUNG PINIGSEU! AHHH!

    O chute poderoso de Noah acertou Ox em cheio, atingindo seu rosto. Ainda cambaleando, pode ver a arena diminuir ainda mais de tamanho, dizendo:

    — Seus miseráveis... Eu vou...

    Todavia, era um ataque conjunto de Viktor e Noah, e ainda não havia terminado: aproveitando o momento, Viktor manobrou seu corpo para o lado esquerdo de Ox, agarrando seu braço. E, encostado ao dorso do canino do deserto, ele diz:

    — Entenda: estamos mesmo decididos a derrotar todos vocês. Mas iremos fazer isso de forma justa e limpa... Então... TSURI GOSHI!

    Viktor girou seu dorso, alavancando o corpo de Ox entorno de seu eixo e, usando do pouco de força que tinha, o arremessou para fora da arena, que havia ficado diminuta naquele exato momento. Num ataque combinado, Noah e Viktor conseguiram a primeira vitória. Mas antes se tomar a atenção, Viktor diz a Ox, que estava caído:

    — Você é espetacular, Ox. Só te vencemos porque você se descuidou.

    — Não... NÃO! NÃO DESSA FORMA HUMILHANTE! ELE ESTAVA USANDO... – Disse Ox, se calando em seguida.

    Mas essa sua manifestação levantou estranheza por parte de Noah.

    — Hã? Ele estava usando o que? E quem?

    Mas Ox se calou, virando seu rosto, como se estivesse escondendo algo. Viktor, olhando para Noah, diz:

    — Vamos... As garotas precisam da gente!

    — Sim, vamos... *Tem algo errado...*

    Enquanto isso, a luta continuava com Lilac e suas amigas. O Team Red havia tido sua primeira baixa, sendo visto por todos. A dragão, ainda sendo atacada, diz:

    — A união dos dois derrotaram Ox. Você viu...

    — União? UNIÃO? ISSO NUNCA FUNCIONOU CONOSCO!

    — Vocês nunca tentaram...

    — Ninguém aqui precisa disso pra viver. Essa luta é a maior definição de que cada um aqui luta por si – Disse Florr, enquanto desferia um forte chute.

    — Não. Você está errado. Vocês se uniram, mas não lutam juntos por avareza... – Disse a dragão, defendendo o chute.

    — Sua ideologia de um mundo unido é uma utopia...

    — Não... Eu não tenho ideologias... Eu só tenho amigos... e uma grande força de vontade de vencer... SÓ ISSO JÁ ME BASTA!

    “Torcer exalta os sonhos

    Mesmo com o coração aos prantos

    É a glória...

    O seu instinto lhe guiará!

    Correndo aqui agora

    A frente a mil por hora...

    O cenário das vitórias

    Surge nas minhas histórias!”

    No outro lado, Carol batalhava contra Vahn de forma bem selvagem. Não havia melhor definição, pois as duas abriram mão de se defenderem: era uma luta franca, de troca de socos e chutes. Carol, enquanto golpeava o rosto de Vahn, dizia:

    — O piá tava certo... Vocês tão curto de sonhos... Eu sei. Tive muitos...

    — NÃO SEJA TOLA! Nós estamos cansados de tudo isso, dessa besteira toda!

    — Eu também pensava assim. Mas feira que eu conheci bem minha amiga, eu vi que tava agindo que nem uma boba, só pensando em me dar bem... A vida não funciona assim.

    — A vida de um lutador é vencer! Só os fortes tem vez nesse mundo! As oportunidades só são pra quem tem fama e influência! – Dizia Vahn, golpeando o dorso de Carol.

    — Ah... Esse soco... Você é muito forte, Vahn... Sua força é uma coisa divina... Você deve ter treinado muito...

    — CALE-SE!

    — Não... Bunita, tu tá se perdendo. Ser um lutador não é só de vitórias em luta... A gente vence as batalhas da vida respeitando todo mundo. Euzinha sei disso porque falhei demais, machuquei muita gente e... minha família nunca foi exemplo... Mas e daí? Eu sou Carol Tea. Eu digo em frente... Lutando... Vivendo e deixando viver. Eu cresci. E eu aprendi...

    — O que você quer dizer com isso? Que eu não sei o que é viver?

    — Não... Você sabe viver. Você só não sabe por onde andar e o que fazer... Tudo que você tem que fazer é ser forte! E tu é, bunita... Muito forte!

    Aos poucos Lilac e Carol explicavam seu ponto de vista, e tudo isso durante a batalha. Era visível no semblante de Florr e Vahn o sentimento que elas estavam conseguindo aflorar.

    “Se não posso evitar derrotas

    Nesta estrada eu trilharei

    Em silêncio, por vitórias

    Para ver o amanhã, me erguerei!”

    E na luta entre Gran e Milla seguia quase o mesmo roteiro. Com o canino correndo deaferindo fortes rajadas com seus poderes, ele dizia:

    — Não perca seu tempo, criança! Eu sou muito mais poderoso que você!

    — Minha mestra me disse que ser poderoso não é ser melhor que os outros. Ela sempre disse que o mais importante em uma luta é o respeito. E eu respeito você.

    — Sua mestra é uma tola. Força é tudo. As pessoas só te respeitam se te temerem. Eu não tenho vergonha de ser forte, ao contrário de você – Disse Gran, deaferindo um forte soco em Milla.

    — Eu só tenho vergonha de dizer que... Eh... Você é bonito – Disse Milla, usando seu escudo para se proteger.

    — Hã? Você está maluca?

    — Não estou. Você é bonito. Sua forma de lutar é elegante... Mas você não aprendeu a respeitar seus adversários. Minha mestra disse pra que eu sempre respeitasse quem fosse.

    — Porque está me dizendo isso?

    — Porque você tem uma força que é mal usada: a consideração. Lutar limpo, ter respeito, ter limites... Ah minha mestra me ensinou assim e disse pra que eu passasse pra frente a quem não conhecia isso. “Não lute para ser melhor que os outros; lute pra ser melhor que ontem” não me canso de dizer.

    E era isso. O Team Lilac, mostrando em luta e em palavras, estava demonstrando consideração aos lutadores do Team Red. Todos perceberam que sua vontade de lutar e suas motivações eram erradas. O combate seguida intenso, com Lilac e Florr ao fundo trocando golpes a toda velocidade, com Carol e Vahn numa luta explosiva e Milla e Gran medindo forças com seus poderes. Mas o sentimento por parte do Team Red parecia ser um só, pois isso ficou explícito no pensamento de cada um deles.

    Enquanto lutava contra a dragão púrpura, Florr pensou:

    — *Eu me sinto bem... Uma sensação boa, confortável... Mesmo eu lutando contra ela eu não me sinto judiado e... eu não sinto ódio. Eu... Essa luta... Eu estou... me divertindo?! Eu estou lutando contra a salvadora de Avalice... e estou... gostando?*

    Na outra parte da arena, que se tornou ainda menor que antes nesse mesmo instante, estava Vahn, que insistentemente golpeava Carol, mas recebia o mesmo de volta:

    — *A forma dela lutar... Não recua, não mostra fraqueza... E... Ela... Ela está sorrindo... Como se estivesse se divertindo com tudo isso... Porque? E porque... eu... estou sentindo o mesmo?*

    E o mesmo se deu a Gran, que lutava contra Milla. Mesmo com sua ligeira vantagem física, como levar havia percebido, a pequena canina não recuava, combatendo seu adversário com o mesmo poder de outrora.

    — *Ela é somente uma menina... mas luta como se fosse uma adulta. Seu rosto inocente... Ela diz a verdade o que sente por mim e... eu não sinto ódio por ela. Aliás... Eu me sinto bem em estar lutando... É uma sensação que nunca havia sentido na minha vida...*

    “Um lutador serei

    Com minha mão suave, quero alcançar

    Todas as estrelas, pois

    Quero o melhor, para todos a minha volta...

    Quero o melhor, é minha meta!”

    A essa altura todos já devem ter percebido o porquê dessa comoção toda do Team Red. Pela primeira vez em suas vidas de lutas e injustiças, encontraram adversários que os tratam como iguais. Não era mais uma luta de ideologias. O Team Red havia tomado gosto pela batalha, mas como lutadores de artes marciais.

    Um lutador motivado pela sua alegria de lutar não demonstra nenhum tipo de sentimento de guerra. É nessa hora que é desenvolvido o espírito esportivo, coisa essa que une povos e iguala pensamentos de fraternidade e compaixão. Elas transformam uma pessoa internamente, trazendo-lhe compreensão do que almeja nessa vida. Tudo gira, tudo muda, tudo se transforma, se tornando algo maior e mais forte. Essa é a vida de um lutador: crescer e se desenvolver como pessoa. Harmonicamente, se assim dizer.

    A platéia da Shang Mu Arena estava fervorosa, vibrando com o combate intenso que ainda se travava. Noah e Viktor, ao perceberem que a luta seguia justa, não avançaram mais. Haviam entendido o que estava acontecendo. O jovem albino, olhando a batalha, diz:

    — Não é mais uma batalha campal... Eles não estão considerando isso.

    — Sim... É lindo de ver que o espírito de lutador está vivo aqui... Eles entenderam...

    — Eu nunca pensei que veria isso na minha vida...

    — Eu digo o mesmo. Nós lutamos juntos contra o Ox porque ele tinha muito mais recursos, mas... Essas garotas... Elas são únicas, são espetaculares. Eu tenho muito orgulho delas.

    — As salvadoras de Avalice... Que satisfação me dá fazer parte desse time.

    Diante do clima que se tornou a luta, os três lutadores do Team Red fizeram um singelo movimento com seus braços, porém sem sentido algum para as garotas. Mas no mesmo instante, aos poucos, seus ímpetos começaram a diminuir. Lilac, Carol e Milla, durante disso, já tinham uma vantagem na luta, encaixando golpes com mais facilidade, mesmo com a resistência dos três. Ainda se mantinham íntegros, lutando com garra, determinação e muita honra, mas era visível que o ritmo havia diminuído. O Team Lilac tinha crescido no combate. Mas mesmo diante de uma iminente derrota, os valorosos lutadores do Team Red descobriram em si mesmos um valor muito maior que qualquer vitória.

    Florr logo refletiu:

    — *Por toda minha vida eu procurei ter algo pra me importar. Eu sempre fui ignorado por onde andei e... eu sempre guardei muito rancor. Mas hoje, aqui lutando contra ela... Lilac, que traiu a The Red Scarves... e agora está prestes a me vencer. Mas eu não vejo isso como algo ruim, porque agora estou lutando com o que eu tenho de verdade: a minha própria força. E sim, não é bom suficiente para te vencer, mas só tenho aprendizado aqui...*

    Bastante debilitada depois de travar uma intensa luta contra Carol, Vahn sentiu a vontade da felina verde de continuar:

    — *Ela não pára... Não desiste... Continua até o fim. Mas... Eu estou muito satisfeita. Eu lutei contra a Carol de igual pra igual usando minha própria força. Eu irei ser derrotada mas... Eu estou com muito orgulho. Estou mesmo me divertindo com tudo isso e... é ótimo!*

    E com Milla prestes a deferir seu mais poderoso golpe, Gran, já bastante fraco, pensou:

    — *Já estávamos bastante debilitados antes dessa final. Lutamos com tudo mas... Dyona nos deu uma vantagem. Mas não éramos nós lutando aqui. Eu sempre tive orgulho do meu poder e do meu povo, como me acolheram no deserto e, mesmo naquela região árida, sempre tive amor por eles. Mas eu não aceitava o desprezo das pessoas ruins que eu encontrei por cá nessa região de Avalice... Mas essa menina me mostrou a criança que eu fui e, diante dos problemas, sempre me mantive forte. Eu não tenho forças pra vencer, mas tenho certeza que todas vocês lutaram com a última gota da força de vocês e... irão vencer...*

    “Um lutador eu sou

    Se é meu destino, aceito...

    Tenho a coragem... dentro do meu peito

    Faço a minha sina, dirijo a minha sorte

    Ao encontro do mais forte”

    Milla então concentrou seu poder e, a frente de Gran, diz:

    — MEGA PHANTOM BEAM!

    O golpe atinge o canino do deserto em cheio, o jogando para fora da arena.

    No outro lado, Carol então correu com tudo que tinha contra Vahn e, levantando sua perna direita, diz:

    — WILD KICK!

    Os sucessivos chutes da felina atingem Vahn, a jogando para fora do octógono. Carol havia vencido.

    E eis que fomos então para o último combate. Florr tentava resistir aos ataques de Lilac. O panda de longos cabelos se defendia como podia, mas era certo que não poderia manter-se por mais tempo na arena. Ele, segurando os braços de Lilac com muita dificuldade, diz:

    — Porque? Porque você falou esses coisas? Porque se importar com anônimos como nós? Nada disso faz sentido!

    — No passado eu estava exatamente no lugar onde vocês estão agora...

    — Hã? Lilac...

    — Estava desiludida com a vida e me fez fazer essa besteira... Mas se existe um motivo de eu estar querendo abrir os seus olhos é que eu não tive alguém que fizesse o mesmo que eu estou fazendo agora... Eu fui como vocês ontem, mas eu quero que vocês sejam como eu hoje! E vocês são maravilhosos e incríveis. Como sempre foram.

    — Lilac?! Eu... Nossa... – Disse, enquanto lágrimas saíram de seus olhos – Você me considera?

    — Todos vocês... por igual – Disse a dragão, também com lágrimas em seus lindos olhos.

    Ao fim de suas palavras, Lilac se desvencilhou de Florr e, se abaixando, aplicou um super gancho com seu punho direito dizendo:

    — RASING SLASH! AHHH!

    Um incrivel soco é desfeito contra o dorso de Florr, o jogando para fora, a exemplo dos outros.

    “Faço a minha sina, dirijo a minha sorte

    Ao encontro do mais forte”

    Os quatro integrantes do Team Red haviam sido derrotados, mas o sentimento não era de amargura ou descontentamento. Era possível ver um ar de satisfação no olhar de cada um deles, orgulhosos de terem lutado com tudo, embora suas ações durante os últimos momentos da luta fossem no mínimo suspeito. Mas isso pouco importava. A platéia nas arquibancadas foram a loucura ao ver o Team Lilac triunfar sobre adversários fortes.

    Viktor e Noah então se aproximaram das garotas, com o jovem carateca dizendo:

    — Nossa... Vocês foram demais! Lilac... Hã? Lilac?

    Apesar da alegria de Viktor, Lilac, já com seus olhos brilhando, evidenciando a ativação de seu Dragon Focus, só olhava para Dyona. Ela, bastante irritada, diz:

    — Só falta ele... Esse desgraçado tem que pagar... Ele tem que ser detido...

    Com todo o time próximo um dos outros, era então chegada a hora de terminar com o embate. Porém, surpreendendo a todos, principalmente a Lilac, Milla então correu como nunca em direção ao lobo. A dragão então, desesperada, diz:

    — MILLA, O QUE ESTÁ FAZENDO?!

    — LILAC, EU POSSO ACABAR COM ELE COM UM GOLPE SÓ!

    — MILLA!

    Não havia mais como parar a canina que, correndo com suas quatro patas, alcançou Dyona em questão de minutos. O lobo, ainda de braços cruzados, só observava Milla, que diz:

    — TOME ISSO! MEGA PHANTOM BEAM! AHHH!

    Milla era tremendamente poderosa, jogando toda sua energia contra Dyona. O feixe de energia era tão grande quanto o que havia arremessado contra Pawa, o que provavelmente não daria chances ao lobo. Porém, para surpresa de todos, assim que seu poder havia se dissipado, era possível ver Dyona em pé sem nenhum arranhão e, olhando para numa com desprezo, diz:

    — Pobre criança... GENOCIDE SLASH!

    Dyona aplicou um soco destruidor contra o dorso de Milla, a jogando contra o chão e, para completar, ele estendeu sua perna para trás e diz:

    — TERROR HUMMER!

    Um estrondoso chute é deaferido contra Milla com ela ainda no chão, a ferindo gravemente. Ela foi então jogada para fora da arena, se chocando contra o muro da arquibancada.

    A multidão ficou em silêncio. O poder de Dyona era absurdo. Ele, olhando para Lilac, diz:

    — Viu só como foi fácil? Será que ela está bem? Hehehe... Só faltam quatro de vocês agora. Então... venham me pegar!

    Dyona estava sozinho, mas Lilac sabia que seu antigo mestre estava mais forte que antes. Como se sairá daqui pra frente?


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