Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulo 19

    O torneio T.O.R.M.E.N.T.A - A reunião

    Spoiler, Violência

    Depois de uma semifinal desgastante e sofrida, os membros do Team Lilac tentarão se recuperar.

    E teremos mais notícias de Lilac e Carol?

    E no passado de Viktor, em seu mundo...

    Exame Máximo – Dojoh do Centro da cidade.

    O exame havia começado. O jovem carateca tenha se saído bem nos fundamentos iniciais, tirando nota máxima. Porém era o Jun Kumite a maior preocupação. Embora o clima estivesse cheio de tensão por parte dos mestres responsáveis pela análise, Viktor parecia uma pedra de tão concentrado que estava. Até seu mestre se preocupou, dizendo:

    — Viktor, você está bem?

    — Sim. Porque?

    — Esse seu olhar... Você parece estar bem compenetrado.

    — Eu estou indo para uma guerra, Sensei.

    — Está certo. Mas quero que entre nessa luta mantendo o respeito.

    — Sensei, com todo o respeito: no fim eu estarei de pé. Eu não vou cair.

    — Viktor...

    — Estou aqui para ir até o fim. Eu não vou desistir, não irei cair... Nós últimos meses o senhor me ensinou algo muito importante... E eu irei usar isso para minha vida toda. Eu aceitei a dor... e ela é minha aliada.

    — Ossi! – Disse seu mestre, o reverenciando com sua cabeça.

    — Ossi! – Disse Viktor, retribuindo.

    O exame havia começado. Novamente Viktor estava frente aos cinco faixas pretas que o subjulgaram a quase um ano atrás. Como esperado, não foi uma luta fácil e Viktor se viu num desafio maior que imaginava. Mas mesmo diante de tantas dúvidas, o jovem em nenhum momento recuou. Sua resistência era um detalhe que todos os mestres alí presentes admiraram, inclusive com muitos burburinho sendo ouvidos, mostrando que algo de diferente estava acontecendo.

    Seu mestre estava batente orgulhoso do que via seu discípulo lutar.

    — *Viktor, o Urro do Dragão não é só uma técnica. É uma filosofia de vida. Para tudo nessa vida há um fim, mas você pode ir além ao manter sua mente intacta, livre de influências negativas. Pode alcançar o que quiser e nunca se esqueça: em seus momentos mais íntimos, nos acontecimentos mais importantes, nas condições mais adversas e sob o maior do desespero, é fato que o inconsciente se tornará consciente. E nesse momento, fazendo uso do imponderável, um milagre vai acontecer. E você estará tão poderoso que ninguém poderá te derrotar. Até lá esteja pronto, sem parar por sobre nenhuma etapa de seu desenvolvimento. Você é magnífico, meu pupilo. Eu já o considero um mestre*

    Nesse dia, Viktor foi contemplado com sua faixa preta, ganhando respeito. “E o resultado da luta” vocês devem estar se perguntando. Viktor lutou com uma garra descomunal. Sua fúria rugiu feito um dragão chinês: ele era o único a estar de pé. Todos os outros caratecas estavam de joelhos, cansados e feridos... E ele estava a postos para lutar mais e mais.

    Era o único de seu caminho. O carateca mais jovem a conseguir tal conquista. Se tornou mestre em todos os estilos de karatê.

    Voltando ao presente...

    Shang Mu Arena, 18:00 pm.

    A noite chegava, sorrateira. A alvorada colorida do céu em Shang Mu dava o tom de alívio que se tornou as semifinais do Team Lilac. Logo após a luta, Viktor foi levado pelos enfermeiros de maca até a enfermaria, onde foi examinado pelo médico. Com Noah e Milla ao seu lado no leito, o doutor diz:

    — Muito bem, Viktor... Eu vi sua radiografia. Bem, felizmente nenhum osso seu foi quebrado.

    — Nossa, ainda bem...

    — Porém você teve duas luxações nos seus braços. Nada grave, espontaneamente.

    — E porque o senhor diz isso? – Perguntou Noah, preocupado.

    — Simples, rapaz: eu vi a luta. A intensidade dos golpes foi tremenda. É um milagre ajudo mais grave não ter acontecido. E Viktor luxou seus braços por ter golpeado seu adversário com uma força fora do comum.

    — Mas eu pratico artes marciais, doutor – Disse Viktor, o olhando.

    — Exato, meu rapaz. Mas pelo que seus amigos me disseram, você não tem habilidades especiais.

    — Minha habilidade especial é o meu karatê!

    — Pode ser, mas que é muito anormal isso é.

    — Hm...

    E, em seguida, Noah disse ao médico:

    — Senhor, poderia nos deixar a sós? Precisamos mesmo conversar.

    — Ora, claro. Com licença...

    E assim que o doutor deixou a sala, Milla fechou a porta, com Noah dizendo:

    — Viktor, como você está de verdade?

    — Bem... Meu cabelo...

    — Hã? O que tem seu cabelo, Viktorius – Perguntou Milla, curiosa.

    — É a única parte do meu corpo que não dói.

    — Nossa, Viktorius... Queria poder ajudar...

    — Ah... Só em vocês estarem aqui já me ajuda... Gente, nós conseguimos vencer...

    — Sim, conseguimos. E é sobre isso que quero conversar... – Disse Noah, ainda sentindo dores pelo corpo.

    — Diga então... Mas acho que seu o que vai dizer: onde está Lilac e Carol.

    — Isso! Agora que conseguimos vencer, poderemos procurá-las.

    — Muito bem, mas por onde? Não temos noção do que...

    — Eu posso farejá-las! – Disse Milla, pulando com um sorriso no rosto.

    — Milla, é sério?! – Disse Viktor, surpreso.

    — É claro! Eu sou muito boa nisso!

    — Beleza! Assim vai ser bem mais fá...

    Mas antes que Viktor terminasse de dizer, eis que a porta se abre. Dela, um guarda do reino diz:

    — Viktorius Ashem, Milla Basset e Noah Hibiki... São vocês?

    — Sim, somos nós. Porque? – Disse Noah, em um tom sério.

    — Todos vocês... Estão sob custódia da guarda do reino de Shang Mu. Peço que nos acompanhem sem resistência e não façam perguntas.

    — O que? Mas o que está...

    — Ordeno que se cale e me acompanhe.

    — Senhor, nós estamos só... – Tentou dizer Milla.

    — Esse é meu último aviso. Pelo bem de todos vocês, fiquem calados. Sua obediência é exigida por todos.

    — Um momento! Nosso aliado está sendo tratado. Ele não pode ser levantar! – Noah logo disse a verdade.

    — Muito bem. Iremos providenciar sua locomoção. A vocês dois, acompanhem os guardas restantes. Agora.

    Uma nova crise afronta o Team Lilac. Mal acabou a luta e já temos um outro problema. O que está acontecendo?

    Minutos depois...

    Em algum lugar seguro da Shang Mu Arena.

    Em um lugar desconhecido, porém bem acomodado com instalações modernas, estavam os remanescentes do Team Lilac. Em uma sala bem aparelhada, com médicos cuidando de Milla e Viktor, que conversavam, com o jovem humano deitado, repousando.

    — Milla, você tem ideia de onde estamos?

    — Não sei, Viktorius... Mas eu sei que estamos na arena ainda. O cheio me disse.

    — Tudo bem, mas e essas pessoas? Nós estamos presos?

    — Eu não sei. Bem, esses são os guardas do reino de Shang Mu. Não estão mentindo...

    — Mas... Se eu me lembro bem, nem o Mayor Zao fez algo pra ajudar... Porque fizeram algo agora?

    — Eu não sei. Isso está muito estranho... 

    — Verdade.

    E eis que uma das portas do fundo se abrem, e dela uma figura conhecida apareceu: lá estava Lilac, sendo acompanhada por um dos guardas. Milla, ao ver sua amiga, diz:

    — LILAC?! Nossa... LILAC!

    A bela dragão púrpura, ao ver seus amigos, correu até Milla, a abraçando com algumas lágrimas em seus lindos olhos. A canina não resistiu, dizendo:

    — LILAC! Como eu estou feliz em te ver! – Disse Milla, abraçando com fica sua amiga.

    — Eu... Eu também, Milla... Eu também... 

    — Lilac, o Viktor... Ele...

    — O que?

    — Vá até ele. Está deitado no leito atrás dessa cortina. E ele já deve ter ouvido você...

    — O que aconteceu...

    Ela, seguindo a orientação de Milla, foi até lá e, ao ver Viktor deitado, diz:

    — VIKTOR?! NÃO... NÃO... VIKTOR!

    — Lilac... Eu... Eu estou bem... Na verdade... Estou bem melhor agora... ao te ver outra vez...

    Ela então correu até ao lado do jovem, o abraçando com força. Lilac estava mesmo emocionada, pois manteve seu abraço carinhoso ao jovem enquanto dizia:

    — Me perdoe... Me perdoe... Por favor...

    — Lilac? Porque está me pedindo perdão?

    — Por ter deixado você se machucar!

    — Lilac, não diga isso... Eu avisei a você que eu sei lutar...

    — Não, Viktor. Eu te considero demais pra deixar que nossos problemas te envolvam...

    — Lilac, acho que você não me entendeu...

    — Viktor, eu gosto muito de você... Eu não posso simplesmente aceitar que tenham te machucado. Isso tudo foi por minha culpa...

    — Não Lilac... Você não entende...

    — E esse torneio... Desde o início eu sabia que seria um erro participar... E agora eu te envolvi nisso tudo e não poderemos cumprir com a missão...

    Milla então se juntou a Lilac e Viktor, com a pequena canina dizendo:

    — Lilac, nós vencemos as semifinais.

    — Hã? O que? Vocês venceram a luta?! – Disse Lilac, se levantando.

    — Sim, Lilac. O Viktorius foi o último a lutar. E ele venceu, Lilac! Você tinha que ver ele lutando! Ele é demais!

    Lilac estava incrédula. A bela dragão esperava de verdade por más notícias, mas essa revelação foi algo inesperado. Ela, se virando para Viktor, diz:

    — Viktor, você não deveria ter feito isso...

    — Eu lutei por você, Lilac. Aliás, todos nós.

    — Não deveriam ser seguido com isso... Vocês não tinham...

    — Claro que sim, Lilac. Nós lutamos por...

    — NÃO! ISSO ESTÁ ERRADO!

    — Lilac?!

    — Milla e Viktor... Vocês deveriam ter desistido!

    — Lilac, do que você está falando? – Disse Viktor, se aproximando de Lilac.

    — A The Red Scarves sequestrou a mim e Carol!

    — Nossa... Isso é ruim. Muito ruim!

    — Lilac, onde está a Carol? – Perguntou Milla.

    — Está tendo cuidados médicos. Mas vai ficar boa...

    A notícia de tudo que havia acontecido finalmente foi revelado para Milla e Viktor. Mas muitas coisas ainda estavam sem resposta. Mesmo com isso em mente, Lilac logo tratou de voltar suas preocupações a seu time. Ela então continuou a conversa.

    — Nós tivemos que lutar pelas nossas vidas e eu, o tempo todo, fiquei pensando em vocês. Eu nunca aceitaria vê-los se machucar ou coisa pior... Eu privo a segurança de meus amigos antes de qualquer missão. Eu não admitiria que...

    Viktor, ainda um pouco fraco, se levantou. Embora estivesse caminhando com um pouco de dificuldade, foi até Lilac, que o viu naquela forma. Com ela olhando para o jovem humano, ele a abraça, dizendo:

    — Lilac... Eu lutei... Eu rugi feito um dragão... e eu lutei por você e todo o time. Quero que você saiba de uma coisa: assuntos de amigos meus se tornam meus também. A sua missão é também minha responsabilidade. Eu agradeço a você pelo sentimento e pela preocupação, mas estamos em uma missão e todos nós sabemos que isso é muito importante pra você. Então aceite esse fato: o seu time está nas finais...

    As palavras honestas e motivacionais de Viktor tinham um peso enorme para Lilac. Ela, o abraçando ainda mais forte e com lágrimas em seus olhos, sabia agora que de fato havia um comprometimento por parte de todos de seguirem com a missão a qual foi dada. Ela, com sua voz um pouco embargada, diz:

    — Eu poderia bancar a durona como a Neera, mas vocês sabem que eu não sou assim... A única coisa que me vez a cabeça a dizer é: obrigado. Vocês não sabem o quanto estou orgulhosa de todos vocês... Por tudo.

    E Viktor então completou:

    — Nós lutamos com tudo que tínhamos. E mantivemos o segredo escondido de todos, Lilac. Ninguém ainda sabe o que está acontecendo.

    — Nossa... Eu agradeço novamente por não terem envolvido mais ninguém nisso, mas...

    — Mas o que, Lilac? – Perguntou Milla.

    — Onde está Noah?

    Milla olhou para Viktor, com o jovem voltando o olhar da mesma forma.

    Onde está Noah?

    E em uma sala secreta da Shang Mu Arena...

    No lado de fora dois guardas fortemente armados zelavam pela segurança de uma das salas mais protegidas do lugar desconhecido. Em seu interior, que mais parecia uma sala de interrogatório, estava Noah, sentado em uma poltrona preta bem confortável, frente a uma mesa cheia de aparatos tecnológicos. E logo uma pessoa conhecida pelo albino entrou no recinto: era Joshy, que diz:

    — Hm... Então nós encontramos de novo... e aqui.

    — Hã? Mas o que significa isso? O que está fazendo aqui, Joshy? – Disse Noah, surpreso.

    — Noah, melhor não se dirigir a mim. Não estou aqui pra...

    — BASTA! Já nos tiraram do nosso lugar lá na enfermaria e nos trouxeram pra esse lugar desconhecido contra a nossa vontade!

    O lobo não parecia estar muito satisfeito com a atitude do jovem albino. Mas Joshy insistiu:

    — Está sendo muito bem tratado, Noah. Não se esqueça disso...

    — Eu não me levo pelas gentilezas dessa gente. Joshy, o que significa tudo isso? 

    — Acalme-se. Logo tudo está... – Tentou dizer o lobo.

    — LOGO?! EU QUERO RESPOSTAS AGORA! – Disse Noah, segurando o pescoço de Joshy.

    — Noah, pela última vez: me solte e se acalme.

    — O que está acontecendo aqui? ME DIGA!

    E com um simples movimentar de braços, Joshy aplicou um golpe, se soltando de Noah e o colocando sentado novamente. Mas esse comportamento não foi bem aceito pelo albino, que já iria golpear o lobo. Porém, ao pressentir isso, Joshy diz:

    — Pense bem no que vai fazer, praticante do Kaipasu. Está em um lugar desconhecido, com guardas em casa centímetro e você está a frente de um dos mestres do Monastério Aoi Onma. E creio que você saiba o que significa... E então, vai ter calma ou vai ter ódio?

    — Seu infeliz... Como sabem tanto a meu respeito?

    Logo a porta se abre. Era a panda guardiã do reino de Shang Mu, Lenzin. Assim que ela olhou para Joshy, o lobo diz:

    — Guardiã, fiz como ordenou.

    — Muito bem, Aoi. Pode se retirar. Eu cuidarei dele.

    — Não deseja que eu fique? Eu poderia ajudar a te...

    — Eu sei me defender, Aoi. E para seu próprio bem, é melhor que não esteja dentro dessa sala nos próximos minutos.

    — Hã?! Mas guardiã, o que...

    — Está liberado, Aoi. E obrigada pelo suporte. Agora, saia!

    Entendendo que a demissão da guardiã era definitiva, o lobo mestre do Monastério Aoi Omna deixou a sala, mesmo contra sua vontade. Ficou preocupado, pensando:

    — *Eu sei que a guardiã é forte, mas... Aquele praticante do Kaipasu não inspira confiança alguma. O estrago emocional que Ingris passa no momento é algo totalmente diferente do que eu vi até hoje em um lutador...*

    Voltando a sala, a guardiã começou a caminhar até uma parede, dizendo:

    — Noah Hibiki. Você tem dezoito anos. Bibliotecário da Biblioteca Central da Cidade de Shang Mu. Não tem registos de parentesco.

    — Vocês sabem muito sobre mim... Não sabia que o reino de Shang Mu espionava seus habitantes.

    — Escolheu mal as palavras...

    — Ah, escolhi? Acha que eu tenho medo de vocês?

    — Sim, eu acho. Você tem medo.

    — Como é?

    — Eu sinto em você muito ódio. E isso é potencializado com o medo que você está agora.

    — Você é tola, como o Joshy.

    — Errado. Eu sou a guardiã do reino de Shang Mu, Joshy é o mestre mor do Monastério Aoi Omna e você, Noah Hibiki, é um praticante do Kaipasu.

    — Pelo visto Ingris disse muita coisa...

    — O suficiente, antes de cair em desespero depois que os efeitos do sedativo terminaram.

    Ao ouvir essa última frase, Noah ficou quieto, com um olhar distante. Mas parecia que a guardiã era mesmo implacável, no que fiz respeito ao emocional do jovem.

    — Calou-se sem que eu ordenasse. Estamos progredindo.

    — A guardiã é tão segura de si, então? Estou impressionado.

    — Palavras vagas vindas de um discípulo de Marduk não conseguiriam atingir nem o rodapé dessa sala.

    Mais uma vez Lenzin colocou Noah contra a parede. Ela parecia mesmo saber muito mais que o jovem albino achava, mas Noah insistiu:

    — Não ouse falar o nome desse patife na minha presença. Nunca mais.

    — E Íris e Ingrid, lhe agrada mais?

    Novamente Noah se calou. Seu silêncio foi a resposta que Lenzin queria.

    — Sim, sabemos delas. Mas não tinha ideia que elas tinham ligação com você. E agora eu tenho certeza que sim. As vezes a falta de palavras são mais úteis que um livro inteiro.

    — Não. Ouse. Dizer. Nada. Sobre. Elas!

    — Você já está dizendo. Então elas foram importantes pra você.

    Noah estava com sua ira estampada em seu rosto. Tanto que não demorou para explodir e ir contra Lenzin, a tentando agredir. Porém a guardiã parecia ser absurdamente ágil e, amém de evitar o ataque, tirou um tipo de papel de dentro de uma de suas mangas da roupa que vestia e o colou na testa de Noah, bloqueando seus movimentos no mesmo instante. Embora estivesse imóvel, conseguia falar normalmente. Ele, impressionado, diz:

    — Mas... O que significa isso?

    — O carma de Kai corre por todo seu corpo...

    — Do que está dizendo?

    — Suas motivações são o combustível para esse carma. Sua aura está contaminada pelo Kaipasu.

    — Me solte... agora!

    — Faça isso você mesmo, se for capaz.

    Noah tentou várias vezes se soltar, mas em vão. Lenzin então, ao vê-lo daquela forma, diz:

    — Sua energia maligna foi selada por mim com essa runa.

    — Uma exorcist... Nunca imaginaria que a guardiã do reino de Shang Mu seria uma...

    — Sou descendente da família Tzu. Deve nos conhecer, bibliotecário.

    — Tzu, família dos exorcistas... Vocês existem a séculos.

    — Exatamente.

    — Tire essa runa de mim.

    — Como eu disse, tire-a você se for capaz. Ou será que você é fraco?

    — Você não sabe com quem es...

    — Eu sei exatamente com quem estou lidando. Agora, sente-se.

    Lenzin ordenou e involuntariamente Noah se sentou a poltrona. Ainda sem poder se mexer por conta própria, o jovem diz:

    — Eu odeio jogos... Me diga o que quer de mim!

    — Você não está em posição de exigir nada aqui. Mas meu interesse tem a ver com o que o interessa também.

    — E o que seria?

    — Te ajudar.

    — Me ajudar?!

    — Escute bem: não estou aqui para julgá-lo. Eu não poderia fazer tal coisa, embora eu tenha um pouco de vontade. Eu gostaria de ir a fundo de toda sua história... Fico imaginando do quanto poderia tirar de você sobre o que aconteceu em Big Sea Island... mas isso foi a muitos anos atrás e o reino não tem interesse nesses assuntos. Eu sirvo a Shang Mu e meus interesses nunca irão passar sobre isso.

    — O que quer de mim então?

    — Quero saber o porquê de você estar aqui.

    — Grr... Isso são assuntos muitos pessoas e...

    — Lilac. Ela te conhece. Senão você não estaria no time dela.

    — Estou vendo que tem uma fixação em desvendar mistérios...

    — Um pouco. Tanto que eu salvei Lilac e sua amiga Carol de serem mortas pelo clã ninja The Red Scarves.

    Noah quase caiu para trás, impedido pela runa. Então logo diz:

    — LILAC?! CAROL?! Minha nossa... Elas estão...

    — Estão bem. Sendo bem tratadas. E estão aqui perto. Muito bem... Tem mais perguntas?

    — Quero vê-las agora!

    — Não.

    — Você está dificultando ainda mais as coisas... Eu não lhe devo satisfações do que eu faço da minha vida!

    — Na verdade... você me deve sim.

    Lenzin então vai até a mesma parede de antes e, a tocando, faz aparecer um monitor, onde a guardiã colocou um vídeo da última luta, exatamente quando Noah estava torturando Ingris. Ele, ao ver a cena, se surpreendeu, dizendo:

    — Hã? Essa luta... Eu... Eu fiz isso? Eu não me lembro...

    — Ah então é isso... Lapso de Kai.

    — Lapso de Kai? O que é...

    — Isso? Não me admira não saber... Marduk fez um bom trabalho.

    — Do que está fa...

    — Lavagem cerebral. Lobotomia involuntária. Alienação. Resumindo: você, assim como outros, eram meros bonecos. O Kaipasu lhe causou isso, essa doutrina maligna.

    — Você não sabe do que está dizendo!

    — Então está disposto a me dizer porque está aqui nesse torneio?

    — Grr... Lilac me convidou. Mas isso é óbvio, não?

    — E porque aceitou o convite?

    — Para ajudá-la. Isso também é óbvio, senhora guardiã “sabe tudo”.

    — Eu sei que não é por causa disso, senhor bibliotecário mentiroso.

    — Eu não estou ment...

    — Está. Eu sei que está. Eu quero a verdade. Eu quero saber de tudo. Comece a dizer.

    Lenzin não estava deixando Noah respirar. Estava em cima do jovem, sem deixá-lo pensar muito. Rua estava dominando totalmente a situação. Noah, num breve momento, pensou:

    — *Essa mulher... Ela não tem escrúpulos? Está me atacando por todos os lados, sem se preocupar com nada. Ela sabe muito do Kaipasu, mas... Como assim é uma doutrina maligna? Eu, Íris e Ingrid nos davam bem... Mas passamos a odiar Marduk juntos. Eu não creio que tenha sofrido lavagem cerebral... Mas, essa luta, esse meu comportamento... Eu... Esses gestos... Eu estava tentando desenvolver o “Os três pontos do triângulo de Kai” nela? Eu... Eu não me lembro...*

    E Lenzin, ao ver o jovem calado, diz:

    — Você está pensando. Está confuso com tudo isso. Mas eu acredito que na verdade não quer aceitar o fato que eu conheça o Kaipasu e que eu sei que não está nesse torneio para ajudar Lilac.

    — Sua des...

    — Ofensas? Geralmente são usadas quando os argumentos cessam e o emocional negativo aflora. Ou seja, você está perdendo a razão, gênio corrupto.

    — JÁ ESTOU FARTO DESSE SEU PAPO ENFADONHO, GUARDIÃ! Me diga... Me diga o que quer de mim!

    — A verdade. Toda. Sem rodeios. Seja sincero... e acredite: eu irei recompensá-lo.

    Noah estava sem opções. Embora tivesse um carro conhecimento herdado de seu pai, seu temperamento era como ade um jovem normal. Por esse detalhe, estava agindo como alguém agiria numa situação de pressão que estava sendo alvo. Sabendo que não teria como fugir dos fatos, tornou a dizer:

    — Eu... Eu menti para Lilac. Eu quero participar desse torneio... por causa da minha técnica que eu nunca consegui desenvolver.

    — O Kai no San Sankakei no Hinto. Os três pontos do triângulo de Kai. Eu já imaginava.

    — Mas como você sa...

    Ao ouvir o que Noah disse, Lenzin retirou a runa de sua testa, soltando-o do bloqueio. O jovem logo se impressionou com a rapidez com que a sua atitude lhe trouxe. E ele diz:

    — Você... me soltou?

    — Como eu disse, eu iria recompensá-lo. Eu cumpri com minha promessa.

    — Você deveria ter feito isso a tempo atrás. Eu não ofereç...

    — Não oferece perigo? Tolo... O mesmo pensou Ingris a seu respeito. Mente destroçada e com inúmeros ideogramas de Kai pelo seu corpo...

    — O que? Do que você...

    — Você não tem ideia, não é? Ao utilizar o Kai no San Sankakei no Hinto, você fez marcas aos nervos e veias da Ingris. Mas isso é o de menos. O aspecto psicólogo dela foi comprometido e tudo por sua causa. Então não se faça de desentendido.

    A exemplo do que Viktor havia dito depois da luta de Noah, o jovem albino estava mesmo entendendo o peso de suas ações. A influência de Kai havia de fato sido o estopim de sua conduta? Ele ficou um tempo pensando, mas Lenzin continuou implacável.

    — Agora me diga: o que Lilac quer nesse torneio? É a jóia, não? E porque? É algum plano?

    — *Não... Essa mulher já está indo longe demais. Eu nunca irei trair a promessa que todos nós tivemos* Eu não irei contar.

    — Então há algo... para que não queira contar.

    — Eu não me importo com o que você pensa. Eu já lhe disse sobre mim, mas em nenhum momento tenho a intenção de envolver a Lilac nisso.

    — Ela o envolveu nisso tudo ao te convidar. Então... diga tudo que sabe!

    — Não! Eu não irei!

    Lenzin então pegou sua espada, a colocando a frente de seu corpo. Era bem afiada e a panda guardiã parecia ter uma perícia bem precisa e apurada. Ela então insistiu.

    — Noah Hibiki... Eu não estou fazendo um pedido agora. É uma ordem. Diga!

    — Não, eu não irei dizer. Eu não devo. Eu não vou!

    — Está cometendo um crime, Noah. E sabe disso.

    — Eu não me importo!

    — Está sendo um criminoso contra o reino de Shang Mu. Você sabe a sentença, não?

    — O que? Você vai me matar? Muito bem... VÁ EM FRENTE! Mas te aviso que não irei cair facilmente. Eu irei lutar usando tudo de mim, seja você guardiã ou o que seja!

    — E porque faria isso, criminoso? Acha mesmo que eu teria pena de alguém tão desprezível quanto você?

    — DANE-SE! EU NÃO SOU UM TRAIDOR! EU NUNCA IREI TRAIR LILAC! ENTÃO... MANDA VER! PODE TENTAR ME MATAR! EU NÃO IREI DIZER MAIS NADA ALÉM DO QUE EU DISSE, SUA MISERÁVEL!

    Por alguns instantes Lenzin ficou imóvel, olhando cada centímetro do rosto de Noah. Ela estava mesmo disposta a ir com essa ideia de liquidar com Noah? E porque o jovem explodiu, dizendo essas coisas? De fato a guardiã exigiu muito do jovem albino, o que trouxe a tona seu desequilíbrio emocional. E, num movimento além do que Noah pudesse perceber, Lenzin o atacou com sua espada, porém o atingindo em sua testa com o punho de sua espada. Com isso, na região ainda foi gravada um ideograma chinês, que se iluminou, parando a ficar invisível em seguida. Noah então foi para trás, caindo sentado na poltrona. Com o jovem confuso, ela diz:

    — Eu queria uma prova honesta de sua devoção a Lilac, a dragão que salvou nosso planeta... e eu finalmente consegui.

    — O que... O que você fez a mim? Eu me sinto estranho...

    — Eu selei todo o caminho do Kaipasu que estava em seu corpo.

    — O que?! Não... Você não poder ter feito isso...

    — Para seu próprio bem... Você nunca mais será influenciado pelo Kaipasu. Sua energia maligna foi selada para sempre.

    — PORQUE?! PORQUE FEZ ISSO? – Disse Noah, se desesperando.

    — Para seu próprio bem. Como eu disse, não estou aqui para julgá-lo. Estou aqui para ajudá-lo. E eu fiz isso.

    — SUA TOLA! Eu só tinha como motivo de vida o Kaipasu... E VOCÊ O TIROU DE MIM PARA SEMPRE!

    — Para seu próprio bem.

    — Não... Não... COMO EU IREI DESENVOLVER MINHA TÉCNICA AGORA?! Você não entende... Eu não poderei cumprir minha promessa... minha promessa a elas...

    — Íris e Ingrid? Escute, Noah... Eu selei seu Kaipasu pra sempre, mas não existe absolutamente nada que te impeça de seguir com suas habilidades especiais. Por isso, se fez mesmo essa promessa, então faça-a do jeito certo.

    — Guardiã... O que está...

    — Estou dizendo para que você não desista de sua promessa. Escute, eu não sei sua história com Íris e Ingrid e não irei exigir que me diga. Há um limite onde eu não sou capaz de tocar, pois eu sei que todos nessa terra merecem sua privacidade. Eu já consegui o que queria. Agora você deve seguir sua vida pra conseguir o que você quer... Sem a influência do Kaipasu, você não oferece tudo e ninguém e nem a você.

    — Porque... Porque essa preocupação comigo? Você acabou com tudo o que eu... – Tentou dizer Noah.

    — Eu sou a guardiã do reino. É meu dever proporcionar o bem estar dos habitantes do meu país. Você foi sincero comigo, não traiu Lilac... Você tem minha confiança, Noah. Se me dá licença, irei me retirar. Em breve alguém virá lhe chamar. Até lá, fique a vontade de pedir o que quiser.

    — Eu... Eu... – Tentou dizer Noah, apoiando sua cabeça sobre suas mãos a mesa.

    Todo o tramite não passava de uma provação que a guardiã do reino de Shang Mu queria fazer a Noah. E ela conseguiu, porém o jovem albino precisou pagar um preço bem alto para sua redenção. O jovem, voltando a se sentar, diz:

    — Eu perdi o Kaipasu... mas porque eu sinto que eu ganhei alguma coisa?

    Enquanto isso...

    Sala de espera de algum lugar da Shang Mu Arena.

    Retornando onde Lilac, Milla e Viktor estavam conversando, vemos entrar a sala Joshy. O lobo, decidido, foi até Lilac, dizendo:

    — Lilac, eu presumo.

    — Sim, mas... Quem é você?

    — Sou Joshy Aoi, mestre do Monastério Aoi Omna. Nós iríamos lutar inclusive.

    — Prazer em conhecê-lo. Mas o que deseja?

    — Precisamos conversar... em particular.

    — Eu não sei onde estamos e quem são todos vocês... Se não se importa gostaria que Milla me acompanhasse.

    — Hã? Milla?

    — Quero uma testemunha sobre tudo que for tratado nessa conversa.

    — Mas porque isso?

    — Só estou sendo cuidadosa. Até horas atrás eu não sabia que Shang Mu tinha também um guardião. E eu já tive uma experiência em Shuigang...

    — Tudo bem. Eu aceito seus termos. Venha comigo vocês duas.

    Viktor, que havia ouvido tudo, diz:

    — Lilac, essa gente... Ele é o líder do Team Omna. O que está acontecendo aqui?

    — Isso tirar essa dúvida agora. Bem, eles estão ter tratando bem. Então, no momento, podemos confiar. Mas eu não irei demorar, eu prometo.

    — Tu-tudo bem. Tome cuidado.

    — Pode deixar. Agora, volte a ser deitar e descanse.

    Um pouco depois de Lilac deixar a sala, Viktor voltou para seu leito, se deitando em seguida. Minutos depois, já com seus olhos fechados para descansar do intenso combate que travou, ouviu passos. E eis que, andando pelo corredor, pôde ver uma pessoa conhecida por ele, que diz:

    — Eh... Olá, Viktor.

    — Sheng?! Mas...

    O jovem felino do Monastério Daiyamondo Omna também não estava inteiro. Com uma bandagem envolvendo todo seu dorso e barriga, abraça lentamente, como se estivesse sentindo dores. Logo se sentiu em uma cadeira ao lado da cama do carateca, dizendo:

    — Você fez uma boa luta. Parabéns.

    — Cara, bem... Nossa, isso sim foi uma surpresa... Eu estou até envergonhado em conversar com você.

    — Foi algo que eu disse?

    — Não... Eu digo... Bem... Pelo que aconteceu na luta. Eu não costumo conversar com meus oponentes depois de uma luta...

    — Ah isso? Vá se acostumando. Aqui nós gostamos de reverenciar nossos oponentes. Mas tipo, você não parece menos envergonhado agora... O que houve?

    — Eu estou constrangido.

    — Tá, e porque?

    — É que... eu te venci.

    — Sim, venceu. Me pegou de jeito. Calou a minha boca. Me deixou inconsciente. Me finalizou. Era isso que queria ouvir?

    — Não, Sheng. Não é bem isso que...

    — Hahaha! Relaxa, Viktor. Hahaha! Nossa, se eu soubesse que você é assim tão inocente eu não diria dessa forma. Teria um pouco mais de cuidado.

    — Não é isso... Hm... – Tentou indagar Viktor, ainda mais envergonhado – Eu queria dizer que eu não me sinto bem ter te feito o que eu fiz. Desculpa.

    — Tá me pedindo desculpa? Não, rapaz... Eu que te devo todas as desculpas possíveis. Você agiu como um verdadeiro lutador e eu o menosprezei e paguei caro por isso.

    — Sheng, eu...

    — Shh! Calado, Viktor – Disse Sheng, colocando seu dedo indicador na boca de Viktor – Você lutou como deveria. Desde o início. Mas eu não... Eu fui preconceituoso e um idiota com você. Já tomei minhas broncas do Joshy até. Você me ensinou uma lição. Tinha visto você lutar contra a Neera Li no torneio de Shang Tu e tomei aquilo como base pra ter uma impressão, bem errada por sinal, sua. Mas não... Você superou tudo que eu imaginaria.

    — Sheng... Obrigado.

    — Eu que devo agradecer também. Você me perdoa?

    — Claro. Só que eu precisei mostrar que estava errado quanto a mim te ferindo. E isso eu não gosto.

    — Ossos do ofício. Somos lutadores.

    — Sim, Hehe...

    — Hehehe! Exato.

    Depois da conversa amistosa entre os dois jovens, por um tempo ficaram calados, só deixando o tempo passar. Mas Viktor pressentia que havia algo em Sheng de diferente:

    — *Muito bem, a conversa esfriou... e ele ainda está aqui. Tem algo aí... Eu sei que tem... Porque ele viria aqui? Só pra me ver? Não sei...* É... Sheng?

    — Sim, Viktor.

    — Tem mais alguma coisa que quer me dizer?

    — Tenho sim, na verdade.

    — Muito bem, sou todo ouvidos.

    — Que técnica especial você usou contra mim?

    A pergunta de Sheng, de certa forma, incomodou um pouco Viktor que, olhando para o felino, diz:

    — Porque quer saber disso?

    — Porque não saber qual foi a técnica que conseguiu derrotar a minha?

    — Sheng, isso é algo muito singular. Não é um tipo de pergunta pra se fazer pra qualquer um.

    — Então estou fazendo a pergunta para a pessoa certa.

    — Hã? O que quer dizer?

    — Você não é qualquer um.

    O jovem carateca não esperava por essa resposta. Teve o impacto de um elogio, o que levou Viktor a ficar novamente envergonhado. Sabendo que não teria como evitar a conversa, o jovem diz:

    — A minha técnica especial é meu karatê.

    — Sua arte marcial?

    — Sim. E o que eu irei nessa luta para me fortificar foi ensinado a mim pelo meu sensei e se chama Urro do Dragão.

    — Sensei... Quer dizer seu mestre, não? E Urro do Dragão... Não sabia que era descendente de dragões, Viktor. Você em nada se parece com um, nem tem escamas... só essa pele sem pêlos bem lisa por sinal.

    — Mas só que você está falando? Eu não sou descendente de dragão nem nada. E o que tem minha pele ser como é?

    — Ei, calma... Só estou dizendo isso porque nunca vi seres da sua raça antes. Eu acho style seu cabelo até...

    — Ah... Cara... Você está me envergonhando outra vez...

    — Hahaha! Acho que já entendi. Você não tem costume de receber elogios de um outro garoto. Hahaha! Relaxa, Viktor.

    — Droga, Sheng... Você também não facilita as coisas...

    — Hehe... Muito bem, esse tal Urro do Dragão que você diz, como funciona?

    Talvez Sheng não devesse fazer essa pergunta. Sua curiosidade iria levar um duro golpe a partir de agora, com a resposta de Viktor.

    — Envolve aceitar a dor.

    — O que? Aceitar a dor? Como assim, Viktor?

    — A dor me nutre, me dá energia para lutar. Em outras palavras, eu sacrifico meu corpo para adquirir força bruta suficiente para vencer.

    — Viktor... Isso não pode ser verdade... – Disse Sheng, olhando nos olhos de Viktor.

    — É verdade, Sheng. Acredite. Eu não tinha outra coisa a fazer. Você naquele instante estava vencendo, me diminuindo ao nada. Eu só tinha duas escolhas: aceitar a derrota ou aceitar a dor. No fim, eu fiz a escolha certa.

    O monge felino, ao ouvir as palavras de Viktor, parecia estar surpreso com a revelação. E não era um sentimento de complacência. Sheng estava mostrando em seu rosto tristeza e aflição e, apertando seus punhos com força, o jovem diz:

    — Cara... Você está dizendo que aceitou todos os meus golpes daquela forma... pra sentir dor? Não... Isso não... Viktor, cara...

    — O que foi, Sheng?

    — Cara, por favor... Deixa eu segurar sua mão?

    — Sheng, o que está acon...

    — Me deixa, por favor.

    Então Viktor estendeu sua mão até Sheng, que a segurou gentilmente. O jovem a estava apalpando, sentindo cada tendão e curvas das mãos do carateca, e diz:

    — Sua mão... Ela tem a textura de um lutador... Ela me diz que você sofreu muito para treinar e...

    — Sheng, como pode saber disso? Você é algum tipo de adivinho?

    Ele então se aproximou de Viktor, causando um pouco de surpresa no jovem, que não entendia o que estava acontecendo.

    — Sheng, o que...

    — Cara, me perdoa pelo o que eu te fiz passar! Eu não tinha ideia que você estava sofrendo por dentro...

    — Sheng, não chore... Eu escolhi isso. Você não tem culpa de absolutamente nada... 

    — Eu tenho, Viktor. O peso dos meus punhos em você foi proporcional ao tamanho da dor que você precisou suportar para poder me vencer... Cara, me perdoa... Eu não queria mesmo te causar nenhum mal... É sério!

    — Sheng, nós somos lutadores. Se existe uma coisa que meu mestre me ensinou é “em luta, somos todos culpados”. Eu me coloquei nessa situação, como você se colocou também. Não lutamos pra causar dor e sim vencer. Não somos inimigos e sim rivais. Então não chore. Isso não condiz com quem você é.

    — O que quer dizer?

    — Com o cara que travou uma batalha de punho de ferro contra mim!

    O carateca sabia mesmo do que estava dizendo. Bastou falar suas palavras sinceras e honestas para trazer de volta o brio nós olhos do monge felino que, limpando suas lágrimas, diz:

    — Viktor, nós do Monastério Daiyamondo Omna só aprendemos a lutar quando quebramos com nossos punhos o primeiro diamante.

    — O QUE? Quebrar um diamante? É sério?

    — Sim, mas... Eu o golpeei com a força que eu usei pra quebrar o diamante mais resistente que nós temos em Shang Mu.

    — Minha nossa!

    — Você suportou isso e me venceu.

    — Eu não esperava ouvir isso.

    — Tem algo em você além de sua... bem... “tecnica”, Viktor. Não é normal alguém resistir assim... Eu senti ao te golpear.

    — Eu já... Eu já tinha sentido algo estranho durante a luta contra a Neera Li... Eu percebi que os golpes dela deveriam ter me causado um dano maior que eu esperava... E depois da luta eu senti todo meu corpo ficar latejando e dormente...

    — O que seria isso, Viktor?

    — Eu não tenho a mínima ideia. Mas seja o que for, tem me ajudado...

    — Deveria treinar essa sua resistência, sabia? – Disse Sheng, voltando a sorrir.

    — Sério? Não quero levar murro seu pra treinar isso. Você tem um punho muito pesado!

    — Olha só quem fala! Cara, tu me deu um soco do dragão que eu nunca havia sentido. O Joshy me disse que dá pra ver seus dedos marcados na minha barriga, sabia?

    — Ah é? A culpa foi sua em ter aberto a guarda.

    — Minha culpa? Você que tem mil dragões escondidos aí!

    — Nem é! Eu só disse o nome do golpe porque tem uma simbologia!

    — Conta outra!

    E assim, depois de uma amistosa conversa, uma amizade verdadeira estava se criando entre os dois rivais.

    Enquanto isso...

    Sala de planejamento de algum lugar da Shang Mu Arena.

    Em seguida ao se despedirem de Viktor, Lilac e Milla seguiu Joshy até uma sala restrita, tão bem equipada quanto as demais. A dragão, curiosa, diz:

    — Onde nós estamos e porque? E onde está Noah?

    — Já esperava por essa pergunta. Bem, estamos na base secreta da Agência.

    — Agência? Como assim? – Perguntou Milla, curiosa.

    — Mayor Zao criou uma força tarefa a parte da guarda do reino. E essa força se chama A Agência. Temos autonomia pra investigarmos e fazemos missões sem precisar justificar ou pedir autorização ao monarca. Claro, já limites, mas não vamos falar disso agora.

    — Mayor Zao sabe que vocês estão aqui?

    — Não. E ele nem gostaria de saber disso.

    — Porque? Isso daria mais segurança, não? – Disse Milla.

    — Nosso monarca é um homem de negócios. Nosso reino é rico e próspero por causa de seus instintos visionários. Sua guarda real é liderada por Lenzin, a guardiã do reino de Shang Mu. Acredite, pequena: ele está bem seguro. Nosso monarca é muito sábio e sabe perfeitamente onde deve ser preocupar.

    — Tudo bem, eu entendi. Mas e essa tal Agência? – Perguntou Lilac, um pouco séria.

    — Nós agimos por trás disso tudo. Poucos sabem da nossa existência. O conglomerado Omna é um grupo de monastérios primos que encobertam a existência d'A Agência. Então mantemos a descrição mesmo ante o clã ninja The Red Scarves.

    — Então bem eles sabem que vocês existem?

    — Bem, ainda não. Nós entramos nesse torneio para investigar a todos os participantes. Pois bem, nos descobrimos que... – Quase concluiu Joshy.

    — ... que há membros do The Red Scarves no torneio. Eu sei. Eu vi desde o primeiro dia.

    — Hm... Fico mais aliviado com isso. Lilac, você tem ideia do que está acontecendo?

    — Totalmente. Estamos aqui em Shang Mu a mando de Royal Magister. Nós viemos de Shuigang a pouco tempo investigando as movimentações do The Red Scarves. Dail nos disse Mayor Zao adquiriu um enorme resquício da pedra do reino. Só que ele...

    — ... a colocou como troféu do torneio. Nós tivemos o mesmo entendimento. Não foi uma atitude pensada de nosso monarca.

    — Nem um pouco, mas a tonta da Carol – Tentou dizer Lilac, sendo interrompida.

    A porta da sala então é aberta adruptamente, mostrando Carol, já de pé, com um olhar bem temeroso Av Lilac, dizendo:

    — Quem é a tonta, Lilac? Diz! Diz!

    — Carol?! Você... VOCÊ ESTÁ BEM! – Disse a dragão, correndo até sua amiga, a abraçando.

    — Oh ok ok... Eu tô bem. Tá tranquilo, tá dominado. Tô na área. Pronta pra mais uma... mas moderada.

    — Sua boba! Nossa... Eu fiquei tão preocupada com você!

    — Adoro quando você banca a mãezona, sabia? Me amarro na sua, guria! Me dá um abraço aqui! – Disse Carol, voltando a abraçar sua amiga.

    Joshy então se aproximou das duas, dizendo:

    — Tats fez um bom trabalho. Ela tem fatores de cura, oriundos de seu monastério.

    — Depois eu irei agradecê-la pela ajuda. Mas Joshy...

    — Diga, Lilac.

    — Onde está Noah?

    — Hm... Como lhe explicar...

    — O que aconteceu com ele?

    Milla, que estava calada até então, diz:

    — Lilac, o Noah lutou e venceu, mas...

    — Mas o que?

    — Era ele e não era ele ao mesmo tempo. É isso. Eu senti um cheiro muito ruim lá na arena e tive um mal pressentimento. Ele, depois de ter vencido, não parecia ele de verdade...

    — Do que é que está falando, Milla?!

    E o lobo, mestre do Monastério Aoi Omna, diz:

    — Lilac, Noah lhe disse que era adepto da doutrina Kaipasu?

    — Hã? Mas o que isso tem a ver?

    — Responda a pergunta.

    — Sim... Ele me disse. Porque?

    — E aceitou mesmo assim?

    — E qual o problema nisso? Porque teria algum preconceito?

    — Lilac, o Kaipasu é uma doutrina maligna. Noah esteve prestes a matar um dos membros do meu time, a Ingris.

    Lilac e Carol logo arregalaram seus olhos, surpresas e impressionadas com a notícia. Com Lilac pensativa, Carol se manifestou:

    — Eu sabia... EU SABIA! O trevoso era mesmo trevoso! O cara tem aquele rostin de anjo mas é um caído!

    Mas bastou essas palavras para Lilac, segurando no ombro de Carol, para dizer:

    — Cale-se, Carol.

    — Hã? Mas Lilac, você não ouviu que o dogo disse?

    — Noah não é uma má pessoa.

    — Mas Lilac, ele...

    — Noah não é uma má pessoa, Carol!

    — Tá. Tu tá dizendo isso, mas não tem como resolver o que o cara tentou fazer!

    — Pare, Carol... Você não conhece a história dele...

    — História? O que ele a contou, Lilac? – Disse Joshy, se aproximando da dragão.

    — Não irei dar muitos detalhes, mas Noah é sozinho no mundo. Ele não tem ninguém, nenhum parente... Nada. A única coisa que o motiva a viver é desenvolver sua última técnica.

    — O Kai no San Sankakei no Hinto?

    — Hã? Como sabe disso?

    — Foi o que ele gritou enquanto estava torturando Ingris na frente de todos. Porém ela não conseguia gritar e sequer sentir dor. Ela disse que foi alvo de uma técnica do Kaipasu que eliminaria todos os seus sentidos, um por um. Foi o Noah que disse isso a ela.

    O relato de Joshy caiu novamente sobre os ombros de Lilac. Naquele instante ela não tinha argumentos para dizer, mas tornou a falar:

    — Eu preciso conversar com o Noah.

    — Lilac, no momento isso não será possível.

    — Porque?

    — Lenzin o está interrogando.

    — Hã? Lenzin? Quem é? – Disse Carol, surpresa.

    — Ela é a guardiã do reino de Shang Mu, Carol. Foi ela que nos salvou com a guarda do reino – Disse Lilac, visivelmente abatida.

    — Caraca! Até eles tem um guardião! Maluco, os monarcas tão investindo pesado em segurança, hein.

    Mas Lilac estava diferente que de costume. Longe do jeito alegre e caloroso que tinha, seu olhar mostrava no momento muita irritação. Era como se não tivesse o controle do que estava acontecendo e, por causa disso, se expressou:

    — Joshy, eu quero que me leve onde Noah está.

    — Lilac, eu não posso ir contra ordens d'A Agência. Lenzin que...

    — Somos seus prisioneiros?

    — Não, longe disso. Lenzin irá aparecer em breve e...

    — Carol, contacte Mayor Zao.

    — O que pensa que está fazendo?

    — Vocês estão nos mantendo em cativeiro. Zao nunca deixaria isso acontecer com a gente.

    — Vocês não podem envolver o monarca nesse assunto!

    — Não? E porque?

    — Porque nosso monarca fatalmente ficaria irritado por tudo isso aí te estar acon... É... Bem...

    — Não consegue concluir, né? Eu sei porque. Porque vocês estão fazendo isso escondido dele e não tem interesse em dizer a ele.

    — Lilac, escute...

    — Não. Escute você. Nós viemos em uma missão em prol da segurança de toda Avalice. Nós já estávamos mantendo segredo a todos sobre o que viemos fazer. Só que Zao foi ambicioso demais em colocar o resquício da pedra do reino como prêmio desse torneio. Pra efeito de drama: nos fomos as primeiras pessoas a verem aquele vídeo promocional. Então nós já estávamos tratando do assunto ANTES DE VOCÊS!

    — Lilac...

    — Então trate de ser colocar em seu lugar, Joshy. No momento eu só devo satisfações a Mayor Zao, Royal Magister e Dail. Eles são os monarcas. São pessoas que querem o bem estar de seu povo acima de tudo SEM ESCONDER NADA DE SEU POVO!

    — Isso que está dizendo...

    — EU SOU A LÍDER DO MEU TIME! E EU EXIJO QUE ME LEVE ATÉ NOAH! Ele é membro do meu time, então eu sou a responsável pelo que ele fez, assim como qualquer um.

    Os argumentos de Lilac eram os mais corretos possíveis, impedindo qualquer argumentação contrária. Por muito tempo já estavam tendo do assunto, logo bão havia nada a justificar além de sempre tem o interesse de ajudar ao próximo. Joshy estava calado, consentindo bem as palavras fortes da bela dragão. Sabendo que não poderia contra argumentar, diz:

    — Você está certa, Lilac.

    — Eu sei disso. Não precisa dizer.

    — Acho que devo desculpas a você e a todo seu time.

    — Deve mesmo.

    — Nós estávamos tratando do assunto sem sabermos do seu envolvimento com tudo isso que está acontecendo. Mais uma vez cometemos um erro. Então eu, Joshy Aoi, mestre do Monastério Aoi Onma, peço a todo o Team Lilac as mais humildes e sinceras desculpas pelo tratamento de meu time ao seu, seja em combate ou não.

    Lilac então se aproximou de Joshy e, com um sorriso espontâneo, o reverenciou em respeito ao seu título como mestre, dizendo:

    — Desculpas aceitas, mestre. Estamos todos no mesmo lado agora.

    — Obrigado, Sash Lilac.

    Carol, um pouco impaciente, diz:

    — Tá, já teve o momento de desculpas aí, show de bola, mas tá na hora da gente saber porque estamos aqui, não?

    — De fato, Carol Tea. Eu iria justamente dizer que...

    E antes que Joshy pudesse começar a explicar, a porta da sala é aberta, com Lenzin entrando em seguida. A guardiã então, olhando para Lilac, diz:

    — Lilac, Carol e Milla... Ótimo momento para uma reunião.

    — Ueh, quem é essa bunitinha aí? – Disse Carol, ainda bocejando.

    — Carol, ela é a guardiã – Disse Lilac.

    — Sério? Esses monarcas tão investindo em segurança e até em beleza... *E o que pandas tem que outras raças não tem?*

    Lilac então foi até Lenzin, dizendo:

    — Olá, Lenzin. Mais uma vez obrigado por ter nos salvado.

    — É meu papel como guardiã fazer tal coisa. Mas daremos um tempinho com as cordialidades, Lilac. Essa reunião que faremos agora é para eu tirar todas as minhas suspeitas.

    — Tudo bem. E o que quer tratar?

    — O que quer com o resquício?

    — Levá-lo para Royal Magister.

    — E o que ele fará?

    — Creio que irão destruí-lo.

    — Não faz muito sentido isso...

    — Porque não?

    — Esse resquício tem ainda muita energia. Em mãos de cientistas ela poderia ser usada como uma arma...

    — Mas é o que Spade quer fazer. Dail nos disse que seu irmão está procurando por resquícios ao redor do mundo para criar uma suposta arma usando o poder deles. Dail e Royal Magister tem a mesma ideia: recuperar a todos os resquícios e destruí-los. E essa energia no nosso planeta está trazendo alterações até em nossa flora. Semanas atrás entramos em combate com seres de vinhas, formadas pela radiação do resquício que estávamos atrás. Ou seja, não existe outra coisa a ser feita.

    — Muito bem. Eu acredito em você. Mas tenho mais perguntas...

    — Faça então.

    — Joshy, por favor... Ligue o monitor com a luta entre vocês.

    — Tudo bem.

    E Carol, por ainda não saber do que aconteceu esse tempo todo, diz:

    — Luta? Que luta? Lilac, do que eles estão falando?

    — Carol, Milla, Noah e Viktor lutaram...

    — Ah tah. Eu tava pensando que... COMO É QUE É, JÉSSICA?! A KAWAI, O TREVOSO E O PIÁ LUTARAM?!

    — E venceram. E fizeram isso por nós...

    — CARACA, MALUCO! Eu quero ver... Eu quero ver a luta deles!

    — E iremos.

    — Milla, Milla... Você lutou, né? Caraca, tô muito orgulhosa! – Disse Carol, abraçando sua amiga.

    — Tu-tudo bem, Carol. Você está me fazendo cócegas!

    — Hahaha! Como você é fofinha, nyah! E luta bem pacas!

    — Tá, para!

    — Nyah! :3

    E logo Joshy colocou um tipo de vídeo taipe, mostrando os eventos mais importantes. Primeiro foi a luta de Milla, que Lenzin diz:

    — Na primeira luta de seu time, Lilac... Bem, eu, em nome de todo o reino de Shang Mu, peço desculpas pelo comportamento preconceituoso de Pawa para com Milla.

    — Hã? Como é?

    — Ah Lilac... Não precisa ficar nervosa. O Pawa já pediu desculpas – Disse Milla, olhando para Lilac.

    — O que ele te fez, Milla?

    — Deixa pra lá, por favor. Está tudo bem...

    — Eu quero saber o que...

    — Pawa odeia alchemists e destratou Milla a todo instante durante a luta. Mas como sua amiga já explicou, estão conversados.

    — Mas que absurdo... Milla, ele te machucou?

    Não foi preciso que Milla dissesse algo, pois as imagens no monitor já diziam por si só. A forma com que Milla foi golpeada por Pawa e como ele a tratou durante a luta foi logo vista por todos. A dragão olhava para tudo aquilo pasma, não acreditando no que milha teve que passar. Lenzin, com um semblante sério, como sempre teve desde então, diz:

    — Deve estar bem orgulhosa do desempenho de sua amiga, Sash Lilac. Ela lutou bem... Quanto a ela, só elogios.

    — Milla, você passou por tudo isso... Eu não posso acreditar... – Disse Lilac, abraçando sua amiga.

    — Ah tudo bem, Lilac. Eu precisei ser forte... E eu ouvi a voz da minha mestra... e o Viktorius estava me incentivando...

    — Cara, tô boba. A Milla lutou muito! Caraca, tirou onda, kawaiizinha! – Disse Carol, sinalizando positivamente com seu polegar.

    Em seguida, a luta que foi mostrada era a de Viktor, o que fez com que Milla dissesse:

    — Ei! O Viktorius lutou por último!

    — Hã? Mas o que foi? – Perguntou Lilac, confusa.

    — Somente assistam. A ordem não importa... pra vocês – Disse Lenzin, olhando para o monitor.

    Naquela terrível luta, Lilac pode ver o quanto Viktor se doou parte poder vencer, suportando com uma força absurda os poderosos socos de Sheng. E, no fim, o ataque destruidor do carateca a surpreendeu, assim como Carol, que diz:

    — PELOS DEUSES DE TEKKEN! O PIÁ DESTRUIU TUDO!

    — O Viktor... Ele foi capaz de fazer isso?! Eu estou muito surpresa... – Disse Lilac, visivelmente impressionada.

    — Eu disse que o Viktorius era demais! Ele derrotou o Sheng usando tudo de si! – Disse Milla, com um sorriso no rosto.

    E eis que a luta de Noah é exibida. Logo no início, Lilac pode ver que Ingris estava com o controle da luta, imobilizando e neutralizando o jovem. Assim que a jovem lutadora estava puxando Noah, a luta mudou, com o albino envolto com uma aura vermelha assim como seus olhos. Com isso, Lenzin, sob os olhares atônitos de Lilac e Carol, diz:

    — Lilac, o que diz disso?

    — Lenzin... O Noah...

    — Lilac!

    — Eu não sei dizer. Eu nunca vi assim...

    — Então você assume que o convidou para seu time sem saber sua natureza?

    — Lenzin, eu antes...

    — É um ato muito irresponsável de alguém que priva pela segurança de Avalice ter tamanha decisao.

    — Espere, não é...

    — E agora uma das melhores membras d'A Agência está debilitada psicologicamente e...

    — NÃO É NADA DISSO! – Gritou Lilac, ainda olhando para o monitor.

    — Lilac, Porque está gritando?

    — Porque você não quer me ouvir! Está declarando um curso sem nem ao menos investigar a fundo.

    A luta continuou, com o fim quase trágico do embate soturno que estava sendo traçado. Na verdade uma sessão de tortura que quase se tornou em uma execução. Mas Lilac, mesmo diante do horror que viu, diz:

    — Vocês estão sendo preconceituosos com Noah! Ele não é uma má pessoa.

    — Ele é um praticante do Kaipasu.

    — Hã? Kaipratras... Kaipastel... Kai... Que parada é essa? – Perguntou Carol, confusa.

    — Kaipasu, a doutrina que Noah segue... – Disse Lilac, olhando para Lenzin nos olhos.

    — Seguia, Lilac – Disse a panda guardiã. 

    — O que quer dizer com isso?

    — Eu o selei... para sempre. O Kaipasu está extinto.

    — O QUE VOCÊ FEZ COM O NOAH!

    — Escute, Lilac... Eu...

    — Eu não quero saber de você... EU QUERO SABER DO NOAH!

    — Lilac, você...

    — Eu sou a líder do meu time, então eu sou a responsável por cada um. Eu quero que leve onde está o Noah AGORA!

    — Não é você quem dá as ordens aqui. E devo avisá-la que não permitirei que grite comigo, fui bem clara? Tenho certa admiração por você, mas não se esqueça dos fatos. Eu sou a guardiã do reino de Shang Mu e minha autoridade deve e será respeitada.

    — Eu me recuso – Disse Lilac, muito mais irritada que de costume.

    — O que disse?

    — Eu estou cansada, irritada e bem frustrada. Meus amigos lutaram por mim enquanto eu estava lutando pela minha vida e a vida da Carol, que fez o mesmo por mim. Claro, eu devo a você por ter nos salvado... Mas não se esqueça que eu sou Sash Lilac, a dragão que lutou cobra tudo e todos para trazer a ordem e justiça! Mesmo diante da descrença de todos, eu e meus amigos lutamos contra tudo isso! Então eu me recuso a respeitar qualquer pessoa que se oponha a me levar até um de meus aliados está, porque é o mínimo que se deve fazer a um líder de time.

    — Está prestes a ser presa, Sash Lilac. Eu não voy permitir que...

    — ENTÃO ME PRENDA! Mas eu não irei abaixar minha cabeça pra você e ninguém que falte com o respeito por mim e meus amigos.

    Era o sinal. Lilac estava mesmo amadurecida. Ela estava falando como uma líder, representando o interesse de todos os seus aliados. E, além disso, estava em uma missão. A situação tornou-se bem crítica. A guardiã estava sendo colocada conta a parede pela dragão e era visível em seu rosto um grande descontentamento. Porém, ao olhar novamente para Lilac, ela percebeu que em algum momento houve algum excesso por sua parte, o que lhe fez dizer:

    — Definitivamente você merece respeito, Sash Lilac. Serei bem sincera: sua atitude me enervou a ponto de querer golpeá-la e levá-la presa, mas eu não sou uma pessoa de fazer justiça com as próprias mãos. E nem irei julgá-la, pois eu vejo que só quer defender seus amigos. Sua preocupação com seus aliados prova que você sim é uma pessoa confiável. Muito bem, façamos o seguinte: eu irei levá-la até Noah, mas antes quero que veja um último vídeo.

    — Tudo bem. Que bom que me entendeu. Eu aceito duas condições.

    Sem perder tempo, Joshy então colocou o vídeo citado por Lenzin. Era de uma luta... justamente a outra semifinal. Durante o vídeo, a guardiã diz:

    — Desde o início, A Agência acompanhou minuciosamente cada luta e cada um dos oitenta lutadores. Eles coletaram vários dados para saber se existia alguém anormal. Foi nesse momento que eu passei a fazer parte dessa investigação.

    — E o que acharam? – Perguntou Lilac.

    — Nada. Tudo estava normal, até demais. Porém eu passei a olhar com outros olhos para seu time nas semifinais...

    — Hã? Mas...

    — Sim. Foi por causa do Noah, embora o outro membro do seu time, o Viktorius Ashem, tenha também me chamado atenção. E Milla... Bem, ela é uma alchemist. A única. E bem poderosa. Porém...

    — O que tem?

    — Já temos um outro finalista. A luta terminou faz alguns minutos. Nós analisamos as primeiras lutas e eles sempre estiverem em dificuldades no início... Mas mesmo com seus lutadores a beira de perder, eles conseguiam vencer...

    — Ih bunita... Parece até que tá falando da gente. Mas sabe como é, né? O escritor dessa história tem que dar continuidade e... – Interrompeu Carol, com mais de suas maluquices.

    — Carol! Não a interrompa!

    — Tá, foi mal... Ah que saudade disso!

    — Tss... Continue, Lenzin.

    — Lilac, quero que olhe bem... – Disse a panda, pedindo para Joshy colocar em close os integrantes do time vencedor – Lhes apresento o Team Red. Serão seus adversários na final. O que vê, Sash Lilac?

    Não somente Lilac como também Carol estavam boquiabertas com quem estavam vendo. Milla, preocupada, diz:

    — Lilac, o que houve? Vocês conhecem ele?

    — Milla... Carol...

    — É, eu tô vendo mas não tô acreditando... – Disse Carol, pasma.

    — É o Dyona Taz.

    Lenzin continuou:

    — Dyona Taz foi o único integrante do time deles que não lutou uma luta sequer. Não temos dados algum dele... Mas eu imaginei que vocês poderia me dizer algo sobre ele, já que o citado é um membro da The Red Scarves.

    E Lilac, engolindo seco, diz:

    — Foi ele... que nos treinou.

    Continua.


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