Freedom Planet: Faith & Shock

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    Capítulo 18

    O torneio T.O.R.M.E.N.T.A - segunda fase: Viktor vs Sheng

    Spoiler, Violência

    A luta final das semifinais terá o em breve. Quem será o vencedor?

    E Carol, como vai se virar frente a todos os ninjas da The Red Scarves?

    Shang Mu Arena, 17:00 pm.

    O final da luta entre Ingris e Noah foi bastante conturbado. O jovem albino detentor da doutrina Kaipasu estava completamente diferente de que costume. Mesmo com o aviso de sua vitória pelo juiz, não estava satisfeito. Tou até onde sua oponente estava, boa braços de Joshy, que havia dito que aluta havia terminado. Mas Noah ignorou esse detalhe, sendo interpelado em seguida por Viktor. Sabendo que Noah não estava em sã consciência, Milla, por seus poderes inatos sensitivos, como todo canino, o abraçou e pediu para que o Noah que ela conhecia voltasse. O estranho da situação era que a canina não tinha lá muito contato com o jovem, mas o que ela fez teve resultados imediatos. Noah desistiu de mais embates, seguindo junto aos dois e uma enfermeira até o centro médico. O mesmo se diz sobre Ingrid, que foi levava as pressas por Joshy para o outro lado da arena, até o centro médico de seu time.

    Centro médico oeste, minutos depois.

    Deitado em uma cama, Noah era examinado pelo médico responsável. Depois de um tempo, sob os olhares de Viktor e Milla, o médico diz:

    — Rapaz, eu não sei o que você fez mas seus braços estão com menos danos que eu imaginava.

    — Como assim? – Perguntou Noah, já com seus olhos da cor verde de volta.

    — Eu vi sua luta. Ingris deslocou seu braço, eu tenho certeza, mas...

    — Mas?

    — Seus braços... Eles... Estão perfeitos. Como se nada tivesse acontecido. É alguma habilidade especial que tem?

    — Senhor, eu não sei do que está falando e nem o que aconteceu. Eu não tenho poderes especiais de recuperação.

    — Isso não faço sentido algum...

    Viktor então, indo até o médico, diz:

    — Senhor, teria como me deixar a sós com o Noah?

    — Hã? Mas...

    — O senhor mesmo disse que ele está bem, então não estou exagerando nem forçando a barra.

    — Mas Viktorius, o que vai fazer? – Perguntou Milla, curiosa.

    — Milla, daqui a pouco eu conto. Mas no momento eu preciso mesmo conversar com Noah em particular.

    — Tá bom. Mas não demora. A sua luta é daqui cinco minutos.

    — Tudo bem.

    Logo após Milla e o doutor saírem do quarto, Viktor se aproximou de Noah, dizendo: 

    — Cara, o que passou pela sua cabeça de você ir até Ingris mesmo depois da vitória? A gente podia ter sido desclassificado.

    — Viktor, eu não quero falar sobre isso.

    — Como não? Noah, aconteceu algo errado nessa luta com você.

    — Isso não é assunto seu.

    — Quem disse que não? Estamos no mesmo time!

    — Estamos no mesmo time, mas não me lembro de te dever satisfações sobre o que eu faço ou não dá minha vida.

    — Noah, você não precisa falar assim comigo!

    — Porque demônios está tão preocupado comigo? Eu não sou seu amigo bem nada e...

    — E DAÍ? EU ME IMPORTO COM VOCÊ!

    — Vai ficar gritando comigo agora? É isso?

    — Você está me forçando a perder a paciência! – Disse Viktor, apontando seu dedo para Noah.

    — Pare de me apontar seu dedo. Não sou inferior a você. Estou degraus a sua frente, não se esqueça disso!

    — O que quer dizer com isso?

    — Eu quando olho pra você vejo alguém estranho em um lugar que não se encaixa.

    — Como é? Mas que...

    — Eu não tenho medo de falar verdades a você, Viktor. Você está prestes a lutar... e não tem a mínima chance de vitória.

    — Porque está dizendo isso?! Até parece que não confia...

    — Você é mais inteligente que imaginava. É claro, é evidente que eu não confio em você.

    — Cara, somos do mesmo time! Como pôde me dizer isso assim?

    — Você não conhece ninguém do Team Omna, não? Pois bem, vou te explicar cada um dos membros.

    Joshy Aoi: ele é do Monastério Aoi Omna. O clã dele é totalmente focado em artes marciais visando compreensão da natureza. Ou seja, eles lutam usando os elementos a sua volta.

    Tats Galant: membra do Monastério Zaphira Omna. Ela é filha do líder de seu clã. Luta estilo louva Deus.

    Pawa Geisa: É meio irmão de Ingris. Pertence ao Monastério Ki Aoi Omna. É um grupo dissidente do grupo Aoi Omna. Seu estilo de luta provém do elemento água e são muito preconceituosos com alchemists. Milla lhe deu uma boa lição.

    Ingris Aoi: é do Monastério Soul Omna. Suas habilidades estratégia é uma tônica de seu clã. Eu a conhecia de vista, pois muitas vezes visitava a minha biblioteca. E eu conhecia seu clã, então eu sabia do que estava por vir.

    E finalmente Sheng Zian: ele é membro do Monastério Daiyamondo Omna. São dotados de habilidades especiais focado em combate físico.

    — Sheng então luta Full Contact?

    — O que é isso?

    — Contato total. Gente assim luta com tudo, sem economizar na força.

    — Bem, ao menos você tem noção de artes marciais.

    — E porque você não confia em mim? Acha mesmo que eu não dou conta?

    — Eu nunca te vi lutar, Lilac sempre o protegeu, Sheng me disse sobre sua luta contra Neera Li... Eu não confio em você, Viktor. No momento eu estou mais preocupado com o que Lilac pensaria ao saber que você iria lutar. E dentro desse meu entendimento, eu tenho certeza que ela não iria deixar você entrar naquele octógono.

    — Noah, eu não gostei disso que você falou! Lilac não tem nada a ver com isso!

    — Não? Viktor, o tempo todo ela te protege... E não só ela. Até a Carol faz isso. Até a Milla.

    — Isso não é verdade! Eu... Tipo... Elas gostam de mim, então é natural que...

    — Vou ter que gritar pra você ouvir melhor: VOCÊ NÃO TEM HABILIDADES ESPECIAIS! VOCÊ NÃO TEM FENG SHUI! ACEITE ESSE FATO!

    — Agora é você quem está gritando!

    — Porque você quer ignorar esse fato. Reconheça sua inferioridade. Você não pertence a esse mundo, não tem culpa até. Não se envolva tanto pois num momento desses você pode ser machucar de verdade e... Talvez até coisa pior. Lilac nunca iria deixar que você...

    — Agora quem está se metendo na minha vida é você. Acho que agora você entende porque eu estou preocupado com você.

    — Viktor, não mude de assunto!

    — Você quem mudou! Deu uma de estressado e se esquivou! Eu quero conversar com você sobre a sua luta. Aconteceu algo, Noah... Eu sei. E você não quer contar.

    — Exatamente. E isso não é problema seu.

    — Muito bem... Então não venha com essa de “dois pesos, duas medidas”: não vou me meter nos seus assuntos. Então faça o mesmo!

    — Concordo. Depois você se entende com Lilac, isso se você conseguir sair inteiro do octógono.

    Os ânimos entre os dois rapazes não era dia melhores. Durante a discussão, a porta abriu lentamente. Dela surgiu Milla que, mostrando tristeza, é fitada por Viktor, que diz:

    — Milla?! Mas porque você...

    — Eu não consegui evitar de ouvir a conversa de vocês...

    — Você estava ouvindo por trás da porta? Milla, isso não se faz.

    — Eu sei, mas eu estou preocupada com vocês dois.

    — Já terminamos essa conversa. Agora deixemos as coisas fluírem... – Disse Noah, se levantando.

    — Eu quero falar com você, Noah.

    — Hã? O que quer conversar comigo?

    — Viktor, deixa a gente sozinho? Quero conversar com ele.

    — Tudo bem, Milla. Eu vou colocar meu kimono. Está na hora de eu lutar. Espero vocês lá na arena.

    — Tá.

    Noah estava mesmo curioso com o que Milla queria conversar. Ele, vomitando a se sentar na cama, diz:

    — Muito bem, tem minha atenção. O que quer falar comigo?

    — Eu senti algo errado com você naquele lá luta. Eu sei...

    — Milla, me perdoe mas eu não quero fal...

    — Não precisa dizer nada pra mim. Eu sei o que eu senti mesmo você não querendo falar nada. Não quero te forçar a nada aqui. Eu só quero te dizer que estamos no mesmo lado.

    — Milla...

    — O Viktorius passou por muita coisa ruim na vida dele. Precisa da nossa torcida e apoio.

    — Coisa ruim? Como assim?

    — Ah... Ele disse pra não contar pra Lilac e a Carol... Mas acho que é bom ver saber, pra não pensar mal dele.

    — O que aconteceu?

    — Viktorius é sozinho no mundo.

    — Até aí nenhuma novidade.

    — Não... Não no nosso mundo. No lugar de onde ele veio ele perdeu seus pais e sua avó. Ele não tem família. Mas você vê ele fugir? Você vê ele reclamar da vida? Não, porque o Viktorius é demais! Ele é maravilhoso! E ele está preocupado com você desde que você começou a lutar. Ele te incentivou, te deu dicas... Você não acha que uma pessoa assim não merece ser respeitado?

    — Milla... É, bem... Nossa... Eu não esperava por isso... Eu não tinha ideia... *O Viktor tem uma vida parecida com a minha. Que babaca que eu fui, falando daquela forma com ele...*

    — Ele cozinha pra gente, cuida da gente todo dia. A gente cuida dele porque ele é o máximo com a gente. Um dia você tem que provar a comida que ele prepara... Nossa, é deliciosa!

    A forma com que Milla falou sobre Viktor, mostrando entusiasmo e honestidade, cativou o jovem Noah, que se levantou em seguida. Abrindo a porta, diz:

    — Vamos, Milla. A luta já vai começar. O Viktor vai precisar da nossa ajuda... *Pena que eu não posso lutar no lugar dele...*

    — Isso! Vamos lá!

    A pequena canina mais uma vez interveio. Milla está desempenhando um papel muito importante para o que restou do Team Lilac, onde está conseguindo manter os garotos respeitosos um com o outro.

    Enquanto isso...

    Centro médico leste

    O leito onde Ingris se encontrava estava bastante movimentado. Todo o Team Omna estava em seu interior, com Ingris sendo acudida por três médicos, com ela dizendo:

    — Me deixem longe dele... Por favor... Me tirem daqui... Eu não quero ficar nesse lugar, porque ele ainda está aqui. Eu sei, eu sinto...

    — Senhorita, acalme-se. A luta já acabou.

    — Não, vocês não entendem... Ele vai me pegar... Ele vai me torturar... e entre vai me... matar...

    — Hã? Mas...

    — ME TIREM DESSE LUGAR!

    — Acalme-se, Ingris! Está tudo bem.

    — Não está! Não está! NÃO ESTÁ!

    Um dos profissionais que cuidava de Ingris precisou usar sedativos para acalmá-la, pois com ela tentando se levantar não era possível fazer um diagnóstico preciso de seu estado. Após alguns instantes, ela ficou sob os efeitos do medicamento, estando agora mais calma. Logo Joshy diz:

    — Ingris, vai ficar tudo bem.

    — Não vai, Joshy...

    — Eu nunca te vi assim. O que aconteceu nessa luta?

    — Ele... O Noah... É um... monstro.

    — O que? Mas o que ele te fez?

    — Joshy... Esse time tem algo... O Noah não é normal... Ele tentou me matar.

    — Improvável, Ingris. Nós estávamos assistindo a luta. Não vimos nada disso. Na certa ele... – Tentou dizer, o lobo, sendo puxado por Ingris, que falou em seu ouvido.

    — Ele é um praticante... da doutrina... Kaipasu.

    — O que? Ingris, isso é impossível! Big Sea Island desapareceu faz mais de sete anos e ninguém sobreviveu.

    — O Noah. Ele sobreviveu. Ele tem a marca de Kai...

    — E como pode estar tão certa disso?

    — Por causa disso... – Disse Ingris, abrindo uma parte de seu vestido para Joshy.

    Acima de seu busto direito havia uma marca, um tipo de ideograma chinês, mas marcado com as próprias veias e nervos de Ingris, que estavam ainda inchados por causa dos sucessivos golpes com as pontas dos dedos de Noah enquanto estava supostamente possuído. Joshy, entendendo a gravidade da situação, diz:

    — Deixe comigo, Ingris. Vou providenciar um tratamento adequado a isso. E não me refiro a seus ferimentos.

    — Não conte a ninguém do grupo... Ninguém. Já sabe o que fazer.

    Rapidamente o lobo líder do Team Omna sair da sala, pegando seu celular. Logo, entrando a sala onde estava a lutadora do Monastério Soul Omna, era Sheng. O jovem felino se aproximou de sua aliada, dizendo:

    — E aí, espertinha? Já está melhor?

    — Sheng, saia daqui.

    — Porque? Não posso perder a oportunidade de tirar uma da sua cara. Nossa, você perdeu pra um anônimo. O pessoal da agência vai adorar saber disso. “uma militar perdeu pra um fracote?” haha. Ganhei meu dia.

    Embora Sheng estivesse zombando de Ingris, ela entendeu bem o que ele queria dizer. Se sentindo humilhada e visivelmente abatida, ela então diz de forma seria para Sheng:

    — Garoto, tenho um pedido a você.

    — Hã? O que foi? E porque essa cara séria?

    — Sheng, o Team Lilac é perigoso. Existe muita coisa anormal por lá...

    — Você tá afetada por causa do Noah, não é? Não esquenta... Já acabou.

    — Não acabou. Eu quero que você vá com tudo desde o início.

    — Tá louca, mulher? Já viu meu adversário? Como se eu pudesse chamá-lo disso... Caramba, é o Viktor! O cara é um zero a esquerda, um Zé ninguém, um lesado, um fracote...

    — Pawa teve esse mesmo pensamento e perdeu. Eu, infelizmente, e o que me deixa bem mais humilhada, também. Acabe com o Viktor sem perder tempo. Entre com tudo. Todo seu poder. Derrote-o e vamos as finais.

    — Aí, milita... Eu não sou um desses que gosta de ficar humilhando gente, tá? Mas eu entendi o que você quis dizer. Tá certo, eu vou entrar com tudo e acabar logo com isso.

    — Obrigada...

    — E bunitinha, uma coisa.

    — O que?

    — Vou dedicar a minha vitória a você. Sabe, eu gosto de você e tê-la no nosso time me motivou em estar aqui.

    — Hã? Porque está me dizendo isso?

    — Porque eu quero entrar para as forças especiais do reino de Shang Mu. Quero ajudar nosso pais a se defender.

    — Você fala muito, garoto. Vai lá e acaba com o Viktor.

    — Tá, pode deixar...

    Tem alguma coisa muito estranha no ar. Porque Ingris falou com Joshy daquela forma? E porque o lobo saiu com pressa do lugar e pegou seu celular, ligando pra alguém em seguida? E a lutadora do Monastério Soul Omna fez um pedido um pouco destemperado a Sheng, que parece ter entendido a mensagem...

    Enquanto isso...

    Em algum lugar da Shang Mu Arena.

    Carol protegia Lilac como podia. Com sua amiga ainda desacordada, a bela felina verde lutava usando tudo de si contra um grupo de cinco ninjas. Usando de suas garras, conseguia aparar kunais arremessadas por eles e, por um tris, se defender e esquivar de golpes de espadas, que os membros da The Red Scarves insistiram em tentar acertá-la. A felina havia conseguido derrubar alguns, mas ainda restavam vários. Ela, se desdenhando do jeito que podia, diz:

    — Caraca, vocês são muito pentelho! Mas não tem essa não... Eu vou proteger a Lilac!

    Num dos raros momentos de desatenção de Carol, eis que Mury Low, usando de suas habilidades ninja, consegue surpreendê-la: por ter parecido em suas costas, executou um fortíssimo chute em suas costas, fazendo com que com fosse jogada para longe. Ele, ainda partindo para cima de Carol, diz:

    — Justamente. Gatinha, você não é isso tudo que dizem... É só mais um pedaço de incompetentes... Vocês duas verão seu fim agora!

    — Ah... Seu miserável... Tá ferrado na minha... mão...

    — Rapazes, eu cuido dessa aqui. Acabem com a...

    Não houve muito tempo para Mury Low completar sua frase. O panda vermelho negro logo viu vários de seus comandados voarem para longe. Assim que olhou para trás, vou Lilac de pé, com seus olhos brilhando. Sim, ela estava com seu poder passivo ativado, o Dragon Focus. A bela dragão tinha em seu rosto um descontentamento absurdo, estando bastante irritada. Carol logo se manifestou:

    — Hã? Lilac?! LILAC! TU TÁ DE VOLTA, GAROTA?!

    E Lilac, mostrando seu punho para Mury Low, diz:

    — De todas as coisas que eu vi vocês fazerem comigo, essa sem dúvidas foi a mais irritante e imperdoável que eu tive o desprazer de presenciar. Vocês dizem que seria meu fim aqui, e quase foi. Mas eu tenho uma amiga que é dura na queda... Sim, Carol é tão forte que sozinha deu conta de todos vocês!

    Ela então começou a caminhar em direção a Mury Low que, imóvel, só observada e ouvia o que Lilac dizia:

    — E agora... E agora, depois disso tudo, agora eu vou entrar nessa luta. E acreditem: será pra valer, pois eu não vou deixar que levem seu plano pra frente!

    — Hahaha! Não me faça rir, Sash Lilac! Você não me engana. Eu sei que você não tem sua velocidade. Eu mesmo confeccionei o preparado que você ingeriu. Tem duração de um dia inteiro! Você sem sua velocidade é inofensiva! Justamente! Hahaha!

    Um grupo de sete ninjas atacaram Lilac de uma só vez. Com Carol presenciando o ataque covarde que os membros da The Red Scarves faziam, diz:

    — MAS QUE BANDO DE FRACAS... – Tentou dizer a felina.

    Carol foi interrompida pois pôde ver algo incrível: Lilac, executando um incrivel salto na direção dos ninjas, desferiu sucessivos ataques usando seus cabelos, dizendo:

    — DRAGON CICLONE! AHHH!

    Um a um os membros da The Red Scarves que atacaram covardemente Lilac sentiram na pele tia a fúria da dragão, golpeando-os com uma força impressionante. Seus corpos chegam ao chão, imóveis, já desacordados, com Lilac aterrissando em seguida. Ela, ajeitando seus lindos cabelos, vira-se para Mury Low e diz:

    — Eu sou muito mais que só velocidade. Hoje irei mostrar a todos vocês o poder do estilo Dragão de Shang Tu!

    — Ah muleque! É isso aí, Lilac! O sangue de dragão de suas veias tá tinindo! Haha! Vocês tão todo ferrado agora. A gata selvagem do norte junto com a dragão púrpura incandescente de Avalice vão botar pra quebrar agora!

    — Nós vamos derrotá-los no seu próprio jogo! PREPAREM-SE!

    Sob o olhar bem descontente de Mury Low, Lilac e Carol agora estavam de volta. Mesmo com a felina um pouco cansada e Lilac ainda se recuperando, já era possível ver que o equilíbrio na batalha era visivel.

    Porém eles ainda estavam presas e o perigo ainda era o mesmo. Que fim levará essa batalha de prisioneiras do clã de ninjas da The Red Scarves?

    E voltando a arena...

    Viktor já havia se trocado. Diferente do torneio de artes marciais de Shang Tu, o jovem dessa vez vestiu seu kimono. Foram poucas as vezes que Viktor mexeu em sua mochila desde que chegou em Avalice sabe-se lá como, mas logo tratou de colocar praticamente todo seu uniforme de combate: um belo kimono branco, com o emblema de seu Dojoh, que se chamava “Os Oito Caminhos do Karatê Do”, onde seu símbolo era um tigre branco. Colocou também luvas de combate de cor azul. E, por fim, sua faixa preta, seu símbolo máximo, que o denominava como mestre em sua arte. Enquanto caminhava pelo corredor, logo foi chamado por Noah que, correndo, diz:

    — Viktor, espera...

    — Hã? O que foi? O que houve? Eu pensei que você iria descansar...

    Logo também chegou Milla, que diz:

    — Nós vamos torcer por você, Viktorius. Nunca que iríamos deixar você ir pra lá sozinho.

    — Jura? Até você, Noah?

    — Bem... É. Eu fui um insensível mais cedo, cara. Me desculpe – Disse o jovem albino, coçando a cabeça.

    — Não, tudo bem... Isso faz parte. Estamos todos juntos nessa e todo mundo quer o bem para o outro. Bem, eu agradeço de qualquer forma o apoio.

    — Obrigado, Viktor.

    E enquanto caminhavam juntos até a arena, Viktor perguntou a Noah:

    — Cara, o que é lance de Feng Shui afinal? Porque é tão importante pra vocês isso?

    — Viktor, todos nós de Avalice temos um elemento guia.

    — Elemento guia?

    — Sim. É nele que nossas habilidades especiais se baseiam. O meu é raio. E o seu Milla?

    — Bem, minha mestra disse que acha que é terra – Disse Milla, esfregando dedos dedos indicadores.

    — Ah... Bem, eu não tenho a mínima ideia do que seja isso. Mas eu meio que entendi o que querem dizer. É, não é n algo que eu possa aprender.

    — Leva-se um tempo para desenvolver habilidades, Viktor. É algo inato de quem detém Feng Shui que vai sendo desenvolvido com muito treinamento. Isso não está a seu alcance.

    — É, eu percebi. Bem, eu vou com tudo. Eu não vou me poupar.

    E depois da breve caminhava, chegam de fato até a arena. Com Viktor subindo ao octógono, Milla segurou em sua mão, dizendo:

    — Viktorius...

    — Sim, Milla?

    — Faça seu melhor e tenha uma luta limpa e justa!

    — Hehe. Pode deixar.

    O jovem então começou a caninhar para o centro do octógono, com Sheng fazendo o mesmo. No lado do Team Omna, estavam Joshy, Tats e Pawa. Ingris pelo visto ainda não havia se recuperado do trauma da sua última luta, se resguardando.

    Os dois oponentes se encontraram agora frente a frente. O felino do Monastério Daiyamondo Omna de pelugem parda e olhos verdes, com cabelos vermelhos, estava a frente de Viktor, que tinha cabelos pretos e olhos castanhos. O juiz então diz:

    — Eu quero uma luta justa e limpa. Agora... LUTEM!

    Um ruído seco é ouvido. Os olhares impressionados de toda a platéia e de Noah e Milla evidenciaram o acontecimento inesperado: Sheng aplicou um soco destruidor em Viktor, que foi ao chão em seguida. Um silêncio tomou conta do lugar, demonstrando a surpresa do resultado. On jovem carateca havia recebido um único golpe e já estava no chão. Sentindo fortes dores, ele pensou:

    — *O que foi esse golpe? Eu nem o vi se preparar... E foi um golpe poderosíssimo, como se quisesse mesmo acabar comigo... Eu nem deveria estar acordado...*

    Mas Sheng não ousou golpear Viktor ao chão. Lembrem-se: é uma luta de submissão, onde é necessário jogar o adversário para fora. Mas o jovem monge não parecia ter essa ambição, dizendo:

    — Tá, Viktor... Eu sei que você vai se levantar. É tolo o bastante para não desistir dessa luta.

    — O que você... Ah... está dizendo?

    — Cara, vou ser bem sincero: eu vou aplicar todos os meus golpes mais poderosos contra você a partir de agora. E eu não vou te jogar pra fora desse octógono.. Isso seria fácil demais e você não aprenderia nada...

    — Sheng, está sendo arrogante disso isso!

    — Eu arrogante? Viktor, você que é o arrogante aqui. Tá pensando que somos como você? Cara, eu admiro sua força de vontade, mas tenha um pouco de juízo: você não tem habilidades especiais. E eu acabei de provar a você que só com um simples soco eu te derrubei.

    — Foi um bom golpe. Mas ainda falta muito pra acabar comigo.

    — Mas é por isso que eu não vou te jogar da arena. Eu vou fazer com que você desista dessa luta. Vou te mostrar onde é seu lugar e que pare de cometer essas suas loucuras.

    — Cale a boca, Sheng... CALE A BOCA!

    — E Viktor, eu não estou sendo arrogante. Eu estou sendo realista. Eu já sabia que você não iria aceitar esse fato, então...

    Sheng começou então a concentrar seus poderes. Uma aura azulada começou a envolver seus dois punhos, com ele dizendo:

    — Então eu irei te mostrar na pele tia a minha força! TEN NO HANMĀ! (Martelo dos céus)

    O felino monge correu contra Viktor, que percebeu o ataque. Em base de luta, com seus dois punhos a frente, o jovem diz:

    — Um ataque logo de frente? Você deve estar me subestimando demais, Sheng! Eu...

    Mas antes que Viktor continuasse sua análise, Sheng executou um salto, cobrindo o sol com seu corpo por alguns instantes. O jovem carateca manteve seu olhar para o movimento arrojado do felino e esse foi seu maior erro: os raios solares cegaram Viktor por alguns segundos, impedindo medir a aproximação de Sheng, golpeando com extrema força o jovem humano, jogando-o para o chão novamente. Um estromdo foi ouvido ao choque, mostrando que Sheng estava mesmo lutando com tudo. A platéia foi ao delírio com tamanha força do monge. Milla e Noah, ao contrário, eram só nervosismo, com o albino dizendo:

    — VIKTOR?! NÃO! Cara, fica longe!

    — Nossa... O Sheng golpeou ele muito forte... *Ele parece ser ainda mais forte que o Pawa*

    Mais uma vez Viktor estava no chão. De fato, o soco aplicado por Sheng foi forte, o suficiente para causar muita dor. E era isso que estava sendo sentido por Viktor.

    — AHHH... Desg... AHHH... *Dor... Essa dor é angustiante... Maior que a luta contra a senhorita Neera Li... Eu só recebo dois golpes e... já estou quase derrotado... Não, não pode acabar assim... Mas...*

    Com muito esforço, Viktor conseguir ser levantar, esboçando em seu rosto expressão de dor no lugar atingido por Sheng, que diz:

    — Tá vendo? Você não aceita. Não admite que é fraco. Cara, deixa de ser ridículo. Isso que você está fazendo é pura idiotice.

    — Cale a boca, Sheng... CALE A BOCA!

    — Lutar contra você não tem sentido algum. Eu não sei o que Lilac estava pens...

    — NÃO OUSE DIZER O NOME DELA!

    — Mas hein?!

    — Eu lhe proíbo de proferir o nome de Lilac!

    — Ah sério? Sabia que o nome dela está no nome do seu time? E ela tem sim responsabilidades sobre você. Se você está aqui é por causa dela!

    Viktor se irritou como nunca se viu. O jovem então correu em direção a Sheng, tentando lhe acertar sucessivos socos, dizendo:

    — QUEM ESTÁ LUTANDO AQUI SOU EU! EU ME RESPONSABILIZO PELO O QUE ACONTECER AQUI!

    — Hahaha... Minha nossa, que fracassado – Provocava Sheng, enquanto se esquivava facilmente dos golpes de Viktor – Você é muito pretensioso!

    Durante as suas esquivas, mais uma vez seus punhos, evidenciando mais um golpe especial:

    — SENSŌ MEISU! (Maça de guerra)

    Usando seus dois punhos, Sheng quebrou o ataque de Viktor, o atingindo em cheio em seu dorso. Suas mãos juntas uma na outra praticamente se cravaram na barriga do jovem, jogando-o para trás. O golpe tinha sido ainda mais intenso que os anteriores. Com seu olhar distante, Viktor desabou, estando agora no chão se remoendo de dor, que ecoavam pela arena. Mesmo com a explosão da platéia pelo contra ataque espetacular que Sheng executou, um pouco de terror se colocou no momento. Ninguém gostaria de ver uma pessoa sofrendo a sua frente, mesmo em uma luta. Noah, tentando se aproximar de onde Viktor estava, diz:

    — VIKTOR?! CARA... MINHA NOSSA...

    A visão que o albino praticante de Kaipasu não foi das melhores; Viktor estava sangrando em sua boca. Logo o juiz paralisou a luta para averiguar. Ele, se aproximando de Viktor, diz:

    — Jovem, consegue se levantar?

    — AHHH... Eu... *Eu nunca senti uma dor tão intensa... Eu... Eu estou mesmo... sendo destruído. Ele... O Sheng está mesmo levando a sério... e isso é bom... É um adversário poderoso... Essa dor me faz continuar no chão, mas...*

    Novamente, a muito esforço, o jovem humano se levantou, um pouco tonto. Logo o juiz se aproximou e verificou seu corpo. O sangramento de Viktor foi superficial, onde havia somente cortado sua boca por dentro. Percebendo esse detalhe, o juiz diz:

    — O sangramento foi somente um acidente. O lutador Viktor está em plenas condições de continuar.

    — O QUE? O senhor está louco ou cego? – Disse Sheng, olhando para Viktor – Olha o estado deplorável dele! Mal se aguenta em pé!

    — Exijo respeito a minha posição e minha decisão, lutador. E devo lembrá-lo que essa é uma luta de submissão, onde você precisa jogar sei adversário para fora da arena.

    — Tá, desculpa. Mas eu não vou me responsabilizar pelo o que acontecer nessa luta.

    As palavras de desdenho de Sheng estavam mesmo tirando a paciência de Viktor que, rangendo seus dentes, explodiu:

    — SEU PATIFE! SEU ORDINÁRIO!

    — Hã?! Mas o que...

    — VOCÊ ME ENVERGONHA COMO LUTADOR, SHENG!

    — Cara, será que você não consegue ver o meu lado? Não me agrada vê-lo sofrer, Viktor. Eu estou até com medo de te golpear de novo...

    — ISSO NÃO É PROBLEMA SEU! LUTE COM TUDO!

    — Já estou fazendo isso. E você não aguenta. Eu sou um adversário forte demais pra você. Escuta, não estou querendo te humilhar, tá? Eu me importo com você de verd...

    Mas Viktor estava completamente irritado com seu adversário. Nem lhe deu tempo de terminar o que estava dizendo, executando um forte chute no rosto de Sheng, o atingindo em cheio. Deslocando a cabeça para o lado com a intensidade do golpe, o felino diz:

    — Hm... Belo chute, Viktor.

    — Eu estou lutando a sério também, então... NÃO ME SUBESTIME!

    — Muito bem... Muito bem... Esse chute me irritou, sabia?

    — Não estou aqui pra ficar jogando pedra, papel e tesoura. EU VIM AQUI PRA LUTAR!

    — Muito bem, Viktor... Estava tentando te poupar do pior... Então se você quer lutar, então vamos... – Disse o felino, estalando os dedos.

    Sheng então saltou com tudo para cima de Viktor, enquanto dizia:

    — ME MOSTRE ENTÃO QUE EU ESTOU ERRADO! AHHH!

    Enquanto isso...

    Em algum lugar da Shang Mu Arena.

    A luta no pavilhão abandonado seguia terrível. Embora Lilac e Carol estivessem com uma desenvoltura fora do comum, a luta era desgastante. Não que elas não tivessem habilidades, mas Carol tinha acabado de lutar contra Gill Son e Lilac ainda estava fraca pelo preparado ingerido por ela, o qual Mury Low citou, o que retirou sua velocidade. Usando única e exclusivamente de artes marciais para lutar. Ainda com seus olhos iluminados, mostrando estar com Dragon Focus ativo, Lilac, ao se desviar de um dia golpes de um ninja, diz:

    — Carol, precisamos terminar com essa luta o mais rápido possível.

    — Tá, senhora nerfada. Mas tem pelo menos a metade da torcida do Corinthians pra gente esmurrar!

    — Carol, pare de maluquices! Temos que agir juntas.

    — Juntas? Mas pera... Tu quer usar aquele golpe?

    — Sim. A gente vai derrubar muitos deles de uma vez só!

    — Mas Lilac... *Cara, eu tô bem cansada. E aquele “socão do Ralf” do Gill Son tá doendo até agora... Mas eu não posso negar isso pra Lilac...* Tá, beleza! Vamo detonar, guria!

    Então a felina se aproximou de Lilac, que segurou em sua mão. E, juntas começaram a correr contra um grupo de mais de dez membros da The Red Scarves. E, em seguida, dizem juntas:

    — A JUNÇÃO DO ORIENTE: RAGING WHIP-CRAWS!

    A frente, Carol concentrou poder em suas garras e, com Lilac executando um salto sobre ela, enrolou seus cabelos nos braços de sua amiga, puxando-o a enquanto fazia uma acrobacia, dando uma pirueta no ar. E no ápice do movimento, jogou Carol com toda força contra os ninjas. Ao se aproximar, abriu seus braços e desferiu um golpe ao ar, lançando contra eles uma onda enorme de energia na forma de suas garras, atingindo a todos. Imediatamente após receberem o ataque, titia os ninjas foram ao chão, desacordados. O golpe foi monstruoso, com uma força absurda. Esse detalhe trouxe preocupação a Mury Low, que pensou:

    — *Essas duas são mesmo poderosas juntas, justamente. Eu a subestimei, dragão. Eu a subestimei... Mas isso é bom. De qualquer forma já estamos com algum lucro. Todos nós temos limites, hahaha...*

    Com os ninjas restantes impressionados com o que acabaram de ver, Lilac e Carol se colocarem frente a eles, com a dragão dizendo:

    — Estão vendo? ESTÃO VENDO? É DISSO QUE ESTOU FALANDO! Nós iremos sair daqui vitoriosas!

    — Lilac... – Tentou dizer Carol, um pouco tonta.

    — Nós nunca iremos deixar que seus planos dêem certo! NÓS VAMOS LUTAR ATÉ O FIM!

    — Lilac, eu...

    — E eu estou aqui para fazer justiça! A The Red Scarves não está acima da lei!

    — Lilac... Por favor, me ouve... – Disse Carol, de uma forma bem séria, segurando no ombro de Lilac.

    — Hã? O que foi, Carol?

    — Eu não estou bem... Esse último golpe...

    — Carol?! O que... Carol, você está...

    — Eu estou tonta, Lilac... Eu lutei muito e... Eu não queria te decepcionar... Eu... Me perdoe...

    Instantes depois, Carol, perdeu os sentidos, sendo segura por Lilac, que diz:

    — CAROL?! Não... ACORDA! O que eu fui fazer? Eu fui tola em exigir tanto dela... CAROL?!

    A situação mudou novamente, e para pior. Esgotada por tanto lugar e sem ter um intervalo, Carol esgotou todas as suas energias no último ataque. Com Lilac a segurando, Mury Low logo começou a caminhar em direção a Lilac, dizendo:

    — Justamente, eu sabia. Dragão, eu avisei que vocês teriam seu fim aqui...

    Todos os ninjas então ficarem em volta onde Lilac segurava sua amiga, demonstrando que uma fuga era tecnicamente impossível. Uma luta seus iminente, quando a bela dragão diz:

    — Nós nunca iremos cair! Eu irei lutar pela Carol! Sei sacrifício não será em vão!

    — Hahaha! Não me faça rir, dragão. Vocês estão cercadas, fracas e com inferioridade numérica. Você é forte, justamente. Mas não faz milagres! ATAQUEM! 

    Sob a ordem de seu líder, o ataque havia começado, mas antes que pudessem chegar até Lilac, uma figura misteriosa aterrissou a frente de Lilac, dizendo:

    — SHANG MU DE JIÀN! (Lâmina de Shang Mu, em chinês)

    Uma forte luz cegou a todos os ninjas, com essa pessoa misteriosa, mostrando uma velocidade surpreendente, golpeou cada um, fazendo-os ir ao chão no mesmo instante que os atingia. Sob o olhar surpreso de Lilac, ela volta a aterrizar a sua frente, olhando para Mury Low, que diz:

    — Hã? Mas quem é você?

    O que está acontecendo? E quem deve ser?

    Voltando a luta na arena...

    A luta continuava. Sheng estava em cima de Viktor, golpeando-o sem pena. O jovem carateca pouco podia fazer. Mesmo quando conseguiu defender, Sheng ignorou esse detalhe, golpeando-o boa braços mesmo. Já quase esgotado, Viktor então correu até o felino, tentando lhe aplicar um soco, mas era fácil para se esquivar: Sheng on golpeou em sua barriga com toda a força, fazendo ir ao chão novamente. A dor era incessante. Nunca antes Viktor conheceu tamanho dano em seu corpo.

    Não havia mais velocidade, sequer força. Viktor estava sendo totalmente dominado pela supremacia de Sheng, que diz: 

    — Cara, desista dessa luta. Estou avisando...

    Ele, voltando a se contorcer ao chão, pensou:

    — *Essa dor... AHHH... Essa dor desgraçada... Eu... Estou sendo dizimado, destroçado aqui...*

    Por estar atordoado por tanta dor que sentia, Viktor passou a ouvir seus pensamentos pesando em sua mente, o deixando ainda mais confuso. Ele passou a ouvir a voz de Noah mais cedo:

    — “Eu nunca te vi lutar, Lilac sempre o protegeu, Sheng me disse sobre sua luta contra Neera Li... Eu não confio em você, Viktor. No momento eu estou mais preocupado com o que Lilac pensaria ao saber que você iria lutar. E dentro desse meu entendimento, eu tenho certeza que ela não iria deixar você entrar naquele octógono... Vou ter que gritar pra você ouvir melhor: VOCÊ NÃO TEM HABILIDADES ESPECIAIS! VOCÊ NÃO TEM FENG SHUI! ACEITE ESSE FATO!”

    E relembrou do que havia acontecido com ele desde o Torneio de Artes Marciais de Shang Tu, ouvindo General Gong dizer:

    — “Você sabe muito bem que pode desistir desse combate, não? Eu não quero machucá-lo, garoto.

    — Eu não vou desistir. E eu não sou nenhum garoto.

    — Haha. Gostei. Esse é o espírito. Muito bem, rapaz. Vou fazer sua vontade...”

    Se deixando dominar pela dor, Viktor continuava a se contorcer ao chão, se perguntando:

    — *AHHH... Porque... Porque essas lembranças? Porque isso? Essa dor... Essa dor... Ela me consome... Me frustra... E essas lembranças... Elas fazem me sentir culpado... Porque? Porque eu sou tão... fraco?*

    E suas lembranças não terminaram. Parecia que Viktor estava sendo punido por tudo que tentou fazer em combate. E, para piorar, ouviu até mesmo as palavras duras de Neera Li durante sua luta em Shang Tu:

    — “Um guerreiro desarmado não tem condições de se defender. Viktor, desista dessa luta.

    — Não se preocupe comigo.

    — Eu não me preocupo com você. Eu só não tolero valentia desnecessária. Você não tem ideia do quão patético é.

    — O que? Eu não admito que diga isso de mim! Tenha honra!

    — Honra? O que você entende de honra, seu insolente? Você está em um estado lastimável depois de receber somente dois golpes. Perdeu seu braço, seu físico já está comprometido... Acha mesmo que me agrada lutar contra alguém fraco?”

    Essas lembranças foram um duro golpe no orgulho de Viktor. Desde que chegou em Avalice nada pode fazer em combate. Eb havia um ponto essencial nesse sentimento de frustração: Viktor era um mestre. Sua faixa preta amarrada em sua cintura era um título muito importante para se ter e isso parecia estar pesando. Ele, ainda caído, pensou:

    — *Eu... Eu não estou aguentando tudo isso... É algo... AHHH... Essa dor... Ela não me deixa pensar...*

    Vendo que Viktor não se levantava, Sheng voltou a provocá-lo.

    — Cara, levanta... LEVANTA! Eu sei que vê vai se levantar porque não aceita. Eu quero que você diga “eu desisto”. Isso será um aprendizado pra você. Não é qualquer batalha que se deve enfrentar. Sempre tem alguém mais forte que você. Mas devo reconhecer que você tem muita resistência. Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Viktor tinha total ouvidos ao que estava a sua volta. E pôde ouvir perfeitamente o que o felino disse, principalmente suas últimas palavras, que se terrorismo em sua mente incessantemente.

    “Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...

    Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...”

    Ele tratou logo de se relembrar:

    — *“Uma pessoa normal não resistiria tanto quanto você...” Eu já ouvi isso antes... Eu já ouvi... Foi depois da luta, quando voltamos pra casa...*

    De fato, essa lembrança se deu ao Viktor relembrar quando retornou a cara da árvore de Lilac, após receberem a missão de Royal Magister para irem até Shuigang. Mesmo depois de tanto tempo, lembrou de estar assistindo um tipo de programa falando sobre a luta. Junto a ele, na sala, estava Carol, que assistia junto com o jovem no exato momento que estavam passando o comentário de durante a luta:

    — Galv Aon, isso não é normal...

    — Como assim?

    — Já vi Neera Li em outros combates. Poucos lutadores como o Viktor conseguiram resistir mais de dois golpes dela. Mas esse jovem... Bem entre resistiu a cinco golpes violentos e conseguiu se levantar.

    — Mas Ever Aldon, ele está bastante contundido...

    — Mesmo assim. Existe algo de diferente nele. Pode ser um treinamento específico, sei lá. Mas que bela prova de determinação estamos tendo com ele.

    Ao ouvir esse comentário, Carol diz:

    — Aí, piá. Tirou elogios do Ever Aldon.

    — Hã? Mas quem é esse cara?

    — Tá de saca, né? Pô, o cara venceu inúmeros torneios! Cara, tu foi elogiado por ele mesmo tomando um pial da panda tsudere! Eu estaria muito feliz agora...

    — Mas Carol, eu perdi... Eu não pude fazer nada.

    — E daí? Tu encarou ela e só não foi mais longe porque salvou a borboleta. Cara, sair na trocação com a Neera só sendo muito corajoso. E tu saiu vivo e inteiro, nyah!

    Diante suas lembranças, Viktor levantou uma hipótese. Decerto, todo lutador, durante um combate, aprende coisas novas. Com esse pensamento, ele logo tratou de imaginar: 

    — *O Ever Aldon disse e agora o Sheng também... Ambos são lutadores... Será que... Será mesmo que... Eu... Eu preciso tirar a prova antes... NÃO! EU JÁ ACABEI DE TIRAR! Olhe pra você mesmo, Viktor... Você recebeu muitos golpes dele, golpes violentos... Maiores que tudo que recebeu nessa vida... Desde aquele dia... Aquele dia do exame...*

    Viktor foi ainda mais distante em suas lembranças, indo até seu mundo...

    Era um dia chuvoso, no lado de fora de um dojoh no centro da cidade onde morava. Gritos de dor eram ouvidos pelos corredores vazios do recinto. Até que um corpo foi ao chão. Era Viktor, bastante ferido, quase sendo pisoteado por outros caratecas. Até que o jovem disse:

    — EU DESISTO!

    Isso fez com que sua agressão cessasse. O que significava tudo aquilo? Viktor estava em um exame de faixa. Na verdade, era o dia que de fato ganharia seu primeiro Dan, graduação essa que define um carateca como mestre. Exames de karatê envolvem três etapas:

    Kihon Geiko: como tudo na vida, o princípio. O básico. Golpes devem ser executados a exatidão, com seu mestre ordenando casa demonstração.

    Kata: a dança marcial. É onde o carateca simula combate usando movimentos milenares de guerra. A concentração do indivíduo é colocado a prova.

    Jun Kumite: é o combate sem contagem de pontos. É onde o carateca demonstra experiência em combate, lutando com tudo que tem contra um oponente poderoso.

    Mas o caso de Viktor era diferente. Seus ensinamentos estavam muito a frente de qualquer outro integrante de seu Dojoh. Era doutrinado sob a doutrina do estilo Shorin Ryu, estilo de karatê mais tradicional que existe, pois sua origem vem do estilo Shaolin, diretamente da China.

    No exame, para contextualizar, Viktor estava lutando contra cinco oponentes ao mesmo tempo e todos faixas pretas. Porém foi demais para Viktor.

    Após sua acachapante derrota, no vestiário, o jovem foi interpelado por seu sensei, que diz:

    — Viktor, você está bem?

    — Não...

    — Viktor, eu...

    — Sensei, eu não estou com paciência para conversar agora...

    — Mas devemos. Você...

    — EU NÃO QUERO! NÃO VOU! ENTENDEU? ATÉ A VISTA!

    — VIKTOR, NÃO GRITE COMIGO!

    — GRITO SIM! O QUE VOCÊ QUER MAIS? EU PERDI! ESTOU TRISTE! E NÃO QUERO CONVERSAR! ATÉ A VISTA!

    O jovem então deixou o Dojoh as pressas, sob os olhares dos mesmos carateca que estavam lutando contra ele. E não era um olhar amigável: o desprezo pelo jovem foi completo.

    Tempo depois, já em sua casa, ele abriu a porta, encontrando sua avó, que acabava de preparar o jantar. Ela percebendo o humor do rapaz, diz:

    — Viktor, o que houve? Porque está assim?

    — Eu... Eu perdi.

    — Ah meu garoto... Isso acontece...

    — Não, vó. Não é bem assim...

    — Não abaixe a cabeça. Logo você consegue...

    — Não é tão simples...

    — Você é forte, Viktor. Eu sei que...

    — NÃO! EU NÃO SOU FORTE!

    — Viktor...

    Percebendo que havia gritado com sua avó, logo tratou de sair novamente de casa. Se antes era o peso de ter perdido, agora era por ter faltado com o respeito com sua avó. Nutrido de um sentimento de culpa é prostração, o jovem correu pela chuva bairros ruas escuras da cidade, até chegar em uma praça. Triste, se ajoelhou chorando ao chão, na lama. Com a chuva torrencial que caía naquela noite angustiante para o rapaz, ele se entregou de vez a mais profunda tristeza.

    Por sorte, seu mestre apareceu, ficando ao seu lado, mesmo que disse se molhar. O senhor então diz:

    — Você gritou com sua avó. Eu passei lá pra ver se você estava em casa e ela me disse...

    — Você não deveria ter vindo atrás de mim...

    — Claro que sim. Eu sou seu mestre...

    — Isso não quer dizer nada...

    — ... e sou seu melhor amigo.

    Ao ouvir a última palavra dita por seu sensei, Viktor precisou engolir seco, já que tinha entendido que poderia perder tudo novamente. Seu mestre continuou:

    — Você, nesse caminho, já caiu muitas vezes... Pensei que já estava acostumado...

    — Eu nunca irei me...

    — ... em se levantar e tentar de novo. Você está confuso, Viktor. Não está bem deixando que eu termine de dizer. Está tirando conclusões precipitadas.

    — Não terá outra tentativa... Já deu, sensei. Eu te envergonhei naquela luta.

    — Na verdade, foi você.

    — Eu? Como assim?

    — Não existe problema algum em desistir quando não se vê em condições de continuar. O problema é outro...

    — Qual se refere?

    — O problema se dá quando você não se respeita. Você não desistiu da luta. Você desistiu do que você acredita.

    — Sensei, eu não entendo.

    — Sua faixa, Viktor. Qual é?

    — A marrom. Mas o que tem?

    — Todas as faixas do karatê tem um significado. E todas elas são únicas. São compromissos que você assume e vai até o fim. Porém, naquela luta, você entrou sem esse compromisso.

    — Sensei, eu treinei todos os dias... Eu treinei todos os estilos. E fui eu quem escolheu fazer o Exame Máximo.

    O Exame Máximo do karatê é uma graduação onde o carateca escolhe ser mestre unificando todos os estilos de karatê. Ou seja, ele aprende golpes de todos os estilos além do seu próprio. Porém a luta final precisa ser contra cinco oponentes de diferentes estilos. Seu mestre continuou:

    — Você é diferenciado, Viktor. Eu botei isso em vive desde a primeira vez que te vi. Você superou muita coisa e suportou vários treinamentos, mas não seguiu com o compromisso de sua faixa.

    — Sensei, eu...

    — Você não se solidificou. Sua faixa exige isso. Pra tudo na vida tem fases. Você subestimou a você mesmo e isso é um erro.

    — Mas o que devo fazer? Como me solidificar pra enfrentar cinco caratecas? Sensei, eu nunca senti tanta dor física na minha vida. Eu já não estava aguentando mais...

    — Eu sei o que te faltou...

    — O que?

    — Suportar a dor.

    — Era muita... Angustiante e incessante...

    — O único jeito de prosseguir com seu compromisso, Viktor... é suportar a dor. Abraçá-la e tomar de suas angústias uma força sólida e poderosa para seguir em frente. E quanto a isso não existe escolhas. Você deve aceitar a dor, tirar dela energia pra poder lutar.

    — Mas como eu faço isso? Eu não posso simplesmente ignorar esse sentimento.

    — Esse é o segredo: não a ignore. Tenha a dor, aceite-a, dê seu corpo, entregue-se a dor. E use todo esse sentimento somado para golpear quem estiver a sua frente. É assim que caratecas no passado iam para guerras. Eles uniam sua força física a dor para ter um poder gigante, capaz de derrotar o que estivesse a sua frente.

    — E como se chama isso, sensei? E como se consegue esse ensinamento?

    — Se chama Urro do Dragão. E eu irei te ensinar caso queira sair dessa chuva e pedir desculpas a mim e a sua avó.

    O sorriso no rosto de seu sensei praticamente o convidou a fazer as coisas certas. Viktor retornou para sua casa, ossinho desculpas a sua avó e seu sensei. Tudo havia mudado no dia seguinte, com o jovem motivado a seguir com os ensinamentos. Não foi um período facul posts Viktor: o treinamento consistia em fortalecer seu corpo ao máximo. O jovem se viu obrigado a treinar mergulhado em um lado congelado, em uma câmara pressurizada, em uma estufa com várias labaredas em volta e inclusive a resistir inúmeros sessões de golpes sem defesa de seu mestre. Enfim, Viktor condicionou seu corpo as mais extremas situações que um lutador poderia passar e foi um processo terrível. E tudo isso foi mantido em segredo, pois um mestre não poderia fazer isso a um aluno, ainda mais alguém tão jovem.

    E o derradeiro dia havia chegado. Novamente no mesmo Dojoh, Viktor ficou a frente dos mesmos cinco caratecas. E, olhando para cada um, diz:

    — Ossi!

    “Ossi” é uma expressão utilizada para demonstrar entre caratecas respeito e compreensão. E, literalmente, quer dizer “paz entre os mundos”.

    Voltando a luta contra Sheng, Viktor tomou forças outra vez, ser colocando de pé. O felino logo percebeu que havia algo de diferente em seu rosto, dizendo em seguida:

    — Ah então voltou do limbo outra vez. Eu já avisei que eu não vou te jogar da arena até que diga que...

    — Venha, Sheng... Me ataque outra vez.

    — Hã? Você é masoquista ou o que?

    — Sou um carateca do estilo Shorin Ryu. É só o que precisa saber.

    — Ah então está se apresentando. Então eu sou Sheng Zian...

    — Você é um monge do Monastério Daiyamondo Omna. Tem sua doutrina baseada em contato total.

    — Nossa, você me conhece como?

    — Temos um gênio em nosso time. Ele me disse.

    — Ah, o Noah... Já deveria imaginar... *Ingris deve estar certa então. Preciso mesmo vencer* Pois bem, Viktor... Me mostre... ME MOSTRE ESSA SUA DOUTRINA FRACASSADA! AHHH!

    Sheng correu contra Viktor, concentrando mais uma vez seus poderes em suas mãos. Era esperado pelo carateca um golpe poderoso de seu adversário. Mas Viktor estava diferente. Seu rosto havia mudado. Se antes era a expressão de dor e sofrimento, agora era algo como “concentrado”. Vendo o felino se aproximar, ele pensou:

    — *Agora tudo faz sentido... Eu estava o tempo todo preocupado em vencer essa luta quando o tempo todo eu deveria vencer... a dor. A dor é minha aliada nessa luta agora... Ela se somou a mim... E irei usar isso como energia, que irá me fazer usar o Urro do Dragão... A partir de agora eu sou detentor da dor. Eu a aceito e, em troca, me de a força necessária para aplicar o...*

    E quando Sheng estava prestes a atingir Viktor, ele, executando um incrivel gancho de direita, com seu punho totalmente enrijecido, golpeia com extrema força o golpe de Sheng, o jogando para longe, dizendo:

    — FUJIN KEN!

    Pela primeira vez nessa luta, Viktor conseguiu golpear Sheng, fazendo toda a platéia ir a loucura. Mais uma reviravolta estava partes a acontecer? Era o que Milla logo imaginou:

    — *Aquele olhar dele... Durante a luta contra a minha mestra, antes seja vencer, ele fez esse olhar... O Viktor é forte... Ele realmente é forte!*

    E até mesmo Noah disse:

    — É ISSO AÍ, VIKTOR! *Tem algo diferente nele... E essa postura e esse golpe... Golpear alguém assim, fraco como ele está, não é algo fácil... Tem alguma coisa acontecendo... Viktor não tem poderes especiais*

    Depois do golpe repentino de Viktor que conseguiu o atingir, Sheng conseguiu se equilibrar e caiu de pé. Porém percebeu que a marca do punho do jovem humano ficou marcado em seu peito. Ele, surpreso, diz:

    — O golpe dele... Foi mesmo forte. Poderia dizer que quase tão forte quanto o meu. O que está acontecendo aqui?

    Joshy, pressentindo algo, logo se aproximou a lateral do octógono e diz:

    — Sheng, acabe logo com ele. Ataque com tudo. Já percebeu que ele não é o mesmo, não?

    — É, eu percebi sim.

    — Não pegue leve. Ataque pra acabar com ele. Jogue-o pra fora da arena! Não é hora pra pedir gentilmente que ele desista, porque ele não vai!

    — Líder, você está duvidando das minha força?

    — Não. Só estou pedindo pra você parar de ideologia e começar a tratar o Viktor como um lutador. Ele está aqui pra isso e algo o acordou. Acabe logo com ele!

    — Tudo bem. Eu entendi. *Ok, Viktor. Você conseguiu o que queria. Queria ter te poupado de tudo sofrimento, mas vejo que é o que você quer...*

    O cenário estava armado. Viktor, de pé e em base de luta, pensou:

    — *Sou nutrido pela dor, Sheng. Pode vir... Venha com tudo. Não poupe esforços pra me derrotar, porque eu vou com tudo também...*

    Music: “Dragon Screamer” by DA PUMP

    Viktor vs Sheng - The greatest unbreakable karate master

    The Battle is Begin

    "(WHY?) A medalha está brilhando em meu peito?

    (WHO?) E parece mais reluzente que parece?

    (FOOL!) Deixar sua força cair te faz desistir...

    (FIGHT!) Por que não chorar de vez em quando?

    Veja como eu corro... para o amanhã,

    Meu novo eu não vai se confundir jamais.

    Quem terá pensado que ainda estou perdendo...

    Eu tenho muito mais a alcançar!"

    Sheng veio com muito mais intensidade que antes para cima de Viktor que, imóvel, esperou pelo encontro. Antes do choque, Viktor pensou:

    — *Preciso terminar essa luta sem demorar. Essa técnica que estou prestes a usar um nunca apliquei contra alguém e treta de ser feito uma única vez. Mas até lá eu vou precisar adquirir muita energia...*

    E Sheng, concentrando novamente seus poderes nas mãos, diz:

    — SHIN... SENSŌ MEISU! (Super Maça de Guerra)

    Os dois punhos do felino estavam envoltos com uma concentração de energia ainda maior que antes, mostrando que dessa vez era para acabar com a luta com um golpe. Sólido feito uma rocha, Viktor recebeu o golpe em cheio. Embora tenha mesmo sentido fortes dores, dessa vez ele não caiu, sequer saiu do lugar, para espanto de todos.

    Dragon screamer! (why I do? Why I do? Hoo!)

    Levante-se como um dragão! why I do? Why I do? Hoo!)

    O futuro chama como uma luz dourada que vai nos guiar!

    Dragon Screamer! Dragon Fever!

    NO QUESTION!"

    — Ele está... DE PÉ?! Nossa... Aquele golpe do Sheng... O Viktorius resistiu?! Nossa, ele é demais! – Disse Milla, abraçando Noah.

    — Ele resistiu mesmo, como um pedaço de rocha maciça que não quebra! *Ele está muito mais forte que antes, mas como? E porque?*

    Mas Sheng não cessou seus ataques. Começou então a socar Viktor sem parar, com o jovem humano suportando a pressão e o peso da mão do felino, que pensou:

    — *Mas como?! A um minuto atrás ele estava um traste e agora... Ele está aguentando tudo em pé!*

    Mas isso não foi tudo. Viktor passou a também golpear Sheng, sem se importar com os golpes que recebia, que não eram fracos. Mas seus socos tinham uma potencia igual ao do monge. Era incrível a visão que todos estavam observando: Viktor estava trocando socos de igual pra igual!

    (WHY?) Isso não depende da sua opinião, e vai além...

    (WHERE?) Na verdade, it’s most HARDER do que parece

    (HARD!) Se você pode chamar a coragem para dar seu passo

    (FIGHT!) O que escolherá como seu caminho?

    É uma coisa nova com a qual você não precisa se preocupar...

    Você não pode bater as asas!

    Joshy estava completamente transtornado com o que estava vendo. Até mesmo Pawa se levantou, não acreditando no que estava acontecendo, e diz:

    — Isso está diferente de tudo que Sheng disse sobre o Viktor. Ele está resistindo aos duros golpes! Joshy, o Viktor está o pressionando!

    — Eu já vi, Pawa! Esse garoto... Como obteve tanto poder em tão pouco tempo?!

    A troca de socos e chutes continuava intensa. Era estar como um milagre Viktor ainda estar de pé. Mas ia além, desferidlndo violentos movimentos sem esboçar nenhuma reação de dor. Sheng, sem parar, diz:

    — O que está acontecendo, Viktor? Onde veio tanta...

    — VAMOS! BATE MAIS, SEU PATIFE! VAI... TENTA ME DESTRUIR! VAI! – Esbravejou o jovem, deferindo a todo instante socos e chutes.

    Dragon screamer! (why I say? Why I say? Hoo!)

    Levante-se como um dragão! (why I say? Why I say? Hoo!)

    O momento oportuno se desprende e torna-se cósmico, como um dragão!

    A tempestade de Chi não pode desaparecer.

    Dragon Screamer! Dragon Screamer!

    NO QUESTION!

    Noah, olhando a forma incrível e impressionante que Viktor lutava, não deixou dúvidas em sua análise:

    — Milla, o Viktor... Ele está aprendendo o Feng Shui durante a luta! *Eu não tenho dúvidas disso agora! Ele não aprendeu, mas está no caminho... E ele nem sabe!*

    — O que? Mas... Mina mestra disse que...

    — Ele está desenvolvendo seu Chi também. Ele é incrível! É algo totalmente fora da curva. Não existe outro exemplo catalogado. Eu posso provar porque eu li todos os livros sobre isso!

    — Mas pra isso não tem que ter energia? Mina mestra que disse...

    — Sim... Você está certa... *De onde vem essa energia? Qual sua motivação, Viktor? Nossa... Eu estou muito nervoso... Muito tenso... Eu nunca senti isso antes ao ver uma luta... É lindo e espetacular!* – Pensou Noah, com lágrimas nos olhos.

    Oh my way eu estou me mantendo calmo...

    In that case sempre vou ao encontro do amanhã...

    Eu sem dúvidas não irei desistir, FINALLY...

    E sempre e sempre eu vou em busca da VICTORY!

    No céu, The Dragon pode ver o azul do céu lindo e reluzente!

    Em sua mente, Viktor passou a ouvir seu mestre, enquanto se aproximava do momento decidido.

    “A dor te alimenta... Ela é sua companheira nos piores momentos da sua vida... e você sabe disso melhor que ninguém... Então, no momento que estiver frente ao abismo do desespero, abrace a dor... Vocês dois estarão no mesmo lugar, sob as mesmas circunstâncias... E nesse dia, e ele vai chegar, você estará tão forte quanto um dragão...”

    Infindáveis golpes eram desferidos pelos dois. Sheng sentia na pele a mesma dor de Viktor estava sentindo, pois os golpes se equiparavam. Era impressionante como os dois lutavam, só se preocupando com o ataque. Pressionado com o poder inesperado de Viktor, o monge pensou:

    — *Os golpes dele... Estão mesmo me machucando?! Eu estou sentindo dor? Eu... Eu nunca havia sentido tamanha carga de força... Ele é um ser vivo mesmo? Ele parece um... monstro... Insensível e imparável... Indestrutível, sólido... É como um pedaço de aço que não amassa e não quebra... Mas, porque eu estou tendo esse sentimento? Eu estou lutando contra o Viktor! Esse cara não tem poder algo... Mas então porque eu estou... perdendo?!*

    Dragon screamer! (why I do? Why I do? Hoo!)

    Levante-se como um dragão! (why I do? Why I do? Hoo!)

    O futuro chama como uma luz dourada que vai nos guiar!

    Dragon Screamer! Dragon Fever!

    NO QUESTION!

    E Viktor havia definido. Era chegado o grande momento. Era a hora de aplicar o movimento que idealizou.

    — *É agora... Eu só tenho uma chance... Meu mestre disse que “o momento de aplicar esse movimento é quando a dor não aumentar mais”. Estou com energia transbordando por todo meu corpo... O Urro do Dragão está totalmente cheio... *

    E durante seu último golpe, o tempo pareceu parar. Viktor pôde ver por tudo que passou, desde seu mundo, nos momentos bons e ruins, indo até Avalice, desde que se encontrou com as garotas pela primeira vez, passando até mesmo por Gong, Neera, Ying... E eram boas lembranças. Mas havia um alguém, uma pessoa que o manteve focado. Era o porquê de fazer o que estava fazendo, pelo bem de todos:

    — *Lilac... Você acreditou em mim mesmo com todos duvidando de mim... Eu sei que estava me protegendo esse tempo todo, que se preocupa comigo, mas eu tenho forças pra lutar por mim mesmo. Mas se eu estou aqui colocando tudo em jogo... com a união dos esforços de todos do time... eu vou fazer isso... POR VOCÊ! De dragão para dragão!*

    Viktor então se lembrou de cada um dos ossos que seu mestre lhe explicou em como executar seu último momento. E a cada um, seu mestre o guiava.

    “Viktor, seu adversário estará próximo a você com certeza... Você deve afastá-lo. Use o gole que o grandíssimo mestre chamado Bruce Lee desenvolveu. Exatamente, esse golpe é...”

    Viktor colocou seu pé direito para frente, alinhado com seu punho direito e, surpreendendo Sheng, ele diz:

    — SOCO DE UMA POLEGADA! AHHH!

    A técnica, popularizada pelo lendário Bruce Lee, permite que uma pessoa desfira um soco muito forte mesmo a curta distância (entre uma e seis polegadas, ou 2,5 a 15 centímetros). Ao contrário do que muitos imaginam, esse golpe não tem fundamentos na força física e sim na inteligência, pois o movimento envolve coordenação motora precisa.

    Viktor destruiu os ataques de Sheng, executando um soco a uma pequena distância, impressionando a todos. Até mesmo Joshy estava surpreso, assim como toda a platéia. Mas o ataque não havia terminado. Seu mestre continuou.

    “Seu adversário vai estar confuso e, ao mesmo tempo, irritado. Sua frustração de ter recebido o golpe vai fazê-lo ir a encontro de você com todo seu cólera. Então, nesse momento, você está na vantagem. Execute o...”

    — DEAI! – Gritou Viktor.

    Deai é uma técnica do karatê onde o lutador se coloca em prontidão a fim de se antecipar ao ataque do adversário. Ou seja, é golpear o adversário antes que ele o ataque. O utilizador do Deai precisa ter noção exata de espaço temporal, assim como um alto grau de concentração e explosão muscular. Praticamente todas as esferas técnicas, espirituais e físicas do praticande devem estar em perfeita harmonia.

    Sheng, mostrando em seu semblante uma irritação sem precedentes, partiu para cima de Viktor, emanando seus poderes em seus punhos. E o jovem carateca, estando em concentração total, se prepara para seu último golpe. Era tudo ou nada. Frente ao maior desafio que enfrentou sozinho, ouviu pela última vez a voz de seu mestre:

    “Concentre-se. Só se foque nos cinco pontos para adquirir a vitória que eu te ensinei. Relaxe... Abrace a dor e unam-se. O fogo do dragão vai despertar em você depois de ouvir seu urro... Você estará com todo o poder em suas mãos. Poder esse que poderá destruir o que tocar... E durante seu Deai, no momento mais propício, aplique o...”

    Ao Sheng se aproximar ao máximo de Viktor, eis que seu espírito carateca aflorou. No momento que mais se sentiu confiante, concentrou seu punho direito proximo a seu dorso e desferiu seu golpe mais poderoso:

    — DEZ MIL PUNHOS DIVINOS DO REI DRAGÃO! AHHH! (Burning Fist, em português) 

    Atingindo em cheio o dorso de Sheng, seu punho praticamente adentrou na barriga do jovem monge felino. O poder do golpe era incalculável. E não havia muito o que explicar. Era indefensável!

    Dragon screamer! (why I say? Why I say? Hoo!)

    Levante-se como um dragão! (why I say? Why I say? Hoo!)

    O momento oportuno se desprende e torna-se cósmico, como um dragão!

    A tempestade de Chi não pode desaparecer.

    Dragon Screamer! Dragon Screamer!

    NO QUESTION!

    Dragon Screamer! Dragon Screamer!

    NO QUESTION!

    A reação de Sheng já justificava seu silêncio: completamente imóvel, teve seu corpo arremessado com força, sendo arrastado pela inércia do golpe, se chocando contra o chão enquanto rolava em torno de si mesmo e, chegando a ponta do octógono, lentamente seu corpo foi caindo para fora.

    Ele, já desacordado, foi jogado para fora da arena....

    Viktor, de pé, só tinha olhares para onde Sheng havia caído. Joshy, assim como todo o time Omna remanescente, estavam incrédulos...

    Quebrando o silêncio repentino, a emoção da plateia demonstrou com muita pompa o fim da luta.

    O juiz então diz:

    — Sheng Zian foi jogado para fora da arena. A vitória é do lutador Viktor!

    Viktor venceu. O jovem, sem cerimônia alguma, realizou seu júbilo:

    — OOOSSI!

    Noah e Milla não perderam tempo e foram até onde o jovem estava. Bastante ferido e exausto, foi coberto com abraços por seus companheiros, que choravam de tanta emoção que sentiram. Eles perceberam que Viktor estava usando algo além da força física para vencer um adversário poderoso. Todos aplaudiram a vitória impressionante do carateca, coisa essa que partiu até do Team Omna. A humildade de Pawa, Tats e Joshy foi algo a se admirar, mesmo diante os percalços. O lobo, olhando as comemorações, diz:

    — Eles venceram... Eles conseguiram mesmo... Mas essa última luta... Foi um aprendizado.

    — Foi mesmo, Joshy – Disse Tats, ajudando os paramédicos a levarem Sheng, que ainda estava desacordado.

    — Viktor nos ensinou uma lição. Pela primeira vez eu vi alguém lutar com uma motivação além da vitória...

    — Além da vitória? Como assim? – Perguntou Pawa.

    — Sim. Ele lutou por ele mesmo. Pelo seu respeito e sua honra como lutador. E lutou pelo seu time, pela união de todos. Bem, vamos nessa. Ingris com certeza já deve ter recebido a ligação da Asuka...

    — Asuka? Mas... Espere. O que está acontecendo, Joshy? A agência tem ligação com algo aqui?

    — Vamos, Pawa. Irei lhe explicar...

    E logo os bravos lutadores do Team Omna deixam a arena, enquanto no octógono os três membros que garantiram a vitória do Team Lilac festejavam. Noah logo diz:

    — Viktor, eu estava totalmente enganado sobre seu respeito. Cara, me desculpe. Você tem uma garra incalculável!

    — O-obrigado... Noah... Ah... Ai... Estou todo quebrado...

    — VIKTORIUS! VIKTORIUS! Você é o maior! Lutou muito bem! Foi incrível! – Disse Milla, beijando seu rosto.

    — Hehe... Todos nós... Todos nós... VENCEMOS!

    — É ISSO AI! HAHA!

    Mas antes que deixassem a arena, até porque teria a outra semifinal, quando estavam prestes em entrar no centro médico, Noah teve um momento de humildade. Ele percebeu que havia um coro falando bem baixo o nome do Viktor. Sabendo disso, segurou o jovem pelo braço, o trazendo de volta a arena. Ele, confuso, diz:

    — Noah... O que foi? Eu...

    — Calma, cara... Ouça só...

    As vozes aumentaram, e logo errar toda a eterna estava clamando o nome de Viktor.

    — Está ouvindo? Eles te reconheceram. Eles estão chamando por você. Retribua... Eu o estarei esperando lá no centro médico...

    Era emocionante demais. Viktor sendo aclamado. Desde que lutou em Shang Tu que não sabia o que era uma vitória. E antes dessa luta era todo como um anônimo desacreditado. Mas sua honra foi construída novamente. Sob as vozes que falavam sem nome, Viktor não resistiu e começou a chorar, voltando a gritar:

    — OOOSSI!

    O orgulho de um mestre inquebrável havia retornado.

    Enquanto isso...

    Em algum lugar da Shang Mu Arena.

    Mury Low estava sendo derrotado. Essa pessoa não havia vindo só: soldados do reino começaram a entrar no recinto, rendendo alguns membros da The Red Scarves, enquanto outros conseguiram fugir. Sabendo que não poderia fazer muita coisa, Mury Low recuou, usando uma bomba de fumaça.

    Lilac, um pouco mais aliviada, ajuda estava confusa com tudo que estava acontecendo. E, olhando para esse alguém, diz:

    — Quem é você? E o que está acontecendo?

    E essa alguém, que vestia uma roupa verde estilo chinesa, com símbolos Ying e Yang em suas calcas, segurando uma espada e um chapéu com runas adornava o alto de sua cabeça, era uma panda, que diz:

    — Eu sou Lenzin, guardiã do reino de Shang Mu. E eu estou aqui para duas coisas. A primeira eu acabei de realizar, que foi salvá-la...

    — O-obrigada... Muito obrigada mesmo! Mas e a segunda?

    — Te investigar e todo seu time, Sash Lilac!

    Continua.


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