Freedom Planet: Faith & Shock

Tempo estimado de leitura: 17 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 11

    Revelando todos os segredos

    Spoiler, Violência

    Vários desafios pairam Shuigang. Hoje muita coisa vai acontecer.

    E muitas surpresas também!

    Castelo do reino de Shuigang, noite.

    Caminhando com tudo o cuidado possível e se esgueirando pelos corredores do imenso castelo, Milla e Viktor seguirem adentrando as dependências do lugar. Não havia muito que fazer, já que os dois não conheciam nada do local. Sobre trataram de seguir aos membros da The Red Scarves disfarçados de guardas do reino. Viktor, estranhando tudo isso, diz:

    — Milla, isso não faz muito sentido...

    — Porque está dizendo isso, Viktorius?

    — Aconteceu essa coisa toda aqui nessa cidade e... Tipo, você não acha que esses ninjas conseguiram entrar muito fácil aqui? E tem a gente também. Como é que a segurança confiou tanto?

    — Bem pensado... Acho que pode ter infiltrado... ou...

    — Ou o que?

    — Spade! Na certa ele deu todas as dicas pra esses ninjas e pra Ruby Scarlett!

    — Será?

    — Só pode ser isso! Viktorius, nós estamos mesmo em apuros. Eu não sei o que fazer.

    — Nem eu, mas acho que por todo o esforço que Carol e Lilac tiveram de lutarem contra aquela coisa nós deveríamos investigar o que eles estão tramando.

    Pelo visto muita coisa aconteceu antes de Viktor e Milla entrarem no castelo. Posts sabemos o que ocorreu, voltemos um pouco no tempo.

    Horas atrás...

    Ala oeste de Shuigang.

    Embora o lugar estivesse sob controle da guarda do reino de Shuigang, o local estava rodeado de pessoas preocupadas com a resolução do caso. A cidade estava sendo atacada, então era justificável essa preocupação. Carol estava com Ying, conversando sobre tudo o ocorrido.

    — Carol, o que está acontecendo?

    — Cara, tamo tentando achar essa resposta. E agora sem comunicação vai ficar complicado.

    — Mas e os outros? Eu estou preocupado com eles...

    — Ah relaxa, sangue bom. Lilac sabe se cuidar muito bem. Milla já faz um tempo que já tá batendo um bolão... e isso me faz dizer, mesmo que eu não goste de admitir, mas a Neera fez um bom trabalho... Minha maior preocupação é com o piá...

    — O Viktor? Mas ele é um mestre!

    — Ele poderia ser até o Kojima. Mas o piá não é daqui e não tem habilidades especiais. Eu tô preocupada com isso...

    — Mas ele... bem, parecia confiante. Eu acredito que ele consiga se virar...

    — Não levo fé, não quero arriscar. A gente precisa protegê-lo. O cara dá maior moral lá em casa...

    — Entendo... Mas o que fará agora?

    — Ah bem... Vou dar um rolézin de moto pela cidade e...

    Não havia tempo sequer para respirar. Ao fundo da rua onde estavam, surpreendendo a todos, um enorme caminhão passou a toda velocidade, sendo seguido por Lilac, o que chamou atenção de Carol. Com um olhar de surpresa, se concentrou e se recompôs. Logo começou a andar em direção a sua moto, de forma decidida, dizendo:

    — Ah meleca... here we go again...

    Montou em sua moto e sair em disparada a fim de alcançar Lilac. Pelo visto as coisas estão mesmo esquentando...

    E pelas ruas da cidade de Shuigang, Lilac seguia aquele caminhão, que se desviava de todo o trânsito local. A bela dragão púrpura fazia o mesmo, já que estava usando de sua velocidade para interceptar o veículo. Ela, pensativa, diz:

    — *Droga... Eu não posso usar toda minha velocidade aqui pra não machucar ninguém. E esse caminhão é todo blindado. Droga... Eu sei que eles estão alí dentro... Milla e Viktor não deveriam ter feito isso!*

    Pelo que Lilac disse, ela de fato foi até a praça momentos depois dos dois têm ido ao encalço dos ninjas mais cedo. Mas se isso é mesmo verdade, porque Lilac não estava junto a eles no castelo? Mas essa resposta não parecia ser uma realidade, já que não demora muito e Carol chega até Lilac, dizendo:

    — Aí Lilac... Tá treinando pra São Silvestre?

    — Carol, isso não é hora pra... Espera... CAROL?! Como é que...

    — Tu passou voando que nem um ouriço azul pegando anéis...

    — Hã?! Para dessas maluquices suas porque estamos com muitos problemas!

    — Tá... Que tá rolando? Porque tu tá a mil aí? Tem tem esse caminhão?

    — Eu tinha voltado para a praça para encontrar com Milla e Viktor, mas...

    — Ah tá... Já matei a charada. Eles estão nesse caminhão, não é?

    — Como você sabe que era isso que eu ia dizer?

    — Digamos que tenho contato com o escritor dessa história. Mas esquece isso... Vamo então fazer o Bino parar com o caminhão!

    — Hã?! Mas do que você...

    — Lilac, a missão! Resolver. Agora. Sem pensar. Let’s go away!

    Embora as palavras malucas de Carol causassem confusão em Lilac (que é totalmente compreensível), a dragão voltou suas atenções ao real problema: o caminhão. Percebendo que iriam passar por uma área da cidade que iria dar em um descampado, as duas tinham o interesse de parar o veículo. Mas acreditem: elas não eram as únicas a também terem plano. Como sabemos, o grande veículo era guiado por membros da The Red Scarves, que conversavam na cabine: 

    — Elas estão nos seguindo e estão se aproximando da cabine... Se elas nos pararem...

    — Não diga isso! Nós não vamos morrer!

    — Mas a Ruby vai acabar com a gente se...

    — Tudo bem... Tudo bem... Continua dirigindo. Eu vou cuidar disso...

    — O que você vai fazer?

    — Vou usar aquilo...

    — AQUILO?! Mas a Ruby Violett disse que só em último caso!

    — Esse é o último caso! Essas duas que estão aí fora são habilidosas demais. Não são simples garotas... Segue com o plano. Eu vou acabar com elas. Leve a todos posts dentro daquele castelo como o ordenado.

    — Mas a Ruby...

    — Ela vai se juntar a gente em breve, mas com essas duas aí não vai dar...

    — Tudo bem. Acabe com elas!

    Enquanto isso...

    No interior do caminhão, caminhavam tento todo o cuidado Viktor e Milla, que se escondiam por trás de pequenos contêineres e caixas de madeira. O jovem humano diz:

    — Milla, está sentindo o cheiro deles e da Ruby?

    — Estou sim, Viktorius.

    Mas surpreendendo Milla, ela puxa Viktor para baixo de uma plataforma alí perto. Imóveis e calados, só viram o caminhar do ninja, que adentrou em seguida em um tipo de cápsula, que o levou até uma imensa estrutura metálica. Viktor, confuso, diz:

    — O que ele vai fazer?

    — Eu não sei, Viktorius... Nossa, olha lá pra fora!

    Por uma pequena escotilha, Milla e Viktor puderam ver Lilac e Carol acompanhando o caminhão. Surpresos, Milla diz:

    — Elas estão aqui! Agora vai dar tudo certo!

    — Que bom, não? Já estava pensando que...

    Mas nem ao menos teve tempo de se sentirem aliviados. O baú da jamanta dar abriu, com um ruído de jatos ligando. Logo a estrutura metálica onde o ninja entrou na verdade se tratava de um tipo de nave no formato de uma libélula. Dois canhões e uma grande metralhadora no meio mostravam que seu armamento era pesado. Viktor e Milla logo tomem um susto, voltando a ser esconderem.

    Ao ver que teriam de lutar, Carol logo diz:

    — Ah caraca... Sério mesmo que esses caras da The Red Scarves tem um monstrão de metal pra tretar?

    — Carol, leve a sério! Boa vamos ter que lutar contra essa coisa!

    — To sabendo, Lilac... Mas e o caminhão?

    — Não, Carol! Deixe-o ir!

    — O que? Tá louca, garota? Viktor e Milla estão lá dentro! E se...

    — Carol, se essa coisa começar a atirar pode causar um baita problema na cidade. Depois a gente se preocupa com o caminhão. Eu não vou conseguir vender essa coisa sozinha.

    — Cara, vivi o suficiente pra ver você tomar uma decisão assim. Se tu tá dizendo isso é porque já mediu as consequências...

    E de fato Lilac havia pensado em tudo. Colocou na balança os riscos e jogou com a sorte.

    — *Eu sei que estou arriscando muito deixando que esse caminhão siga com Viktor e Milla, mas esse monstro metálico pode causar danos irreparáveis a cidade... Pessoas podem morrer até... Não tem jeito... Vamos destruir esse monstro!*

    E então Lilac e Carol ignoram o caminhão, que seguiu seu caminho, enquanto as garotas tomaram sua atenção ao monstro libélula. E com isso chegamos a um combate. 

    Music: ”Re: make” by One Ok Rock

    CAUTION! CAUTION!

    Boss Battle: Red Scarves' Metallic Dragon-fly

    “Reveal the way you got me

    I’ve got to run”

    O robô, sobrevoando próximo ao solo, logo tratou de começar a disparar sua metralhadora contra Carol e Lilac, que conseguiram se esquivar para os lados. Carol, manobrando sua moto, diz:

    — Lilac, esses caras da The Red Scarves estão mesmo levando a sério o ataque!

    — Fique focada, Carol! Eles estão mesmo querendo seguir com o plano deles.

    Sem perder tempo, o ninja que pilotava o robô estava mesmo disposto a mostrar a que veio. Logo tratou de manter a metralhadora ativa, enquanto disparava seus canhões. Enormes bolsas de energia teleguiadas passaram a perseguir Carol e Lilac, que diz:

    — Carol, essas coisas... Elias estão nos seguindo!

    — Caraca... Olha o bicho vindo, cara!

    Lilac, desviando de frente de uma dessas bolas, utilizou de seu golpe Ciclone para chegar até a libélula metálica, executando seu golpe mais poderoso contra a cápsula que abrigava o ninja:

    — Como ousa fazer isso aqui nessa cidade? DRAGON BOOST!

    Embora o golpe da dragão fosse poderoso, no instante que iria atingir a cápsula, a mesma se blindou, neutralizando qualquer dano em sua estrutura. Lilac, frustrada, diz:

    — O que? Nenhum dano?

    — Só faltava essa... Um robô blindado.

    A felina verde então acelerou sua moto, recebendo um salto em seguida, indo em direção a cápsula: o golpeou usando um ataque combinado com sua moto.

    — CAROL BIKE’S SLASH!

    Foi inútil da mesma forma. A cápsula recebida uma blindagem tanto quanto a estrutura do robô. Também frustrada, Carol diz:

    — Deu ruim, Lilac. Essa coisa é tão dura quanto a rapadura do padin Cícero!

    — Carol, precisamos nos separar. Estamos chegando próximo a moradias. Essas bolas de energia... Espere... É ISSO!

    — O que? Que tu tá pensando?

    — Rápido, tenta chamar atenção do ninja do jeito que só você sabe fazer e...

    — E o que? Diz logo, menina!

    — Não deixe nenhuma dessas bolas te atingir e nem as casas próximas. Precisamos delas ativas nos seguindo.

    — Nos seguindo? Tu tá de zuera with me?! Lilac, se essas bolas atingirem a gente, vamos virar quebra cabeça de legista!

    — Faz o que estou dizendo, gatinha!

    — Ih olha a Lilac me chamando de gatinha. Gostei, nyah!

    Lilac tinha uma estratégia. Pelo visto analisou bem a situação. Carol, seguindo a sugestão de sua amiga, acelerou sua moto ainda mais, subindo uma pequena colina alí próxima, enquanto a dragão continuava no encalço do robô. As bolas de energia ainda as perseguiam. Carol, depois de ficar em uma distância segura das bolsas que a seguiam, saltou para cima da libélula, ficando sobre sua estrutura. O ninja olhou para Carol, dizendo:

    — Ei! O que você pensa que está fazendo?

    — Não tá vendo, ô troço? Tô pegando carona.

    — Saia já daí, senão...

    — Senão o que? Tu vai me metralhar ou jogar dessas suas “bolinas de gorfe” outra vez?

    — Isso mesmo! Vou acabar com vocês duas!

    — Goste, hein! Tu é confiante pacas!

    Lilac continuou correndo abaixo do robô, mostrando que estava mesmo confiante com seu plano.

    — *Isso, Carol. Deixa ele maluco. Logo eu digo o que vamos fazer... Fica um pouco mais... Agora é minha vez!*

    A dragão então começou a golpear a lataria do robô a todo instante usando seu Dragon Boost, fazendo com que o ninja até perdesse o controle da libélula. Carol quase caiu inclusive.

    — Eu, Lilac! Eu tô aqui, tá?

    — Carol, vamos acabar com isso!

    — Tá, mas...

    — Continua com o que você está fazendo! Vai!

    Com Lilac continuando a golpear a máquina e se esquivar das bolsas de energia, Carol então voltou a fazer sua parte. O ninja estava louco com tudo que acontecia.

    — Vocês não irão vencer dessa vez! Eu tenho um robô invencível!

    — Vai por mim, maledito... Essa bagaça é tão frágil quanto caixa de papelão. E acredite: eu sou uma felina. Eu entendo de caixas...

    — Sua maldita! Eu odeio vocês desde que faziam parte do nosso clã!

    — Oh gostei de ouvir isso. A gente se sente tão amada...

    Moradias já podiam ser vistas ao horizonte. Lilac até mudou de postura depois de ter visto. Concentrada, pensou:

    — *Pronto... Essa é a hora... Tudo deu certo.*

    E imediatamente, a dragão diz:

    — Carol, começa a golpear.

    — Hã? Tipo, posso descer a mão nessa desgraça?

    — Do jeito que você quiser!

    — Ah mas que beleza! Aí, mandrião! Tu mesmo da ratoeira aí...

    — CALA A BOCA! – Disse o ninja, muito irritado.

    — Siga em frente e olhe para o lado! Tu tá ferrado na minha mão, champs!

    Carol, usando de suas garras, começou a arranhar a cápsula, o que fez com que o ninja ativasse a blindagem novamente. A felina verde, sabendo que era inútil confinar golpeando, diz:

    — Lilac, seja lá o que tu pensou em fazer, não tá dando certo... O tímido aqui fechou a bagaça de novo...

    — Era exatamente isso que eu queria! Tá vendo as bolas chegando perto de você?

    — Ih... CARACA! Até tinha esquecido...

    — Por isso... SAIA JÁ DAÍ!

    Sem perder tempo, Carol montou novamente em sua moto e pulou para o chão. E ficou evidente para Carol a estratégia de sua amiga.

    — *A Lilac... Caraca... Essa guria é sinistra mesmo! Eu entendi agora o que ela fez!*

    E de fato foi algo bem genial: na verdade todo esse tempo Lilac eis usar as bolas como arma contra a libélula metálica. Como eram teleguiadas, bastou Carol e Lilac agirem de tal forma que elas as seguissem até próximo do monstro metálico. E como o único ponto frágil era a cápsula, e que toda vez que tentavam golpear o ninja ativava a blindagem, não demorou muito para o plano se concretizar.

    Assim que o ninja retraiu a blindagem, já era tarde: todas as bolas estavam indo em sua direção, não restando muito a ser fazer. Logo uma a uma começa a atingir a cápsula, não dando tempo para que a blindagem fosse ativada novamente. Logo, com o choque das explosões, a cápsula se destrói, com o ninja saltando para fora dentro de um lado, tonto. E em chamas em sua fuselagem, o robô começou a perder altura, indo ao chão em seguida. O atrito gerado causou uma reação em cadeia e uma enorme explosão ocorreu, evidenciando o fim do encarte.

    Logo Carol e Lilac voltaram as ruas da cidade, eufóricas com a vitória.

    — Ah Muleque! Tu é zinista, Lilac! Com “Z” mesmo! Caraca, que plano!

    — A gente só podia fazer aquilo. Senão eles poderiam machucar muita gente por aqui.

    — To ligada. Tu detonou, Lilac! Tô boba aqui, serião!

    — Tudo bem, Carol. Agora vamos... Temos que achar aquele caminhão...

    E como a bela dragão púrpura disse, de fato ela seguiram os rastros. Até mesmo pessoas que estavam nas ruas, preocupadas com ocorrido mais cedo (de ficarem sem comunicação), lhes dando asas coordenadas para onde o veículo seguiu depois da batalha contra a libélula metálica.

    Lilac e Carol, tempo depois, conseguiram chegar até o destino: o Castelo do Reino de Shuigang. Surpresa com o lugar onde o caminhão entrou, a dragão diz:

    — Carol, esse é o Castelo de Shuigang.

    — Pode crer... Mas como é que...

    — Pensei no mesmo. Como é que o caminhão conseguiu entrar no castelo? Depois de tudo que aconteceu, era de se imaginar que a proteção desse lugar estivesse ainda mais rigorosa... Não faz sentido.

    — Tipo, aqueles cartas da The Red Scarves poderiam ter se camuflado..

    — Carol, não teria como. Até Brevon evitou os portões. Ele seguiu pelo telhado.

    — Verdade. Caraca, então como é que... Tipo, acho que o único jeito de conseguirem entrar seria algum guarda tivesse de treta e...

    — Carol! Isso que você disse...

    — Tá, desculpa. Eu não deveria pensar nisso...

    — Não, você está certa!

    — Sério? Tipo, tava falando sério também, mas... Onde você concorda comigo? 

    — Sua boba, mas é exatamente esse seu raciocínio. Tem alguém facilitando isso tudo.

    — Lilac, do que tu tá falando?

    — Carol, lembra de quando nós estávamos na praça e do nada a Ruby apareceu?

    — Tô ligada nisso, mas que tem?

    — Ela disse que ninguém sabe do...

    — ... SPADE?! CARACA! É mesmo!

    — É bem possível que deva ser ele que esteja facilitando as coisas.

    — Na moral, faz todo sentido agora. O cara toma chá de sumiço, desaparece, fica na sombra só na surdina pra depois dar uma de X9. Aí ele colocou a Ruby pra levar toda a culpa...

    — Isso! Mas uma coisa não faz sentido...

    — O que?

    — Porque ele estaria fazendo isso? Melhor: o que a Ruby veio fazer no Castelo de Shuigang? E porque ela disse que meu fim chegaria hoje?

    — É, muitas perguntas. O escritor dessa história não vai me passar nada disso...

    — Ah lá vem você com essas coisas... Vamos, Carol. Temos que tentar falar com o... AH MINHA NOSSA! COMO ESQUECEMOS DISSO!?

    — Caraca, porque tu tá gritando? Que foi? Até me assustou.

    — O guardião! Carol, nossa missão inicial era achar o guardião!

    — CARACA! Meleca... e agora? Tamo no meio dessa treta toda. Não dá pra ir atrás de guardião e nem de PM, ABIN...

    — Carol, para dessas loucuras! Temos que tentar entrar no castelo.

    — O QUE? Cê tá louca? Vamo ser mortas no mesmo instante! Esses guardas depois de tudo que aconteceu devem estar com sangue nos olhos!

    Lilac por uma instantes pensou. Percebeu que Carol, apesar das maluquices que falou, estava certa que seriam alvos fáceis, fora toda a intriga política que isso iria causar entre os reinos de Shuigang e Shang Tu. Tratou então de pensar no que Royal Magister disse antes de saírem da sua cidade de origem. E logo pensou:

    — *Royal Magister disse que... Nossa, como pude esquecer disso?! A espada!*

    E foi até Carol, com pressa.

    — Carol, cobre está com a espada aí?

    — A “Brave Sword of Shang Tu Spirits”? Sim. Eu deixei ela na moto. E tipo, a gente nem usou ela desde que chegou aqui.

    — É agora que vamos usá-la!

    — E pra quê? Já sabemos que os ninjas estão com alguns resquícios e...

    — Por isso mesmo. Nós vamos rastreá-los usando a espada.

    — Tá, mas como vamo entrar?

    — Eu... Eu sei se um caminho... Spade uma vez me disse que havia uma passagem secreta abaixo do Castelo, próximo ao mar... Nós conseguiríamos entrar por lá.

    — Beleza, belezinha! Então vamo nessa! E depois disso tudo quero um refrigerante de laranja bem geladinho...

    — Porque você está dizendo isso?

    — Piada interna, boba. Liga não.

    — Maluca...

    Logo Lilac e Carol seguiram para os arredores da parte externa do castelo, a fim de encontrar a suposta passagem...

    Enquanto isso...

    Interior do Castelo do Reino de Shuigang, noite.

    Voltamos com Milla e Viktor, que estavam se esgueirando pelos corredores do castelo. Caminhavam com muita cautela, tendo em vista que nada conheciam do lugar. Enquanto adentravam com cuidado, Milla diz:

    — Nós precisamos ter muito cuidado, Viktorius...

    — Nem precisa dizer duas vezes...

    — Isso não está indo bem e... – Disse Milla, parando brevemente pois sentiu um cheiro – Viktorius, bem... Vamos nos esconder!

    — Hã? Mas...

    A canina não esperou Viktor se decidir e o puxou até um canto mais escuro, conseguindo omitir que fossem vistos. Segundos depois, alguns membros da The Red Scarves estavam passando pelo local, enquanto um deles dizia:

    — Pronto... Agora que Ruby está nas arcadas do Castelo, poderemos planejar melhor nosso último ataque. Os resquícios restantes estão aqui...

    Eles então continuaram caminhando, enquanto Milla e Viktor olhavam um posts o outro, surpresos com a notícia.

    — Milla, você ouviu isso?

    — Sim, Viktorius. Agora sabemos porque eles estão aqui.

    — Nós deveríamos dizer isso a Lilac agora...

    — Mas como? Se ao menos tivéssemos achado o guardião...

    O jovem humano então se recorda o que havia ouvido do jovem panda Ying, em sua casa.

    — É... Milla... Tem uma coisa que preciso te dizer...

    — O que foi, Viktorius?

    — Não existem mais guardiões algum.

    — O que? Como assim? Royal Magister disse que...

    — É, eu sei. Mas Ying me disse que não tinha mais. Todos foram exterminados por esse cara aí chamado Brevon.

    — Ai, Viktorius... Isso é mal... Já não tínhamos nenhuma chance então...

    — Pelo visto sim. Mas acho que precisamos ir até o fundo disso.

    — Como assim? Nós já sabemos o que eles querem aqui.

    — Sim, mas não acha muito estranho que não tem nenhum guarda nos corredores? Até agora tem sido tudo fácil. Até eu sei que em um castelo a segurança é tudo porque são lugares grandes.

    — Bem, agora que você disse... Desde que chegamos eu só senti o cheiro dos ninjas e da Ruby... e de ninguém mais.

    — Isso está muito estranho...

    Mesmo depois de terem levantado dúvidas quanto a segurança do lugar, os dois continuaram a caminhar com o mesmo cuidado de antes. Como Milla tinha habilidades naturais de uma canina, era um subterfúgio muito útil para rastrear uma possível ameaça. A investigação continuou ao adentrarem agora um grande salão. Mas algo lhes chamou a atenção: dezenas de ninjas estavam caídos, desacordados, o que causou ainda mais apreensão por parte de Milla, que diz:

    — Viktorius, mas o que aconteceu aqui?

    — Eu não tenho ideia... mas espera aí...

    Viktor então se aproximou de um dos ninjas caídos, examinando cuidadosamente, quase como um especialista. A canina, surpresa, diz:

    — Viktorius, o que está procurando.

    — Milla, eles foram nocauteados.

    — O que?

    — Sim. Eles parecem ter sido atingidos uma única vez e desmaiaram.

    — Mas Viktorius, já pelo menos quinze deles caídos aqui. Como alguém poderia ter feito isso sem que eu pudesse ouvir ou sentir seu cheiro?

    — Eu não sei, Milla. Tem algo muito estr...

    Mas antes que pudessem continuar com a conversa, Milla se jogou contra Viktor, com os dois indo ao chão em seguida. A canina salvou a vida do jovem humano pois um combinado de quatro cartas de baralho haviam sido arremessadas na direção dele. E não eram simples cartas: estavam tão bem afiadas que fincaram a parede próxima. No mesmo instante, Milla, ainda sobre Viktor, diz:

    — Essas cartas... Viktorius, você está bem?

    — Bem... Ai... Estou sim... Mas o que é que está acontecendo?!

    — Alguém tentou te acertar com aquelas cartas.

    — Hã? Com... Nossa! As cartas na parede!

    — Viktorius, alguém já sabe que estamos aqui.

    Sem perder mais um segundo sequer, Viktor e Milla já de pé se colocaram em base de luta, pressentindo que teriam que entrar em combate. Mas Milla sabia da gravidade do momento.

    — *Viktorius não tem ideia do perigo que estamos correndo. Não esperava mesmo que ele pudesse estar aqui... Mas eu não posso acreditar que ele faria isso contra o período irmão, mesmo depois de tudo que aconteceu... Mas e esses ninjas caídos? Só Spade teria essa habilidade...*

    Mas quebrando totalmente o clima, eis que Milla conseguiu ouvir gritos e ruídos de luta próximo dalí. Chamando sua atenção, segurou forte em uma das mais de Viktor e diz:

    — Viktorius, temos que correr!

    — Hã? Mas acabamos de sermos atacados, Milla.

    — Tem algo acontecendo nas outras salas. Eu ouvi e senti o cheiro de muita gente!

    — Mas o que pensa em fazer?

    — Como você mesmo disse, temos que descobrir mais. A gente tem que saber tudo agora, pois o inimigo que eu senti é muito poderoso.

    — E quem é?

    — Spade.

    — Spade?! Se me lembro bem, é o irmão do monarca daqui, não?

    — Temos mesmo que descobrir tudo, Viktorius!

    Milla então correu para um dos corredores segurando a mão de Viktor as pressas. O jovem humano percebeu no play de Milla algo diferente, como se estivesse com medo de algo.

    — *Milla está estranha... Esse olhar dela... Eu conheço esse sentimento... É como se ela... Ela soubesse que... Não, não pode ser... Não isso...*

    Ao chegarem a próxima sala, era de fato as arcadas do Castelo. Era um lugar de treinamento da guarda do reino. Mas chegando lá, percebem que haviam muito mais ninjas caídos que antes. E os piorar: alguns foram gravemente feridos. Era por isso que Milla estava um pouco diferente que habitual e Toy exatamente isso que Viktor percebeu. A canina ficou estática frente a tantas pessoas caídas daquela forma e se ajoelhou pasma. Ela, com dificuldades de falar, diz:

    — Isso... Isso é... ho-horrível... Eu nunca... Essas pessoas...

    Viktor se aproximou de Milla e, a abraçando, diz:

    — Milla... Eles não estão mortos... Não fique abalada...

    — Viktorius... Eles estão sofrendo muito... Quem fez isso?

    — Eu não sei, Milla... Eu não sei... Spade talvez?

    — Mas era o mentor deles...

    Não era uma situação habitual. Milla nunca tinha vivenciado um caos como aquele. A canina estava triste, como se tivesse sentindo a dor de quem estava no chão se contorcendo. Mas parecia que aquela noite não iria acabar de uma forma tradicional e muito menos tranquila. A frente de Viktor e Milla, vindo de uma das entradas das arcadas do Castelo, eis que Ruby Violett adentrou o recinto e, a exemplo de Milla, ficou surpresa e pasma com o que estava vendo. Seus comandados, todos abatidos, alguns até em estado grave. Ela, trincando os dentes, diz:

    — O que... O que é que vocês fizeram aos meus homens?

    — Nós não fizemos nada. Já estavam aqui sim e... – Disse Viktor, se levantando.

    — ISSO É MENTIRA! – Disse Ruby, já retirando sua espada da bainha.

    — Estou dizendo a verdade. Alguém está fazendo isso e nós suspeitamos que seja...

    Ruby sequer deu tempo para Viktor continuar falando. Ela então correu dominada pelo ódio contra o jovem. Com sua espada em punho, iria acertá-lo. O jovem, sabendo que não conseguiria evitar de ser acertado, diz:

    — *Ela é estupidamente rápida, quase como a Lilac. Ela vai me acertar... Essa espada... Ela é bastante afiada... Eu... Eu vou morrer aqui?*

    Mas como Viktor disse, Ruby era quase tão rápida quanto Lilac, pois no último instante a bela dragão púrpura conseguiu interceptar o golpe que seria fatal a Viktor. Ela, aparando o movimento de Ruby com um forte chute, diz:

    — Viktor... Milla... Vocês estão bem?

    — Lilac?! Mas...

    E completamento o golpe contra Ruby, Carol lhe aplicou um violento chute, fazendo a bela raposa kunoichi os posts longe.

    — Ei... não esquece d'euzinha aqui, piá! Miss Carol ao resgate!

    — Carol! Mas como vocês conseguiram chegar até aqui? – Perguntou Viktor.

    — Longa história e ajuda não vai dar pra explicar. Tá na hora de lutar contra a ninja fajuta aí.

    Porém a reunião não teve o tom despojado que Carol geralmente se comportava. As duas, ao perceberem como estava ao redor, ficaram impressionadas. Lilac logo se manifestou frente a tantos ninjas feridos.

    — Minha nossa... O que aconteceu aqui? 

    — Gente... Quem fez essa sujeita toda? – Dissev Carol, com um semblante sério.

    — Nos não sabemos, mas suspeitamos quem seja... – Disse Viktor.

    — Spade... fez isso – Disse Milla, ainda impressionada com o cenário torpe.

    — Hã? Mas do que vocês estão fal... – Tentou dizer Lilac.

    Isso porque Ruby não se conteve em ter o ataque impedido por Lilac, correndo em sua direção a toda velocidade. A kunoichi rosa, com o pouco que apresentou de habilidades, começou a trocar socos e chutes com Lilac, com a dragão aceitando o duelo. Era impressionante a rapidez com que as duas se movimentavam, impressionando Viktor.

    — *O que está acontecendo aqui?! Eu não consigo vê-las. Essa batalha... É surreal. A Ruby atacou Lilac do nada e eu não consigo ver absolutamente nada do que estão fazendo. Essa é uma luta entre pessoas desse mundo? É surreal!*

    Lilac e Ruby corriam em paralelo uma com a outra, desferindo violentos chutes, sendo defendido por ambas. Pareciam lugar da mesma forma, usando os mesmos movimentos. E como um raio, ambas se chocam ao irem de encontro entre si. E com cada uma segurando as mãos com as outras, Lilac diz:

    — Ruby, pare o que você está fazendo agora mesmo!

    — Nunca! EU VOU VINGAR MEUS HOMENS! NOSSO CLÃ NUNCA VAI CAIR E SEU FIM SERÁ HOJE!

    — Sua tola. Não vê que tem algo muito errado aqui?

    — CALE-SE! EU VOU ACABAR COM VO...

    Numa noite de surpresas, mais uma então acabou de ocorrer: ao estar travando uma queda de braço com Lilac, Ruby foi acertada em seu rosto em cheio com um violento chute por uma outra pessoa. Com a kunoichi sendo arremessada para longe, se chocando contra alguns caixotes ali próximos, logo todos conseguem ver que esse alguém estava tramando um traje de batalha como os demais guardas do reino de Shuigang. Era de cor verde e com algo em especial: ostentava uma capa em seus ombros com um tom de verde mais claro e usava um chapéu de palha que lhe cobria toda a cabeça, impossibilitando ver quem era. Mas era unânime: esse alguém era, de acordo com Carol:

    — Spade?! Então... Ele é o guardião?

    — Hã? Guardião? – Disse Milla, ainda um pouco abalada.

    — Era o que desconfiávamos. Depois disso tudo, estava mesmo disposto a... – Tentou dizer Lilac, percebendo a movimentação da kunoichi.

    Ruby se levantava, bastante ferida. Com um pequeno sangramento em seu nariz, diz:

    — Seu miserável! Então foi você quem fez isso a meus homens... EU NUNCA VOU TE...

    Sem chances para indagações, o guardião foi impecável: com suas mais cruzadas, com um movimento elegante de mãos, arremessou contra Ruby um par de chakrans.

    O chakram é uma arma de arremesso, de vôo reto de maneira a ricochetear. Acredita-se que a arma foi desenvolvida há mais de três mil anos, tendo sido largamente encontrada nas regiões em que hoje estão países como Índia, Paquistão e Irã. Ele é de forma circular, com uma aresta exterior aguçada e varia em tamanho de cerca de 12-30 centímetros de diâmetro.

    Ruby só teve tempo de retirar duas de suas kunais de seu cinto, a fim de se defender. Porém o guardião não parecia um amador: por ser uma arma de difícil manuseio, a pessoa que a usa deve estar plenamente treinada e qualificada para ter tanta habilidade. Chakram é uma arma de apetrechos e ricochete e, caso utilizado, era necessária a breve resposta e reação do usuário de forma antecipada. Ou seja, seu manipulador deveria saber com antecedência o destino do desvio.

    Com os chakrans prestes a acertar Ruby, ela rapidamente levantou seus kunais, para que pudesse aparar os projéteis arremessados pelo guardião. Mas não era um simples movimento: por dois centímetros, os chakrans ricochetearam contra as kunais da kunoichi e se chocaram contra uma parece retornando novamente contra ela. Ruby chegou até mesmo a se assustar com o fato de o mesmo movimento tenha causado novamente um ataque.

    — *O que? Mas como? Isso é impossível! Eu as aparei perfeitamente e...*

    Porém Ruby estava confusa, ainda mais pé não ver mais o guardião a sua frente, que havia sumido. Mas para sua surpresa, ele estava próximo a ela, abaixado a sua frente. E sem chave alguma de defesa, o guardião executou uma sequência de trás socos em sua barriga, causando-me danos internos. Mesmo com a dor, Ruby tentou emendar um chute visando dorso do guardião, que previu o golpe, aparando o chute com uma das mãos e, com a outra, causou uma torção em sua rótula da perna.

    A dor de Ruby era tremenda. Isso ficou evidenciado em seu grito de dor. Mas mesmo com uma perna do, se manteve em pé, tentando um último golpe. Dominada pela dor e o ódio por ter seus capangas derrotados, pegou seu punhal que estava em seu cinto em suas costas, tentando uma última alternativa. Mas antes que pudesse fazer algo, os chakrans haviam retornado, a atingindo nos dois braços, ferindo-a gravemente com cortes. Ruby estava quase completamente incapacitada de se defender e, sentindo fortes dores, diz:

    — Você... Você é um demônio... Uma desgraça!

    Logo após atingirem Ruby, os chakrans ricochetearam novamente pilastras próximas e, levantando suas duas mãos para cada um dos lados, o guardião os pega, ficando frente a kunoichi rosa. Todos então ficaram surpresos com a repentina aparição do guardião.

    — Lilac, esse guardião é badass a torto. Caraca, o cara é sinistro...

    — Ele... Ele luta a sério e... Não... Ele não vai fazer isso...

    — O que foi, Lilac? – Disse Viktor, assustado.

    — Viktor... Ele vai... matá-la!

    — O que?

    — Que isso, Lilac? Tá certo que o cara aí tá bem Eddy, mas não a ponto de...

    — ELE VAI MATÁ-LA, CAROL!

    — Porque diz isso?

    — Lembra o que Royal Magister disse em Shang Tu? O guardião elimina qualquer um que...

    — Caraca! Mas isso é ruim!

    E de fato essa era mesmo a intenção. Com um movimento seco, o guardião desferiu um golpe usando seus dois chakrans contra o pescoço de Ruby e... Bem... Como eu disse antes, é uma noite cheia de surpresas. Assim que o guardião iria dar fim a Ruby, um vulto negro aparece e a salva. Um movimento rápido é visto por todos e, sob o alto das arcadas, com a lua cheia tomando a noite, eis que um panda vestindo um uniforme com tons negros e vermelhos, usando um óculos sobre sua cabeça é visto. Era Spade, o irmão de Dail. Ele salvou Ruby da morte certa.

    — Spade? Mas o que... – Tentou dizer Lilac, olhando de forma compenetrada.

    E ninja líder dos The Red Scarves, diz:

    — Poucas coisas a ser dizer. Primeira: vocês não deveriam estar aqui. Segunda: vocês atrapalharam tudo. Terceira: Ruby confiou demais mas minhas anotações e falhou na missão. Quarto: não subestimem a The Red Scarves. Nós somos maiores que vocês imaginam. E quinto: bom trabalho em proteger este castelo, guardião. E já esperando sua timidez, fiz as honras de cortar seu chapéu de palha estiloso...

    Um corte tímido apareceu no meio do chapéu do guardião. Spade foi absurdamente rápido no corte, que até mesmo o guardião não pode evitar. Logo as bandas de seu chapéu vai ao chão, evidenciando seu rosto e, para surpresa de todos, Viktor expressou bem essa emoção:

    — Minha nossa... Ying? Você é o guardião?!

    Continua.


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!