Corona Vírus: negócio da China

  • Lee
  • Capitulos 1
  • Gêneros Ficção

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

    18
    Capítulos:

    Capítulo 1

    O fim é talvez um começo - ou seria o começo do fim?

    Álcool, Adultério, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoiler, Suicídio, Violência

    2020. 100 dias após o início da quarentena no Brasil

    Quantos haviam morrido desde o início da pandemia? Não sabia dos números, pois cresciam diariamente. A China tivera uma terceira onda, os Estados Unidos e o Brasil estavam na segunda. Alemanha, Coréia do Sul e do Norte estavam, para todos os efeitos, a salvo. Dos outros países sabia pouco, e de alguns mesmo, porque nem sabia de sua existência, não ligava.

    - Não sabia que você fumava, Alisson.

    - Nem eu...

    Ela deu uma gargalhada. 

    - Acho que não tem como ficar normal nessa situação tão anormal. É comum, mas não é normal. Tive um professor de literatura que passou meia hora de uma aula tentando ensinar pra sala a diferença entre 'normal' e 'comum', que apesar de serem sinônimos, eram diferentes. Apesar de ser um excelente professor, não conseguiu explicar muito bem a diferença. Acho que era uma diferença muito... muito...

    -...Sutil?

    - Isso! 

    - Sei como é. Cê tava com a palavra na ponta da língua, né?

    - Sim... , concordou ele, enquanto olhava o cenário desolador, quase um deserto. Deu uma tragada a mais, lenta, e soltou a fumaça em duas baforadas. Tentou fazer um desenho, mas sem sucesso.

    - Me sinto pior ainda por uma coisa, confessou Nicoleta. 

    - O quê?

    - Meu diploma...Meu diploma não valeu de porra nenhuma!

    O outro teve um acesso de riso. Não aguentou.

    - Você aprendeu a xingar! hahahaha

    - Ôxi...!

    - E até gírias!

    - Já tenho uns anos aqui, mio amico!

    - É mesmo... Mas ainda não largou um pouco do sotaque.

    - Isso acho que a gente nunca perde. Saí da Itália, mas a Itália não saiu de mim. 

    Jovem, de olhos castanhos claros, ela vivia de vestido e chapéu. Era a última italiana em São Luís. Não deixaram mais nenhuma entrar na ilha depois do Corona vírus. 

    Ela ficou pensativa. Sentou ao lado dele, nas ruínas do já arruinado Centro Histórico. Ficaram olhando a paisagem, comparando o agora ao passado: as imagens já não batiam de modo algum. Não havia gente, não havia nada funcionando. Eles mesmo estavam ali escondidos, aproveitando uma falha da segurança que haviam investigado por anos, uma falha humana conjunta, pequeníssima, mas da qual tiraram vantagem para o breve e nostálgico encontro. 

    Desde o 'incidente' que começara na China, desde que o vírus veio, assolou o mundo e matou milhares de pessoas - principalmente idosos -  que o mundo já não era o mesmo. Os poucos países em que a vida voltara ao normal haviam adotado a quarentena apenas para os infectados, investiam em pesquisas em busca de saber do que se tratava o vírus, meios de prevenção, de cura, de contenção, faziam testes em massa - os demais trabalhavam. O Brasil infelizmente não era um desses: adotara muito tarde essas medidas. Ainda que a vida voltasse ao 'normal', ainda assim levaria algum tempo. Milhões de desempregados, inúmeros mortos - a economia estava moribunda. 

    Alisson jogou fora o cigarro. Pisou nele. Pegou o último cigarro do maço, o último do dia, talvez o último do mês. Acendou-o. Não sabia se conseguiria outro maço tão cedo.

    - É... Ainda bem que larguei a faculdade.

    - Tu era é um vagabundo!

    - Também, concordou, sorrindo pra ela.

    Beijaram-se. Ele a abraçou forte, o mais forte possível, deu um beijo de língua demorado. Finalizou com um beijo na testa. 

    - Vamos? Acho que o soldado Diogo está pra chegar...

    - Sim, mô. 'Vamu'!

    Os dois iam partir a pé para o Piauí. Segundo a OMS, jornais e informes de blogueiros e vloggers, o vírus morria em temperaturas acima dos 28° Celsius.

    Puseram as máscaras de volta (o local em que estavam era considerado seguro), verificaram se estavam com sabões, comidas, garrafas de água, alcóol gel e o spray de pimenta da italiana.  Haviam coletado muitas informações do trajeto, por onde iriam, pois devido à quarentena civis não podiam andar livremente pelas regiões sem um certificado: corriam o risco de advertência, prisão e até de morte.  


    Somente usuários cadastrados podem comentar! Clique aqui para cadastrar-se agora mesmo!