Lua de Sangue

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    Capítulo 20

    Família Uchiha

    Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Estava em frente à entrada de madeira da vila onde Sasuke morava. Eu fitava o nome da vila entalhado numa placa de madeira pendurada entre as duas colunas de tronco que formavam a entrada.

    - Vila do Lobo? - Não consegui evitar soltar um pequeno sorriso sarcástico enquanto desviava meu olhar para Sasuke. – Isso é para ser uma piada?

    Ele soltou uma risada abafada.

    - Imaginei que esse detalhe passaria despercebido.

    Senti minhas sobrancelhas erguerem, e meu tom saiu totalmente irônico:

    - Não me diga?

    - Vamos entrar.

    Sasuke me puxou pela mão para dentro da vila. Ela não era pequena, mas também não era tão grande. As ruas eram largas, haviam muitas casas uma ao lado da outra, e todas de madeira sem nenhuma tintura. Eu podia ver algumas mercearias por onde eu passava, pessoas passando de um lado para o outro, e algumas olhavam para mim, a forasteira. Não consegui evitar me sentir intimidada com aqueles olhares sobre mim, eu estava no território dos lobos.

    - Sua mão está gelada. – A voz de Sasuke me tirou de meu devaneio catalizador.

    - Estou nervosa.

    - Vai dar tudo certo.

    Apenas me limitei em sorri, sentindo a mão dele apertar mais a minha. E aos poucos uma onda de calma me invadia, eu sabia que aquela calma vinha de Sasuke, pois eu estava uma pilha de nervos por dentro. Iria conhecer os pais do meu namorado e eu não tinha a mínima ideia de como me comportar na frente deles. Não queria parecer uma idiota, ou fazer algo de errado para que eles possam me odiar. Como se já não odiasse a minha raça.

    - Sua vila é bem bonita. – Comentei aleatoriamente, tentando desviar a rota de meus pensamentos antes que eu desse meia volta e fugisse para me esconder num canto, encolhida. – É bem diferente do que imaginei.

    - E o que você imaginou? – Ele quis saber, interessado em minha resposta.

    Mordi o lábio, desviando meus olhos para as casas que nós passávamos. Tudo naquela vila era marrom, mas esse detalhe só a deixava mais com uma beleza natural.

    - Ahn... sei lá... muita floresta e pouca casa.

    - O quê? – Sua voz saiu risonha. – Sakura, nós somos humanos. Vivemos humanamente a maior parte de nossas vidas. A transformação é como um bônus por sermos diferentes. Não é algo que faça nós vivermos dentro do mato.

    Sim, eu havia dito algo idiota. E sua resposta me fez parecer bem mais idiota e ignorante. Eu tentei formular algo que pudesse contornar a minha ignorância, e antes que eu pudesse abrir a boca para dar uma desculpa esfarrapada, uma voz um tanto quanto conhecida soou, chamando nossa atenção:

    - Olha só o que temos aqui!

    Tanto eu como Sasuke olhamos para o garoto que se aproximava com um sorriso zombeteiro no rosto. Era Kiba, o garoto da aula de matemática.

    - Kiba.

    - E aí, Sasuke. – E parou a nossa frente, e me fitou. - Trazendo a namorada para conhecer a família?

    - E o que isso te importa.

    Sasuke havia sido totalmente grosseiro.

    - Uou! – E levantou as mãos para cima, agora fitando meu namorado. – Não precisa dessa agressividade, irmão. – Em seguida sorriu abertamente voltando a atenção para mim. – Se acostume, Sakura. Sasuke é bem rabugento. Ai!

    Sasuke havia dado um soco em seu ombro.

    - Isso dói, Uchiha. – Kiba resmungou, franzindo o cenho e massageando o ombro.

    - É para deixar de ser um babaca.

    - Viu só? – Kiba disse para mim, bancando a vítima. - Ah, a propósito, sou Kiba – apontou com o polegar para si mesmo. - Temos matemática juntos. Se lembra de mim? Me sento lá atrás.

    Sorri comprimido, tentando ser gentil por ele ter sido a primeira pessoa a me cumprimentar, sem nenhuma indiferença.

    - Eu me lembro de você, Kiba.

    E não tinha como não lembrar, ele falava a aula de matemática quase toda. Acho que não saberia declarar o vencedor numa competição de quem era mais tagarela. Kiba ou Ino.

    - Vamos, Sakura, Kiba é perca de tempo.

    Sasuke me puxou para longe de Kiba, voltando a nossa rota.

    - Nossa, Uchiha. Quanta educação. – Kiba gritou. - A gente se ver por aí, Sakura. E fiquei tranquila que a tia Mikoto é um doce, mas eu não posso dizer o mesmo do Sr. Uchiha.

    - Filho da mãe. – Sasuke praguejou baixinho e depois me olhou. - Não liga para as merdas dele não. Vai dar tudo certo, ok?

    - Confio em você. – Murmurei, depositando toda a minha fé em Sasuke de que tudo iria dar certo. Era só uma apresentação formal, certo?

    Não demorou muito para chegarmos na casa dos Uchiha. Para falar a verdade, ficava um pouco afastada das outras casas e havia uma floresta atrás dela. A arquitetura era parecida com as das outras, só um pouquinho diferente devido a uma parede de troncos e um entrelaçado de troncos nas laterais na arquitetura que formava o primeiro andar. E como todas as outras casas, ela também não tinha nenhuma pintura, preservando a cor original da madeira. A única coisa que não era de madeira naquela casa eram as janelas de vidro. Mas mesmo assim era uma linda casa, uma verdadeira casa de licantropos. Como se eu já tivesse visto alguma outra em minha vida. E uma viatura da polícia estava estacionado em frente à casa, deveria ser do pai de Sasuke, já que o mesmo era o xerife da cidade.

    Subimos os três degraus de escada que dava para uma pequena varanda com duas cadeiras. Meu coração começou a acelerar, e apertei mais a mão de Sasuke.

    Calma, Sakura. Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo. Repetia aquela frase para mim mesma como um mantra enquanto meus olhos estavam na outra mão de Sasuke que girava a maçaneta. Prendi a respiração quando a porta se abriu, e pude ver o interior, revelando duas pessoas.

    Sasuke me puxou e entramos na casa. Não tinha como não reparar na sala de tamanho mediano com dois sofás e uma poltrona de frente para uma estante com uma TV de 50 Polegadas pregada no painel. Havia uma escada de madeira perto da entrada que levava ao segundo andar. Havia cortinas floridas pendurada na janela de vidro, algumas prateleiras nas paredes, quadros com pinturas de natureza e uma bancada com algumas portas retratos de família. Era tudo muito organizado e diferente.

    - Você demorou. – A mulher que estava em pé comentou.

    - Eu fui buscar a Sakura em casa. – Sasuke respondeu e em seguida começou as apresentações, me puxando para mais perto deles. - Mãe, Pai, essa é a Sakura. Sakura, esse é a minha mãe Mikoto e o meu pai Fugaku.

    Meu Deus, agora eu sabia de quem Sasuke havia herdado aquilo tudo de beleza. Ele era a cara da mãe dele. A Sra. Uchiha era linda com aqueles cabelos negros contrastando com a pele alva e os olhos negros. O vestido vermelho florido só a deixava mais exótica. Nunca tinha visto uma mulher tão bonita como ela. O sorriso carinhoso no rosto dela me fez por alguns segundos ficar um pouco mais confortável, mas o conforto se dissipou quando olhei para o Sr. Uchiha. Era um homem robusto, e com uma beleza diferente e bem sério, o que me deixava mais tensa. Estava vestido com a farda da polícia com a estrela dourada pregada no peito. Sasuke também parecia com ele, acho que era o jeito sério.

    Soltei a mão de Sasuke, curvei minha cabeça e os cumprimentei baixinho, fazendo o possível para que minha voz não tremesse:

    - Muito prazer em conhecê-los, Sr. e Sra. Uchiha. Agradeço por terem me convidado.

    - Não precisa dessa formalidade toda, querida. – A Sra. Uchiha se aproximou de mim e tocou meu ombro, fazendo-me olhá-la. – Estou feliz em conhecê-la. Você é muito bonita.

    - Obrigada. – Respondi pouco sem jeito, sentindo minhas orelhas ficando quente. Sabia que estava corando.

    - É realmente muito bonita, Sakura. Meu filho tem muito bom gosto. - Disse agora Sr. Uchiha, a voz séria, mas com um pouco de gentileza. Ele era realmente intimidade. - Você se parece muito com sua mãe Mebuki.

    Fiquei realmente surpresa por ele ter mencionado minha mãe. Aquele comentário de alguma forma havia aguçado minha curiosidade em perguntá-lo mais sobre ela:

    - O senhor conheceu a minha mãe?

    - Fizemos o colegial juntos.

    Ele apontou para o sofá de três lugares. Eu obedeci. Sasuke sentou-se ao meu lado e tratou logo de agarrar minha mão. Fiz o possível para não o olhar, pois sabia que ele me fitava, e estava com vergonha por causa de seus pais nos fitando atentamente. A Sra. Uchiha sentou-se no sofá de dois lugares e o Sr. Uchiha sentou-se na poltrona individual que ficava entre os dois sofás, retomando a conversa:

    - Ela era uma boa pessoa. Soubemos o que aconteceu com seus pais, sinto muito.

    - Obrigada. - Murmurei, sentindo sinceridade em suas palavras, e uma pontinha de angústia por eu ter lembrado de sua morte, mas tentei não demonstrar.

    Ele continuou:

    - A perda é sempre algo doloroso de se lidar. Eu falo isso por experiência própria, por que perdi meu filho mais velho. Mas diferente de você, eu não perdi ele para morte e sim para uma bruxa.

    Meus olhos arregalaram.

    O quê?

    - Pai...!

    Ele silenciou Sasuke com um levantar de mão. E continuou em seguida, jogando a bomba sem desviar os olhos de mim:

    - Não temos um passado bom com bruxas. E muito menos estou satisfeito com essa brincadeira do destino de ter colocado você na vida do meu filho.

    - Querido, seja um pouco mais gentil com a menina. - A Sra. Uchiha o repreendeu, a voz suave soando um pouco mais grossa.

    - Ela precisa saber, Mikoto. Temos que ser honestos com a garota.

    - Pai!

    - T-tudo bem, Sasuke. – Eu disse, sentindo minha garganta ficar seca, e meu coração batendo ainda mais forte.

    As coisas não pareciam tão fáceis assim como eu imaginava. Agora eu via. A família de Sasuke não havia aceitado realmente o nosso relacionamento. Dava para ver pelas feições do Sr. Uchiha de que não estava satisfeito comigo. Eu já deveria ter imaginado que minha má sorte estava quieta demais em dar as caras novamente. Mas uma coisa eu havia aprendido com essa minha maré de azar era que quando a sorte não está ao nosso favor - que no meu caso quase sempre -, o jeito era trabalhar duro. Eu não podia me abater agora, não agora que já fomos tão longe. Sasuke havia desafiado minha avó, havia demonstrado que realmente queria ficar comigo, e agora era a minha vez de fazer o mesmo. Eu tinha que fazer alguma coisa.

    - E-eu sinto muito por isso, Sr. Uchiha. – Odiei-me por ter gaguejado. - De verdade. Confesso que não sei o que dizer. Tudo isso ainda é novo para mim, muitas coisas ainda não entendo. Mas estou conhecendo as coisas aos poucos. E uma coisa eu tenho certeza, eu amo o Sasuke. E eu já sei que vocês não gostam muito de mim...

    - Sakura, isso não tem nada a ver com você. - Sasuke me interrompeu, tentava se explicar, mas isso não estava dando muito certo. - Pai, você disse que não iria culpá-la. Ela não tem culpa de nada do que aconteceu com Itachi.

    - Sasuke, ela precisa ficar sabendo da real situação que encontramos. Como líder, tenho que preservar a segurança do meu povo. Eu sei que ela não tem culpa pelos acontecimentos anteriores. Mas todos nós sabemos que bruxas traz sempre um legado de destruição. Não tem como uma pessoa ser fiel a dois clãs. Ela não é uma de nós.

    Sasuke ficou de pé, o cenho franzido. Eu podia sentir o clima tenso, e temia que isso não terminasse bem.

    - Mas ela é a minha companheira marcada. Nós já fizemos a ligação. O próprio código diz que nenhum filho da lua pode tentar quebrar a ligação um marcado de outro filho da lua.

    - Eu sei muito bem o que o código diz. - A voz do Sr. Uchiha soou mais grossa, sobressaindo a de Sasuke. - Mas a decisão não cabe a nós e sim a ela. – Ele apontou para mim e em seguida me fitou. -  Sakura, sei de sua situação. A Sr. Tsunade veio pessoalmente falar comigo. Para ser sincero, não tenho nada contra a sua pessoa, mas sim o que você é. Não digo só por mim, mas por todos que mora nessa vila. Eles não vão aceitar você facilmente. Nossa mágoa é grande. Mas só há um jeito de reverter essa situação.

    - Um jeito de... reverter? - Por um momento eu senti uma pontada de medo em fazer a pergunta. - E o que seria?

    - Jurar lealdade a nós, os Lycan. Ter a nós como sua principal prioridade. Renegar sua raça em combate e ser uma de nós.

    O quê?

    Eu estava estática. Era óbvio que meu romance com Sasuke não iria ser tão fácil assim. Como eu havia sido ingênua. Além das regras que Tsunade havia proposto a nós, os pais de Sasuke havia proposto a deles. Regras que foi além do que havia imaginado. Ser uma deles?

    - Isso quer dizer que... - hesitei - um de vocês vai me morder numa lua cheia e me... transformar numa... de... vocês?

    Minha frase havia soado cheia de pausas. Eles queriam me transformar em lobisomem na lua cheia? Aquilo havia me assustado. Eu não estava preparada para isso. Meu Deus, aquilo era praticamente absurdo.

    Eu não sabia como estava a minha expressão naquele momento, o meu choque era visível para todos. Mas ou eu estava vendo coisas que não havia, ou eu realmente vi uma sombra de um pequeno sorriso contido no rosto do Sr. Uchiha. Ele estava se segurando para não rir? A Sra. Uchiha não era diferente, mas tentava disfarçar. Sasuke começava a rir baixinho.

    O que diabos estava acontecendo afinal?

    - Não, Sakura. - Respondeu Sasuke risonho, sentando-se ao meu lado novamente, atraindo minha atenção para ele. - O que meu pai quis dizer, como você passará para a família, os Lycan serão sua principal prioridade caso venha um confronto futuramente com bruxas. Você vai ter que está do nosso lado e nos defender.

    - Ah. - Estava completamente sem jeito. Acabara de dizer bobagens. Sentia meu rosto queimar. - Acho que entendi.

    - Bom - começou o Sr. Uchiha -, já que agora você entendeu o que eu quis dizer, você está disposta a declarar lealdade a nós?

    Não consegui responder. Era muita informação para mim. Minha cabeça começava a doer.

    O Sr. Uchiha ignorando meu silêncio voltou a falar:

    - Daqui a duas semanas é lua cheia. Será um momento perfeito para uma celebração de lealdade a Mãe Lua. Se você quer mesmo entrar para a nossa família, venha e jure.

    - E se caso eu não jurar? - Eu tinha que saber os contras.

    - Nenhum membro Lycan pode quebrar uma ligação de marcação. E nenhum membro Lycan poderá aceitar pessoas de outros clãs sem ter passado por um juramento de fidelidade. Se você não fazer o juramento, nós não aceitaremos você no clã e Sasuke sofrerá as consequências de sua escolha.

    Franzi meu cenho, pouco indignada.

    - Como assim, sofrer as consequências?

    - Um Lycan quando encontra seus companheiros de marcação, a ligação é tão forte que se faz no momento que é impossível viver sem aquela pessoa. – Sasuke quem respondeu, seu tom era baixo. - Sei bem por que eu tentei ficar longe de você. E olha aonde estou agora.

    - Como o Sasuke disse, é impossível viver longe de seu companheiro de ligação. - Disse o Sr. Uchiha. - E não haverá outro jeito a não ser desertá-lo da alcateia.

    - Mas isso é injusto. Ele é seu filho...

    - Mas eu sou o Alpha. - Ele me interrompeu. - Ele teria que escolher entre você ou nós. E você pode já prever a resposta.

    - Minha querida - a voz calma da Sra. Uchiha me fez fitá-la, ela sorria para mim. - Não precisa se precipitar agora. Saiba que a decisão é só sua. É uma decisão muito importante para você ter que tomar. Abandonar um clã não é fácil. Terás duas semanas para pensar com calma. Mas queria que soubesse que não estou preparada para perder mais outro filho. Sasuke é tudo o que tenho agora...

    - Chega! - Sasuke gritou, ficando de pé novamente, dando o basta em tudo aquilo. - Olha o que vocês estão fazendo? Estão amedrontando ela. Era para isso que vocês queriam que eu a trouxesse?

    - Sasuke...

    Fiquei de pé, tentando impedi-lo, mas ele não me deixou terminar.

    - A pouco tempo ela pensava que era uma pessoa normal que estava vivendo o luto dos pais. Depois tudo vira de cabeça para baixo. E agora vocês estão pressionando-a a fazer uma escolha difícil.

    - Você sabe muito bem as regras, devia tê-la orientado melhor. - As palavras do Sr. Uchiha soou ríspida.

    - Estou deixando-a por dentro da situação do modo mais fácil.

    - Mas as coisas não são fáceis.

    - Tudo bem, eu aceito. - Minha voz soou mais alta possível para chamar a atenção de todos para mim. Eu havia dado a minha decisão.

    Sasuke agarrou meus ombros, me fazendo ficar de frente para ele.

    - Sakura, você não precisa dar a resposta agora. Não caia na pressão deles. Pense bem.

    Fechei os olhos e balancei minha cabeça para os lados.

    - Não quero ver você brigado com seus pais por minha causa. - Abri meus olhos, sentindo eles começarem a marejar. - E muito menos ser desertado de sua alcateia. A família é mais importante do que tudo, Sasuke. Não quero que você perca a sua.

    Sasuke estava surpreso, a boca entreaberta. Eu também estava surpresa por ele considerar tanto os meus sentimentos.

    - Sakura...

    Umedeci os lábios com a ponta da língua, engolindo a seco. Virei-me para o Sr. Uchiha.

    - Eu aceito fazer o juramento.

    Um pequeno curvar se formou no canto de sua boca.

    - Saiba escolha.

    - Pai! – Repreendeu, Sasuke. Em seguida me fitou. – Sakura pense bem, você vai largar tudo.

    - Sasuke, eu vivi a minha vida toda sem saber desse mundo paranormal. Não conheço ninguém além de minha avó ou a Hinata que seja bruxa. Não tenho um elo enorme com a minha raça. Não do tamanho que você tem pela sua. – E fitei o Sr. Uchiha. - Eu só queria fazer um pedido, Sr. Uchiha.

    - Diga.

    - Mesmo que eu jure lealdade a vocês, eu queria ser fiel a minha avó. Ela é toda família que eu tenho, não quero deixá-la e muito menos desapontá-la. Ela seria a única bruxa que eu defenderia.

    - Nós podemos entrar em um acordo futuramente. A Sra. Tsunade é um assunto diferente. Ela fez um juramento de paz antes de se alojar em Konoha, e ela tem cumprido esse juramento todos esses anos. Uma mulher honrosa.

    - Então farei o juramento.

    * * *

    - Você não deveria ter dado uma resposta tão cedo. - Sasuke resmungava enquanto caminhávamos de mãos dadas em direção a saída da vila.

    Não havíamos ficado muito tempo na casa dos pais dele. O clima estava muito sufocante e agradeci internamente por Sasuke ter me puxado para fora dali, rejeitando os biscoitos com chá que a Sra. Uchiha havia oferecido. Eu não tinha fome para comer nada, a bomba era grande demais para ingerir.

    - O que você queria que eu fizesse? - Questionei, virando meu rosto para fitá-lo. - Se eu não aceitasse você iria ser exilado da alcateia.

    - Eu iria dar um jeito...

    - Não tem jeito, Sasuke. - Parei de andar, agora virando meu corpo para a sua frente. - Desde o começo tudo está conspirando contra nós. Eu sinto isso. Se um de nós não ceder isso vai acabar mal.

    - Mas não acho certo você renegar sua raça para ficar comigo.

    - É você acha certo renegar a sua?

    Sasuke não respondeu.

    - Você não tem ideia do que é viver sem ter pais. Não quero que você passe pelo que estou passando.

    - Nossas situações são diferentes.

    - Eu sei. Mas pense, você iria ser feliz sabendo que não poderá ficar perto de sua família? Será que eu valho esse sacrifício?

    - Não diga bobagens. - Ele havia segurado o meu rosto com as duas mãos, fitando meus olhos profundamente. - Nunca mais repita isso. Você vale muito para mim. A primeira vez que a vi, descobri que tudo que eu mais queria era ter você. Sakura, você é a pessoa mais importante para mim. Não sei descrever tudo o que sinto por você com palavras. Não consigo imaginar minha vida sem você presente nela. Eu te amo.

    Eu havia ficado sem palavras. Era a primeira vez que Sasuke dizia que me amava com todas as letras. Eu estava feliz. Todo aquele sentimento de angústia, medo, insegurança que sentia desde que saí da casa de seus pais havia se dissipado. As palavras sinceras de Sasuke havia me dado forças para lutar por meus sentimentos que sinto por ele. Eu o amava, demais. E eu não precisava me fazer de forte para transpassar o contrário do que sentia por minha resposta importante que havia dado. Eu havia feito a coisa certa. Sabia que Tsunade iria ficar irritada, mas não podia largar Sasuke. Pois ele era a pessoa que eu quero passar o resto da minha vida.

    - Custei acreditar que você conseguiu descer tão baixo, mesmo depois de tudo.

    Nosso momento romântico havia sido quebrado por uma voz soando agressiva, fazendo a gente olhar a pessoa parada ao lado. Uma garota pouco mais velha que nós. Os cabelos castanhos amarrados em rabo de cavalo o rosto irritado fitando-nos.

    - Izumi?

    Franzi o cenho. Quem era aquela?

    A tal Izumi soltou uma risada sarcástica, desviando seu olhar de Sasuke para mim, havia ódio direcionado para mim.

    - Como você pode trazer uma bruxa para a nossa vila? Mesmo depois de tudo que aconteceu com Itachi?

    Sasuke deu um passo para frente, me posicionando atrás dele.

    - Izumi, Sakura não tem nada a ver com o que aconteceu ao Itachi.

    Ela apontou para mim, cuspindo as palavras com nojo.

    - Ela é uma bruxa! As bruxas fazem parte da prole do diabo. Elas trazem desgraças.

    - Você está sendo equivocada. - Sasuke aumentou a voz, atraindo mais atenção para nós. - Você está tirando conclusões precipitadas de algo que aconteceu no passado. Sakura é uma pessoa diferente. Conheça ela primeiro antes de sair julgando-a.

    - Não quero conhecer ela e ninguém da raça dela.

    - O que diabos está acontecendo aqui?

    A voz do Sr. Uchiha soou alta. Ele parou entre Sasuke e Izumi, sua expressão não era nada feliz. E Izumi foi logo se queixar:

    - Sasuke está afrontando a todos trazendo essa bruxa para a nossa vila.

    - Izumi, a Sakura é a companheira marcada de Sasuke.

    - Mas ela é uma bruxa. - Seus olhos começavam a ficarem vermelhos. - Foi uma bruxa que tirou o Itachi da gente.

    Eu quis interferir, mas eu sabia que se eu fizesse eu só iria piorar mais a situação. E por isso eu me permaneci quieta.

    - E ela não tem nada a ver com isso. – Retrucou o Sr. Uchiha, em minha defesa.

    - E enquanto a mim? – Sua voz agora era trêmula, eu podia ver que ela estava se segurando para não desmoronar. – E enquanto a dor que sinto por perder Itachi?

    - Eu sinto muito. Mas você vai ter que aceitá-la, como todos nós vamos ter que aceitar.

    Os lábios de Izumi tremiam, e algumas lágrimas começaram a cair conforme ela piscava os olhos. Em seguida ela deu as costas e saiu correndo em direção oposta de onde nós íamos.

    - Izumi...

    - Deixe-a, Sasuke. - Disse o Sr. Uchiha. – Trate logo de levar a garota para casa, por que não vai demorar em cair um temporal.

    - Tudo bem. – Sasuke concordou. - Vamos, Sakura.

    Sasuke colocou uma mão nas minhas costas e me guiou para fora da vila. Eu apenas o segui, sem dizer uma única palavra, estava atônita. O que havia sido aquilo? A fixa estava caindo aos poucos. Agora eu podia entender o que os pais de Sasuke queriam dizer, que iria ser difícil me aceitarem ali. A fúria de Izumi era só a ponta do Iceberg que eu iria enfrentar pela frente. E novamente eu podia sentir o desanimo tomar conta de mim. Por que tinha que haver tantas regras no mundo dos adultos?

    Depois de algum tempo andando em silêncio, eu perdida em devaneios e Sasuke também perdido nos deles, eu resolvi quebrar o silêncio:

    - Eu acho que a Izumi nunca vai me aceitar na alcateia. – Disse, fitando os raios de trovões cortarem o céu fechado de vez em quando, sabia que a chuva iria nos pegar antes de chegarmos na minha casa.

    - Não liga para a Izumi, acho que ela nunca irá aceitar qualquer bruxa que coloque os pés na vila.

    -  Porque a Izumi é tão sensível quando se trata do Itachi?

    - Izumi é a companheira de marcação do Itachi. – Ele respondeu. - Ela nunca o superou, e eu a entendo. – E me fitou. – Por que eu também nunca o superei.

    Sasuke me parecia triste, e odiei-me por ter tocado no assunto.

    - Me desculpe. Eu não deveria...

    - Que isso. – Sorriu. – É só uma lembrança triste, só isso.

    - Hm. – eu fitei o chão, agora tentada em perguntá-lo mais sobre o assunto. – E o que aconteceu com ele?

    Silêncio.

    Um raio cortou o céu bem perto, e o som soou muito alto. Sasuke chegou mais perto de mim quando me encolhi. Ele passou a mão por minhas costas e segurou minha cintura de lado, trazendo-me mais perto de seu corpo.

    Eu sorri com o gesto, e ele soltou um suspiro cansado, voltando a fitar a frente enquanto apressamos um pouco os passos.

    - A alguns anos – ele começou -, um pouco antes da minha primeira transformação, uma série de mortes começou a rondar por Konoha. Os Lycan entraram em alerta com suas rondas, e a Sra. Tsunade se posicionou na linha de defesa com a barreira de proteção que ela havia colocado para proteger a cidade. Mas o inimigo era forte, e conseguiu se infiltrar na cidade sem ser percebido.

    Outro raio cortou o céu, e enganchei meu dedo na reata da calça dele.

    - Nesse tempo Itachi começou a ficar estranho. Faltava nas reuniões da alcateia, estava mais frio e agressivo. Todos estranhavam seu comportamento, ele era um cara bacana, um irmão legal, um excelente Lycan, e de uma hora para outra parecia um desconhecido. – Ele deu uma pausa, e eu me permaneci calada, não queira interrompê-lo. – Um dia me acordei muito mal... eu ardia em febre, me sentia desinquieto. Meu pai estava na delegacia, e minha mãe havia saído  para resolver algumas coisas. Eu estava péssimo, e resolvi naquele dia sair para espairecer a cabeça e entrei na floresta.

    Silêncio.

    - Aconteceu algo na floresta? – Perguntei, depois de alguns segundos sem ele ter dito nada.

    - A minha memória é um pouco vaga, minha visão estava pouco embaçada, mas eu o vi. Itachi na forma de lobo, a boca dele cheia de sangue e a poucos metros o corpo de Shisui, morto.

    - Meu Deus.

    - Ele era o nosso primo e melhor amigo do Itachi. Não sei o que o levou a matá-lo. Eu fiquei com muito medo. Eu queria confrontá-lo, mas não consegui. E antes que eu pensasse em reagir eu sentir algo me atingir, me jogando contra as árvores. Aquilo de alguma forma acelerou os sintomas que eu sentia, eu estava tendo a minha primeira transformação. E antes de ser atingido novamente por aquele poder misterioso eu pude ver Itachi agora na forma humana e uma mulher loira ao seu lado. Não reconheci seu rosto, eu via tudo embaçado. E depois eu não lembro de nada. Acordei amarrado no porão. Meu pai estava estressado, disse que eu havia me transformado de forma precoce. E disse que Itachi havia sido exilado da alcateia por ter matado um membro Lycan e fugido com uma bruxa.

    - Meu Deus. Eu sinto muito.

    - Tudo bem. – Ele me fitou. - Mesmo que todos pensem que Itachi é um traidor, eu sinto que algo estava errado. Itachi era um cara tão legal, meu pai tinha muito orgulho dele, que por muitas vezes senti inveja. Eu queria ser que nem ele. Mas depois, tudo muda...

    - Vocês nunca tiveram notícias dele?

    - Ele sumiu, como se nunca tivesse existido.

    - Você acha que aquela bruxa estava o controlando? – Várias hipóteses se passavam pela minha cabeça. A história de Sasuke parecia um quebra-cabeças faltando peças.

    - Não sei. Itachi fez muitas coisas ruins. Achamos que ele estava por trás das mortes da cidade. Ele andava estranho... eu realmente não sei.

    Eu parei de andar e me virei para ele.

    - Eu realmente sinto muito por seu irmão. Mas talvez aja alguma explicação para tudo isso.

    - Talvez. Mas Itachi mudou muito. O certo é aceitar que ele nos traiu.

    Ele abriu um pequeno sorriso forçado, passando uma mão no meu rosto, fechei os olhos recebendo seu carinho.

    - Você é tudo para mim Sakura. Posso parecer egoísta, mas nunca quero passar pela dor que Izumi está passando. Não quero perder você.

    Balancei a cabeça para os lados.

    - Você não vai. Eu vou jurar fidelidade e tudo vai ficar bem.

    - Mas você vai ficar bem com isso? Acho que a Sra. Tsunade não vai gostar muito dessa ideia. Foi bem difícil ganhar um pouco da confiança dela.

    - Com a Tsunade eu me entendo. Fique tranquilo, não vou largar você nunca. Eu te amo.

    Em seguida senti os lábios de Sasuke nos meus, num beijo carinhoso. Suas mãos agora em minha cintura colando nossos corpos. Meus braços em volta de seu pescoço, o trazendo mais para mim. Só de pensar em perder Sasuke, um buraco começava a se abrir no meu peito. Ele havia se tornado o meu mundo, o meu pilar de sustentamento. Sem ele era como morrer de forma lenta e dolorosa. Não queria perder mais ninguém importante. E esse pensamento angustiante me fez entender a dor de Izumi por ficar sem o companheiro. Talvez eu possa descobrir algo com Tsunade sobre a respeito dessa bruxa misteriosa que havia causado tanta dor.

    Mais outro raio cortou o céu, o barulho foi muito grande, me assustando e fazendo encerrar o beijo. Afundei meu rosto no peito de Sasuke, sentindo seu cheiro de perfume amadeirado.

    - Acho melhor apressarmos, a chuva está quase chegando.

    Apenas assenti com a cabeça, o rosto ainda escondido. Sasuke me deu um beijo no topo da minha cabeça e com relutância me desagarrei dele, começando a nossa caminhada por aquela pista vazia ladeada de florestas pelos dois lados. A vila aonde Sasuke morava era quase meia hora longe da minha casa, e a caminhada não combinava muito com a minha vida sedentária.

    Sasuke até sujeitou em cortar caminho pela floresta, mas eu preferi ir pela pista asfaltada, queria aprender o caminho e conhecer mais os pontos desconhecidos de Konoha.

    Depois de ter caminhado por um longo caminho, conversando sobre assuntos aleatórios, como as férias de verão que se aproximava e futuros planos, Sasuke parou de repente.

    - O que foi?

    - Shiii!

    Ele olhava um ponto longe, e logo franziu o cenho.

    - Droga.

    - O que foi?

    - Naruto fazendo besteiras.

    Em seguida ele começou a correr, virando uma outra rua mais estreita.

    - Sasuke! - Eu o segui correndo com todas as minhas forças para tentar alcançá-lo, mas Sasuke era mais rápido. E conforme me aproximava eu podia ouvir vozes, e estavam discutindo:

    - Eu já disse para me soltar.

    Aquela voz, era Hinata.

    - Pare de fugir de mim. - A outra voz era masculina. - Você sabe que temos que conversar.

    Quando virei a esquina eu pude ver Hinata com aqueles seus trajes, mas não usava o capuz, e estava com a mochila nas costas. O garoto loiro, Naruto, a segurava pelo braço. Os dois discutiam.

    Sasuke aproximava mais do casal, corria agora mais lento.

    - Nós não temos nada para falar.

    - Como não? - Ele questionou, parecia irritado. – Hinata, o seu cheiro mudou.

    - Você está louco. Me solta!

    - Ei, ei, ei, Naruto se acalma. – Sasuke empurrou Naruto para o lado que se desprendeu de Hinata.

    - Era só o que me faltava agora. - Ela reclamou, segurando seu braço que Naruto segurava segundo antes.

    - Hinata, você está bem? - Eu perguntei, parando ao seu lado.

    Ela olhou para mim surpresa, mas logo franziu o cenho, entrando na defensiva.

    - O que você está fazendo aqui?

    - Você sumiu.

    - Me deixa em paz.

    Em seguida ela deu as costas e saiu correndo.

    - Hinata! - Naruto tentou ir atrás dela, mas Sasuke não o deixou.

    - Que porra, Sasuke, me larga.

    - Que merda você está fazendo? Essa garota não quer saber de você.

    - Você não entende, ela está fugindo de mim. - Naruto estava muito nervoso. - Agora sei por que ela está fazendo isso.

    - Se você ficar forçando a barra só vai complicar as coisas. Pensa.

    - Me solta, caralho.

    Naruto conseguiu desvencilhar de Sasuke e o empurrou para trás, mas Sasuke tomou o equilíbrio e voltou a impedir Naruto. Dois segundos depois os dois estavam rolando no chão como dois selvagens.

    - Parem vocês dois!

    Eu avancei, tentava afastá-los mais sem sucesso. Naruto deu um soco em Sasuke, e Sasuke deu um soco na barriga do Naruto. Daquele jeito os dois iriam se matar.

    - Parem!

    Eu gritava e mais uma vez tentei separá-los, mas fui jogada para o chão. E aquilo havia me irritado.

    - Reversus biit in terram.

    Conjurei algumas palavras que havia aprendido e em segundo os dois se separaram, ambos rolando pelo chão por lados opostos com a força telesinetica de minha magia.

    - Sakura? – Sasuke pareceu voltar a si, olhava para mim.

    - O que foi isso? – Naruto pareceu atordoado.

    - Vocês dois fiquem aqui, eu que vou atrás da Hinata.

    - Eu que tenho que ir atrás dela. - Naruto levantava e se preparava ir atrás de Hinata.

    Eu tinha que ser rápida.

    - Obstupefacio. – Conjurei um outro feitiço, um de paralisia, paralisando Naruto.

    Eu estava surpresa o quando eu havia evoluído, minhas conjurações estavam controladas.

    - O meu corpo? - Naruto estava apavorado e imóvel.

    - O que fez com ele, Sakura? – Sasuke perguntou, aproximando-se de Naruto.

    - É um feitiço de paralisia temporária. – Respondi, olhando para Naruto. - É só para você refrescar a cabeça

    - Como você ousa...

    Eu o interrompi:

    - A Hinata não vai escutar você se ficar pressionando-a desse jeito. Deixe que eu fale com ela.

    - Não, eu que tenho que falar com ela. Eu preciso falar com ela.

    - Seu idiota, fique calmo. Do jeito que você está agora, só vai piorar as coisas. - Disse Sasuke parando ao seu lado.

    - Eu vou falar com ela, talvez ela me escute.

    - Sakura – chamou, Sasuke. -, você não precisa fazer isso. Essa garota é maluca. Olha o estado que ela deixou o Naruto?

    - Sasuke, você não entende. Eu preciso ajudá-la. – Dei um passo para trás. – Fique com ele, a paralisia vai durar só alguns minutos. Eu resolvo o resto.

    - Mas já vai chover.

    - Eu sei me cuidar. – Sorri, soltando uma piscadela para ele dando as costas e saindo correndo atrás de Hinata.

    Conforme os minutos se passavam, eu podia sentir alguns pingos de chuva começarem a cair.

    Que droga.

    Depois de algum tempo pensei que tivesse perdido ela de vez, mas um pouco mais a frente eu a vi. Ela agora estava andando de cabeça baixa. Eu corri mais um pouco e gritei por ela:

    - Hinata!

    Ela olhou para trás, franziu mais o cenho e voltou a correr.

    Droga.

    - Hinata, espera!

    Corri mais forte, e finalmente consegui alcançá-la. Parei a sua frente, impedindo-a de dar mas um passo.

    - Por que você não me deixa em paz e vai cuidar da sua vida com aquele lobo nojento.

    Ela estava muito agressiva, mas eu não iria me abater.

    - Você não está bem.

    - O que isso te importa?!

    Franzi o cenho, eu começava a ficar irritada com aquele comportamento estupido dela de afastar todos.

    - Pare de agir como se você não precisasse de ninguém. Aceite a ajuda que é oferecida.

    - Então pare de agir como se você fosse minha amiga!

    Suas palavras haviam soado cruéis, e eu fiz o possível para não demonstrar o quando aquilo havia me doido. Eu tentei manter a calma.

    - Você andou sumida. Não está indo mais a escola?

    Ela cruzou os braços.

    - Agora andou bancando a detetive e está me investigado?

    - Dá para você parar de ficar sempre na defensiva e deixar as pessoas te ajudar? – eu juro que eu estava tentando manter a calma, mas estava sendo difícil.

    Ela soltou um sorriso sarcástico.

    - Ninguém pode me ajudar.

    - Pelo menos me deixa tentar.

    Ela não respondeu.

    A chuva que começava a cair fraquinha, tomava força, os pingos fazendo barulho quando caia no asfalto e nas árvores.

    - Eu sei que você não está bem – eu comecei -, que se sente sozinha. Está desesperada. Pode confiar em mim.

    - Confiar. – Ela disse aleatoriamente, agora fitando o chão, pensativa. - A confiança sempre traz decepção no final.

    - Não tire conclusões erradas de mim. Se eu não me importasse com você eu não estaria aqui.

    Hinata me fitou, e aos poucos a expressão dura em seu rosto desmoronava. Seus olhos agora estavam vermelhos. E eu não sabia se ela chorava, ou era a chuva que molhava o seu rosto.

    Ela ficou em silêncio, um, dois, três, quatro, cinco, seis... os minutos passavam. Eu não queria quebrar o silêncio, e ignorava a chuva forte que caia sobre a gente. Estávamos ensopadas, mas não importei. Estava respeitando seu espaço e a sua hora, o seu momento de luta interna. Eu estava decidida em quebrar àquela barreira de gelo impenetrável que ela havia erguido contra todos. Eu estava decidida em conquistar sua confiança, e aquilo era uma promessa que eu havia prometido ao espírito de sua mãe.

    - Ninguém pode me ajudar. - Sua voz soou baixa, ela mordia o lábio com força.

    - Se confiar em mim, talvez possamos achar uma solução.

    Ela balançou a cabeça para os lados.

    - Não é tão fácil quanto parece. É uma maldição.

    Ela estava finalmente se abrindo, aos poucos, lentamente. Eu tinha que ser cautelosa.

    Me aproximei mais, pousei minha mão em seu ombro, fechei meus olhos e senti algo fluir na minha palma. Eu já havia sentido aquele calor na palma antes, estava sugando os poderes telepáticos dela. Estava dando mais conforto para que pensasse melhor.

    - O que está fazendo?

    Abri meus olhos, e a fitei, ela estava surpresa.

    - Depois do ritual, fiquei com mais controle sobre os meus poderes – sorri -, andei praticando. Eu drenei um pouco das suas visões, você poderá ficar confortável por algum tempo.

    - Por que está fazendo isso por mim?

    - Por que, você precisa de mim. Você pode confiar mim. Pode contar comigo para tudo. Seja o problema que você esteja passando, eu juro que irei ajudá-la.

    Eu vi em seu rosto que minhas palavras sinceras a tocou profundamente. Seu rosto havia caído a máscara, e agora podia ver a fragilidade de uma garota amarga que afastava todos para não ser mais machucada. Eu agora podia ver a verdadeira Hinata, uma garota sensível que só queria um colo para poder chorar. Eu havia quebrado sua muralha.

    - Eu estou grávida.

    Parei.

    Aos poucos a frase soava na minha cabeça e não consegui evitar a surpresa, meus olhos arregalando com o que ela havia confessado.

    - O quê?

    Não consegui formular qualquer outra palavra. Será que eu havia realmente ouvido direito?

    Hinata umedeceu os lábios molhados pela chuva, o cabelo grudado no rosto, os olhos marejados. E então ela repetiu, agora com mais clareza:

    - Eu estou esperando um filho do Naruto.


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