MAKTUB

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    Capítulo 28

    Olhares não metem

    Adultério, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

    Era a realização de um sonho estar em Dohã!

    Finalmente poderia ser a médica que sempre desejou, poderia ser tudo aquilo que em sua terra lhe era privado de alguma forma.

    Mesmo assim, mesmo com toda alegria que habitava em seu interior aquilo a incomodava.

    Quando chegou em casa aquele dia foi disposta a compartilhar a descoberta com a irmã, mas os acontecimentos seguintes a fizeram se calar.

    Todos sabiam que eles haviam sido colegas de equipe, isso era fato. Que haviam lutado na guerra e que o antigo time 7 foi uma lenda em Konoha, formaram os novos sennins da Folha então por algum motivo não estranhou encontrar fotos ali.

    Tirando o fato de seu pai ir àquele lugar dentro da Vila para fazer absolutamente nada a princípio, talvez nada mais lhe causaria estranhamento.

    O Uchiha era um homem soturno, reservado e guardava muito para si mesmo, isso ela sabia.

    Os pais nunca se abrem totalmente para os filhos. Então, ao andar pelo sótão escuro e afundar mais a mão na caixa antiga e com cheiro de mofo puxou o retrato.

    Diferente das outras fotografias, naquela só havia os dois.

    A surpresa quase a fez soltar um som audível.

    Eram trajes cerimoniais?

    Após passar a manga da blusa sobre o vidro manchado pelo tempo  o trouxe para mais perto, mesmo com a quase total falta de luz ali dentro reconheceria seu pai em qualquer lugar.

    Estava anos mais jovem e ao seu lado a garota de cabelos cor de rosa.

    Levou a mão aos lábios mas num rompante enfiou o porta retratos no mesmo lugar onde estava e fechou a caixa dando três passos para trás.

    O que aquilo significava afinal?

    Seu pai havido sido incisivo dizendo que não tinha tido laços na vila, mas aquilo mostrava claramente outra coisa.

    Precisava ir para casa, precisava pensar...

    Precisava refletir no que aquela fotografia significava antes de qualquer coisa para aí sim saber o que devia fazer.

    Se devia fazer...

    Fechou o lugar tentando o deixar do mesmo modo que encontrou, pelo jeito que estava não era visitado a décadas, nada ali tinha zelo ou cuidado. Subiu as escadas e passou pela mesma janela antes emperrada pela qual entrou.

    Quando chegou em casa toda sua vida mudou.

    A mulher da fotografia ao lado de seu pai era praticamente a mesma que estava diante de si.

    As roupas podiam ser completamente distintas, os cabelos mais longos, a maquiagem mais marcante, mas os traços eram os mesmos.

    E tudo foi uma sucessão de acontecimentos quando simplesmente tomou a iniciativa e se apresentou a ela, afinal, estava em sua casa, seu país, estudaria na Universidade criada por ela, indiretamente devia tudo aquilo àquela mulher.

    Era muito distinta e foi polida em seus cumprimentos até se retirar.

    Sua atenção se voltou para o Uchiha quando ele simplesmente saiu pedindo licença, parecendo...parecendo...

    Perturbado!

    E nada costumava tirar seu pai de seu eixo.

    Toda àquela viagem seria seu sonho se realizando, mas a todo o momento a realidade era estampada bem diante de seus olhos.

    Eles se amavam, não havia espaço para ela ali.

    Era incrível como ninguém havia percebido ainda, as trocas de olhares entre os dois, os sorrisos mudos, os buchichos...

    Se pudesse arrancaria seu coração e o deixaria pela estrada, seria fria e insensível, mas como o faria com a pessoa responsável por ela estar ali?! Pelas portas de seus desejos mais profundos terem sido abertas por ele?

    Como simplesmente se deixa de amar uma pessoa?

    Cada toque que ele desferia a ela, cada palavra, cara sorriso eram como mil facas adentrando em seu coração.

    E mesmo com Sarumi afirmando que nada as afastaria, já se sentia distante, pois mesmo jamais fazendo algo que afetasse sua irmã, existia algo entre elas.

    Não lhe contou sobre a fotografia, não lhe contou sobre o segredo do pai.

    Sarumi estava distante, estava diferente, estava feliz e distraída, vivendo um grande amor.

    Tentou relevar tudo aquilo, era uma oportunidade única a que estava tendo, quando sua mãe adentrou no quarto que dividia com sua irmã no grande palácio, a mesma não estava lá.

    -Inoue, tudo bem, onde está Sarumi?

    A loira não sabia que resposta iria dar

    -Ela saiu...foi dar uma volta, conhecer o palácio.

    Ino se aproximou e se sentou ao lado da filha na cama.

    A Yamanaka levou a mão aos fios tão loiros quanto os seus

    -O fato de eu ter sido contra você vir não quer dizer que não esteja orgulhosa

    Inoue endireitou-se na cama e olhou nos olhos da mãe

    -Porque mamãe? Seja sincera comigo, porque nunca quis que eu estudasse medicina?

    Ouviu o longo suspiro dado pela matriarca

    -Eu queria que você se especializasse nas técnicas do nosso clã, por isso

    -Isso por si só não me impediria de ser médica!

    Ino segurou o rosto da filha e a mirou intensamente

    -Eu te amo filha, tudo que faço sempre foi pensando em proteger você

    -Proteger do quê?

    -Da vida!

    A mais jovem suspirou

    -Não pode me proteger de tudo.

    Então se afastou sutilmente e continuou

    -Nem eu nem a Sarumi

    -Eu sei.

    Ino passou a mão pela perna esticada da filha e baixou os olhos

    -Só me prometa que vai tomar cuidado e se focar no que é importante

    -Tudo bem.

    Ino sorriu e a mirou novamente

    -Não há nada que eu não faria para polpar vocês de sofrer

    -Até mesmo mentir?

    A pergunta saiu a esmo, sem nem mesmo pensar

    De onde havia surgido àquilo?! Não sabia, mas algo dentro si dizia que existia mais ali, e ela desejava saber, precisava!

    Mas antes que a mais velha pudesse responder a porta foi aberta e a morena adentrou.

    Estava sorridente

    Ino se levantou e foi falar com Sarumi, então Inoue ponderou sobre a mãe.

    Ela parecia tensa, diferente de todo o comportamento durante a viagem

    -Se preparem para o jantar, quero vocês bem bonitas hoje.

    Completou a matriarca e saiu as deixando só.

    Inou se arrumou e se surpreendeu quando Sarumi pediu ajuda para escolher uma roupa e ajeitar o cabelo.

    Ela prontamente ajudou a irmã, fez o melhor que pôde.

    Ela amava sua irmã.

    E aquele amor se sobressairia a tudo!

    Quando saiu do aposento, o olhar ébano não se direcionou a ela, mas para a figura a seu lado.

    -Está linda Habiba.

    Ele disse olhando para Sarumi.

    Viu o largo sorriso dado por ela até que ele se aproximou mais e se inclinou, quando ia beijá-la pigarreou e se adiantou alguns passos

    -Eu já estou indo.

    -Precisa de ajuda para encontrar o caminho?

    Era a voz dele, mal se virou para responder

    -Não, eu me viro, é bom que conheço mais do belo palácio de vocês.

    Sequer esperou para saber se haveria alguma resposta, se pôs a andar a passos rápidos para o mais longe dali.

    Não foi difícil encontrar o salão, a música e a movimentação das pessoas indicavam o lugar de longe.

    Quando chegou mirou diretamente na figura do patriarca

    -Está bonitão.

    Tentou descontrair.

    Recebeu um sorriso em resposta e um sutil toque do mesmo.

    Mas a interação dos dois durou pouco pois segundos depois as portas foram abertas e por ela passaram o Emir e sua esposa.

    Logo estava junto ao líder da nação enquanto a rosada dava atenção aos outros convidados.

    Sua mãe se juntara a eles a pouco, mas até aquele momento nada de Sarumi.

    Começou a se sentir tensa, se lhe perguntassem precisava de uma desculpa convincente, todos pareciam alheios a presença de Samir e Sarumi, pareciam atentos em seus próprios conflitos internos, até que o Hokage fez aquela pergunta.

    -E então senhor Hadiya, diga, como conheceu a Sakura-chan?

    Todos ficaram atentos a resposta inclusive ela própria.

    E depois de ouvi-la teve uma leve ideia do porque o filho de ambos ser daquele jeito.

    Porque havia se apaixonado daquela forma tão intensa e repentina.

    Sentiu um aperto no peito, nunca experimentaria o sabor daquele amor.

    Talvez o seu fosse para ser diferente, talvez como o de seus pais.

    Se é que aquilo era amor.

    Ao olhar para ambos os viu lado a lado, nunca se encostavam, nunca demonstravam afeto ou falavam sobre si mesmos, sequer os ouviam discutir e quando conversavam era sobre trabalho ou ela e sua irmã, nem mesmo dividiam o mesmo quarto!

    Estava surpresa de o fazerem naquela viagem e sentiu-se bem por um momento ao presenciar aquilo.

    Afinal só foi entender como funcionava a relação de intimidade entre casal quando já estava na academia.

    Se lembrava na infância quando sua irmã questionou a mãe por isso, dizendo que os pais de Shikadai dormiam juntos no mesmo quarto.

    Ino apenas disse que aquilo não era conversa para crianças e que eles não deviam ficar falando da intimidade dos outros por aí.

    Eles não eram um casal amoroso mas sempre acreditou haver algo ali.

    Quando ouviu a história do Emir com Sakura, soube que poderia haver bem mais entre duas pessoas.

    Mas quando notou a forma como seu pai reagia a simples presença da rosada no ambiente...percebeu que existia muito mais do que ela sabia e que talvez fosse a real explicação pelo afastamento de seus pais ao longo dos anos..

    A pergunta feita pelo progenitor ao homem deixou isso muito claro.

    E quando ela, a senhora Hadiya se aproximou e falou com o marido pôde ver atentamente as reações que seu pai tentava inutilmente esconder.

    Estava tão explicito... assim como Samir e Sarumi

    Quando se afastaram indo se sentar numa mesa exclusiva para as mulheres teve a certeza!

    Seu pai, Uchiha Sasuke, o homem frio e distante que só demonstrava afeto a ela e sua irmã, estava apaixonado por aquela mulher ali sentada a poucos centímetros de si.

    Sakura Haruno Hadiya.

    Sarumi se juntou a elas quando a música começou a tocar, sua atenção foi chamada pelas dançarinas com os castiçais sobre a cabeça.

    Tentou se distrair, focar sua atenção na dança onde todos se divertiam, mas foi em vão, sua mente estava absorta naquela ideia.

    Céus...aquela foto, ele devia amá-la a anos!

    Mas então algo a sondou

    Foi recíproco?

    Ela estava naquela foto, ela estava nos trajes...ela havia se casado com seu pai!

    Quando a dançarina se aproximou sua atenção foi tomada pela esposa do líder da Folha tocando no castiçal.

    Mas não se fixaram ali, foram além, para a bela mulher em trajes ornamentais árabes.

    Ela o amou?

    Porque a união não deu certo?

    Em que momento sua mãe entrou na vida dele?

    Eram tantas perguntas mas apenas uma saiu de sua boca

    -Não vai dançar-Sakura-sama?

    Os olhos esverdeados caíram sobre si, mas antes passearam por sua mãe que estava bem próxima, quieta apenas observando o espetáculo, sem nada dizer, sem ao menos respirar...

    -Somente para meu marido.

    Foi a resposta que teve, e ali viu a troca de olhar entre as duas.

    Céus, queria que seu poder mental fosse capaz de ler o que aquilo significava, pois existia sim algo entre as duas.

    Algo intenso.

    Então teve receio.

    Quando a rosada se levantou anunciando o jantar sentiu uma coisa ruim, um temor, algo diferente, talvez sobrenatural.

    Aquelas duas também escondiam alguma coisa, mas seja lá o que fosse nada passava por sua mente.

    Não entendia o que se acontecia ali, mas dentro em seu interior os instintos gritavam, berravam.

    Sua mãe era uma mulher composta, sóbria, que viveu a vida para ela e sua irmã.

    Aquele olhar da senhora Hadiya era um impasse.

    Um impasse que faria de tudo para descobrir.

    Mentiras, se tudo que rondava sua mente pudesse ser real, vivia sobre um mar de mentiras!

    O jantar transcorreu tranquilo, queria poder aproveitar muito mais do que era oferecido mas sentia voltas no estômago.

    Quando foi até ali imaginou como seria o reencontro do lendário time 7, imaginou diversas formas de interação mas nada como aquilo, aquele afastamento, aquele silencio, aquela falta de proximidade. Não se pareciam em nada com as histórias que ouviu. E a forma nada usual como seu pai por vezes mirava a ex companheira de time a incomodava.

    Sua mãe estava bem ali do lado.

    Quando ambos se levantaram dizendo que já iam se retirar sentiu-se um pouco mais aliviada.

    Foi Samir quem insistiu de alguma forma para que ele ficasse, mas ela os dispensou da forma mais educada que poderia se esperar de alguém.

    -Venham meninas

    Foi sua mãe quem as chamou.

    Mas nem ela e nem tão pouco Sarumi desejava partir ainda, alguma coisa a mantinha ali, aquela mulher que sempre admirou mas agora a deixava com os pensamentos confusos a atraía de outra forma agora, e foi ela quem a insistiu para que ficassem.

    -Deixe-as, cuidaremos bem delas!

    O sorriso que sua mãe lhe lançou foi o mesmo que dava quando se encontravam com alguém do clã, ou com algum antigo colega da época academia passava por elas na rua.

    Um sorriso torto, amarelo, vazio.

    -Comportem-se

    Foi tudo que ouviu antes deles se retirarem da mesa, nem ela nem a irmã responderam, apenas ficaram ali sentadas, Sarumi possivelmente atenta em seu grande amor.

    Já Inoue, fixa na imagem da mulher do Emir.

    Na ex mulher de seu pai!

    Que manteve os olhos fixos nos dois até sumirem de vista.

    Ela deve ter sentido o peso de seu olhar pois mirou os orbes verdes exatamente em sua direção.

    -E então, gostando de Dohã?

    Por um minuto Inoue duvidou que a pergunta fosse direcionada para si

    -Ah, sim, claro, tudo é lindo, é um belo lugar.

    Respondeu meio sem jeito

    -E você querida?

    A pergunta agora era direcionada a sua irmã

    -Sim senhora Hadiya, obrigada por você e seu marido nos receberem aqui.

    Sarumi parecia nervosa, sua irmã nunca ficava nervosa diante de ninguém.

    Naquele momento ela e os sorrisos mudaram, se tornaram mais frequentes e leves e ela se permitiu entrar nas brincadeiras do Hokage.

    Não se parecia com a mulher de minutos atrás. Estava mais solta, mais alegre.

    Não podia ser coincidência a saída de seus pais mesa com o novo comportamento da senhora Hadiya.

    Ela amou mesmo seu pai? Pessoas se casam sem se gostar todos os dias. Mas ele...ele sim parecia gostar dela.

    E ela, gostava dele?

    Não, se tivesse algo ali ainda estariam juntos e se estivessem juntos ela simplesmente...

    Simplesmente não existiria.

    Talvez ela tenha se apaixonado pelo Emir e dado fim ao casamento com seu pai, por isso ele era daquela forma.

    Um coração partido podia deixar marcas profundas e o Uchiha tinha muitas delas ao longo da vida, a maioria de dor e sofrimento.

    Agora podia entender o porque dele não querer falar dela, de Sakura Haruno ser quase um assunto proibido em sua casa, dele ser tão fechado com sua mãe.

    Talvez até de sua mãe não querer que ela se envolvesse com algo que lembrasse tanto a figura da rosada.

    Era isso, Sakura Haruno havia destruído o coração de seu pai!

    Ela os encontrou aos beijos diante da porta do quarto.

    Sarumi havia dado boa noite a todos e pouco depois Samir se levantou partindo em seguida, era obvio que iriam se encontrar.

    O escuro da noite não era suficiente para acobertá-los e por um minuto os achou tolos.

    O amor deixava as pessoas tolas.

    Ela era apenas mais um dentre eles no fim das contas.

    Seus passos denunciaram sua presença e após se despedirem ele se virou para ela.

    -O que acha de irmos a Universidade amanhã de manhã?

    Inoue se sobressaltou com a pergunta

    -O que?

    -A Universidade, queria mostrá-la para você, os adultos vão ter uma reunião logo cedo então achei que podíamos ir até lá, o que acha?

    -Bom, eu...acho ótimo.

    -Perfeito, então até amanhã.

    E passou por ela indo pelo corredor, mas antes parou e se virou

    -Ah, esqueci de comentar, estava bonita hoje Inoue-chan.

    Se o lugar não estivesse escuro com certeza a veria corar dos pés à cabeça.

    Então ele se virou e sussurrou

    -Boa noite.

    E sumiu da vista de ambas

    Quando retornou para a porta do quarto Sarumi estava lá ainda olhando para o corredor vazio

    -Ele não é perfeito?

    Questionou escorada no batente da porta

    Inoue respirou fundo e respondeu

    -Sim, ele é perfeito.

    Quando abriu os olhos pela manhã o sol do deserto já batia forte contra as janelas do aposento. Levantou-se e tratou logo de se arrumar, não queria perder a hora de seu passeio.

    Mas Sarumi não parecia muito animada

    -Ei, porquinha, levanta, vai se trocar, Samir não disse que vamos a Universidade?!

    -Hmmm, eu não quero me levantar, ele disse que vocês iam até lá.

    -Pensei que quisesse ir com a gente.

    -Não, eu prefiro ficar aqui.

    Inoue se levantou e ajeitou as roupas

    -Está muito preguiçosa, você não é assim.

    -Acho que é o calor desse lugar.

    Inoue deu um leve sorriso para a irmã e correu até a porta

    -O que digo a Samir?

    Virou-se para a morena ao abrir a porta

    -Diga que eu quis ficar, mas que...

    -Que?

    -Que eu o amo.

    Ficou parada no lugar por um tempo

    -Tchau.

    Então saiu e fechou a porta.

    -Caminhou lentamente pelo corredor até ouvir os latidos

    O animal veio em sua direção e pulou em seu colo

    -Canino! Desculpe Inoue-chan, Canino não consegue se controlar quando gosta de alguém.

    -Não tem problema, eu também gosto dele.

    E afagou os pelos cinzentos quando o animal voltou com todas as patas para o chão.

    Ele a mirou sorridente e depois olhou mais adiante

    -Sarumi quis ficar e dormir mais um pouco, acho que a viagem foi mais cansativa do que ela esperava.

    -Ah! Entendo, bom, então seremos só nós dois porque Boruto sequer respondeu quando bati na porta do quarto.

    -Só...nós dois?

    -Sim, algum problema?

    -Não, de maneira nenhuma.

    Ele aumentou o sorriso

    -Bom, então vamos lá.

    Ele se virou e ela se pôs ao seu lado.

    E juntos foram até a grande Universidade, o maior centro de especialidades médicas do mundo.

    Inoue nunca imaginou ver algo como aquilo.

    -Então, o que acha?

    Simplesmente estava sem fala

    Existiam estatuas de filósofos e cientistas espalhadas por todo o local.

    Um grande telão com imagens de forma de curas de várias partes do mundo, pessoas, milhares delas, falando diversas línguas, entrando e saindo do lugar gigantesco.

    -É inacreditável!

    Balbuciou

    As escadarias, os elevadores modernos, as placas escritas em diversas línguas...

    -Aqui era a sede do governo antes do meu pai assumir, quando ele entrou no poder minha mãe decidiu transformar isso aqui em um centro de estudos e pesquisas.

    Samir dizia à medida que iam caminhando

    -Ela ensina aqui?

    Mal olhava para o rapaz ao seu lado, seus olhos se perdiam nos diversos estímulos visuais que recebia.

    Quando viu as pessoas passando por si de jaleco a emoção quase a tomou

    -Não, no começo ela tentou mas ficava puxado tendo de ajudar no governo, ela ajuda na administração e em questões de saúde internacional. Fazemos muito tratados com países estrangeiros que querem enviar pessoas para estudarem aqui, existem um número de vagas para esse fim , a pessoa entra por indicação de um conselho de seu país, do governante....o que seja e tem um prazo para se provar aqui dentro, é muito concorrido e puxado, você deve imaginar.

    -Claro.

    -Então se ela não for satisfatória durante esse período perde a vaga para outra pessoa.

    -Nunca pensaram em fazer exames de admissão?

    Inoue o encarou

    -Já, mas minha mãe nunca foi muito a favor deles. Ela é uma ninja e sabe bem como burlar algo assim, disse que inclusive passou por uma prova assim quando era criança em Konoha. Ela quis dar uma chance para as pessoas mostrarem seu valor.

    -Então só se entra dessa forma?

    -Não! Essa é uma forma política que meus pais encontraram, muitos países tinham carência em saúde e isso ajudou muito a formar novos médicos para eles, os demais enviam as fixas de seus estudantes de medicina que tem interesse em vir pra cá, geralmente os que se destacam tem a oportunidade.

    - Então só os bons entram e os melhores ficam?

    Samir tocou em seu ombro

    -Exatamente!

    -Mas, porque eu? Existem várias pessoas de Konoha mais aptas.

    -Eu tinha uma vaga.

    Inoue arregalou os olhos azuis

    -A pessoa que tiver a vaga e por algum motivo não puder ficar com ela, tem o direito de indicar outra pessoa em seu lugar. Isso não é para todos, apenas alguém que tenha tido algum feito médico.

    -Você teve?

    -Sim! Muitos achavam que eu tinha a vaga por ser filho do Emir, mas a verdade é que a dois atrás houve um atentado aqui no centro, muitas pessoas ficaram feridas inclusive os causadores do ato em si, eu corri pra cá o mais rápido que pude e tentei ajudar ao máximo mas a situação já estava controlada, ninguém olhou para eles, ninguém pareceu se importar com eles, os criminosos, então eu fui, eu fiz por eles o que ninguém estava fazendo, eles tinham direito de viver e serem julgados pelo crime.

    Inoue escutava tudo atentamente

    -Se eu não tivesse vindo e os socorrido jamais descobriríamos que existia uma oposição contra o governo do meu pai, que antigos seguidores do líder opressor que governava Dohã a queriam de volta. Minha mãe estava em missão externa, quando voltou foi uma comoção, eles até quiseram me tirar do país por medo de outro atentado.

    -E o que aconteceu?

    -Bom, nada. Eles foram julgados e mandados para uma prisão em outro país, e eu ganhei a vaga para estudar aqui.

    -Mas Samir, a vaga é sua eu não posso...

    -Pode, você deve!

    Ele a segurou pelos ombros e se inclinou a olhando

    -Você tem certeza do que quer, tem paixão, eu não...então dê o seu melhor!

    Sentiu seu corpo inteiro tremer àquele contato

    -Eu darei

    -Ótimo!

    Então se ergueu e a soltou

    -Agora vamos até o jardim dos fundos, tem uma infinidade de lanchonetes lá que você vai adorar, saímos com tanta pressa que nem tomamos o café da manhã, está com fome?

    Ela o olhava, então levou a mecha solta dos fios loiros e sorriu

    -Faminta.

    -Ótimo, vamos.

    Comeram enquanto conversavam e observavam o movimento

    Algumas pessoas passavam e os cumprimentavam, Samir era uma figura popular.

    Eles se levantaram e ele pagou trazendo algo entre as mãos

    -Para Sarumi

    Por um minuto havia se esquecido da irmã

    -É algo típico daqui, acho que ela vai gostar

    Inoue apenas sorriu e então deram por encerrada a visita, quando voltaram para o palácio Samir a acompanhou até o quarto.

    Inoue o abriu e viu a irmã sentada rabiscando algo em um bloco sobre a mesa

    -Vocês voltaram!

    Ela se levantou e correu até ele.

    -Trouxe para você.

    -O que é isso?

    -Experimente.

    Foi até o banheiro os deixando a sós, olhou-se no espelhou a abriu a torneira molhando as mãos e passando a água gelada sobre o rosto e pescoço

    -Vamos dar uma volta de camelo?

    -Vamos! Vou só pegar o lenço que me deu.

    Fechou a torneira e então viu quando a porta foi aberta

    -Estou saindo com Samir, se alguém perguntar...

    -Eu invento alguma coisa

    A cortou enquanto a mirava através do espelho

    -Obrigada.

    Achou que a irmã fosse sair em seguida mas não foi o que aconteceu, a morena escorou-se na porta e fechou os olhos.

    -Sarumi? Tudo bem?

    -Sim, foi só uma vertigem, acho que todo esse sol não tem me feito muito bem.

    A loira se virou para a irmã e a olhou e cima abaixo, se aproximou e tocou em seu rosto

    -Você está gelada, é melhor ficar

    -Não!

    Sarumi abriu os olhos

    -Por favor.

    Inoue suspirou resignada

    -Não demore.

    Quando ficou sozinha no quarto, saiu no banheiro e foi até o aposento, se aproximou da mesa onde a irmã estava e observou o que ela tanto rabiscava.

    Seu corpo inteiro travou naquele instante.

    CONTINUA...


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