Redenção

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    Capítulo 4

    Tudo o que resta é tudo o que eu escondi

    Álcool, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoiler, Violência

    Tomaram o café da manhã no mais profundo silencio.

    Sakura até se demorou mais a descer esperando que assim Sasuke já tivesse saído, mas não, ele estava lá, e assim que ela desceu e pegou uma xícara para se servir de chá ele a acompanhou.

    Estavam um de frente para o outro mas nenhuma palavra era trocada, a cerejeira encarava o liquido esverdeado como se fosse a coisa mais interessante do mundo, mal tocou nos bolinhos sobre o balcão.

    Apenas quando percebeu o moreno mudar sua postura e deixar a xícara com um barulho mais alto que o necessário sobre o pires é que ela levantou seu olhar para ele.

    Então sentiu o chakra.

    Deixou sua própria xícara sobre o pires e se levantou.

    -Bom dia.

    Disse simplesmente já se encaminhando para a porta.

    Ele a viu calçar as botas pelos cantos dos olhos, abrir a porta e sair.

    Suspirou.

    Se a relação entre ambos já estava ruim antes, agora então...

    -Bom dia Sano.

    -Bom dia Sakura.

    -Hoje não vamos para o centro médico.

    O ninja direcionou o olhar para ela ainda caminhando.

    Ela continuou.

    -Preciso analisar as ervas que são encontradas no bosque de Oto para saber que medicamentos podem ser produzidos, Naomi ficou de me encontrar lá.

    -Hm.

    Foi tudo que ele respondeu.

    Sakura sentiu uma leve vontade de rir, mas não o fez.

    Seguiram pelo mesmo caminho até que em determinada parte viraram para outra direção, a Vila do Som era rodeada pelos bosques, mas havia uma região intacta do mesmo, e foi para lá que eles foram.

    Assim que chegaram, Sakura se surpreendeu com uma enorme queda d’água e o córrego que se seguia, sua água era pura e cristalina.

    Olhou ao redor e pode constatar de antemão a variedade de espécies vegetais ali presentes, podia entender porque Orochimaru tinha uma quantidade significativa de venenos.

    Então se virou para Sano

    -Obrigada por me acompanhar, Naomi já deve estar chegando.

    -Eu espero até ela chegar.

    Ele disse já se sentando em uma pedra próximo a água.

    -Sabe que não é necessário...

    Ela começou, mas ele a interrompeu

    -Eu sei, mas é contra os bons modos deixar uma mulher sozinha no meio de uma floresta, mesmo ela sendo a mais forte do mundo ninja.

    A rosada o considerou por um momento, Sano não lhe parecia ser do tipo que se preocupava com bons modos.

    Na verdade ele tinha um ar bem rude.

    -Tudo bem, faça como quiser.

    Por fim começou a estudar a área, analisando a flora local.

    Estava abaixada próxima ao rio, recolhia algumas amostras e colocava na bolsa presa em sua cintura, estava tão absorta em sua tarefa que nem sentia o tempo passar.

    Então percebeu ele se aproximar, sorrateiro, seus sentidos ficaram todos em alerta

    Continuava sobre o rio, na mesma posição.

    -Parece que ela não vem mais.

    Ouviu a voz masculina dizer.

    Ergueu o olhar e o viu.

    Como era um homem muito alto, o sol batia em suas costas e faziam sua pele morena reluzir.

    -Deve ter acontecido algo.

    A rosada respondeu se pondo de pé.

    Então de repente ele lhe estendeu algo, ela nem tinha notado que havia alguma coisa em suas mãos.

    Era um pêssego.

    Sakura olhou da fruta para o rosto do ninja.

    -Já passa da hora do almoço.

    Estava tão entretida com as ervas que em havia se dado conta, mais adiante viu os pessegueiros cobertos com enormes frutos suculentos.

    -Obrigada.

    Disse pegando a fruta e dando uma mordida.

    A todo o momento seus gestos eram observados pelo ninja mascarado.

    Lá estava novamente em cima da enorme cobra assim como no dia anterior, e assim como no dia anterior era atacado sem dó pelos ninjas de Oto.

    Eles não pareciam ter uma estratégia, somente atacavam a esmo rezando para acertar.

    Naquele dia especifico, Sasuke não estava com a cabeça exatamente naquele treino.

    Sua mente estava vagando na conversa da noite passada.

    Nas palavras ditas por Sakura.

    E foi exatamente em um desse momentos de distração que percebeu algo próximo a seu rosto.

    Todos pararam.

    O último Uchiha sentiu uma leve ardência na face esquerda,  olhou para a lateral e viu algo da espessura de um fio caindo, ele capturou antes que fosse ao chão.

    Era um fio de cabelo.

    Desfez a cobra e foi para o chão, o mísero corte em seu rosto nem sangrava.

    Ele segurou o fio duro como uma lâmina entre os dedos e perguntou.

    -A quem pertence isso?

    Todos ficaram em silencio.

    Então uma voz, uma fina e doce voz se sobressaiu.

    -A mim

    Uma jovem surgiu dentre aqueles ninjas.

    Sasuke notou que não haviam kunoiches naquele lugar, de acordo com Hiroki era devido aos diversos traumas, as mulheres da vila não demonstram muito interesse na carreira ninja e as que já eram, em sua maior parte, deixaram a vila.

    Ali, no treinamento, só havia ela.

    -Qual o seu nome?

    Ele perguntou

    -Midori.

    Então Sasuke se aproximou, observou a pele pálida, leves sardas ao redor do pequeno nariz, olhos grandes e castanhos claros e os longos cabelos negros, exatamente iguais aquele que ele levava entre os dedos.

    Ela não parecia uma ninja, tinha um ar muito delicado...

    -Bem vinda ao Grupo de Elite, Midori.

    Olhava para o relógio, estava tarde, mais tarde do que ela costumava chegar geralmente.

    Havia requentado a comida da noite anterior, já que nenhum dos dois tinham comido, precisavam resolver essa situação, conviver em harmonia.

    Onze horas da noite, estava prestes a sair e ir até o tal centro médico, mas assim que abriu a porta viu o ponto rosa mais adiante.

    E a seu lado estava ele...

    Caminhavam tranquilamente, como se não houvesse mais nada no mundo.

    Então quando já estavam mais perto, ele notou algo.

    O ninja mascarado encostou seu braço no da rosada e sutilmente passou seus dedos pelos dela.

    Lá estava, aquele gosto estranho, amargo na boca.

    Entrou na casa e bateu a porta com toda a força.

    Sentou-se no sofá e esperou.

    Apenas esperou.

    E aqueles minutos pareceram longos demais!

    Ouviu a porta abrir, ouviu ela retirar as malditas botas que nem deveria estar usando.

    Ela não lhe dirigiu a palavra, estava prestes a subir as escadas, e aquilo lhe fez surtir uma onda de algo que nem sabia descrever.

    -Avise da próxima vez for chegar tarde.

    Ela parou no meio da escada e se virou.

    -Você não precisava ficar me esperando.

    Por fim ele se levantou e se pôs ao pé da escada.

    -Estamos em uma missão em conjunto, mas convenientemente  parece que você se esqueceu disso.

    Naquele momento ele percebeu que as roupas que ele detestava nela, estavam sujas de algo parecido com terra e grama.

    Ela o encarava do alto.

    -Eu não preciso que me lembre de nada Sasuke, eu tenho plena ciências das minhas obrigações e as cumpro muito bem, obrigada.

    -É...estou vendo!

    Sakura desceu três degraus ficando a apenas um de distância do moreno.

    -O que? O que você está vendo?

    A cerejeira o encarava, aguardava a resposta que não vinha.

    -Nada.

    Disse por fim saindo da beira da escada.

    -É...é isso mesmo que você vê, que sempre viu, nada! Mesmo tendo os olhos mais poderosos do mundo.

    Então ela se virou para subir novamente mas sentiu seu braço ser segurado.

    -Eu vi você com aquele ninja, sei que está acontecendo alguma coisa...

    -E se estiver? Qual o problema?

    -Sakura...

    -O que Sasuke? Isso te incomoda? Pois eu sinto muito por você, muitas coisas que você fez me incomodaram...praticamente pararam a minha vida. Como acha que eu me senti vendo você se casando com outra mulher? Eu amei você a vida toda e achei que você amava a pessoa com quem estava se casando... sabe quanto sofrimento teria evitado se simplesmente tivesse esperado um pouco mais? Falado comigo?! Agora finalmente eu estou livre, eu posso fazer e sentir e me permitir, e nada nem ninguém vão me tirar isso.

    Ele a soltou e recuou.

    Ela terminou de subir as escadas.

    Ela...estava certa.

    Sakura só teve sofrimento perto dele, até nos poucos momentos que passaram juntos, que se amaram, eram roubados...não eram reais!

    Olhava para a escadaria mas não enxergava os degraus

    Talvez fosse isso, talvez fosse hora de deixar Sakura partir.

    CONTINUA...


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