MAKTUB

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    Capítulo 20

    Longe do corpo, dentro da alma

    Adultério, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

    Não foi fácil ir atrás dele a princípio, esperou que seu chakra sumisse ao ponto de praticamente desaparecer de seu alcance para que começasse a segui-lo, a noite não era fria mas não soube porque, arrepiava-se a cada passo.

    Perdeu o chakra dele quando sentiu-o parar, para onde havia ido?

    Olhou ao redor em busca de algum sinal, aquela área da vila tinha poucas casas residenciais e maioria bem velhas.

    Casas de um tempo bem de antes dela nascer.

    Bufou frustrada, o que será que seu pai fazia em um local como aquele?

    Um pensamento passou por sua cabeça, será que...será que havia alguém o esperando em alguma daquelas casas?

    O frio aumentou e uma sensação ruim apossou-se de si.

    Decidiu esperar, queria ver com seus próprios olhos de onde o progenitor sairia, ou quem sairia com ele.

    Estava quase adormecendo recostada sobre o telhado daquela casa velha e abandonada, será que as pessoas daquela parte da vila não conheciam a palavra reforma?

    Despertou quando o viu sair de uma residência, uma das poucas de dois andares, estava só, andava devagar e lentamente, muito diferente do ar altivo e imponente que apresentava diante das pessoas em geral. 

    Diante dela e de sua irmã inclusive.

    Quando perdeu o moreno de vista, olhou novamente para a casa, durante todo o momento ela permaneceu na mais plena escuridão, será que havia mais alguém ali?

    Desceu sem fazer barulho pousando os pés suavemente no chão, se aproximou do lugar olhando atentamente para os lados e percebendo se podia sentir algum chakra perto, nada...estava completamente sozinha àquela hora da noite.

    Se aproximou da entrada e tentou olhar dentro, estava tudo escuro, tocou na maçaneta e sentiu um calafrio, girou, trancada….como era de se esperar.

    Bufou resignada e se virou novamente para rua pouco iluminada, tinha de ir para casa.

    Sasuke poderia perceber que ela estava fora da cama aquele horário.

    Se corresse chegaria antes dele, principalmente pelos passos lentos e arrastados com que o progenitor saíra daquele lugar.

    Olhou para trás mais uma vez antes de começar a correr, de uma coisa tinha certeza, daria um jeito de descobrir que lugar era aquele.

    E do porque seu pai parecia sair dali daquele jeito.

    Tão melancólico. 

    Ouvi-lo falar sobre como o que levamos no coração valia mais do que carregávamos no DNA mexeu com ela, porque de alguma forma, mesmo indo contra tudo aquilo que lia nos grossos livros que Shizune havia lhe emprestado, parecia certo.

    Ele era bom em ninjutsu médico, não! Ele era ótimo, incrível, surpreendente!

    E se pra ele o fato dela ser mais parecida com uma Yamanaka do que com uma Uchiha não significava nada, então não devia significar mesmo.

    Afinal, ele viera de Dohã!

    Dohã...o lar da maior reunião de estudos, técnicas e especialidades médicas do mundo.

    Era o sonho de qualquer ser vivo que quisesse se tornar médico ir para lá.

    Era o sonho dela, o mais íntimo, secreto e sagrado sonho que guardava.

    Existia até mesmo uma lenda que dizia que apenas os merecedores a encontravam em meio ao deserto...só os que realmente merecem o conhecimento da cura.

    Nunca conheceu ninguém que tivesse se especializado em Dohã, até ele aparecer...

    Quando ele surgiu no outro dia, não pode deixar de perguntar sobre o lugar, queria saber tudo, e ele dizia, parecia viajar nas próprias palavras,  ela se embebia e viaja junto.

    Começou a ficar ansiosa para os curtos encontros que tinham a tarde, onde ele escolhia algum flor e ela lhe perguntava sobre tudo, jutsus, técnicas, chakra, energia, irradiação, remédios, chás, venenos e qualquer coisa mais que sua mente curiosa pudesse se lembrar. Anotava tudo

    Até ele ir embora e algo vazio ficar para trás.

    Percebia que ela estava diferente, menos carrancuda por assim dizer, talvez mais amistosa, até mesmo sorrisos soltos distribuía por aí.

    Sarumi estava diferente, ela sabia, ela sentia.

    -O que deu em você?

    Perguntou assim que a morena deitou-se na cama adjacente a sua

    -Nada.

    Mas aquele nada era diferente, era vago, era um nada de olhos brilhantes e com a mão nos lábios.

    -Eu não acredito…

    Inoue se sentou na cama

    -Você está apaixonada!

    Afirmou incrédula e sorrindo olhando para a figura da irmã.

    -Não sei do que você está falando…

    Desconversou a outra que apenas continuava olhando para o teto, perdida em seus próprios pensamentos.

    A loira se levantou e se sentou na cama de Sarumi com o olhar atento na mesma.

    -Eu passei meses com você na barriga da mamãe, sei até quando respira diferente.

    Finalmente os olhos negros subiram até ela

    -Então finalmente decidiu dar uma chance ao Boruto?

    O ar alegre da loira foi diminuindo assim que as palavras da irmã foram se formando e saindo

    -Não, definitivamente não é o Boruto.

    Então entendeu, as flores diárias que ele ia buscar...por um milésimo de segundo pensou, bem lá no fundo, que fosse uma desculpa para ir até a floricultura e falar com ela.

    As flores eram para Sarumi…

    Ele era o único rapaz com quem a irmã mantinha um contato mais direto.

    O sorriso desapareceu 

    -Pensei que achasse isso de romance uma bobagem, uma distração.

    Sua voz saiu mais baixa do que o planejado

    Sentia o peito embargar

    -Se você o conhecesse Inoue…

    Sarumi se sentou e olhou diretamente para a irmã

    Ela o conhecia, oh sim, o conhecia, sabia porque ela estava apaixonada por ele

    Ele era...era

    -Ele é apaixonante!Maravilhoso, perfeito! Ele torna tudo incrível, e estar com ele é como...tem uma coisa que ele diz, é...estar no céu..

    Não conseguiu conter os olhos de embaçarem então desviou o olhar

    -Inoue? O que foi, está tudo bem?

    Sarumi se arrastou para mais próxima da irmã

    A loira tentou conter a emoção fechando os olhos, as lágrimas rolaram quando o fez.

    Sarumi nunca acreditou no amor, sempre foi obcecada em treinar e aprender técnicas para ser como o pai, já Inoue...fazia tudo por amor, tudo, sempre.

    Era a Sarumi que ele escolhia?

    Quando a mão da irmã tocou a sua foi como um choque de realidade, então abriu os olhos.

    No que estava pensando afinal de contas?!

    -Ei, não é porque eu estou apaixonada que vou me esquecer de você, somos irmãs, pra sempre, não importa o que aconteça, ele não vai me afastar de você.

    Então as lágrimas vieram como torrentes soltas, como cascatas, Inoue abraçou a irmã e se recriminou veementemente por pensar em algo como aquilo.

    Ela amava sua irmã, desejava que ela fosse feliz…

    Mesmo que para isso precisasse esconder fundo esse sentimento que nutria em seu coração.

    -Você prometeu sempre me proteger lembra? Porque você é minha irmã mais velha, mesmo sendo apenas cinco minutos.

    Sarumi sussurrou em seu ouvido enquanto ainda estava unidas nos braços uma da outra.

    Inoue se afastou e maneou a cabeça forçando um sorriso.

    Tentou limpar o rosto das lágrimas e fungou o nariz.

    -Não ligue pra mim, acho que fiquei emocionada com o que você disse.

    Sarumi sorriu ajudando a loira a secar o rosto com os próprios dedos.

    -Você é uma manteiga derretida igual a mamãe.

    A loira soltou uma pequena risada

    -Ela vai pirar quando descobrir.

    -Ninguém deve saber.

    Os olhos azuis que ainda brilhavam devido às lágrimas se atentaram aos da irmã

    -Tem alguma coisa a ver com a terra dele, por enquanto é um segredo, só você sabe.

    Inoue baixou o olhar

    -Mas como você é a mais esperta da família, descobriu logo de cara.

    Sarumi deu um leve empurrão na loira

    Inoue levantou os orbes até ela

    -Eu sou sua irmã

    -É minha melhor amiga!

    Concluiu a morena segurando os dedos da loira entre suas mãos.

    Tratou de matar aquilo que existia dentro de si, mas não era como se fosse fácil. Então enterrou fundo aquele sentimento, como se ele fosse pequeno e insignificante, se apegou as falácias que os romances da adolescência eram passageiros, volúveis, e que logo davam lugar a algo novo.

    Mas no caso dela, parecia que seria uma exceção, pois quando ele chegava, atrás das flores...flores para sua irmã, seu coração disparava, suas mãos se tornavam frias e  precisava firmar a voz para que não falhasse.

    Buscava ser o mais séria  possível com ele, e não era mais dada a sorrisos, até mesmo a conversa era exclusiva as flores, nada mais, foi assim por poucos dias, até ele estranhar.

    -Está tudo bem?

    -Tudo.

    Respondeu embalando o pequeno botão que ele havia escolhido naquela tarde.

    -Está diferente…

    Não disse nada, apenas se atentava em dar o nó na fita cor de rosa

    -Sinto falta do seu sorriso

    Então finalmente os olhos azuis subiram até o rapaz.

    Samir...evitava até mesmo repetir o nome dele em sua mente para que seu peito não embargasse ou traidoramente disparasse.

    -Você foi minha primeira amiga aqui, sinto falta de conversar com você. 

    Sentia que a qualquer minuto seus olhos lacrimejariam

    -Bom, seja lá o que tenha acontecido, eu tenho uma surpresa para você.

    Então lhe estendeu o papel que nem sequer havia visto na tentativa falha de evitar contato visual com o mesmo.

    -Espero que isso mostre como é importante. E em como eu gostaria que seguisse o que acredita. 

    Então pegou o papel levemente aturdida

    -Torço para que ao menos considere a ideia.

    Ele apenas pegou o botão sobre o balcão e lhe deu às costas, saindo em seguida.

    Assim que ele saiu pelas portas de vidro ela se fixou no envelope grosso entre seus dedos.

    Abriu apressadamente e leu cada linha quase engolindo as palavras.

    “Senhorita Inoue Yamanaka Uchiha…

    (...)é com grande satisfação que lhe é oferecida uma vaga ….

    Lia as palavras soltas

    Universidade…

    Medicina

    Dohã!

    Caiu sentada assim que aquele papel fez sentido.

    Só havia uma pessoa em todo mundo a quem desejava mostrar aquelas linhas, e era atrás dela que iria exatamente naquele instante!

    Ele não estava em casa, também não estava treinando, nem na academia, talvez estivesse em reunião com o Hokage.

    A imagem que viu pela janela dos pais chegando juntos foi supreendente, era primeira vez que presenciava algo como aquilo, eles andando lado a lado…

    -Eu mal voltei ao trabalho e sair em uma missão diplomática desse nível…

    Ouviu sua mãe dizer no andar inferior, saiu do quarto e desceu as escadas a passos lentos, não queria atrapalhar o quer quer estivessem fazendo

    -Se o Hokage te intimou, seria uma afronta não aceitar.

    Sasuke colocou e Ino sorriu alegre

    -Eu não seria louca de recusar uma missão como essa!

    Quando chegou no último degrau ambos a encararam

    -Olá querida, adivinha só?! Todos nós vamos sair em missão com o Hokage, algo diplomático e de extrema importância, não se importa em ficar um tempo sozinha, não é?

    Ino se aproximou e tocou o rosto da filha

    -Não, mas para onde vocês vão?

    Ino olhou para Sasuke e juntou as sobrancelhas de forma confusa

    -Qual é mesmo o nome do lugar

    -Dohã.

    O Uchiha concluiu e então o rosto da jovem se iluminou.

    Ele sumiu o resto do dia após ela lhe mostrar a carta e lhe dar a luz que faltava, que a faria ir em busca de seus sonhos.

    Sabia onde ele estava, e ideia do pai sozinho naquela casa sombria, aparentemente abandonada era estranha e mórbida.

    Não se sentia no direito de perguntar o que ele fazia lá já que isso implicava em lhe dizer também que foi seguido. Decidiu por si mesma que iria descobrir o que havia naquele lugar, poderia pedir a ajuda de Sarumi mas...ela estava ocupada

    Vivendo um romance com o amor de sua vida.

    Desanuviou seus pensamentos e tratou de se concentrar no pai.

    Esperou que a noite chegasse para ir até o local, quando o viu sair mais uma vez em meio a escuridão suprema, decidiu que iria adiante, custe o que custasse.

    Sasuke era um homem forte, ela sabia que ele guardava muita coisa para si, se recusava até mesmo em ir ao médico quando se sentia mal. Talvez por isso tenha criado inconscientemente essa vontade de cuidar, talvez o patriarca fosse o fundo desse desejo.

    Tinha medo de perdê-lo

    Respirou fundo e parou diante da casa, mesmo se ele descobrisse que ela esteve ali, não importava, o que importava era que precisava saber o que afligia o coração soturno do Uchiha.

    Voltou para casa mais cedo do que imaginava, ia calma e lentamente, assim como ele, assim como seu pai quando saía daquele lugar.

    Parou diante de seu lar e olhou para cima, sentiu o chakra da irmã no andar superior, estava alterado, se sobressaltou, Sarumi nunca alterava sua corrente de chakra.

    Subiu até o andar superior e a encontrou sorridente sentada na cama.

    -Chegou isso para você agora pouco, é do escritório do Hokage.

    Inoue viu o pergaminho enrolado sobre sua cama e se adiantou para pegá-lo

    -Você não vai acreditar no que aconteceu!

    Sarumi estava animada, esfuziante, algo que a loira nunca viu antes

    Mas sua atenção era divida com o que estava escrito no pergaminho.

    -Eu vou pra Dohã, junto com o Samir!

    E se jogou na cama, sorrindo como se não houvesse o amanhã.

    Então Inoue abaixou o pergaminho e sorriu com a lateral dos lábios

    -Parece que eu também vou!

    CONTINUA...


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