MAKTUB

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    Capítulo 16

    Sob os olhos azuis

    Adultério, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

    —Ei Yamanaka, preste atenção!

    Os olhos azuis pousaram sobre a figura esguia da mulher de cabelos ruivos.

    —Hai, me desculpe sensei, vou me esforçar.

    Não queria se esforçar...mas faria o possível.

    Estavam naquilo a horas, será que não se cansavam de repetir as mesmas técnicas e táticas geração após geração? Isso não lhe fazia muito sentido na realidade, deviam inovar, fazer algo novo, diferente.

    A formação Ino-Shika-Cho não seria uma grande novidade para os oponentes de Konoha afinal de contas.

    Mas enfim, era um dos membros do tão famigerado time 10, como sua mãe foi, como seu avô foi, e isso perdurava a cada linhagem nova.

    Não teve muita escolha, mas se pudesse escolher...

    —Ei, Inoue-chan, estava mais aérea que o normal hoje! O que foi, estava pesando em algum gatinho?

    Aquela era Chouchou, se não estava falando de garotos, falava de comida.

    Os olhos de um azul escuro profundo giraram sobre as órbitas.

    —Você sabe muito bem em que eu estava pensando Chouchou.

    —Se sua mãe descobrir que não se dedica nos treinos, vai ficar uma fera.

    —Are, garotas, vocês bem que podiam ter me esperado, Moegi-sensei não parava de falar e vocês me deixaram lá sozinho, onde está a responsabilidade de vocês?!

    O rapaz as alcançou com o ar cansado.

    —Tenho certeza que você vai repetir tudo pra gente depois Shikadai.

    A jovem garota negra de formas largas bateu no ombro do companheiro sorrindo de forma complacente.

    —Eu não deveria...  

    Shikadai fez um bico após bufar

    Inoue sorriu para o comportamento dos amigos

    —Eu não podia ficar esperando Moegi-sensei terminar tudo que ela sempre tem pra falar, preciso abrir a floricultura.

    —Sua irmã nunca vem te ajudar?

    Chouchou parou de ralhar com Shikadai que murmurava sobre como elas não levavam os treinos a sério e sobrava para ele ter o controle das situações, que se fosse em batalha ele teria que ser o líder e isso seria um problema...

    —E quando ela para de treinar?

    A Akimichi sorriu para a amiga assim que param diante das grandes portas de vidro

    —Bom, boa sorte no seu segundo turno.

    —Obrigada...disse torcendo levemente o cenho, pegando as chaves para abrir o local.

    —Pare de reclamar e vamos embora Shikadai!

    Chochou puxou o amigo pelo braço enquanto a loira apenas acenava para os companheiros que partiam para seus afazeres, ainda podia ouvir a voz de Shikadai ralhando à medida que se afastavam.

    Se pudesse iria com eles, pelo menos ali ela tinha um bom local para focar realmente no que era de seu interesse.

    Adentrou no recinto e apertou o botão que acendia a placa luminosa com os dizeres ABERTO numa letra cursiva bem-feita. Sentiu o cheiro da infinidade de espécies de flores lhe atingir as narinas e por fim se postou atrás do balcão branco.

    Olhou para o vidro e observou o movimento da rua, quase ninguém passava por ali aquele horário, então se inclinou por debaixo do balcão e passou a mão por um pedaço do tampo que estava solto, o puxou e de lá retirou as brochuras grandes e pesadas. Seus olhos grandes e azulados se iluminaram...

    Jogou um deles sobre a bancada lisa e abriu exatamente na página que havia parado no dia anterior, todas aquelas formas e informações, o corpo humano era realmente fantástico!

    Analisou uma última vez o movimento fraco da rua antes de mergulhar naquele mundo, era o único momento que tinha para se dedicar àquilo, tinha que se concentrar.

    Mal via a hora de acabar a parte de anatomia e chegar na parte de tecidos e células.

    Quando chegou em casa estava tudo no mais profundo e absoluto silencio, não que não fosse assim quando os moradores estavam lá mas a penumbra denunciava a falta dos habitantes. Assim que chegou a primeira coisa que fez foi tomar um banho e buscar uma fruta para comer, depois foi para seu quarto, um quarto comum para uma jovem de 17 anos e se deitou na cama, suspirou cansada mas não se rendeu à vontade de fechar os olhos, levou os dedos entre o colchão e o estrado e encontrou uma das revistas que guardava debaixo do colchão passando a ler o artigo médico, assim que a casa se movimentasse não teria essa oportunidade.

    Se sobressaltou quando a irmã simplesmente abriu a porta já se jogando na cama lateral.

    —Que susto Sarumi! Você não tem modos?

    Ralhou fechando a revista e levando a mão ao peito.

    A morena de longos cabelos negros apenas se virou para a irmã e dobrou os braços por detrás da cabeça sorrindo zombeteira.

    —Se fosse uma boa ninja teria sentindo quando eu estava chegando.

    A loira mirou os orbes negros da irmã e jogou a revista que estava entre seus dedos com intenção de acertá-la.

    A outra apenas a pegou no ar impedindo que o objeto a atingisse.

    —Deixa a mamãe pegar você lendo essas coisas...

    Disse Sarumi analisando a capa da revista que a irmã lhe lançara

    —É? E deixa ela ver você deitada na cama depois de um dia de treinos sem se lavar pra você ver!

    —Estou cansada, treinei a tarde toda.

    A morena pousou a revista sobre o rosto

    —Papai está arrancando muito seu couro?

    — O meu só não! Acho que Mitsuki vai passar um tempo com o pai, ele é estranho, não acho realmente que volte caso vá embora, e Boruto não para de reclamar! O que eles querem? Pra serem fortes temos que treinar!

    A voz de Sarumi saiu abafada devido a revista pousada em seu rosto

    A loira passou os olhos pelo corpo da irmã e viu algumas escoriações aqui e ali, sabia que o objetivo de Sarumi era orgulhar o pai, queria continuar o legado que o nome Uchiha carregava, então dava tudo de si, até além...então se levantou e pegou a revista a jogando sobre sua própria cama do outro lado.

    —Vem, senta, eu vou te ajudar.

    A morena abriu os olhos negros e mirou a irmã sem entender

    —O que você está planejando?

    Inoue pegou as mãos da outra e a puxou para que se sentasse, ela o fez demonstrando toda a preguiça que habitava seu corpo.

    Então a loira se afastou e esfregou as mãos uma na outra, Sarumi ergueu uma sobrancelha sem compreender

    —Vai me bater?

    —Cala a boca e me deixa concentrar.

    Ralhou fechando os olhos.

    Então de repente o chakra verde começou a fluir de sua mão lentamente e iluminar o rosto pálido fazendo a loira abrir os olhos tornando os azuis mais vivazes.

    —Como...

    Sarumi começou mas Inoue lhe fez um ruído lhe pedindo silencio

    Então a loira levou as mãos até o corpo sentado da morena diante de si e passou aquela luz verde nos pontos marcados pelas escoriações, aos poucos as manchas foram tornando-se mais claras e começando a sumir, levou mais tempo do que imaginou e aquilo lhe puxava muita energia, quando a última marca já estava quase totalmente curada ouviram o chamado.

    —Meninas, cheguei!

    Era a voz de sua mãe.

    Inoue e Sarumi arregalaram os olhos e então a luz verde desapareceu num instante, fazendo a loira cair sentada sobre o chão amadeirado.

    —Isso, foi incrível....como conseguiu?

    A morena olhava para o corpo praticamente inteiro curado e já sem as dores.

    —Estive treinando.

    Inoue passou a mão pelos fios loiro sem olhar para a irmã

    —Sozinha?

    —O que você acha? Acha mesmo que alguém aceitaria me treinar?!

    Então ela viu a irmã se sentar junto a si no chão e a abraçar.

    —Obrigada.

    Quando se separaram ambas sorriam, uma para a outra, um sorriso cumplice.

    —Só estou cuidando da minha irmã mais nova.

    A loira disse atrapalhando os fios negros presos pela bandana da vila a retirando levemente do lugar.

    —Ei, pare com isso!  Sarumi odiava quando Inoue fazia isso. –Você só é cinco minutos mais velha!

    —Não interessa, continuo sendo a mais velha e você me deve respeito.

    Completou já se colocando de pé.

    Assim que terminou de ajeitar o hitaiate no lugar, a morena também se levantou.

    —Agora, eu falo sério, você tem talento.

    Inoue suspirou

    —Do que adiante talento se...

    —Se não pode usar 

    Sarumi completou para a irmã

    —Meninas o jantar está pronto, venham comer!

    Ambas ouviram o chamado da mãe no andar inferior.

    —É melhor esconder isso antes que ela veja.

    A morena apontou para a revista sobre a cama da irmã

    —Tem razão.

    Então Inoue pegou a revista cientifica recheada de artigos médicos e escondeu novamente debaixo do colchão.

    —Vamos antes que ela suba.

    —E veja que você ainda não tomou banho, porquinha!

    Inoue riu da irmã que fez uma expressão severa prestes a avançar sobre ela.

    A loira saiu na frente com a irmã em seu encalço, quando chegaram no andar inferior ouviram a reprimenda.

    —Não corram nas escadas.

    —Pelo amor de Deus mamãe, somos ninjas...

    Sarumi contradisse

    —Vocês ouviram sua mãe.

    Quando a voz altiva do pai se fez presente no ambiente todas se calaram.

    Então ele se aproximou da mesa de jantar e os olhos azuis se iluminaram

    —Papai!

    Ela foi até ele o abraçando.

    Sasuke correspondeu ao contato da jovem e beijou o topo dos fios loiros.

    —Não te vi o dia todo, está tudo bem?

    Ela tinha muito esmero para com ele.

    —Está, já te disse que não tem que se preocupar tanto comigo.

    Então ela sorriu e foi ocupar seu lugar usual na mesa de jantar.

    —Sarumi, vá lavar as mãos.

    Ino, a matriarca, disse colocando a travessa com o ensopado no centro da mesa de quatro lugares.

    —Quem disse que já não lavei?

    A loira mais velha a mirou tombando a cabeça

    —Tudo bem, já estou indo.

    E se levantou indo até o banheiro na parte superior da casa

    —Sarumi porquinha-chan!  Inoue disse assim que a irmã se levantou.

    Os olhos negros caíram sobre a filha loira que sorria após ouvir o “não enche” da outra apenas sorrindo zombeteira.

    Quando a morena retornou começaram a refeição, permaneceram em silencio a maior parte dela.

    Estava atrasada, muito atrasada, Moegi-san arrancaria seu fígado e depois a faria comer, estava pegando muito no seu pé pela falta de dedicação ao time, e querendo ou não, ela tinha razão.

    Era péssima e sabia disso, sua técnica de transferência de mentes era a pior de toda a história do clã Yamanaka, rogara a sua sensei que não contasse a sua mãe para que essa não ficasse decepcionada.

    A última coisa que queria era decepcionar sua mãe!

    Teria que se esforçar muito mais, seu avô era um herói de guerra que se sacrificou por uma causa maior, ela fazia parte daquele legado, teria que ser uma Yamanaka melhor.

    Decidiu ir por sobre os telhados, ganharia tempo e evitaria os diversos transeuntes que perambulavam pelas ruas da vila, as pessoas não conheciam mais o metrô? O Hokage mandara reformar o que cortava a vila a pouco tempo, pelo amor de Deus...

    Assim que seus pés tocaram o primeiro conjunto de telhas, ele parou diante de si.

    E a primeira coisa que percebeu foi aquele aroma, rustico exótico, quente...

    Seria canela?

    Não conseguiu identificar, pois aqueles olhos, sim, aqueles olhos, tão negros e intensos a miraram, e somente eles podiam ser vistos por debaixo do tecido liso que cobria o rosto do homem diante de si.

    Os azuis se perderam na imensidão negra daquele olhar...

    —Hatake Kakashi?

    Estava muda, atordoada com a figura parada diante de si.

    —O que...?

    —Procuro por Hatake Kakashi, poderia me ajudar?

    O jeito que a voz dele soava, meio abafada pelo tecido que cobria a boca, as palavras saíram de uma forma única, diferente, de uma maneira estranha.

    Que sotaque era aquele?

    —Duas casas a frente.

    Soltou de uma vez mecanicamente.

    Os olhos...oh! Aqueles olhos....desviaram dela e miraram mais adiante, então caíram sobre si mais uma vez.

    —Shukraan!

    Então ele deu um salto e saiu em disparada escapando de sua vista.

    Levando consigo aquele aroma tão abrasador.

    —Shukraan? Que raios de língua é essa?

    Ergueu a sobrancelha loira e baixou o olhar para os pés mirando a telha da casa em que estava.

    Telha...

    —Meu Kami! Moegi-sensei!

    Então saiu em disparada pelo caminho oposto ao daquele ser estranho que acabara de encontrar.

    Mas que povoaria seus pensamentos daquele momento em diante.

    CONTINUA...


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