MAKTUB

Tempo estimado de leitura: 6 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 12

    Sob o sol

    Adultério, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

    Eu definitivamente tenho as melhores leitoras do mundo!!

    Elas fizeram um bolão no grupo do whatsapp sobre a paternidade do filho da Ino e de uma gravidez da Sakura!

    Zerei a vida como escritora!!!!

    quem quiser entrar deixarei o link novamente nas notas finais e a musica tema!

    beijos e boa leitura!

    “Sobre as nossas cabeças o sol

    Sobre as nossas cabeças a luz

    Sob as nossas mãos a criação

    Sobre tudo o que mais for do coração

    Luz da fé que guia os fiéis

    Pelo deserto sem água e sem pão

    Faz de pedras um rio brotar

    Faz do céu chover forte o maná

    Quebra o vaso de barro do teu coração

    Com o melhor vinho do teu amor

    Pois quer a lei que ele se perca no chão

    E floresça o deserto ao teus pés...”

    Dormiram lado a lado mais uma vez no enorme tapete bem trabalhado, e foi assim nos dias que se seguiram.

     Zayn lhe mostrou como curtia o couro e lhe fez um cantil com a pele do animal que havia caçado, caminharam pelas dunas e o homem rústico, acostumado com as mazelas do deserto, lhe mostrou como conseguir fazer a água brotar da areia de uma maneira muito especifica, e cada vez ela ficava mais fascinada.

    Era uma vida simples, humilde, mas tinha seu encanto.

    Lhe mostrou também como decantar os rejeitos e deixa-la própria para o consumo. À tarde, após comerem, Sakura lhe ensinou como pronunciar seu nome de maneira correta, era engraçado vê-lo tentar, e quando chegou perto ela bateu palmas satisfeita fazendo-o sorrir.

    Era um homem de sorriso fácil.

    Logo se mostrou interessado em aprender outras palavras de sua língua, a rosada prontamente o ensinou o que podia...

    Então, ao entardecer, enquanto saboreavam tâmaras, uvas, figos e ameixas secas com açúcar da região, algo que Sakura adorou admitindo ser aquela uma de sua mais nova iguarias favoritas pois não se cansava de comer, se sentiu à vontade para finalmente fazer aquela pergunta.

    -Limadha tuqim hna? (Porque você fica aqui?)

    Ele terminou de mastigar a tâmara que tinha na boca e após limpar os lábios de uma forma que deixou Sakura presa aos movimentos da língua e mandíbula bem feita, respondeu.

    -alnafiu aldhdhatii... (Auto exilio)

    Ao notar que a rosada entendera pouco do que havia dito, ele se ajoelhou e se aproximou mais dela, então suspirou e começou a narrar os fatos que levaram sua vida a serem do jeito que era

    Lhe contou, de forma calma e pausada, por vezes parando para olhar um ponto qualquer no ambiente, por vezes erguendo os olhos para captar uma lembrança distante...que Dohã já fora um lugar próspero e bonito, um refúgio para os caminhantes do deserto, mas que após Faruk entrar no poder, toda a beleza e riqueza se foram. Muitos tentaram lutar contra a opressão, seus pais foram alguns deles, mas devido ao apoio de regiões vizinhas Faruk conquistou um exército poderoso, e eles apenas poeira e sangue. Dohã não era rica apenas em belezas naturais, havia riqueza debaixo de seu solo também, e isso era o que mais interessava tanto para Faruk quanto para outros lugares. O povo passava fome, era subjugado enquanto o velho a anos no poder vivia regado a luxo. Se mantinha no comando na base do medo.

    Zayn não concordava com isso, era apenas uma criança pequena quando seus pais foram mortos pelos golpes da espada pungente do ditador, ele jurou que enquanto estivesse vivo não deixaria o governo em paz e faria de tudo para derrubar a opressão pela qual passavam. Devido a isso ele e todos que faziam parte de qualquer revolta eram cassados. Zayn era proibido de adentrar na cidade pois se o vissem seu fim era certo.

    Mas nem por isso ele deixava de ir e lembrar a Faruk que ele ainda estava lá, o espreitando, pronto para pegá-lo!

    -limadha saeadat alzawjiun? (Por isso ajudou aquele casal?)

    Sakura perguntou.

    Os olhos amendoados a miraram

    Ele desfez a expressão sisuda ao falar do homem que destruíra sua família e lhe sorriu.

    -laqad 'ahabuu bedhm albaed mundh altufulat, watazawajat min 'ukhraa bieaqd, walam yatamakanuu min almawt limujrad hubi bedhm albaed

    (Eles se amavam desde a infância, ela se casou com outro por contrato, eles não poderiam morrer por simplesmente se amarem)

    Então a olhando nos olhos e concluiu

    -Laa yanbaghi li'ahad 'an yueani min ajl alhabi (ninguém deveria sofrer por amor)

    Sakura respirou fundo ao ouvir aquelas palavras, acompanhou os movimentos do homem que se pôs de pé e lhe estendeu a mão.

    Ela não entendeu a princípio.

    -Hayaa, daena nadhhab lilkharij , aljawa har huna (Venha, vamos lá fora, aqui dentro está quente)

    Ela não soube o que a fez pegar na mão que lhe era ofertava. Sua mente lhe dizia para ficar exatamente ali, onde estava, que seria melhor, mais seguro, talvez mais correto.

    Mas todo o restante do seu corpo, de sua alma, de seu ser lhe ordenavam que segurasse aquela mão e o seguisse, para onde quer que ele fosse.

    Pois lá, definitivamente, seria o lugar certo.

    O lugar que buscou, durante toda a vida!

    Ela admirou o sorriso dele quando tocou seus dedos. Ele a puxou para si quando finalmente a rosada se pôs de pé.

    Retirou uma mecha fina que caía sobre os olhos esverdeados.

    -Sa.ku.ra...

    Zayn falou cada sílaba pausadamente, atentamente, se esforçando para não errar, apreciando a fonética daquela palavra nova, diferente e linda aos seus ouvidos do médio oriente.

    Ele a puxou e ambos caminharam para fora, o céu salpicado de estrelas amarelas, azuis, vermelhas, pintava-lhes um quadro único e perfeito.

    Soltou sua mão apenas para acariciar o rosto do cavalo que soltou um som característico, como se o reconhecendo, passou a mão pela crina e por fim subiu.

    Olhou para a rosada e mais uma vez lhe estendeu a mão

    -Tueal maei... (vem comigo)

    O tom leve e amistoso com que ele lhe dirigia aquelas palavras lhe afagaram.

    Subiu no animal se pondo na frente do corpo masculino e grande.

    Zayn segurou sobre as rédeas e começaram num trote leve, lento, e tudo que viam era as sombras das enormes dunas como se fossem gigantescas montanhas que poderiam engolir uma cidade inteira se quisessem.

    Mas naquela noite elas seriam apenas testemunhas.

    Testemunhas silenciosas daquilo que ali nascia

    O homem bateu os pés sobre as laterais do animal e balançou as rédeas fazendo-o ir mais rápido, o vento batia pelos cabelos de ambos, soltos, livres, como não se sentiam a muito tempo.

    Zayn pode apreciar o contato com as melenas cor de rosa e o aroma que elas soltavam.

    Sakura sorriu quando ganharam velocidade, não se conteve e abriu os braços sentindo a brisa do deserto lhe tocar o corpo, o espirito, a alma.

    Ele levou uma mão ao baixo ventre da cerejeira e a apertou mais para si deixando uma leve caricia no local.

    Era a primeira vez que estavam tão próximos.

    Era a primeira vez que Sakura se sentia tão conectada com alguém.

    Era loucura, era totalmente insano tudo aquilo...

    Girou levemente o rosto para trás e o encontrou a admirando, perdido no aroma dos cabelos de tons exóticos .

    Subiu a mão do abdômen até o rosto fino, Sakura deixou escapar um suspiro leve

    Não deveria estar sentindo algo como aquilo, não mais, nunca mais...

    Mas quando percebeu a respiração próxima, aos poucos se misturando com a sua, chamando pela sua... rompeu a última barreira.

    Tocou os lábios de Zayn, aquela fruta exótica, doce e suculenta, uma joia preciosa em meio aquele deserto.

    Não foram borboletas, voltas no estômago ou grande excitação que sentiu quando o fez.

    Foi uma paz

    Uma paz a muito tempo almejada...

    Como se finalmente pudesse respirar aliviada, como se não precisasse mais correr para ter algo inalcançável.

    Ele não a tocou com força, passou as falanges dos dedos por seu rosto a medida que suas línguas se misturavam, se buscavam, se reconheciam.

    Quando o contato se findou ela permaneceu de olhos fechados, sentiu o peito embargado mas teimava em não queria deixar as lágrimas saírem.

    E então ele lhe beijou a testa, bem no centro do losango de poder, e ficou ali, a acalentando.

    Sentiu-se plena, então sorriu...e a medida que cavalgavam pelas areias seu sorriso se tornou uma risada, alta, estridente, mesmo que acompanhada pelas lágrimas.

    Estava livre

    Finalmente estava livre!

    Quando pararam, dessa vez ela aceitou a ajuda para descer do animal.

    Assim que seus pés tocaram o chão encontrou as amêndoas, tão brilhantes, tão vívidas, tão cheias de vida!

    Sakura suspirou e baixou o olhar, estava leve...sim, era capaz de sentir aquilo novamente, e de uma forma nova, diferente, limpa, pura...

    Mas as marcas ainda estavam lá e talvez a acompanhassem para sempre.

    Tomou coragem e pronunciou

    - 'iidha kunt fi yawm min al'ayam, fi 'ayi yawm , lm taeud turiduni ... adhhab beydana , wadhhab beydana wala tanzur 'iilaa alwara'

    (Se um dia, qualquer dia que seja, não me quiser mais...vá embora, simplesmente suma e não olhe para trás)

    Então ergueu os olhos e com o ar obstinado concluiu

    - faqat la takhdaeni!  (Só não me engane!)

    Zayn levou a grossa mão para o queixo de Sakura e o ergueu buscando a intensidade daquele olhar.

    Aquele homem...parecia lhe esmiuçar a alma.

    -kayf la ariyaduk laqad daeawt lak hayati klha ... tuasilt alriyh li'ahdir lak li.

    (-Como eu poderia não querer você? Eu chamei por você a minha vida inteira...roguei pro vento trazer você pra mim.)

     Deu um passou mais perto unindo seu corpo ao dela

    - wajalb ... saeaa lak min aljanib alakhar min alealam.

    (E ele trouxe...te buscou, do outro lado do mundo.)

    E selou os lábios semiabertos atônitos por tudo que acabara de ouvir.

    Ele a queria, a desejava, sem se importar com todos os percalços, com ela ser uma estrangeira...

    Ele a queria por que a vida toda esperou por ela

    Pois era ela que estava em seu destino esse tempo todo.

    Estava escrito...tinha que ser

    Maktub!

    A manhã estava mais fresca naquele dia em especifico, Zayn estava lá fora dando de comer ao cavalo e ela aproveitara para trocar a roupa que usava por algo que havia conseguido nos arredores da cidade.

    Estava apenas com as roupas debaixo, terminando de se vestir, distraída e virada para o interior do templo, passava as peças típicas do deserto pelo seu corpo, até que se virou e encontrou os olhos a espreitando.

    Ele a mirou, de cima abaixo e estreitou os olhos.

     Então os seus próprios se arregalaram.

    Sakura soltou um grito de espanto, trazendo as roupas para junto do corpo, tentando tapar qualquer visão que aquele homem poderia ter e num rompante, por puro impulso esticou o punho em direção ao rosto firme e forte, fazendo o homem bater contra a parede de pedra do outro lado do local.

    Em um piscar de olhos Zayn já estava ali.

    Observou com os olhos amendoados espantado o homem caído ao chão massageando a mandíbula e uma Sakura assustada tentando se esconder vestida em trajes impróprios.

    Então se aproximou dela e retirando o próprio hijab da cabeça passou pelo corpo da cerejeira a acalmando

    - kun hadyana , 'iinah 'akhiun , ja' liati bi'akhbar almadina

    (Fique tranquila, é meu irmão, veio trazer notícias da cidade) 

    E passou as mãos pelos cabelos rosados tentando lhe transmitir calma.

    Sakura respirou fundo e segurou o tecido que Zayn pusera sobre si com força sobre o próprio corpo.

    Ele lhe sorriu e então se virou para o homem que já se punha de pé.

    - daena natahadath fi alkharij (Vamos conversar lá fora)

    Disse se encaminhando para saída com os olhos sobre o homem que era seu irmão.

    Ele apenas maneou a cabeça e concordou, mas antes de sair lançou um último olhar para a rosada.

    Quando ficou novamente sozinha, a cerejeira tratou de vestir logo suas roupas. Pensou em ir lá fora pedir desculpas pelo golpe, Zayn não havia falado que tinha um irmão... mas desistiu ao ouvir as vozes exaltadas.

    Assim que escutou os passos se aproximando tratou de disfarçar indo até o tapete e arrumando as almofadas.

    Quando ambos adentraram no recinto novamente, a rosada se pôs de pé.

    - hadha 'Amin ya 'akhi alsaghir (este é Amin, meu irmão mais novo)

    A rosada se aproximou e juntou as mãos em frente ao corpo em uma leve reverencia fazendo o homem erguer uma sobrancelha sem compreender.

    -Sakura.

    Disse somente

    Zayn apenas lhe cochichou que aquele era um costume do lugar de onde ela vinha.

    A cerejeira mordeu o lábio inferior e olhou para o ponto marcado no rosto do homem.

    - asif 'iinaa darabatk (desculpe ter acertado você)

    Disse sem graça.

    Ele sorriu, um sorriso muito parecido com o de Zayn.

    Amin tinha a pele um pouco mais clara, não usava barba e os cabelos eram curtos, os olhos eram escuros mas os traços eram os mesmos do irmão.

    - 'aetaqid 'anani aistahaqat dhlk, fbalnsbt li hu 'an 'ataelam edm altajasus ealaa fatiyat jmylat dun muafaqatak

    (Acho que eu mereci, é para eu aprender a não ficar espiando moças bonitas sem o seu consentimento)

    Respondeu levando mais uma vez a mão ao rosto dessa vez de uma forma mais bem humorada.

    Sakura quis deixá-los sozinhos, mas Zayn disse que gostaria que ela ficasse, que soubesse do que que acontecia em Dohã.

    Amin a encarava...estava surpreso por existir uma mulher tão forte como aquela.

    Sakura lhes fez chá de ervas secas e tomaram enquanto Amin lhes contava a situação da cidade.

    Estava caótico. Sem motivo aparente os impostos foram elevados e as revoltas aumentaram, muitas pessoas estavam sendo presas, torturadas e desaparecendo sem motivo.

    Amin dizia que provavelmente ele já estava na lista do governo e que logo também teria que recorrer ao auto exilio. Disse também que Zayn e até mesmo Sakura não poderiam ficar por ali muito tempo mais pois as tropas estavam fazendo varreduras no entorno da cidade e logo chegariam no local.

    O povo estava fadado ao sofrimento, sem uma gota de esperança.

    Então Amin olhou para o irmão.

    - laqad han alwaqt lilrad, liwaqf alzulm!

    (Chegou a hora de reagirmos, acabarmos com a opressão!)

    Ambos olharam para o homem que permanecia calado, apenas ouvindo as palavras do irmão mais novo. Tinha um ar diferente nele, e por um instante Naruto veio na mente de Sakura.

    - alnaas bihajat lak!  (O povo precisa de você!)

    Amin foi incisivo

    Ele baixou a cabeça, puxou o ar quente para os pulmões, e por fim, seus olhos subiram até ela.

    As amêndoas se cravaram de tal forma sobre as esmeraldas que Sakura não ousou desviar o olhar.

    Demorou um tempo para juntar as palavras, parecia estar escolhendo as melhores, as que mais fizessem sentindo.

    Então por fim ele disse

    De forma lenta e pausada

    -Lute ao meu lado Sakura!

    A rosada se sobressaltou

    Franziu o cenho incerta de ter ouvido bem o que ele lhe pedia e em sua própria língua! Talvez tivesse errado as palavras, só podia ser!

    Mas diferente dela, Zayn estava certo naquele pedido.

    Recolheu a pequena mas ao mesmo tempo forte mão e mantendo o contato firme nos orbes verdes, repetiu as palavras de forma lenta, calma, firme e eloquente.

    -Lute ao meu lado, vamos libertar Dohã...

    Uma descarga elétrica passou por todo o seu corpo, uma torrente de sensações e sentimentos...

    E um ímpeto!

    Algo a muito sentido e também esquecido.

    Pensou em cada passo de sua caminhada até ali e cada marca de sofrimento cravada em sua alma.

    Então ali fez uma promessa, naquelas areias quentes, sob o sol escaldante que iluminava aquele templo de pedra que os guardava fugidos da opressão de um louco.

    Para cada sofrimento que passou acabaria com a dor de alguém

    Sanaria seu martírio livrando os outros dos seus próprios.

    Pois existia muito mais na vida que chorar, que se lamentar

    E ela não pretendia mais chorar se não fosse de alegria, de alivio...

    Apertou sua mão a dele e sorriu, pois daquele dia em diante, a linha da vida dos dois andariam juntas, lado a lado, traçadas como uma só.

    Como foi traçado, a muito tempo...

    A muitos séculos.

    Como tinha de ser!

    “Regando as areias, recriando regatos e as luzes do Éden das flores

    Na terra dos homens, no circo dos anjos, guardiões implacáveis do céu

    Dançamos a dança da vida no palco do tempo, teatro de Deus

    Árvore santa dos sonhos, os frutos da mente são meus e são teus

    Nossos segredos guardados enfim revelados nus sob o sol

    Segredos de Deus tão guardados

    Enfim revelados nus sob o sol”

    Sob o Sol

    Marcus Viana

    CONTINUA...


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