MAKTUB

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    18
    Capítulos:

    Capítulo 10

    Traidores

    Adultério, Hentai, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo

    “Já estava escrito

    No tempo e no espaço

    Que a minha alma e a tua

    Uma luz seriam...”

    Maktub I- Marcus Viana

    A primeira vez que adentrou em Dohã foi com algumas poucas pessoas da caravana de Tuaregues, o lugar era diferente de tudo que já tinha visto.

    Retirou o lenço da face para sentir o aroma doce daquele lugar.

    A diversidade de árvores e pássaros era deslumbrante. A temperatura mais amena e as pessoas...

    Aquele lugar tinha algo diferente, algo fascinante!

    Um dos jovens a quem acompanhava lhe sussurrou alguma coisa, o máximo que pode compreender foi algo como para esconder seu rosto e o manter assim, então ela o fez, deixou a face e os exóticos cabelos cobertos. Foram atrás de água e suprimentos, percebeu que ali eles faziam algo como escambo, trocavam produtos que produziam ou conseguiam em outras caravanas por coisas do local.

    Enquanto os acompanhava, Sakura observava o lugar, viu algumas crianças sentadas no chão arenoso, pareciam não estar bem. Olhou também para o bebe nos braços da mulher com quem o jovem conversava, os olhos estavam opacos, quase sem vida.

    Sentiu algo estranho no peito.

    Então começou a confusão. No inicio eram apenas algumas pessoas gritando ao longe, mas depois ela pode ver a multidão acompanhando algo como um cortejo. Um rapaz, um adolescente era trazido amarrado pelas mãos por dois homens uniformizados que o puxavam e lhe direcionavam palavras fortes pela expressão fria que faziam.

    Sakura quis ver o que iam fazer.

    Olhou para o Tuaregue a quem acompanhava e então, ficando mais afastada daquela multidão, viu os homens uniformizados jogarem o rapaz no meio da rua. Ele caiu batendo a cabeça no chão. O rapaz tinha o rosto sujo e as roupas rasgadas. Então um dos homens retirou a espada que levava na cintura e a ergueu enquanto o outro posicionava o corpo do jovem e estendia um dos seus braços sobre uma grande pedra no chão.

    Sakura se sobressaltou, o que estava acontecendo?

    Ninguém ia fazer nada?!

    Pode ouvir de onde estava os lamentos do rapaz, ele chorava e parecia implorar...

    Aquilo lhe doeu

    Deu um passo pra frente mas no instante seguinte a lamina desceu com tudo decepando fora a mão do rapaz.

    Abriu a boca incrédula por detrás do lenço ao ouvir o grito longo e desesperador de dor.

    O sangue jorrou manchando o chão fazendo uma mistura de areia e sangue.

    O homem embainhou novamente a espada enquanto chutava para longe o que havia sobrado da mão jazida ao chão, já o outro soltou o rapaz, cuspindo no rosto do mesmo antes de se virarem para saírem dali. Quando acabou a multidão se dispersou.

    Mas Sakura ficou ali, parada, vendo o jovem deitado no chão, segurando o toco onde antes estava sua mão, praguejando e chorando de dor.

    Ninguém havia ido ajuda-lo.

    Foi reto, se ajoelhou e recolheu sua cabeça do chão, estava machada de sangue devido a pancada que levara ao ser jogado.

    Ela olhou para o que sobrou do braço e para o rosto sujo de areia, lagrimas e sangue, ele entraria em choque a qualquer minuto. Então sorrateiramente fez surgir a luz verde e estancou o sangue, rasgou um pedaço de pano de sua própria roupa e amarrou no toco do pulso fino pela magreza e o deixou ali, exatamente onde estava.

    Então se levantou e olhou ao redor, as pessoas haviam voltado para seu cotidiano e o comercio parecia normal, ajeitou o lenço no rosto e foi atrás do grupo de Tuaregues que estava acompanhando.

    Quando o jovem Tuaregue com quem estava antes a viu se afastar do adolescente caído no chão, apenas lhe disse uma palavra, uma palavra que Sakura ouviria muito no tempo que passaria ali e nas consequências dela.

    -Las!

    Ladrão!

    E Sakura descobriria que as belezas de Dohã se resumiam apenas a natureza física, porque a dos homens era extremamente cruel.

    Acamparam nos arredores da cidade. As dunas ficavam ainda mais belas durante a noite e o frio era espantado com as enormes fogueiras que faziam, os homens conversavam fumando uma mistura de fumo com ervas, outros cuidavam da comida, alguns pegavam seus instrumentos e começavam a arranhar melodias de tribos antigas. Comiam, bebiam, cantavam e dançavam, e as noite frias do deserto se tornavam quentes, alegres e festivas.

    Ela batia palmas ao ver como aquelas mulheres mexiam os quadris, as jovens, as velhas, até mesmo as crianças! Mulheres magras, cheias, altas, baixas...elas não se importavam com sua aparência, todas elas se reuniam em volta da fogueira batendo algo parecido com pequenos pratos de mão*, dançavam movimentado a barriga, o busto, as pernas, os braços...algo que ela nunca havia visto antes, mas era fascinante! Outras batiam palmas enquanto as viam dançar e cantavam soltando sons parecidos com gritos que Sakura considerou estranhos a princípio, mas que logo aprendeu e começou a reproduzir!*

    Não existia julgamentos ali, uma não olhava para a barriga, pernas ou braços da outra comparando suas formas, todas eram lindas a seu modo, sem competições. A rosada achou aquilo incrível.

    Estava no meio do nada, com pessoas simples e sem sequer um teto sobre sua cabeça...

    Mas estava feliz! Como a muito tempo não se sentia.

    Uma delas saiu de perto da fogueira e pegou sua mão a puxando para entrar na dança, tentou recusar mas foi em vão, elas a estimulavam a continuar, a não desistir, a ver a beleza em suas formas. E uma coisa que aprendeu ali é que as mulheres do deserto era umas pelas outras, mesmo com ela, uma 'ajnabi, uma estrangeira como a chamavam.

     Não sabia como agradecer o que faziam por ela, que era mais do que imaginavam. Ajudou com as doenças e pequenas moléstias e lhes ensinou um pouco da medicina básica de onde vinha para quando houvesse alguma emergência.  Mas aprendeu sobre a medicina deles também, que apesar de rudimentar era muito eficaz, eles eram especialistas em venenos de animais peçonhentos. Desde cobras, escorpiões, lacraias e aranhas...seres que saiam das areias e podiam o picar dormindo se não tivesse cuidado.

    E ela achando que Konoha era mais adiantada nesse aspecto...

    Eles sem o uso de chakra e no meio do nada se utilizavam do que tinham, viviam em harmonia com a natureza escassa a qual habitam.

    Era madrugada, estava dormindo quando foi chacoalhada, abriu os olhos em não encontrou o céu de estrelas a qual já estava se acostumando, mas sim um dos anciões da tribo. Levantou-se preocupada.

    Ele viu a expressão dela e sorriu a acalmando, então apontou para uma direção mais a frente.

    Sakura focou a vista e viu, era o adolescente de mais cedo, estava com uma bandagem no que restou do braço e acompanhado de uma menina e uma mulher mais velha.

    A mulher se aproximou dela e se ajoelhou pegando sua mão e a beijando

    -shukraan! shukraan! (obrigada)

    Sentiu as lagrimas da mulher molharem sua mão.

    Eles se sentaram ao redor do que restou da fogueira e lhe contaram o que havia acontecido.

    Pelo que custou a entender a mulher era a mãe do rapaz e da menina, eles eram muito pobres, o pai havia morrido lutando a favor do governo opressor de Dohã, não tinham nada, até mesmo a casa haviam perdido. O rapaz havia roubado um pouco de comida no comercio, mas os oficiais do governo o pegaram e o arrastaram pela rua, ladrões só tinham um castigo, a perda da mão... assim nunca mais fariam algo como aquilo. Explicaram que não eram ladrões, mas que fazia dias não que não se alimentavam. A menina também apresentava os olhos opacos e nada dizia, estava magra e malvestida, assim como os outros.

    Sakura se aproximou dela e lhe sorriu, quando tirou o lenço ela finalmente pareceu se animar, encantada com seus cabelos e logo perguntando se podia os tocar.

    A rosada permitiu e se aproximou mais, aproveitando para analisar melhor a garota. Ela estava febril, podia notar, provavelmente todas aquelas crianças que viu mais cedo também estavam doentes.

    Passou a mão pelo rosto da menina e pegou algumas ervas para a febre enquanto o ancião lhes servia um pouco de comida.

    Fez um chá para ambos, o jovem e a menina, o rapaz corria sério risco de infecção.

    Quando eles dormiram e o ancião se retirou para sua tenda, a mulher se aproximou de Sakura lhe dizendo que somente alguém de longe para ter misericórdia deles, que se não fosse ela seus filhos teriam morrido.

    Quando se deitou novamente, manteve o olhar fixo no tapete de estrelas sobre sua cabeça. Nunca havia visto tantas, e como brilhavam e resplandeciam...

    Virou a cabeça focando a visão a poucos metros adiante, na mãe deitada abraçada aos filhos, encolheu-se sentindo a rajada de vento e teve certeza.

    Ali era seu lugar

    Aquele lugar no meio do nada e cheio de crueldades...

    Era ali que ela deveria ficar!

    E que Kami a protegesse do que estava por vir!

    No dia seguinte foram para o centro da cidade mais uma vez, Sakura entendeu que ali, em Dohã, existia uma ditadura severa que castigava quem saía dos padrões de comportamento de forma ferrenha e severa.

    E estrangeiros não eram bem vistos, muito menos bem vindos.

    Então mal deixava seus olhos do extremo oriente aparentes.

    Já era entardecer, estavam recolhendo suas coisas para voltarem ao acampamento nos arredores da cidade quando viu a mulher passar arrastada.

    Ela vinha se debatendo e chorando enquanto segurava a cabeça por onde era levada pelos cabelos.

    O homem que vinha atrás dela, apenas com as roupas de baixo e cabeça baixa, tinha as mãos amarradas e a espada do oficial apontada em direção a suas costas.

    Sentiu aquela palpitação mais uma vez...

    Formulou apressadamente uma frase que fizesse sentido em sua mente e perguntou para o Tuaregue a seu lado

    - madha stfel? (o que vão fazer?)

    Ele a encarou e pronunciou com a voz baixa

    - hum alzuna!(são adúlteros)

    Mas ela não compreendeu de imediato

    - alkhawnat, ghyr mukhalas...  (traidores, infiéis)

    Então entendeu.

    Ela entendia bem aquelas palavras...

    Seu sangue gelou.

    Então era assim que eles tratavam aqueles que traiam seus cônjuges?

    Desviou o olhar e um gosto amargo veio até sua boca.

    Naquela região, pessoas que traíam seus companheiros só tinham um destino, a morte.

    - sawf jaladihim hataa almawt (vão chicoteá-los até a morte)

    A rosada olhou para o Tuaregue para compreender melhor o que ele dizia, então ele imitou o gesto do chicote batendo nas costas.

    Então Sakura ergueu o olhar e viu os guardas, cinco no total, todos com espadas e cassetetes nas cinturas, dois deles tinham realmente chicotes entres as mãos.

    O outros olhavam para as pessoas ao redor com o ar de reprimenda, ela entendeu que ninguém deveria se intrometer.

    A mulher estava imunda e a roupa que usava, que parecia ter sido uma camisola, estava aos trapos, o homem foi jogado ao chão com violência, ficando de joelhos.

    As mãos da mulher também foram amarradas, as lágrimas banhavam seu rosto sujo da poeira que veio capturando da rua ao ser arrastada, seu corpo estava todo esfolado.

    Um dos guardas se abaixou e violentamente rasgou a parte de trás da camisola da mulher.

    Sakura respirou fundo, aquilo tudo lhe fez dar voltas no estomago.

    Sua mente voltou-se para Konoha, para sua própria tragédia.

    O homem se levantou e começou a gritar com os dois, dizia coisas duras pela expressão que fazia, do pouco que entendeu aquele era o castigo que mereciam por terem sido infieis a seus casamentos e se entregado aos prazeres da carne.

    Olhou para a multidão e continuou dizendo que aquilo lhes servissem de exemplo.

    O outro apenas esticava o chicote se preparando para a violência que estava prestes a cometer.

    Sakura quis ir embora, não queria presenciar algo como aquilo.

    Mas quando estava prestes a se virar ela viu a mulher levantar a cabeça lentamente e com os olhos banhados em lágrimas buscar o olhar do homem seminu ao seu lado.

    Ele também a olhou.

    E aquilo tocou Sakura, porque aquele olhar que trocavam... significava muito mais que simples luxuria ou arrependimento.

    A cerejeira mirou no movimento dos lábios inchados e levemente machucados da mulher e a percebeu pronunciar algo.

    Um verso mudo

    - 'iinaa ahbk...

    Ele fechou os olhos e as lagrimas que ainda não tinham vindo rolaram pelo rosto do homem.

    Sakura não entendia quase nada daquela língua, mas aquelas palavras compreendia muito bem pois as viu serem pronunciadas diversas vezes no acampamento.

    Viu as mães dizerem a seus filhos pequenos, as avós a seus netos antes de partirem e se separarem da caravana, os casais de namorados que estavam prometidos e prestes a se casarem...

    Eu te amo

    Era isso que saia da boca daquela mulher

    A imagem de Ino e Sasuke se beijando veio a sua mente.

    O homem tendeu a levantar a mão e toca-la, mas o oficial o chutou fazendo-o cair batendo o queixo no chão.

    E um misto de emoções veio junto em seu peito.

    Então quando ambos levantaram as mãos para começarem o açoite a terra tremeu.

    Todos ao redor se assustaram e se agitaram

    Os homens fardados se olharam e tentaram acalmar as pessoas.

    Quando mais uma vez os chicotes subiram pelo ar e estavam prestes a tocar as peles expostas do casal de traidores, a terra não só tremeu, como se partiu ao meio.

    A rachadura passou pelas pessoas que se afastavam e chegou até o casal os separando e em consequência separando os oficiais fazendo-os cair sentados no chão.

    Todos os olhares caíram sobre ela que ainda tinha o punho de uma das mãos cravado na terra.

    Sua adrenalina foi a mil.

    E lá estavam eles, vindo em sua direção com olhares severos, os outros dois logo se puseram de pé, a mulher tentou se levantar mas um deles a pegou novamente pelos cabelos a fazendo gritar. Retirou a espada da cintura a posicionando no pescoço fino e marcado prestes a passar a lâmina afiada pelo mesmo.

    Então aconteceu, antes que a pele da mulher fosse rasgada seu peito foi aberto ao meio.

    Ele veio a galope e ferrenho em cima do cavalo e também com uma longa espada em mãos a atravessou sem dó pelas costas do homem fardado.

    Sakura não pode ver mais nada pois os outros três já estavam bem ali, prestes a segura-la.

    Não foi preciso envolver seu punho em chakra, o soco que deu fez um deles voar para longe. Os outros dois olharam para o corpo jogado do companheiro e depois para ela, desembainharam as espadas e foram com tudo pra cima da rosada, ela desviou do golpe que cortaria sua garganta e girou nos calcanhares erguendo um deles para acertar com agilidade o maxilar do mais próximo.

    A confusão estava armada, pessoas corriam, e de repente percebeu mais homens fardados chegando.

    Tentou olhar para onde o casal estava mas não os encontrou, apenas os dois oficiais caídos e mortos no chão, com seus chicotes sobre o peito.

    Quando o outro veio pra cima de si mal teve para reagir, sentiu as mãos a puxando, vieram rápidas e com força e num instante ela já estava em cima do cavalo.

    Corriam com velocidade desviando da multidão, Sakura não fazia ideia de quem era aquele homem nem de pra onde estava indo, tudo que conseguiu identificar foram os gritos dos homens fardados apontando para a direção onde corriam fugidos.

    CONTINUA...

    *pequenos pratos de mão- chamados Snujs, pratos de dedos utilizados na dança do ventre

    * Salguta - Grito das mulheres Árabes- Inicialmente era considerado um grito de guerra que vem do tempo dos faraós no Egito, é agora transmitida como uma emoção ou celebração na dança, na vida, nos movimentos, no casamento, na família, expressa alegria ...


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