O Mago Das Espadas - Livro 0: Os Escolhidos

Tempo estimado de leitura: 4 horas

    12
    Capítulos:

    Capítulo 14

    Pequeno Gênio Parte ? 4

    Linguagem Imprópria, Nudez, Violência

    Boa noite galera! Estamos de volta com o ultimo capitulo da apresentação de Hiro. Espero que todos estejam gostando e curtindo esta historia, desde já uma boa leitura e um bom final de semana!

    Estava deitado na cama do hospital, os sedativos o mantinham semiacordado, assim podia ouvir tudo a sua volta, os médicos conversando, sua tia chorando e uma voz desconhecida que se apresentou:

    – Boa noite senhora.

    – B-Boa noite... quem é o senhor?

    Era a voz de sua tia.

    – Perdão pelo aparecimento sem avisar, mais sou um vassalo da escola de Magia e Feitiçaria de Draconia, me chamou Sasaki Kojiro.

    “Draconia...”

    – Um membro da escola que meu sobrinho mais velho estuda?

    – Exato, mais precisamente sou um professor que leciona na escola.

    Pode ouvir sua tia reagir em surpresa.

    – O-O que deseja Kojiro-san?

    O homem suspirou.

    – Vim imediatamente para a cidade quando soube do que aconteceu, como sabe o Ministério da Magia regula o uso de magias para crianças e adolescentes enquanto ainda estão na época de estudo. Isso serve para sabermos se algum aluno está como posso dizer... aprontando com seu dom.

    – Oh! Eu não sabia disso!

    Sua tia reagiu em surpresa.

    – Infelizmente é muito necessário, vários alunos ficam deslumbrados por saberem usar magia e acabam extrapolando, as vezes acontecem algumas casualidades, acidentes e alguns feridos ou casos mais grave como ocorreu com seu sobrinho mais novo.

    Silencio, não ouviu sua tia responder de imediato.

    – Imagino como à senhora deve estar se sentindo, por isso vim visitar seu sobrinho e prestar condolências e dizer que estamos dispostos a tudo para a recuperação dele inclusive o uso de...

    – NÃO! – O menino conseguiu dizer.

    – Hiro?

    – N-Não... quero... magia... nenhuma... – Usava toda sua força para falar, estava diante de um dos homens que leciona para seu irmão, então simplesmente não iria perder a chance de dizer algo. – A magia... só faz o mau... o Yama... era um mago... Cof, cof...

    – Querido não se esforce!

    Mas ele não a ouviu.

    – Ele... usou a magia para fins escusos... e ninguém fez nada pra impedir... então... eu tive que agir!!!

    Encarava o professor, mesmo estando com os olhos vendados sabia onde ele estava.

    O professor por sua vez o encarava calado.

    – E agora... por causa do idiota do meu irmão e de seu bando de amigos... eles o deixaram... escapar...

    Faz uma pausa tomando ar, Kojiro e sua tia puderam ver lágrimas se formando e molhando as ataduras que cobriam seus olhos.

    – E por causa disso... meu melhor amigo... desapareceu! Ele pode ter virado sucata ou ter sido cortado... e suas peças vendidas... tudo por culpa dos seus alunos... tudo por culpa da MAGIA!!!

    E chorou, chorou com sua raiva explodindo e também sua magoa pelo que aconteceu... eles iriam pagar... cada um deles...

    – Eu vou me vingar... de cada um... pelo meu amigo e por mim, pois é isso que eu sou... um Magus Killer!!!

    Sua respiração ficou difícil, as forças que usou para gritar acabaram e ele fica imóvel na cama murmurando:

    – Eu vou... vingar... o Weltall... – E apagou.

    Sua tia que ouvia aquilo tudo ficou de coração partido, se aproximou da cama e abraçou seu sobrinho.

    – Não se preocupe querido, nós vamos achar o Weltall, apenas descanse... snif... tudo vai ficar... – Ela não consegue terminar a frase e se debulha em lágrimas, tudo isso sendo assistido pelo professor que fecha os olhos e se retira, era hora de ter uma conversar muito seria com seus alunos.

    De volta à cela onde os quatro magos de Draconia estão...

    O professor olhava os quatro com olhos ameaçadores que os faziam suar frio.

    – Ele tá bravo, né?

    – Não Jack, ele tá tão feliz ao ponto de sua felicidade sair radiante pelos olhos! – Responde Mérida com ironia.

    – Serio?!

    – NÃO, BOCÓ!!!

    – Ahhhh, bem que eu suspeitei...

    – Gente, por favor, acho que é melhor ficarmos quietos, a situação já tá ruim. – Exclama Rapunzel.

    – Sim está... e vai piorar. – Responde o professor, fazendo os quatro ficarem pálidos, até Jack.

    – Vai dar meeeerda.... – Sussurra Soluço.

    – Já deuuuuuu.... – Responde Jack também sussurrando.

    – Muito bem! Vamos aos fatos! – Cruza as mãos atrás das costas e começa; – Vocês foram ao um lugar frequentado por maus elementos, usaram sua magia ao bel prazer, destruíram propriedade da cidade, foram visto por mais de cem pessoas, fizeram um caos generalizado causando feridos no processo, atrapalharam um plano de seis meses de preparação para pegar um gângster que usava magia para fins escusos e por fim mais não menos importante... AGREDIRAM UM MENOR DE IDADE AO PONTO DELE FICAR INCONSCIENTE!!!

    Essa última parte o professor gritou, fazendo os quatro abaixarem ainda mais as cabeças.

    – Vocês sabiam que isso é mais do que motivo para que todos vocês sejam expulsão de Draconia!

    – O QUÊ?! – Berram os quatro em uni som.

    – Algo a dizerem?

    Os quatro se entreolharam, estavam em pânico, não podiam ser expulsos, Draconia era mais do que uma escola para eles, era uma segunda casa!

    – Espera professor, por favor, o senhor não pôde fazer isso! – Exclama Mérida. – Draconia é tudo pra nós!

    – Ela tem razão! Não acredito que disse isso, mais é verdade! – Exclama Jack. – Nós quatro não éramos nada até chegarmos a Draconia! – Ele se levanta. Tudo o que sabemos e apreendemos veio de lá! Cometemos um erro sim eu admito, mais nos expulsar... desculpe professor, mais isso não!

    – Jack... Mérida... – Rapunzel sussurra o nome dos amigos ao ver seu clamor. E teve esperanças de que isso amolecesse o coração do professor, mas...

    – Um erro... – Kojiro ri. – Jack, dês do primeiro ano você e seus amigos são os recordistas em causar problemas!!! – Brada o professor fazendo os olhos do albino se arregalar.

    Ele faz cara que está pensando seriamente, coça a cabeça, o queixo e depois o pescoço e responde:

    – Mentira professor, nós não causamos problemas... eles, é quem vem até nós, entende? – E sorri todo bobo, deixando o professor mundo e seus amigos com suas bocas arregalados. – Então! Agora que já esclarecemos tudo o que acha de sairmos daqui e comermos algo bem gosto... – Antes de dar mais um passo o rapaz sente uma lâmina extremamente afiada em seu pescoço. – Ou talvez eu volte a me sentar no meu banquinho e ficar quietinho quem sabe, he, he, he, he? – E recua de mansinho se sentando ao lado de Mérida.

    O professor guarda sua espada de volta a bainha, foi tão rápido que eles não o viram sacando e nem a guardando, o professor realmente era um eximo espadachim.

    Mais isso não diminuía a tensão na sala, ao contraio, só piorou.

    – Parabéns Zé mane, você acaba de piorar nossa situação! – Resmunga Mérida no ouvido do albino.

    – Pensei que ia dar certo, sempre funcionou com o diretor Odin! – Retruca Frost.

    – Só que eu não sou o diretor Odin, Jack! – Responde o professor de maneira ameaçadora fazendo seus olhos reluzir.

    – GULP!!! – O albino fica ainda mais branco do que já é ao ver aqueles olhos.

    – Então será que mais alguns dos “sábios” tem algo a dizer em suas defesas?  Pois tenho pressa em mandar seus formulários de expulsão, nossa... seus pais vão ficar como posso dizer? – Olhou cruel para os quatro que responderam:

    – Decepcionados! – Diz Rapunzel.

    – Putos da vida! – Diz Mérida.

    – Ensandecidos! – Diz Soluço.

    – Eu não tenho pais e mesmo assim me sinto PESSIMO!!! – Exclama Jack. – Professor pensa com carinho, deve ter uma saída!!! – Diz o albino quase se jogando aos pés do professor.

    – É! Tipo alguma coisa que possamos fazer pra remediar nosso erro! – Exclama Mérida.

    – Sim professor o senhor tem que nos dar uma segunda chance, agimos sem pensar... bom por que... – Argumenta Rapunzel.

    – O Hiro apontou uma “Gorvement” para o Tadashi... foi isso que nos motivou a agir! – Exclama Soluço se levantando, fazendo os três e o professor o encararem.

    – E daí se era uma Gover... sei lá o que! Ele apontou uma arma para um de nossos amigos! A gente não ia ficar imóvel e ver nosso amigo ser baleado, não é?! – Brada Mérida.

    – Méri tem razão professor! Fizemos isso pelo Tadashi e faríamos de novo... por qualquer um de nós aqui! – Exclama Rapunzel colocando a mão sobre o peito.

    – É isso ai loirinha! Tamo junto pro que der e vier! – Completa Jack.

    Kojiro ouviu cada palavra que os alunos disseram, eram jovens, inconsequentes, mais acima de tudo... ótimos amigos. E ele sorrir fazendo os rostos dos quatro se iluminarem.

    – Não vou negar... isso foi bonito, mostram que vocês se importam uns com os outros e isso é essencial em uma batalha contra um inimigo mais forte ou um grupo adversário. Vocês apreenderam bem essa lição.

    Os quatro ficam um pouco encabulados com aquele elogio inesperado do professor.

    – Sabe profe? A gente meio que precisou apreender isso, meio que na raça, o senhor entende, né? – Pergunta Jack coçando a cabeça e o olhar do professor muda, já não era mais sério e sim triste.

    – É verdade... vocês enfrentaram bastante coisas nesses anos em que estiveram em Draconia. – Fecha os olhos. – Vocês sofreram, lutaram, protegeram uns ao outros e ainda ajudaram o mundo da magia, isso realmente não tem preço. Mais ai eu pergunto a vocês? – Se agacha fazendo todos o olharem nos olhos. – Será que isso justifica o comportamento de vocês hoje?

    Aquelas palavras entraram como farpas dentro dos corações de Jack, Mérida, Rapunzel e Soluço.

    – Se nós tivéssemos sido mais pacientes... – Comenta Soluço.

    – Poderíamos ter ajudado o menino a capturar o mafioso. – Diz Rapunzel juntando os fatos.

    – Aí, talvez a gente não estivesse nessa situação, né? – Pergunta Jack que vê o professor confirmando com a cabeça.

    – Vocês viram agora! Calma, reflexão, concentração, sabedoria e foco! Sei que isso pode ser difícil em um momento de batalha e principalmente com a vida de um amigo em risco, mais é nessas horas que devemos mostrar nossa força e superioridade e infelizmente você não usaram nenhuma delas! Por exemplo! – Se levanta. – Jack havia congelado o braço do menino... aqui em si já havia salvo Tadashi, Rapunzel ainda foi mais rápida e imobilizou os pés do menino, Mérida por sua vez retirou o transmissor que dava os comandos ao robô e Soluço inutilizou a arma principal do adversário que seria o próprio robô. Vocês foram perfeitos em tudo, só se esqueceram de um detalhe crucial! E qual seria esse? – Pergunta para os jovens que estavam mentalizando o ocorrido. Foi então que Soluço murmurou...

    – O mafioso... – E dá um tapa na própria testa e o professor concorda com a cabeça.

    – Exatamente! – Se levanta novamente e continua; – Quando vocês imobilizaram Hiro podiam muito bem ter ido atrás de Yama ou quem sabe até imobilizado e PRONTO! Caso resolvido, vocês poderia até estar recebendo uma recompensa agora, mas não... acabaram aqui acusados de obstruir a justiça e o mais incrível de tudo! VOCÊS AGREDIRAM UM FUTURO COLEGA DE ESCOLA!

    Nessa hora ao ouvirem a palavra colega de escola os quatro ficam mudos, fazem caretas pensando até que a ficha cai...

    – O QUÊ!!! – Berram o grupo.

    – O Hiro foi convidado para estudar em Draconia?! – Exclama Tadashi do outro lado da mesa com a revelação de sua tia.

    – Sim... ele foi. – E abre a bolsa que está com ela e de dentro retira um envelope muito familiar para o adolescente. Coloca sobre a mesa empurrando até ele. – Era para eu estar feliz por ter meus dois sobrinhos estudando na mesma escola de magia e feitiçaria, não sabe como isso me deixaria orgulhosa. No entanto... – Diz Tia Cass com uma voz fria que Tadashi não reconhecia, nunca a viu com aquele olhar frio, calmo e sério. Ela sempre foi eufórica, divertida e muito espontânea, mas hoje ali diante dele, estava uma mulher adulta, que perdeu a irmã e o cunhado e assumiu a tutela de seus dois sobrinhos e deu tudo de si para que eles pudessem crescer fortes e felizes.

    Mais a vida é uma caixinha de surpresas...

    – Posso ler? – Pergunta o jovem para a tia, que não respondeu apenas meneou a cabeça em confirmação. Então ele abre o envelope e lê o conteúdo:

    Para: Hiro Hamada.

    Cidade de San Fransokyo.

    Informamos que você foi formalmente aceito na escola de magia e feitiçaria de Draconia!

    Lar de alguns dos mais brilhantes e renomados professores de todos os tempos; aqui você apreendera a se defender e a lutar por seus sonhos e desejos.

    Seus matérias e equipamentos de estudo serão fornecidos pela escola como cortesia de mais um ano letivo que se inicia.

    Pedimos que leve mudas de roupa e utensílios pessoas para higiene e é permitido levar uma mascote.

    Aguardamos-lhe no dia 31° de Agosto na Estação da Luz, às 09h00min da manhã!

    Com agradecimentos; Diretor Odin Asgard, diretor interino, chefe da escola, soldado universal, comandos em ação, maluco beleza e filosofo nas horas vagas!

    P.S: Não se atrase!

    Um sorriso surgiu na face do jovem.

    – As mesmas palavras, o mesmo jeito brincalhão de ser, o Diretor Odin não muda mesmo. – Logo após pousa a carta sobre a mesa. – O Hiro... já leu isso?

    – Já... e jogou no lixo logo em seguida!

    – O QUÊ?! – Exclama o rapaz se levantando. – Ele é louco! Acabou de receber um convite para estudar na melhor escola de magia e feitiçaria que existe e ele joga a carta no lixo!!! O que se passa na cabeça dele?

    – Sensatez! – Exclama Tia Cass. – Talvez raiva, isolamento, abandono, quer mesmo que eu continue Tadashi?

    Não ouve resposta.

    O jovem apenas se senta na cadeira e afunda sua cabeça entre as mãos.

    – Como ele tá? – Sua voz saiu como um sussurro, mas o bastante para sua tia ouvir.

    – Ele vai sobreviver, isso o que importa. – Responde Tia Cass. – Mais agora eu pergunto... o que você vai fazer Tadashi?

    Não ouve resposta.

    – Eu avisei a você... diversas e diversas vezes... que se seguisse por esse caminho haveria consequências, não disse?

    Ele não respondeu, apenas fechou os olhos, as palavras que sua tia dizia foram às mesmas que ela disse há alguns anos atrás. 

    – Avisei o que te esperaria pelo caminho, mas você é teimoso e não houve ninguém. – Diz sua tia seria. – Eu fiz minha parte e não contei ao Hiro o real motivo de você não ir nos visitar e o que você faz?

    Ele podia ouvir a voz da tia agora embarcada em fúria e lágrimas.

    – Você afasta as únicas pessoas que te amam de verdade para longe e para que... por vingança?! – E ela bate na mesa. – Me responda... valeu a pena?!

    “Valeu a pena?”

    Ele pensa.

    – Se valeu a pena a senhora me pergunta? – Ergue sua face e o que sua tia viu foram olhos escuros de seu sobrinho em chamas e ele responde... – Valeu toda a pena!

    Os olhos azuis de sua Tia ficaram turvos com o que ouviu.

    – O quê?

    O rapaz agora olhava sua tia com outra feição.

    – Hoje... mas do que nunca eu tive certeza da minha escolha! – Apoia as mãos sobre a mesa. – Eu sabia que ele existia, mesmo que muitos dissessem o contrário eu sabia que ele existia e hoje quando eu vi o robô do Hiro... eu tive a confirmação!!! – E se levanta da cadeira e grita; – ELE EXISTE!!!

    Ao ouvir aquele grito sua tia o olhou pasma. Viu os olhos puros do jovem que ela cuidou brilharem em desejo e sede de sangue. A vingança o levou a um caminho muito diferente e perigoso, um caminho ao qual ela não reconhecia mais seu sobrinho e sim.

    – Uma outra pessoa. – Diz ela deixando cair uma lágrima de seus olhos. – Você mudou.

    O jovem não respondeu, apenas encarava serio sua tia.

    – Você realmente foi consumido Tadashi... – Se levanta pega sua bolsa e caminha passando por ele e sem se virar diz; – Eu não te reconheço mais... você se tornou um estranho para mim e para o Hiro então se somos um incomodo para você e sua vingança... – Suspira. – Não nos procure mais, entendeu?!

    E ela ouve a resposta.

    – Entendi.

    Ouviu essas palavras da boca de seu sobrinho mais velho que não se virou para encara-la e com seu coração despedaçado deixa a sala deixando o jovem sozinho naquele cubículo que se senta na cadeira e afunda o rosto na mesa onde não se conteve mais e chorou, por raiva, ódio e remorso.

    “Perdão tia Cass, mas eu não posso mais parar, não agora!” 

    Na cela...

    – Deixa eu ver se minha caixola entendeu? O pirralho que nós atacamos e que a Mérida rebocou na porrada... é um futuro aluno da nossa querida escola? – Pergunta Jack com os olhos semicerrados e coçando o queixo.

    – E indicado por MIM! – Exclama o professor Kojiro.

    Silencio apenas o som de veículos circulando lá fora era ouvido, até...

    – QUE MERDA! – Exclama Jack.

    – MERDA TRIPLA!!! – Brada Mérida.

    – MERDA ELEVADA À QUARTA POTÊNCIA!!! – Grita Soluço colocando as mãos sobre a cabeça.

    – A gente tá frito... – Murmura Rapunzel choramingando.

    – Ohhh, vocês estão! Se já era ruim atacar um civil, um aluno da escola então... bom, agora sem mais delongas eu vou preparar a papelada de expulsão de vocês e...

    – Professor Kojiro!

    – Hum?

    Uma voz fermina ecoa pelo corredor das celas. O professor se vira e vê uma senhora que ele conhece muito bem do lado de fora da cela.

    – Senhora Hamada?! – Exclama confuso o professor que se vira encarando a tia de Hiro e Tadashi.

    – Ei! Não é... – Começa Zie.

    – A tia do Tadashi! – Comenta Mérida.

    Tia Cass se aproxima da cela olhava com olhos aflitos para o professor que sem pensar duas vezes abre a cela e sai a seu encontro.

    – Senhora Hamada, aconteceu alguma coisa? Seu semblante...

    Kojiro viu o olhar de preocupação da moça e sente as mãos tremulas da senhora segurarem as suas e diz:

    – Preciso falar com o senhor, não, preciso pedir algo ao senhor... pode me ouvir? Prometo que serei breve.

    O professor olhou surpreso para a senhora, depois para seus alunos que não estavam entendo o que a tia de seu amigo fazia ali, então decide seguir seus instintos e responde:

    – Com certeza lhe ouvirei senhora, diga o que lhe aflige?

    Tia Cass agradece as palavras do samurai, olha para os amigos de seu sobrinho que já estavam colados na grade intrigados com o que estava acontecendo então com um meneio de cabeça pede para se afastar com o professor dando a entender que queria falar em particular. Kojiro confirma com a cabeça e se volta para os alunos.

    – Vocês quatro não saiam daí! Ainda não terminamos! – E se afasta com a senhora e adentram a uma outra sala, deixando só os quatro sozinhos com expressões perdidas.

    – O que será que ouve? – Pergunta Zie confusa.

    – Não sei, mas a cara da tia, não era boa! – Comenta Jack se dependurando de cabeça pra baixo na grade.

    – Espero que não seja nada com relação ao menino, o estado dele não deve ser dos melhores. – Agora foi à vez de Soluço se manifestar.

    – Quem liga para aquele pirralho! – Resmunga Mérida se sentando no banco cruzando os braços e as pernas. – É por causa dele e daquele robô maluco que estamos nessa situação eu não me preocuparia nem um pouco se ele...

    – NÃO TERMINE ESSA FRASE!!! – Grita Soluço assustando a ruiva e os demais, até Jack caiu da grade se estabacando no chão.

    O herdeiro de Berk tinha uma feição dura em seu rosto, olhava para a amiga descrente e com frieza, coisas que ele dificilmente fazia. Então sem avisar segura a jovem pelos braços e a prensa na parede, aproxima seus olhos verdes que assumiam uma forma reptiliana deixando a menina tensa.

    – S-Soluço? – Foi o que Mérida conseguiu dizer. O simples olhar do garoto deixou a garota desarmada, sentia seu corpo todo tremer e a suar Aura ser sobrepujada pela dele.

    – Nunca deseje a morte de ninguém Mérida... NUNCA! Às palavras tem poder e no mundo da magia isso é ainda mais forte! – Aperta ainda mais os braços da garota que dá um gritinho de dor.

    Zie ao ver aquilo tenta intervir, mas e contida por Jack que pede para ela não interferir.

    E o rapaz de Berk continua:

    – E o pior minha cara... é que as palavras ou maldições ditas, podem se voltar contra você! Com o dobro de força, você está me entendo?

    Mérida arregala os olhos ao ouvir tais palavras, realmente haviam estudado sobre isso, sobre o poder das palavras. Ela se sente mal, abaixa a cabeça e murmura:

    – Eu... nem pensei... eu apenas...

    – Pois pense mais Mérida, nem sempre vamos estra perto de você pra te ajudar a tomar a decisão certa! – E larga a menina que cai sentada no chão e de imediato abraça os braços que doíam muito.

    Zie sem pensar se desvencilha de Jack e vai até a amiga.

    – Tudo bem amiga?

    Mérida não respondeu, apenas meneou a cabeça e para espanto de Zie ela viu algo que parecia ser uma lágrima escorrer pelo rosto da amiga, mais que ela secou rápido. 

    – Méri... – Então olha para Soluço que havia se sentado novamente no banco, ainda com sua feição seria, porém seus olhos já estavam normais. Em seguida olha para a amiga e pergunta: – Mérida... por acaso você?

    E a jovem ruiva levanta seu rosto que estavam úmidos e sem pensar puxa a amiga para um abraço e sussurra.

    – Se você contar pra alguém eu arranco seus cabelos!

    Apesar das palavras meio duras e extremas da amiga, Zie a abraça com carinho. – Pode deixar não vou falar nada, mas admito... fiquei surpresa.

    – O que vocês duas tão cochichando ai, hein? – Pergunta Jack se aproximando das duas.

    Na mesma hora Mérida se levanta esfrega as mãos no rosto e ajeita os cabelos rebeldes e diz do seu jeitinho meigo:

    – Vai a merda Frost!

    Jack ao ouvir aquilo sorri bobo e diz erguendo os braços:

    – Viva! Ela voltou ao normal!!!

    – A seu!!! – Mérida em pouco segundos avança em Jack e pega em um matá-leão e mordendo sua cabeça.

    – UUAAAAHHHH!!!! SOCORRO POLICIA! ELA QUER ME MATAR E ME COMER!!! ONDE ESTÃO OS POLICIAS NESTA HORA! Ah, mais perai eu esqueci... a gente já tá na polícia, então... SOCORRO SEU GUARDA ACUDA!!! – Grita Jack a plenos pulmões pedido socorro. Rapunzel tentava soltar os dois desesperada enquanto Soluço continuava parado, quieto e sem se preocupar com a briga dos dois aliás já estava bem acostumado com isso. Foi então que ouviram uma porta se abrindo e passos se aproximando, ao sentirem aquela Aura assassina e familiar Mérida solta Jack que cai no chão e se senta puxando Rapunzel pro seu lado já Jack se senta no chão mesmo, mas arrumando o cabelo para esconder as maracas dos dentes da amiga.

    Então Kojiro voltou até eles e todos sem exceção puderam reparar o sorriso que tinha em sua face.

    – Sabem? Vocês tem uma sorte muito, muito, mais MUITO grande mesmo!

    – Ah? – Expressão os quatro.

    – O-O que quer dizer professor? – Pergunta Zie.

    O professor cruza os braços e responde:

    – Que vocês tem muita sorte e por um milagre que acabou de acontecer... eu decidi... que não vou relatar isso ao conselho de magia, a escola, a seus pais e por fim... significa que vocês não serão mais expulsos!

    Ao final daquela frase Kojiro pode ver os olhos dos quatro, brilhavam como perolas, abriam e fechavam a boca sem sair palavra nenhuma e por fim viu os sorrisos se estamparem e eles gritarem principalmente uma ruiva e um albino:

    – VIVAAAAAAAAAA!!!!!!

    – UUHHHHUUUUUUU!!!!!

    Jack e Mérida berravam, pulavam, dançavam e se abraçavam. Rapunzel chorava copiosamente chegando a soluçar e Soluço se reclinou no banco com a mão no peito sentido que perdera dez anos de sua vida.

    Os quatro estavam felizes e contentes, porém...

    – Eu ainda não acabei. – Diz Kojiro batendo palmas chamando a atenção de todos.

    – Aí, sabia que tava bom demais pra ser verdade!

    – Pois é Jack é não vou relatar o ocorrido, mas não quer dizer que vocês vão sair dessa, como posso dizer... sem consequências.

    Os quatro se entreolharam confusos o que o professor teria em mente.

    Mérida tomou coragem e pergunta:

    – E que consequências seriam essas, professor?

    Ele sorri frio deixando os quatro em pânico.

    – Vem merda aí! – Sussurra Jack

    – Oh, si vem Jack, pode apostar nisso! – E sorri malignamente.

    Fora da delegacia no hospital da cidade, Tia Cass caminhava pelos corredores. Estava cansada e com seu coração pesado devido a tudo o que aconteceu. Para sua caminhada olha para os lados e se vê sozinha, então abre sua bolsa e de lá tira um embrulho, mais precisamente uma carta com o emblema de Draconia. Ela o segura com as duas mãos e se recorda das palavras ditas por Kojiro...

    – Sei que pode parecer insistência da minha parte, mais quero que fique com isso.

    Entrega o embrulho para ela.

    – Isto é?

    – Uma segunda via da carta que enviamos a Hiro. – Responde o professor. – Eu sei que tudo isso foi difícil para a senhora, mas eu não quero desistir, ou melhor, eu não posso!

    – Como disse?

    – Minha senhora eu vejo em Hiro um potencial extraordinário para fazer grandes coisas e seria um completo desperdício de suas habilidades e talento se ele ficasse aqui... o que quero dizer é... ­– Segura ambas as mãos dela. – Que é hora de ele sair do ninho, não acha?

    Essas palavras ecoavam repetidamente em sua cabeça enquanto olhava para a carta com o nome do menino, então fecha os olhos, aperta forte a carta e caminha até o quarto que seu sobrinho esta e para sua surpresa o vê sentado na cama.

    – Hiro!

    – Tia? – Pergunta ele sentado ainda com os olhos vendados.

    – Meu querido... – Ela se aproxima. – Você está se sentindo melhor?

    Ele respira fundo:

    – Um pouco, o bastante para me mover.

    Sua tia não consegue conter o alivio e deixar cair algumas lágrimas.

    – Que bom, não sabe como fico aliviada.

    O menino sorri e ergue sua mão esquerda e sua tia a segura e dá um beijo nela.

    – Te amo. – Diz ela emocionada.

    – Eu também. – Responde sorrindo, para logo em seguida dizer. – Tia... eu tomei uma decisão.

    – Decisão? – Pergunta ela surpresa. – Que decisão?

    Um silencio se segue entre eles até o garoto dizer:

    – Eu decidi... aceitar o convite e ir para Draconia.

    Foram as palavras ditas por Hiro que deixaram sua tia estática e sem reação.

    – Por quê? – Ela pergunta. – Porque aceitaria logo agora depois de tudo o que aconteceu a você?

    Tia Cass pergunta em suplica, não sabia o que passava na cabeça do menino.

    Mais sabia que não era algo bom.

    – Achei que odiasse a magia meu querido? – Pergunta para ele e a resposta foi um sorriso.

    – E eu odeio... mas começo a perceber que... vou precisar da ajuda dela se quiser achar o Weltall, tia.

    ­– Hiro... – Os olhos de sua tia se arregalaram com tal revelação.

    – Sei que meu irmão e grupo de idiotas dele estarão lá. E esse é mais um motivo para eu ir! – Serra seus punhos com força. – Eu quero que eles paguem pelo que fizeram comigo e com meu amigo! Já chega de sofrer abusos e valentia de outros só por eu ser inteligente é hora de usar isso para algo maior e esse algo é...

    Uma brisa cruza o quarto em que eles estão. A luz da lua resplandece e o jovem proclama:

    – Achar o meu amigo e traze-lo de volta! Esse é meu objetivo e meta!

    Foram as palavras fortes e corajosas do jovem Hiro Hamada que fizeram sua tia derramar lagrimas, vendo que o sobrinho mais novo tinha algo diferente, algo que seu irmão não tinha, algo que todo usuário de magia deve ter que é...

    “Esperança!”

    E sem duvidar mais ela entrega o embrulho com a segunda via destinada a ele e assim mais uma história se inicia!


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