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Tempo estimado de leitura: 28 minutos

    12
    Capítulos:

    Capítulo 1

    Onde tudo começou

    Linguagem Imprópria, Spoiler, Violência

    Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

    Os assunto abordados pelos personagens, assim como suas ideias e pensamentos, não condizem com as do criador dessa história. Os assuntos tratados são abordados para contextualizar a sociedade da história.

    Esta fanfic não foi feita para depreciar tampouco trazer qualquer tipo de dolo para com os fãs dos temas citados. A liberdade de expressão é permitida a todos os brasileiros. Nota: o autor dessa história não compactua com quaisquer tipo de discriminação ou preconceito. Mantenham a mente aberta e saibam respeitar o gosto alheio.

    Boa leitura.

    Município de Areia Branca/SP. Dias atuais.

    A cidade de Areia Branca era uma daquelas tradicionais próximas a capital, porém com costumes interioranos. Embora pacífica, tinha uma população em torno de vem mil pessoas. Com vários bosques e bastante vegetação, a cidade tinha também ruas largas e casas dos mais variados tipos, desde o rústico ao moderno. Haviam poucos prédios na cidade, onde se podia ver o horizonte com facilidade, coisa rara nos tempos modernos. De noite, pela iluminação não ser abundante por todas as ruas, era possível ver nitidamente o céu estrelado, trazendo um pouco de romantismo, este que poucos praticavam no tempo atual.

    Nossa história começa na casa da família Cardoso, uma família tradicional brasileira. Tomás Cardoso trabalhava no jornal local, a ?Gazeta de Areia Branca?, como colunista. Jornalista desde seus vinte e três anos, tem como especialidade escrever e comentar sobre esportes. Mas tinha conhecimento de mídias digitais de forma geral. Sua esposa, Fátima Lima Cardoso, era uma psicóloga especializada em terapia em grupo. Formada em pós graduação na área da gestalt-terapia, tinha um consultório no centro da cidade. E, por último, sua filha, Isadora Lima Cardoso, a Isa, como seus amigos a chamavam. Adolescente de dezesseis anos, estuda no colégio mais conceituado da região, o Colégio de Aplicação Silas Romão, que tinha parceria direta da Universidade de São Paulo, A USP. Praticamente todo aluno formado por lá conseguia ingressar na universidade.

    Dito isso, e seguindo com o cotidiano do lugar, um dos nossos protagonistas, o senhor Tomás Cardoso, escrevia sua coluna no jornal onde trabalhava. Já prestes a chegar a hora do almoço, seu encarregado de sessão, o senhor Rubéns da Silva Maroto, mais conhecido como ?Maroto?, se aproxima de seu funcionário e diz:

    - Cara, dá um tempo nessa escrita aí. Vamos comer.

    - Ah tudo bem. Já estou terminando, Maroto. Espere lá no refeitório.

    Era de praxe todos os funcionários se alimentarem no refeitório do jornal. A comida era ótima, com um buffet completo, atendendo a todos os tipos de comida.

    Já a mesa, durante a refeição, Maroto diz:

    - Tommy, eu estou mesmo gostando desse mês. Tá tudo mundo te elogiando pelo trabalho que você tem feito.

    - Obrigado, mas você não?

    - Não o que?

    - Me elogiar? Hehe... Relaxa. Estou brincando.

    - Entendi, Tommy. Não, de boa. É que a galera da capital está ficando interessada nos seus textos e não quero perder você no momento.

    - Quanto a isso não se preocupe. Não penso em sair dessa cidade tão cedo.

    - Mas tipo, eu notei que você tem estado um pouco estressado esses dias. O que aconteceu?

    - Ah Maroto... Eu e a Fátima estamos tendo problemas...

    - Que isso, cara?! A Fatinha não...

    - Não, estamos muito bem um com o outro. Não estamos em crise, relaxa.

    - Então?

    - Estamos com problemas com a Isa.

    - Que tem ela?

    - Ela está com umas manias escrotas que... P*ta que pariu...

    - Tão tenso assim?

    - Você nem imagina. Ainda mais com essa turma do Facebook que ela conheceu. Aí você soma com a turma da escola e do condomínio e no fim você percebe que está no meio de um exército xiita de cultura pop do pior tipo.

    - Hã? Só que você está falando?

    - Cara, eu sou até muito tolerante com gosto alheio, mas cara... que m*rda que estão fazendo com essa geração...

    - Entendi, Tommy. Você está no período de transformação que todo pai passa.

    - Qual?

    - Você está virando um ?tiozinho?, haha ? Disse Maroto, rindo alto.

    - Ah muito engraçado, Maroto. Você não tem ideia de como essa geração é alienada com essas coisas...

    - Você foi assim também, cara. Relaxa. Esses jovens só estão curtindo a vida.

    - Eu sei, Maroto. Mas Isa está exagerando. Não é saudável.

    - E o que ela fez?

    - Cara, ela deixou de ir fazer a prova pra assistir um show ao vivo.

    - Opa, isso já é mal. E onde foi?

    - Pasme: na Coreia do Sul.

    - C**alho! Como assim, cara? Isa foi pra lá pra isso?

    - Não, maluco. Ela viu pelo computador. Via streaming. Essa m*rda passou ao vivo para o mundo todo. E ela pagou pra ver.

    - Desculpa a curiosidade: quanto te custou?

    - Trezentinho.

    - P*rra. Pra assistir pela internet...

    - É. Eu tô ligado. Ela deixou de ir para o colégio. A diretoria ligou pra casa perguntando se aconteceu alguma coisa. E aconteceu mesmo: a irresponsável ficou assistindo aquela m*rda e não foi fazer a p*rra da prova.

    - Cara, isso sim é um problemão.

    - Se é. Isa tá fissurada nessas coisas...

    - Mas é só pedir pra ela maneirar.

    - E você acha que isso funciona? Se só fosse ela, tudo bem. O problema é todo o contexto.

    - Como assim?

    - Essa turma dela. Fátima já conversou com ela inúmeras vezes e até conseguiu algum progresso. Só que basta ela interagir com seus amigos e tudo é perdido.

    - Essa gente é má influência.

    - Pior. É praticamente uma civilização nova, com ?deveres e princípios?.

    - Hahaha! Essa foi boa!

    - É pra rir pra não chorar.

    Terminado o almoço, Tomás retornou para seu trabalho, terminando de escrever errar no fim do expediente. Durante o retorno para sua casa, pelo viva voz de seu carro, recebeu uma ligação de sua esposa, que diz:

    - Tommy, já está voltando?

    - Já sim. Quer que eu passe no mercado pra levar algo pra casa?

    - Não. É por causa da Isa.

    - Que aconteceu?

    - O mesmo de sempre.

    - Ah já esperava. Tudo bem. Logo estarei aí.

    Minutos depois...

    Já em sua casa, assim que entra na sala, Tomás encontra sua mulher e sua filha sentadas. Logo ele pergunta:

    - O que houve dessa vez?

    - Diz pra ele, Isa.

    - Pai... Eu preciso muito ir num evento aqui próximo com minhas amigas. Muito muito mesmo ? Disse Isadora, se levantando até seu pai.

    - Muito bem. Onde, com quem e que horas.

    - Tá: No clube Hebraica, com minhas amigas, uma hora da tarde.

    - Entendi. Evento de anime, não?

    - Sim.

    - Termina que horas?

    - Dez horas da noite.

    - Muito bem. Você pode ir, mas quero você de volta as oito horas.

    - O que? Mas pai... É exatamente nessa hora que vai ter o show do cover do BTS! Eu não posso perder isso!

    - Você quer ir ou não? Se quiser ir, volte as oito horas. E aí, como vai ser?

    - Pai... Pai... Você não entende! Eu preciso... EU NECESSITO estar lá pra ver esse show!

    - E eu necessito que você esteja aqui as oito horas. Entendeu?

    - Para de ser tão estúpido! Só tô te pedindo isso! Eu não posso perder!

    - Isa, oito horas aqui. Fim de papo!

    - P*rra! C***alho! Vocês dois tão f*da mesmo, hein! Ah mas que m*rda! Tá, tá, pai... Que m*rda...

    - Isadora, cale-se! Não quero você voltando a falar com a gente dessa forma outra vez!

    E a jovem, indo parte seu quarto, assim que estava a porta, diz:

    - Vão pro inferno!

    E em seguida bate a porta com toda a raiva que estava sentindo, evidenciando sua frustração de não poder ver o show. Sua esposa então se senta ao seu lado e diz:

    - Eu avisei a ela antes, mas ela não aceitou.

    - Deixa ela. A garota vai superar.

    - Tommy, estou mesmo preocupada tudo isso.

    - Eu não. É só uma fase.

    - Uma das amigas dela é a professora. E ela vai nesse evento.

    - Como é? Quantos anos ela tem?

    - Ela é mais velha que eu.

    - Ok... Ok... Agora vejo que pode não ser uma fase... ? Disse Tomás, agora com um semblante mostrando aflição.

    - Nós poderíamos buscá-la lá no Hebraica.

    - Adolescente não fica até às dez horas na rua, Fátima. Sem chance. Fora que ela já está no lucro. Por sorte ela conseguiu fazer segunda chamada da prova e tirou uma boa nota.

    - Entendi, mas isso tudo que tem acontecido...

    - Estou sabendo. Mas eu tenho uma dúvida.

    - Hã? E qual seria?

    - Que m*rda é essa de BTS?

    - Hehehe... É uma banda coreana. Eu estive pesquisando no serviço. O nome da banda na verdade é Bangtan Sonyeodan.

    - Ah caramba... Nossa, esse nome... Meus trezentos reais...

    - Querido... Ela gosta dessa banda. Ela precisa se divertir também...

    - Eu também gostava dos meus trezentos reais... E ela gastou com isso...

    - Tommy! Esqueça isso. Tudo bem que você quer ela aqui as oito da noite, mas ela só quer se divertir. Não é nada sério.

    - Nada sério? Fátima, ela nunca usou o cartão escondida. Isso abre pretextos pra coisa pior no futuro. Não vou deixar minha filha se transformar numa alienada.

    - Na época que a gente namorava na escola você adorava o U2.

    - E gosto ainda.

    - Então... Isso faz parte.

    - Fátima, não vou negar isso. Eu adorava essa banda. Hoje eu só gosto. O lance é que eu nunca escondi nada dos meus pais. Se eu cometi excesso alguma vez eu cheguei na frente do meu pai e disse ?eu errei! E devo pagar por isso!?. Dito e feito, preto no branco. Fim da história. Meus pais confiavam em mim por causa disso. Agora Isadora já está na fase que me incomoda.

    - Tudo bem, Tommy. Mas o que você está fazendo é o certo.

    - Eu sei...

    Depois da conversa, Tomás foi tomar um banho, a fim de tentar relaxar um pouco. Sua esposa voltou a revisar testes psicológicos que havia feito no consultório. E poderia ser dizer que Fátima também teve um dia cheio, pois haviam muitos papéis sobre sua escrivaninha, tenso em vista que, como psicóloga comportamental, precisava guardar a todos os testes e em absoluto sigilo.

    Enquanto isso, Isadora ficou em seu quarto conversando com seus amigos pelo WhatsApp. Como de praxe, a jovem respirava kpop: fazia parte de um grupo unicamente sobre isso e passava horas conversando exclusivamente sobre esse tema. Mas além disso, era fissurada em cultura japonesa, como jpop e parapara e, como esperado, animes e mangás. Todo seu quarto era ornamentado com temática oriental, arremetendo a cultura do país nipônico e coreano.

    Horas depois...

    Durante o jantar, com todos sentados a mesa, Fátima logo abre um assunto:

    - Isa, e como foi a escola hoje?

    - Uma droga. Fizeram audição de português. Ferrou metade da classe.

    - Mas isso é muito útil para o vestibular.

    - Útil nada. Querem é encher o saco mesmo...

    - Isa, olha os modos!

    - Ih relaxa, mãe. Tô dizendo, já tô na USP. Arquitetura tá chamando já. Tô bem.

    - Não exagere na confiança.

    - Relaxa. Tô de boa.

    - Você deveria ouvir sua mãe. Vá com calma na confiança. Ninguém quer pessoas cheias de si na faculdade. Lá é um lugar de conhecimento e responsabilidade ? Disse seu pai, voltando a comer.

    - Ah falou o velho que não confia na própria filha. Por favor, né? Me deixa.

    - Quem é velho aqui, mocinha? Olha o respeito, hein.

    - Tu que é o velho. Tô cansada dessa conversa. Dá licença... ? Disse Isadora, se levantando.

    - Não vai comer a sobremesa, querida? ? Disse Fátima, preocupada com dia filha.

    - Não. Perdi a vontade. Não adianta nada comer esse doce e ter esse velho amargo aí pra encher o saco. Tô indo nessa. Boa noite pra quem fica. Tô de boa...

    Ficando a mesa restaram Fátima e Tomás, que estava mesmo mostrando incômodo com a situação. Sua esposa, sabendo disso, diz:

    - Tommy, não acha que deveria conversar com ela em particular?

    - Fátima, relaxe. Ela ainda está chateada com aquilo. Deixa ela. Eu sei lidar com isso.

    - Sei... Bem, você quem sabe. Aliás, você alguma vez se interessou em ouvir essas músicas dela?

    - Não e nem quero.

    - Olha, melhor você ouvir. Mesmo que seja só um pouco. Quero saber sua opinião.

    - Droga... Tudo bem, Fátima. Quando eu for fazer as revisões de texto dos artigos eu vou dar uma chance.

    - Tudo bem. Mas olha lá o que você vai fazer, hein. Sem gritaria nem palavrão. Já está um pouco tarde.

    Tempo depois...

    Escritório, 23:00 pm.

    Tomás, já em seu escritório, começou então a revisar todo o texto deve seu artigo. Escritor nas horas vagas, o assunto em questão era sobre ?dividendos do futebol?, onde estava fazendo parte de uma equipe de investigação sobre os gastos dos clubes de futebol do interior do Estado de São Paulo. E estava mesmo envolvido com o assunto, já que passou boa parte da noite transcrevendo e revisando o texto.

    Terminado seu trabalho, passou então a cumprir a promessa que fez a sua esposa: dar uma chance ao infante estilo musical de sua filha. Embora tivesse noção do ridículo, era de conhecimento de todos que nutria um preconceito muito grande por coisas que não conhecia. Sua esposa sabia disso e foi um dos motivos que ela o fez experimentar ouvir. A música em questão foi ?Ddaeng?. Foi somente colocar o play no YouTube e começou: Tomás quase teve uma convulsão durante a música, que já estava na metade.

    - Cara é isso que ela fica ouvindo? Não tinha noção que coreano parecia aramaico. Que língua feia, meu Deus. Parece até que tem alguém querendo cantar rap mastigando chiclete, cana e bala Halls tudo ao mesmo tempo.

    E logo se prontificou a procurar a tradução. E a coisa piorou:

    - Tudo é incorreto nessa m*rda! Cara, que letra escrota do c**alho! Pior que ainda assim é melhor que funk.

    Porém, para manter a promessa, se interessa em ouvir outras. A escolhida em questão foi ?Bae Bae? da banda Bang Bang. Bem, durante a música até houve uma certa quietude com relação a qualidade da música em si. Porém ao ver a tradução, as coisas mudaram:

    - Que p*rra é essa de ?sangue tá correndo pra aquele lugar? e ?não perca suas pétalas?? Cara, se Caminha fosse vivo na certa iria pensar que quem escreveu isso estava cansado do romantismo e resolveu ligar o f**a-se de uma vez. Duplo sentido escancarado. Essa música não deveria estar sendo direcionava a adolescentes, p*ta que pariu.

    Por horas Tomás se envolveu mesmo com o mundo do kpop. Ele ficou buscando notícias sobre a atualidade do estilo, assim como as bandas mais cultuadas, músicas idolatradas pelos fãs e, como esperado, tudo de polêmico e tóxico nesse universo musical. No fim de sua pesquisa, que o fez investir seu tempo sobre tudo de forma analítica, tratou logo de divagar consigo mesmo.

    - Isa tem se envolvido com isso todo esse tempo e eu só agora fiquei sabendo... Cara, tem muita coisa errada nisso. Bem, eu não posso tirar esse prazer dela, mas não posso deixar que fique sem restrições... Não, se eu fizer isso estarei sendo ?tiozinho? do mesmo jeito. Cara, acho que todo pai ou mãe deveria ficar por dentro de tudo isso. Estou certo que muitos sequer tem conhecimento de tudo isso, ignorando as letras que são cantadas em coreano. E essa polêmica toda aí de nazismo e outras coisas? Não, eu preciso fazer alguma coisa.

    Ele então começa a buscar pela internet sobre algum site que explique exatamente como se encontra o mundo pop em geral, especificamente sobre a influência cultural asiática no Brasil. Sem sucesso.

    Na verdade houveram sites que de fato eram centrados no tema, mas de forma muito parcial, omitindo notícias e escândalos. Tomás estava frustrado, pois queria mesmo achar um porto seguro para poder compartilhar com seus amigos. Mas em vão. Tudo o conteúdo mostrado na internet era relevante somente para quem tinha entendimento do assunto. Não era uma terra para ?noob?. Um leigo sobre o assunto teria dificuldades plenas de não conseguir entender nada de forma simples. Até que Tomás tem uma ideia.

    - Espere... Já que não tem lugar algum que explique o que anda acontecendo e como nossos filhos estão sendo influenciados por tudo isso, porque eu mesmo não faço isso? Ah sim! Isso mesmo! Mas como poderia fazer?

    E ao pensar por alguns instantes, logo se recorda de quando era mais jovem: Tomás era um dos moderadores e escritores de um mini site sobre esportes em 1999. E já com a ideia na ponta da língua, diz:

    - É isso! Acredito que não existia até hoje algo mais democrático, simples e acessível que um blog! Haha! Isso mesmo!

    Ele imediatamente procurou por um site de hospedagem de blog. Assim que encontrou um bem amigável, logo tratou de começar a escrever sobre o assunto. Mas antes, deveria dar um bom nome ao seu blog. Não demora muito e logo fiz:

    - ?euodeiokpop.com?? Não, muito brega e já tá me entregando até. Tenho que colocar um nome que defina bem meu objetivo mas sem ser cafona. Tem que ser um nome bem opressor... Espere! Já sei!

    E logo consegue a aprovação do domínio. E ficou como:

    - Pronto. Agora sim! www.proibidogostar.com! Hehe. É quase como voltar no tempo de escola. Hora de escrever agora...

    Continua.


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