Seize The Day

  • Gabbysaky
  • Capitulos 26
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 16 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 10

    Lar das Joaninhas

    Hentai, Linguagem Imprópria, Sexo

    Boa Leitura

    Sasuke e Sakura estavam no carro. Ele explicava seu plano. Não era nada muito difícil, mas provavelmente só Sakura conseguiria, por ser uma Hyuuga. Depois de ambos deixarem Mayu e Daisuke com Mikoto e Fugaku, eles entraram no carro e partiram para o orfanato. Sasuke tinha contado sobre como Kazumi tinha desaparecido, e assim como ele, ela achou estranho. Apesar de se conhecerem á pouco tempo, Sasuke confiou em Sakura, quando contou sobre suas suspeitas sobre o pai de Rin. Ela ficou incrédula, mas entendeu porque Sasuke tinha aquele tipo de desconfiança. Sasuke parou o carro na frente do novo orfanato. Depois do que houve eles tinham reconstruído e colocado o mesmo nome de antes.  

    — Sabe o que fazer, né? 

    — Eu tenho que conseguir os registros sobre as crianças que moravam aqui na época do incêndio. 

    — Eles vão dizer, provavelmente, que está tudo destruído. 

    — Mas isso seria uma mentira, já que os registros devem estar arquivados em um computador. – Sorriu. – Eu sou sobrinha de Hyuuga Hiashi, muita gente me conhece..., vou conseguir esses documentos. – Ele assentiu. – Só uma pergunta. 

    — Diga.  

    — Como vai saber quem dessas crianças é a Kazumi? Pode ser que esses registros não tenham as fotos, Sasuke. 

    —  Eu sei, mas... Eu só preciso olhar a data e a idade certa. Não devem ser muitas crianças. 

    — Eu não duvidaria. – Suspirou. – Vamos torcer para que sejam poucas. – Respirou fundo. – Bom, eu vou até lá. – Abriu a porta. 

    — Vou te esperar aqui. Não seria bom que vissem um Uchiha aqui, sabe.  

    — Claro, afinal não sabemos se alguém pode contar sobre isso para o pai da sua tia. – Ele assentiu, e ela saiu, caminhando para dentro do orfanato. 

    Sakura sabia que deveria ficar longe de Uchiha Sasuke, principalmente depois do beijo, mas ela não poderia negar um pedido feito por ele. Não depois dele ajudá-la tanto. Ela devia aquilo á ele, além de que ela se sentiu mal pela mãe da garotinha. Ela era mãe, e se aquilo acontecesse, ela ficaria desesperada. Transtornada, até. Se ela pudesse ajudar Rin a encontrar a filha, então que seja. Tinham sido tão bons com ela naquele almoço do dia anterior. Sakura entrou e logo foi recepcionada. 

    — Bom dia. 

    — Bom dia. – Sorriu de volta. – Eu gostaria de falar com a pessoa que está no comando do orfanato. 

    — E sobre o que seria? 

    — É algo que eu desejo falar com ela pessoalmente. – Antes que a mulher pudesse responder, Sakura a interrompeu. – Eu sou Haruno Sakura. E sou sobrinha de Hyuuga Hiashi. 

    — Oh. Você é a filha de Hyuuga Sayka. – A mulher sorriu.  

    — Sim. Sou eu mesma.  

    — Eu vou avisar a diretora. 

    — Obrigada. – Viu a mulher se distanciar, antes de começar a olhar em volta. Era um lugar bastante bonito, mas as cores tinham mudado. Antes era branco e rosa, e agora se tornaram branco e roxo. Fazia tanto tempo que não ia ali, desde que a mãe tinha morrido. Era um lugar que fazia ter lembranças da sua mãe, e ela ficava triste. Mas ela não sentia mais aquele desconforto de antes, já deveria ter voltado àquele orfanato antes. 

    — Senhorita Sakura. – Ela olhou para a mulher. – Pode me acompanhar? – Sakura o fez, e andando pelo corredor longo, ela leu na plaquinha da última porta: “diretoria”. – Você pode entrar. Ela está aguardando por você. – Sakura agradeceu e entrou, encontrando uma mulher que deveria ter uns 40 anos no máximo, cabelos azuis e olhos castanho claro.  

    — Olá, senhorita Haruno.  

    — Por favor, só Sakura. – Diz se aproximando. – Obrigada por me receber. 

    — Ah, eu não poderia fazer o contrário. Você é uma Hyuuga. Sua família cuida de nós até hoje. – Sakura assentiu. – Meu nome é Konan. Sente-se por favor. – E Sakura o fez. – Então, o que deseja? 

    — Bom, é que eu estou procurando por um bebê que sumiu a alguns anos. E, sabe, nós procuramos por vários orfanatos, e pensei: Talvez vocês possam me ajudar. 

    — Como? 

    — Vocês têm os registros das crianças.  

    — Quantos anos ela teria agora? 

    — 27 anos. 

    — Isso... Isso daria mais ou menos... – Ela diz para ela mesma, pensando. – Na mesma época que nossa instituição foi incendiada. 

    — Mas vocês devem guardar os registros, não? 

    — Quando eu assumi esse posto, disseram que aqueles registros eram restritos. 

    — Eu sei. Mas é importante. Uma mãe procura pela filha até hoje. Ela foi sequestrada, e a mãe acha que a menina foi mandada para algum orfanato. 

    — Eu sinto muito. – Sasuke respira fundo, e solta de vagar. 

    — Você por acaso tem filhos? 

    — Sim. Eu tenho uma menina de sete e um menino de dez.  

    — Então, se coloque no lugar dessa mãe. Ela quer muito encontrar a filha, e até hoje não conseguiu nada. Se tivéssemos pelo menos uma pista... 

    — Eu entendo, mas... 

    — Por favor. Sei que deve ser difícil para você, eu sei que está fazendo seu trabalho... Mas Konan, faça esse favor para mim. Uma Hyuuga. – A mulher passou as mãos nos cabelos, se encostou na cadeira, olhos nos olhos de Sakura e suspirando alto, ela encostou o antebraço na mesa.  

    — Tudo bem. – Sakura sorriu. – Eu vou te dar esses arquivos, mas... Por favor não conte a ninguém sobre isso. 

    — Eu prometo. – A mulher começou a digitar no computador rapidamente, abriu duas pastas, pegou um pendrive dentro de uma gaveta, e o conectou ao computador, colocando as pastas dentro dele.  

    — Aqui estão todos os registros das crianças, separadas por datas e idades daquele ano em que me pediu até o ano em que tudo foi “queimado”. 

    — Obrigada. – Se levantou ao pegar o objeto. – Eu agradeço de coração. 

    — Eu quem agradeço. Se não fosse pelos Hyuuga nem sei o que seria dessas crianças. 

    **--** **--** 

    — E então? – Pergunta quando ela entra no carro.  

    — Olha, ela estava irredutível... 

    — Então não conseguiu? – Ele a cortou sem perceber. 

    — Você sabe quem eu sou, acha que sairia de lá sem nada? – Diz sorrindo. – Eu consegui. – Mostrou o pendrive preto e vermelho. 

    — Obrigado. – Diz, pegando-o da mão de Sakura. 

    — Não precisa agradecer. Olha, ela colocou os registros do ano em que a sua prima nasceu até o ano em que tudo foi queimado. 

    — Isso vai ser o bastante para eu conseguir descobrir se minha prima passou por esse orfanato. 

    — Você nunca ouviu seu tio falar de algum orfanato, alguma vez? 

    — Já sim. – Ele começou a se lembrar. – E era desse aqui mesmo. 

    Sasuke entrava na cozinha dos pais para beber água. Ele não queria ter que descer, mas como sentiu sede, não teve outra opção. O pai de sua tia Rin estava em uma conversa a portas fechadas no escritório de seu pai, e apesar de estar curioso, ele preferia ficar longe daquele homem. Sasuke saiu da cozinha, mas se escondeu quando viu Hotaru.  

    — O que eu disse sobre ligar nesse celular? Não me importa, incompetente. – Sasuke arqueou as sobrancelhas, se perguntando com quem ele falava. – Sim, eu sei. É claro que ela está procurando, ela não vai desistir. – O homem bufou. – A única coisa que eu pedi á você, foi ficar de olho nela. O orfanato “Lar das Joaninhas” não me interessa. – Suspirou. – Então eu vou ter que fazer alguma coisa para arrumar a sua incompetência. Isso não pode vir à tona... – Ele olhou ao redor, e Sasuke ficou mais escondido do que já estava, se colocando entre a parede e o armário. – Queime tudo. – Ele desligou a chamada e saiu como se nada tivesse acontecendo. 

    Sasuke se perguntava o que ele queria que queimasse. O orfanato, será? Sasuke saiu de onde estava e olhou para a porta, por onde o homem passou. A cada dia odiava mais aquele homem, e ao mesmo tempo, ficava mais curioso a respeito dele. Com quem ele falava? Por que estava tão irritado. E o mais importante... O que ele mandou que queimassem? 

    — Irmãozinho. – Sasuke colocou a mão direito no peito. 

    — Que susto, Itachi. 

    — O que estava aprontando para eu te dar um susto? 

    — Eu não estava aprontando. 

    — Então devemos brindar a isso. – Diz rindo, e Sasuke revira os olhos. – Cadê seu senso de humor? 

    — Foi pro inferno, Itachi. – Diz, enquanto andava para as escadas, mas seu irmão o seguiu, falando em sua cabeça. 

    — Ele disse: Queime tudo. Eu não me lembrava desse dia, até agora. – Olhou para Sakura. – Ele falava com alguém e disse para queimar. Não fazia ideia sobre o quê, fiquei curioso, e achei estranho, mas deixei de lado. 

    — Isso é muito suspeito. 

    — Eu só me lembrei agora. Acho que foi nessa época que eu comecei a namorar a Karin. – Passou as mãos nos cabelos. – E por algum motivo... 

    — Você bloqueou isso da sua mente. – Completa. – Eu entendo. Depois de tudo que aconteceu entre vocês... 

    — Isso é uma prova. Minha prima esteve aqui. Minha tia deveria estar procurando pela filha, e ele descobriu que ela viria até aqui naquela época... 

    — Por isso ele mandou queimar tudo. – Diz, horroriza. – Ele é um monstro. 

    — Isso não me surpreende, Sakura.  

    — Esses arquivos podem conter informações sobre a sua prima. Para onde ela foi mandada depois do incêndio. Você pode estar bem perto de encontrar a Kazumi, Sasuke. 

    **--** **--** 

    Itachi estava vendo alguns exames que estavam em cima de sua mesa. Seu celular vibrou, mas ele não percebeu. Ele estava concentrado. Aquela criança estava com diabetes, e estava em um nível complicado. Tinha apenas seis anos. Quase a idade de seu sobrinho. Queria poder ajudar mais. Suspirou. Ouviu baterem em sua porta, e autorizou a entrada.  

    — Doutor, seu irmão está aqui, e diz que é urgente. – Itachi se levantou preocupado. – Calma, não é como paciente, ele veio falar com o senhor. – Itachi se aliviou, voltando a se sentar. 

    — Pode deixar que ele entre. – Não demorou cinco minutos, e Itachi viu o irmão entrar. – Ei, irmãozinho. Veio me visitar? 

    — Eu vim conversar com você. 

    — Conversar? Eu estou no universo certo? – Sasuke revirou os olhos.  

    — Olha, eu não tenho tempo para as suas piadas. Sakura está me esperando lá fora... 

    — Vocês finalmente estavam em um encontro. – Diz animado. 

    — Itachi. Foco, por favor. Eu não estava em um encontro, eu estava procurando saber sobre a Kazumi. – Itachi o olhou, surpreso. 

    — Como é? 

    — É isso mesmo que ouviu. – Jogou o pendrive na mesa do irmão. – Sakura conseguiu os arquivos que nossos tios não conseguiram. 

    — Como é que ela conseguiu isso? – Pergunta, ainda mais surpreso, pegando o objeto. 

    — Ela é uma Hyuuga. E os Hyuuga são os bem-feitores do orfanato. 

    — Você viu o que tem aqui? 

    — Nomes de algumas crianças, idades, fotos...  

    — Fotos também? – Sasuke assentiu.  

    — Eu estava agoniado demais, então usei o notebook da Sakura e abri os arquivos. 

    — E o que encontrou? 

    — São muitas crianças que chegaram naquele orfanato, no mesmo ano em que a Kazumi sumiu. – Itachi suspirou. – Mas... – Essa palavra chamou a atenção do irmão mais velho. – Mas eu encontrei uma garotinha, que foi abandonada dentro de um cesto. – Sasuke conectou o pendrive no computador do irmão, abrindo o arquivo que ele tinha separado dos outros. – Sem nome, infelizmente. De todas as crianças, essa aqui, é a única que não tem nome nos arquivos. Mas ela tinha a mesma idade que a Kazumi, a mesma cor de cabelos, a mesma cor dos olhos... E o mais importante, Itachi... – Sorriu. – Ela tinha a marca de nascença da Kazumi. – Ampliou a foto da garotinha de 3 anos, e mostrou a marca em formato de coroa que estava no pulso direito. 

    — Inacreditável. – Olhou para o irmão. – Ela pode ser a irmã do Shisui.  

    — Tem também o nome dos três orfanatos no qual ela passou. Mas o mais importante é o último. Afinal, lá saberemos seu nome, e onde ela deve estar. 

    — E qual é?  

    — “Campo das maças”. 

    **--** 

    Sakura observava a filha dormir, mas seus pensamentos estavam longe. Mais especificamente, no beijo que houve entre ela e Sasuke. Tinha passado mais de duas semanas, e mesmo assim não tinha esquecido. Tinha sido tão bom, mas ao mesmo tempo ela pensava que era um erro. Ela era a babá do Daisuke, além de que, tinha certeza de que Sasuke ainda amava Karin. E mesmo que seu estômago parecia que tinha borboletas dentro dele, e isso a fizesse saber que estava se apaixonando pelo Uchiha, ela não iria voltar com a sua palavra. Ela não deixaria que aquele sentimento continuasse dentro dela, não deixaria que ele crescesse. Suspirou, se lembrando da conversa que tiveram. Desde então, tentava ficar longe, mas a cada dia Daisuke os queria mais e mais perto. Estava complicado parar de pensar nele, quando tinha ele por perto o tempo todo. Seu celular tocou, chamando sua atenção. 

    — Alô? – Atendeu no terceiro toque. 

    — Oi, Sakura. É a Izumi.  

    — Oi, Izumi. – Diz, sorrindo. – Tudo bem? 

    — Estou ótima, obrigada. E você? Eu soube que Mayu passou mal. 

    — Ela está melhor, e... E eu estou indo... – Diz a última frase depois de um suspiro.  

    — Eu imagino como deve estar sendo difícil 

    — É, não está sendo nada fácil... – Balançou a cabeça. – Mas, então... Por que me ligou?  

    — Bom, lembra que combinamos de sair algum dia desses? – Sakura sorriu. 

    — Claro que eu me lembro. 

    — Então, eu tenho que comprar algumas coisas para a minha filha, e eu não queria ir sozinha.  

    — Eu vou adorar comprar coisas para a bebê.  

    — E pode ser hoje? 

    — Que horas? 

    — O horário que for melhor para você. 

    — Bom, eu vou ligar para uma amiga, para ver se ela pode ficar com a Mayu para mim, e eu te ligo.  

    — Caso você não puder ir... 

    — Não se preocupe. A Temari está sempre dizendo: Você tem que sair mais. Se divertir. Parece mais uma velha. – Repete a frase da amiga, revirando os olhos. Ouviu Izumi rir do outro lado da linha.  

    — Essa sua amiga é sábia. 

    — Ei. – Ela voltou a rir, e Sakura a acompanhou. – Tá, eu confesso que não saio muito. – Deus de ombros. – Por isso ela não vai se importar de ficar com a Mayu hoje. 

    — Então você fala com a sua amiga, e me avisa onde podemos nos encontrar. 

    — Tudo bem. Até daqui a pouco. 

    **--** **--** 

    Itachi conversava com o irmão na sala da mansão Uchiha. Os pais estavam no quarto se vestindo, por isso não estavam com eles. Daisuke brincava com Shasta, mesmo que estivesse emburrado por não poder ver Sakura no final de semana. Ele ainda não estava conformado. Mikoto e Fugaku descem juntos as escadas, e encontram os filhos na sala, sentados um do lado do outro, no sofá maior. 

    — Oi, filhos.  

    — A bênção. – Eles dizem juntos. 

    — Deus os abençoe.  

    — Pai, o senhor parece melhor. – Sasuke comenta em seguida. 

    — Ele está fazendo tudo que o médico ordenou. – O marido revira os olhos. Mikoto se vira para os filhos. – Oi, meus bebês. – Fugaku sorriu ao ver os filhos revirarem os olhos, juntos. – Eu estava com saudades. – Diz abraçando a ambos ao mesmo tempo. 

    — Mãe, faz uma semana que nos vimos. – Mikoto bate no braço do mais novo, fazendo com que o mais velho risse. 

    — Para mim é muito, Sasuke. Que falta de sensibilidade. – Se virou para o mais velho. – E cadê a Izumi, querido? Por que não a trouxe? 

    — Ela saiu com a Sakura. – Sasuke arqueou as sobrancelhas. Seu irmão não tinha comentado nada sobre aquilo. 

    — Ah, isso é muito bom. – Diz sorrindo, enquanto se sentava ao lado 

    — Você diz que ela não tem amigos... – Fugaku se pronuncia.  

    — É, ela é muito sozinha. Por isso quando ela combinou de sair com Sakura, não me opus. Sabia que vocês compreenderiam ela não vir jantar aqui. 

    — Você não disse nada sobre isso, quando chegou. – Itachi olha para o irmão com um sorriso "estranho", na opinião do mais novo. 

    — Está curioso sobre a rosadinha? – Sasuke revirou os olhos. – E como vai o relacionamento de vocês? 

    — Como assim, querido? – Pergunta, animada. – Você e Sakura estão... 

    — Não estamos nada, mãe. – A cortou. – Somos amigos. – Diz mais uma vez. Faz uma semana que Sakura esteve ali, no almoço em família. E sua mãe não desistia de vê-los juntos. Pelo jeito nem mesmo seu irmão. 

    — Amigos? E o beijo que você deu nela? 

    — Você a beijou? – A mulher se levanta, com um sorriso. Fugaku sorri ao ver a animação da esposa. 

    — Eu já disse, Itachi, eu não a beijei. 

    — Ah, eu sei que você está mentindo. – Diz sorrindo, provocante. – Eu sei que houve um beijo, irmãozinho. 

    — Quem foi que te contou sobre isso? – Sasuke não estava acreditando que seu irmão estava sabendo sobre aquilo. Era impossível, não tinha contado á ninguém. E tinha mentido para ele e Shisui, quando eles tinham desconfiado. 

    — O Naruto. Sakura contou para a Hinata que contou para o maridinho dela... – Diz sorrindo. –  Olha, isso me deixa chateado. Eu sou seu irmão, e você nem para me contar. Tive que ouvir pelo Uzumaki. Você mentiu pra mim aquele dia. Por que? 

    — Porque isso é da minha conta. – Sasuke balançou a cabeça, ainda não acreditando que Hinata tinha aberto a boca. Fugaku e Mikoto tinham percebido o desconforto do filho, queriam poder ajudá-lo com a confusão que deve estar a cabeça do mais novo. 

    — Querido, somos sua família. 

    — E então? Vai dizer como foi isso? – Itachi pergunta, curioso, em seguida. 

    — Eu não vou dizer nada sobre isso. Aconteceu, só isso.  

    — Só? – Arqueou as sobrancelhas. – Vocês conversaram sobre isso? 

    — Foi um erro. 

    — Foi o que você disse? Que foi um erro? 

    — Até você, pai? – O outro deu de ombros. – Não, foi ela quem disse. – Itachi bateu na própria testa. 

    — Eu não sei quem é mais complicado, você ou a rosadinha. – Bufou. 

    — E você deixou assim? Querido, não acha que deveria se dar essa chance?  

    — Sasuke, eu concordo com a sua mãe. Se você a beijou, é porque alguma coisa você sente por ela, ou não? – Sasuke suspirou, passando as mãos nos cabelos. Sabia que eles não o deixariam em paz até que falasse, e ele estava mesmo precisando falar sobre aquilo com alguém. Por que não com a sua família?  

    — Eu não sei. Eu estou confuso. Eu não tenho tido mais aqueles flash’s com a Karin. Quando eu olho para as fotos dela, eu não me sinto tão mal quanto antes, apesar de ainda sentir que é minha culpa o que aconteceu á ela. Tenho pensado muito na... Sakura. E... Isso me deixa muito confuso. – Se levantou, se aproximando da porta que dava para o jardim. – Eu não sei o que está acontecendo comigo. Estou ficando maluco. – Desabafou. Os pais se olharam, por alguns minutos, antes de voltarem os olhos para o filho mais novo.  

    — Querido, você está confuso assim, porque até pouco tempo você ainda amava a Karin. E agora, você está sentindo algo por outra pessoa. E isso é bom, Sasuke.  

    — Não sei se é não. – Diz, ainda olhando o filho brincar com Shasta.  

    — É sim. – Itachi diz, sério. – Isso é ótimo. Você está seguindo em frente, finalmente. Não deixe isso passar Sasuke. Eu já disse isso para você, não? – Sasuke assentiu, mesmo sem olhá-lo. – Irmãozinho, a vida continua. Eu não estou dizendo para você se esquecer da Karin, até porque isso é impossível, você teve um filho com ela... Mas ela está morta, e isso é fato, não insensibilidade. Você tem que pensar no seu futuro com o Daisuke, e ela não está nele. – Sasuke teve concordar, por mais que fosse difícil. – Então, se você está sentindo alguma coisa pela Sakura... Faça alguma coisa sobre isso. 

    — Eu se fosse você, tentaria. – Sasuke olhou para o pai. – Não vai ficar pior do que já está, não é?  

    **--** **--** 

    — Eu estava mesmo precisando sair um pouco. 

    — Itachi disse que você só trabalha. – Ela revirou os olhos.  

    — Não é pra tanto. É que eu não tenho amigos, então... 

    — Agora tem. – Sorriu.  

    — Obrigada, Sakura. – Elas pararam em frente á uma loja infantil. – Eu não preciso comprar muitas coisas, a mãe do Itachi fez questão de dar praticamente tudo, mas eu vejo algumas coisas e não consigo deixar de comprar. Semana passada eu comprei dois ursinhos. E ontem eu vi uma plaquinha para porta tão linda... Mas eu não comprei. Eu já tinha comprado a letra personalizada mesmo...  

    — Ah, é totalmente normal. Eu era desse jeito. Vou esperar essa garotinha crescer um pouquinho para eu dar uma roupinha. Bebês crescem rápido demais, vai ter algumas roupas que nem serão usadas.  

    — É. Mikoto disse o mesmo para mim. E não se preocupe em dar alguma coisa... 

    — Ah, eu faço questão. Eu adoro enfeitar bebês. – Elas riram. – Eu enfeito minha pequena até hoje.  

    — Itachi jurava que seria menino, mas então, a médica disse o contrário. Ele ficou todo babão quando soube. – Elas sorriram. – Itachi praticamente criou o Daisuke, por isso ele vai saber mais coisas do que eu. 

    — Ah, parece que quando o bebê nasce, o instinto materno diz o que fazer. Sério. Eu não sabia nada, antes da minha pequena nascer. Eu aprendi. E vai acontecer o mesmo com você.  

    — Sakura, mudando um pouco de assunto... Eu não queria falar sobre isso, mas... – Sakura pediu para ela continuar. – Como vai a doença da Mayu? 

    — Está avançando. Mas graças a Deus, está lento. E espero que continue assim, até a medula aparecer. 

    — Itachi me disse que disse á você sobre o cordão umbilical. 

    — É. Eu queria fazer isso, pela minha filha, mas isso seria injusto com o outro bebê. Que também não teria um pai. – Suspirou. – E eu não quero ter um bebê só para salvar a Mayu. 

    — Eu entendo. Seria injusto com esse outro bebê. – Sakura assentiu. – Então vamos confiar que essa medula compatível vai aparecer.  

    — Amém.  

    — Me desculpa tocar nesse assunto. 

    — Não. Eu preciso mesmo desabafar. Eu estou explodindo. Eu não quero jogar tudo nas costas das minhas outras amigas... Elas têm suas famílias, e também, eu não quero ficar preocupando-as. A verdade é que... Toda vez que minha filha dorme, eu tenho medo de ela não acordar nunca mais. 

    — Eu posso imaginar seu desespero. 

    — Eu fico olhando se ela está respirando, toda hora.  

    — Eu queria poder ajudar de alguma formas, mas... – Suspirou. – Eu não tenho do que você precisa. 

    — Eu preciso de um milagre, Izumi. Eu estou a cada dia, sendo tomada por um desespero e uma decepção tão grande... 

    — Decepção? Como assim? 

    — É tão difícil entender por que isso está acontecendo. Sabe, desde criança eu sempre acreditei em Deus. E agora, mesmo eu ainda acreditando... Ás vezes eu me pergunto por que Deus faria meu bebê passar por tudo isso. Ás vezes eu o culpo, e eu me arrependo disso logo em seguida.  

    — Eu entendo. Você está passando por coisas que mãe nenhuma gostaria de passar. Sakura, é completamente normal você ficar confusa. Você é humana.  

    — Fico me perguntando se Deus deixará minha filha morrer.  

    — Para tudo tem um motivo, Sakura. Eu acredito que... Deus deixa a gente passar por algumas coisas, porque ele quer abrir nossos olhos, porque ele quer nos testar. Ele não quer ver a gente sofrer. Mas ás vezes é o jeito de ele nos fazer ouvir.  

    — É. Mas o que eu fiz? – Sakura e Izumi se olharam. – O que eu fiz, para que minha filha passe por tudo isso? 

    — Vai saber. – Deu de ombros. – Eu me pergunto todos os dias, por que meus pais me abandonaram. O que eu fiz, para eles me fazerem isso? 

    — Não deve ser fácil para você... 

    — Não, não é. Eu passei por coisas horríveis. Passei por três orfanatos. 

    — Sinto muito. 

    — Já que tocamos nesse assunto... Quero te pedir um conselho. 

    — Claro.  

    — Você acha que eu devo procurar meus pais biológicos?  

    — Eu acho. Eu li um livro uma vez, sobre mitos, que dizia que quando o herói da história, no caso você... Procurava o pai, no caso seus pais... – Sorriu. – Ele acabava se tornando uma pessoa melhor. 

    — Ah, sim. Eu já li. – Sorriu. – É do Joseph Campbell. 

    — Isso mesmo. Eu adoro esse livro.  

    — Eu também.  

    — Para os gregos, isso era uma coisa trágica.  

    — Mas para você pode ser uma libertação. – Elas sorriram uma para a outra.  

    — É. Você está certa. Obrigada. 

    — Eu quem agradeço, por me ouvir falar sobre a doença da minha filha. 

    — Sempre que precisar desabafar, eu estou aqui. 

    — Digo o mesmo.  

    **--** **--** 

    — Ah, os resultados dos nossos exames saíram.  

    — Que exames são esses? – A mãe pergunta, preocupada. 

    — Fizemos um exame de compatibilidade de medula, mãe.  

    — Eu, Shisui e Sasuke.  

    — Oh, para a Mayu. – Eles assentem ao mesmo tempo. – Eu não sabia que tinham feito isso. 

    — Nem me lembrei, na verdade. 

    — E como foi, filho? – Itachi suspirou, e todos entenderam. – Nenhum de vocês... 

    — Não. Não somos compatíveis. – Completa a frase do pai. 

    — E Sakura? 

    — Ela não sabe disso. Nós fizemos o exame sem ela saber.  

    — Não queriam dar falsas esperanças.  

    — Isso mesmo. Ela já está passando por tanta coisa... Mayu está tendo mais enjoos, anda pálida demais, tem febre quase todos os dias...  

    — Fico penalizada. É só uma criança... 

    — Ela sabe que está doente?  

    — Sabe. Sakura disse que contou quando os cabelos dela começaram a cair pela primeira vez. Ela é mais forte do que qualquer criança na idade dela. Mayu tenta não preocupar Sakura, mas isso é inútil; que mãe não se preocuparia quando a filha está vomitando? 

    — Queria poder ajudar mais. 

    — Não podemos fazer mais nada, mãe. – Ela assentiu, triste. O telefone tocou ao mesmo tempo em que o celular de Fugaku também tocava. O casal se levantou, cada um indo para um lado.  

    — Você contou á alguém sobre o que descobrimos? – Sasuke sussurra quando fica sozinho com o irmão. 

    — Sobre a Kazumi? – Sasuke o olhou crescente. – Não. Para ninguém. 

    — Ótimo. Eu não quero dar falsas esperanças, entende? 

    — Claro, irmãozinho. Eu penso como você. Temos que ir logo até esse orfanato para descobrir sobre ela. 

    — Eu não tenho tido tempo, Itachi. O maldito do Sasori pediu um exame de sangue, e o juiz autorizou. 

    — Filho da puta. – Rosna indignado 

    — Eu ainda nem falei com a Sakura sobre isso. Ela vai surtar. – Suspirou. – Deixa eu colocar Sasori para fora da vida da Sakura, e então a gente vai atrás da Kazumi. 

    — Você deve estar desesperado por isso, não é? 

    — O que? – Pergunta, confuso. 

    — Deixar Sasori longe da Sakura. 

    — Itachi de novo essa história? 

    — Você não ouviu o que eu disse á alguns minutos? Ou o que a mamãe e o papai disseram? Se dê essa chance. O que você vai perder tentando? – Sasuke desviou os olhos, encostando as costas no encosto do sofá. – Você sabe que eu estou certo, Sasuke. Quer esperar até colocar Sasori no quinto dos infernos? Tudo bem. Mas depois se resolva com a rosadinha. Vai por mim. Você vai se sentir muito melhor depois que finalmente dizer para ela como se sente.  

    **--** **--** 

    — Pelo jeito temos muitas coisas em comum. – Izumi comenta largando o copo de milk-shake em cima da mesa.  

    — É incrível, porque só quem eu conheço que gosta tanto de ler assim, é minha prima. Hinata. 

    — Hyuuga Hinata é sua prima? 

    — É. Nossas mães eram primas de primeiro grau.  

    — Isso é legal. Então vocês praticamente cresceram juntas. – Ela assentiu. – E você se dá bem com o pai dela? 

    — Os pais, porque mesmo que a tia Suzuki não seja a mãe biológica da Hinata, ela continua sendo minha tia. Ela e a tia Hianny eram gêmeas. Ela ajudou o tio Hiashi a criar os filhos. Eles se casaram apenas para que meus primos tivessem uma mãe, entende? – Izumi assentiu. – Mas um tempo depois, se apaixonaram. Eles são como se fossem meus pais. Quando os meus pais faleceram, eles me deram um apoio..., enorme. Quando eu fiquei grávida e o canalha do Sasori me largou, se não fosse pelo tio Hiashi e pela tia Suzuki... 

    — Então por que não pediu ajuda para eles, para o tratamento da Mayu? 

    — Eles me ajudaram no começo, mas depois de um tempo... Eu não queria dar mais trabalho, entende? 

    — E como. Eu vivi minha vida toda sozinha e por isso sempre fui independente. Sabe, eu sou jornalista, conheci o Itachi por acaso. – Sorriu se lembrando da ocasião. – Ele derramou capucchino em mim. – Sakura riu. – É. Eu estava tão irritada com algumas coisas que estavam acontecendo comigo, que eu xinguei ele de tudo quanto é nome.  

    — E ele? 

    — Me pediu desculpas, e me deu uma carona. Quando ele me deixou em casa, eu me desculpei por ter sido tão grossa. – Sorriu. – Depois disso ele passou a ir no café onde eu ia todos os dias, no mesmo horário. 

    — Olha... Que safado. – Elas riram. – Ele estava indo de caso pensado. – Izumi assentiu. – Ele não é nenhum bobo, não é? 

    — Ele foi tão carinhoso comigo. Eu não estava acostumada... Depois disso eu soube o que é depender de alguém.  

    — Eu fiquei bem fechada também quando meus pais morreram. Se não fosse pelos Hyuuga, eu nem sei o que teria acontecido comigo.  

    — Eu não tive ajuda. Eu tive que me virar depois que saí do orfanato.  

    — Bom, agora você tem uma família enorme. – Elas sorriram.  

    — Eles são ótimos. Gostei muito deles. Os tios do Sasuke são uns amores, me trataram super bem, e ainda ficaram muito animados com a vinda da Akanne. – Diz sorrindo. Sakura sorriu de volta. – Rin principalmente. Itachi diz que ela tem um fraco por garotinhas. – Sakura se lembrou da descoberta de Sasuke. – Não sei sabe, mas... Ela tinha uma filha. 

    — É. Sasuke me contou a história.  

    — O fato é que... Eles foram todos acolhedores, e eu nunca tinha sentido algo parecido antes. – Inclinou a cabeça. – E bom, eu posso dizer que... Que você se tornou uma ótima amiga.  

    — Digo o mesmo. Pode sempre contar comigo. – Izumi assentiu.  

    — Posso te fazer uma pergunta pessoal? 

    — Claro. 

    — Então..., é que Sasuke, Itachi e Shisui estavam conversando, e... Bom, eu estou com uma suspeita, e muito curiosa. 

    — Se eu puder ajudar.  

    — Você e Sasuke se beijaram? – Sakura se assustou. Ela realmente não esperava por essa pergunta. – Então? 

    — E-Eu... – Ela gaguejou. – Por que acha isso? 

    — Pela forma que Sasuke ficou desconfortável quando meu noivo tocou no assunto. – Sakura assentiu mesmo sem perceber. – Olha, se não quiser dizer... 

    — Sim. – Sakura responde, cortando-a. – Eu e ele nos beijamos. Fazem duas semanas, já. 

    — Então eu estava certa. – Sorriu. – E como ficou? 

    — Não ficou. – Izumi ficou confusa. – Sasuke me beijou por impulso. Ele está confuso ainda, com tudo que têm acontecido na vida dele. Ele ainda ama a Karin, tenho certeza. 

    — Foi ele quem disse isso? 

    — E precisa dizer? 

    — Sakura, Sasuke tem mudado muito de uns dias para cá. Ele ainda se sente culpado pela morte da Karin, mas eu não acho que ele ainda a ama. 

    — Por que acha isso? 

    — O modo como ele te olha, diz tudo. – Sakura a olha, surpresa. – Eu percebo as coisas, sou muito observadora. – Diz sorrindo. – E você também está gostando dele.  

    — É um erro. 

    — Foi isso que disse a ele? – Apesar de perguntar, Izumi tinha certeza de que a resposta era sim. Sakura confirmou. – E você acha que foi o certo a se fazer? 

    — Por mais que isso doa, porque eu realmente estou gostando dele... Eu posso acabar me machucando se eu aceitar... 

    — Sakura, você não pode pensar assim. – Izumi a interrompe. – Você passou por coisas horríveis com seu primeiro e único namorado, mas... Sasuke não faria nada que a machucasse.  

    — Talvez não de propósito. 

    — Como assim? 

    — E se ele ainda amar Karin? Eu vou me machucar se aceitar esses sentimentos, Izumi. 

    — E se ele não amar? Você não deixou ele dizer, deixou? 

    — Estava tão nervosa, e tão... – Suspirou. – Não. Eu só disse que era um erro, e que o melhor a se fazer, era esquecer. 

    — Como vai saber, se não se deixar ter essa chance? Sasuke não brincaria com seus sentimentos, até porque, querida, ele sente o mesmo que você. Só acho que ainda não percebeu, e se percebeu, deve estar confuso. 

    — Viu? Ele está confuso. 

    — Sakura, como ele não ficaria? Ele está descobrindo novos sentimentos, por uma pessoa que não é a noiva. É complemente normal, não concorda? – E ela teve sim que concordar. – Sasuke só precisa de um empurrãozinho. Vocês dois deveriam tentar se dar essa chance.  

    — Eu não sei... 

    — Bom, essa é sua decisão, mas pense com carinho no que eu te disse, está bem? – Sakura assentiu. – Sei que pode ser muito feliz com o Sasuke. – Diz sorrindo, Sakura não pode deixar de corresponder. 

    — Obrigada pela conversa. Eu ouvi algo parecido da Hina. 

    — Viu? Eu não sou a única que concorda que vocês dois são fofos juntos. – Sakura balançou a cabeça. – E vocês são. Pense, está bem? Um relacionamento pode ser muito bom para ambos. 

    — Eu vou pensar. – Izumi esperava que tivesse ajudado Sakura. – Então... Já quer ir? 

    — Vamos. Você deve estar morrendo de saudades da sua filha.  

    — Ela deve estar se divertindo tanto na casa do Shikamaru, que nem mesmo deve se lembrar de mim. – Elas riram.  

    — Eu estou encantada pela sua filha. – Elas se levantaram e caminharam para o estacionamento.  

    — Quem não é? – Elas voltaram a rir. – Você vai ver como vai ficar boba quando sua filhinha nascer. 

    — Ah, eu estou ansiosa. Eu imagino minha Akanne toda parecida com o Itachi.  

    — Graças a Deus a minha não tem nada daquele traste. – Izumi não pôde descordar.  

    — Esse traste seria eu? – Elas olharam para trás, encontrando Sasori. – Que feio, Sakura. Falando de mim pelas costas? 

    — O que você está fazendo aqui? – Ela estava indignada. Ele estava lhe seguido? Ela pensou. 

    — O shopping é público, Sakura.  

    — Cínico. – Rosnou. 

    — E quem é a gatinha? 

    — A gatinha tem nome e em breve, sobrenome. – Retrucou.  

    — Auth. – Fingiu se magoar.  

    — Vamos embora, Izumi.  

    — Aproveito que a encontrei para avisar que meu advogado já fez o pedido para o exame de sangue, e o juiz aceitou. E mesmo que o seu querido advogado, tenha pedido aquela ordem de restrição idiota... – Sorriu balançando a cabeça. – Eu não vou te deixar em paz até que eu tenha comigo, a minha filha. 

    — Mas nem por cima do meu cadáver. – Voltou a se virar. – Minha filha é somente minha.  

    — E você por acaso a fez com o dedo? – Sakura fechou as mãos em punhos. 

    — Deixe-a em paz. – Izumi diz, ao perceber o desconforto da amiga. – Se você não parar de importuná-la, juro que vou a delegacia. Isso é perseguição. – Ele riu, não se importando com a frase. – Além de que você não está cumprindo a ordem de restrição. 

    — Sakura é minha... 

    — Não sou nada sua. – O cortou. – Eu era. E graças a Deus eu peguei você com outra, ou estaria vivendo em uma mentira até hoje.  

    — Vamos, Sakura. – Izumi a puxou para longe, mas puderam ver o sorriso maníaco de Sasori. Elas entraram no carro em que Izumi estava dirigindo, saindo daquele estacionamento o mais depressa possível. 

    **--** **--** 

    Sasuke entrou no apartamento, e trancou a porta com um pouco de dificuldade, já que estava com o filho nos braços. Desde a conversa com Itachi e seus pais, ele não parava de pensar sobre o que lhe falaram. Imaginava se deveria mesmo se dar uma chance. Era difícil se conformar que estava mesmo gostando de outra mulher, mas do que adiantava tentar dizer que não? Todas as vezes que olhava nos olhos verdes, se lembrava do dia em que trombaram um no outro. Toda vez que olhava para a boca dela, se lembrava do beijo. Todas as vezes que estavam próximos demais, se lembrava do cheiro do perfume delicioso dela. E mesmo que se lembrasse que ela tinha dito que tinha sido um erro, alguma coisa lhe dizia que não. Começar a gostar de outra pessoa, não era trair o que um dia sentiu pela mãe de seu filho. Não era pensar que nunca mais se lembraria dela, porque ele sempre teria ela em seus pensamentos, sempre que olhasse para Daisuke.  

    Colocou Daisuke na cama, o cobriu e saiu do quarto, indo direto para o próprio, querendo tomar um banho e se deitar. Estava cansado e no dia seguinte teria uma reunião e logo em seguida, uma audiência com Sakura. Ainda não havia avisado a ela, mas o faria depois do banho. Esperava que ela não estivesse dormindo. Entrou no banho, voltando a pensar nela. Ultimamente todos seus pensamentos eram voltados na rosada de olhos incrivelmente verdes. E por mais que fosse confuso, ele não mais se impedia de pensar nela. Faria como o irmão o instruiu: Ele não deixaria passar. Passar o que estava sentindo por ela, por mais difícil que fosse. Ele estava certo do que sentia, mas, sabia que de uma coisa Sakura estava certa quando disse todas aquelas coisas, ele precisava de um tempo para se acostumar com o que estava sentindo; apesar de que não foram exatamente essas as suas palavras. Pegou o celular depois de pronto para dormir, se sentou na cama, encostando as costas na cabeceira e discou o número de Sakura. 

    **--** **--** 

    Sakura entrou no quarto e deixou a filha deitada na cama. Quando olhou para sua mão, viu que tinha um pouco de cabelos rosados. Suspirou ao perceber que novamente sua filha estava perdendo os cabelos. Eles estavam caindo, novamente. Tsunade tinha ligado para avisar que Mayu começaria com a quimio novamente, mas Sakura não aceitou. Sua filha, ficaria ainda mais debilitada se fizesse aquela coisa. Tsunade, apesar de não concordar, a apoiou. Mayu conseguiria aquela medula, e tudo ficaria bem. Era tudo que ela pensava. Era difícil pensar positivo o tempo todo, mas olhando para sua filha, ela só conseguia pedir e pedir, para que Deus não a abandonasse, para que Ele não a levasse de si. Era tudo que ela pedia. E ela acreditava que Deus a ouviria.  

    No dia seguinte ela teria que trabalhar, por isso foi tomar um banho, para poder dormir. Sakura entrou no quarto, pegando uma camisola, e andando até o banheiro, enquanto ela pensava na situação da filha. Era tudo que ela pensava ultimamente. E podiam culpá-la? Sua filha podia morrer a qualquer momento. Suspirou ao novamente pensar negativamente. Como era difícil não pensar que amanhã sua filha poderia não mais acordar. Balançou a cabeça, se negando a pensar sobre aquilo. Já passava das 19h quando ela saiu do banho, já vestida para dormir. Se sentou na cama, e então seu celular tocou. Atendeu no segundo toque. 

    — Alô. 

    — Sakura, é o Sasuke.  

    — Ah, oi, Sasuke. Tudo bem? 

    — Tudo, desculpe te ligar á essa hora. 

    — Tudo bem, eu não estava dormindo  

    — Então, eu precisava falar com você ainda hoje. Amanhã, ás 10h, temos uma audiência. 

    — Eu vou ter que me encontrar com Sasori? – Pergunta, preocupada. 

    — Não se preocupe, ele não vai poder se aproximar de você, ou sairá preso de lá. – Ela assentiu, mesmo que soubesse que ele não via.  

    — É para falar do exame de sangue? 

    — Como você está sabendo? – Arqueou as sobrancelhas. 

    — Sasori me encontrou no shopping hoje. 

    — Ele está te perseguindo? — Pergunta, incomodado. 

    — Ele disse que foi coincidência... Mas eu não acredito nisso. 

    — Nem eu. Eu vou falar com o juiz sobre isso, amanhã. – Suspirou. – Sobre o exame de sangue, a Mayu vai fazê-lo depois de amanhã. 

    — Não tem outro jeito, né? 

    — Ele quer isso, e o juiz autorizou. Olha, não vão tirar sua filha de você, não se preocupe. Eles querem confirmar que Mayu é filha dele. 

    — E depois? 

    — O juiz quem vai dizer como vai ser.  

    — É possível que ele tenha o direito de vê-la? 

    — Não com as testemunhas que temos. 

    — Eles testemunharão amanhã? 

    — Não. O juiz vai marcar a data depois que o resultado do exame de sangue sair. 

    — Então até lá, ela continua comigo. 

    — Sim. O juiz só vai decidir alguma coisa, depois que ouvir as testemunhas. — Ela se aliviou. – Deixaremos Daisuke e Mayu com meus pais. 

    — Eu posso deixar a Mayu com a Ino. 

    — Não, minha mãe se prontificou a ficar com ela, não se preocupe. – Sakura sorriu. Mikoto estava encantada por sua filha, e confiava na mulher para cuidar dela, então não retrucou. – Nos vemos amanhã. 

    — Até amanhã, e mais uma vez obrigada. 

    — Não precisa me agradecer, Sakura. Boa noite. 

    — Boa noite. – Eles desligaram, e Sakura se jogou na cama, de costas, pensando em como seria aquela audiência. Fechou os olhos. Seria um inferno, ela pensou. Sasori faria de tudo para desacreditá-la na frente do juiz. Só esperava que tudo ficasse bem, e que Sasori fosse desmascarado, porque tinha certeza, ele estava aprontando. 


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