Seize The Day

  • Gabbysaky
  • Capitulos 26
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 16 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 8

    Primeiro beijo

    Hentai, Linguagem Imprópria, Sexo

    Boa leitura

    **Sakura** 

    Eu observava minhas crianças olharem com adoração, para um leão do outro lado da cerca. Quando disse que iriamos ao "zoológico" ver os animais, os dois ficaram bastante animados, e isso me fez sorrir. A lembrança dos olhos tristes de Daisuke não saia de minha mente. Eu já tinha percebido o carinho que ele sente por mim, e por isso, vê-lo daquele jeito me deixou com o "coração na mão". Tudo que eu quero é fazer aquele garotinho lindo, feliz, e vê-lo tão animado ao lado de minha filha, me dava uma sensação de paz.  

    — Olha, Sakura, é um tigre. – Ele apontou para o animal. 

    — Ele parece  mau. – Minha garotinha comentou, se afastando da grade.  

    — Não fique tão perto da grade, Daisuke. – Pedi, o puxando para trás.  

    — Sakura, como eles come?  

    — Existem pessoas que os alimentam.  

    — Como? – Me olhou com olhos curiosos. – Eles entra lá dentro? Não é pirigoso? – Sorri ao ouvir várias perguntas, uma atrás da outra, sem pausa.  

    — Eles entram quando a porta da casinha está fechada, querido. – Respondi. 

    — Ah, sim. Mesmo assim é pirigoso, né? 

    — Um pouco, eu acho. 

    — Muito, mamãe. E se eles saí da casinha? – Colocou as mãozinhas no rosto, e Sakura riu. – Ele vai matá quem tá lá. 

    — Eles são bastante cuidadosos. Então, o que querem ver agora? – Daisuke parecia pensar. – As cobras?  

    — Sim. – Daisuke responde sorrindo. – Eu quero vê elas.  

    — Não, Suke. Elas é malvada.  

    — Tá presas, Mayu. – Desviou os olhos para mim. – Não é, Sakura? 

    — Sim, elas estão. – Mayu fez um biquinho fofo. – A gente vai ver as cobras e depois... Depois vamos comer. O que acham? – Ambos sorriram, concordando com a minha ideia.  

    Enquanto caminhávamos até onde estavam as cobras, eu observava a interação e cumplicidade de Daisuke e Mayu. Os dois olhavam para os bichos que tinha no caminho, comentando sobre eles. Eram fofos demais juntos. A palavra "fofos" me faz lembrar do que Izumi me disse, quando estávamos sozinhas: "Você e Sasuke formariam um belo casal. São fofos juntos". Eu perguntei porque ela fez tal comentário, e com um sorriso ela me disse que: "A forma como se interagem, mesmo que pouca... Vocês parecem se entender com o olhar". Lembro de que disse á ela que ela estava vendo coisas, ela riu de mim, dizendo que eu ainda lhe daria razão. Mas eu sabia, lá fundo, que aquelas palavras haviam mexido comigo. As lembranças do tombo que demos um no outro, não saía de minha mente. A eletricidade que eu havia sentido por todo meu corpo, meu coração batendo desenfreadamente... Sempre que a lembrança daquela cena voltava, eu sentia tudo isso acontecendo novamente, até mesmo seu cheiro, que parecia estar impregnado em mim. Era como se eu estivesse vivendo aquilo de novo e de novo. Me assustei com um gritinho fino, e quando olhei para as crianças, percebi que Daisuke estava próximo onde estava as cobras, diferente de Mayu, que estava afastada, três passos atrás dele. Eu estava tão imersa na lembrança que não havia percebido que já havíamos chegado na "seção" das cobras.  

    — Que medo. – Sua garotinha sussurrou. 

    — Olha como ela é grande, Sakura. – Ele não parecia ter medo, ao contrário de sua filha. – Ela tá olhando pra gente. – Comentou em seguida. 

    — Você acodou ela. – Resmungou Mayu, mas quando Daisuke a olhou, eu soube que ele a escutou. – Agora ela tá cum raiva da gente, Suke. 

    — Não chegue tão perto, Suke. – Pedi. 

    —  Mais ela tá presa, Sakura. – Bateu no "vidro" outra vez, fazendo a cobra se mexer. O puxei para trás, preocupada. Eu nunca gostei de cobras.  

    — Não faça isso, querido. Vai irritá-la.  

    — Você tem medo, Sakura? – Pergunta, olhando-a. 

    — Não sou fã de cobras. 

    — Então pur que deu a ideia da gente vim? 

    — Achei que você iria gostar. – Ele sorriu, antes de desviar os olhos para a cobra branca com olhos vermelhos sangue. 

    — Ela tem veneno? – Me aproximei de uma plaquinha que tinha o nome da cobra, entre outras coisas.  

    — Não, querido. Veneno ela não tem, mas mesmo assim, continua sendo perigosa.  

    — Mamãe, não quero mais vê cobra. Elas é feia, e dá medo. – Sorri para minha pequena. – Quero cu

    — Ah, eu queria vê otras. – Ele desviou da cobra albina, para uma com cores pretas e laranja. – Olha essa, Sakura, que legal. Duas cor.  

    — Essa é venenosa, querido. – Ele me olhou.  

    — Mesmo? E qual o nome dela? 

    — Essa é a coral. – Li na plaquinha. – Ela come lagartos. 

    — Eca. – Mayu diz, fazendo uma careta.  

    — Ela é bonita, mais... Muito assustadora. – Eu sorri.  

    — Vamos comer agora? – Daisuke a olhou. 

    — Pode sê sanduíche?  

    — Tamém quelo, mamãe.  

    — Tudo bem. Hoje vocês podem comer sanduíche. – Eles sorriram. – Vamos para o carro. – Peguei na mão dos dois e me afastei daquele lugar. 

    **Sakura** 

    **--** **--** 

    Sasuke estava com alguns documentos em cima da mesa. Estudava um caso que estava em suas mãos, quando sua mente viajou para seu filho. Ele deveria estar se divertindo. Sakura havia lhe avisado que iriam visitar o zoológico, e pelo que sabia, Daisuke nunca tinha ido até lá. Ele iria gostar, já que gosta tanto de animais. Seu celular vibrou e ele o pegou, ligando a tela. Era uma foto mandada por Naruto. Nela, Sakura estava abaixada no meio de Daisuke e Mayu, com os braços em volta da cintura de cada um. Ele ficou confuso, se perguntava como o amigo tinha tirado aquela foto. Em resposta, seu amigo lhe mandou uma mensagem. 

    "Olha quem eu encontrei no "Old Mac Donald" 

    "O que você está fazendo aí? Não devia estar trabalhando?" 

    "Com ciúmes?" 

    Sasuke revirou os olhos. Não responderia aquilo, é ridículo, ele pensou. Antes que pudesse mandar outra mensagem, seu amigo enviou uma.  

    "Vim almoçar" 

    "Vê se não se atrasa, temos uma reunião em algumas horas" 

    Sasuke mandou. Esperava que ele realmente não se esquecesse, seu amigo ás vezes era atrapalhado. Não se impressionaria se ele se atrasasse. 

    "Fica tranquilo, Teme" 

    "Mas mudando de assunto..." 

    "O que achou da foto?" 

    Por que ele estava perguntando aquilo? Sasuke revirou os olhos. Que pergunta idiota, ele pensou. Estava claro o porquê daquela pergunta. Eles não iriam descansar até jogar Sakura para cima dele, ou vice e versa.  

    "Legal" 

    Mandou apenas. Sabia que naquele momento, seu amigo estava revirando os olhos e bufando. Provavelmente reclamaria. 

    "Legal, Teme?" 

    "Só isso?" 

    "Fala sério. Assim você me decepciona" 

    "O que queria que eu dissesse, Naruto?"  

    "Qualquer coisa, menos: legal" 

    Naruto mandou um emoji de uma pessoa colocando a mão no meio da cara. Sasuke não respondeu, mas sabia que seu amigo lhe mandaria outra mensagem, logo. E foi dito e feito. Menos de dois minutos depois, Sasuke sente seu celular voltar a vibrar. 

    "Ah, eu sei como você é" 

    "E eu sei que gostou" 

    "Parecem uma família, não é?" 

    Sasuke voltou a olhar para a foto. Sim, pareciam uma família.  

    "Só faltou você" 

    Sasuke suspirou. Apesar de ter prometido a si mesmo que mudaria, que esqueceria o passado, e seguiria em frente, ainda era muito difícil. E Naruto dizer que aquela foto só faltava "ele" para ser uma família, realmente mexeu com ele. 

    "Vou revelar e te entregar uma cópia" 

    Mandou um emoticon piscando com apenas um olho. Sasuke não respondeu. 

    "Da próxima vez, vê se deixa esse escritório para fazer um programa, os quatro" 

    "Não acha que está rápido demais?" 

    Sasuke mandou depois de dois minutos lendo a própria mensagem.  

    "Já passou da hora de você seguir em frente" 

    "E eu sei que você concorda comigo, só está assustado" 

    Era impressionante como Naruto o conhecia melhor que qualquer um dos outros. Eles nasceram praticamente juntos. Seus pais sempre foram amigos. Eles brincavam na casa um do outro.  

    "Vai dizer que não sente nadinha por ela?" 

    Aquela pergunta o pegou de surpresa. Sasuke ficou olhando aquela mensagem do amigo, por vários minutos, não sabendo o que responder. Sakura mexia com ele, e isso o deixava confuso, porque ainda amava Karin. Era tão complicado, que estava deixando-o louco. E ainda tinha o fato de não mais ter lembranças com ela.  

    "Se não escreveu nada, é porque eu estou certo" 

    Naruto lhe mandou um emoji sorrindo abertamente. Sasuke não pode responder nada, pois logo em seguida, chegou outra mensagem. 

    "Guarda a foto, sei que vai olhar para ela por muito tempo" 

    "Vou terminar de comer" 

    "Nos vemos daqui a pouco, Teme" 

    Sasuke suspirou, enquanto digitava. Ele estava aliviado por não ter que responder sobre a foto ou qualquer outra coisa que o amigo dissesse sobre ele e Sakura.  

    "Tudo bem" 

    "Até daqui a pouco" 

    Por algum motivo, ele não conseguiu desligar a tela do celular. Seus olhos focaram na foto que Naruto havia lhe mandado. Mesmo sendo uma foto, dava para perceber o olhar carinhoso de Sakura. Mayu tinha uma das mãos na boca, e Daisuke fazia um bico que ele achou fofo. Sasuke estava tão imerso naquela foto que nem mesmo ouviu a porta ser aberta, ou até mesmo alguém entrando na sala. 

    — Linda foto. – Sasuke se assustou, e olhou para trás, encontrando o irmão olhando para a tela do celular, mais precisamente para a foto que olhava a pouco. Sasuke se perguntava como não tinha percebido que seu irmão estava na sala. – Quem tirou? 

    — Quando entrou aqui?  

    — Faz pouco tempo. Eu te chamei, você não respondeu, então me aproximei para saber o que olhava. – Sasuke arqueou as sobrancelhas. – Agora eu sei porque estava tão focado e não me ouviu. 

    — Naruto me mandou agora a pouco.  

    — Faltou você. – Sasuke não se surpreendeu com aquela frase. – Por que não está com eles?  

    — Porque tenho uma reunião agora.  

    — Ah, irmãozinho, você é tão complicado. – Suspirou, saindo de trás dele, e sentando-se em sua frente. – Quando é que vai se jogar de cabeça? 

    — Como é?  

    — Se jogar de cabeça. – Revirou os olhos. – Dar uma chance para esse... Como posso dizer? Relacionamento? 

    — Relacionamento? – Arqueou as sobrancelhas. – Eu e Sakura somos amigos. 

    — Só amigos? Só isso? Tem certeza? – Sasuke não respondeu. – Não sente nadinha por ela? Nem mesmo um... Formigamento estranho? 

    — Itachi... 

    — Vamos, sou seu irmão. Prometo que fica só entre nós. – Sasuke suspirou. Seu irmão não o deixaria em paz, sabia disso. E já que precisava desabafar... 

    — Eu não sei... Eu... – Ele não sabia como falar sobre aquilo. Itachi esperou pacientemente. – Eu e Sakura tombamos um no outro, naquele dia em que você e Izumi foram lá em casa... 

    — E? O que aconteceu? 

    — Nada. – Itachi se decepcionou, mas já deveria imaginar. Afinal eles não estavam estranhos um com o outro. – Foi estranho, mas... Não sei porque, mas desde então, os olhos dela não me saem da cabeça. – Itachi sorriu, e Sasuke desviou os olhos.  

    — Isso é bom. Você está sentindo alguma coisa. 

    — Eu não sei. – Suspirou. – Desde aquele dia eu não tenho tido os flash's com a Karin. – O irmão assentiu. – E isso me deixa confuso. 

    — Você vai ficar confuso mesmo. Está começando a seguir em frente. Está gostando de alguém. 

    — Eu não sei se estou gostando de alguém.  

    — Ah, e ficar pensando nos olhos verdes de certa mulher, é o que? Alguma coisa você está sentindo, não? 

    — Não sei, Itachi. 

    — Eu não digo que está amando... Porque seria rápido demais, mas está acontecendo algo. Não deixe passar. 

    — É estranho pensar em uma mulher, mesmo amando outra? 

    — Então você não está pensando só nos olhos dela, não é? – Diz com um sorriso provocador. Sasuke revirou os olhos, e Itachi se surpreendeu quando ele não negou. – Irmãozinho, você está pensando em outra mulher mesmo... – Itachi percebeu que o irmão estava desconfortável, e decidiu não mais provocar. – Sasuke, você não ama mais a Karin. Não do jeito que você amou um dia. Você quer amar ela, é diferente. Tente excluir Karin de sua mente, e deixe seu subconsciente levar onde você quer pensar de verdade. Quer dizer, em quem. Você sabe o que quero dizer. 

    — Isso é possível? – Diz depois de bagunçar os cabelos.  

    — Sim. Deixe isso acontecer, okay? Pode ser confuso, e estranho no começo, mas não fique se obrigando a pensar em Karin. Deixe as coisas ocorrerem naturalmente. – Sorriu. – A família iria gostar de ver você com Sakura. O pai e a mãe gostaram muito dela, e olha que eles a viram apenas uma vez. – Riu. – Vai por mim, irmãozinho. Vai ser muito mais feliz se parar de ficar se proibindo de pensar em outra. Se é da Sakura que está gostando, deixe acontecer. 

    — Isso é estranho. E mais estranho ainda falar com você sobre isso. 

    — Sou seu irmão. – Retrucou. – E é estranho pensar em outra, porque com certeza você parou de ficar se remoendo, não é?  

    — Eu não quero ver Daisuke triste, como ontem..., vê-lo daquele jeito me deixou desesperado, e se eu quero que ele seja feliz, eu tenho que parar de me culpar. E deixar de pensar no meu amor por Karin. – Arqueou as sobrancelhas, quando terminou de falar. Ainda era estranho, ainda mais por dizer aquilo em voz alta. 

    — O que aconteceu com meu sobrinho? – Suspirando, Sasuke começou a contar. 

    **--** **--** 

    Sakura estava abaixada no meio de Daisuke e Mayu. Mesmo que estivesse conversando com eles, ela percebeu que alguém os olhava. Desviou os olhos das crianças e encontrou Naruto com o celular na mão. Ela arqueou as sobrancelhas e se levantou. As crianças olharam para onde ela olhava. 

    — Naruto? – Ele sorriu e se aproximou. 

    — Oi, Sakura. Crianças... – Mayu o abraçou. 

    — Tio Naruto, você tamém veio cu

    — Isso mesmo, pequena. 

    — E o papai, tio Naruto? – Naruto olhou para o afilhado, passando a mão nos cabelos negros em seguida. 

    — Ele está trabalhando. – Revirou os olhos.  

    — A gente foi vê os bichinhu, sabia tio?  

    — Sério, pequena? E gostaram? 

    — Foi muito legal. A Mayu não gostô das cobra.  

    — Elas é malvada, tio. – Naruto sorriu. 

    — Na próxima, Suke, insista para seu pai ir com vocês três. – Sakura balançou a cabeça, mas preferiu não dizer nada. Daisuke sorriu. 

    — É mesmo, né, tio? Ia sê bem legal. 

    — Com certeza, garoto. – Diz tão animado quanto Daisuke. – Então... Nos sentamos juntos? 

    — Claro. – Sakura responde sorrindo.  

    Eles se sentaram e fizeram o pedido. Sakura percebia os olhares de Naruto, enquanto digitava alguma coisa no celular. Ela já estava ficando curiosa. Se perguntava se ele estava falando com alguém sobre ela, por causa dos olhares. Daisuke lhe chamou a atenção e ela deixou aquilo de lado por enquanto. Naruto olhou para Sakura, e sorriu, voltando os olhos para o celular. Seu amigo era tão difícil, ás vezes. Ele estava torcendo para que aqueles dois ficassem juntos. Olhou para a foto que mandou para Sasuke, pensando se o amigo estava olhando para ela naquele momento. Ele largou o celular quando chegaram com os pedidos e começou a comer, enquanto conversava com Sakura e as crianças. Ele tinha percebido os olhos de Daisuke brilhar enquanto conversava com Sakura. 

    — Naruto. – Ele que a olhava fixamente, piscou ao ouvi-la chamar. As crianças tinham corrido para a brinquedoteca. – O que tanto você me olha? 

    — Ah, desculpa, Sakura. – Sorriu. – É que estava pensando... Se eu te fizer uma pergunta, me responderia sinceramente? – Ela deu de ombros.  

    — Claro. Por que eu mentiria? 

    — Não, não digo que mentiria, mas provavelmente fugiria do assunto. – Ela arqueou as sobrancelhas, confusa. – Então... O que você sente pelo Sasuke? 

    — O que? – A voz dela saiu alterada, por causa da surpresa. Ela olhou em volta, mas ninguém os olhava. – Que pergunta é essa? 

    — Uma pergunta normal. Me responde, vai. 

    — Ele... É um amigo. – Naruto revirou os olhos. 

    — Amigo. Você e Sasuke vou te falar. – Bufou. Seus amigos eram tão complicados. Nenhum dos dois davam o braço a torcer e isso ás vezes o incomodava. Qual era o problema de serem sinceros? Mas Naruto não os deixaria em paz até que finalmente se convencessem de que gostavam um do outro. Ele sabia disso, e só tinha visto eles juntos poucas vezes. – Não sente nadinha por ele? Nem mesmo borboletas no estômago? – Sakura se lembrou da trombada que tiveram. – Isso é um sim? – Pergunta com um sorriso enorme no rosto, quando vê a amiga corada. – Somos amigos, Saky, você pode dizer a verdade. 

    — Por que está me perguntando isso? 

    — Porque eu acho que vocês dariam um belo casal. 

    — Ah, você também com isso? – Ele arqueou as sobrancelhas, mas o sorriso continuava ali, em seu rosto. 

    — Como assim? Mais alguém te disse isso? 

    — Sim. A Izumi, cunhada dele. 

    — Ah, sim, eu fiquei sabendo que você conheceu a cunhada do Teme. Estranho, não? – Sakura o olha, confusa, mais uma vez. – Você conheceu a noiva do Itachi, primeiro que nós, os amigos dele. – Sakura não soube o que dizer. Abriu e fechou a boca várias vezes, o que fez Naruto começar a rir.  

    — Isso não tem graça. – Sussurrou, corada. – E eu e Sasuke não temos nada. 

    — Ainda. Eu sei que uma hora ou outra isso vai acontecer, porque mesmo que ele não diga, eu sei que ele está gostando de você. Apesar de estar confuso. – Disse, deixando Sakura envergonhada, fazendo-a desviar os olhos. – Ontem ele disse que Daisuke chorou quando você foi embora, e quando ele começou a falar sobre você, os olhos dele... 

    — Para. – Ela levantou uma das mãos. – Daisuke chorou quando fui embora? 

    — Você não sabia disso, né? – Coçou a cabeça, percebendo que tinha dito demais. Sakura encostou as costas na cadeira, imaginando o garotinho chorar, e isso fez seu coração apertar. – Ele ficou estranho a tarde inteira na casa da minha mãe. Não queria brincar... Sasuke disse que provavelmente teria dificuldades em colocá-lo para dormir.  

    — Eu não sabia... – Sussurrou. – Sasuke não me contou isso. 

    — Talvez para não te preocupar. Daisuke se apegou á você, Saky. – Ela assentiu. 

    — E eu por ele. Eu não sei porquê, mas eu... – Olhou para o amigo. – Eu sinto um carinho enorme por aquele menino, desde a primeira vez que o vi. – Naruto sorriu. – Ele é muito fofo, sabe, e... Eu amo aquele garotinho.  

    — Eu entendo. Eu não sei se você sabe, mas... Daisuke ficava estranho quando via Hinata com Boruto e os gêmeos. Ou quando Temari colocava os filhos para dormir, ou simplesmente quando via Tenten contando histórias aos gêmeos. 

    — Nunca soube disso. 

    — Sasuke também não... Até Hinata dizer á ele ontem. – Sakura assentiu. – Você, Sakura, dá ao Daisuke tudo que ele sempre quis ter. O carinho de mãe. Eu soube do banho com bolhas de sabão. – Sakura riu. 

    — Ele pediu para colocar, e no final, colocou demais. – Naruto sorriu. – Quando eu vi, estávamos os três jogando espuma uns nos outros. – Naruto percebeu que o brilho nos olhos de Sakura se apagaram de repente. – Mas sabe, ás vezes penso se isso é bom. 

    — Como assim? 

    — Ele se apega a mim, eu a ele, e depois? Eu não vou ficar como babá dele para sempre.  

    — Sakura, não pense nisso. – Diz balançando a cabeça. – Deixe acontecer. Daisuke está feliz, se divertindo... Isso que importa no momento. – Ela sorriu. – E sabe o que eu acho? Acho que você e Sasuke ainda vão ficar juntos. 

    — Aff, Naruto. – Bufou. 

    — Você vai dizer para mim que não sentiu, nenhuma vez, borboletas no estômago? – Voltou a perguntar. Sakura suspirou, desviou os olhos e se lembrou da trombada que tiveram. Mesmo que tenha sido por poucos minutos, o cheiro dele parecia estar impregnado nela, e aquela cena, ela não parava de voltar a passar em sua mente. Pensando nisso, ela resolveu dizer a verdade. 

    — Não posso dizer que não. – E o sorriso enorme voltou a aparecer no rosto do amigo. 

    — Viu? Eu sei que pode ser confuso agora, mas, deixe acontecer naturalmente, okay? Não se afaste do que te faz bem. Nem por medo, nem por nada. – Sakura sorriu para o amigo agradecida. Naruto sempre foi seu melhor amigo. Apesar de todos a apoiarem sempre, Naruto a conhecia melhor do qualquer um dos garotos, assim como Ino. Ela amava todas as amigas, mas Ino e Hinata, eram suas melhores amigas. Se conheciam desde bebê. E elas a conheciam melhor do qualquer uma das garotas. Apesar de que ás vezes Temari que é dois anos mais velha que elas, parecia ler seus pensamentos. Sempre tirava ela e as outras garotas dos problemas na escola, dava os melhores conselhos... Ela não poderia ter amigos melhores do que todos eles. – Bom, agora eu tenho que ir, ou o Teme vai me matar. – Ela riu, e se levantou para abraçar o amigo.  

    — Vai com cuidado. – Ela pede quando ele se afasta. 

    — Diz para as crianças que eu mandei um beijo. – Ela assentiu e ele caminhou para fora da hamburgueria.  

    **--** **--** 

    — Então está nesse nível? – Sasuke ouve do irmão. Não era a primeira vez que ele ouvia aquela frase. – Bom, eu não deveria estar surpreso, depois daquele dia na casa dos nossos pais, mas... Mas eu estou.  

    — Imagine como eu fiquei? Eu não sabia como fazê-lo se acalmar, Itachi. E vê-lo daquele jeito... – O irmão assentiu, compreendendo.  

    — Daisuke já sente um amor incondicional por Sakura, e olha que só faz pouco mais de um mês que eles se conhecem.  

    — Ás vezes eu penso se isso não é um problema. 

    — Não tem como você fazer alguma coisa sobre isso, Sasuke. Afastá-lo de Sakura iria machucá-lo demais. 

    — Não, eu sei. Isso está fora de cogitação. – Diz, concordando com o irmão. – Mas isso me preocupa. Ele está apegado demais á ela, e... Eu não sei como me impor a isso. Ela não vai ficar com a gente pra sempre. 

    — Talvez fique. – Sasuke revirou os olhos, não se surpreendendo com aquela frase.  

    — Estou falando sério. 

    — Eu também. Você mesmo disse que tem pensado nela. 

    — Inconscientemente. – Quem revirou os olhos dessa vez foi Itachi.  

    — Isso é irrelevante. O que é relevante no momento, é que vocês dois podem estar sentindo algo um pelo outro, por isso eu peço mais uma vez irmãozinho, não deixe isso passar.  

    — Mudando de assunto... – Sasuke pede, depois de um suspiro. – O que veio fazer aqui? 

    — Ah, que bom que me lembrou, já tinha me esquecido. – Riu e Sasuke balançou a cabeça com um sorriso. De repente Itachi ficou sério demais, e Sasuke se preocupou. – Eu vim porque Shisui precisa falar com a Sakura. Eu e ele estávamos vendo os exames da Mayu, e... Não é nada bom.  

    — Droga. 

    — Ela está piorando. Está lento, mas ela vai começar a sentir sintomas fortes. Ela precisa do transplante, Sasuke.  

    — O cordão umbilical está fora de cogitação, né?  

    — Não diria assim, mas... – Suspirou. – É muito difícil encontrar um cordão umbilical que seja compatível com o de outra criança que não tenha ligação sanguínea, Sasuke. Seria mais fácil se Sakura tivesse outro filho, mas... – Sasuke assentiu. – Pelo que eu soube, seus amigos fizeram o teste de compatibilidade, e não deu certo. 

    — Não sabia disso. 

    — Eu e Shisui pensamos em fazer também, porque não vem com agente? Talvez dê certo. 

    — É só dizer o dia. 

    — Mas não vamos falar para a Sakura, para não dar falsas esperanças. – Sasuke concordou. 

    — Podia tanto dar certo.  

    — Ela precisa da medula urgente. Não acho que ela aguente mais um ano. 

    — Não diga isso, Itachi. 

    — É a verdade, irmãozinho. Foi o que Shisui disse. Ela está mal. 

    — Ela tem comido melhor. 

    — Mas ela vai começar a rejeitar o alimento, algumas vezes. E cada dia ficará mais fraca, e os enjoos ficaram cada vez mais fortes. – Sasuke passou as mãos nos cabelos. – Só esperamos que ela não tenha sangramento? 

    — Por que? 

    — Porque isso quer dizer que a situação dela está pior, que ela tem menos tempo. – Sasuke suspirou, sentindo um incomodo no peito ao ouvir aquilo. Ele tinha se apegado á pequena.  

    — Vocês podem ir lá em casa hoje.  

    — Ótimo. Chegaremos ás 18h, tudo bem? 

    — Eu peço para Sakura ficar mais um pouco para falar com vocês. – O irmão assentiu.  

    — E sobre Sasori? 

    — Chegará uma intimação para ele hoje. – Olhou no relógio de pulso. – Na verdade, ele deve estar recebendo ela agora.  

    — Ele vai ficar puto. E vai atrás da Sakura. – Sasuke apertou as mãos em punhos, não gostando daquela afirmação. – É melhor pedir uma ordem de restrição, irmão. 

    — Concordo com você.  

    **--** **--** 

    Sakura passava uma das mãos nas costas da filha, enquanto ela vomitava. A sua garotinha chorava, e ela se segurava para não fazer o mesmo. Como Daisuke tinha ficado assustado, ela pediu para o menino ficar na sala. Eles tinham chegado á quase três horas, sua filha estava brincando, se divertindo, quando de repente ela começou a vomitar na sala mesmo. Sakura se desesperou correndo com ela para o banheiro com Daisuke atrás. Sua filha estava tendo os sintomas que Tsunade disse que ela teria.  

    — Mamãe... – A garotinha chorava, enquanto colocava para fora tudo que havia comido. 

    — Vai ficar tudo bem, meu amorzinho. – Sussurrou. Percebendo que a filha estava melhor, a puxou para seu colo, lavando sua boca. 

    — Minha gaganta dói. – Resmungou, ainda chorando.  

    — Vai melhorar, querida. Você vai deitar, e ficar quietinha, está bem? – Passou a mão esquerda no rostinho da filha, limpando os vestígios de lágrimas, e sentiu a pele quente.  

    — Sakura... – Ela olhou para trás, encontrando Daisuke encolhido no batente da porta. – Ela melhorô?  

    — Está melhorando, querido. – Se aproximou. – E você? Se assustou, né? 

    — Um poquinho. – Olhou para Mayu, que estava abraçada á mãe, soluçando.   

    — Me desculpa, querido. – Ele assentiu. – Vou te pedir um favor. – Ele desviou os olhos de Mayu para Sakura. – Você fica com ela no quarto, enquanto eu limpo a sala? – Ele assentiu. – Então vamos. – Eles caminharam para o quarto. Sakura colocou a filha na cama, e Daisuke se deitou ao lado da garotinha, que passou a mão no olho esquerdo, coçando-o. – Eu volto logo para ficar com vocês.  

    Sakura desceu as escadas, com um nó na garganta. Mas ela não choraria. Não agora, pelo menos. Ela sabia que a filha estava piorando, e que era questão de tempo para que ela fosse hospitalizada novamente. Enquanto limpava onde a filha havia vomitado, ela pensava na situação de Mayu. Ela tinha quatro aninhos. Era a sua garotinha. Não queria perdê-la. Sakura fechou os olhos por um instante, quando terminou de passar o desinfetante, e pediu a Deus que salvasse sua filha. Ela mais uma vez, pedia para que ele fizesse um milagre. Não era a primeira vez que ela pedia aquilo, e sabia que Deus já tinha lhe escutado, mas ela não conseguia parar de pedir por aquilo. Não quando sua filha sofria.  

    — Sakura. – Ela se assustou, abrindo os olhos, e se virando, encontrando Sasuke. – Por que está limpando o piso? 

    — Que susto, Sasuke. – Colocou uma das mãos no peito.  

    — Me desculpa. – Se aproximou. – Mas... Não me respondeu. – Diz, olhando para o rodo nas mãos da rosada.  

    — Mayu passou mal. – Sasuke então compreendeu, ao mesmo tempo que se preocupava.  

    — Como ela está agora? 

    — Está... Enjoada, mas parou com os vômitos. Daisuke está com ela. – Ele assentiu.  

    — Itachi e Shisui querem falar com você. – Ela voltou a olhá-lo. – Eles chegam ás 18h, tudo bem?  

    — Eles não encontraram outra solução, não é? 

    — Eu sinto muito. – O nó na garganta voltou, e ela respirou fundo antes de se pronunciar. 

    — Tudo bem. Eu meio que já esperava por isso.  

    — Eu vou me trocar, e ver como eles estão lá em cima. – Ela assentiu.  

    — Você já comeu? – Perguntou, apesar de imaginar que a resposta seria “sim”. Afinal, já passava das 16h da tarde.  

    — Sim. Eu almocei com meu irmão, não se preocupe. – Responde subindo as escadas. Sakura se afastou, deixando o rodo onde estava antes, voltando para a sala, sentando no sofá, para poder se acalmar, antes que subisse para ficar com as crianças.  

    **--** **--** 

    Sasuke subiu as escadas, caminhando pelo corredor do segundo andar, entrando no quarto em que Sakura estava com Daisuke e Mayu. Parou no batente, observando-a deitada do lado das crianças, que dormiam. Sakura passava a mão nos cabelos rosas da filha. Ela estava de costas para a porta, por isso não havia percebido que ele estava ali. Despois de Mayu passar mal, ela não conseguiu comer nada, mas isso já era o esperado por ele e Sakura. Suspirou, entrando no quarto sem fazer muito barulho. Se inclinou, colocando a mão no braço de Sakura, que virou a cabeça para olhá-lo. 

    — Itachi e Shisui chegaram. – Sasuke suspirou, e assentiu em seguida. Voltou os olhos para as crianças. – Ela parece estar muito pálida. 

    — Ela está, e isso me preocupa. 

    — Quer levá-la ao hospital? – Ela negou. 

    — Tsunade disse que ela vai ficar enjoada e pálida mesmo, mas que eu devo fazer ela comer.  

    — Pensamos nisso quando ela acordar. – Ela assentiu, se sentando.  

    — É melhor descermos. – Sasuke se afastou, quando Sakura se levantou da cama.  

    — Deixa o abajur aceso. – Sakura o fez e saíram juntos do quarto.  

    — Boa noite, Sakura. – Ela sorriu quando o viu. 

    — Boa noite, Itachi.  

    — Sasuke contou que Mayu passou mal hoje. 

    — É. Ela... Ficou bastante enjoada e teve febre também. – Olhou para o homem ao lado. 

    — Esse é o Shisui, nosso primo. – Sasuke apresentou. – Shisui, essa é a Sakura. 

    — É um prazer. 

    — Eu digo o mesmo. – Diz sorrindo. – Obrigada por olhar os exames da minha filha. 

    — Não precisa agradecer.  

    — Vamos nos sentar. – Itachi pediu, sentando-se na poltrona de dois lugares. Shisui sentou-se ao seu lado. – Nós olhamos os exames da Mayu. Shisui vai te explicar, porque ele sabe melhor disso do que eu, então... – Ela olhou para o primo dele. 

    — Então... Eu falei com a médica da Mayu. Ela me explicou tudo que a menina fez. Nós conversamos sobre o tratamento que Mayu estava fazendo, e eu achei que estava sendo muito agressivo para uma criança tão pequena. 

    — Ela disse que era um jeito de fazer a Mayu conseguir esperar por um transplante. 

    — Sim, é verdade. E sinceramente, na minha opinião, Mayu só está nessa fase mais lenta, por causa do tratamento... – Suspirou. – Olha, Sakura, eu vou ser bem direto. A Mayu precisa do transplante. Não tem outra opção para ela. – Sakura passou uma das mãos nos cabelos.  

    — Na verdade, eu tinha pensado no cordão umbilical, e comentei com Shisui... 

    — E eu disse que seria difícil de encontrar um que seja compatível á sua filha. A opção seria um irmão, do mesmo sangue.  

    — Então você não acha que essa seja uma opção. 

    — Não vamos descartá-la. Ficaremos de olho. Eu coloquei o nome da Mayu na lista, para o caso de encontrarem um cordão umbilical compatível, mas... 

    — Mas você acha impossível, não é? – A voz dela saiu mais baixa, e Sasuke soube que ela estava segurando o choro. 

    — Não impossível, mas, difícil de acontecer. É muito raro encontrar em um bebê desconhecido, entende? – Ela assentiu. – Mas o nome dela já está na lista, então vamos esperar.  

    — Esperar. – Ela balançou a cabeça. – Esse é o problema, eu não sei até quando ela vai aguentar. Ela está ficando pior. Os sintomas estão ficando mais fortes. 

    — Eu sinto muito. De verdade. Eu queria ter uma solução para isso... 

    — Não. Eu sei. – Sakura umedeceu os lábios. – Você já fez muito. Obrigada. – Sasuke, Itachi e Shisui se olharam. Eles queriam poder fazer mais, mas não tinham como. Sasuke encostou as costas no encosto do sofá, observando Sakura, que tinha as mãos no rosto, tentando se controlar para não chorar. Eles ouviram passos, e Sakura levantou a cabeça. 

    — Daisuke. – Sasuke o chamou. – O que houve, filho? 

    — A Mayu tá injuada. – Sakura se levantou, correndo para o andar de cima. Daisuke ia segui-la, mas Sasuke foi mais rápido.  

    — Venha aqui. – Ele olhou para a escada, e depois para o pai. – Ela vai cuidar da Mayu, e você fica aqui comigo e seus tios.  

    — Pur que a Mayu tá injuada de novo? 

    — Ela está doente, Daisuke. – Itachi respondeu, fazendo Sasuke olhá-lo.  

    — Itachi...  

    — Calma, Sasuke. Eu sei o que estou fazendo. – O irmão balançou a cabeça, enquanto puxava o filho para sentar em seu colo. 

    — Duente? De que? 

    — Algo um pouquinho complicado. Ela vai ficar enjoada, cansada, ter febre... – O menino abaixou a cabeça.  

    — Mais ela vai ficá bem, né? – Sasuke balançou a cabeça, olhando para o irmão, o recriminando por ter falado sobre aquilo para o filho. 

    — Nós esperamos que sim, filho. – Sasuke respondeu. – Por que não me ajuda a fazer alguma coisa para comermos? – Mudou de assunto propositalmente. 

    — Você vai cozinhar? – Itachi debochou. – Você mesmo não disse que odeia? 

    — É. Mas não vai dar tempo de pedir, então... – Se levantou, depois de colocar o filho no chão. – Vocês ficam? 

    — Eu tenho que ir. – Shisui responde, se levantando. – A Yumi está em casa sozinha, e ela está quase entrando em trabalho de parto, então... 

    — Claro, a gente entende. – Sasuke responde.  

    — Eu tenho que buscar a Izumi 20h30min no trabalho, então eu fico. – Sasuke revirou os olhos enquanto que o primo ria.  

    — A tia tá tabalhando até agora? 

    — É. Ela tinha uma reunião com a chefe dela, campeão. – Um celular tocou. – Não é o meu. – Shisui coloca as mãos no bolso. 

    — É o meu. – Ele atende em seguida. – Mãe? O que? Espera, mãe..., tem certeza? – Sasuke e Itachi se olharam, preocupados. – Eu estou indo para lá. Obrigado. – Ele desliga, e olha para os primos. – Yumi entrou em trabalho de parto. – Sasuke e Itachi se olharam. 

    — Sério? 

    — Sim. Minha mãe e meu pai tinham ido visitá-la, e... Ela começou a sentir as contrações.  

    — Cara, você vai ser pai. – Itachi e Sasuke dizem juntos.  

    — Agora se tornou bem mais real, né? – Eles riram. 

    — A tia já vai  o bebê? 

    — Vai sim, Suke. Sua priminha vai nascer hoje. – Sasuke diz.  

    — Eu quero i vê. – Diz animado. 

    — Não hoje, filho. Vamos amanhã.  

    — Eu não estou nem acreditando. – Itachi e Sasuke sorriram. – Eu tenho que ir para o hospital. 

    — Eu vou contigo, Shisui.  

    — Mas e a Izumi, Itachi? – Sasuke olhou para o irmão.  

    — Eu vou pedir para a Sakura ficar com o Daisuke, e eu busco ela para você, se quiser.  

    — Você deixa ela na casa da mamãe? 

    — Deixo. Me passa o endereço do trabalho dela. – Sasuke pegou uma caderneta que estava na mesa de centro e entregou ao irmão junto de uma caneta azul. Itachi escreveu o endereço rapidamente, e entregou para o irmão.  

    — Tem certeza de que Sakura vai poder ficar com o Daisuke? 

    — Acho que não vai ser um problema. Eu vou falar com ela, por isso não se preocupe... – Ele assentiu. 

    — Obrigado, irmãozinho.  

    — Ah, Itachi, manda uma mensagem para a Izumi, explicando o que aconteceu, e dizendo que eu vou buscá-la. – Pede, quando estão na porta.  

    — Pode deixar. – Olhou para o sobrinho. – Tchau, Daisuke. – O menino balançou a mão para Itachi e Shisui, se despedindo. Shisui esperava pelo primo no elevador.  

    — Papai, pur que a gente não pode i agora? – Pergunta quando o pai fecha a porta. 

    — Sua tia vai estar cansada, filho. – O menino fez um bico, mas assentiu. – Veremos sua priminha amanhã.  

    — Sakura e Mayu pode tamém

    — Claro. – Sasuke subiu as escadas com o filho atrás. – Você está com fome? 

    — Tô. Eu quero macarrão. – Sasuke concordou, afinal era rápido e prático. Entraram no quarto, encontrando Sakura conversando com Mayu. 

    — Tio Sasuke. – Ela chama quando o vê. Sakura se vira, para olhá-lo também. 

    — Como você está, pequena? 

    — Injuada. – Ela abaixou os olhos. – E minha barriga dói. 

    — Isso é porque você não comeu. – Sakura concordou. – Vou fazer um macarrão, mas antes eu preciso te pedir uma coisa, Sakura. 

    — Diga... 

    — Tem como ficar com Daisuke para eu ir buscar a Izumi para o Itachi e deixá-la na minha mãe? 

    — Claro, Sasuke. Mas aconteceu alguma coisa? – Ele sorriu. 

    — A esposa do Shisui acabou de entrar em trabalho de parto.  

    — Mesmo? Ele deve estar muito animado. – Diz sorrindo. 

    — E desesperado também. – Sakura riu. – Ele e Itachi são bem grudados um no outro, por isso ele queria estar com nosso primo. – Ela assentiu.  

    — Eu entendo. Daisuke disse que eles nasceram com poucos meses de diferença, né? – Sasuke assentiu. – Eu fico com o Daisuke, não se preocupe. 

    — Mas eu acho que você e a Mayu devem ficar por aqui hoje. Eu não sei que horas eu vou chegar, mas vou sair daqui ás 20h, para buscá-la. – Diz olhando no relógio. Já passava das 19h. – E seria perigoso vocês irem para casa muito tarde.  

    — Por mais que eu queira ir para casa, você está certo. – Olhou para a filha. – Bom, eu te ajudo com o macarrão, enquanto eles assistem á um filme. – E apesar de Sasuke querer negar, ele concordou. Sabia que Sakura não desistiria de ajudá-lo. 

    **--** **--** 

    Sasuke observava Sakura que estava pensativa, enquanto colocava o macarrão na água fervida. Sabia que provavelmente ela estaria pensando na situação da filha. Era uma situação complicada, ele mesmo não iria querer estar no lugar dela. Mesmo que as conhecesse á pouco tempo, já sentia um carinho muito grande por Mayu, e saber que a garotinha podia morrer, lhe partia o coração. Ela tinha apenas quatro anos. E ele sempre pensava no filho quando Mayu passava mal, se colocando no lugar de Sakura; ele também ficaria desesperado. Sasuke não compreendia como aquilo poderia acontecer á uma criança. Se com um adulto já era terrivelmente doloroso, imagina para uma criança? Por quantas sessões de quimioterapia Mayu teve que passar? A dor, em especial, deve ter sido agoniante, principalmente por ser uma criança. Talvez ela não tenha se assustado com a queda do cabelo, pelo fato de que a mãe dela cortou o dela mesma. Mas e o resto? Deve ter sido assustador. Sasuke queria poder tirar a dor que Sakura deveria estar sentindo por pensar que a filha poderia morrer; mas ele não tinha mais o que fazer. Ouviu Sakura suspirar. 

    — Você está bem? – Ela desviou os olhos do molho.  

    — Estou. – Mentiu. Ela percebeu que ele não acreditou, e por isso deu um longo suspiro. – Na verdade, não. Eu fico pensando em tudo que eu passei com Mayu... E não consigo deixar de pensar que esses podem ser os meus últimos meses com ela. – Viu os olhos dela lacrimejarem. – Não é justo.  

    — Eu sei. Na verdade, eu consigo imaginar como se sente. Eu sou pai, por isso eu provavelmente ficaria tão desesperado quanto você.  

    — Eu amo minha garotinha desde antes dela nascer. Não consigo imaginar minha vida sem ela. Todos dizem que eu devo ser forte, que devo pensar positivamente... – A voz dela embargou, e ele soube que ela choraria. – Mas como vou fazer isso quando sei que minha filha pode morrer? A única opção que ela tem, não é concreta. E tudo que eu penso... O tempo todo... – Ela engoliu um nó que vinha da garganta. – É que minha filha vai morrer. – Sasuke não pensou muito, quando viu, já estava abraçando-a. E em meio á um soluço, Sakura começou a chorar, apertando as mãos em volta da cintura dele. Sasuke passou uma das mãos, carinhosamente, nas costas dela, enquanto ela molhava sua camisa; o que não o incomodava nenhum pouco. Queria poder fazer mais pelas duas, principalmente por Mayu, mas o que ele podia fazer já estava fazendo, e o que Mayu precisava, ele não tinha como conseguir. Sakura se afastou, quando se deu conta do que estava acontecendo. – Desculpa.  

    — Está tudo bem. – Ele passou a mão direita no rosto dela, limpando as lágrimas. – Acho que você precisava disso.  

    — Eu não sei até quando eu vou aguentar... – Sussurrou. 

    — Você é forte, vai conseguir superar isso. 

    — E se a Mayu morrer? – A voz dela saiu fraca. 

    — Não vamos pensar nisso agora.  

    — Mas... – Sasuke fez ela olhá-lo nos olhos.  

    — Mayu está viva, Sakura. Ela ainda tem chances, e enquanto ela tiver essa chance, você não pode desistir. 

    — Eu nunca desistiria, mas... Pensar positivo o tempo todo, isso é impossível.  

    — Eu entendo. Realmente isso é algo que você não consegue, e acho que muitos não conseguiriam também... Mas você precisa ser forte por ela. 

    — Obrigada por... Tudo. Até mesmo por me ouvir.  

    — Sempre que precisar. – Ela balançou a cabeça para cima e para baixo, sem perceber. Sakura mordeu o lábio, nervosa, ao perceber o quão próximos estavam.  

    Sasuke desviou os olhos para a boca dela. Ele não conseguia se afastar, mesmo pensando que deveria. Sakura sentia seu coração bater desenfreadamente. Sasuke tocou o lábio de Sakura com o polegar, ante de aproximar seu rosto do dela, e beijá-la. Sakura deu passagem para a língua dele, correspondendo ao beijo calmo. Seus narizes se tocavam, lentamente. Sakura apertou a mão direita na camisa que Sasuke vestia, rumo ao peito, enquanto Sasuke tinha uma das mãos na cintura dela, e a outra tocava seu rosto. Quando o ar faltou Sasuke afastou sua boca da dela, respirando ofegante, assim como Sakura. Os rostos ainda estavam próximos, com os narizes roçando um no outro.  

    — Não devia ter feito isso. – Ela sussurrou.  

    — Mas eu quis. – Sussurrou de volta. Sakura mordeu o lábio. – E você também, ou não teria correspondido. – Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, olhando nos olhos um do outro, até Sakura arquear as sobrancelhas, ou vindo um barulho de água fervendo. 

    — Sasuke, o macarrão. – Diz, voltando a si. Sasuke se afastou ao se lembrar da comida. Se virou para desligar a chama. 

    — Eu acho que vamos precisar colocar outra água para ferver. – Diz pegando o macarrão “preguento” com o garfo. Sakura segurou uma risada, esquecendo momentaneamente, do beijo que trocaram.  

    **--** **--** 

    Depois do jantar, Sasuke foi tomar um banho para poder ir buscar a cunhada. Ele e Sakura não tinham conversado sobre o beijo, pois as crianças apareceram na cozinha, um reclamando de fome, e a outra querendo água. Sasuke por mais que se sentisse confuso, não estava arrependido de ter beijado Sakura. Tinha sentido uma sensação nova, quando a beijou. Ainda se lembrava do gosto dos lábios dela. Ele se perguntava se tinha sido para ela, tão bom quanto tinha sido para ele. Olhou para a foto de Karin que estava na mesa de cabeceira. Mesmo que tivesse decidido a esquecê-la, não tinha conseguido se livrar da fotografia dela. Se aproximou de onde estava a foto, pegando-a em seguida. Confuso, ele percebeu que não sentia a dor que sentia quando olhava para aquela foto. Karin sorria. Sua mão direita estava pousada na barriga. Ela estava quase cinco meses de gravidez naquela fotografia, e se lembrava que tinha sido no dia que descobriram que seria um menino. Sua mãe tirou aquela foto. Suspirando, ele caminhou até o closet, e guardou a foto em uma gaveta vazia, trancando-a com chave. Ele tinha prometido a si mesmo que seguiria em frente, e assim o faria, mesmo que fosse difícil. Sasuke saiu do quarto, encontrando Daisuke e Mayu sentados ao lado de Sakura, que lia um livro.  

    — Eu já estou indo. – Os três olharam para Sasuke. – Eu não sei que horas eu volto, mas provavelmente minha mãe vai me fazer descer um pouco. – Sakura sorriu. 

    — Tudo bem. Eu vou ficar aqui, então não tem problema.  

    — Qualquer coisa você liga para o meu celular, ou para a casa dos meus pais. 

    — O número deles está na agenda?  

    — Sim. E tem outros números lá também, caso não consiga falar com meus pais, ou comigo.  

    — Não se preocupe, nós vamos ficar bem. – Sasuke assentiu, desviando os olhos da boca dela. 

    — Papai, manda um beijo pra tia? 

    — Claro, filho. – Sorriu. – Eu mando sim.  

    — Quer que eu deixe as luzes acesas? 

    — Só a do hall e a da sala, por favor. – Responde, caminhando para a porta. – Obrigado mesmo por ficar aqui em casa hoje. – Diz depois de abrir a porta. 

    — Não precisa agradecer. – Sorriu, um pouco envergonhada, por se lembrar do beijo que deram mais cedo.  

    — Então, eu já vou. Volto logo. – Ela assentiu, e Sasuke saiu, deixando Sakura trancar a porta. 

    **--** **--** 

    Daisuke estava brincando com Mayu na sala, enquanto Sakura terminava de lavar o que tinham sujado do jantar. Como Sasuke ainda não havia chego da casa de Mikoto, ela quem colocaria Daisuke para dormir. Sakura, que ainda se encontrava na cozinha, pensava no beijo que ela e Sasuke deram. Não achava que era o certo, mas tinha gostado tanto..., fechou os olhos por alguns minutos, se lembrando novamente, parecia que ela sentia a mão dele em seu rosto, o gosto dos lábios dela... Abriu os olhos quando ouviu a campainha tocar, e estranhou. Não estava esperando por ninguém. Como estava ocupada, gritou para que Daisuke visse quem era. Se o porteiro deixou subir, queria dizer que não era ninguém estranho. Daisuke caminhou até a porta e a abriu. Os olhares se encontraram, e Daisuke franziu o cenho, confuso, se perguntando o que aquele homem estava fazendo ali.  

    — Oi. – O ouviu cumprimentar. – Estou procurando por Haruno Sakura. Poderia me dizer se ela se encontra? 

    — Não. – Respondeu, sério. – Ela não se incontra. – Não costumava ser mal-educado ao atender a porta, mas não gostava nem um pouco daquele homem. 

    — Garoto, eu ouvi a voz dela, agora a pouco. O que custa chamá-la para mim? – Pergunta, rudemente. 

    — Custa muito. – Retrucou, fechando a porta na cara do homem ruivo.  

    Daisuke cruzou os braços, se perguntando porque o homem que gritava com Sakura á uns dias atrás estava à procura dela. Ele não gostava do ruivo, e não o queria perto de Sakura. Quando se virou para voltar para Mayu, seu corpinho tombou no de Sakura, mas antes que pudesse ir ao chão, Sakura o segurou, sorrindo. 

    — Está bem, querido? 

    — Sim, Sakura. – Ela se afastou. 

    — E quem era? – Olhou para a porta. 

    — Não tinha ninguém quando abri a porta, Sakura. – Mentiu. Ela arqueou as sobrancelhas. 

    — Sério? Que estranho. – Ela voltou os olhos para ele, e sorriu. – Bom, vamos, eu vim te chamar para colocá-lo na cama. 

    — Lê uma história, Sakura? 

    — Claro, querido. – O pegou pela mão, caminhando para a sala. – Querida, vamos dormir? 

    — Agente vai dumi aqui, mamãe? – Pergunta, coçando um dos olhos. 

    — Sim, querida. O tio Sasuke ainda vai demorar para chegar.  

    — Eu quiria vê a minha priminha. 

    — Você vai vê-la amanhã, querido. 

    — Você vai tê uma piminha, Suke? 

    — Uhum... E ela vai se chamá Yuuki. 

    — O nome é lindo, né, mamãe? 

    — É sim, amor. E sabe o significado desse nome? – Ambos negaram. – Neve. – Daisuke inclinou a cabeça. 

    — E o meu, Sakura? 

    — O seu significa: Grande Protetor. – O menino sorriu. 

    — E o meu, mamãe?  

    — O seu, querida, significa: Bela e Verdadeira Razão.  

    — É bem bunito. – Daisuke diz.  

    — Eu também gostei muito, por isso escolhi esse nome para a Mayu. – Diz sorrindo. – Agora, vamos dormir? 

    — Antes uma história, Sakura. – Lembrou a rosada, que sorriu. 

    — Vamo dumi com a mamãe? 

    — Vocês querem? – Daisuke encolheu os ombros, envergonhado, enquanto assentia. Ele nunca tinha dormido com uma mulher que não fosse suas avós. – Então combinado. Vamos dormir nós três juntos. – Pegou na mão da filha e de Daisuke, caminhando com as crianças para o segundo andar.  

    **--** **--** 

    Sasuke fechou a porta. Andou até a sala, que era o único cômodo que estava com a luz acesa. Ele sabia que provavelmente seu filho, Sakura e Mayu estavam dormindo, afinal passava das 22h. Quando chegou á casa de seus pais para deixar Izumi, sua mãe o convenceu a entrar um pouco, eles tinham notícias da filha de Shisui e Yumi. Seus pais o pegaram em uma conversa, e quando viu, já era quase 22h. Abriu a porta do quarto do filho, e arqueou as sobrancelhas, ao perceber que ele não se encontrava. Deu três passos na direção do próprio quarto, pensando que ele poderia estar ali, mas alguma coisa lhe disse para entrar no quarto de Mayu, e por isso caminhou até lá, abrindo a porta em seguida. Sakura estava no meio das crianças. Daisuke estava de lado, com a cabeça no travesseiro, e com a mão direita pegando em uma mexa de cabelo rosa de Sakura. Mayu também estava de lado, mas sua mãozinha segurava na barra do pijama da mãe. Sasuke se encostou no batente, observando o sono tranquilo do filho. Ele tinha um sorriso no rosto. Era a primeira vez que ele dormia com Sakura, e Sasuke imaginava que o filho estaria bem feliz por isso. Sorriu, antes de fechar a porta e caminhar para o próprio quarto. Estava cansado, e no dia seguinte acordaria mais cedo para poder ir visitar seus primos e a bebê deles. 


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