Amor De Ceo

  • Aelita
  • Capitulos 21
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 6 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 15

    Capítulo 14

    Álcool, Hentai, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    — Do outro lado, Kylo. Atrás do tanque! — falo ríspida para o microfone do meu fone de ouvido enquanto mouse e teclado estão sendo manuseados pelas minhas mãos. Kylo era o codinome de Caio no jogo Battlefield Hero.

    Jogávamos on-line em nossos computadores, cada um na sua casa.

    Esse jogo tem o cenário da primeira guerra mundial e precisamos defender as posições com armas de fogo, dessa mesma época, para vencer a batalha.

    Depois do sermão, sai do meu quarto apenas para almoçar. Como sempre, fui incumbida de limpar a cozinha e retirar os lixos da casa. Odiava essa punição, mas se minha mãe achava que me faltava serviço doméstico, que seja feita a sua vontade.

    Então, quando deitei na minha cama e olhei para o teto, descobri que não sabia o que era ficar em casa e descansar.

     Cansada de não fazer nada e louca para comer um chocolate, liguei meu notebook que há muito estava abandonado dentro do guarda-roupa e comecei a jogar. Nem cinco minutos se passaram quando Caio me chamou no programa TS para conversarmos enquanto jogávamos.

    — Droga, o cara está de sniper. Derruba ele, Fiona. — reclamou meu companheiro que acabava de morrer.

    — Partiu! — Levantei as mãos para o alto em sinal de vitória e voltei para a batalha rapidamente.

    Meu celular tocou, anunciando o recebimento de uma mensagem, mas ignorei. Precisava defender minha posição a qualquer custo.

    — Vamos, vamos... — resmunguei quando não consegui acertar meu adversário. — Droga! — A música de derrota começou a tocar, anunciando que perdemos a batalha.

    — Nossa! Esse time está muito ruim, cansei. Vamos jogar Lineage2? Acabei de receber uma mensagem do Vitor falando sobre pvp daqui a pouco. Meu celular toca novamente, fazendo-me dar atenção a ele antes de responder Caio.

    — Como foi a conversa com seus pais? Conseguiu descansar? Estou com saudades. — li em voz alta e com um sorriso nos lábios. Era Sesshomaru sendo atencioso como sempre.

    — O que é isso? — Lembro de Caio e fecho meus olhos.

    — Uma mensagem que recebi. Não deveria ter falado em voz alta. — Começo a digitar minha resposta, resumindo meu sermão em apenas duas palavras e retribuindo o quanto também sentia sua falta.

    — Seu namorado? — seu tom era sério. — O mesmo que te deu os bombons?

    — Não é meu namorado, Caio. E sim, ele quem me deu os bombons. — Pensei sobre as palavras da minha resposta e fiquei triste sem razão. Aceitei ser o segredo dele, mas no meu íntimo, lá no fundo, não queria.

     — Bem, quem é?

    — Alguém da empresa... — resmunguei baixo, sem coragem para mentir para ele.

    — Isso quer dizer que você não quer assumir o relacionamento ou ele? — Abro a boca para responder, mas ele continua. — Nunca conversamos sobre esse tipo de assunto, até porque, não sou mulherzinha para ficar discutindo sentimentos, mas você trabalha demais, joga demais e não tem uma vida pessoal. Sei que namorar não dá XP, mas precisamos aliviar a tensão de alguma forma.

    Estava chocada com suas palavras. Jurava que esse homem só pensava em programação e jogos de computador vinte e quatro horas por dia.

    — E você alivia tensão como? — mudei o foco da questão para ele, não querendo pensar que até ele reparou que não tinha vida social.

    — Não vou discutir com você sobre meus gostos sexuais a não ser que você queira experimentar, coisa que sei que não é de seu interesse.

    Ri algo ao mesmo tempo em que recebi outra mensagem de Sesshomaru no celular. “Parece que você ganhou uma fã. Sofia só vai à psicóloga amanhã se você for junto.”

    — Ah, Caio, somo amigos. Acho que não preciso experimentar para saber mais sobre os seus gostos. Eu conto o meu e você conta o seu. — provoquei e respondi a mensagem do celular. “Se meu chefe me liberar, irei com certeza.”

    — Venha na minha casa hoje e te darei uma amostra grátis. — Arregalei meus olhos e decidi não estender mais essa provocação de duplo sentido.

    — Você me convenceu, não perguntarei mais sobre isso, apesar de que estou imaginando brinquedinhos sexuais em formato da U.S.S. Enterprise. — Começou a retrucar, mas não o deixei falar, o assunto estava encerrado. — Você vai jogar RPG, eu vou arranjar alguma coisa para comer, ver um filme e dormir.

    — Como você conseguiu folga em pleno sábado? Quem está monitorando a TI?

    — Bem, acho que caí no gosto do CEO, Caio. — Sorri pelo duplo sentido que só eu entendi. — Tchau.

    Saí do programa de conversação, removi meus fones de ouvidos da cabeça e deitei na cama. Não sabia se era bom ou ruim ficar ociosa em casa.

    — Rin? — Meu irmão mais novo abre a porta do meu quarto e sorri. — Já que você nos agraciou com sua presença no final de semana, vamos ao cinema? Tem filme de mutante estreando hoje. — Sentei na cama e apontei meu dedo indicador para ele.

    — Quero pipoca. — A maior que tiver. Vá tomar banho. Rápida, me aprontei como se fosse agraciada com o poder da velocidade. Estava quase escurecendo e provavelmente sairíamos para comer algum lanche depois do filme. Para isso, coloquei minha roupa básica composta de calça jeans, blusa larga e sapatilha.

    Antes de sair de casa, interagi com os meus pais e parecia que nada havia acontecido horas mais cedo. Por estar saindo com meu irmão, nenhum alarme foi acionado para eles. Bem, não seria eu a falar algo para despertar o extinto protetor.

    Fomos ao carro de Paulo e como ele sempre foi generoso, não precisei contribuir com nenhum valor para pagar o estacionamento ou a pipoca. Enquanto esperávamos o filme começar, andamos pelo shopping conversando banalidades, sobre os últimos filmes que vimos e o que estávamos esperando.

    Pouco tempo depois, o assunto seguiu para carros e lembrei-me do carro que tinha foto. Parei de andar um momento e o surpreendi com:

    — Paulo, você não imagina que carro existe na cidade e vi com meus próprios olhos!

    — Qual? — Seus olhos brilharam. Tirei o celular da minha bolsa, busquei a foto do Porche e mostrei.

    — Um 918 Spyder com as cores da Martini. É maravilhoso! — Ao invés de vê-lo empolgado, presenciei sua cor sumir do rosto e os olhos ficarem preocupados.

    — Por que você tem uma foto de dentro do estacionamento desse prédio? — Encarou-me com o cenho franzido. — Quem você conhece de lá?

    — E quem você conhece nesse prédio? — Fiz cara de brava e usei meu poder de irmã mais velha para ter a resposta primeiro. Funcionou assim que seu olhar desviou do meu e suas mãos foram para dentro do bolso da sua calça.

    — Não diga para ninguém, mas estou saindo com a dona desse carro. — respondeu receoso e olhou para todos os lados, com medo de que alguém escutasse suas palavras.

    Estava chocada e com a boca aberta. Meu irmão estava saindo com alguém rico, podre de rico!

    — Que bom que sei um segredo seu, agora posso contar o meu. — Aproximei e baixei minha voz. — Estava lá, porque estou saindo com Sesshomaru Leon Switch, ele mora lá.

    Ficamos nos encarando por um bom tempo, ambos chocados com a situação.

    — A mãe nunca vai aceitar seu namoro. — interrompeu o silêncio com a voz um pouco sombria. Ele queria me repreender, mas estava na mesma situação que eu.

    — E o pai nunca vai aceitar você se envolver com alguém que recebe mais que você. Já pensou, seu filho não sendo o chefe da família? — zombei. Meus pais tinham um pouco dos ensinamentos dos meus avós enraizados neles.

    — Mas eu não namoro. É apenas...

    — Tudo bem, senhor “eu não namoro”. — brinquei imitando a sua voz. — Se gosta dela, independente da classe social, você deve ser feliz. — disse séria.

    Olhou para longe, depois para mim e pegou o celular. Refleti sobre minhas palavras como ele e tentei me convencer que era verdade. Simples dizer para outras pessoas e complicado aceitar para nós mesmos.

    — Está na hora do filme, vamos. — Com um braço nos meus ombros, seguimos para a sala de cinema em um clima mais cúmplice e parceiro. Não costumava desabafar com meus irmãos, mas achava que havia conseguido um parceiro nessa empreitada.

    No domingo decidimos almoçar em família no shopping. Minha mãe estava radiante já que há muito tempo não conseguia juntar todos nós para um almoço familiar.

    E para comemorar, ela queria me levar para comprar roupas e sapatos novos. Claro, quem pagaria era eu, mas ela queria fazer o papel de Esquadrão da Moda.

    Enquanto meu pai e irmãos passeavam pela loja de eletrônicos, que era onde eu também queria estar, minha mãe me arrastou para uma grande loja, onde vendiam roupas femininas, masculinas, cama, mesa e banho. Há muito não entrava em uma dessas, por falta de tempo e por ter comprado meus últimos itens de vestuário pela internet.

    Depois de mostrar mais de dez peças de roupa e eu recusar, me lembrei do motivo de odiar sair para comprar roupa com minha mãe. Ela sugeria roupas que ela vestia e não as que combinavam comigo. Sua paciência estava esgotando tanto quanto a minha quando reclamei:

    — Eu não vou usar isso, mãe! — resmunguei quando ela me mostrou uma blusa florida e de grandes proporções. Era recatada, mas um nível muito acima do meu, na verdade, era nível vovó.

    — Rin, é sempre difícil comprar roupa para você. Desde criança foi cheia de frescura. Cansei. Se vira, quero no mínimo três blusas e duas calças novas antes de irmos embora. Vou olhar roupa para seu pai e seus irmãos. — brava, ela segue para fora da loja de departamentos.

    Fecho os olhos e suspiro. Não sabia o motivo de ainda querer fazer o que ela me ordenava. Já tinha vinte e quatro anos, precisava sair da barra da saia dela. Mas antes, precisava fazer meu mochilão!

    — Acho que alguém precisa de ajuda. — reconheço a voz e viro para a dona dela. Era Vega, acompanhada de Prócion e uma ruiva exuberante.

    — Ajuda? Ela precisa de uma intervenção! — A ruiva diz e se aproxima para um abraço. — Ouvi falar muito sobre você. Sou Bet, sua salvadora fashion.

    — Como? — Cumprimento as outras duas com abraços enquanto observo Bet pegar uma blusa ousada e me mostrar.

    — Prócion, pega uma sacola, vou escolher as roupas e no provador veremos qual fica bem. — Encontra uma sacola perto de nós e a abre para Bet depositar suas escolhas.

    Será que deveria resistir mais?

    Acho que não, precisava de uma opinião que não fosse da minha mãe e a minha própria não funcionava. Queria me vestir melhor, não queria ser mais a menina da TI. Queria ser a mulher que os olhos de Sesshmaru me mostravam ser.

    — Eu não uso esse tipo de decote. — comento ao perceber que a blusa nem um pouco recatada tinha um decote avantajado e sustentado por fios.

    — Diga isso quando estiver no seu corpo. — Pisca um olho para mim e volta a procurar roupas. — Peitos foram feitos para decotes, ainda mais os seus que são avantajados.

    Olho para baixo e fico vermelha de vergonha ao lembrar o que tinha feito com Sesshomaru.

    — E aí, conseguiu um dia de folga? — Prócion me tirou do meu devaneio.

    — Sim, tive sábado e domingo para mim. — Fiz uma careta para a saia jeans que Bet colocou na sacola. Elas iriam me obrigar a vestir tudo isso de roupas e não conseguiria resistir.

    — Estar com o chefe tem suas vantagens, heim? — Bateu seu ombro no meu e sorriu ao mesmo tempo em que fiz uma careta.

    — Não sou assim, Prócion. Queria trabalhar, na verdade precisava. Além do mais, acho que nem lembro quando foi à última vez que folguei num sábado e domingo, eu merecia. — respondi na defensiva. Cruzei meus braços na frente e fiquei imaginando que seria esse tipo de comentário que receberia na empresa quando descobrissem nosso envolvimento. Todos só veriam os meus benefícios fáceis e esqueceriam o tanto que trabalho para os ter.

    — Calma, Rin. Era só uma brincadeira. — Apertou meu braço como um pedido de desculpa.

    — E mesmo se não fosse, mulher, esqueça a opinião alheia. Você merece tudo de melhor sendo a funcionária competente e sendo a mulher do CEO. — Vega fica do meu outro lado e sorri com simpatia.

    Olho para ela, depois para Bet e a vejo completamente compenetrada na escolha de roupas. Só esperava não me afogar em um estilo que não fosse meu.

    — Adoro comprar roupas com Bet. — Prócion muda de assunto.

    — Eu também, ela tem o melhor gosto e o melhor senso de moda da SAI. — complementa Vega.

     — Ela também trabalha com vocês?

    — Oba, calcinhas! — Bet anuncia e segue entre araras de roupas até a sessão de roupa íntima. E, para meu desgosto, mas não surpresa, ela pega calcinhas fio dental.

    — Não vou experimentar calcinhas! — indignei-me.

    — Não serão todas, apenas modelos específicos.

    — Estou menstruada! — falo baixo e irritada. Seria nojento.

    — Bem, então você terá que levar uma de cada para casa. — Sorriu com malícia e continuou a pegar vários modelos e colocar dentro da sacola que Prócion segurava.

    — Me ajudem! — peço para as duas. — Renda-se ao poder de Bet e seja feliz! — Prócion começou a rir quando comecei a demonstrar meu desespero.

    — Gente, minha mãe não pode saber que uso fio dental. Vai achar que sou uma garota de programa de verdade.

    — Quanto preconceito por causa de uma peça íntima, Rin. — Bet faz uma careta. — Essa calcinha é sensual, mas também é útil para não marcar nas roupas.

    — Eu nunca usei uma calcinha assim. — insisto desesperada. — Não é meu estilo.

    — Ah, mas tenho certeza que vale o sacrifício quando o bonitão te ver com ela. — Ergueu e abaixou as sobrancelhas.

    Olhei para todas elas, que se mostravam confiantes e nem um pouco interessadas em desistir de me ver com essas roupas. Enquanto Bet voltou a encher a sacola que Prócion carregava, fiz bico e cruzei meus braços na minha frente. Estava curiosa para saber como ficaria com essa roupa íntima, mas não assumiria minha derrota tão fácil.

    — Vamos para o provador, vou te ajudar com as combinações.

    Sem conseguir me preparar para o furacão chamado Bet, entramos no provador de grandes dimensões. A sacola foi colocada em cima do banco e, segundos depois, foi retirado de dentro dela a saia jeans e uma blusa pequena e decotada.

    — Mas...

    — Vista! — ordenou de uma forma que não tive como recusar ou me sentir tímida na sua frente. Removi minha roupa de costas para ela, vesti as roupas estranhas e me olhei no espelho.

    — Essa não sou eu. — Apesar de apreciar a roupa no meu corpo, o quanto me pareci descolada, estava incomodada.

    — Claro que é, mas uma você que vai para o shopping com as amigas tomar uma cerveja depois do expediente. — Em pé atrás de mim, arrumou a barra da blusa e da saia. — Com essas pernas e esses peitos, eu andaria assim o dia inteiro.

    — Acho que não sei sentar com uma saia dessas. — Encarei minhas pernas brancas e nuas. A saia social era aceitável, mas essa... — É muito para mim.

    — Tudo bem, peguei outro modelo. Já que não houve objeção para a blusa, ela fica. Tire a roupa, vou te dar outra. — Nem iria tentar protestar, sabia as batalhas que iria lutar e essa não era uma que venceria.

    Além de experimentar roupa, falei sobre tudo do mundo feminino com Bet. Além de boa com moda, ela era uma ótima conselheira. Quando falamos sobre menstruação, ela me indicou uma médica amiga sua, que me atenderia segunda-feira no almoço para providenciar um método contraceptivo ideal. Não que iria começar a transar sem camisinha, mas não teria mais preocupação com TPM e absorventes.

    Depois de duas ligações da minha mãe preocupada com meu desaparecimento e uma hora no provador, saí da loja com muito mais do que minha mãe exigiu.

    Tinha várias calcinhas novas, ousadas e recatadas. Até uma cinta entrou no meio dessa compra e quando fui pagar, Bet passou seu cartão corporativo, dizendo que fazia parte de sua missão. Queria discutir, mas quando vi o valor total, agradeci a todas com um abraço forte e a promessa de uma saída apenas com garotas.

    — E a auditoria. Como está? — perguntei antes de me despedir delas.

    — Ainda não concluímos. Tivemos progresso e está sendo reportado para o senhor Switch. — Vega sorri de boca fechada, um pouco sem graça e todas se afastam.

    Se havia novidades sobre o que estava acontecendo, eu queria saber. Peguei meu celular e enviei uma mensagem para meu CEO: “Bom domingo para você. Sabe que pode contar comigo para tudo. Até amanhã. Beijos”.

    Renovada e descansada, cheguei à empresa com um enorme sorriso no rosto, roupas novas e humor nas alturas. Vestia uma blusa de seda de alças, saia até os joelhos e uma sandália com um salto de cinco centímetros. Para mim, era uma evolução sair das sapatilhas.

    Sentindo-me confiante com os olhares aprovadores de todos por quem passei, entrei na minha sala pronta para matar todos os leões que me aguardavam.

    Além de estar feliz pelo descanso no final de semana, meu período também estava no fim, o que queria dizer que poderia me aventurar com meu CEO amanhã!

    Olhei para onde deveriam estar meus bombons na minha mesa e fiz uma careta. Comida e equipamento eletrônico não combinavam e na correria de ir embora, esqueci de retirá-los. A moça da limpeza deve ter visto e colocado na geladeira da cozinha compartilhada dos funcionários.

    — Bom dia! — Caio, também com um ar renovado, me cumprimenta e vai para sua mesa.

    — Uau, o que te tirou da cama tão cedo? — Olho o horário no relógio do computador e percebo que chegou dez minutos adiantado.

    — Já disse que para saber, você precisaria experimentar. — removendo o cabelo do seu rosto e colocando atrás da orelha, Caio sorri quando mostro o dedo do meio para ele.

    Meus outros colegas de serviço chegaram enquanto eu me organizava para começar mais um dia de trabalho. Olhei para as atividades que eles estavam trabalhando e percebi que Anderson não fez nenhuma tarefa que lhe passei na semana passada.

    Não tive tempo para fazer nada do que ficou sem fazer, já que Sesshomaru havia monopolizado minhas habilidades. Todas elas.

    — Anderson, você viu as atividades de novas implementações no sistema que te passei na semana passada? — perguntei sem malícia, mas estava sentindo raiva por ter muito trabalho atrasado.

    — Sim. — respondeu, sem me olhar.

    — Existe alguma dúvida para executá-las? — insisti na pergunta inocente, mas na verdade, queria perguntar: então, por que não fez?

    — Não.

    — Poderia, então, concluir para mim? Elas são prioridades.

    — Você não é minha chefe. — resmungou baixinho, mas escutei alto e claro.

    Como é que é? Ele está fazendo esse corpo mole porque não sou sua chefe?

    Caio observa nossa interação com o cenho franzido enquanto Vitor finge que não está acontecendo nada com o fone de ouvido posto.

    Queria atacar, levantar e colocar meu dedo no seu rosto, mas mantive a calma, porém sem perder minha postura de líder.

    — Na verdade, enquanto Alex não está, sim, sou sua chefe. — digo firme e contundente, fazendo com que ele me olhe com raiva. Qual era o problema dele? — Poderia priorizar tudo o que te passei na semana passada? Deveria já estar pronto!

    Direcionou seu último olhar para mim com raiva, voltou sua atenção para a tela do seu monitor e me ignorou. Como tratar uma situação dessas?

    Enquanto pensava sobre o assunto e trabalhava, Anderson saiu da sala e ficou muito tempo fora dela. Como se não tivesse serviço acumulado, ele estava procrastinando.

    Resolvo terminar a parte que faltava do relatório de Sesshomaru e esqueço por um momento o que aconteceu há poucos minutos atrás. Assim que terminei, meu telefone toca.

    — TI, bom dia.

    — Rin, é Carina, tudo bem?

    — Bom dia, Carina. Em que posso ajudar hoje?

    — Poderia vir a minha sala por um momento?

    Ela parece enigmática, mas não consigo pensar em nada que queira falar comigo diretamente.

    — Tudo bem.

    Desligamos o telefone e aviso a Caio que já volto. Subo as escadas arrumando meu rabo de cavalo. Essa foi a única coisa igual que mantive. Cabelo solto atrapalhava o trabalho, tanto quanto pulseiras e anéis.

    Vou até o primeiro andar, onde o setor de RH ficava localizado, e entro na sala depois de bater duas vezes na porta.

    — Olá, Carina. — Ela apontou para a cadeira na frente da sua mesa e me sentei nela.

    — Pedi que viesse até aqui, porque Anderson se sentiu ofendido pelo seu tratamento hoje de manhã. — Meu coração começou a correr como um cavalo de corrida. Não acreditava que ele fez isso comigo. — Ele me falou que você cobrou algumas atividades que não foram diretamente incumbidas a ele e depois, na frente dos seus colegas, deixou a entender que ele era incompetente.

    — Não entendi. O que ele contou para você? — Esfreguei minhas mãos no rosto e tentei engolir tudo o que Carina estava me falando.

    — Ele está equivocado? Me conta a sua versão do que aconteceu.

    — Eu só perguntei o motivo dele não ter executado as atividades que passei a ele, então, jogou na minha cara que eu não sou sua chefe. Bem, se não sou, quem é? Quando Alex não está, quem assume tudo sou eu! Sempre foi assim, não entendi o motivo dele interpretar tudo isso como intimidação. — Olhava para todos os cantos, em busca de uma resposta.

    Tinha chegado tão feliz na empresa, estava tão contente por ter uma folga, mudar meu visual e então... levo uma rasteira dessas.

    — Rin, preciso prezar pelos funcionários. Se ele se intimidou, para isso virar um processo de assédio moral é um piscar de olhos. Senhor Switch te promoveu, talvez faltou nossa apresentação formal para seus colegas de serviço. — Em todo o momento, Carina tentou ser compreensiva apenas com o lado de Anderson.

    — Você pode questionar Caio ou Vitor, não houve intimidação. Foi uma pergunta, apenas. As atividades estão atrasadas, sozinha não dou conta, por isso os tenho! — Comecei a me exaltar e Carina levantou as mãos em um movimento para tentar me acalmar.

    — Tudo bem, tudo bem, mas ele já fez a reclamação, precisarei repassar para o senhor Switch para avaliação. — Ela não poderia der dito coisa pior. Em vez de ajudá-lo na empresa, estava causando mais transtorno.

    — Será que valerá de alguma coisa pedir desculpas para ele? — Franze a testa com a minha sugestão. — Com a melhor das intenções, peço que o chame aqui para administrar esse conflito, me dê a oportunidade de réplica, Carina. Irei me desculpar e dizer que minha intenção não foi essa. Por favor, não leve isso para o senhor Switch — praticamente implorei.

    — Não sei, Rin. Você é jovem e às vezes, o jeito que falamos pode transformar uma simples frase em algo agressivo. Posso não passar imediatamente para ele, mas precisarei repassar em algum momento.

    — Por favor. — Apertei o apoio da cadeira que estava sentada.

    Pensando, Carina pegou o telefone, ligou para Anderson e aguardamos a sua chegada.

    — Tente não se exaltar. — Foram suas últimas palavras para mim quando Anderson entrou e intimidado, abaixou a cabeça e se aproximou de nós. — Sente-se, Anderson. Conversei com a Rin e parece que tudo foi um mal-entendido.

    —Sim, Anderson. Me desculpe se fui grosseira de alguma forma. Acho que nos faltou comunicação. Estou com outras atividades para serem feitas, exigência do senhor Switch, por isso passei para você, que é o mais ágil da equipe. — exagerei em suas qualidades, querendo suas desculpas ao mesmo tempo em que queria trucidá-lo. Meu coração não parou de bater acelerado em nenhum momento, me fazendo quase gaguejar no pedido de desculpas.

    — Ninguém sabia que você estava substituindo Alex. Não fomos informados e receber ordem de colega de serviço não é legal, ainda mais naquele tom. — respondeu com um sorriso nervoso e olhando para Carina.

    Paciência. Por favor, cabeça, não me permita dizer nenhuma besteira ou agredi-lo fisicamente na frente de uma testemunha.

    — Então, Anderson. Senhor Switch promoveu Rin a chefe do setor, ela é oficialmente chefe junto com Alex. Vamos fazer uma reunião hoje ou amanhã para apresentá-la como tal, tudo bem? — Olhou para ele, olhou para mim e continuou. — Sobre o mal-entendido, Rin conseguiu esclarecer?

    — Mais ou menos... — resmungou e recebi uma advertência no olhar de Carina quando arregalei meus olhos. Respirei fundo e invoquei a paciência do mestre ancião.

    — Anderson, me desculpe pelo que falei. Não tive a intenção de te constranger. — Ele não olhava para mim, apenas para o chão. Covarde! — Pode deixar que mudarei a forma como tratarei as atividades não concluídas, tudo bem?

    Ele não respondeu e Carina chamou sua atenção.

    — Estamos aqui para resolver de forma amigável, Anderson. O que você tiver de problema, pode contar com a gente. Rin está sendo humilde o suficiente para reconhecer o erro e se desculpar.

    Não, eu não estava errada! Queria gritar, porque estava sendo tachada de assediadora e não foi desse jeito. Quer raiva! Que ódio! Sentia-me presa dentro de uma cela de injustiça.

    — Tudo bem. — Ele olhou para mim pela primeira vez depois que comecei a falar com ele e percebi a sua sensação de superioridade. Ele havia conseguido o que queria. — Obrigado, Carina. Preciso voltar ao serviço.

    — Tudo bem, Anderson. Obrigada. — falou atenciosa.

    Assim que ele saiu da sala, levantei-me da cadeira e comecei a andar pela sua sala. Era pequena, apenas armários, a mesa e cadeiras.

    — Você viu como ele foi cínico? — Apontei para a porta e falei baixo.

    — Rin, tenha paciência. Ser líder e chefe não é fazer amizades, mas controlar seus subordinados. Ele parece ter alguma birra com você, então, tome cuidado dobrado antes de tratar com ele sobre trabalho e cobranças.

    — Isso é muito injusto. — Continuo andando pela sala e cruzo meus braços na minha frente. — Eu nunca dei motivo para me tratar assim, pelo contrário, sempre cobri as costas dele, quando não concluía uma atividade e Alex exigia estar pronta para ontem.

    — Bem-vinda ao mundo da liderança. Nem sempre temos os melhores liderados. Felizes são aqueles que conseguem aproveitar as intempéries a seu favor.

    Sento na cadeira, descruzo meus braços e faço uma careta.

    — Isso é...

    — Sim, isso é. Mas você é competente, Rin, vai tirar de letra. E não se esqueça, não o trate diferente. — Sorri compreensiva e olha para seu computador. — Estou esperando seus documentos.

    — Sim, envio agora para você. Obrigada, Carina.

    — De nada.

    Antes de voltar para a minha sala, olho para as escadas pensando se deveria subir para falar com Sesshomaru antes ou iria para o banheiro, para me recompor.

    Decido pelo banheiro, com medo de ser repreendida por mais um. Joguei água no rosto, imaginando que fosse óleo de peroba e desci as escadas para a sala onde existia mais um idiota na minha vida profissional.


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