Amor De Ceo

  • Aelita
  • Capitulos 21
  • Gêneros Romance e Novela

Tempo estimado de leitura: 6 horas

    18
    Capítulos:

    Capítulo 11

    Capítulo 10

    Álcool, Hentai, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência

    Fui dormir incomodada e acordei renovada. Apesar do peso nos meus ombros, percebi que meu corpo relaxou e incrivelmente consegui descansar.

    Minha mente ainda estava fervilhando com ideias, possibilidades e imagens obscenas. Estava me sentindo um menino recém-chegado a puberdade, precisando se aliviar mais de cinco vezes por dia.

    Quando abri meu guarda-roupa para escolher o que iria usar, decidi abandonar minha calça jeans. Peguei meu conjunto de calça social e terninho, há muito abandonado.

    Escolhi a lingerie branca mais nova que possuía e as coloquei. Preciso variar as cores, porque branco, bege e preto eram as que predominavam. Nenhuma sensual, todas casuais.

    Completamente vestida, olhei-me no espelho e sorri para o reflexo. Parecia uma executiva, não mais a menina da TI. Peguei minha bolsa e vi o quanto não combinava com meu vestuário sofisticado.

    Pego meu celular, que estava carregando, e vejo que estou em cima da hora para pegar o ônibus. Rapidamente saio do meu quarto e vou para cozinha, onde toda a família já estava.

    Cumprimento todos com um bom dia murmurado e beijo no rosto.

    — Dormiu bem, minha filha? — minha mãe questiona com preocupação enquanto abro a geladeira em busca de alimento para o café da manhã. Meu pai e irmãos estavam sentados à mesa terminando seus desjejuns.

    — Sim, mãe, assim como todos os dias. — Pego uma maçã, lavo-a na pia e decido ir comendo no caminho. — Vou correr para pegar o ônibus. Bom trabalho, gente.

    Com uma mão no meu braço, minha mãe interrompe minha saída de perto dela. Olho-a confusa e espero o que parecia ser um sermão.

    — Filha, você sabe que pode contar com a mãe, certo? — Engulo a saliva como se fosse areia e aceno em acordo, com medo de derramar todas as minhas preocupações em seu colo. — Você tem mania de guardar tudo para si, com medo da nossa reação. Só queremos o seu bem. Deixe-nos te proteger.

    Com um sorriso forçado, beijo o seu rosto, murmuro um agradecimento e fujo para o ponto de ônibus, com lágrimas nos olhos.

    . Minha mãe tinha um sexto sentido para tudo, com certeza farejou minhas inseguranças e receios, por mais que estivesse me sentindo poderosa com essa roupa. Dou uma mordida na maçã e espero o ônibus respirando profundamente para que meu equilíbrio emocional voltasse ao normal.

    Chego ao trabalho com minha confiança recobrada. Sorridente, vejo que o segurança e a recepcionista repararam na minha roupa social. Droga! Essa era a desvantagem de se vestir bem quando você sempre se portou informalmente, todos iriam reparar e comentar.

    Nem quero imaginar quando vier trabalhar de saia. Bem, acho que isso nunca irá acontecer, já que apenas dois vestidos fazem parte do meu guarda-roupa e são para festas de gala.

    — Bom dia, Matias. — cumprimento o segurança que desce as escadas comigo para abrir a porta.

    — Bom dia, senhorita. Está elegante hoje. — Abrindo a porta para mim, agradeço seu elogio e sigo para minha mesa.

    Memórias do dia anterior fazem meu coração bater acelerado, mas me forço a seguir com minha rotina, porém, com um sorriso bobo nos lábios.

    Sabia que poderia ser apenas um objeto da operação, mas o ato libidinoso de ontem foi bom, não podia negar, meu corpo não permitiria.

    Checo meus e-mails e aos poucos, meus colegas de trabalho vão aparecendo e me cumprimentando. Caio é o último a chegar, com uma caixa de bombons Ferrera Rochedo na mão.

    Amplio meu sorriso assim que ele a coloca em cima da minha mesa e quando abro minha boca para agradecer, olho em seus olhos e vejo acusação neles.

    — O que foi, Caio? — esqueço da cordialidade e vou direto ao ponto.

    — Você está namorando? — acusa-me com voz baixa.

    Sinto toda a cor do meu rosto sumir e meu coração parar de bater por um momento. Será que ele sabe sobre mim e Sesshomaru?

    Tento encontrar alguma coisa em seu olhar, julgamento ou nojo, mas só vejo acusação e mágoa.

    — Não estou entendendo sua pergunta. — decido pela ignorância enquanto recobro meus sentidos e cor da pele.

    — Cheguei à empresa e a recepcionista me pediu para entregar a você essa caixa de bombons, justo o bombom que dou para você! — sussurra com raiva. Tento entender qual o problema, o que realmente deixou Caio furioso e para minha sorte, ele continua. — Avise aos seus admiradores ou namoradinhos que você tem um amigo muito ciumento, e Ferrera Rochedo só EU posso te dar.

    Deixando-me atônita, observo Caio se ajeitar em sua estação de trabalho, colocar os fones de ouvido e imergir no trabalho. Olho para Anderson e Vitor, que estão confusos tanto quanto eu.

    Meu colega de trabalho e amigo estava com ciúmes porque alguém me deu o mesmo bombom que ele me dá, como se apenas ele tivesse a exclusividade de me presentear.

    Esses homens da computação não existem!

    Bem, melhor ciúme pela amizade do que por amor. Nada entre nós poderia acontecer, não tínhamos química para isso.

    Pego a caixa e olho para todos os lados dela, em busca de uma identificação. Nada, era apenas ela e seus bombons suculentos.

    Com meu instinto desconfiado em alerta, decidi não comer nada antes de saber de quem era. Fui ameaçada por telefone ontem e agora, estava recebendo bombons sem identificação? Nunca tive um admirador secreto, não achava que teria boas intenções nesse presente.

    Ah, não esqueça do sexo selvagem de ontem. Minha mente impertinente se intromete e entorto minha boca, antes de voltar aos meus afazeres. Tinha um monte de relatórios para fazer e entregar a Sesshomaru e agora que sabia um pouco sobre seus intuitos, a cada pessoa consultada, investigava acessos suspeitos.

    Sites que entrou, operações nos sistemas, tudo foi conferido por mim e o relatório, que deveria estar pronto até o final da manhã, estava pela metade. Tinha opção de continuar indiferente, mas os sentimentos que sentia por Sesshomaru não me permitiam ser apenas profissional. Meu lado racional poderia dominar minha boca, mas minhas ações apenas o coração controlava.

    Não saí para tomar água e muito menor ir ao banheiro. Não olhei para os lados e direcionei tudo o que me era encaminhado para meus colegas de trabalho. Estava compenetrada e determinada a encontrar algo.

    Fiz isso durante toda a manhã e antes de sair para almoçar com os colegas de serviço, duas mulheres invadiram minha sala. As duas da mesma estatura, uma branca e outra mulata. Ambas de cabelos escuros e vestindo terninhos, saias e sapatos altos.

    Eram duas executivas com poder e presença no recinto, fazendo com que Anderson e Vitor parasse o que estavam fazendo para babar. Como era de se esperar, o excêntrico Caio apenas ignorou a presença de ambas, tirou seus fones, levantou-se e olhou para nós.

    — Vamos almoçar?

    Saindo de seus transes, Vitor e Anderson também se levantam.

    — Bom dia, moças. Precisam de alguma coisa? — Levanto da minha cadeira, dispenso meus colegas e congelo no lugar assim que sinto algo descer.

    Estava de TPM e o senhor “chico” acabou de dar suas caras. Teria momento pior? Com um suspiro, caminho vagarosamente até elas, que me olham avaliadoras.

    — Sou Prócion, auditora da Stars Auditoria e Investigação. Fomos contratadas pelo senhor Switch. — Estendi minha mão de forma tensa, para cumprimentá-la, sentindo minhas partes íntimas ficarem úmidas.

    Caramba, será que tinha algum absorvente na minha bolsa? Normalmente tinha um reserva sempre, mas não me lembrava se repus o último, uma vez que minha menstruação não era nem um pouco regular.

    — Eu sou Vega. — Também nos cumprimentamos com um apertar de mãos, mas ela não me soltou. — O que está acontecendo?

    Não sabia o que pensar. Ela estava querendo saber sobre o que estava sentindo nesse momento ou o que estava acontecendo com a empresa?

    Sentindo uma nova onda de umidade entre as minhas pernas, soltei do seu aperto e corri para a minha bolsa.

    — Gente, desculpe, mas preciso ir ao banheiro urgente. — Com desespero, não encontro nada na minha bolsa e gemo em frustração. — Droga!

    — Rin? — escuto a voz de Sesshomaru e olho para o teto, sabendo que tinha feito algo de muito errado em outra vida para tudo isso estar acontecendo e com ele presenciando.

    Viro minha cabeça para olhar as três pessoas que me observam com intensidade. Será que alguma delas possui um absorvente?

    — Elas são as responsáveis pela auditoria, como conversamos. Gostaria que você as ajudasse no que precisarem. — Apesar do seu olhar confuso e preocupado, Sesshomaru manteve a postura profissional.

    Percebi que me avaliou da cabeça aos pés e com medo da grande umidade que sentia, virei meu corpo completamente para frente. Coloquei minhas mãos para trás, com a intenção de sentir se algo estava aparente.

    — Sim, senhor Switch. — minha voz tremulou.

    — Terminou os relatórios de ontem?

    — Estou quase acabando. — controlo minha voz para não choramingar. Céus, poderia me sentir mais constrangida do que agora?

    — Quando terminar gostaria de me reunir com você. — solicitou de forma profissional.

    Vejo a moça, Vega, arregalar os olhos e sorrir para mim com simpatia. Virou para Sesshomaru e falou:

    — Obrigada por nos apresentar, senhor Switch. Assumimos a partir daqui. Ainda hoje receberá um relatório do que encontrarmos. — dispensando nosso chefe, Sesshomaru sai da sala e Vega fecha a porta. — Prócion, alerta vermelho do mês. — diz em tom conspiratório.

    Estou sem ação, não sabendo o que fazer para me livrar dessas duas mulheres.

    — Sério? Você não está se prevenindo? — A mulata questiona e então, as duas se viram para mim, seus olhares com simpatia. — Poxa, Rin, justo agora?

    — Do que vocês estão falando? Olha, estou numa emergência, preciso de um...

    — Absorvente. Sabemos, sua calça já está manchada. — interrompe-me Vega. Vem em minha direção, vira-me de costas e consta com um estalo de língua. — É, você está com problemas.

    — Alguma de vocês tem absorvente? — repito meu pedido com desespero.

    — Você precisa trocar de roupa, Rin. Absorvente não vai resolver nada. — Prócion responde e faço uma careta desesperada.

    — Não posso ir para casa, é muito longe. Ainda por cima, preciso terminar um relatório e ajudar vocês. — Suspiro nervosa. — Sabe aquele dia que você achou que começou com o pé direito, mas então, reconheceu que tem dois pés esquerdos? Vesti-me bem pela primeira vez na vida para vir trabalhar, ganhei bombons de um desconhecido e ainda descobri que meu amigo tem ciúmes de mim, o que conforta meu coração, já que não tenho amizades. Estava indo tudo bem, até que levantei da minha cadeira e senti essa... — olho para meu quadril e resmungo frustrada. — Nessas horas, odeio ser mulher.

    Como sempre acontecia quando ficava nervosa, falei demais.

    — Venha, vamos te ajudar. — Vega me coloca na sua frente e empurra-me para fora da sala. — Siga até o banheiro feminino, cuidarei da sua retaguarda. Prócion irá trazer algum vestuário para você, daremos um jeito.

    Esquecendo que eram duas estranhas, faço o que me é orientado subindo para o banheiro no térreo. A outra moça seguiu para fora da empresa.

    O banheiro era pequeno e tinha apenas dois reservados. Com um sorriso simpático, Vega me observa enquanto retribuo sua avaliação.

    — Desculpe a indelicadeza, mas de onde surgiu o nome Vega? — para passar o tempo, decido perguntar o que havia me intrigado antes.

    — É o nome de uma das estrelas mais brilhantes do universo. Antes que você questione, Prócion também. Trabalhamos para a SAI e apenas por uma questão de gosto, temos nomes de estrelas. — Pisca um olho para mim, confiante e carismática.

    Ainda não estava entendendo muito bem tudo isso, mas a outra moça, com uma bolsa na mão, entra e nos tranca.

    — Você parece vestir o mesmo número que nós, então acho que vai dar certo a mesma roupa que vestimos. — Coloca a bolsa em cima da pia com duas cubas e retira o que precisava. — Tem absorvente interno, normal sem abas, com abas...

    — Por que vocês trazem uma roupa extra? — interrompo-a.

    — Somos auditoras e algo mais, o que implica em sempre estar preparada para qualquer eventualidade, nossa ou de nossos clientes. — Vega responde, mas não consigo processar as palavras.

    Prócion virou seu rosto para mim e ergueu uma sobrancelha.

    — Você não usa nenhum método para controlar sua menstruação?

    Mal havia as conhecido e já queriam saber de assuntos particulares sobre a minha vida. Quem eram essas mulheres?

    — Prócion, você a está assustando. — Vega se aproximou de mim e com um sussurro, me tranquilizou. — Antes de chegarmos aqui, investigamos a empresa e todos os funcionários da sede. Sabemos que você é correta, não há nada que desabone sua conduta dentro da empresa. Estamos do mesmo lado, queremos descobrir quem está por trás do rombo e encare isso como um ato de boa-fé de nossa parte. Queremos que confie em nós. Somos as mocinhas. Além do mais, precisaremos de muitas informações e acesso para concluir essa operação.

    Bem, se ela achou que eu estava assustada antes, mal sabia que agora eu estava tremendo. Decidindo por absorver suas palavras antes de concordar ou correr para questionar Sesshomaru, pego a roupa das mãos da mulata, constatando com tristeza que se tratava de uma saia e terninho, além de uma calcinha preta e adequada para minha atual situação.

    Escolho o absorvente com abas e entro em um dos cubículos. Troco-me e fico olhando para minhas canelas nuas. Não lembrava a última vez que vesti uma saia, já que não existia uma no meu guarda-roupa.

    — Está tudo bem por aí? — Prócion bate na porta do meu cubículo e abre vagarosamente. — Qual o problema? Muito comportado?

    — Acho que nunca vesti uma saia depois dos meus quatorze anos. — falo baixo e tentando não entrar em pânico. — Não sei usar isso, todos vão reparar.

    — São coisas da sua cabeça, não dê bola para elas. — Mostra-se com a mão, de cima para baixo e ergue as sobrancelhas. — Você diria que odeio saias, salto altos e sou flamenguista fanática?

    — Você gosta de futebol?

    — Tanto gosto, como jogo. Vou aos estádios e fico gritando no meio na muvuca! — Ela ergue o braço e começa a cantar algum hino desconhecido pela minha pessoa.

    Assim que a torcida acaba, sou retirada do meu esconderijo e encaro meu reflexo no espelho. Vega foi para meu lado, de modo que ficou uma de cada lada.

    — Você está linda. Por que essa cara? — Vega questiona.

    Porque não me sinto eu.

    Respiro fundo e decido ignorar essa sensação de me sentir muito mulher. Precisava aceitar que era bonita, que um homem me tomou ontem com muito desejo e que sabia o que estava fazendo, tanto no lado pessoal como no profissional.

    — Vocês têm razão, não há motivo para tanto alarde, é apenas uma saia. Além do mais, vocês salvaram meu dia. — Sorrio para o reflexo e para as duas. Elas retribuem o sorriso e se afastam de mim.

    — Vamos então. Você poderia nos dar acesso aos sistemas para consultar relatórios antes de ir almoçar? — Prócion solicita.

    — Não vou almoçar, ficarei com vocês. — Volto para o cubículo, pego meus pertences manchados e dobro-os até se transformarem em um pacote pequeno.

    Apesar de elas serem simpáticas, transmitirem confiança e segurança, não liberaria os dados da empresa sem supervisão. Não arriscaria, mesmo que Sesshomaru confiasse nelas.

    Descemos para minha sala novamente. Sinto-me estranha, com as pernas presas e frias por causa da pele exposta.

    Guardo minha roupa usada, arrumo a mesa de Alex para as duas utilizarem e sou recompensada com mais dois absorventes. Agradecendo com os olhos, guardo-os em minha bolsa e volto para a minha mesa, com a intenção de criar usuários de consulta para as duas auditoras.

    Ambas abrem notebooks na mesa e percebo que cochicham. Tento entender o que falam, mas não consigo discernir as palavras. Elas parecem tão competentes no que fazem e entrosadas que antes de liberar o acesso, admiro-as pelo canto do meu olho.

    — Acessem o endereço intranet.supermercadosstar.com.br no browser dos seus computadores. Criei um usuário para cada uma, seu nome ponto consulta. — Elas prontamente começam a seguir minha orientação.

    Volto a focar no meu monitor e nos meus relatórios para Sesshomaru sobre os acessos dos funcionários assim que meus colegas de trabalho voltam do almoço e seguimos a tarde em um silêncio cômodo.

    Só quando o primeiro a se despedir, Vitor, se pronuncia é que percebo que já são dezoito horas. Meu estômago roncou e olhei para os bombons com um desejo desumano.

    Nenhum deles questionou a presença das duas mulheres desconhecidas, comprovando o quanto apenas eu tinha uma preocupação além das minhas atividades normais.

    — Boa noite, Rin, pelo jeito não vai participar do corujão hoje, né? — Balanço a cabeça de forma negativa.

    — Bem, até segunda-feira. — Deixando um de seus bombons para mim, Caio se despede e Anderson o acompanha. Sem pensar duas vezes, devoro o pequeno néctar dos deuses e gemo de saciedade.

    — Você não comeu? — Prócion se manifesta.

    — Esqueci completamente. Quando estou focada em alguma coisa, esqueço-me até de beber água. — Havia levantado duas vezes para ir ao banheiro, para trocar o absorvente e beber água.

    — Muito serviço para hoje?

    — Sim, um relatório que senhor Switch me solicitou. — Olho novamente para as horas, apenas para constatar que minha noite seria longa. Apesar de estar começando o final de semana, há muito tempo isso não existia para mim. O plantão não me permitia hoje e Alex não me permitia antes.

    — Nós terminamos o relatório inicial de auditoria. Você nos acompanha até a sala do CEO? — solicita Vega.

    — Sim, sem problema. — Apesar da minha calma aparente, meu estômago começou a embrulhar e a fome a sumir. As fadas da antecipação acordaram e me fizeram suspirar quando levantei da mesa.

    Com destreza e profissionalismo, as duas fecharam os notebooks, guardaram em suas pastas e me acompanharam pelas escadas. Assim que cheguei ao térreo, rumei para o elevador, por estar muito incomodada em andar com a saia.

    Assim que entramos, Prócion me olha da cabeça aos pés.

    — Antes que me esqueça, pode ficar com a roupa. Você ficou muito bem nela.

    — Como assim? Eu não posso aceitar! — tento contestar, mas sou interrompida pelo olhar feroz das duas auditoras.

    — Ainda bem que o meu presente não está em discussão. — Com o abrir de portas do elevador indicando o último andar, ela e Vega saem depois de mim.

    Aproximamo-nos da mesa da secretária Mirela e minha surpresa foi tanta com seu sorriso acolhedor que me fez arregalar os olhos.

    — Rin, querida, o que você precisa hoje? — O leão de chácara, que mais parecia um gato carente, me recepciona dessa forma e me deixa sem palavras.

    Quem era essa mulher e o que fez com a esnobe que anteriormente ficava aqui?

    As auditoras perceberam meu choque e intercederam por mim.

    — Boa tarde. Estamos aqui para falar com senhor Switch. — Vega tomou a frente.

    — Mas é claro, só um momento que irei anunciá-las.

    Com certeza tinha entrado em um universo paralelo, porque essa mulher me viu mais de dois dias seguidos e em nenhum momento se mostrou tão prestativa igual agora. Seria uma fachada por causa das auditoras? Sesshomaru falou com ela?

    Como se tudo começasse a se encaixar, lembro-me do dia de ontem, que entrei sorrateira nesse andar por causa da ligação suspeita no horário do almoço. Precisava verificar as câmeras e tentar descobrir quem era esse “chefinho”. Alguma coisa aconteceu de ontem para hoje para que ela mudasse o comportamento de forma tão radical.

    Com o sorriso ainda estampado no rosto, nos encaminha para a sala de Sesshomaru. Acabei me distraindo dos pensamentos de que iria ver o homem o qual havia me entregado. Assim que a porta se abriu e seus olhos saíram do seu notebook para nós, precisei segurar minha respiração, porque esse homem continuava tão magnífico como sempre.

    Como se não tivesse o encontrado na hora do almoço. Minha mente me recrimina pela reação exagerada, mas diferente da nossa interação no meio  do dia, seus olhos transpareciam desejo. Quem via de longe poderia achar que estava com raiva de mim, mas reconheci esse olhar, era o mesmo de quando se ajoelhou e devorou meu sexo.

    — Rin? — Sou tirada do meu transe apaixonado por Vega. Olho para as duas auditoras e percebo que suspeitam dos meus sentimentos, porque ambas sorriem com mistério em minha direção. — Poderia configurar o notebook do senhor Switch para acessar nossos relatórios? Temos uma plataforma para armazenar nossos documentos, não é difícil de acessar, basta digitar o endereço no browser.

    Seguindo no automático e me aproximando do causador da farra no meu estômago, paro ao lado de sua cadeira e tento encarar seus olhos sem derreter.

    — Boa tarde, senhor Switch. Posso configurar seu notebook? — Engulo a saliva com receio de sua resposta, por mais que seja óbvia. Na verdade, estava muito ansiosa.

    — Sente-se antes de qualquer coisa e faça tudo de onde eu possa ver — com seu habitual tom de ordem, todas as sensações que estava sentindo são cobertas por gelo. Não há intimidade, muito menos carinho.

    O que pensei que poderia acontecer? Demonstração pública de afeto? Ele havia deixado claro que não assumiria nada por causa da auditoria e com minha relutância em aceitar conversar mais sobre o assunto ontem à noite, provavelmente o que tivemos não passou de um momento e nada mais.

    Segundos depois, Prócion libera uma cadeira. Pego-a e trago até ao lado dele, para fazer tudo sob seus olhos. Desta vez, a aproximação foi diferente, fria a distante.

    Meu cérebro dizia que tudo isso não se passava de uma fachada por causa de nosso público, mas meu coração, que era tão sentimental e carente, não queria saber, apenas sofrer pela indiferença do CEO.

    Como orientado, acesso o site institucional da Stars Auditoria e Investigação. Existia um espaço para clientes que, depois de inseridos o usuário e senha, aparecia um repositório de documentos.

    — Pronto, senhor Switch. — Com mágoa perceptível no meu tom, levantei-me, devolvi a cadeira para a auditora e encarei os três. — Precisam de mais alguma coisa? Tenho um relatório para ser concluído.

    Mesmo com o mesmo olhar de quando entrei, desejando-me, Sesshomaru me dispensa.

    — Tenho urgência nesse relatório, Rin. Qualquer coisa Mirela solicitará sua presença.

    E com suas palavras de dono da Supermercados Star, despeço-me das gentis moças e saio da sala com o coração na mão de tão triste.

    — Aconteceu alguma coisa, Rin? Posso ajudá-la? — a voz suave de Mirela assusta-me o suficiente para parar meu progresso e quase pular.

    — Estou bem, obrigada. — Continuo a andar e desço as escadas como se o andar estivesse pegando fogo. Apesar de estar de saia, os sapatos continuavam sendo minhas sapatilhas, que me permitiram agilidade na hora de descer com velocidade.

    Com a mudança drástica de tratamento de Mirela na cabeça, a primeira coisa que fiz quando voltei para o meu computador foi acessar o servidor que continha as imagens das câmeras de segurança da empresa. Precisava comprovar quem estava querendo brincar comigo: essa mulher ou Sesshomaru.

    Apesar de ter acreditado nas palavras do dono da empresa, estava ressentida o suficiente para voltar a desconfiar dele, independentemente se havia me tratado com tanto cuidado enquanto estivemos em nosso momento íntimo.

    Perdi algum tempo entendendo como funcionava o programa de vigilância, quais eram as câmeras e como recuperava as gravações. Sabia que tinha relatório para fazer, mas essa informação era mais importante.

    Pesquisei pelo horário, pelas câmeras que poderiam ter me registrado subir ou a passagem de Mirela e seu “chefinho”. Nada, não havia nada nos vídeos, parecia até ser uma fotografia sendo filmada de tão estático que as escadas pareciam. Não existia nada diferente das dezenove às vinte. Matias apareceu pouco depois desse horário nas imagens, conferindo o travamento das salas.

    Apoio meu cotovelo na mesa e minha cabeça na minha mão, observando as imagens e tentando decifrar o que havia acontecido. Como isso era possível?

    — Boa noite. — Vega tira minha concentração com sua aparição. Com um sorriso no rosto, ela se aproxima da minha mesa, deixa um cartão pessoal em cima do meu teclado e pisca um olho para mim. — Foi muito bom trabalhar com você. Para emergências. Qualquer uma. — ressaltou a frase final, o que me fez questionar até onde essa emergência iria.

    — Já terminaram a auditoria? — questiono, já que apenas algumas horas não poderiam ser suficientes para uma auditoria.

    — Primeira etapa concluída. Se tudo correr como pensamos, não iremos mais nos encontrar. Bom final de semana. — Sem maiores explicações, vai embora e me deixa cheia de perguntas.

    Volto a trabalhar no relatório de Sesshomaru quando meu telefone toca. Diferente dos outros dias estava tão chateada que não liguei música nenhuma para me acompanhar. Queria apenas ir embora, já que estava cansada e morrendo de fome.

    — TI, boa noite.

    — Boa noite, Rin. Senhor Switch solicita sua presença na sala dele. — assusto ao escutar a voz da mulher que nunca vi fazendo uma hora extra na vida. Bem, já tinha comprovado que fazia para os antigos sócios da Supermercados Star.

    — Estou subindo. — Desligo o telefone e levanto da minha cadeira.

    Olho para a caixa de bombons intacta na minha mesa e com raiva, abro-a e como um deles para saciar minha fome. Se alguém queria me envenenar, conseguiu, porque estava mais faminta do que preocupada com minha saúde!

    Novamente, subo as escadas até o térreo e pego o elevador. Descer as escadas não tinha problema, mas subir era complicado. Saia executiva tinha tudo de complicado, mesmo que me deixasse parecendo muito mais mulher.

    Assim que cheguei à recepção, Mirela estava arrumando sua mesa para ir embora. Como se nada de estranho tivesse acontecido com a gente, ela sorri e diz:

    — Você está muito bem com essa roupa, Rin. Pode entrar, sua chegada já foi anunciada. Bom final de semana. — Aproxima-se de mim, dá-me um beijo no rosto e segue para o elevador que estava com a porta aberta.

    Observei seus passos, inclusive acenei um tchau, porque não conseguia não retribuir suas ações, ela parecia tão legal. Olhei para sua mesa, procurei alguma coisa fora do lugar e não havia nada.

    Apesar disso tudo, meus dois pés ainda estavam atrás quando se tratava dessa mulher. Até descobrir sua verdadeira intenção, ficaria com os dois olhos abertos em sua direção.

    Segui para a sala do Sesshomaru, bati duas vezes na porta e abri.

    — O senhor me chamou? — por hábito, tratei-o formalmente, entrei na sala e fechei a porta atrás de mim. Não andei até ele, porque seu olhar havia me paralisado logo na entrada.

    Ele havia retirado a jaqueta do terno, dobrado as mangas da camiseta branca até os cotovelos e soltado um pouco a gravata. Estava um pouco amarrotado, cabelos bagunçados e muito irresistível.

    Esse homem realmente foi meu? Desejou-me como se fosse a mulher mais irresistível do mundo?

    — Venha, Rin. — encantou-me como um mestre da sedução.

    Obediente, andei até as cadeiras que ficam na frente da sua mesa. Sem precisar ditar outro comando, virou a cadeira e seu corpo de lado para a mesa. Entendendo que me queria ao seu lado, dei a volta na mesa e parei à sua frente.

    Com o coração acelerando gradativamente enquanto olhava-me da cabeça aos pés, sentado em sua cadeira, com as costas grudadas no encosto. Depois que seus olhos param nos meus, o avela que me iludia transmitiu desejo.

    Impossível não se sentir realizada com um homem desses olhando dessa forma para mim. Inclinando seu corpo para frente, suas mãos seguiram da minha panturrilha, vagarosamente, até minha bunda. Congelei no lugar, sabendo que nada poderia acontecer entre nós por causa do meu alerta vermelho.

    Se Sesshomaru percebeu, não demostrou, porque suas mãos continuaram sua exploração, dessa vez descendo para as minhas panturrilhas novamente e me fazendo dar um passo em sua direção, ficando entre suas pernas.

    Nossa falta de palavras, enquanto era adorada por esse homem, deixava-me muito excitada e frustrada. Não iria rolar nada, tudo seria em vão.

    — Mia bella... — com sua voz rouca falando em italiano, sua mão começou a subir novamente minhas pernas e pararam na barra da minha saia. — Irresistibile (irresistível ).

    Fechei os olhos, absorvendo o que poderiam ser essas palavras e suas intenções. Não precisava mais imaginar o que poderíamos fazer, já que tive a experiência real. Sabia o quanto esse homem poderia me proporcionar prazeres inigualáveis e me tratar como uma mulher de verdade.

    Seu rosto se aninhou na minha barriga, causando cócegas na região e no meu baixo ventre. Tudo parecia mais sensível, muito mais intenso.

    Assim que suas mãos ameaçaram subir pelas minhas coxas, debaixo da saia, abri meus olhos num susto e dei dois passos para trás, desmanchando a nossa neblina de luxúria. Estava ofegante, com o rosto quente pelo desejo. Sesshomaru despertava dentro de mim algo que nunca pensei em ser, mulher poderosa e irresistível.

    Aceitava muito bem minhas atuais condições de menina, amiga e companheira. Porém, depois do dia de ontem, nunca mais aceitaria nada menos do que meu CEO me ofereceu. Era mais e nunca voltaria a menos.

    Quando encontrei os olhos confusos e magoados de Sesshomaru, quase me arrependi das minhas ações. Na verdade, não pensei antes de agir. Estava sendo adorada por um homem lindo e poderoso e praticamente repeli seus atos.

    — O que foi, mia bella? — o carinho no seu tom pesou ainda mais meu arrependimento.

    — Não podemos continuar com... — tentei encontrar as palavras certas para abordar minha situação de uma forma madura, mas o nervosismo e a vergonha me consumiram como nunca antes. Não queria dar esperanças de um momento bom se meu órgão reprodutor tinha planos de limpeza na casa durante três a cinco dias.

    Agora, apenas chateado, Sesshomaru me observa dar a volta na sua mesa, sentar em uma das cadeiras e o encarar muda. Seus olhos de avela, tão questionadores e sentimentais estavam me transformando em uma adolescente tímida.

    Apenas diga que está menstruada, mulher! Tento me convencer e me obrigar a ser sincera, mas da minha boca sai apenas:

    — Falta apenas dois funcionários para concluir o relatório. Quer que configure tudo no seu notebook? — sem um equilíbrio no meu tom de voz, tento me portar profissionalmente.

    Seu olhar avaliador me deixa incomodada ao ponto de me mexer na cadeira, como se minha calcinha estivesse indevidamente entre minhas nádegas. Ele queria saber o motivo da minha dispensa, estava magoado por causa disso, não precisava ler mentes ou linguagem corporal para saber disso, porque um sinal luminoso estampava sua testa.

    — No meu notebook. — autoritário, afastou sua cadeira de perto da mesa e se levantou. — Você consegue terminar daqui o relatório? — Apontou com o olhar para o equipamento.

    Senti minha barriga apertar, a fome novamente mostrando que comandava meu organismo. Preferia minha sala, com meus bombons e minhas máquinas, mas não poderia mentir.

    — Sim, consigo.

    — Então faça tudo daqui. Precisarei sair por alguns minutos, no máximo em uma hora estarei de volta. É tempo suficiente para concluir? — Sem esboçar nenhuma emoção como ele, levanto da minha cadeira e aceno afirmativo.

    Sem se despedir, ele sai da sala e me deixa com um buraco no estômago e no coração.

    Não deveria tê-lo tratado daquela maneira, ainda mais quando me apreciava daquele jeito. Quantas não iriam quer estar na mesma situação que eu, independentemente do estado atual.

    Não tinha intenção de fazer nada menstruada, ninguém iria me obrigar. Ou não...

    Sento na cadeira presidencial, aproveitando o pouco de luxo que poderia usufruir enquanto Sesshomaru estivesse fora e voltei ao meu trabalho.

    Nem cinco minutos se passaram quando minha vista ficou embaralhada, meu corpo pareceu frio e meus braços ficara moles.

    Assustada, comecei a inspirar e expirar com velocidade, para oxigenar meu corpo, mas nada adiantava, sentia-me mais fraca a cada segundo que passava.

    Sem me dar conta do próximo sintoma, minha vista escurece, meu corpo amolece e viro maria-mole assim que meu corpo encontra o chão.


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